27 abril 2010

Um espólio a aguardar fundos comunitários

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No seguimento do último post, sobre a falta de sinalização da passagem de Aquilino Ribeiro por Terras de Coura, houve quem me lembrasse prontamente que o autor de “A Casa Grande Romarigães” não é o único a ser relegado para segundo ou terceiro plano. E lá veio à baila o nome de Mário Cláudio e o suposto esquecimento da ideia de alojar em Paredes de Coura o espólio deste escritor portuense, que tem o nosso concelho no coração.

E digo “suposto esquecimento” porque, contrariamente ao que se possa pensar, o assunto não está esquecido.  É certo que o anúncio da doação a Paredes de Coura de todo o acervo documental deste escritor, já foi feito há quase quatro anos e que, daí para cá, nada se viu de concreto. Mas, também ninguém pode exigir que a autarquia courense, especialmente nestes tempos de crise e a braços com uma situação financeira não tão desafogada como desejaria, tenha fundos suficientes para suportar a transformação da antiga escola primária de Venade, Ferreira, no abrigo protegido e dedicado da oferta feita por Mário Cláudio. É que, e a Câmara de Paredes de Coura já o explicou publicamente,os trabalhos a realizar vão ser alvo de candidatura a fundos comunitários e, pelo menos por enquanto, ainda não se abriu qualquer porta que possa permitir a entrada desta ideia no leque de projectos a desenvolver.

O único que poderia ter alguma razão de queixa seria, eventualmente, o próprio escritor. Mas Mário Cláudio tem sido colocado a par de todas estas peripécias que envolvem a sua oferta. Além disso, apesar de os trabalhos “mais visíveis” não estarem a decorrer, tendo a antiga escola sido apenas esvaziada do seu conteúdo, o certo é que os trabalhos em torno do espólio documental do escritor estão já a decorrer, com o seu tratamento arquivístico. Um trabalho quase invisível que, contudo, envolve muitas horas de dedicação e que não pode esperar pela transformação do espaço físico que o vai acolher para ser feito.

23 abril 2010

Por onde anda Aquilino

casa grande romarigães 3

Na última edição do Notícias de Coura, José Luís Freitas, correspondente do jornal em Romarigães, dava conta da situação de quase esquecimento a que a freguesia e o concelho votaram o nome do escritor de “A Casa Grande de Romarigães”. Hoje, Dia Mundial do Livro, relembro essa crítica, a que me associo.

Mais de cinquenta anos após a publicação do romance, a “Casa Grande de Romarigães” continua por cá, por Paredes de Coura. Se divulgação e sem qualquer sinalização, com bem repara José Luís Freitas, mas também sem qualquer ideia para manter vivo aquele espaço que foi (será que continua a ser?), um marco na literatura. Há cerca de três anos, num espaço informativo da RTP, ouvi algumas propostas para transformar a zona envolvente num jardim, à imagem do que terá sonhado Aquilino Ribeiro. Algum tempo depois, por ocasião da comemoração dos 50 anos da publicação, o próprio presidente da Câmara de Paredes de Coura adiantou que gostaria de ver aquele espaço transformado num museu, assim houvesse fundos para tal. Mas, como em tudo, os fundos não existem, e por isso à Casa do Amparo, que depois de ter inspirado um dos vultos da literatura portuguesa, sobrevive hoje a custo, num misto de espaço privado e de local de visita a que só acedem alguns mais curiosos.

Situação diferente da que se vive em Moimenta da Beira, nas Terras do Demo, onde a antiga casa do escritor é hoje uma casa museu, sede da Fundação Aquilino Ribeiro e que a autarquia local quer agora transformar num local mais dinâmico, aberto à comunidade e aos investigadores, que ali encontram um pouco da história de Aquilino Ribeiro. Realidades diferentes sobre um mesmo epicentro, é certo, e nos tempos que correm já se sabe que a cultura é sempre o filho que fica esquecido pelas autoridades governativas. Mas, em Paredes de Coura, um primeiro passo poderia ser dado pela própria autarquia, seja a câmara ou a própria Junta de Freguesia de Romarigães: porque não dar ouvidos a José Luís Freitas e dotar a freguesia, pelo menos na principal via que a atravessa, de sinalização que indique aquele que devia ser um dos seus maiores motivos de orgulho?

16 abril 2010

Hotel vs pocilga

sanatório 2

Depois de abandonado, depois de esquecido pela tutela, mesmo sabendo que há interessados na sua compra e recuperação, o antigo hospital de Mozelos sofre agora novo revés. Pessoalmente, nem queria acreditar quando vi a notícia na última edição do Notícias de Coura, que dava conta da transformação, ainda que temporária, do antigo sanatório numa… pocilga!!!

Pelo que se pode ler no artigo em questão, a colocação dos animais naquela espaço surgiu como contrapartida pela limpeza da zona envolvente. Ora, o que não se compreende, por um lado, é se se está a limpar por um lado, porque se há-de sujar, com os detritos dos animais, por outro lado. Acresce que, a meu ver, a ocupação daquele imóvel pelos animais vai deteriorar ainda mais o antigo hospital. Mas, mais importante, o que não se compreende é porque é que este processo não ata nem desata, pois da maneira que as coisas se arrastam não seria de admirar que, qualquer dia, o grupo empresarial que estava interessado em recuperar aquele imóvel e ali construir um hotel e campo de golfe, simplesmente perca o interesse.

Enquanto isso, aqui ao lado multiplicam-se os projectos do mesmo género. Inclusivamente projectos hoteleiros promovidos pelo município, como é o caso do novo hotel que a Câmara de Ponte de Lima quer abrir em Arcozelo. Deste modo aproveita-se uma casa antiga comprada recentemente e requalifica-se toda a zona envolvente. E, curiosamente, não houve necessidade de transformar o espaço numa pocilga. 

15 abril 2010

Outsider

 

“Confrontado com este protesto, António Pereira Júnior adiantou à Rádio Vale do Minho que não vai estar presente, porque esta vigília não está a ser organizada por uma courense, "ninguém a conhece como se fosse de cá e portanto fica-se na expectativa que é uma outsider que vem aqui fazer uma manifestação” 

Contextualização. Estupefacção. Indignação. Telhados de vidro. Reconhecimento.

Primeiro a contextualização. Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura, comentava, aos microfones de uma rádio local, a vigília que vai ser levada a efeito no próximo sábado, como forma de protesto pelo encerramento do SAP no período nocturno. Uma vigília que, como já aqui abordei, foi convocada por Sandra Barros, cidadã portuguesa, que paga impostos e não aceita o encerramento do serviço nocturno do SAP de Paredes de Coura, como a própria assina o panfleto que distribuiu, por email e também por mão própria. Inclusivamente foi das mãos da própria subscritora que o  autarca courense recebeu o panfleto que convida à participação na vigília de sábado.

Estupefacção. Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura, até podia fazer este comentário no recato de uma qualquer conversa privada, mas…  num órgão de comunicação social! Não sou advogado de defesa de ninguém e tenho a certeza que a Sandra Barros é capaz de, por si própria, responder ao autarca courense e explicar-lhe os motivos do seu protesto, mas as palavras do presidente da Câmara causaram-me alguma surpresa. Pela forma e pelo conteúdo.

Indignação. Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura, até nem tem a culpa, mas infelizmente este tipo de discurso já não é novidade  para mim, vindo de outros lados.  A ideia de que só quem é courense, ou pelo menos conhecido em Coura, é que tem algo válido a dizer.  É que, tinha-me esquecido, eu também não sou natural de Paredes de Coura, apesar de, por aqui residir há mais de dez anos e de, pasme-se, me considerar courense. Não sei se é por ter decidido aqui criar a minha família, ou se por ter optado por aqui residir e aqui pagar os meus impostos, alguns dos quais para a própria Câmara de Paredes de Coura. Ou se é simplesmente por ter abraçado Paredes de Coura como “a minha terra” e querer para este concelho tudo o que ele tem direito, participando no que ele tem para me oferecer e oferecendo-lhe o que tenho para partilhar.

Telhados de vidro. Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura, não se pode esquecer também, que  não se deve atirar pedras quando se tem telhados de vidro. É que os seus dois colegas de partido na vereação da autarquia também não são courenses “de gema” e inclusivamente a sua escolha foi alvo de críticas por isso mesmo na última campanha eleitoral. Digo hoje, como já disse em Outubro a quem criticou publicamente a sua escolha, que a origem não importa, o que conta é a vivência, e tanto faz ser de 20 anos como de 20 meses. É o sentimento de viver numa terra que queremos como nossa, mesmo que não tenha sido aquela que nos viu nascer. E basta olhar à nossa volta para ver, em sectores tão distintos como a saúde, a educação, o comércio, a indústria e, inevitavelmente, a política, muitos courenses “importados” que adoptaram este concelho como seu.

Reconhecimento. Estou certo, contudo, que as palavras de Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura surgiram no calor do momento, mais preocupado que a vigília de amanhã prejudique as negociações concluídas em 2008 do que outra coisa qualquer. Mais tarde, mesmo que reconheça as pessoas, esperemos que não tenha de reconhecer que, se calhar, a boa fé que o caracteriza não tem reciprocidade por parte do Ministério da Saúde. A ver vamos.

Saúde e regionalização

Poderia a regionalização ser a resposta para uma melhor rede de cuidados de saúde? Há quem entenda que sim. Para ler e explorar  a opinião de L. Seixas, no blogue Regionalização.

13 abril 2010

Uma vela pelas urgências

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Desde que escolhi Paredes de Coura para morar, já lá vão mais de dez anos, que soube logo à partida que, apesar de ir usufruir, de uma forma geral, de uma melhor qualidade de vida, havia algumas áreas onde a reduzida oferta local  continuaria a colocar a vida na cidade num patamar superior. A saúde estaria, infelizmente, à cabeça dessa lista de coisas, de actividades, de sectores que encontravam em Paredes de Coura uma oferta deficitária.

Ainda assim, o reduzido serviço prestado pelo Centro de Saúde e pelo serviço de atendimento permanente conseguiu resolver ou pelo menos encaminhar grande parte das solicitações que ali fiz chegar. É claro que, como aliás já aqui relatei algumas vezes, nem sempre as coisas correram da melhor forma, se bem que, e convém realçar isso, quase sempre por deficiente atendimento. O SAP de Paredes de Coura, contudo, não deixou de estar presente quando dele necessitei e, convenhamos, com duas crianças menores a meu cargo, não foram raras as vezes em que me desloquei durante a noite e madrugada para ali procurar assistência médica.

É claro que um SAP em Paredes de Coura não oferece os mesmos meios técnicos e humanos que um serviço de urgência básica ou a urgência de um hospital distrital. Nem seria exigível que o fizesse porque, simplesmente, é um serviço de atendimento permanente e não um serviço de urgência. E é nessa qualidade de serviço de atendimento permanente que deveria continuar, a prestar apoio médico a quem dele necessite fora de horas, não precisando de se deslocar a Ponte de Lima ou Viana do Castelo para tratar de problemas que, mesmo não sendo considerados urgentes pelos responsáveis máximos da saúde em Portugal, são mais que urgentes para quem com eles tem de lidar em momentos de aflição.

E não me venham dizer que é a ambulância SIV de Valença ou Ponte de Lima ou o posto de emergência médica que está estacionado nos Bombeiros de Paredes de Coura que vai substituir este atendimento médico. Em situações urgentes, de carácter mais grave, concordo que o transporte imediato para outra unidade de saúde é o mais aconselhável (desde que devidamente acompanhado, o que nem sempre acontece…), mas alguém acha que vai ser o 112 ou a linha saúde 24 (que já experimentei e que funciona bem até certo ponto) a resolverem exclusivamente as outras situações de menor gravidade?

Por tudo isto é com agrado que me associo à vigília agendada para o próximo sábado, pelas 20.30 horas, defronte do Centro de Saúde de Paredes de Coura, para manifestar o meu desagrado face ao encerramento nocturno do serviço de atendimento permanente. Uma iniciativa de alguém que conheço pessoalmente e em quem reconheço o descontentamento face a uma situação que, no caso concreto de Paredes de Coura, só vem lembrar que estamos cada vez mais longe de tudo. Se também não concorda com o encerramento do SAP durante a noite, associe-se e apareça no próximo sábado.

09 abril 2010

SC Courense: nova direcção com um olho no campo e outro nas contas

Eleita recentemente, a nova direcção do Sporting Clube Courense assume a consolidação financeira e o controle de custos como uma das principais prioridades do clube para este mandato. Mas os resultados desportivos também não foram esquecidos, bem como a continuidade da aposta na formação e um alargamento do campo de actuação do Sporting Clube Courense. Ideias para conferir numa entrevista concedida ao Mais pelo Minho por António Gonçalves, novo presidente do clube.

MPM – Quais são os principais projectos para este mandato como presidente?
AG - O projecto básico deste mandato será a consolidação financeira e controlo de custos. No fundo tentar assegurar o futuro imediato e a médio/longo prazo do clube, cientes nós dos riscos em termos de opinião pública que corremos, pois estamos a falar de futebol e o futebol para muitas pessoas são resultados. Mas não duvidem que vamos, dentro das nossas possibilidades e com os pés bem assentes no chão, tentar que os resultados sejam de acordo com o historial do clube e que dignifiquem o concelho como maior instituição desportiva do mesmo, tentando olhar e aproveitar na medida dos possíveis a muita qualidade que nos rodeia e que já temos nos nossos quadros. Face ao crescente número de atletas, na medida dos possíveis, e com muito trabalho e se possível com o apoio da sociedade courense, temos de tentar que as nossas instalações sejam dignas de os acolher, tentando construir os tão desejados balneários, casas de banho, bar mais acolhedor… No fundo tentar aliar ao magnífico relvado uma envolvência mais agradável e funcional. Não podemos deixar de lado o “problema” que é a sede. Os sócios a devido tempo serão chamados a pronunciar-se sobre o assunto. Mas o que realmente fica como grande alavanca de motivação será a tentativa de aproximação do clube aos courenses, quer de Coura, quer de qualquer parte do mundo, tentado que o clube tenha um número de associados de acordo com os seu pergaminhos.
MPM - Vai continuar a aposta na formação, seja para alimentar o escalão principal seja para funcionar como catapulta para os jogadores courenses alcançarem outros clubes?
AG - A aposta na formação é o caminho a seguir, quer seja no Courense ou noutro clube qualquer, temos que ter a noção da realidade e entender que não se pode continuar a gastar o que se gasta e tentar investir esse dinheiro ao longo da formação dos atletas, tentando depois como é natural tirar proveito desse investimento. Mas esse é um caminho que se vai impondo com o tempo, não podendo ainda a curto prazo tirar o devido fruto em termos de equipa sénior, mas para lá se caminha. Não querendo levantar muito a ponta do véu em termos de futebol de sete, ou seja dos mais pequenos, temos em mente a introdução de um projecto inovador para o concelho.
MPM - Há alguma possibilidade de fusão entre equipas do Courense e do Castanheira para evitar repetições de equipas no mesmo escalão, como acontece actualmente com os juniores?
AG - Sim existe essa possibilidade e é de todo desejável, estamos a falar de pessoas sérias e adultas das duas partes, o que de certo levará a que se chegue a um entendimento.
MPM - Como está o clube no que respeita a saúde financeira? A Câmara tem cumprido o acordado? Os patrocínios actuais são suficientes para programar um clube com futuro?
AG - Como todos os clubes não está bem. A Câmara cumpre com o estabelecido, mas um clube não pode estar dependente apenas das entidades oficiais, tem que procurar apoios privados e sobretudo procurar “fazer” dinheiro usando a astúcia e a criatividade, e é precisamente aí que no próximo Verão se verá o Courense em novas actividades. Mas a maior dificuldade neste momento do clube prende-se com o transporte para jogos dos atletas, sobretudo dos mais novos, problema esse que vai ser posto na medida dos possíveis à consideração das entidades responsáveis.
MPM - A nível desportivo, quais as ambições para o Courense nas próximas épocas?
AG - Como já dei a entender na primeira questão vamos tentar alcançar o melhor possível, e isso em futebol pode ser muito. Não escondo que gostava que o clube neste mandato conquistasse títulos, quer em formação, quer na conquista de uma taça distrital em seniores. Mas vamos lutando no dia a dia.
MPM - Fala-se na possibilidade de alargar o leque de modalidades oferecidas pelo Courense. Alguma em especial?
AG - Sim temos esse sonho e a prioridade será o futsal, tentando aproveitar a possibilidade de utilização de atletas do futebol de 11, podendo ser utilizados atletas dos planteis sénior e júnior. Mas o clube sozinho não consegue suportar esse investimento, vamos tentar que surja um sponsor, e já houve alguns contactos, que patrocine a equipa e tentar ainda este ano ou mais tardar no próximo arrancar com o projecto. Temos ainda a intenção de arrancar com um clube de escuteiros, coisa que ainda não existe no concelho.
MPM - A direcção agora eleita apresenta algumas novidades. Como surgiram estes nomes? Como vão ficar distribuídos a nível de responsabilidades?
AG - Podemos dizer que apresenta muitas novidades, os nomes foram surgindo fruto em parte da grande coesão no departamento de formação, pois a grande maioria deles são pais ou mães de atletas e ainda se está a recuperar antigas glórias do clube, pessoas que deram muito ao clube, mas que ainda tem muito mais para dar. Em temos de responsabilidade o Luis Rocha (Nizo) ficará com o pelouro do futebol sénior, ficando a formação sob a supervisão do Mário Braga (Marocas), sendo que as questões financeiras ficam a cargo da Celina Sousa, cabendo a secretaria ao Paulo Fernandes, tudo isto, claro está, salvaguardado pelo trabalho de todos os vogais, não podendo nem sendo desejável referir que este vai ter aquele ou outro serviço, mas sim criar uma equipa de trabalho onde sejam um por todos e todos por um.

Fotos retiradas do blogue do SC Courense

01 abril 2010

31 março 2010

E agora? (2)

001 Se Portugal falha, o que se faz? Procura-se ajuda do outro lado da fronteira, claro! É o que acontece agora, por exemplo, com o encerramento das urgências nocturnas em Valença. Se já antes havia muitos valencianos que procuravam cuidados de saúde na Galiza, agora, com a polémica decisão da Unidade Local de Saúde do Alto Minho, certamente que a procura pelos médicos espanhóis vai ser ainda maior.

A pensar nisso mesmo, os serviços de saúde galegos vão criar um novo centro de atendimento em Tui. Uma iniciativa que já estava prevista pelo governo regional, mas a que não será também alheio o previsível aumento de pacientes de nacionalidade portuguesa que, a par da ausência de um equipamento do género do lado de cá, constatam que no lado espanhol não lhes são cobradas taxas moderadoras.

Curiosamente, no mesmo fim de semana em que foi decretado (e não decidido, refira-se) o encerramento das urgências nocturnas em Valença, Paredes de Coura, Arcos de Valdevez e Melgaço, o semanário Expresso dedicava duas páginas a um estudo do Instituto Ricardo Jorge, que vai ser publicado em livro na próxima semana, e que traçava um retrato do  país, de acordo com a mortalidade provocada por alguns tipos de doença. Um estudo onde, conforme se pode ver no mapa da figura, grande parte dos concelhos do Alto Minho, apresentam valores elevados de mortes originadas por doenças do aparelho circulatório.

Entre esses concelhos com valores muito altos, imagine-se, encontram-se os municípios que agora passaram a ter menos assistência médica…

Promessas por cumprir

Cumprir o prometido. É o que a Câmara de Paredes de Coura exige ao Ministério da Saúde, depois de ter tido conhecimento da decisão relâmpago que ditou o encerramento, na noite do passado domingo, das urgências nocturnas no Centro de Saúde de Paredes de Coura. Em declarações à Rádio Geice, Pereira Júnior diz que aquele serviço fechou as portas sem que fosse cumprido o que estava determinado no protocolo assinado em 2008.

Em causa está, explica o autarca courense, a promessa que dava como garantida a presença de um enfermeiro naquele serviço que, em caso de necessidade maior, chamaria um médico que atenderia os casos mais urgentes. Uma solução de “médico à chamada” que, recorde-se, numa fase inicial não foi bem acolhida por Pereira Júnior, que aludiu ao facto de apenas dois dos médicos que exercem no Centro de Saúde de Paredes de Coura residirem no concelho, o que inviabilizaria uma resposta rápida. Meses mais tarde, contudo, assinava o acordo com o Ministério e agora espera, calmamente como o próprio refere, pelo seu cumprimento.

30 março 2010

Não é cá, mas…



…é como se fosse. A realidade das urgências em Valença, vista pelas câmaras da SIC. Em Paredes de Coura é ligeiramente diferente, mas no essencial está tudo lá. Ou experimentem lá ver a coisa como se a emergência fosse em Vascões!

Com ou sem acessos?

Paredes de Coura: "Nova" Ponte das Poldras está quase concluída – título de notícia da Rádio Geice

reportagem ponte poldras

É que, depois do que se passou, é melhor perguntar antes. 

29 março 2010

E agora?

centro de saúde 

quatro anos que o fantasma do encerramento das urgências no período nocturno pairava sobre os utentes do Centro de Saúde de Paredes de Coura. Promessas daqui, alternativas dacolá, a indefinição foi-se prolongando no tempo. Até agora! Num golpe surpresa, a administração da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM) ordenou, ontem à tarde, o encerramento das urgências no período nocturno nos concelhos de Paredes de Coura, Valença, Melgaço e Arcos de Valdevez com efeitos já a partir da noite de ontem. E surge, sem hesitações, uma única questão: e agora?

Valença foi, ao que parece, o único concelho a reagir às más notícias, com uma intervenção popular que procurou evitar o que não pode ser evitado. Por cá, nada! Mas, sinceramente, o que me preocupa nem sequer é essa falta de reacção, contra algo que, à partida, já se sabe não ser possível lutar. O que preocupa é, por um lado, a atitude rasteira dos responsáveis da ULSAM, que decidem numa tarde algo que afecta milhares. Bem, certamente não terão decidido ontem à tarde, mas o facto de esperarem por um domingo para comunicar a decisão aos centros de saúde, com efeitos imediatos, mostra muito do que se pode esperar de alguém que tem preocupações meramente economicistas e para quem a saúde das populações assume papel de segundo plano.

Por outro lado, causa-me estranheza que os autarcas dos concelhos afectados sejam completamente colocados à parte deste processo. Não será a saúde uma das áreas chave de qualquer município? Não será, por isso, de todo desejável que decisões de suprema importância como a do encerramento das urgências nocturnas, sejam concertadas entre as entidades responsáveis pelo sector e os responsáveis dos municípios abrangidos/afectados por tais decisões? Ainda para mais quando, como é o caso de Paredes de Coura, todo o discurso oficial em torno desta questão (que, recordo, começou à mais de quatro anos) passava pela manutenção do serviço nos moldes iniciais até que estivessem no terreno todas as alternativas prometidas. Já estão?

O encerramento parece inevitável e, à luz dos argumentos apresentados pelos responsáveis da ULSAM, parece até justificável. "Não respondem a situações de urgência/emergência, uma vez que são apenas o prolongamento em termos horários, das consultas de medicina geral e familiar prestadas pelo Centro de Saúde", diz o presidente da Administração Regional de Saúde do Norte. Pois, e até terá razão em 99% dos casos. Mas, no um por cento que sobra, pode fazer a diferença. E, além disso, a partir de agora vamos ter hora marcada para adoecer. Sim, porque é muito lindo dizer que se tivermos qualquer emergência durante a noite podemos sempre chamar o 112 e dar entrada em Ponte de Lima ou Viana do Castelo. Mas o que se esquecem sempre de referir é que depois de atendidos a 30 ou 50 quilómetros de Paredes de Coura, cabe ao doente arranjar maneira de regressar a casa. E se o doente começar a pensar muito, provavelmente vai esperar pelas 8 horas para ser atendido por cá. Se conseguir…

Além de que, como já referi aqui noutra altura, com este novo figurino, os bombeiros passam a ter um papel preponderante no atendimento às urgências nocturnas, com todas as vicissitudes dessa situação, nomeadamente a possibilidade de, quando solicitados para muitas situações ao mesmo tempo, com as deslocações envolvidas, poderem não estar disponíveis para lhes dar a pronta e devida resposta.

26 março 2010

O título é delas, a festa é para todos!

Ver mais detalhes no blogue Futebol em Primeiro Lugar.

Uma casa para o apoio social

Está no bom caminho a reconversão da antiga casa dos magistrados, nas traseiras do edifício da Câmara Municipal de Paredes de Coura. Adquirida pela autarquia há seis anos, por 250 mil euros, com o objectivo de ali instalar, ainda que temporariamente, o arquivo municipal, está a ser agora alvo de obras de beneficiação e remodelação que a vão deixar pronta para acolher diversos serviços de índole social, entre os quais haverá espaço para um centro de actividades para cidadãos com deficiência. 
A ser assim, Pereira Júnior dá, deste modo, seguimento a uma ideia que há muito andava na cabeça do presidente da Câmara de Paredes de Coura, que chegou a equacionar a hipótese de fazer este projecto em parceria com a APPACDM, para onde são actualmente encaminhados alguns courenses com deficiência. Dificuldades financeiras daquela instituição inviabilizaram, contudo, que o surgimento do centro de actividades ocupacionais visse a luz do dia com a brevidade desejada, pelo que a opção foi encontrar um parceiro local que respondesse ao apelo da autarquia courense.
Mas as obras de beneficiação daquele conjunto de edifícios vão permitir também instalar ali serviços como a rede social ou a estrutura de apoio à Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, libertando algumas salas no "apertado" edifício dos Paços do Concelho, que há muito luta com a falta de espaço. Esta situação contudo, pode apresentar dois lados distintos. Por um lado, tendo em conta o carácter do trabalho que é desenvolvido naqueles serviços, havendo mais espaço dá-se um pouco mais de privacidade a quem a eles recorre. Mas, ao mesmo tempo, isolando este sector do resto dos serviços municipais não se estará a criar um mecanismo que facilmente identifica, e pode inibir, quem deles precisa?
De referir ainda que a recuperação daquele espaço estava, inicialmente, incluída numa estratégia maior que visava toda a requalificação do espaço nas traseiras dos Paços do Concelho, e que implicava a saída daquela zona da Empresa de Transportes Courese, o que não se verifica. Resta agora aguardar para ver se outros projectos da autarquia courense, amplamente divulgados em ambiente pré e pós-eleitoral, vêem também a luz do dia a breve prazo. Falo, concretamente, da transformação do antigo hospital numa unidade de cuidados continuados, novamente numa parceria entre a câmara e a Santa Casa da Misericórdia de Paredes de Coura. Aqui ao lado, em Ponte da Barca, já tiveram boas notícias. A ver se nos calha a mesma sorte!

Nota: texto inicial actualizado à luz de novas informações obtidas.

23 março 2010

A feira que já o foi

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Mais vida para a feira de Paredes de Coura?  Parece que não…Nos cinco minutos que dediquei a ler o projecto de novo regulamento de funcionamento da feira quinzenal concelhia, fiquei com a sensação de que, com este documento, a feira vai ficar ainda mais limitada, fruto de uma série de imposições e restrições ditadas pelas normativas comunitárias.

É o custo do progresso, poderão dizer, se tivermos como linha de horizonte do sucesso a integração na União Europeia. É um custo que, contudo, pode ter em Paredes de Coura um preço demasiado elevado. É certo que os tempos áureos da feira de Paredes já lá vão, longe no tempo, e julgo mesmo que não será fácil recuperar parte do esplendor perdido, ainda que com recurso a toda uma série de atractivos que já vi defenderem para trazer mais gente à feira. A feira de Paredes de Coura já não tem nome que traga cá acima as gentes de outras paragens. Não tem, por exemplo, o poder apelativo que as feiras de Valença ou Vila Nova de Cerveira exercem sobre os nossos vizinhos espanhóis. Se já o teve? Desconheço! Se o poderá vir a ter? Creio que não…

Também não é esse o objectivo do projecto de regulamento actualmente em discussão pública. O que se pretende, creio eu, é dotar o seu funcionamento de algumas regras, acompanhando o evoluir dos tempos. Uma leitura transversal do documento , contudo, poderia indiciar, erradamente, que estávamos perante uma grande feira. Senão atente-se no período indicado para o seu funcionamento, entre as 6 e as 18 horas, obrigando os feirantes a esperar por esta hora para recolherem os seus pertences. Antes fosse, dirão alguns deles, habituados que estão a desmontar a barraca pela hora do almoço devido à falta de clientes. Da parte da tarde os largos ficam novamente vazios, apenas ornamentados pela enorme quantidade de lixo deixada ao abandono pelos comerciantes. O novo regulamento dita, aliás, que os feirantes devem deixar os espaços de venda limpos. A ver se pega, porque agora a realidade é muito diferente.

Deram-lhe novo poiso no final de 2006, o que terá camuflado a sua real situação, apesar de ter trazido outro colorido, outra vida, ao centro da vila. Não foi suficiente! Ou, por outro lado, terá sido tarde demais. Apesar disso, a feira de Paredes de Coura vai sobrevivendo… lentamente.

17 março 2010

Se a confusão evitasse as portagens…

Muita confusão vai para os lados da Assembleia da República no que toca à introdução de portagens nas SCUT’s. Confusão, principalmente, junto dos seis deputados eleitos pelo círculo de Viana do Castelo, que parece que não sabem muito bem no que é que votaram quando pensaram que estavam a votar uma coisa que afinal parece que não seria aquilo em que pensavam que estavam a votar.

Confuso? Pois, parece que eles também. De tal modo que o “Movimento A28 Sem Portagens” já veio a público pedir a demissão de cinco dos seis eleitos, por aparentemente não saberem muito bem o que andam por lá a fazer. Só escapa, na perspectiva do referido movimento, Defensor Moura, antigo presidente da Câmara de Viana do Castelo que em Outubro foi catapultado para o Parlamento. Mas, dizem outros, parece que nem mesmo ele terá votado o documento correcto.

E no meio disto tudo lêem-se notícias como esta, que dão como certa a introdução das portagens em três concessões de auto-estrada até agora sem custos para o utilizador, incluindo a A28, que liga Viana do Castelo ao Porto. Os movimentos cívicos estudam novas formas de luta, o povo demonstra que não as quer com abaixo-assinados e inquéritos diversos, mas a obsessão governamental continua. E eu ainda me lembro do tempo em que era  o PSD que defendia as portagens nas SCUT’s com a oposição do PS. Entretanto, parece que valores (literalmente valores) mais altos se levantam.

16 março 2010

Boas notícias em tempos difíceis

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Em tempo de crise, de encerramento de empresas e de aumento galopante dos números de desemprego, é sempre bom ouvir notícias como esta. E também notícias destas, especialmente se tivermos em conta que há uma semana atrás a notícia em destaque era outra.

Resta ver se os resultados surgem.

12 março 2010

Participação? Pois sim…

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É assunto por demais recorrente aqui no Mais pelo Minho: a participação dos cidadãos na vida cívica do concelho onde residem. Sou, assumidamente, daqueles que defendem que, tendo oportunidade e lugar, todos somos chamados a intervir. Ou, pelo menos, deveríamos ter essa possibilidade.

E se isto é verdade quando se trata de documentos de menor importância, mais verdade ainda é, quando em foco está um dos documentos maiores de qualquer município: o Plano Director Municipal. Na última sessão da Assembleia Municipal, o PSD foi de encontro a esta abertura da vida do município aos cidadãos, propondo a realização de um debate alargado que extravase os muros daquele órgão autárquico e os limites muitas vezes impostos pelos partidos, e que traga para a sociedade civil a discussão do PDM actualmente em revisão. Uma sugestão que foi aceite pelos restantes partidos com assento na AM, com uma ou outra ressalva, pelo que dentro de algum tempo este debate será uma realidade. Só não sabe ainda ao certo quando, porque, como é habitual nestas coisas, a revisão do PDM continua emperrada lá para os lados de Lisboa, mas deverá regressar a Paredes de Coura, para apreciação pública e posterior aprovação, dentro de algumas semanas.

E por falar em apreciação pública, esta é uma das formas mais correntes para que os cidadãos possam ter uma palavra a dar em relação ao que passa no seu concelho. Apesar disso, ainda na última reunião da AM, o presidente da Câmara se queixava da pouca ou nenhuma participação que estas coisas tinham habitualmente, o que veio dar ainda mais importância à iniciativa do PSD. De qualquer das formas, não basta reclamar da ausência de participação dos courenses quando a divulgação do que está em discussão pública também deixa muito a desejar. Senão vejamos: neste momento estão em discussão pública quatro projectos de regulamentação elaborados pelo município. No entanto a única divulgação feita passa pela página da autarquia na internet, já que nem sequer às juntas de freguesia chegaram, ainda, os editais.

Assim, duma assentada só, temos o projecto de quadro regulamentar do uso do fogo, o projecto de regulamento do funcionamento da feira, o projecto de regulamento e tabelas de taxas de  urbanização e edificação e ainda o projecto de regulamento e tabela de taxas e tarifas gerais do município. Quatro documentos (e respectivos anexos) duma assentada só, que podem ser consultados online ou nos Paços do Concelho. Porque depois será sempre tarde demais para criticar, ainda para mais para criticar o que se desconhece.

09 março 2010

Coisas do destino

josé augusto caldas

Há coincidências que não passam pela cabeça de ninguém, são daquelas coisas em que o destino nos traça um caminho que, à partida não pensávamos percorrer. Que o diga, por exemplo, José Augusto Caldas, candidato a presidente da Câmara de Paredes de Coura nas últimas eleições autárquicas.

Há quase um ano, em Abril, dava uma entrevista ao Mais pelo Minho onde assumia que só ficaria na câmara se ganhasse as eleições. Mais tarde, em plena campanha eleitoral, garantia que não era bem assim e que, independentemente do resultado das eleições, ficaria no lugar que os votos lhe destinassem, o que acabou por acontecer.

Mas a vida tem destas coisas, destas voltas que, aparentemente, não fazem parte dos planos  e, vai daí, eis que, apenas quatro meses volvidos, José Augusto Caldas é obrigado a suspender o seu mandato por motivos profissionais, conforme noticia a edição de hoje do Notícias de Coura. O lugar de vereador foi assumido por Ana Maria Guerreiro, número três da lista, desconhecendo-se se a suspensão de José Augusto Caldas é temporária ou se o candidato social-democrata não vai mesmo voltar à autarquia. É caso para dizer que há coisas em que o destino é mais forte que a vontade.