03 março 2010

Muita discussão para pouca coisa

Décio Guerreiro e Carlos Barbosa, respectivamente do PSD e do PS, foram os protagonistas da última sessão da Assembleia Municipal de Paredes de Coura, pautada pela ausência, notada, do líder concelhio dos social-democratas. E, se a reunião decorria serena, foi quando chegou ao último ponto da ordem de trabalhos, que visava a alteração do regimento daquele órgão autárquico, que tudo mudou. Realizada em Rubiães, ao abrigo da política de descentralização iniciada há anos pelo presidente da Assembleia Municipal, a reunião foi, ainda assim, pouco concorrida. E ainda bem, acrescente-se, porque a sala escolhida não foi a melhor, com pouco espaço e a obrigar a uma proximidade física excessiva entre todos os presentes, nomeadamente entre a mesa e os deputados, levando o pouco público presente a ficar de pé… e à porta.

O público, aliás, foi o mote da discussão entre o líder da bancada social-democrata e o deputado municipal do PS. O ponto em agenda introduzia algumas alterações no regimento da AM, nomeadamente a altura da intervenção do público,  e, depois de ter sido adiado na sessão de Dezembro, a pedido de Décio Guerreiro, voltou agora à assembleia. Apesar disso, o histórico do PSD courense queria, de novo, o seu adiamento. tudo porque, entendeu Décio Guerreiro, não foi alcançado o total entendimento na reunião prévia entre presidente da AM e representantes dos três partidos ali presentes, mas também não terá sido dada oportunidade de, após essa reunião, ser apresentada uma contra-proposta.

Vai daí, o líder da bancada laranja resolveu apresentar, em plena sessão, a proposta de um novo regimento interno, situação que mereceu logo a crítica dos socialistas que, pela voz de Carlos Barbosa, criticaram a opção social-democrata, defendendo que da reunião prévia teria saído um consenso quase total, ficando de fora desse entendimento apenas o momento em que o público interviria, com PSD e CDU a optar pelo formato actual, no fim dos trabalhos, e o PSD a querer antecipar para o início da reunião. Uma questão que, aliás, já abordei por diversas vezes aqui no Mais pelo Minho, defendendo também a antecipação da intervenção ou o seu desdobramento. É que, mesmo sendo rara, não há razão para fazer esperar os cidadãos que desejem intervir e obrigá-los a aguardar pelo fim dos trabalhos que, não raras vezes, avançam pela madrugada.

No final, depois de muita discussão, embora com pouco conteúdo, a proposta do PSD acabaria por nem sequer ser admitida à votação, por não ter sido apresentada formalmente, subscrita por um terço dos deputados da AM. Em cima da mesa ficou apenas a alteração inicialmente prevista, que foi aprovada pela maioria socialista. “Uma tempestade num copo de água”, concluiria José Augusto Pacheco, presidente da mesa, que desde a sua entrada em funções naquele cargo já patrocinou diversas alterações ao regimento, desde o atribuir maior destaque aos elementos da autarquia, que deixaram a plateia para se sentarem de frente para os deputados, até à imposição de limites de tempo nas intervenções. Tudo em nome de uma maior transparência, rigor e abertura. Se os dois primeiros factores será mais difícil de aferir, já em relação ao último há uma certeza: ainda não foi desta que se conseguiu chamar público às reuniões da assembleia!

28 fevereiro 2010

O fado do golfe em Paredes de Coura

“Temos um fado muito grande em relação à construção de um campo de golfe em Paredes de Coura!” O desabafo é de António Pereira Júnior, presidente da Câmara Municipal de Paredes de Coura, na Assembleia Municipal da passada sexta-feira. O autarca courense respondia a uma interpelação de Elisabete Ribeiro, do PSD, que quis saber o estado em que se encontrava actualmente o projecto para a instalação de um complexo turístico com campo de golfe de montanha em Mozelos e arredores.
Na resposta, Pereira Júnior não conseguiu esclarecer a assistência mas, lembrando que vivemos uma situação de crise, recordou que já foi protocolada, ainda que não escriturada, a compra de grande parte dos terrenos necessários ao campo de golfe. E, acrescentou, está incluído nas candidaturas aos fundos comunitários. Sobre o edifício do antigo sanatório, voltou a lembrar o que já é do domínio público: que ainda não é conhecido o proprietário correcto daquele equipamento e que, quando se souber qual o organismo, dentro do Estado, que detém a sua propriedade, a autarquia está disposta a adquiri-lo e entrar assim no capital da sociedade detentora do futuro complexo turístico.
O presidente da Câmara aproveitou ainda para esclarecer os presentes que o projecto do campo de golfe em Mozelos nada tem a ver com outro equipamento género que vai surgir em Covas, Vila Nova de Cerveira, e que já estará mais adiantado. Sobre o assunto, aliás, aproveito para pegar no que diz Nuno de Matos, no seu blogue, sobre a multiplicação de projectos turísticos com características semelhantes em todo o Alto Minho. Aliás, ainda há tempos, em conversa com um amigo sobre o assunto, se questionava a futura taxa de utilização de seis campos de golfe num espaço tão próximo. Coisa que, mais do que a crise ou a propriedade do antigo sanatório, pode colocar em risco o projecto de Mozelos.

23 fevereiro 2010

Caminho fora dos eixos

A crítica partiu da Câmara Municipal de Ponte de Lima, mas também afecta Paredes de Coura. Em causa está uma publicação especial do Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular, associação de municípios que reúne 17 concelhos do Norte do país e outros tantos na Galiza, que em ano de Jacobeu resolveu divulgar algumas informações de cariz turístico. Ao longo de 125 páginas são destacados alguns aspectos das principais cidades atravessadas pelos caminhos de Santiago, bem como os próprios caminhos utilizados pelos peregrinos.

E é aqui que surge a indignação de Ponte de Lima, porque a publicação  praticamente omite o Caminho Central, que passa por aquela vila e sobe, por Paredes de Coura, em direcção a Espanha. A autarquia limiana critica ainda a total omissão dos albergues portugueses, entre os quais o de Rubiães, da lista de sugestões apresentada pela revista do Eixo Atlântico.

De fora das sugestões, no que respeita a espaços naturais da Galiza e Norte de Portugal, ficou também a área de paisagem protegida das Lagoas de Bertiandos, o que mereceu mais um reparo da Câmara de Ponte de Lima. Já Paredes de Coura pode dar-se por satisfeita por ver naquela publicação a referência à área de paisagem protegida do Corno de Bico. E daí… talvez não! É que, o trabalho da revista é tão bom, no sentido de ter sido devidamente corrigido, que o Corno de Bico é indicado como estando no Alto Douro. Nada de mais, especialmente se tivermos em conta que a Área Protegida do Litoral de Esposende aparece no litoral interior de Trás-os-Monte. E o mar ali tão perto…

22 fevereiro 2010

Nós... também

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Ligação de Paredes de Coura à A3: Pereira Júnior espera não ter "mais uma desilusão" – título de notícia da Rádio Geice

Depois de anos de espera, de promessas e mais promessas, eis que surge a crise, a maldita crise, que manda apertar o cinto e congelar tudo o que é projecto que não interessa a Lisboa mas que podia fazer a diferença lá na aldeia. E eis que aqui pelos lados de Paredes de Coura se volta a ter pesadelos com o sonho prometido e já se pensa que poderá não haver ligação à A3.

Com o projecto ainda em fase de estudo de impacte ambiental, e sem nada preto no branco no papel por parte do Ministério das Obras Públicas (se bem que, nos tempos que correm, isso de estar preto no branco não quer dizer nada), o presidente da Câmara de Paredes de Coura espera não ter mais uma desilusão. Pois… E eu acrescento, nós também esperamos que não.

Fiquei, contudo, sem saber, se Pereira Júnior se referia concreta  e unicamente à tão-falada-e-prometida-mas-nunca-mais-concretizada variante de ligação da vila a Sapardos ou se a sua preocupação se estenderá a outros domínios. Será que já está a ver mal parados outros projectos que apresentou para o concelho? Esperemos que não. É que, se o peso político de Paredes de Coura  parece diminuído depois da vitória (???) no braço de ferro das listas de deputados, só nos resta esperar (e acender uma velinha?) que não venha por aí nenhum defensor da vingança a cortar tudo o que é ideia para o município.

18 fevereiro 2010

Limpar Paredes de Coura? Claro!

O dia 20 de Março de 2010 vai ser assinalado em todo o país como o Dia L, instituído pelo Projecto Limpar Portugal. O objectivo é identificar e limpar as lixeiras espalhadas pelas bermas de estrada e pelos montes. Paredes de Coura, também vai ter o dia seu Dia L, tendo nos últimos meses reunido uma equipa de voluntários que se tem debruçado sobre a realidade do nosso concelho, identificando os locais a ser alvo de intervenção, mas também fazendo um trabalho incansável de recolher apoios de entidades que, com pessoal ou meios, vão também dar uma mão no dia 20, quando se avançar para o terreno.

Pessoalmente nunca participei em nenhuma reunião do Projecto Limpar Portugal em Paredes de Coura. Fui convidado, é certo, mas afazeres pessoais com calendário anual definido logo em Setembro têm-me afastado dos encontros. Tenho, contudo, acompanhado ao longe o trabalho desenvolvido pela equipa de Paredes de Coura, bastante dinâmica muito embora, como os próprios admitem, com uma reduzido número de voluntários. Urge, por isso, que mais pessoas, mais mãos, se juntem a esta tarefa de ajudar a melhorar o ambiente do concelho. No blogue que o grupo de Paredes de Coura dinamiza, e que desde a sua fundação está na coluna da direita do Mais pelo Minho, podem ser encontradas mais informações sobre este projecto e, principalmente, sobre as formas de ajudar e de aderir a este grupo que, no dia 20 de Março de 2010, se quer grande e disposto a avançar para a limpeza dos locais indicados.

Uma forma fácil de ajudar, e que não passa sequer pela inscrição no grupo, diz respeito à identificação das lixeiras. Muitas vezes passamos todos os dias por locais onde foram depositados detritos e ignoramos, mas são esses locais que o Projecto Limpar Portugal quer conhecer. Basta indicar o local aos responsáveis do grupo concelhio e estes tratam de o incluir no roteiro que está a ser preparado para a intervenção do dia 20 de Março. Pela minha parte, e enquanto não consigo ter a certeza da minha disponibilidade para o Dia L, fica aqui o registo de uma lixeira, já identificada há meses, mas que continua a marcar o dia-a-dia de quem passa pela zona industrial de Formariz.

lixo zona industrial 2 Localização:    41°55'9.01"N                 8°35'50.00"W

É claro que, como referem os próprios responsáveis do Projecto Limpar Portugal, o objectivo não é apenas utilizar o dia 20 de Março para limpar o que está mal, mas também utilizar todas as movimentações em torno desta campanha para sensibilizar a população, e especificamente alguns grupos alvo, para a necessidade de se preservar o ambiente. O caso mais flagrante será mesmo o dos empreiteiros que, não dispondo de um espaço para depositar os detritos resultantes do seu trabalho, acabam por o abandonar em algum local mais ermo. E depois de dado o primeiro passo, há sempre quem se aproveite para ali deixar também o seu lixo.

12 fevereiro 2010

Os nosso sabores (2)

CIMG0065 A propósito de gastronomia e de produtos locais, não posso deixar de lembrar o projecto que a Câmara Municipal de Paredes de Coura tem em mãos para criar, no Largo Visconde de Mozelos, uma loja rural. O projecto, de que desconheço os contornos, trouxe-me à memória uma lojinha que existia, se não estou em erro, no largo fronteiro ao tribunal, antes das obras de beneficiação no Largo 5 de Outubro, e que vendia produtos típicos de Paredes de Coura.

Este novo projecto, contudo, será certamente diferente. Por um lado pretende dar a conhecer e comercializar alguns dos produtos característicos do concelho, e eventualmente da região, numa escala maior do que acontecia com a pequena loja de madeira. Por outro lado, tendo em conta o valor previsto para a sua construção, cerca de 200 mil euros, leva-nos a pensar que se trata de um investimento que terá de ser rentabilizado com outras coisas mais do que as de uma simples loja rural. Provavelmente com acções de formação (para produtores e clientes), eventos gastronómicos ou sessões de experiências culinárias, por exemplo.  Um pouco à semelhança, aliás, do que vai ser feito com a Casa da Terra, que o município de Ponte de Lima vai promover.

Neste processo temos ainda que ter em conta a localização da loja rural de Paredes de Coura. É que, o Largo Visconde de Mozelos não tem espaço por aí além e, mais importante, ostenta já um exemplo do que não se deve fazer, de que é exemplo flagrante a construção da actual biblioteca, a manchar a dignidade de um espaço orlado por edifícios de elevado valor histórico.

Outro aspecto a ter em consideração é que não se pode dissociar esta ideia da Câmara de Paredes de Coura de uma outra, lançada em plena campanha eleitoral das últimas eleições autárquicas, pelo candidato do PSD à autarquia. Na altura, recorde-se, José Augusto Viana defendia a criação, na Casa do Outeiro, em Agualonga, de uma incubadora de empresas de produtos locais, de cariz biológico. Com a derrota a 11 de Outubro, a proposta ficou pelo caminho, mas com este projecto da loja rural, não seria de reconsiderar?

10 fevereiro 2010

Os nossos sabores

Começou no passado fim de semana mais uma iniciativa destinada a promover o turismo do Alto Minho, nomeadamente dos municípios do Vale do Minho. Em foco está a lampreia do rio Minho, que será servida à mesa de vários restaurantes dos municípios envolvidos, sem necessidade de reserva. Paredes de Coura também está presente nesta iniciativa que decorrerá em todos os fins de semana de Fevereiro e Março, com quatro restaurantes do concelho a incluírem o ciclóstomo nas suas ementas.

Pessoalmente, advirto já, é iguaria a que reconheço o valor mas que não me cativa. Felizmente há muito quem tenha opinião contrária e, pelo menos o primeiro fim de semana trouxe boas perspectivas aos restaurantes aderentes cá do burgo. Não deixo, contudo, de me questionar se será a lampreia um prato que se liga a Paredes de Coura. Não sendo natural deste concelho, nem sequer desta região, sempre ouvi dizer que os expoentes máximos da gastronomia courense seriam a truta e o cabrito do monte, a par do afamado bacalhau da defunta Miquelina, cuja menção era suficiente para arrastar até Paredes de Coura muitos visitantes desejosos de encher a barriga com tão apetitosos sabores.

Foi, por isso, com alguma estranheza, que vi o nome de Paredes de Coura neste programa gastronómico intermunicipal e também na futura Confraria da Lampreia do Rio Minho. Como alguém que nada percebe de gastronomia, tenho para mim que devíamos apostar, não apenas mas também, na valorização dos produtos que por cá se criam e que, em tempo passados, deram nome ao concelho. A lampreia pode ser um atractivo, mas tendo em conta a concorrência de municípios onde a sua inclusão na gastronomia está já muito mais evoluída, não sei se haverá quem venha a Paredes de Coura de propósito para comer lampreia quando a tem, mais famosa, em Monção ou noutros concelhos do Vale do Minho. De qualquer das formas, tendo em conta as perspectivas dos organizadores destes fins de semana especiais, que falam num retorno de cinco milhões de euros que esta iniciativa irá gerar, porque não hão-de os restaurantes courenses aproveitar também parte deste bolo?

05 fevereiro 2010

Uma solução aqui ao lado

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O progresso tem destas coisas, criam-se coisas novas e as antigas correm o risco de ficar ao abandono ou sem utilização. Veja-se, por exemplo, o que aconteceu com as antigas escolas primárias de Paredes de Coura que, com a construção da nova Escola Básica Integrada ficaram sem utilização. Por pouco tempo, é certo, já que a Câmara Municipal resolveu dar-lhes novos inquilinos, nomeadamente os jardins de infância do OUSAM e várias associações culturais do concelho. Acresce ainda os casos da escola primária da Costa, em Rubiães, transformada em Abrigo de Peregrinos do Caminho de Santiago, ou da escola de Venade, Ferreira, que irá receber o arquivo do escritor Mário Cláudio. Quando? Pois… algum dia será.

Mas, a estratégia de ocupação dos velhos edifícios das escolas primárias terá necessariamente de ter continuação nos próximos anos. É que, com a concentração dos jardins de infância em três novos pólos (Mozelos, Rubiães e Cristelo), ficarão novamente devolutas as escolas actualmente ocupadas por quatro jardins de infância do OUSAM. A estes juntar-se-ão os espaços actualmente ocupados pelos jardins de infância da rede pública em Infesta, Cossourado, Insalde e Formariz que vão também ficar sem crianças e, inevitavelmente, sem ocupação.

Ao que parece a Câmara Municipal já tem projectos para alguns destes espaços, nomeadamente Cossourado e Formariz, mas o que será feito dos outros seis edifícios? A solução pode estar aqui ao lado, em Ponte de Lima, onde a autarquia local resolveu apostar na reconversão de algumas das escolas desactivadas e transformá-las em Albergues de Montanha. Neste momento já existem 13 equipamentos do género, que oferecem um total de 124 camas e que aliam o alojamento de qualidade em espaço rural a toda uma envolvência pitoresca. De referir, aliás, que essa atmosfera envolvente recebe muito do património natural da zona onde estão inseridas as escolas, mas é também patrocinado pela própria autarquia que, inclusivamente, chega a comprar rebanhos para serem pastoreados naquela área, dando ao visitante um maior noção do que foi o espaço rural onde está alojado.

Estamos aqui ao lado, temos condições paisagísticas semelhantes, se não mesmo superiores em alguns locais, não será, por isso, esta uma alternativa para a reutilização dos antigo edifícios escolares? É certo que a concentração dos jardins de infância, ainda que já no terreno, só deverá estar concluída daqui a alguns anos, mas nunca é cedo demais para se projectar o futuro. 

29 janeiro 2010

Uma mão cheia de nada

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Nada, rigorosamente nada, é o que nos reserva o PIDDAC de 2010. Traduzindo: à luz do Orçamento de Estado para 2010, ainda por aprovar, o Governo não reserva para Paredes de Coura qualquer verba para qualquer projecto no decorrer deste ano. Um cenário que, contudo, nem será de admirar, tendo em conta os orçamentos de anos anteriores, cada vez mais esquecidos de Paredes de Coura. O do ano passado, recorde-se, contemplava apenas a obra do Arquivo Municipal, que já estava em funcionamento desde o ano anterior.

Este ano, contudo, nem um cêntimo nos calha. A nós e a outros, é certo, como Vila Nova de Cerveira, que também vai ficar à míngua. O presidente da Câmara de Paredes de Coura, em declarações à Rádio Geice , diz que já está habituado a este tipo de esquecimento, que considera um sinal do desinvestimento que tem sido feito nos últimos anos no distrito. Uma posição com a qual concordo plenamente. De ano para ano as verbas destinadas ao distrito têm vindo a diminuir e, se este ano subiram ligeiramente, tal não representa um aumento do investimento nos dez municípios, já que Viana do Castelo (e o eterno Polis) ficam com a fatia de leão e aos restantes cabem as migalhas. A excepção será Melgaço, com 285 mil euros inscritos para a construção do lar de idosos da Santa Casa. Muito longe, ainda assim, dos mais de 3 milhões de euros que vão direitinhos para a capital de distrito.

O PIDDAC é, contudo, em muitos aspectos, apenas uma previsão de intenções. Por um lado nada obsta a que projectos que não estejam ali contemplados venham a surgir e a ser concretizados, e assim o espera o autarca courense relativamente à instalação da unidade de cuidados continuados ou à ligação à A3, por exemplo, projectos que mesmo não estando incluídos em PIDDAC podem ver a luz do dia. Por outro lado, mesmo tratando-se de simples intenções, é muito triste que um dos principais documentos previsionais do pais não dedique uma única linha a todos os seus municípios. Triste sinal de que ainda há muito para fazer.

 

Nota: Aproveito para recomendar a leitura deste artigo de Manuel Pires de Trigo com a sua crítica à distribuição de verbas do OE 2010.

27 janeiro 2010

Os bons exemplos que… podiam vingar

Nota prévia: este post não tem nada a ver com o post anterior. Dito isto, urge explicar o porquê da escolha do título, tão similar ao anterior. É que, se há exemplos que facilmente são aplicados e continuados, outros há que, muito dificilmente vingarão. E, mesmo quando vingam, é de questionar a sua utilidade.

Em causa está a intenção da Câmara Municipal da Vidigueira de reduzir os salários dos seus eleitos (e nomeados, acrescente-se) em 10% no corrente ano. Ou seja, presidente, vereadores (desconhece-se se só os que tem pelouro ou se os outros também) assessores e outros funcionários alvo de nomeação aceitaram, ao que parece de bom grado, receber menos 10% do que teriam direito. Se essa notícia já seria surpreendente nos dias que correm, atente-se então na sua justificação. É que, ainda antes desta decisão, já a autarquia alentejana havia deliberado aumentar o ordenado dos funcionários municipais que auferem apenas o salário mínimo nacional, e que desta forma passarão a receber 532 euros ao invés dos 450 estipulados por Lei. A diferença será coberta pelos tais 10% de que os outros abdicaram, mas apenas parcialmente, porque a autarquia já explicou que isso não é suficiente e que, por esse motivo, o orçamento do município vai sair penalizado.

O presidente da Câmara da Vidigueira exorta ainda os seus colegas, e não só, a seguirem o mesmo caminho e a desprenderem-se de parte dos seus vencimentos. Ora, aqui está um exemplo a seguir, pois então. Ou talvez não! É que, a meu ver, está-se a fazer as coisas ao contrário. É certo que os ordenados de topo são bastante elevados comparativamente aos da base da pirâmide, mas se assim não fosse será que a vida política, especialmente a autárquica, se tornaria aliciante? Por outro lado, é na base que se deve trabalhar e aumentar os salários mais baixos para diminuir as diferenças face aos do topo. Veja-se, por exemplo, os valores do salário mínimo aqui ao lado, na vizinha Espanha.

De qualquer das formas, e no contexto local em que se insere, esta atitude da Câmara da Vidigueira merece o meu aplauso. Mais não seja porque demonstra que num autarca local, acima do dinheiro, também podem estar os interesses do seu município.

26 janeiro 2010

Os bons exemplos que vingam

Durante anos os Domingos Gastronómicos foram a maior montra da gastronomia do Alto Minho. Iniciativa da Região de Turismo, marcada pelo cunho pessoal do seu presidente de longa data, Francisco Sampaio, a quem o turismo desta região muito deve, os Domingos Gastronómicos traziam ao de cima o que de melhor se faz em cada município da RTAM, de Esposende ao Gerês, de Melgaço a Viana do Castelo. Uma oportunidade para relembrar aquelas iguarias que, só de falar, se associava a uma determinada terra e que, à sua maneira, contribuíram para atrair mais turistas a cada um destes concelhos.

Pois bem, como as boas coisas devem fazer exemplo, eis que a Entidade Regional de Turismo Porto e Norte de Portugal, que resultou da fusão das várias regiões de turismo existentes nesta zona, resolveu pegar nas boas práticas dos Domingos Gastronómicos alto-minhotos e alargar esta iniciativa a toda a sua área de intervenção. Desta feita, os Domingos Gastronómicos vão também passar a fazer parte da agenda turística de todo o Norte do país, alicerçando na boa comida (na boa bebida, pois então) roteiros turísticos que pretendem dar a conhecer os municípios que os acolhem.

Na página da Entidade Regional de Turismo Porto e Norte de Portugal ainda não possível conhecer a agenda da edição alargada dos Domingos Gastronómicos, só que irá terminar no fim de semana de 28 e 29 de Maio, com a I Feira de Gastronomia e Vinhos a Norte, a realizar no Porto. Mas, mesmo sem agenda conhecida, é certo que Paredes de Coura vai continuar a participar nesta iniciativa. Resta aguardar para saber que “acompanhamentos” vai a autarquia oferecer para emoldurar um fim de semana de gastronomia que, apesar de algumas vozes discordantes, promete manter a truta como principal atracção.

19 janeiro 2010

Promessas antigas

O artigo já tem uma semana, mas só hoje consegui dois minutos para o ler. Aproveitando a discussão em torno do orçamento de Estado para 2010, o jornal i resolveu ir buscar ao arquivo a história do “deputado do queijo limiano”. Um assunto com o peso de dez anos em cima mas que, dado o actual cenário partidário na Assembleia da República, volta a ser recordado, e com ele a posição de Daniel Campelo, ex-presidente da Câmara de Ponte de Lima e, à época, também deputado do CDS no Parlamento. Daniel Campelo não se remete, contudo, apenas ao passado e, na entrevista, critica também o actual estado da política nacional.

A história é, julgo eu, de todos conhecida e, em traços muitos gerais, conta-se mais ou menos assim: era preciso um voto para aprovar o orçamento de Estado e Daniel Campelo colocou o seu voto em jogo, exigindo do Governo de António Guterres algumas contrapartidas para o distrito de Viana do Castelo, em troca do seu apoio. Os contornos, o antes e o depois, pouco interessam. Campelo perdeu o apoio do seu partido nas autárquicas seguintes, mas seguiu em frente e o partido que o tinha abandonado e que ficou para trás, acabou por lhe bater à porta quatro anos volvidos.

Mas, tudo isso não esconde dois aspectos que, a meu ver, se revestem de alguma importância. Por um lado, o facto de que Campelo, bem ou mal, vestiu a 100% as cores do distrito que o tinha colocado no Parlamento e, colocando partidos políticos para trás, assumiu como mais importantes os valores do território que, supostamente, ele e os seus cinco colegas eleitos por outros partidos teriam de defender. Apresentou um pacote de medidas que o Governo se comprometeu a cumprir e que visavam, sobretudo, o desenvolvimento do distrito e o colmatar de algumas lacunas a nível social, económico e de acessibilidades. Por outro lado, o recordar agora, dez anos volvidos, a posição do antigo presidente da Câmara de Ponte de Lima, lembra-nos também, tristemente, que tanto tempo depois ainda há promessas desse pacote que estão por cumprir, nomeadamente a via rápida de ligação de Paredes de Coura à A3, que Campelo fez questão de incluir no cesto de prendas de Guterres.

Promessas por cumprir, contudo, não são novidade, nem no distrito de Viana nem outro qualquer, com este ou com outro Governo. Talvez por isso Daniel Campelo refira que há deputados que privilegiam a obediência ao partido em detrimento da obediência aos eleitores. Talvez por isso… mesmo.

18 janeiro 2010

Força Marta!

É um exemplo! Jovens estudantes de Medicina estão a prestar apoio às vítimas do tremor de terra da semana passada no Haiti. Entre eles alguns alunos da vizinha República Dominicana, num grupo onde se insere Marta Saraiva.

É de Rubiães, Paredes de Coura. Contudo, não é o seu local de origem que deve motivar a notícia, mas sim o facto de ela, de todos aqueles jovens, estarem empenhados em dar o seu melhor para ajudar todos aqueles que sofreram com o abalo. Para eles, para a Marta também, fica aqui um abraço de apoio. Força!

Aos que, como eles, queiram também ajudar, fica aqui a ligação para a página da AMI.

13 janeiro 2010

A maravilha de Coura

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A febre das sete maravilhas continua por aí. Depois das sete novas maravilhas do mundo e das maravilhas arquitectónicas que os portugueses deixaram espalhados pelo mundo, surge agora o concurso para aferir as sete maravilhas naturais de Portugal, aproveitando o facto de 2010 ser o Ano Internacional da Biodiversidade. O resultado final só será conhecido em Setembro deste ano.

Conhecidos, para já, são os nomeados, mais de 300 espalhados por todo o país e abarcando diversas categorias. No entanto, até 7 de Fevereiro próximo, esse número será reduzido para apenas 77 locais, número que será, no mês seguinte, encurtado para somente 21. E é destes 21 que serão escolhidos os sete finalistas.

Paredes de Coura também tem o seu representante no concurso. E, obviamente, a escolha recaiu sobre a Área de Paisagem Protegida do Corno de Bico. A comemorar dez anos de existência e prestes a receber o seu plano de ordenamento, a área protegida sempre foi tida como um dos expoentes do concelho, nomeadamente pela sua biodiversidade, tendo merecido a atenção da autarquia desde muito cedo. A indicação para as 7 Maravilhas Naturais de Portugal surge, deste modo, naturalmente e até pode ser que traga mais divulgação a este espaço protegido de Paredes de Coura.

Já não se pede, contudo, que seja um dos 21 finalistas, até porque tal se afigura difícil tendo em conta que concorre, para a mesma categoria e na mesma área, com pesos pesados como o Parque Natural do Douro Internacional, o Parque Natural da Peneda-Gerês ou o Parque Natural do Alvão, entres outros marcos do património natural do Norte do país. De qualquer das formas, se esta participação contribuir para o aumento da consciência da necessidade de preservar os valores naturais que temos, estará alcançado o objectivo principal.

12 janeiro 2010

Pagar? Sim, mas devagar!

Até pode ser um bom cliente, cumpridor e com obra para fazer, mas é um cliente que paga tarde, muito tarde. De acordo com os resultados do estudo levado a cabo pela Federação Portuguesa da Indústria de Construção e Obras Públicas, relativo a Outubro último, a Câmara Municipal de Paredes de Coura é das que mais demora a pagar às empresas no final dos trabalhos.

A autarquia courense é apontada como sendo das que liquida as suas dívidas num prazo superior a um ano, partilhando esta distinção com Aveiro, Figueira da Foz, Lisboa, Tabuaço e Vila Nova de Poiares. No geral, o prazo médio de pagamento das autarquias portuguesas é de 6,5 meses, muito acima do prometido pelo programa Pagar a Tempo e Horas.

Mas o título do post não diz respeito apenas às autarquias. É que, se estas se atrasam nos pagamentos, o mesmo acontece com os fundos comunitários. Ou seja, é praticamente impossível a uma câmara fazer obra e pagar a tempo e horas se contar apenas com o dinheiro que há-de vir mas que, como habitualmente, demorará a entrar nos cofres municipais. Paredes de Coura aliás, tem alguns exemplos de situações em que, para viabilizar os projectos, pagou os trabalhos do seu bolso e só recebeu o dinheiro que lhe estava destinado alguns anos depois.

Deste modo, é praticamente impossível a uma autarquia com os cofres esvaziados, como é o caso da nossa, pagar nos prazos estipulados pelo Governo, quando, muitas vezes, é o próprio Governo a atrasar o pagamento das comparticipações a que os municípios têm direito. E se, no caso das autarquias a situação é preocupante, imagine-se o que acontece com inúmeras empresas que trabalham com a Administração Central e que, obrigadas a pagar a tempo e horas, nomeadamente as suas contribuições fiscais e sociais, vêem as suas facturas de serviços prestados ao Estado a acumular meses e meses à espera de pagamento?

Num cenário destes, não é de estranhar que muitos empresas acumulem dívidas em cima de dívidas, numa espiral sem fim, onde autarquias e Governo têm um papel determinante: o de parar o crescendo cada vez mais preocupante desta situação.

05 janeiro 2010

Portagens: a caminhada que não pode parar!

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Depois de alguns adiamentos, finalmente os autarcas do Litoral Norte conseguiram chegar à fala com o Ministro das Obras Públicas para, mais uma vez, transmitir o seu desagrado face à intenção de colocar portagens na A28. Uma reunião que, como as anteriores, ainda que com outro titular na pasta, não trouxe grandes resultados.

É verdade que continuam no ar as promessas de isenção de pagamento de portagem para o trânsito local e para os utilizadores frequentes (seja lá o que isso for), mas a questão de base continua lá: a intenção de cobrar portagem a quem circula naquela via, como noutras mais a Sul que também estão nos planos governamentais.

Os movimentos cívicos contra as portagens nas SCUnT’s prometem não baixar os braços, assim como os autarcas de vários concelhos atravessados pela A28 e ainda os de concelhos que, não sendo cruzados por esta via, dela dependem no que respeita a ligações o Sul do país. Curiosamente, muitos deles eleitos pelo partido do Gover no que os quer prejudicar e que, colocando o interesse dos seus municípios acima dos interesses partidários, assumem uma posição de luta contra a proposta governamental.

Paredes de Coura também surge na lista de contestatários, onde marcam igualmente presença alguns deputados eleitos pelo círculo de Viana do Castelo, nomeadamente Defensor Moura que, enquanto autarca da capital alto-minhota chegou a dizer que se as portagens avançarem na A28, iria cobrar também a passagem por Viana do Castelo. Agora, no Parlamento, aguardamos pelo desenrolar das suas posições anteriores.

29 dezembro 2009

Sinais… que faltam

placas parque pesca

À primeira vista o sinal pode ser enganador. Não, ao contrário do que possa parecer, não estamos em Paredes de Coura, nem o sinal indica o Parque de Pesca do Xisto, em Insalde. A fotografia em questão foi tirada em Ponte de Lima e indica o parque de pesca de Arcozelo, aberto há pouco mais de um mês.

No entanto, em Ponte de Lima, ao contrário do que acontece em Paredes de Coura, a abertura foi seguida de um investimento na sinalização daquele espaço, aproveitando a confluência de vias de comunicação existentes no concelho. E assim, é ver nas várias entradas de Ponte de Lima as placas que indicam o melhor caminho para o novo equipamento de lazer.

Desconheço quem fez tal investimento, se o proprietário, se o município, interessado em atrair utentes àquele espaço. Uma coisa é certa: tendo em contra que estamos perante placas colocadas em estradas nacionais e municipais, houve, no mínimo, uma autorização por parte do município e, principalmente, das Estradas de Portugal, o que não é fácil de obter por um qualquer particular. O que também  é certo é que, como é hábito dizer-se, quem não é visto, não é lembrado, e pelos lados de Ponte de Lima não faltam “lembranças” em cada cruzamento ou rotunda.

23 dezembro 2009

Cegonha de Natal

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Em tempo de Natal a Câmara de Paredes de Coura resolveu encarnar o espírito da época e, abrindo os cordões à bolsa, vai desatar a distribuir dinheiro hoje ao final da tarde! Agora a sério, a Câmara de Paredes de Coura vai, finalmente, colocar em prática o programa de incentivos à natalidade aprovado em meados deste ano, juntando numa cerimónia especial as 48 famílias que concorreram a este apoio camarário. O encontro está marcado para as 18 horas, no Centro Cultural.

Na prática, vão receber o incentivo todas as famílias que tiveram filhos este ano, já que o regulamento foi aprovado com efeitos retroactivos a 1 de Janeiro, e que concorreram ao apoio da autarquia. Deste modo, e tendo a consciência de que houve alguns pais que não se candidataram a este incentivo, podemos dizer que em Paredes de Coura, em 2009 e até ao momento, nasceram pouco mais de 50 crianças.

Número que o incentivo à natalidade pretende aumentar, muito embora, e a própria autarquia o reconhece, não serão apenas os subsídios que vão ajudar a aumentar o número de nascimentos. Em nota enviada à comunicação social, o próprio município diz que estas medidas isoladas de nada valerão, mas que, em conjunto com outros factores de dinamização económica e de apoio à família, poderão ajudar ao resultado esperado.

A criação de mais creches no concelho e a comparticipação do pagamento da sua frequência ou de amas, são apoios que muitas famílias agradecem e que, especialmente no caso das vagas em creches, tem sido apontados como problemas pelos pais que não têm onde deixar os filhos de tenra idade. Com o aumento esperado da oferta, através da construção de uma nova creche em Castanheira, e a previsão de mais duas (Cossourado e Formariz), a solução parece estar à vista.

Resta a parte económica, onde a criação de emprego e de condições de fixação dos jovens assumem papel de destaque. Se, no primeiro caso, à câmara cabe apenas apoiar os empresários que escolham o concelho para se instalar, sejam locais ou de fora, já no segundo caso a autarquia tem um palavra determinante a dar, nomeadamente através das políticas fiscais e de utilização do solo. Caminho que parece estar a ser trilhado, com a redução dos impostos (depois de muita insistência da oposição, refira-se) e com a revisão do PDM. Aguardemos, pois, os os resultados.

22 dezembro 2009

Pôr do Sol

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Há uma altura na vida de toda a gente em que chega a hora do pôr do sol. Para Manuel Gonçalves, antigo assessor do presidente da Câmara de Paredes de Coura, o pôr do sol chegou no passado sábado.

Conheci-o apenas apenas na sua vida profissional. Jurista, dedicado braço direito de Pereira Júnior na autarquia courense, era uma presença habitual, e salutar, nas reuniões da Assembleia Municipal de Paredes de Coura, onde fazia questão de se sentar na última fila a apreciar o andamento dos trabalhos. Uma pessoa daquelas a quem nos sentimos confortáveis a pedir um conselho, porque era certo e sabido que ele nunca o nos negaria.

Manuel Gonçalves tinha já abandonado as funções que desempenhava na Câmara no final do anterior mandato, argumentando problemas de saúde. Apenas algumas semanas após um emocionado jantar de despedida com que foi surpreendido pelos seus colegas de trabalho e amigos, a doença acabaria por o retirar deste mundo. Na morte, como na vida, fez questão de fazer as coisas à sua maneira e deixou o seu corpo em doação à ciência.

Nesta hora, deixo aqui as minhas palavras de pesar à família de Manuel Gonçalves.

16 dezembro 2009

Os substitutos (2)

O assunto principal da última Assembleia Municipal de Paredes de Coura era a discussão e votação do Plano e Orçamento da Câmara Municipal para o próximo ano. Qualquer coisa na ordem dos 24 milhões de euros que, de acordo com a informação veiculada pelo município, tem como prioridades a conclusão da rede de saneamento básico no concelho e da carta educativa municipal, com a construção dos três novos jardins de infância. O orçamento, depois de alguma discussão e várias críticas, sobretudo da bancada do PSD, acabou aprovado, inclusivamente com o voto favorável da CDU.

Mas a reunião da Assembleia Municipal serviu também para indicar os representantes daquele órgão para as várias comissões e outros organismos onde está representada. Um assunto que, no anterior mandato, colheu diversas críticas, quer quanto à eleição, quer quanto ao desempenho dos eleitos para aqueles cargos.

Também aqui, à semelhança do que aconteceu nas eleições autárquicas de Outubro, houve lugar a algumas mudanças. A começar pela nomeação de Perfeita Esteves para o Conselho Consultivo da Paisagem Protegida do Corno de Bico, lugar que no anterior mandato era ocupado por Manuel Tinoco.

Depois, as principais alterações, prendem-se com a entrada em grande de dois estreantes nestas lides que, eleitos em Outubro, conquistaram agora também os seus companheiros da Assembleia Municipal para serem indicados para duas representações. Por um lado temos António Gonçalves Pereira, recém-eleito presidente da junta de freguesia de Ferreira, no Conselho Cinegético. Por outro lado assistimos à eleição de Carlos Barbosa para representante da Assembleia Municipal na Comunidade Intermunicipal, juntamente com José Augusto Pacheco e Décio Guerreiro. Depois do destaque que teve na lista candidata à Câmara, não falta quem veja futuro político para este jovem de Castanheira.

 

NOTA: Dando continuidade à política de descentralização das reuniões da Assembleia Municipal, instituída aquando da tomada de posse de José Augusto Pacheco como seu presidente, a próxima reunião deste órgão, a ocorrer lá para Fevereiro, vai ser levado a efeito em Rubiães. Como é habitual, espera-se uma maior participação do público, principalmente o local, mas com intervenções programadas para o final dos trabalhos é sempre difícil cativar as pessoas. Veja-se o que aconteceu na reunião de sexta-feira, em que quisesse falar teria de esperar até depois das duas da manhã.

Erguer a bandeira contra a crise

Em tempo de crise, nada melhor do que gastar UM MILHÃO DE EUROS para içar uma bandeira. Literalmente. Ali para os lados de Paredes, distrito do Porto.

Sinceramente, acho que não era preciso pensar muito para encontrar várias outras aplicações para semelhante montante. Mas é preciso, pelo menos, pensar.

14 dezembro 2009

Os substitutos

Isto de ter filhos pequenos tem destas coisas: está uma pessoa a tentar arranjar inspiração para escrever alguma coisa sobre a última sessão da Assembleia Municipal de Paredes de Coura e só nos vem à cabeça uma ideia relacionada com um programa de desenhos animados onde uma família dispõe de uma linha telefónica especial através da qual pede substitutos para pessoas de que não gostam e que desejam ver… substituídas. Na Assembleia Municipal, contudo, parece que o substituto é igual ao substituído. Ou seja, com Maria José Fontelo ausente do grupo municipal do PSD, depois de não ter feito parte dos planos eleitorais dos social-democratas, parece que o seu lugar já foi ocupado.
E por quem, pergunta-se? Por João Cunha, presidente da concelhia do Partido Social Democrata que parece ter herdado o estilo incisivo da antiga líder do grupo municipal laranja, pese embora ainda com alguma desorganização a pautar as suas intervenções. Mas, estou em crer, com a prática tudo pode ser aperfeiçoado. A começar, por exemplo, pelo demonstrar mais respeito pela intervenção do público. Com uma agenda cheia, a reunião prolongou-se para lá das duas horas da manhã e, no final, quando foi dada a palavra ao público, João Cunha parecia estar com pressa e abandonou a sala. É certo que o interveniente do público era António Esteves,  antigo vereador socialista, que o responsável do PSD já ouviu muitas vezes, e também presidente da concelhia rival, mas ficou muito mal na fotografia a saída extemporânea de João Cunha.
No outro verso da moeda temos Décio Guerreiro. A prestação do antigo vereador social-democrata foi irrepreensível, a demonstrar serenidade e, ao mesmo tempo, a mostrar que é ele quem controla o grupo municipal do PSD. De forma ponderada obrigou mesmo ao adiamento da alteração ao regimento, argumentando que não participou na reunião preparatória, a que faltou. Noutros tempos, episódios semelhantes teriam resultado (e resultaram mesmo) numa acesa troca de palavras entre alguns elementos da bancada social-democrata e o presidente da mesa. Mas prevê-se que vai ter de ter um bom jogo de cintura para, não impedindo, pelo menos não permitir que as intervenções do presidente da concelhia do PSD entrem por um caminho que, pelo que foi possível observar na reunião, não é certamente aquele que Décio Guerreiro vai seguir.
Atitude diferente dos seus antecessores tiveram também os dois eleitos da CDU (não, não é APU…), com uma acção comedida mas que deixou marca. E que promete mais para próximas reuniões.

12 dezembro 2009

As obras que fazem falta (2)

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Já que falamos em obras necessárias em equipamentos públicos, convém lembrar também o actual estado do Centro Cultural de Paredes de Coura. Colocando de parte uma lavagem das paredes viradas a Oeste, que bem precisavam, aquilo que salta à vista com maior intensidade é o actual estado do beiral metálico que rodeia todo o edifício e que, provavelmente devido ao mau tempo das últimas semanas, está praticamente solto.

Mais do que pelo aspecto estético, são as questões de segurança que deveriam ditar a reparação urgente daquela estrutura. Como acontece, aliás, com o pavimento dos terraços, que precisa de um intervenção há já algum tempo. Para que aquele que é apontado como uma referência pelo seu conteúdo, não seja mal visto pela sua “embalagem”.

11 dezembro 2009

Maratona de eleições… e um orçamento

É já logo à noite a primeira reunião da Assembleia Municipal de Paredes de Coura após as eleições autárquicas de Outubro. E, logo para começar, é uma sessão maratona, com nada mais nada menos que 18 pontos na ordem do dia. É uma boa forma de dar as boas vindas ao novo elenco . Bem, novo, novo, não será, pois a maioria transita do anterior mandato, mas há várias caras que entraram (ou regressaram) agora neste novo mandato.

Nesse campo, a CDU é o partido que apresenta mais mudanças, pois os dois eleitos são novidade. Mas será, porventura, no PSD que as mudanças mais se vão fazer sentir, dado o regresso de algumas caras conhecidas, a entrada de alguns novos elementos e, principalmente, a saída de deputados municipais que marcaram os últimos mandatos. E as mudanças não se ficam por aqui, como o prova a reunião preparatória que o grupo municipal social-democrata levou a efeito com o intuito de orientar os seus elementos para a reunião de logo à noite. Espera-se, por isso, maior sintonia, coisa que muitas vezes não se verificava no anterior mandato em que o grupo do PSD chegava a ficar dividido em três frentes distintas.

Regressando à agenda, os 18 pontos, a que se somam o período de antes da ordem do dia, devem prolongar os trabalhos bem para lá da meia noite. Por um lado temos a eleição de representantes da AM para vários organismos e comissões, o que, só pelo procedimento de votação é coisa para demorar algum tempo. Depois, e mais importante e previsivelmente mais demorado a debater, temos a proposta de orçamento para o próximo ano. Um orçamento de cerca de 24 milhões de euros que tem como prioridades a conclusão da rede de saneamento e os investimentos na área da educação, nomeadamente a construção dos três novos jardins de infância.

Lá pelo meio aparecem ainda a aprovação da derrama e ainda a definição dos valores do IMI e do IRS, com reduções anunciadas. Uma medida que, recorde-se, o PSD sempre defendeu e que, nos últimos anos, tem causado alguma divergência de opiniões entre a maioria socialista e a oposição, pelo que deverá ser, também, um dos assuntos quentes da noite.

09 dezembro 2009

As obras que fazem falta

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Há bastante tempo que se ouve falar do assunto, mas até agora nada de concreto foi feito. E a situação fica pior a cada Inverno que passa. Afinal, pergunta-se, quando é que se fazem obras de fundo na Central de Camionagem de Paredes de Coura?

Basta passar pela Central de Camionagem num qualquer dia de chuva para ver um cenário surreal de baldes espalhados pelo recinto, a recolher a muita água que cai de um telhado cujo prazo de validade há muito expirou. E as paredes verdes de humidade não escondem que recebem grande parte da água que cai no telhado.

Se bem me recordo, há já algum tempo (dois anos???), que a Câmara Municipal falou em fazer obras de fundo naquele equipamento municipal. No entanto, os invernos passam e a chuva continua a entrar.Obras.., nem vê-las. É certo que haverá outras prioridades de investimento no concelho, mas deixar o edifício deteriorar-se até um ponto em que dá dó olhar será uma boa opção.

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07 dezembro 2009

A porta está aberta (2)

Também no que respeita à representação na Assembleia da República as portas parecem estar (um bocadinho) mais abertas. Veja-se o que acontece com o deputado Jorge Fão, eleito pelo círculo de Viana do Castelo.

O socialista, eleito nas últimas legislativas, faz questão de cumprir o Estatuto dos Deputados e, vai daí, dedica um dia por semana a ouvir os cidadãos do distrito que o colocou no Parlamento, supostamente para ali os representar. Assim, é vê-lo todas as segundas-feiras no Governo Civil de Viana do Castelo para ouvir os eleitores, aproveitando também o dia para contactar com as instituições e empresas do distrito.

Uma posição meritória, a todos os níveis. Mais ainda quando se recorda que o distrito elegeu não um, mas seis deputados. E pergunta-se: a que dias é que os outros cinco recebem os seus eleitores?

04 dezembro 2009

A porta está aberta

câmara municipal 5

Carlos Branco Viana, antigo presidente da Câmara de Viana do Castelo, dizia há tempos, em declarações à comunicação social regional, que “o Alto Minho sofre de anemia cívica”. Referia-se o antigo autarca à possibilidade de trazer para esta região a sede do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Galiza –Norte de Portugal. Ao ler estas declarações, lembrei-me também da fraca intervenção das populações na vida autárquica dos municípios onde residem e/ou trabalham, como se vivessem num mundo à parte e não tivessem uma palavra a dar quando se trata de planificar o futuro desse concelho.

É claro que podemos sempre dizer que, de quatro em quatro anos, ao votar nas eleições autárquicas, estamos a depositar nos eleitos locais essa tarefa, essa responsabilidade. Está certo, obviamente, mas não é justificação para que, durante quatro anos, nos demitamos das nossas funções de cidadãos.

Depois surgem também aqueles que dizem que não participam porque não há forma que lhes assegure essa participação. Pois… e também têm razão, já que muitas vezes o funcionamento dos órgãos autárquicos é de tal forma fechado ou desajustado que dificulta, ou impede mesmo, esse aproximar do cidadão comum.

Em Paredes de Coura, contudo, parece que se está a caminhar no sentido de abrir a porta aos munícipes. Estes já podiam intervir no final das assembleias municipais (horário desadequado mas que é melhor que nada) e agora passam também a poder participar nas reuniões do executivo camarário. Logo na primeira reunião do novo elenco camarário, foi aprovado o regimento das reuniões quinzenais de presidente e vereadores, que estabelece que estas sessões são abertas ao público. Mais, prevê ainda um período de trinta minutos para que os cidadãos possam intervir na reunião, levando ao conhecimento dos eleitos os seus problemas e sugestões.

É uma iniciativa que se aplaude, muito embora se preveja que, a exemplo do que se passa na assembleia municipal, sejam poucos os cidadãos a aproveitar esta abertura da autarquia. Já agora, e no seguimento desta política e a exemplo do que sucede noutros concelhos, bem que podiam criar um espaço para que os vereadores da oposição pudessem ter um dia (por mês, por semana) para receber os seus eleitos. É que, se os vereadores socialistas estão na autarquia a tempo inteiro e ali podem ser encontrados sem grandes dificuldades, o mesmo já não sucede com os eleitos social-democratas.

02 dezembro 2009

Crise ou consumismo excessivo?

Quando nem sequer o presépio e as ornamentações natalícias escapam à “garras” dos amigos do alheio… podemos dizer que o Natal já não é o que era!

Pouca terra, pouca terra (2)

Será que faz sentido estar a discutir uma nova linha ferroviária de alta velocidade quando ainda continuamos a ter inúmeras passagens de nível sem guarda um pouco por todo o país?

A resposta, e os resultados infelizmente, estão à vista em acidentes como o de ontem de manhã em Valença.

01 dezembro 2009

O caminho numa foto

sandra santos

“Seguindo o meu caminho” é o titulo da fotografia vencedora da edição deste ano do Concurso de Fotografia Caminho Português de Santiago. A autora da foto premiada é Sandra Santos, residente em Formariz, Paredes de Coura.

Sandra Santos, que concorreu com uma imagem obtida numa caminhada realizada em Agosto último, é uma apaixonada pela fotografia, sendo também da sua autoria as fotografias que ilustraram a exposição e o livro “Rostos de Mulher”, um projecto de cariz social que trouxe para o papel a vida de 21 mulheres de Paredes de Coura.

30 novembro 2009

Pouca terra, pouca terra

ponte da a3

De Espanha não vêm boas notícias, com os ventos a anunciarem o adiamento, por mais dois anos, da linha de alta velocidade na Galiza. Por cá, contudo, o processo (ou será o progresso?) está em andamento, com as possibilidades de traçado já em fase de consulta pública até Janeiro próximo.

É a hora de pegar em mapas e cartas topográficas e ver se o que nos propõem não colide com o que está no terreno ou, não menos importante, com o que se projecta para o futuro. O traçado pode ser consultado na Câmara Municipal de Paredes de Coura e nas juntas de freguesia directamente afectadas pela passagem do comboio de alta velocidade. No caso de Paredes de Coura estamos a falar de S. Martinho de Coura, Romarigães e Rubiães.

De acordo os traçados propostos, que podem ser consultados aqui e aqui, o ponto de entrada no concelho, vindo de sul, difere nas duas alternativas propostas. Enquanto que uma acompanha mais de próximo a A3 e vai entrar no concelho, em túnel,  junto ao Alto de Romarigães, a outra proposta leva o TGV mais para Oeste e só entra no município por alturas de S. Martinho de Coura. A partir daqui as duas alternativas fundem-se numa só proposta que, em direcção a Valença, deixa o concelho na zona de Antas, Rubiães.

É precisamente em S. Martinho de Coura, mais concretamente nos lugares de Ribeiro e Cachadas, que o impacto da passagem da linha de alta velocidade se vai fazer sentir com mais intensidade. É que, não se desviando dos aglomerados populacionais ali existentes, o comboio vai levar à frente algumas habitações. Uma das quais, curiosamente, está já à venda.

A linha de alta velocidade vai também passar muito próximo de algumas áreas de património classificado e protegido, caso do Castro de Romarigães, que ficará incluído na área do corredor de segurança com 400 metros de largura que ladeará a  linha e que será, também ele, uma condicionante a projectos futuros. A juntar a isto há ainda algumas zonas onde, e o próprio estudo não técnico o indica, o impacto na paisagem resultante da passagem da linha de alta velocidade vai ser elevado.

Factores que terão de ser devidamente ponderados na escolha do melhor traçado e que, por isso mesmo, devem ser alvo de esclarecimento e discussão. Em Ponte de Lima, a própria Câmara Municipal tomou as rédeas da campanha de informação dos munícipes e está a promover sessões de esclarecimento junto da população. Em Valença foi a própria população, nomeadamente uma associação de moradores de uma das zonas mais afectadas pelas propostas do traçado, que decidiu apresentar uma outra alternativa para a passagem do comboio. E por cá, vamos ficar à espera?

25 novembro 2009

Onde é que eu já ouvi isto?

O Bloco de Esquerda denunciou, aos microfones da Rádio Geice, o “clima de medo, intimidação e insegurança” em que vivem os trabalhadores da Câmara Municipal de Caminha. Um clima que, curiosamente, terá começado logo no dia seguinte às últimas eleições autárquicas, que reconduziram a social-democrata Júlia Paula na presidência da autarquia.

Medo? Intimidação? Humm… tenho uma vaga ideia de já ter ouvido isto noutro lado qualquer, mas não consigo lembrar-me onde foi.

Pois… mas às vezes parece…

O recentemente eleito presidente da Câmara de Valença diz que ficou chocado com uma recente intervenção das autoridades junto do comércio local. E garante que Valença não é o “Far West”. Pois… mas às vezes parece…

23 novembro 2009

Regresso aos anos 80

Na era das novas tecnologias, do digital e da internet, não faltam exemplos de revivalismo. Mas há quem vá mesmo ao exagero de dar vida a uma rádio pirata, bem ao jeito daquelas que pontificaram um pouco por todo o país no final dos anos 80. Carolice, ousadia e algum jeito para a coisa eram os ingredientes obrigatórios a qualquer emissora, a par de uma dose considerável de boa disposição. Até porque um dos objectivos destas emissões piratas era o divertimento dos que lhe davam vida, alguns com uma destreza e um empenho de fazer inveja a muitos profissionais.

Em Ponte de Lima, contudo, parece que uma dupla de aventureiros resolveu reviver esse divertimento e levá-lo mais longe, muito mais longe do que o que a própria lei permite. É que, como se já não bastasse o facto de infringirem a lei com uma rádio pirata, ainda a utilizavam para divulgar corridas ilegais na A27 e A28, bem como alertas aos ouvintes para estes evitarem as operações policiais montadas nas estradas da região.

O botão de “off” chegou este fim de semana, com uma operação da GNR que culminou com a identificação dos dois supostos mentores e dinamizadores da nova estação radiofónica, que era também conhecida por divulgar “mexericos” relacionados com alguns habitantes de Ponte de Lima e arredores. Longe vão os tempos dos panfletos anónimos?

18 novembro 2009

O púlpito não tem partido (2)

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Primeiro o apelo ao voto. Depois o apelo à redenção. Um padre de Viana do Castelo está a causar sensação (ou sensacionalismo) junto dos seus paroquianos, que acusa de viverem em pecado. É o que dá a mistura explosiva de religião com política.

Apesar dos apelos do Bispo de Viana do Castelo no Verão, parece que houve quem não o escutasse (e logo quem a isso é suposto estar obrigado) e resolveu trazer para o púlpito as eleições autárquicas. E, não contente com isso, e também com o resultado do acto eleitoral, vá de tornar a vir a terreiro misturar o que não deve ser misturado. É que as pessoas até podem ser crentes, mas nem por isso acreditam em tudo o que lhes aparece à porta. Para ler na Rádio Geice.

17 novembro 2009

Eclipsou-se?

Terá sido da derrota expressiva? Talvez não! O certo é que, ao que parece, de acordo com noticia de hoje da Rádio Geice, ninguém consegue encontrar o único vereador eleito pelo PSD para a Câmara de Monção. De tal forma que o presidente do município, ansioso por começar a trabalhar, já fala em chamar a Polícia Judiciária para encontrar o suposto desaparecido.

Eventualmente, José Emílio Moreira, autarca de Monção que cumpre o seu último mandato, poderá também solicitar aos serviços da PJ alguma ajudinha para encontrar as duas mulheres que foram eleitas na lista socialista candidata ao último acto eleitoral. É que os dois lugares de vereador a tempo inteiro ficaram apenas para o segundo e quarto elementos da lista, ambos homens,  e a mulher que seguia em terceiro ficou sem pelouro. Nada de surpreendente, garante o presidente do executivo, até porque tal cenário já estava previsto antes das eleições. Lei da paridade? Sim, mas só para legislador ver!

16 novembro 2009

Era previsível, não era?

Título de notícia publicada na edição de hoje do jornal Diário do Minho, que dá conta dos “estragos” que a passagem da linha de alta velocidade vai causar na região. Nada que não se previsse, mas como sempre nestas coisas, só quando nos batem à porta é que damos contas delas. A ver vamos se se ficam por aí ou se, com exigências daqui e dali as coisas melhoram.. ou antes pelo contrário.

Assim se vê, a força da TV!

E se de repente uma multidão de visitantes invadisse o seu concelho aos fins de semana isso era… uma novela televisiva. É mais ou menos este o enredo do que se passou em Arcos de Valdevez nos últimos meses, fruto da exposição mediática daquele município na televisão, onde é cenário da telenovela “Deixa que te leve”, da TVI. Quem o garante é o próprio presidente da Câmara Municipal, que se confessa impressionado com o fenómeno do crescimento de visitas àquela vila alto-minhota e ao concelho de um modo geral, a fazer justiça às audiências da própria novela.
Com um investimento de cerca de 60 mil euros, acrescido do necessário apoio logístico, o município arcoense conseguiu publicidade diária em horário nobre em milhares de lares portugueses e, mais importante que isso, obteve um retorno, quase imediato, explica Francisco Araújo, com o aumento do fluxo de turistas que afluíram ao concelho, num movimento que se fez sentir ao longo de todos estes meses.
Números parece que não há, mas há uma certeza, a de que “nunca tanta gente visitou o concelho”, garante o autarca arcoense. Inclusivamente há já roteiros especiais que associam as belezas da região ao enredo da novela. O ideal seria, agora, indagar os comerciantes do concelho e verificar se esse fluxo acrescido de turistas se reflectiu nas contas do estabelecimentos comerciais e de hotelaria no final do mês. Pois que é muito bonito falar de crescimento e afluência de pessoas, mas depois, na prática, há que saber se realmente isso se repercutiu no movimento da caixa.
Sem acesso a números concretos será sempre difícil perceber se o investimento valeu a pena, mas, numa altura em que as televisões parecem ditar, cada vez mais, as modas, será este tipo de associações comerciais entre municípios e estações de televisão uma montra que se fecha com o fim da novela, ou, pelo contrário, foi o abrir de uma porta que agora só tem que se gerir bem para se manter aberta? Veremos nos próximos episódio!

12 novembro 2009

O início do fim de um ciclo

António Esteves

Com a saída de António Esteves da vereação da Câmara Municipal de Paredes de Coura, chega ao fim uma parceria de 12 anos entre aquele professor do ensino primário e o município. Uma parceria onde, sei por constatação própria, deu muito de si a um concelho que defendia com “unhas e dentes” e onde granjeou muitos amigos e, eventualmente, também alguns inimigos.

Os amigos vão, certamente, marcar presença no jantar de homenagem que vai ser levado a efeito amanhã à noite, na EB 2.3/S de Paredes de Coura. Organizado pelo Partido Socialista local, o jantar pretende, e irá consegui-lo provavelmente, ultrapassar as barreiras partidárias. De tal modo que, neste momento, há já vários militantes de outros partidos inscritos, nomeadamente presidentes de junta com quem António Esteves cultivou uma boa relação ao longo destes 12 anos em que ocupou o lugar de vereador.

A não continuação de António Esteves na autarquia courense, a pedido do próprio que optou por se retirar das lides camarárias e dedicar mais tempo à sua vida pessoal e familiar, marca também, quer se queira quer não, o início do fim de um ciclo que culminará com a saída de António Pereira Júnior da presidência da Câmara. É certo que quando António Esteves chegou aos Paços do Concelho já Pereira Júnior por lá andava hás bastantes anos, primeiro como vereador e depois como presidente, mas ninguém pode negar que a imagem de Paredes de Coura que temos actualmente foi construída pelos executivos onde Pereira Júnior e António Esteves formaram a dupla de gestão da autarquia.

Agora, António Esteves afasta-se para os lados de Bico, onde ainda continuará a presidir à Área de Paisagem Protegida. Lá de cima irá, certamente, manter-se atento ao dia-a-dia do concelho.

11 novembro 2009

Regionalização

Nas últimas eleições legislativas, no distrito de Viana do Castelo, os socialistas ganham o distrito com a eleição de 3 Deputados, 2 para o PSD e 1 para o CDS/PP.

Diferenças em Viana do Castelo em relação a 2005, só mesmo nas percentagens. E são reveladoras. Os socialistas ganham o distrito, mas descem 5,7 pontos. O PSD também cai, embora menos (2,2) CDS/PP, BE e PCP/PEV sobem, obtendo 13,6, 8,55 e 4,19. respectivamente.

Mas o Alto-Minho continua esquecido pelos poderes centrais, sem líderes políticos locais fortes com visibilidade que ultrapasse as fronteiras do distrito, vivendo com as “energias” que lhe chegam (cada vez menos) das sobras da Galiza.

A Lisboa, o que continua a chegar de cá, é a eterna cantiga:

O que diz a carta, Senhora Maria?

Que o sol no Alto Minho nasce ao meio dia!

Valença, promovida a cidade, e com o anúncio da construção de uma plataforma logística, muda do PS para o PSD! Dá para entender?

A regionalização é mais que necessária, como necessária é a afirmação de lideranças políticas, económicas e culturais.

Vencer o atraso estrutural da região, sem a danificar, significa adoptar uma visão renovada do espaço e do território, do ambiente e do ordenamento. Quer ao serviço da qualidade de vida dos cidadãos e do desenvolvimento sustentável, quer aproveitando a nossa posição geo-económica como factor de competitividade da economia.

Penso serem quatro os eixos fundamentais em que se articula esta visão:

  1. A sustentabilidade do desenvolvimento, fazendo da protecção do ambiente um elemento integrador de todas as políticas e um factor da própria competitividade do distrito.
  2. Valorização dos centros concelhios (Ponte de Lima/gastronomia e património, Vila Nova de Cerveira/Artes, Melgaço/Termal e cultura castreja, Paredes de Coura/Águas e património natural, etc., etc.) que sejam estruturantes do território, do ambiente, da identidade cultural e da paisagem.
  3. O desenvolvimento rural, compreendendo a política agrícola mas assumindo-se numa perspectiva integrada de preservação do povoamento (acabe-se com os caricatos subsídios de nascimento, distribuía-se em substituição um viagra motivacional para o trabalho), do ambiente, da identidade cultural e da paisagem.
  4. A aposta no distrito, como plataforma atlântica da Europa no noroeste peninsular, em articulação com a Galiza, como base logística da inserção  no espaço europeu.

Por aqui me fico, não sem antes deixar este desabafo: Recentemente, um casal holandês que visitou o distrito, queria saber o destino/produtos finais resultantes da pastorícia do distrito. Não fui capaz de uma explicação concreta, perante a estupefacção dos meus interlocutores!

Manuel Martins 

09 novembro 2009

Municipalismo

Chama-se municipalismo à autonomia administrativa dos concelhos. Com a formação dos concelhos, surgidos muitos deles, incluindo o de Paredes de Coura, nos anos idos de quatrocentos e quinhentos, outorgados em carta de foral pelos reis aos homens bons dos territórios, desejosos de autonomia, e pela qual se obrigavam ao pagamento de impostos, tão necessários para a afirmação do Estado, começa o processo de municipalização, em que a Administração central confere competências às autarquias, entretanto reconhecidas pelos seus poderes de administração e gestão dos espaços públicos.

Com o avançar dos séculos, o municipalismo português foi conhecendo várias caras, umas mais alegres e outras mais tristes, até que, a partir de 1974, começa um novo período. É o tempo do reconhecimento do poder autárquico, em que o município é legitimado pela governação das assembleias de freguesia, da assembleia municipal e da câmara municipal, numa lógica de articulação de competências.

Confessando-me municipalista, ou seja, acredito muito mais no governo da autarquia do que num governo supraconcelhio, a que poderemos chamar uma região, sou adepto da resolução local dos problemas, ainda que reconheça que certas decisões têm de ser concertadas em contextos mais abrangentes. Por exemplo, aceito que os problemas de Paredes de Coura tenham de ser enquadrados no território conjunto dos dez municípios do Alto-Minho, na soberania jurídica de uma comunidade intermunicipal, com este ou com aqueloutro nome, e à falta de melhor os rios parecem ser a solução. Talvez já discorde que os mesmos problemas tenham de passar pelo crivo do território de todos os concelhos situados na região do Entre-Douro-e-Minho ou de uma outra região.

Pelo que somos enquanto nação, sem grandes diferenças culturais e com uma mesma língua, e pelo espaço territorial que habitamos, um minúsculo rectângulo, não se justifica a existência de governos regionais, mais ainda quando a Administração nacional e a Administração local se estendem por espaços exíguos. Uma e outra são formas complementares do serviço público, como se fossem duas faces de uma mesma moeda.

No referendo sobre a regionalização, realizado em 1998, os portugueses votaram a favor do municipalismo, se bem que a pergunta tivesse sido sobre a regionalização, ou de qualquer coisa parecida, dada a confusão das palavras e o emaranhado do enunciado. Há, agora, fervorosos autarcas, parecendo não caber nos seus concelhos, que lutam pela regionalização como quem estivesse a querer outros espaços de decisão e outras formas de uniformização.

Julgo que, enquanto portugueses que somos, chega-nos o governo nacional. Não se torna necessária a regionalização como solução de nova governabilidade dos concelhos, pois isso representaria não só o enfraquecimento do municipalismo, bem como a reprodução dos vícios do poder nacional.

A primeira razão porque sou a favor do municipalismo deve-se à política de proximidade. Quando se está perto das pessoas mais fácil se torna a identificação e resolução dos problemas. Hoje em dia, são inúmeras as vantagens do poder local. A qualidade de vida das pessoas melhorou imenso e se ainda estivéssemos dependentes de um qualquer jogo de xadrez político, em que o rei de Lisboa, ou a rainha do Porto, ou a torre de Viana, ou o cavalo de Braga mandariam mais que o peão de Coura, ou de Monção, ou de Cerveira, tudo estaria diferente, e para bem pior.

Com a transferência de verbas própria do Fundo de Equilíbrio Financeiro, a que se juntam as parcas receitas geradas em território próprio, as necessidades básicas ligadas a indicadores de qualidade de vida têm sido satisfeitas. É gritante a comparação entre o que foi ontem e o que é hoje a vida dos concelhos. Basta olhar à nossa volta e reparar nas infra-estruturas culturais, sociais e económicas.

A incómoda pergunta a fazer talvez fosse esta: por que razão só agora é que as pessoas têm direito a estes serviços?

Uma outra razão diz respeito ao conhecimento directo que os eleitores têm dos candidatos aos órgãos dos municípios. A política local faz-se no tratamento informal, no reino do “tu”, sem precisar das grandes distâncias que as figuras mediáticas gostam de criar. Faz-se, de igual modo, no trato pessoal, na solidariedade, na palavra amiga, enfim, no conhecimento mútuo que há entre quem elege e quem governa. Uma análise exaustiva dos resultados das eleições autárquicas, em Paredes de Coura, poderia revelar o motivo pelo qual o município teve somente dois presidentes de câmara eleitos depois de 1974. E muitos foram os candidatos, sempre derrotados por estes dois presidentes.

Com esta posição não quero dizer que cada concelho se deva fechar sobre si mesmo, ignorando o que se passa à sua volta. As teias dos problemas são demasiado grandes e todos eles acabam por ter consequências idênticas quando não trabalham em conjunto. A cooperação concelhia já se faz a muitos níveis: na gestão dos meios de comunicação, nas infra-estruturas rodoviárias, no tratamento do lixo, na distribuição de água, na exploração eólica, ou seja, em tantos e tantos aspectos que obrigam os concelhos a ter uma só voz para os mesmos problemas.

Alguém pode perguntar: as comunidades intermunicipais não são uma forma de regionalização?

Não, de modo nenhum, são apenas formas de reforço do municipalismo, obrigando os concelhos a dialogar e a responder colectivamente a problemas que são, efectivamente, de todos.

Vamos a mais um exemplo: A Comunidade Intermunicipal do Vale do Minho tem um projecto ambicioso, denominado Minho Digital. Este projecto consiste em dotar os concelhos de infra-estruturas ligadas às novas tecnologias de informação e comunicação, com destaque para a fibra óptica. Seria impensável que tal projecto fosse realizado num qualquer concelho minhoto, tornando-se imperioso que se alargue essa imensa rede que envolve todos os concelhos.

Pensando-se bem nesta cooperação existente, a regionalização torna-se desnecessária, traduzindo-se numa vontade política que serve mais os interesses dos concelhos mais fortes que dos concelhos mais fracos.

Ser a favor do municipalismo, ou a favor da regionalização, não é uma questão meramente territorial. Poderia ser favorável à regionalização se, por mera possibilidade teórica, todos os concelhos de uma região estivessem no mesmo plano de desenvolvimento e com as mesmas potencialidades. Infelizmente, e recordemo-nos da frase lapidar do livro “O Triunfo dos Porcos”, de George Orwell: “Todos são iguais, mas uns são mais iguais que outros”.

Não sei como seria a regionalização pela leitura desta frase, estando convicto que a mesma não pode ser utilizada para a municipalização. Cada concelho luta por si e jamais se pode impor aos outros. Para isso, as regras precisam de ser claras o princípio de subsidiariedade deve funcionar, ou seja, os concelhos com menos possibilidades de desenvolvimento e com receitas mais parcas têm a colaboração dos concelhos mais fortes.

Assumindo-me como municipalista, neste e noutros escritos, gostaria de deixar um alerta como ideia final. O que caracteriza a municipalização é a prestação de um serviço público. Por força de ideias políticas e por razões economicistas, muitos serviços prestados pelas autarquias começam a ser semi-privatizados, através da formação de empresas de capitais públicos e privados.

Quando a economia se sobrepõe como factor único ao nível da resposta pública sabe-se que, invariável e penosamente, os custos sobram sempre para os munícipes.

 

José Augusto Pacheco

As palavras dos outros

Conforme anunciado, o Mais pelo Minho, para comemorar o seu quarto aniversário, abriu as portas à participação de pessoas externas ao blogue, convidando algumas pessoas ligadas a Paredes de Coura a escreverem neste espaço. A partir de hoje começam a ser publicados os artigos daqueles que responderam ao convite.

A eles o meu muito obrigado pela colaboração!

04 novembro 2009

Alhos e bogalhos

Faz-me confusão esta mania que as pessoas têm de misturar coisas que nada têm a ver umas com as outras. Principalmente quando tentam ver questões políticas em todos os sectores de actividade, por mais afastados do espectro  político que estes estejam. Mais confuso fico ainda quando essa associação errada é feita pelos próprios intervenientes, como se eles próprios não tivessem consciência de que é possível fazer algo à parte dos interesses políticos.

Vem isto a propósito das notícias vindas a público recentemente, que dão conta do desagrado de dois dirigentes associativos locais que, tendo em conta o resultados das eleições do passado dia 11 de Outubro, acham que, por terem sido preteridos nas urnas, agora devem abandonar as funções que desempenham nas colectividades locais. Veja-se, por exemplo, o caso de Albano Sousa, presidente da Associação de Castanheira, instituição a que tem dado muito de si próprio, desenvolvendo um trabalho meritório e reconhecido a vários níveis. Fará sentido extrapolar os resultados das autárquicas, em que concorreu como número dois do PSD à Câmara, e dizer que, ao não lhe dar a vitória nas urnas, a população está a dizer que também não aprecia o trabalho dele no Castanheira? Claro que não!

A meu ver, e com o devido respeito que Albano Sousa me merece, estamos perante um caso flagrante de mau perder, ainda que o próprio não o admita. Só desta forma se justifica que se faça depender coisas tão distintas uma da outra. Visto de outra forma, dá a impressão, errada quero crer, que Albano Sousa só se manteve no Castanheira até agora porque achava que teria algo a ganhar com isso numa eventual candidatura partidária. Sei que não foi isso que aconteceu, por isso não faz sentido querer ligar as duas coisas. Albano Sousa tem todo o direito de estar magoado com os seus conterrâneos, mas não pode esperar que, por estes acharem que ele é a melhor opção para a associação local, vão também entender, necessariamente, que Albano Sousa é o homem indicado para a Câmara. Mais, Albano Sousa tem de entender, também, que não concorria sozinho e que os eleitores, para votarem nele, teriam igualmente de aprovar o resto dos elementos que faziam equipa com ele. Provavelmente não aprovaram…

O pior, nisto tudo, é que com estas confusões entre política e associativismo, eventualmente irá perder-se um homem que deu  e ainda tem muito para dar a uma colectividade que foi criada e mantida à sua imagem e semelhança. Sem Albano Sousa a Associação de Castanheira irá continuar, quero acreditar, mas, como diz o anúncio da televisão, não vai ser a mesma coisa.

03 novembro 2009

A escrever desde 2005…

Foi a 3 de Novembro de 2005 que surgiram as primeiras linhas do Mais pelo Minho. De então para cá, o Mais pelo Minho não tem parado, cumprindo plenamente a missão com que o idealizei: ser um espaço de opinião.

Não há dias certos para escrever. Escreve-se quando surge a inspiração, quando surge o assunto, quando surge o interesse. Não há dias certos para escrever, o que é preciso é escrever. E continuar a escrever. Sobre Paredes de Coura, sobre toda esta região onde estamos inseridos.

Os que me conhecem sabem que, para mim, escrever é um vício. Sabem o quanto me custou abrir mão de um percurso profissional de mais de uma década no jornalismo, primeiro a nível regional, depois a nível nacional, em nome de valores mais altos que se me apresentaram. Sabem, contudo, que o “bichinho” não morreu e que o Notícias de Coura, na sua fase inicial, e o Mais pelo Minho, depois, ajudaram a manter vivo este gosto pela escrita.

E é com gosto e dedicação que vou continuar a dar vida a este blogue. Mesmo que tal me custe algumas noites com menos horas de sono. Mesmo que para isso tenha de continuar a ignorar os muitos insultos anónimos que fazem questão de me oferecer. Tudo isso é facilmente ultrapassado pela satisfação de poder escrever, usufruindo de uma liberdade de expressão que Portugal soube conquistar há 35 anos!

Aos leitores do Mais pelo Minho deixo aqui uma palavra de agradecimento. Obrigado por passarem por cá, por deixarem o seu contributo. A pensar neles, e de forma a assinalar mais um aniversário do blogue, convidei algumas pessoas externas ao Mais pelo Minho a darem o seu contributo e a publicarem aqui um artigo da sua autoria. Durante esta semana, e eventualmente na próxima, procurarei colocar online estas colaborações que agradeço respeitosamente.

 

Paredes de Coura, 3 de Novembro de 2009

 

Eduardo Bastos

Deixar a casa desarrumada

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As eleições têm destas coisas: uns ganham, outros perdem. É o normal! A transição entre vencidos e vencedores nem sempre é pacífica, nem sempre é feita da melhor forma e, algumas vezes, surgem umas surpresas que estragam a festa da vitória. Foi o que aconteceu em, pelo menos, duas freguesias de Paredes de Coura, com os novos titulares da presidência a ficarem de queixo caído face ao cenário deixado pelos seus antecessores.

As duas freguesias mudaram de cor nas últimas autárquicas e, apesar da mudança, continuam as duas a ser de cores políticas diferentes. A mudança de partido não é (não pode ser)  justificação para atitudes que, além de em nada dignificarem quem ocupou o lugar de presidente até 11 de Outubro último, vão dar muitas dores de cabeça aos novos titulares daquele cargo.

Imagine-se o que é chegar à presidência da junta de freguesia e descobrir que nos próximos meses (e não serão poucos) não vai haver dinheiro para fazer rigorosamente nada, incluindo pagar o ordenado ao funcionário que a autarquia tem ao seu serviço. E descobrir que, num único dia, curiosamente a poucos dias das eleições, o antigo presidente da junta emitiu qualquer coisa como mais de trinta cheques, sabendo de antemão que não havia dinheiro para os pagar, nem agora nem nos próximos meses, hipotecando desde logo qualquer hipótese de iniciativa que o seu sucessor pudesse vir a ter. Não é ficção, aconteceu mesmo numa freguesia de Paredes de Coura, numa atitude que, pelo menos eticamente, é totalmente reprovável e só vem dar razão àqueles que dizem cobras e lagartos da forma como são geridas as  finanças das autarquias locais.

Noutra freguesia, mais serrana mas nem por isso mais serena, o caso não assume tamanhas proporções, mas ainda assim o novo presidente da Junta já veio a terreiro defender a realização de uma auditoria às contas do anterior executivo. Haverá suspeitas de má gestão? Certamente. Terão fundamento? A auditoria, se realmente avançar, poderá ajudar a demonstrá-lo.

Situações como estas, infelizmente, não são novidade. Não em Paredes de Coura, muito menos no resto do país. Os novos titulares dos cargos públicos desconfiam muito dos seus antecessores, especialmente se estes forem de partido diferente. Veja-se o que acontece aqui ao lado, em Valença, em que o novo presidente da Câmara também já admitiu ir ver à lupa as contas deixadas pelo anterior titular do cargo. Infelizmente, as notícias de todos os dias, ajudam quem pensa assim. Os casos de má gestão e, pior, de corrupção, dominam a actualidade noticiosa e, sempre que há mudanças paga o justo pelo pecador. E, é certo, em muitos casos, o pecado existe mesmo… até na casa do justo!