16 junho 2010

A festa do sol

As duas primeiras edições foram um sucesso. No próximo sábado há mais uma, a edição de 2010 do Solstício de Verão. Uma organização da associação A Cividade, que pode tornar-se num pólo de atracção do concelho. Isso mesmo, aliás, referiu publicamente o presidente da Câmara de Paredes de Coura nas vésperas da última realização, enaltecendo as qualidades do evento e dizendo mesmo que “mais cedo ou mais tarde, poderá ter uma projecção idêntica à do Festival”.

Bons augúrios para uma iniciativa que nasceu da carolice de uma das mais dinâmicas associações do concelho e que, de ano para ano, tem elevado a fasquia da qualidade. Este ano não será excepção e, a atentar no oferta do cartaz, vamos ter mais um Solstício bem animado, com artes circenses, espectáculo equestre, danças célticas e trechos de teatro, a cargo do Teatro Amador Courense, que se associou também a esta organização.

Se a isto juntarmos uma ementa adaptada à época que o Solstício pretende recuperar, com porco no espeto, truta grelhada e a sempre concorrida “queimada”, temos todos os ingredientes necessários para uma noite bem passada, com um cenário de sonho, assim o bom tempo permita uma noite limpa. Motivos mais que suficientes para levar muita gente ao alto da Cividade de Cossourado e, quem sabe, dar razão ao autarca courense e transformar o Solstício de Verão em mais um evento a marcar na agenda das visitas obrigatórias a Paredes de Coura.

15 junho 2010

E a alternativa é… a portagem?

Portagens, portagens e mais portagens. É este o cenário que espera, já a partir do próximo dia 1 de Julho, os utilizadores das SCUTS que o Governo resolveu portajar, numa medida que, supostamente, pretende ajudar a combater o buraco criado nas finanças do país, mas que, e aqui é certinho, promete sim criar um buraco ainda maior no bolso dos portugueses que utilizam estas vias.

Nas últimas duas semanas, por motivos quer pessoais, quer profissionais, tive de fazer por cinco vezes o percurso entre Paredes de Coura e o Porto. Como o dinheiro não me nasce nos bolsos, é óbvio que escolhi a ligação mais económica e fiz o percurso via A28. Se o fizer a partir de 1 de Julho, cada viagem entre Paredes de Coura e o Porto vai-me custar mais 8.10 euros. Coisa pouca para uma viagem só, mas se pensarmos que só nas deslocações destas últimas semanas teria gasto, em portagens, o suficiente para atestar o depósito de combustível do carro e fazer o mesmo percurso mais duas vezes, então começamos a perceber o impacto desta medida. Mais ainda se, como acontece com milhares de pessoas, as viagens pelas SCUTS que vão ter portagem são uma obrigação para irem trabalhar diariamente. Imagine-se, por exemplo, alguém que tem de ir todos dias de Viana do Castelo para o Porto, chegar ao fim do mês e ver que quase 200 euros ficaram pelo caminho, em portagens.

Infelizmente esta situação não vai afectar apenas quem utiliza a A28. Outras SCUT’s, estradas que, por muito que o Governo queira, não têm qualquer alternativa viável, também vão começar a mexer diariamente no bolso dos portugueses que as utilizam. E, aqui a expressão “portugueses que as utilizam” tem ainda mais razão de ser. É que não vai ser fácil obrigar os automobilistas estrangeiros que circulam nessas vias a pagar a portagem, quando o sistema nem sequer para os portugueses é simples. Imagine-se entrar em Portugal por Valença, fazer o percurso até Viana do Castelo sem problemas e depois, ao querer seguir mais para Sul ser confrontado com a obrigatoriedade de se dirigir a uma estação dos CTT para comprar um identificador que, provavelmente, vai utilizar apenas uma vez. Os milhares de espanhóis que todos os fins de semana vêm em romaria para o IKEA até o podem comprar, mas para aquele turista esporádico, que nos visita de vez em quando, o sistema é inviável.

Resta falar das alternativas. Das que se colocam aos que não podem pagar o que o Governo exige, e que agora se vêem obrigados a regressar a estradas municipais (sim, que muitos troços das antigas estradas nacionais já foram municipalizados) e, por entre rotundas, semáforos, cruzamentos e passadeiras, fazer no triplo do tempo um percurso que até agora faziam de forma muito mais rápida. Não há alternativas viáveis à A28, todos o sabem, incluindo o Governo. Aliás, há troços das antigas estradas nacionais onde os pesados nem sequer podem circular, o que vai obrigar este tipo de veículos a um constante zigue-zague entre SCUT’s e EN’s. Nada disso parece interessar a um Governo que só vê números à sua frente e que, pelos vistos, parece não querer ficar por aqui e fala já em colocar portagens noutros trajectos que, tal como os que são portajados agora, partilham o facto de não terem qualquer alternativa (veja-se o caso da A25 entre Aveiro e Vilar Formoso).

No meio disto tudo ficam regiões que só têm a perder com esta medida governamental. No caso concreto da A28, os municípios já vieram a terreiro lembrar o impacto que a introdução de portagens nas SCUT’s vai ter, quer junto dos seus munícipes, quer junto do tecido empresarial desta zona. O aumento dos custos dos transportes é a face mais visível das consequências desta medida, mas o cenário global vai mais longe e volta a insistir na mesma tecla de sempre: o desrespeito pelas populações destas zonas. No entanto, enquanto alguns autarcas criticaram e já avisaram que vão avançar com medidas cautelares para tentar evitar a consumação desta ideia, outros há que se ficam pelas críticas, vá-se lá saber porquê.

08 junho 2010

Época balnear: e a praia, como está?

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A época balnear começou oficialmente há uma semana. O bom tempo das últimas semanas já levou muita gente às praias e, mesmo por Paredes de Coura já se começam a ver algumas pessoas na praia fluvial. Ainda no passado domingo por lá passei e já havia alguns banhistas a experimentar as águas fresquinhas do Coura. Mas, será que este ano não vamos ter a repetição dos problemas dos anos anteriores?

Infelizmente a poluição é um mal que teima em afectar um dos maiores recursos naturais do concelho, e não há Verão em que as análises efectuadas às águas do Rio Coura não apresentem, uma ou outra vez, valores de poluição acima do permitido. O ano passado, aliás, foi dos piores para as águas do Taboão e um breve olhar para os resultados das análises levadas a cabo durante a época balnear mostra-nos que, de Junho a Setembro, a praia esteve “sem problemas” apenas durante quatro semanas. Ou seja, nos mais de três meses de época balnear, só pudemos oferecer uma praia fluvial em pleno durante um mês. Acresce que todos os problemas originados pela poluição, especialmente em vésperas do Festival de Paredes de Coura, obrigaram a Câmara Municipal a uma intervenção de urgência com custos acrescidos.

E este ano, como será? Longe de querer fazer futurologia, tenho para mim que vamos ter novamente problemas. É que, não sendo descobertos, os prevaricadores vão continuar a fazer descargas ilegais no Rio Coura, aproveitando principalmente os dias como o de hoje, em que a chuva substituiu o sol do Verão. No entanto, num ano em que ao invés de um vamos ter dois festivais, muito embora não comparáveis em dimensão mas que ainda assim prometem trazer muita gente ao Taboão, a fiscalização terá de ser a palavra de ordem. Caso contrário corremos o risco de voltar a ter um Verão com apenas quatro semanas de rio utilizável, com banhistas a arriscar ou nas margens a ver a água passar.

28 maio 2010

PSD courense: Castro depois de Cunha

 FOTO.JPGPaulo Castro, professor de Inglês na Escola EB 2.3/S de Paredes de Coura, mas também ligado ao associativismo do concelho e à pastoral juvenil, é o novo presidente da concelhia do PSD de Paredes de Coura. Aos 42 anos, Paulo Castro sucede a João Cunha, anterior líder dos social-democratas do concelho, que não se recandidatou ao cargo que vinha a desempenhar.

O novo presidente da concelhia do PSD apresenta um curriculum político que inclui a liderança da JSD courense e distrital e ainda a representação do distrito no Conselho Nacional do PSD, bem como uma passagem pela Assembleia Municipal no mandato de 1997 a 2001. Aliás, depois de algum tempo afastado destas lides, Paulo Castro viria a reencontrar-se com o partido nas últimas eleições autárquicas, onde concorreu em três frentes: assembleia municipal, câmara municipal e cabeça de lista à Junta de Freguesia de Cossourado, de onde é oriundo. Neste último cenário acabaria por ser derrotado pela detentora do cargo na altura, enquanto que nos outros dois órgãos a sua presença nas listas em  lugar não elegível o afastou de qualquer representação.

Nesse aspecto fica a perder em relação a João Cunha, que chegou a ocupar o cargo de vereador no último mandato autárquico e que, nas autárquicas de Outubro último foi eleito para a Assembleia Municipal de Paredes de Coura. Sem “púlpito” onde faça ouvir a sua voz, pelo menos no que aos órgãos autárquicos diz respeito, será que vamos ter mudanças “a pedido” na composição da bancada social democrata naquele órgão?

Preço da água: vêm aí aumentos!

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A falta de concorrência tem destas coisas: aumento dos preços. Neste caso a ideia que existe de uniformizar os preços a que é fornecida a água de consumo público, muito por causa do domínio da Águas de Portugal na distribuição, vai mexer directamente no bolso dos portugueses e Paredes de Coura não foge à regra.

Ainda para mais quando, como é sabido, a Câmara de Paredes de Coura, “subsidia” parte da água que os seus munícipes pagam. Isto porque, conforme já explicou o autarca courense por diversas vezes, a câmara compra o metro cúbico de água a 56 cêntimos, mas depois cobra apenas 26 cêntimos por metro cúbico ao consumidor final. Uma situação que a proposta de uniformização de preços, de que a fusão das várias concessionárias é a face mais visível, não irá, obviamente, contemplar razão pela qual são esperados aumentos elevados das tarifas de água concelhias.

Muito embora ainda não sejam conhecidos os valores finais a aplicar quando avançar a incorporação das Águas do Minho e Lima nas Águas do Noroeste, Pereira Júnior fala já numa previsão de que cada metro cúbico de água custe entre 2 a 3 euros, ou seja, muito acima do que é cobrado actualmente e valor que o próprio presidente da Câmara considera muito caro. É certo que o valor apontado pelo autarca courense integra não apenas o custo da água, mas sim também a tarifa de saneamento indexada ao consumo. De qualquer das formas, tendo em conta os valores pagos actualmente, podemos sempre dizer que estamos perante um aumento de grandes proporções.

Para tentar evitar esta situação, os municípios do distrito estão já a financiar um estudo que visa verificar se compensa mais a criação de uma nova empresa, de cariz intermunicipal, que irá substituir-se à Águas do Noroeste na distribuição da água. Os resultados desse estudo devem ser conhecidos no segundo semestre de 2010 e, em tempo de crise, poderão significar a manutenção ou a saída de mais uns euros do bolso dos cidadãos courenses.

21 maio 2010

Aceitam-se recomendações?

 

Recomendações sobre o processo de requalificação das Urgências no Alto Minho publicadas em Diário da República – Rádio Geice

Infelizmente, parece que não, por isso isto não vai valer de muito. Mas, num cenário de crise geral, em que são os próprios governantes, locais e nacionais, que admitem que o encerramento das urgências nocturnas vai trazer custos acrescidos, não seria recomendável acatar a recomendação?

Um património a proteger

Hoje e amanhã o património histórico de Paredes de Coura está em debate nas jornadas sobre Património Arqueológico e Turismo, que trazem até ao nosso concelho alguns especialistas desta área. Uma área que, refira-se, poderá ser utilizada como mais um factor de atracção para quem nos visita. Curiosamente, dei por mim a recordar que a Cividade de Cossourado foi o primeiro local que visitei em Paredes de Coura, nos idos de 1997. A proximidade do local onde me encontrava de férias ditou uma caminhada ao alto do monte para ver os trabalhos que a parceria entre a Câmara de Paredes de Coura e a Universidade Portucalense e que deixaram em exposição a recriação parcial de um fortificado da Idade do Ferro.

Hoje, quase 13 anos depois dessa primeira visita, constato que apesar de todo o desenvolvimento que, no concelho, tem havido no que respeita ao estudo e preservação do património arqueológico, a Cividade de Cossourado continua, tal como na altura, a aguardar a classificação por parte do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico. O pedido é de 1996, mas até à data continua sem seguimento. Não é, contudo, caso único no património do município, já que na mesma situação, em vias de classificação, está também outra estrutura do género, o Castro de S. Martinho, alguns quilómetros mais a Sul. Apenas o Castro de Romarigães, também na mesma zona, rica em património desta época, se encontra classificado como Imóvel de Interesse Público.

Estes três casos, a par com o troço da Via Romana de Braga a Tui, devem, aliás, estar integrados na Carta Arqueológica de Paredes de Coura, que será hoje apresentada no decorrer das referidas jornadas. O programa deste evento inclui, ainda, a inauguração do Núcleo de Arqueologia do Museu Regional de Paredes de Coura. Uma área que, curiosamente, já funciona há alguns anos naquele equipamento, pelo que não se percebe o porquê desta inauguração agora. De qualquer das formas, e tendo em conta que a autonomização desta área poderá significar a continuação de um olhar atento a este tipo de património no concelho, rico em achados arqueológicos, o último dos quais, creio eu, aconteceu há cerca de três anos, com a descoberta de vestígios de uma estação romana em Infesta.

Em relação a segunda parte das jornadas, a articulação entre o património e o turismo, esta seria uma boa forma de rentabilizar um valor latente no concelho. Resta saber em que moldes tal poderia (e deveria) ser feito, mas isso será certamente, assunto que não escapará à discussão nas jornadas deste fim de semana.

14 maio 2010

Taboão: restaurante fechado até quando?

aviso restaurante taboão

Ambiente bucólico, o rio a correr por entre a sombra das árvores, uma grande superfície verde que convida ao relaxamento e um restaurante com vista para isto tudo mas… FECHADO! É este o triste cenário que se oferece aos courenses e turistas que procuram a praia fluvial do Taboão por estes dias. Aliás, por estes últimos meses, pois não é de agora que aquele espaço se encontra encerrado.

Projectado pela autarquia courense como espaço de apoio à praia fluvial, que permitisse a sua dinamização e animação durante todo o ano, o restaurante do Taboão é, actualmente, um elefante branco, praticamente abandonado e sem utilização. Reaberto com nova gerência em Setembro de 2008, desde logo foi assumido pela nova gestão o compromisso de abrir portas apenas aos fins de semana no período de Inverno e durante toda a semana no Verão. O aviso afixado na porta, e que se reproduz na foto acima, dá a entender isso mesmo, mas na realidade não é isso que se verifica e, seja semana ou fim de semana, a porta está sempre encerrada e, já o presenciei por diversas vezes, com algumas pessoas a bater com o nariz na porta.

Uma questão que não passou despercebida à Câmara Municipal, proprietária do espaço, que está preocupada com a situação, inclusivamente porque haverá outros interessados em pegar naquele restaurante. O actual concessionário, contudo, tem ainda o seu contrato válido, pelo que autarquia parece estar de mãos atadas. Uma coisa é certa, como está, aquele espaço é um desperdício. Os quase 150 mil euros que o município ali investiu parecem dinheiro deitado fora e fazem-nos ter saudades do velhinho bar que ali existiu em tempos e que, mesmo sem grandes sumptuosidades, prestava serviço a quem escolhia a praia fluvial como espaço de lazer.

07 maio 2010

Urgências: aumento de doentes, prejudica serviço

A afluência de utentes aos serviços de urgência básica de Monção e Ponte de Lima aumentou fortemente no último mês, num cenário a que poderá não ser alheio o encerramento das urgências nocturnas em Valença, Melgaço, Paredes de Coura e Arcos de Valdevez. Era o que já se esperava, ou não? Alguém duvidada que isto fosse acontecer? É claro que não, pois já se sabia que sem serviço médico a funcionar de noite nos seus concelhos de residência, os utentes que necessitassem de cuidados de saúde os iriam procurar noutro lado e não esperar pelas 8 da manhã, como defendeu o secretário de Estado da Saúde a determinada altura.

O caso de Monção é gritante, pois de acordo com os dados da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM) hoje divulgados pela TSF, registou um acréscimo de 630 por cento de utentes vindos de Valença. Mas não é o único, pois no serviço de urgência básica (SUB) de Ponte de Lima também se verificou um aumento de 128 por cento no número de pacientes oriundos de Paredes de Coura, por exemplo. Número que, a juntar também à afluência considerável de utentes de Arcos de Valdevez, Ponte da Barca e, naturalmente, Ponte de Lima, leva Baltasar Fernandes, gestor do serviço de urgência da ULSAM a considerar que aquele SUB enfrenta um congestionamento e uma má resposta, relacionados com “as condições exíguas em termos de espaço” daquele serviço. Ora, se as condições não são as melhores para providenciar um bom serviço aos doentes que ali acorrem, porque raio é que se teima em manter encerrados os serviços locais e canalizar para ali os utentes de todos os concelhos à volta?

Por outro lado, ao mesmo tempo surgem notícias, igualmente esperadas, de que os Bombeiros de Valença registaram o dobro das saídas habituais desde que o serviço de urgências local encerrou. Uma situação que, explicam os bombeiros, tem a ver com o aumento do serviço de transporte de doentes para Monção. Por Paredes de Coura não se conhecem números, mas quase que aposto que as viagens Coura/Ponte de Lima também cresceram. E, já agora, os custos de quem tem de as suportar.

Um SAP por uma SIV

O assunto do encerramento das urgências dominou a última Assembleia Municipal, com o PSD a ver aprovada quase por unanimidade uma proposta no sentido de exigir do Ministério da Saúde a suspensão do encerramento até que estejam cumpridos os pressupostos assumidos no protocolo assinado com a Câmara de Paredes de Coura. Mas, além da moção de protesto, outra coisa saiu da reunião de sexta-feira passada: a consciência de que uma SIV é melhor do que nada, mas que não substitui o SAP que tínhamos até então.
Décio Guerreiro lançou o mote, criticando a atitude do Governo por encerrar o SAP num fim de semana e sem aviso prévio, mas sobretudo por não cumprir o estabelecido no protocolo firmado com a Câmara. “Foi feito um acordo para o concelho e não foi cumprido. Todos devemos exigir que seja cumprido”, razão pela qual o PSD concelhio defende que o SAP seja reaberto até que isso suceda. E, no final da discussão, foi esse o conteúdo da proposta que foi aprovada quase por unanimidade (apenas uma abstenção do PS), muito embora ao longo de quase uma hora de discussão não tenha sido esse o cenário, com Pereira Júnior a explicar todo o processo que levou ao encerramento do SAP, bem como as dificuldades sentidas pela tutela para cumprir o acordado, nomeadamente a questão do médico à chamada, e a recente renegociação que promete trazer para o concelho uma ambulância SIV, se bem que ainda com muita coisa por definir, nomeadamente o período em que aquele equipamento vai estar operacional.
Aliás, Pereira Júnior afirmou, no decorrer da reunião, que nem sequer sabia quando é que a ambulância prometida pelo secretário de Estado da Saúde iria começar a servir os courenses, uma vez que, aparentemente, já haverá veículo disponível mas não foi ainda contratada a equipa (ou equipas) que vão prestar serviço naquele equipamento. “Se não entrar em funcionamento em prazo razoável, então tomaremos outras medidas”, explicou o autarca courense. O certo é que, a Assembleia parece não ter confiado muito nesta última promessa do Ministério da Saúde e optou por exigir que, enquanto não estivesse cumprido o prometido em 2008, o SAP de Paredes de Coura volte a estar aberto durante a noite. Desconhece-se, contudo, se a tutela vai dar seguimento a essa exigência.
A Assembleia Municipal serviu também para clarificar que a SIV não constitui uma alternativa viável ao funcionamento do SAP durante a noite, tendo em conta que vai tratar apenas casos de maior gravidade e todos os outros terão de seguir para Ponte de Lima. E, mesmo em relação aos mais urgentes, “veremos o que acontece quando a SIV for para Viana e alguém precisar dela cá”, alertou Décio Guerreiro que não perdeu a oportunidade de recordar que, aquando da passagem do anterior Ministro da Saúde por Paredes de Coura, este afirmou publicamente que o SAP de Paredes de Coura não encerraria enquanto não existisse um acesso rápido à A3. O acesso não existe, efectivamente, mas o ministro já não é o mesmo e o SAP… já fechou.

06 maio 2010

Somos contra, claro! Mas amanhã já não…

Alguém se lembra do que aconteceu em Viana do Castelo no dia 25 de Janeiro de 2009? Uma rápida pesquisa pela internet relembra-nos que foi nessa data que a população de Viana do Castelo, chamada a decidir sobre a integração do seu município na comunidade intermunicipal do Minho-Lima, optou por manter-se fora desta organização associativa. Mas, à luz dos acontecimentos actuais, ninguém diria que tal aconteceu. Aliás, duvidar-se-ia mesmo da realização do referido referendo. É que, depois do Não popular em 2009, um ano volvido o município de Viana do Castelo dá o dito por não dito e prepara-se para assinar hoje a sua adesão à criticada CIM.

É claro que este volte-face era algo que já se previa. A vontade de ficar de fora da nova associação de municípios, que reuniu logo desde o início os outros nove concelhos do distrito, era um capricho pessoal do presidente da Câmara de Viana do Castelo à data dos acontecimentos. Mas, com a saída airosa de Defensor Moura para o Parlamento, logo logo o seu sucessor, antigo número dois, mostrou que estava disposto a seguir na direcção contrária e associar-se aos seus colegas de distrito. E pronto, depois de alguma negociação, mas sem abrir mão do princípio desde sempre defendido pelos fundadores da CIM de “um concelho, um voto”, eis que se esquece o que Defensor Moura tanto defendeu.

Desiluda-se quem pense que na origem deste recuar de intenções estão questões mais filosóficas, porque o que está no cerne da questão é só uma coisa: dinheiro. Mais concretamente, os milhões que o QREN reservava para a capital alto-minhota mas a que esta só poderia aceder fazendo parte da CIM Minho-Lima. Para trás ficam outros números, nomeadamente os cerca de 100 mil euros que custou a campanha do referendo local, coisa que, pelos vistos, tem um prazo de validade muito pequeno. Muito longe dos quatro anos de mandato que Defensor Moura conseguiu em Lisboa, na Assembleia da República, graças a uma birra que agora vê ser ignorada.

27 abril 2010

Um espólio a aguardar fundos comunitários

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No seguimento do último post, sobre a falta de sinalização da passagem de Aquilino Ribeiro por Terras de Coura, houve quem me lembrasse prontamente que o autor de “A Casa Grande Romarigães” não é o único a ser relegado para segundo ou terceiro plano. E lá veio à baila o nome de Mário Cláudio e o suposto esquecimento da ideia de alojar em Paredes de Coura o espólio deste escritor portuense, que tem o nosso concelho no coração.

E digo “suposto esquecimento” porque, contrariamente ao que se possa pensar, o assunto não está esquecido.  É certo que o anúncio da doação a Paredes de Coura de todo o acervo documental deste escritor, já foi feito há quase quatro anos e que, daí para cá, nada se viu de concreto. Mas, também ninguém pode exigir que a autarquia courense, especialmente nestes tempos de crise e a braços com uma situação financeira não tão desafogada como desejaria, tenha fundos suficientes para suportar a transformação da antiga escola primária de Venade, Ferreira, no abrigo protegido e dedicado da oferta feita por Mário Cláudio. É que, e a Câmara de Paredes de Coura já o explicou publicamente,os trabalhos a realizar vão ser alvo de candidatura a fundos comunitários e, pelo menos por enquanto, ainda não se abriu qualquer porta que possa permitir a entrada desta ideia no leque de projectos a desenvolver.

O único que poderia ter alguma razão de queixa seria, eventualmente, o próprio escritor. Mas Mário Cláudio tem sido colocado a par de todas estas peripécias que envolvem a sua oferta. Além disso, apesar de os trabalhos “mais visíveis” não estarem a decorrer, tendo a antiga escola sido apenas esvaziada do seu conteúdo, o certo é que os trabalhos em torno do espólio documental do escritor estão já a decorrer, com o seu tratamento arquivístico. Um trabalho quase invisível que, contudo, envolve muitas horas de dedicação e que não pode esperar pela transformação do espaço físico que o vai acolher para ser feito.

23 abril 2010

Por onde anda Aquilino

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Na última edição do Notícias de Coura, José Luís Freitas, correspondente do jornal em Romarigães, dava conta da situação de quase esquecimento a que a freguesia e o concelho votaram o nome do escritor de “A Casa Grande de Romarigães”. Hoje, Dia Mundial do Livro, relembro essa crítica, a que me associo.

Mais de cinquenta anos após a publicação do romance, a “Casa Grande de Romarigães” continua por cá, por Paredes de Coura. Se divulgação e sem qualquer sinalização, com bem repara José Luís Freitas, mas também sem qualquer ideia para manter vivo aquele espaço que foi (será que continua a ser?), um marco na literatura. Há cerca de três anos, num espaço informativo da RTP, ouvi algumas propostas para transformar a zona envolvente num jardim, à imagem do que terá sonhado Aquilino Ribeiro. Algum tempo depois, por ocasião da comemoração dos 50 anos da publicação, o próprio presidente da Câmara de Paredes de Coura adiantou que gostaria de ver aquele espaço transformado num museu, assim houvesse fundos para tal. Mas, como em tudo, os fundos não existem, e por isso à Casa do Amparo, que depois de ter inspirado um dos vultos da literatura portuguesa, sobrevive hoje a custo, num misto de espaço privado e de local de visita a que só acedem alguns mais curiosos.

Situação diferente da que se vive em Moimenta da Beira, nas Terras do Demo, onde a antiga casa do escritor é hoje uma casa museu, sede da Fundação Aquilino Ribeiro e que a autarquia local quer agora transformar num local mais dinâmico, aberto à comunidade e aos investigadores, que ali encontram um pouco da história de Aquilino Ribeiro. Realidades diferentes sobre um mesmo epicentro, é certo, e nos tempos que correm já se sabe que a cultura é sempre o filho que fica esquecido pelas autoridades governativas. Mas, em Paredes de Coura, um primeiro passo poderia ser dado pela própria autarquia, seja a câmara ou a própria Junta de Freguesia de Romarigães: porque não dar ouvidos a José Luís Freitas e dotar a freguesia, pelo menos na principal via que a atravessa, de sinalização que indique aquele que devia ser um dos seus maiores motivos de orgulho?

16 abril 2010

Hotel vs pocilga

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Depois de abandonado, depois de esquecido pela tutela, mesmo sabendo que há interessados na sua compra e recuperação, o antigo hospital de Mozelos sofre agora novo revés. Pessoalmente, nem queria acreditar quando vi a notícia na última edição do Notícias de Coura, que dava conta da transformação, ainda que temporária, do antigo sanatório numa… pocilga!!!

Pelo que se pode ler no artigo em questão, a colocação dos animais naquela espaço surgiu como contrapartida pela limpeza da zona envolvente. Ora, o que não se compreende, por um lado, é se se está a limpar por um lado, porque se há-de sujar, com os detritos dos animais, por outro lado. Acresce que, a meu ver, a ocupação daquele imóvel pelos animais vai deteriorar ainda mais o antigo hospital. Mas, mais importante, o que não se compreende é porque é que este processo não ata nem desata, pois da maneira que as coisas se arrastam não seria de admirar que, qualquer dia, o grupo empresarial que estava interessado em recuperar aquele imóvel e ali construir um hotel e campo de golfe, simplesmente perca o interesse.

Enquanto isso, aqui ao lado multiplicam-se os projectos do mesmo género. Inclusivamente projectos hoteleiros promovidos pelo município, como é o caso do novo hotel que a Câmara de Ponte de Lima quer abrir em Arcozelo. Deste modo aproveita-se uma casa antiga comprada recentemente e requalifica-se toda a zona envolvente. E, curiosamente, não houve necessidade de transformar o espaço numa pocilga. 

15 abril 2010

Outsider

 

“Confrontado com este protesto, António Pereira Júnior adiantou à Rádio Vale do Minho que não vai estar presente, porque esta vigília não está a ser organizada por uma courense, "ninguém a conhece como se fosse de cá e portanto fica-se na expectativa que é uma outsider que vem aqui fazer uma manifestação” 

Contextualização. Estupefacção. Indignação. Telhados de vidro. Reconhecimento.

Primeiro a contextualização. Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura, comentava, aos microfones de uma rádio local, a vigília que vai ser levada a efeito no próximo sábado, como forma de protesto pelo encerramento do SAP no período nocturno. Uma vigília que, como já aqui abordei, foi convocada por Sandra Barros, cidadã portuguesa, que paga impostos e não aceita o encerramento do serviço nocturno do SAP de Paredes de Coura, como a própria assina o panfleto que distribuiu, por email e também por mão própria. Inclusivamente foi das mãos da própria subscritora que o  autarca courense recebeu o panfleto que convida à participação na vigília de sábado.

Estupefacção. Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura, até podia fazer este comentário no recato de uma qualquer conversa privada, mas…  num órgão de comunicação social! Não sou advogado de defesa de ninguém e tenho a certeza que a Sandra Barros é capaz de, por si própria, responder ao autarca courense e explicar-lhe os motivos do seu protesto, mas as palavras do presidente da Câmara causaram-me alguma surpresa. Pela forma e pelo conteúdo.

Indignação. Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura, até nem tem a culpa, mas infelizmente este tipo de discurso já não é novidade  para mim, vindo de outros lados.  A ideia de que só quem é courense, ou pelo menos conhecido em Coura, é que tem algo válido a dizer.  É que, tinha-me esquecido, eu também não sou natural de Paredes de Coura, apesar de, por aqui residir há mais de dez anos e de, pasme-se, me considerar courense. Não sei se é por ter decidido aqui criar a minha família, ou se por ter optado por aqui residir e aqui pagar os meus impostos, alguns dos quais para a própria Câmara de Paredes de Coura. Ou se é simplesmente por ter abraçado Paredes de Coura como “a minha terra” e querer para este concelho tudo o que ele tem direito, participando no que ele tem para me oferecer e oferecendo-lhe o que tenho para partilhar.

Telhados de vidro. Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura, não se pode esquecer também, que  não se deve atirar pedras quando se tem telhados de vidro. É que os seus dois colegas de partido na vereação da autarquia também não são courenses “de gema” e inclusivamente a sua escolha foi alvo de críticas por isso mesmo na última campanha eleitoral. Digo hoje, como já disse em Outubro a quem criticou publicamente a sua escolha, que a origem não importa, o que conta é a vivência, e tanto faz ser de 20 anos como de 20 meses. É o sentimento de viver numa terra que queremos como nossa, mesmo que não tenha sido aquela que nos viu nascer. E basta olhar à nossa volta para ver, em sectores tão distintos como a saúde, a educação, o comércio, a indústria e, inevitavelmente, a política, muitos courenses “importados” que adoptaram este concelho como seu.

Reconhecimento. Estou certo, contudo, que as palavras de Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura surgiram no calor do momento, mais preocupado que a vigília de amanhã prejudique as negociações concluídas em 2008 do que outra coisa qualquer. Mais tarde, mesmo que reconheça as pessoas, esperemos que não tenha de reconhecer que, se calhar, a boa fé que o caracteriza não tem reciprocidade por parte do Ministério da Saúde. A ver vamos.

Saúde e regionalização

Poderia a regionalização ser a resposta para uma melhor rede de cuidados de saúde? Há quem entenda que sim. Para ler e explorar  a opinião de L. Seixas, no blogue Regionalização.

13 abril 2010

Uma vela pelas urgências

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Desde que escolhi Paredes de Coura para morar, já lá vão mais de dez anos, que soube logo à partida que, apesar de ir usufruir, de uma forma geral, de uma melhor qualidade de vida, havia algumas áreas onde a reduzida oferta local  continuaria a colocar a vida na cidade num patamar superior. A saúde estaria, infelizmente, à cabeça dessa lista de coisas, de actividades, de sectores que encontravam em Paredes de Coura uma oferta deficitária.

Ainda assim, o reduzido serviço prestado pelo Centro de Saúde e pelo serviço de atendimento permanente conseguiu resolver ou pelo menos encaminhar grande parte das solicitações que ali fiz chegar. É claro que, como aliás já aqui relatei algumas vezes, nem sempre as coisas correram da melhor forma, se bem que, e convém realçar isso, quase sempre por deficiente atendimento. O SAP de Paredes de Coura, contudo, não deixou de estar presente quando dele necessitei e, convenhamos, com duas crianças menores a meu cargo, não foram raras as vezes em que me desloquei durante a noite e madrugada para ali procurar assistência médica.

É claro que um SAP em Paredes de Coura não oferece os mesmos meios técnicos e humanos que um serviço de urgência básica ou a urgência de um hospital distrital. Nem seria exigível que o fizesse porque, simplesmente, é um serviço de atendimento permanente e não um serviço de urgência. E é nessa qualidade de serviço de atendimento permanente que deveria continuar, a prestar apoio médico a quem dele necessite fora de horas, não precisando de se deslocar a Ponte de Lima ou Viana do Castelo para tratar de problemas que, mesmo não sendo considerados urgentes pelos responsáveis máximos da saúde em Portugal, são mais que urgentes para quem com eles tem de lidar em momentos de aflição.

E não me venham dizer que é a ambulância SIV de Valença ou Ponte de Lima ou o posto de emergência médica que está estacionado nos Bombeiros de Paredes de Coura que vai substituir este atendimento médico. Em situações urgentes, de carácter mais grave, concordo que o transporte imediato para outra unidade de saúde é o mais aconselhável (desde que devidamente acompanhado, o que nem sempre acontece…), mas alguém acha que vai ser o 112 ou a linha saúde 24 (que já experimentei e que funciona bem até certo ponto) a resolverem exclusivamente as outras situações de menor gravidade?

Por tudo isto é com agrado que me associo à vigília agendada para o próximo sábado, pelas 20.30 horas, defronte do Centro de Saúde de Paredes de Coura, para manifestar o meu desagrado face ao encerramento nocturno do serviço de atendimento permanente. Uma iniciativa de alguém que conheço pessoalmente e em quem reconheço o descontentamento face a uma situação que, no caso concreto de Paredes de Coura, só vem lembrar que estamos cada vez mais longe de tudo. Se também não concorda com o encerramento do SAP durante a noite, associe-se e apareça no próximo sábado.

09 abril 2010

SC Courense: nova direcção com um olho no campo e outro nas contas

Eleita recentemente, a nova direcção do Sporting Clube Courense assume a consolidação financeira e o controle de custos como uma das principais prioridades do clube para este mandato. Mas os resultados desportivos também não foram esquecidos, bem como a continuidade da aposta na formação e um alargamento do campo de actuação do Sporting Clube Courense. Ideias para conferir numa entrevista concedida ao Mais pelo Minho por António Gonçalves, novo presidente do clube.

MPM – Quais são os principais projectos para este mandato como presidente?
AG - O projecto básico deste mandato será a consolidação financeira e controlo de custos. No fundo tentar assegurar o futuro imediato e a médio/longo prazo do clube, cientes nós dos riscos em termos de opinião pública que corremos, pois estamos a falar de futebol e o futebol para muitas pessoas são resultados. Mas não duvidem que vamos, dentro das nossas possibilidades e com os pés bem assentes no chão, tentar que os resultados sejam de acordo com o historial do clube e que dignifiquem o concelho como maior instituição desportiva do mesmo, tentando olhar e aproveitar na medida dos possíveis a muita qualidade que nos rodeia e que já temos nos nossos quadros. Face ao crescente número de atletas, na medida dos possíveis, e com muito trabalho e se possível com o apoio da sociedade courense, temos de tentar que as nossas instalações sejam dignas de os acolher, tentando construir os tão desejados balneários, casas de banho, bar mais acolhedor… No fundo tentar aliar ao magnífico relvado uma envolvência mais agradável e funcional. Não podemos deixar de lado o “problema” que é a sede. Os sócios a devido tempo serão chamados a pronunciar-se sobre o assunto. Mas o que realmente fica como grande alavanca de motivação será a tentativa de aproximação do clube aos courenses, quer de Coura, quer de qualquer parte do mundo, tentado que o clube tenha um número de associados de acordo com os seu pergaminhos.
MPM - Vai continuar a aposta na formação, seja para alimentar o escalão principal seja para funcionar como catapulta para os jogadores courenses alcançarem outros clubes?
AG - A aposta na formação é o caminho a seguir, quer seja no Courense ou noutro clube qualquer, temos que ter a noção da realidade e entender que não se pode continuar a gastar o que se gasta e tentar investir esse dinheiro ao longo da formação dos atletas, tentando depois como é natural tirar proveito desse investimento. Mas esse é um caminho que se vai impondo com o tempo, não podendo ainda a curto prazo tirar o devido fruto em termos de equipa sénior, mas para lá se caminha. Não querendo levantar muito a ponta do véu em termos de futebol de sete, ou seja dos mais pequenos, temos em mente a introdução de um projecto inovador para o concelho.
MPM - Há alguma possibilidade de fusão entre equipas do Courense e do Castanheira para evitar repetições de equipas no mesmo escalão, como acontece actualmente com os juniores?
AG - Sim existe essa possibilidade e é de todo desejável, estamos a falar de pessoas sérias e adultas das duas partes, o que de certo levará a que se chegue a um entendimento.
MPM - Como está o clube no que respeita a saúde financeira? A Câmara tem cumprido o acordado? Os patrocínios actuais são suficientes para programar um clube com futuro?
AG - Como todos os clubes não está bem. A Câmara cumpre com o estabelecido, mas um clube não pode estar dependente apenas das entidades oficiais, tem que procurar apoios privados e sobretudo procurar “fazer” dinheiro usando a astúcia e a criatividade, e é precisamente aí que no próximo Verão se verá o Courense em novas actividades. Mas a maior dificuldade neste momento do clube prende-se com o transporte para jogos dos atletas, sobretudo dos mais novos, problema esse que vai ser posto na medida dos possíveis à consideração das entidades responsáveis.
MPM - A nível desportivo, quais as ambições para o Courense nas próximas épocas?
AG - Como já dei a entender na primeira questão vamos tentar alcançar o melhor possível, e isso em futebol pode ser muito. Não escondo que gostava que o clube neste mandato conquistasse títulos, quer em formação, quer na conquista de uma taça distrital em seniores. Mas vamos lutando no dia a dia.
MPM - Fala-se na possibilidade de alargar o leque de modalidades oferecidas pelo Courense. Alguma em especial?
AG - Sim temos esse sonho e a prioridade será o futsal, tentando aproveitar a possibilidade de utilização de atletas do futebol de 11, podendo ser utilizados atletas dos planteis sénior e júnior. Mas o clube sozinho não consegue suportar esse investimento, vamos tentar que surja um sponsor, e já houve alguns contactos, que patrocine a equipa e tentar ainda este ano ou mais tardar no próximo arrancar com o projecto. Temos ainda a intenção de arrancar com um clube de escuteiros, coisa que ainda não existe no concelho.
MPM - A direcção agora eleita apresenta algumas novidades. Como surgiram estes nomes? Como vão ficar distribuídos a nível de responsabilidades?
AG - Podemos dizer que apresenta muitas novidades, os nomes foram surgindo fruto em parte da grande coesão no departamento de formação, pois a grande maioria deles são pais ou mães de atletas e ainda se está a recuperar antigas glórias do clube, pessoas que deram muito ao clube, mas que ainda tem muito mais para dar. Em temos de responsabilidade o Luis Rocha (Nizo) ficará com o pelouro do futebol sénior, ficando a formação sob a supervisão do Mário Braga (Marocas), sendo que as questões financeiras ficam a cargo da Celina Sousa, cabendo a secretaria ao Paulo Fernandes, tudo isto, claro está, salvaguardado pelo trabalho de todos os vogais, não podendo nem sendo desejável referir que este vai ter aquele ou outro serviço, mas sim criar uma equipa de trabalho onde sejam um por todos e todos por um.

Fotos retiradas do blogue do SC Courense

01 abril 2010

31 março 2010

E agora? (2)

001 Se Portugal falha, o que se faz? Procura-se ajuda do outro lado da fronteira, claro! É o que acontece agora, por exemplo, com o encerramento das urgências nocturnas em Valença. Se já antes havia muitos valencianos que procuravam cuidados de saúde na Galiza, agora, com a polémica decisão da Unidade Local de Saúde do Alto Minho, certamente que a procura pelos médicos espanhóis vai ser ainda maior.

A pensar nisso mesmo, os serviços de saúde galegos vão criar um novo centro de atendimento em Tui. Uma iniciativa que já estava prevista pelo governo regional, mas a que não será também alheio o previsível aumento de pacientes de nacionalidade portuguesa que, a par da ausência de um equipamento do género do lado de cá, constatam que no lado espanhol não lhes são cobradas taxas moderadoras.

Curiosamente, no mesmo fim de semana em que foi decretado (e não decidido, refira-se) o encerramento das urgências nocturnas em Valença, Paredes de Coura, Arcos de Valdevez e Melgaço, o semanário Expresso dedicava duas páginas a um estudo do Instituto Ricardo Jorge, que vai ser publicado em livro na próxima semana, e que traçava um retrato do  país, de acordo com a mortalidade provocada por alguns tipos de doença. Um estudo onde, conforme se pode ver no mapa da figura, grande parte dos concelhos do Alto Minho, apresentam valores elevados de mortes originadas por doenças do aparelho circulatório.

Entre esses concelhos com valores muito altos, imagine-se, encontram-se os municípios que agora passaram a ter menos assistência médica…

Promessas por cumprir

Cumprir o prometido. É o que a Câmara de Paredes de Coura exige ao Ministério da Saúde, depois de ter tido conhecimento da decisão relâmpago que ditou o encerramento, na noite do passado domingo, das urgências nocturnas no Centro de Saúde de Paredes de Coura. Em declarações à Rádio Geice, Pereira Júnior diz que aquele serviço fechou as portas sem que fosse cumprido o que estava determinado no protocolo assinado em 2008.

Em causa está, explica o autarca courense, a promessa que dava como garantida a presença de um enfermeiro naquele serviço que, em caso de necessidade maior, chamaria um médico que atenderia os casos mais urgentes. Uma solução de “médico à chamada” que, recorde-se, numa fase inicial não foi bem acolhida por Pereira Júnior, que aludiu ao facto de apenas dois dos médicos que exercem no Centro de Saúde de Paredes de Coura residirem no concelho, o que inviabilizaria uma resposta rápida. Meses mais tarde, contudo, assinava o acordo com o Ministério e agora espera, calmamente como o próprio refere, pelo seu cumprimento.

30 março 2010

Não é cá, mas…



…é como se fosse. A realidade das urgências em Valença, vista pelas câmaras da SIC. Em Paredes de Coura é ligeiramente diferente, mas no essencial está tudo lá. Ou experimentem lá ver a coisa como se a emergência fosse em Vascões!

Com ou sem acessos?

Paredes de Coura: "Nova" Ponte das Poldras está quase concluída – título de notícia da Rádio Geice

reportagem ponte poldras

É que, depois do que se passou, é melhor perguntar antes. 

29 março 2010

E agora?

centro de saúde 

quatro anos que o fantasma do encerramento das urgências no período nocturno pairava sobre os utentes do Centro de Saúde de Paredes de Coura. Promessas daqui, alternativas dacolá, a indefinição foi-se prolongando no tempo. Até agora! Num golpe surpresa, a administração da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM) ordenou, ontem à tarde, o encerramento das urgências no período nocturno nos concelhos de Paredes de Coura, Valença, Melgaço e Arcos de Valdevez com efeitos já a partir da noite de ontem. E surge, sem hesitações, uma única questão: e agora?

Valença foi, ao que parece, o único concelho a reagir às más notícias, com uma intervenção popular que procurou evitar o que não pode ser evitado. Por cá, nada! Mas, sinceramente, o que me preocupa nem sequer é essa falta de reacção, contra algo que, à partida, já se sabe não ser possível lutar. O que preocupa é, por um lado, a atitude rasteira dos responsáveis da ULSAM, que decidem numa tarde algo que afecta milhares. Bem, certamente não terão decidido ontem à tarde, mas o facto de esperarem por um domingo para comunicar a decisão aos centros de saúde, com efeitos imediatos, mostra muito do que se pode esperar de alguém que tem preocupações meramente economicistas e para quem a saúde das populações assume papel de segundo plano.

Por outro lado, causa-me estranheza que os autarcas dos concelhos afectados sejam completamente colocados à parte deste processo. Não será a saúde uma das áreas chave de qualquer município? Não será, por isso, de todo desejável que decisões de suprema importância como a do encerramento das urgências nocturnas, sejam concertadas entre as entidades responsáveis pelo sector e os responsáveis dos municípios abrangidos/afectados por tais decisões? Ainda para mais quando, como é o caso de Paredes de Coura, todo o discurso oficial em torno desta questão (que, recordo, começou à mais de quatro anos) passava pela manutenção do serviço nos moldes iniciais até que estivessem no terreno todas as alternativas prometidas. Já estão?

O encerramento parece inevitável e, à luz dos argumentos apresentados pelos responsáveis da ULSAM, parece até justificável. "Não respondem a situações de urgência/emergência, uma vez que são apenas o prolongamento em termos horários, das consultas de medicina geral e familiar prestadas pelo Centro de Saúde", diz o presidente da Administração Regional de Saúde do Norte. Pois, e até terá razão em 99% dos casos. Mas, no um por cento que sobra, pode fazer a diferença. E, além disso, a partir de agora vamos ter hora marcada para adoecer. Sim, porque é muito lindo dizer que se tivermos qualquer emergência durante a noite podemos sempre chamar o 112 e dar entrada em Ponte de Lima ou Viana do Castelo. Mas o que se esquecem sempre de referir é que depois de atendidos a 30 ou 50 quilómetros de Paredes de Coura, cabe ao doente arranjar maneira de regressar a casa. E se o doente começar a pensar muito, provavelmente vai esperar pelas 8 horas para ser atendido por cá. Se conseguir…

Além de que, como já referi aqui noutra altura, com este novo figurino, os bombeiros passam a ter um papel preponderante no atendimento às urgências nocturnas, com todas as vicissitudes dessa situação, nomeadamente a possibilidade de, quando solicitados para muitas situações ao mesmo tempo, com as deslocações envolvidas, poderem não estar disponíveis para lhes dar a pronta e devida resposta.

26 março 2010

O título é delas, a festa é para todos!

Ver mais detalhes no blogue Futebol em Primeiro Lugar.

Uma casa para o apoio social

Está no bom caminho a reconversão da antiga casa dos magistrados, nas traseiras do edifício da Câmara Municipal de Paredes de Coura. Adquirida pela autarquia há seis anos, por 250 mil euros, com o objectivo de ali instalar, ainda que temporariamente, o arquivo municipal, está a ser agora alvo de obras de beneficiação e remodelação que a vão deixar pronta para acolher diversos serviços de índole social, entre os quais haverá espaço para um centro de actividades para cidadãos com deficiência. 
A ser assim, Pereira Júnior dá, deste modo, seguimento a uma ideia que há muito andava na cabeça do presidente da Câmara de Paredes de Coura, que chegou a equacionar a hipótese de fazer este projecto em parceria com a APPACDM, para onde são actualmente encaminhados alguns courenses com deficiência. Dificuldades financeiras daquela instituição inviabilizaram, contudo, que o surgimento do centro de actividades ocupacionais visse a luz do dia com a brevidade desejada, pelo que a opção foi encontrar um parceiro local que respondesse ao apelo da autarquia courense.
Mas as obras de beneficiação daquele conjunto de edifícios vão permitir também instalar ali serviços como a rede social ou a estrutura de apoio à Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, libertando algumas salas no "apertado" edifício dos Paços do Concelho, que há muito luta com a falta de espaço. Esta situação contudo, pode apresentar dois lados distintos. Por um lado, tendo em conta o carácter do trabalho que é desenvolvido naqueles serviços, havendo mais espaço dá-se um pouco mais de privacidade a quem a eles recorre. Mas, ao mesmo tempo, isolando este sector do resto dos serviços municipais não se estará a criar um mecanismo que facilmente identifica, e pode inibir, quem deles precisa?
De referir ainda que a recuperação daquele espaço estava, inicialmente, incluída numa estratégia maior que visava toda a requalificação do espaço nas traseiras dos Paços do Concelho, e que implicava a saída daquela zona da Empresa de Transportes Courese, o que não se verifica. Resta agora aguardar para ver se outros projectos da autarquia courense, amplamente divulgados em ambiente pré e pós-eleitoral, vêem também a luz do dia a breve prazo. Falo, concretamente, da transformação do antigo hospital numa unidade de cuidados continuados, novamente numa parceria entre a câmara e a Santa Casa da Misericórdia de Paredes de Coura. Aqui ao lado, em Ponte da Barca, já tiveram boas notícias. A ver se nos calha a mesma sorte!

Nota: texto inicial actualizado à luz de novas informações obtidas.

23 março 2010

A feira que já o foi

feira 2

Mais vida para a feira de Paredes de Coura?  Parece que não…Nos cinco minutos que dediquei a ler o projecto de novo regulamento de funcionamento da feira quinzenal concelhia, fiquei com a sensação de que, com este documento, a feira vai ficar ainda mais limitada, fruto de uma série de imposições e restrições ditadas pelas normativas comunitárias.

É o custo do progresso, poderão dizer, se tivermos como linha de horizonte do sucesso a integração na União Europeia. É um custo que, contudo, pode ter em Paredes de Coura um preço demasiado elevado. É certo que os tempos áureos da feira de Paredes já lá vão, longe no tempo, e julgo mesmo que não será fácil recuperar parte do esplendor perdido, ainda que com recurso a toda uma série de atractivos que já vi defenderem para trazer mais gente à feira. A feira de Paredes de Coura já não tem nome que traga cá acima as gentes de outras paragens. Não tem, por exemplo, o poder apelativo que as feiras de Valença ou Vila Nova de Cerveira exercem sobre os nossos vizinhos espanhóis. Se já o teve? Desconheço! Se o poderá vir a ter? Creio que não…

Também não é esse o objectivo do projecto de regulamento actualmente em discussão pública. O que se pretende, creio eu, é dotar o seu funcionamento de algumas regras, acompanhando o evoluir dos tempos. Uma leitura transversal do documento , contudo, poderia indiciar, erradamente, que estávamos perante uma grande feira. Senão atente-se no período indicado para o seu funcionamento, entre as 6 e as 18 horas, obrigando os feirantes a esperar por esta hora para recolherem os seus pertences. Antes fosse, dirão alguns deles, habituados que estão a desmontar a barraca pela hora do almoço devido à falta de clientes. Da parte da tarde os largos ficam novamente vazios, apenas ornamentados pela enorme quantidade de lixo deixada ao abandono pelos comerciantes. O novo regulamento dita, aliás, que os feirantes devem deixar os espaços de venda limpos. A ver se pega, porque agora a realidade é muito diferente.

Deram-lhe novo poiso no final de 2006, o que terá camuflado a sua real situação, apesar de ter trazido outro colorido, outra vida, ao centro da vila. Não foi suficiente! Ou, por outro lado, terá sido tarde demais. Apesar disso, a feira de Paredes de Coura vai sobrevivendo… lentamente.

17 março 2010

Se a confusão evitasse as portagens…

Muita confusão vai para os lados da Assembleia da República no que toca à introdução de portagens nas SCUT’s. Confusão, principalmente, junto dos seis deputados eleitos pelo círculo de Viana do Castelo, que parece que não sabem muito bem no que é que votaram quando pensaram que estavam a votar uma coisa que afinal parece que não seria aquilo em que pensavam que estavam a votar.

Confuso? Pois, parece que eles também. De tal modo que o “Movimento A28 Sem Portagens” já veio a público pedir a demissão de cinco dos seis eleitos, por aparentemente não saberem muito bem o que andam por lá a fazer. Só escapa, na perspectiva do referido movimento, Defensor Moura, antigo presidente da Câmara de Viana do Castelo que em Outubro foi catapultado para o Parlamento. Mas, dizem outros, parece que nem mesmo ele terá votado o documento correcto.

E no meio disto tudo lêem-se notícias como esta, que dão como certa a introdução das portagens em três concessões de auto-estrada até agora sem custos para o utilizador, incluindo a A28, que liga Viana do Castelo ao Porto. Os movimentos cívicos estudam novas formas de luta, o povo demonstra que não as quer com abaixo-assinados e inquéritos diversos, mas a obsessão governamental continua. E eu ainda me lembro do tempo em que era  o PSD que defendia as portagens nas SCUT’s com a oposição do PS. Entretanto, parece que valores (literalmente valores) mais altos se levantam.

16 março 2010

Boas notícias em tempos difíceis

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Em tempo de crise, de encerramento de empresas e de aumento galopante dos números de desemprego, é sempre bom ouvir notícias como esta. E também notícias destas, especialmente se tivermos em conta que há uma semana atrás a notícia em destaque era outra.

Resta ver se os resultados surgem.

12 março 2010

Participação? Pois sim…

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É assunto por demais recorrente aqui no Mais pelo Minho: a participação dos cidadãos na vida cívica do concelho onde residem. Sou, assumidamente, daqueles que defendem que, tendo oportunidade e lugar, todos somos chamados a intervir. Ou, pelo menos, deveríamos ter essa possibilidade.

E se isto é verdade quando se trata de documentos de menor importância, mais verdade ainda é, quando em foco está um dos documentos maiores de qualquer município: o Plano Director Municipal. Na última sessão da Assembleia Municipal, o PSD foi de encontro a esta abertura da vida do município aos cidadãos, propondo a realização de um debate alargado que extravase os muros daquele órgão autárquico e os limites muitas vezes impostos pelos partidos, e que traga para a sociedade civil a discussão do PDM actualmente em revisão. Uma sugestão que foi aceite pelos restantes partidos com assento na AM, com uma ou outra ressalva, pelo que dentro de algum tempo este debate será uma realidade. Só não sabe ainda ao certo quando, porque, como é habitual nestas coisas, a revisão do PDM continua emperrada lá para os lados de Lisboa, mas deverá regressar a Paredes de Coura, para apreciação pública e posterior aprovação, dentro de algumas semanas.

E por falar em apreciação pública, esta é uma das formas mais correntes para que os cidadãos possam ter uma palavra a dar em relação ao que passa no seu concelho. Apesar disso, ainda na última reunião da AM, o presidente da Câmara se queixava da pouca ou nenhuma participação que estas coisas tinham habitualmente, o que veio dar ainda mais importância à iniciativa do PSD. De qualquer das formas, não basta reclamar da ausência de participação dos courenses quando a divulgação do que está em discussão pública também deixa muito a desejar. Senão vejamos: neste momento estão em discussão pública quatro projectos de regulamentação elaborados pelo município. No entanto a única divulgação feita passa pela página da autarquia na internet, já que nem sequer às juntas de freguesia chegaram, ainda, os editais.

Assim, duma assentada só, temos o projecto de quadro regulamentar do uso do fogo, o projecto de regulamento do funcionamento da feira, o projecto de regulamento e tabelas de taxas de  urbanização e edificação e ainda o projecto de regulamento e tabela de taxas e tarifas gerais do município. Quatro documentos (e respectivos anexos) duma assentada só, que podem ser consultados online ou nos Paços do Concelho. Porque depois será sempre tarde demais para criticar, ainda para mais para criticar o que se desconhece.

09 março 2010

Coisas do destino

josé augusto caldas

Há coincidências que não passam pela cabeça de ninguém, são daquelas coisas em que o destino nos traça um caminho que, à partida não pensávamos percorrer. Que o diga, por exemplo, José Augusto Caldas, candidato a presidente da Câmara de Paredes de Coura nas últimas eleições autárquicas.

Há quase um ano, em Abril, dava uma entrevista ao Mais pelo Minho onde assumia que só ficaria na câmara se ganhasse as eleições. Mais tarde, em plena campanha eleitoral, garantia que não era bem assim e que, independentemente do resultado das eleições, ficaria no lugar que os votos lhe destinassem, o que acabou por acontecer.

Mas a vida tem destas coisas, destas voltas que, aparentemente, não fazem parte dos planos  e, vai daí, eis que, apenas quatro meses volvidos, José Augusto Caldas é obrigado a suspender o seu mandato por motivos profissionais, conforme noticia a edição de hoje do Notícias de Coura. O lugar de vereador foi assumido por Ana Maria Guerreiro, número três da lista, desconhecendo-se se a suspensão de José Augusto Caldas é temporária ou se o candidato social-democrata não vai mesmo voltar à autarquia. É caso para dizer que há coisas em que o destino é mais forte que a vontade.

08 março 2010

Unidos contra as portagens

portagens nas scuts

É momento raro e por isso merece o maior aplauso. Toda a assembleia municipal de Paredes de Coura se uniu em torno de uma proposta da CDU. O motivo não era para menos: a luta contra a introdução de portagens nas SCUT’s.

Pela voz de João Paulo Alves, a CDU trouxe à reunião um assunto que já ocupou tempo de antena em todas as assembleias municipais dos concelhos mais ou menos afectados pela intenção do Governo em cobrar portagem pela utilização de alguns troços de vias rápidas até agora de utilização gratuita. Considerando que a EN13 não é uma alternativa à A27 e que a introdução de portagens numa estrada que, mesmo não passando por Paredes de Coura é de vital influência para o seu desenvolvimento, iria lesar o interesse das populações, os representantes da CDU pediram à assembleia que aprovasse uma moção que repudiasse claramente essa intenção governamental. Um apelo a que todas as bancadas, a exemplo do que tem acontecido nos concelhos vizinhos, responderam afirmativamente, aprovando um documento que vai ser enviado ao primeiro-ministro, ao Ministério das Obras Públicas e à Assembleia da República.

Esta tomada de posição da assembleia municipal courense, que se aplaude não só pela união de todos os partidos mas também pelo objectivo desse juntar de esforços de todos os quadrantes, surge numa altura em que a contestação às portagens nas SCUT’s se assume da maior importância para evitar que esta proposta vá avante. Depois do buzinão do passado dia 26 de Fevereiro ainda não são conhecidas novas formas de luta, e com o apertar do cinto previsto pelas medidas do PEC hoje apresentadas, teme-se que o Governo faça finca-pé na introdução de portagens. Mas, sem aumentos reais e, sublinhe-se uma vez mais, sem alternativas, portajar estas estradas é um verdadeiro atentado à carteira de quem tem de as utilizar. Já para não falar do esquecimento de compromissos assumidos há anos, por este e por outros governos.

03 março 2010

Muita discussão para pouca coisa

Décio Guerreiro e Carlos Barbosa, respectivamente do PSD e do PS, foram os protagonistas da última sessão da Assembleia Municipal de Paredes de Coura, pautada pela ausência, notada, do líder concelhio dos social-democratas. E, se a reunião decorria serena, foi quando chegou ao último ponto da ordem de trabalhos, que visava a alteração do regimento daquele órgão autárquico, que tudo mudou. Realizada em Rubiães, ao abrigo da política de descentralização iniciada há anos pelo presidente da Assembleia Municipal, a reunião foi, ainda assim, pouco concorrida. E ainda bem, acrescente-se, porque a sala escolhida não foi a melhor, com pouco espaço e a obrigar a uma proximidade física excessiva entre todos os presentes, nomeadamente entre a mesa e os deputados, levando o pouco público presente a ficar de pé… e à porta.

O público, aliás, foi o mote da discussão entre o líder da bancada social-democrata e o deputado municipal do PS. O ponto em agenda introduzia algumas alterações no regimento da AM, nomeadamente a altura da intervenção do público,  e, depois de ter sido adiado na sessão de Dezembro, a pedido de Décio Guerreiro, voltou agora à assembleia. Apesar disso, o histórico do PSD courense queria, de novo, o seu adiamento. tudo porque, entendeu Décio Guerreiro, não foi alcançado o total entendimento na reunião prévia entre presidente da AM e representantes dos três partidos ali presentes, mas também não terá sido dada oportunidade de, após essa reunião, ser apresentada uma contra-proposta.

Vai daí, o líder da bancada laranja resolveu apresentar, em plena sessão, a proposta de um novo regimento interno, situação que mereceu logo a crítica dos socialistas que, pela voz de Carlos Barbosa, criticaram a opção social-democrata, defendendo que da reunião prévia teria saído um consenso quase total, ficando de fora desse entendimento apenas o momento em que o público interviria, com PSD e CDU a optar pelo formato actual, no fim dos trabalhos, e o PSD a querer antecipar para o início da reunião. Uma questão que, aliás, já abordei por diversas vezes aqui no Mais pelo Minho, defendendo também a antecipação da intervenção ou o seu desdobramento. É que, mesmo sendo rara, não há razão para fazer esperar os cidadãos que desejem intervir e obrigá-los a aguardar pelo fim dos trabalhos que, não raras vezes, avançam pela madrugada.

No final, depois de muita discussão, embora com pouco conteúdo, a proposta do PSD acabaria por nem sequer ser admitida à votação, por não ter sido apresentada formalmente, subscrita por um terço dos deputados da AM. Em cima da mesa ficou apenas a alteração inicialmente prevista, que foi aprovada pela maioria socialista. “Uma tempestade num copo de água”, concluiria José Augusto Pacheco, presidente da mesa, que desde a sua entrada em funções naquele cargo já patrocinou diversas alterações ao regimento, desde o atribuir maior destaque aos elementos da autarquia, que deixaram a plateia para se sentarem de frente para os deputados, até à imposição de limites de tempo nas intervenções. Tudo em nome de uma maior transparência, rigor e abertura. Se os dois primeiros factores será mais difícil de aferir, já em relação ao último há uma certeza: ainda não foi desta que se conseguiu chamar público às reuniões da assembleia!

28 fevereiro 2010

O fado do golfe em Paredes de Coura

“Temos um fado muito grande em relação à construção de um campo de golfe em Paredes de Coura!” O desabafo é de António Pereira Júnior, presidente da Câmara Municipal de Paredes de Coura, na Assembleia Municipal da passada sexta-feira. O autarca courense respondia a uma interpelação de Elisabete Ribeiro, do PSD, que quis saber o estado em que se encontrava actualmente o projecto para a instalação de um complexo turístico com campo de golfe de montanha em Mozelos e arredores.
Na resposta, Pereira Júnior não conseguiu esclarecer a assistência mas, lembrando que vivemos uma situação de crise, recordou que já foi protocolada, ainda que não escriturada, a compra de grande parte dos terrenos necessários ao campo de golfe. E, acrescentou, está incluído nas candidaturas aos fundos comunitários. Sobre o edifício do antigo sanatório, voltou a lembrar o que já é do domínio público: que ainda não é conhecido o proprietário correcto daquele equipamento e que, quando se souber qual o organismo, dentro do Estado, que detém a sua propriedade, a autarquia está disposta a adquiri-lo e entrar assim no capital da sociedade detentora do futuro complexo turístico.
O presidente da Câmara aproveitou ainda para esclarecer os presentes que o projecto do campo de golfe em Mozelos nada tem a ver com outro equipamento género que vai surgir em Covas, Vila Nova de Cerveira, e que já estará mais adiantado. Sobre o assunto, aliás, aproveito para pegar no que diz Nuno de Matos, no seu blogue, sobre a multiplicação de projectos turísticos com características semelhantes em todo o Alto Minho. Aliás, ainda há tempos, em conversa com um amigo sobre o assunto, se questionava a futura taxa de utilização de seis campos de golfe num espaço tão próximo. Coisa que, mais do que a crise ou a propriedade do antigo sanatório, pode colocar em risco o projecto de Mozelos.

23 fevereiro 2010

Caminho fora dos eixos

A crítica partiu da Câmara Municipal de Ponte de Lima, mas também afecta Paredes de Coura. Em causa está uma publicação especial do Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular, associação de municípios que reúne 17 concelhos do Norte do país e outros tantos na Galiza, que em ano de Jacobeu resolveu divulgar algumas informações de cariz turístico. Ao longo de 125 páginas são destacados alguns aspectos das principais cidades atravessadas pelos caminhos de Santiago, bem como os próprios caminhos utilizados pelos peregrinos.

E é aqui que surge a indignação de Ponte de Lima, porque a publicação  praticamente omite o Caminho Central, que passa por aquela vila e sobe, por Paredes de Coura, em direcção a Espanha. A autarquia limiana critica ainda a total omissão dos albergues portugueses, entre os quais o de Rubiães, da lista de sugestões apresentada pela revista do Eixo Atlântico.

De fora das sugestões, no que respeita a espaços naturais da Galiza e Norte de Portugal, ficou também a área de paisagem protegida das Lagoas de Bertiandos, o que mereceu mais um reparo da Câmara de Ponte de Lima. Já Paredes de Coura pode dar-se por satisfeita por ver naquela publicação a referência à área de paisagem protegida do Corno de Bico. E daí… talvez não! É que, o trabalho da revista é tão bom, no sentido de ter sido devidamente corrigido, que o Corno de Bico é indicado como estando no Alto Douro. Nada de mais, especialmente se tivermos em conta que a Área Protegida do Litoral de Esposende aparece no litoral interior de Trás-os-Monte. E o mar ali tão perto…

22 fevereiro 2010

Nós... também

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Ligação de Paredes de Coura à A3: Pereira Júnior espera não ter "mais uma desilusão" – título de notícia da Rádio Geice

Depois de anos de espera, de promessas e mais promessas, eis que surge a crise, a maldita crise, que manda apertar o cinto e congelar tudo o que é projecto que não interessa a Lisboa mas que podia fazer a diferença lá na aldeia. E eis que aqui pelos lados de Paredes de Coura se volta a ter pesadelos com o sonho prometido e já se pensa que poderá não haver ligação à A3.

Com o projecto ainda em fase de estudo de impacte ambiental, e sem nada preto no branco no papel por parte do Ministério das Obras Públicas (se bem que, nos tempos que correm, isso de estar preto no branco não quer dizer nada), o presidente da Câmara de Paredes de Coura espera não ter mais uma desilusão. Pois… E eu acrescento, nós também esperamos que não.

Fiquei, contudo, sem saber, se Pereira Júnior se referia concreta  e unicamente à tão-falada-e-prometida-mas-nunca-mais-concretizada variante de ligação da vila a Sapardos ou se a sua preocupação se estenderá a outros domínios. Será que já está a ver mal parados outros projectos que apresentou para o concelho? Esperemos que não. É que, se o peso político de Paredes de Coura  parece diminuído depois da vitória (???) no braço de ferro das listas de deputados, só nos resta esperar (e acender uma velinha?) que não venha por aí nenhum defensor da vingança a cortar tudo o que é ideia para o município.

18 fevereiro 2010

Limpar Paredes de Coura? Claro!

O dia 20 de Março de 2010 vai ser assinalado em todo o país como o Dia L, instituído pelo Projecto Limpar Portugal. O objectivo é identificar e limpar as lixeiras espalhadas pelas bermas de estrada e pelos montes. Paredes de Coura, também vai ter o dia seu Dia L, tendo nos últimos meses reunido uma equipa de voluntários que se tem debruçado sobre a realidade do nosso concelho, identificando os locais a ser alvo de intervenção, mas também fazendo um trabalho incansável de recolher apoios de entidades que, com pessoal ou meios, vão também dar uma mão no dia 20, quando se avançar para o terreno.

Pessoalmente nunca participei em nenhuma reunião do Projecto Limpar Portugal em Paredes de Coura. Fui convidado, é certo, mas afazeres pessoais com calendário anual definido logo em Setembro têm-me afastado dos encontros. Tenho, contudo, acompanhado ao longe o trabalho desenvolvido pela equipa de Paredes de Coura, bastante dinâmica muito embora, como os próprios admitem, com uma reduzido número de voluntários. Urge, por isso, que mais pessoas, mais mãos, se juntem a esta tarefa de ajudar a melhorar o ambiente do concelho. No blogue que o grupo de Paredes de Coura dinamiza, e que desde a sua fundação está na coluna da direita do Mais pelo Minho, podem ser encontradas mais informações sobre este projecto e, principalmente, sobre as formas de ajudar e de aderir a este grupo que, no dia 20 de Março de 2010, se quer grande e disposto a avançar para a limpeza dos locais indicados.

Uma forma fácil de ajudar, e que não passa sequer pela inscrição no grupo, diz respeito à identificação das lixeiras. Muitas vezes passamos todos os dias por locais onde foram depositados detritos e ignoramos, mas são esses locais que o Projecto Limpar Portugal quer conhecer. Basta indicar o local aos responsáveis do grupo concelhio e estes tratam de o incluir no roteiro que está a ser preparado para a intervenção do dia 20 de Março. Pela minha parte, e enquanto não consigo ter a certeza da minha disponibilidade para o Dia L, fica aqui o registo de uma lixeira, já identificada há meses, mas que continua a marcar o dia-a-dia de quem passa pela zona industrial de Formariz.

lixo zona industrial 2 Localização:    41°55'9.01"N                 8°35'50.00"W

É claro que, como referem os próprios responsáveis do Projecto Limpar Portugal, o objectivo não é apenas utilizar o dia 20 de Março para limpar o que está mal, mas também utilizar todas as movimentações em torno desta campanha para sensibilizar a população, e especificamente alguns grupos alvo, para a necessidade de se preservar o ambiente. O caso mais flagrante será mesmo o dos empreiteiros que, não dispondo de um espaço para depositar os detritos resultantes do seu trabalho, acabam por o abandonar em algum local mais ermo. E depois de dado o primeiro passo, há sempre quem se aproveite para ali deixar também o seu lixo.

12 fevereiro 2010

Os nosso sabores (2)

CIMG0065 A propósito de gastronomia e de produtos locais, não posso deixar de lembrar o projecto que a Câmara Municipal de Paredes de Coura tem em mãos para criar, no Largo Visconde de Mozelos, uma loja rural. O projecto, de que desconheço os contornos, trouxe-me à memória uma lojinha que existia, se não estou em erro, no largo fronteiro ao tribunal, antes das obras de beneficiação no Largo 5 de Outubro, e que vendia produtos típicos de Paredes de Coura.

Este novo projecto, contudo, será certamente diferente. Por um lado pretende dar a conhecer e comercializar alguns dos produtos característicos do concelho, e eventualmente da região, numa escala maior do que acontecia com a pequena loja de madeira. Por outro lado, tendo em conta o valor previsto para a sua construção, cerca de 200 mil euros, leva-nos a pensar que se trata de um investimento que terá de ser rentabilizado com outras coisas mais do que as de uma simples loja rural. Provavelmente com acções de formação (para produtores e clientes), eventos gastronómicos ou sessões de experiências culinárias, por exemplo.  Um pouco à semelhança, aliás, do que vai ser feito com a Casa da Terra, que o município de Ponte de Lima vai promover.

Neste processo temos ainda que ter em conta a localização da loja rural de Paredes de Coura. É que, o Largo Visconde de Mozelos não tem espaço por aí além e, mais importante, ostenta já um exemplo do que não se deve fazer, de que é exemplo flagrante a construção da actual biblioteca, a manchar a dignidade de um espaço orlado por edifícios de elevado valor histórico.

Outro aspecto a ter em consideração é que não se pode dissociar esta ideia da Câmara de Paredes de Coura de uma outra, lançada em plena campanha eleitoral das últimas eleições autárquicas, pelo candidato do PSD à autarquia. Na altura, recorde-se, José Augusto Viana defendia a criação, na Casa do Outeiro, em Agualonga, de uma incubadora de empresas de produtos locais, de cariz biológico. Com a derrota a 11 de Outubro, a proposta ficou pelo caminho, mas com este projecto da loja rural, não seria de reconsiderar?

10 fevereiro 2010

Os nossos sabores

Começou no passado fim de semana mais uma iniciativa destinada a promover o turismo do Alto Minho, nomeadamente dos municípios do Vale do Minho. Em foco está a lampreia do rio Minho, que será servida à mesa de vários restaurantes dos municípios envolvidos, sem necessidade de reserva. Paredes de Coura também está presente nesta iniciativa que decorrerá em todos os fins de semana de Fevereiro e Março, com quatro restaurantes do concelho a incluírem o ciclóstomo nas suas ementas.

Pessoalmente, advirto já, é iguaria a que reconheço o valor mas que não me cativa. Felizmente há muito quem tenha opinião contrária e, pelo menos o primeiro fim de semana trouxe boas perspectivas aos restaurantes aderentes cá do burgo. Não deixo, contudo, de me questionar se será a lampreia um prato que se liga a Paredes de Coura. Não sendo natural deste concelho, nem sequer desta região, sempre ouvi dizer que os expoentes máximos da gastronomia courense seriam a truta e o cabrito do monte, a par do afamado bacalhau da defunta Miquelina, cuja menção era suficiente para arrastar até Paredes de Coura muitos visitantes desejosos de encher a barriga com tão apetitosos sabores.

Foi, por isso, com alguma estranheza, que vi o nome de Paredes de Coura neste programa gastronómico intermunicipal e também na futura Confraria da Lampreia do Rio Minho. Como alguém que nada percebe de gastronomia, tenho para mim que devíamos apostar, não apenas mas também, na valorização dos produtos que por cá se criam e que, em tempo passados, deram nome ao concelho. A lampreia pode ser um atractivo, mas tendo em conta a concorrência de municípios onde a sua inclusão na gastronomia está já muito mais evoluída, não sei se haverá quem venha a Paredes de Coura de propósito para comer lampreia quando a tem, mais famosa, em Monção ou noutros concelhos do Vale do Minho. De qualquer das formas, tendo em conta as perspectivas dos organizadores destes fins de semana especiais, que falam num retorno de cinco milhões de euros que esta iniciativa irá gerar, porque não hão-de os restaurantes courenses aproveitar também parte deste bolo?

05 fevereiro 2010

Uma solução aqui ao lado

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O progresso tem destas coisas, criam-se coisas novas e as antigas correm o risco de ficar ao abandono ou sem utilização. Veja-se, por exemplo, o que aconteceu com as antigas escolas primárias de Paredes de Coura que, com a construção da nova Escola Básica Integrada ficaram sem utilização. Por pouco tempo, é certo, já que a Câmara Municipal resolveu dar-lhes novos inquilinos, nomeadamente os jardins de infância do OUSAM e várias associações culturais do concelho. Acresce ainda os casos da escola primária da Costa, em Rubiães, transformada em Abrigo de Peregrinos do Caminho de Santiago, ou da escola de Venade, Ferreira, que irá receber o arquivo do escritor Mário Cláudio. Quando? Pois… algum dia será.

Mas, a estratégia de ocupação dos velhos edifícios das escolas primárias terá necessariamente de ter continuação nos próximos anos. É que, com a concentração dos jardins de infância em três novos pólos (Mozelos, Rubiães e Cristelo), ficarão novamente devolutas as escolas actualmente ocupadas por quatro jardins de infância do OUSAM. A estes juntar-se-ão os espaços actualmente ocupados pelos jardins de infância da rede pública em Infesta, Cossourado, Insalde e Formariz que vão também ficar sem crianças e, inevitavelmente, sem ocupação.

Ao que parece a Câmara Municipal já tem projectos para alguns destes espaços, nomeadamente Cossourado e Formariz, mas o que será feito dos outros seis edifícios? A solução pode estar aqui ao lado, em Ponte de Lima, onde a autarquia local resolveu apostar na reconversão de algumas das escolas desactivadas e transformá-las em Albergues de Montanha. Neste momento já existem 13 equipamentos do género, que oferecem um total de 124 camas e que aliam o alojamento de qualidade em espaço rural a toda uma envolvência pitoresca. De referir, aliás, que essa atmosfera envolvente recebe muito do património natural da zona onde estão inseridas as escolas, mas é também patrocinado pela própria autarquia que, inclusivamente, chega a comprar rebanhos para serem pastoreados naquela área, dando ao visitante um maior noção do que foi o espaço rural onde está alojado.

Estamos aqui ao lado, temos condições paisagísticas semelhantes, se não mesmo superiores em alguns locais, não será, por isso, esta uma alternativa para a reutilização dos antigo edifícios escolares? É certo que a concentração dos jardins de infância, ainda que já no terreno, só deverá estar concluída daqui a alguns anos, mas nunca é cedo demais para se projectar o futuro.