15 setembro 2010

Tempo de rescaldo

Os incêndios que afligiram o concelho em Julho e Agosto ocuparam praticamente todo o período de antes da ordem do dia, com o grupo municipal do PSD a apresentar duas moções, sobre o mesmo assunto – fogos florestais – mas com objectivos diametralmente opostos. É que, enquanto numa se elogiava todos os que estiveram envolvidos no combate aos fogos florestais que fustigaram Paredes de Coura, na noutra criticava-se veementemente a actuação do comando das operações de combate a incêndios. As duas moções social-democratas foram aprovadas por unanimidade e, se em relação à primeira pouco haveria a dizer, já em relação à moção de protesto, Décio Guerreiro não deixou de criticar a forma de coordenação existente actualmente, que delega o comando das operações no concelho onde os incêndios têm início e que, no caso de Paredes de Coura, originou algumas situações em que os bombeiros courenses, chamados a intervir pelas populações, não o puderam fazer por não terem autorização do comando vizinho para sair do quartel. Uma situação que foi notória nos fogos de Linhares e da Boalhosa, em que uma mais rápida autorização da intervenção da corporação courense poderia ter evitado que o fogo se propagasse como aconteceu. A este cenário juntam-se ainda situações que chegaram a ser caricatas, como contou o deputado municipal social democrata na Assembleia.
O protesto socialista foi subscrito pelo próprio presidente da Câmara, que anunciou que os autarcas do Vale do Minho vão reunir com o secretário de Estado da Administração Interna para analisar esta situação e a eventual transferência de competências nesta área para os municípios. “A coordenação não foi boa, houve erros graves”, criticou António Pereira Júnior, acrescentando que “os nossos bombeiros foram chamados quando já não havia nada a fazer”. Já antes Décio Guerreiro havia questionado o presidente da Câmara sobre a possibilidade de, accionando o plano municipal de emergência, a autoridade da autarquia se sobrepor à do comando das operações no concelho vizinho. Pereira Júnior, contudo, acabaria por responder que a activação desse plano, além de extremamente difícil e de elevada responsabilidade, poderia gerar situações de conflito entre os dois comandos, razão pela qual não foi opção nos incêndios de Julho e Agosto.
A discussão em torno deste assunto traria ainda a intervenção de João Paulo Alves, da CDU, que alertou para o problema de base que está na origem dos incêndios florestais: a falta de limpeza das matas. “Na Boalhosa, antes de arder, o que lá havia era matagal”, referiu o deputado municipal comunista, acrescentando que “o Estado dá o pior exemplo”, ao não cuidar da limpeza das suas áreas florestais. No rescaldo da discussão ficaram no ar os números da floresta destruída pelos fogos florestais no concelho, com Pereira Júnior a revelar que os números, ainda provisórios, apontam para a destruição de 1337 hectares de floresta. Um número que deve dar que pensar.

13 setembro 2010

Não tão bom ambiente

CIMG0422A exploração de recursos minerais é sempre uma “espada de dois gumes”. Por um lado, e como se pode ver pelo exemplo do concelho vizinho de Ponte de Lima, temos a criação de postos de trabalho e a dinamização económica que está associada à extracção e comercialização de pedra. Por outro lado, e como se pode ver pelo exemplo do concelho vizinho de Ponte de Lima, as implicações a nível ambiental não são de descurar quando se fala neste tipo de indústrias.

Resumindo: há uma empresa que parece estar interessada em explorar a extracção de quartzo, feldspato e lítio no Alto Minho, incluindo em Paredes de Coura. Pesando prós e contras, espera-se que seja tomada a melhor decisão.

10 setembro 2010

Bom ambiente

óleos usados Câmara de Paredes de Coura e empresa do sector estabeleceram parceria para a instalação de mais postos de recolha de óleos alimentares no concelho. Uma boa notícia, que se saúda, em nome de um melhor ambiente. Haja agora consciência dos courenses para utilizarem estes depósitos.

09 setembro 2010

Promessas perdidas (2)

 

“Portagens cobradas nas SCUT a partir de 15 de Outubro” – notícia da Rádio Geice

Sobre esta promessa já muito foi dito. Infelizmente querem que paguemos algo que nos foi oferecido há anos e para o qual não temos alternativa. Mais do que o princípio do utilizador pagador, aqui vigora o princípio do “és obrigado a utilizar e por isso pagas e calas”. Não é caso único no país, mas os maus exemplos não deveriam vingar.

08 setembro 2010

Promessas perdidas

Festas do Concelho 2010 (2) É uma das “qualidades” que facilmente se associa a um político: a capacidade para prometer, principalmente prometer mais do que se pode cumprir ou, melhor ainda, prometer sem se preocupar quando e se lhe vai ser cobrado o prometido. O problema das promessas dos políticos não está apenas naquilo que prometem só para calar quem os escuta, mas está, acima de tudo, naqueles que acreditam, porque só lhes resta acreditar, que eles vão cumprir o que promete.

É claro que a generalização que aqui faço não se aplica necessariamente a todos os políticos mas, convenhamos, encontrar um político que se preocupa com o que promete é mais difícil que encontrar um rato numa cozinha acabava de inspeccionar pela ASAE. E, infelizmente, nos tempos que correm, as promessas por cumprir são tantas que não é preciso grande esforço para dar de caras com mais uma.  Em Paredes de Coura, por exemplo, basta passar defronte do Centro de Saúde para nos lembrarmos de mais uma promessa perdida. Há cerca de meio ano, quando foi decretado o encerramento nocturno, fui um dos que tomei as dores do fecho daquele serviço e desde logo critiquei o desrespeito com que o Ministério da Saúde viria a tratar os utentes do concelho. Seis meses volvidos, eis que o que foi prometido parece esquecido: por um lado o horário de funcionamento é cada vez mais reduzido e, a fazer fé no que se lê na última edição do Notícias de Coura, está limitado a meio dia; por outro lado, o que foi prometido em alternativa continua sem dar as caras pelo concelho, não obstante as notícias recentes que garantem a vinda da ambulância de Suporte Imediato de Vida ainda no decorrer deste mês.

É esperar para ver, como costumo dizer, Esperar e ver se, desta vez, o Ministério que faltou à palavra firmada e assinada, cumpre a sua última promessa. Não que faça muita diferença face ao cenário global de que já muito se falou, mas, nos tempos que correm, é sempre bom ver alguém honrar a sua palavra.

19 agosto 2010

Rua cheia de vida… mas sem carros

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Nas últimas semanas tem dado gosto ver a vila, nomeadamente a zona central, com bastante movimento a atestar o ambiente de férias e de regresso de courenses (e)migrantes, que por estas alturas procuram o conforto psicológico da terra de origem. E, depois de se assistir a domingos desertos, noites de silêncio e dias em que se contavam pelos dedos de uma mão as pessoas que circulavam por Paredes de Coura, é com bom grado que se vê a rua Conselheiro Miguel Dantas e sua envolvente cheia de gente, repleta de sons e de conversas animadas, com esplanadas a convidar a uma bebida fresca e dois dedos de conversa para justificar um ano de ausência.

O cenário seria quase perfeito não fossem duas situações. Em primeiro lugar, o facto de esta ser uma situação sazonal e sabermos que, daqui a alguns dias, a vila volta à sua rotineira existência. Em segundo lugar, custa-me ver que, por entre as esplanadas e as brincadeiras das crianças numa zona que supostamente está interdita ao trânsito, continuem a transitar automóveis, seja em operações de carga e descarga seja em distraídos passeios pela “rua principal”, a par com viaturas estacionadas em plena rua Conselheiro Miguel Dantas.

Afinal a proibição de circulação e as restrições de horário para cargas e descargas não são válidas no Verão? É que, pelo cenário que se pode ver naquela artéria nas últimas semanas, de pouco ou nada vale a postura municipal de trânsito que a autarquia emitiu há quase quatro anos e com a qual pretendia regular a circulação de automóveis nas zonas pedonais. De que adianta estipular horários para cargas e descargas se depois ninguém cumpre e uma rua supostamente pedonal continua a ver passar carros sem controlo?

Já houve quem se insurgisse contra a passagem de cavalos por aquela zona, tendo inclusivamente a Câmara optado por vedar a rua Conselheiro Miguel Dantas à passagem dos animais. Depois veio a contestação às bicicletas, para já ainda sem efeitos visíveis e que, na minha opinião, nem tem razão de ser. Mas, em relação aos automóveis, para os quais existe uma posição municipal definida há muito, parece não haver fiscalização…

 

Nota: já agora, e em relação à rua Conselheiro Miguel Dantas, não seria de todo descabido pensar em assinalar a rampa de acesso à mesma, com sinalização adequada ou até com outra cor no pavimento, de modo a alertar para altura da mesma. É que, de vez em quando, é cada batida que até dói…

09 agosto 2010

A lei foi feita para não se cumprir

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Há três coisas que marcam sempre o Verão: férias, festas populares e incêndios. As primeiras vou deixá-las de fora deste post e debruço-me apenas sobre as duas últimas. E faço-o porque me custou ver, na noite do passado sábado, no regresso a casa depois de uma passagem pelas Festas do Concelho, uma dualidade de cenários que me chamou a atenção, aumentada pela escuridão da noite: de um lado os foguetes que rebentavam sobre o céus de Linhares na festa do Senhor do Amparo; do outro lado o vermelho forte do fogo que consumiu uma grande área de mato nas encostas de Infesta e Cunha, com casas ali ao lado.
Não quero com isto dizer, obviamente, que o fogo de Infesta, ou outro qualquer que seja, se ficou a dever ao lançamento de foguetes em Linhares, ou noutro local qualquer. Mas é óbvio que, à luz dos olhos de quem vê um e outro cenário, fica sempre a questão: porque é que se continuam a lançar foguetes numa altura em que qualquer coisa mais quente parece ser suficiente para dar origem a um grande incêndio? A dúvida aumenta para indignação quando se sabe que há legislação que, teoricamente, proíbe o lançamento de foguetes durante o período crítico. E se este é um período crítico… Aliás, ainda recentemente a própria Câmara Municipal de Paredes de Coura aprovou o quadro regulamentar do uso do fogo que diz taxativamente que durante o período crítico não é permitido o lançamento de “quaisquer tipo de foguetes”. Ora, como é público e notório, festa que é festa tem de ter sempre o seu arraial de foguetório e este ano não é excepção, mesmo com este novo quadro regulamentar.
Mas quando o assunto é incêndios e legislação, vem também sempre à baila a questão da limpeza das matas, cuja ausência não provoca mas muito ajuda a propagar os incêndios. Ainda ontem, num apanhado noticioso sobre os incêndios do fim de semana que via no noticiário televisivo, um popular se queixava da falta de limpeza dos pinhais que agora ardiam e ameaçavam a sua casa. E, lembrava o mesmo indivíduo, de que adiantava a limpeza das matas ser obrigatória, se ninguém a cumpre? Uma sensação de derrota que podia muito bem ser evitada, se as entidades competentes fizessem o que lhes compete, quer fiscalizando, quer limpando compulsivamente (e obrigando o proprietário a pagar, claro). É claro que, a agir assim, também essas entidades, sejam locais ou estatais, teriam de dar o exemplo e cumprir, também eles, a Lei. O problema é que, se calhar, é esse o problema…

06 agosto 2010

Com ou sem portagens?

O secretário de Estado das Obras Públicas veio ontem a Viana do Castelo anunciar que o prolongamento da A28 até Valença e a ligação de Paredes de Coura à A3 são prioridade para o Governo. Mas os aplausos vão ter de esperar…

É que, em primeiro lugar, o anúncio de ontem segue-se a uma série deles em ocasiões anteriores que, infelizmente, não passaram disso mesmo: de anúncios de intenções. E nestas coisas de promessas políticas é mesmo melhor ver para crer. E depois, o anúncio de ontem de Paulo Campos foi acompanhado de um outro, o de que ao contrário do que foi anunciado inicialmente, a utilização da A27 entre Ponte de Lima e Viana do Castelo e também do troço da A28 entre a capital de distrito e Vila Nova de Cerveira pode vir a ser alvo de pagamento de pagamento de portagem.

Ora, a ser assim, ao género de quem dá com a mão esquerda, mas tira com a mão direita, é mesmo melhor esperar para ver… não vá a ligação de Paredes de Coura à auto-estrada obrigar também ao pagamento de portagem!

04 agosto 2010

Lixo estival

foto lixo cossourado

Sempre ouvi dizer que em terras marcadas pela emigração, a população quase duplica no Verão. Paredes de Coura não será excepção à regra e, não apenas por causa da componente emigrante, mas também devido à realização do Festival, o concelho atinge nas últimas semanas de Julho e nas primeiras de Agosto, números populacionais com que só pode sonhar durante o resto do ano.

Mas, no Verão, há situações que em nada contribuem para a qualidade de vida em Paredes de Coura. Veja-se o que aconteceu na semana passada com a recolha de lixo em algumas zonas do concelho. Uma simples viagem por alguns pontos do concelho, no final da semana passada e já no início desta, deu para observar várias imagens como a que ilustra este post. Contentores a acumularem lixo (dentro e fora), numa clara demonstração de que, se fora deste período uma passagem semanal do camião de recolha é suficiente, nesta altura do ano, com o crescimento significativo dos residentes, essa volta semanal não chega para dar vazão ao lixo produzido que, como é de esperar, aumenta ao mesmo ritmo que o número de habitantes.

Como é óbvio, não se pode pedir a ninguém para, com este calor, manter o lixo em casa à espera da recolha semanal, mas por outro lado, ao estar depositado dias a fio na rua, não será também esta uma situação que atenta à saúde pública? É certo que, por esta altura, os serviços municipais estão a meio gás, mas creio que uma melhor adaptação dos serviços iria certamente ajudar a minimizar esta questão. Ou isso ou uma redefinição de prioridades…

31 julho 2010

O voto que vale 5000 árvores

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Um simples clique nesta página da Toyota Portugal, pode ajudar a trazer para Paredes de Coura mais 5 mil árvores. A iniciativa desta marca de automóveis visa a reflorestação de áreas que foram palco de incêndio e, todos os anos desde 2005, tem plantado largos milhares de árvores com este propósito.

Este ano Paredes de Coura surge no leque de possíveis destinos das 5 mil árvores. Vamos desperdiçar a oportunidade, ou vamos votar neste concelho?

30 julho 2010

Entretanto, mais a jusante…

parece que não são as salmonelas a causar preocupação. O mesmo rio, problemas diferentes.

Afinal… sempre havia

Não que isso fizesse alguma diferença às centenas (milhares?) que resolveram acalmar o calor num mergulho retemperador nas águas da praia fluvial do Taboão, mas afinal, análises recentes, de um e de outro lado da barricada que se ameaçou formar antes do Festival de Paredes de Coura, vieram confirmar: há salmonelas no rio Coura!

A utilização da águas do Coura fica agora à mercê do bom senso de cada um, diz o presidente da Câmara. Pois, já assim o era anteriormente, uma vez que as análises do Centro de Saúde já indicavam a presença de salmonelas. A autarquia ainda apresentou um relatório em sentido contrário, com base em análises feitas semanas antes por uma empresa privada, que a organização do festival se encarregou de divulgar juntos dos participantes. Aguarda-se, agora, o envio desta nova informação.

27 julho 2010

Já se vê o fundo?

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Câmara suporta transporte de 300 crianças – Notícia do Diário de Notícias

É, também por situações como esta, que muitos municípios do país têm as contas a arder. No caso concreto de Paredes de Coura, o pioneirismo de concentrar todas as escolas primárias do concelho num único espaço trouxe vantagens, claro, mas trouxe também a desvantagem de ter de se assegurar o transporte de todos os alunos para a vila. Uma despesa de cerca de 45 mil euros todos os meses, multiplicada por dez meses… é fazer as contas.

Um buraco anual de 450 mil euros que vai “moendo” as contas do município courense e que, como refere Pereira Júnior, se arrasta desde o ano passado. Tem solução à vista? Pois, isso agora… Se até para dar andamento a obras que têm financiamento garantido por fundos comunitários que nunca mais chegam, a Câmara se viu obrigada a contrair um empréstimo, será que a verba para pagar o transporte escolar vai demorar menos tempo a entrar nos cofres do município?

Nota: Para aqueles que vão já começar a dizer que a culpa é da Câmara por ter concentrado todas as escolas, convém lembrar que, se não o tivesse feito na altura, certamente não teria outra hipótese agora, altura em que o Ministério está a juntar, sem grande planificação e aviso, tudo o que é escola com menos de 20 alunos…

26 julho 2010

Fim de semana de inferno

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Depois de um fim de semana carregado de incêndios por toda a região, esta noite não promete ser muito diferente…

23 julho 2010

A notícia que tem algumas inverdades

Já me habituei, por alturas do Festival de Paredes de Coura, a ouvir e ler na comunicação social, algumas coisas que não são do mais correcto sobre o município. O chamar Taboão ao rio Coura, confundindo o nome do rio com o da praia fluvial que por ele é atravessada, é talvez o mais comum. E, curiosamente, nem sequer é exclusivo de alturas do Festival. A par deste, talvez o facto de alguma imprensa teimar em ver Paredes de Coura como cidade, vá-se lá saber porquê (porventura confundidos pela placa que indica o lugar de Cidade ali mesmo antes de chegar à zona do festival).

Agora, o que nunca tinha visto (mas há sempre uma primeira vez para tudo) é chamar área protegida à praia fluvial do Taboão. São coisas insignificantes, é certo, e na pior das hipóteses só abonam a favor da fraca qualidade de quem escreve e difunde estas notícias sem ter informações que as suportem. E a demonstrar que, se calhar, tão importante como promover o concelho junto dos participantes do Festival de Paredes de Coura, seria divulgá-lo, e bem, junto de quem durante dias a fio, só escreve sobre Paredes de Coura e muitas vezes não conhece aquilo sobre que escreve.

22 julho 2010

E se todos cumprissem a lei não haveria crime…

Paredes de Coura: "Há dezenas de pessoas a banhos", garante Ritmos – notícia da Blitz

Pois há! Como sempre houve, ainda antes de existir praia fluvial propriamente dita ou análises (públicas ou privadas) a dizer isto ou aquilo. Não é por ser desaconselhada a prática balnear que as pessoas vão deixar de ir a banhos se a isso estiverem dispostas. Se assim fosse não assistiríamos, em cada fim de semana de Verão, a casos de pessoas que perderam a vida em praias não vigiadas. Pois se até é proibido tomar banho nessas zonas!…

É claro que o rio é uma atracção extra para quem vem ao Festival de Paredes de Coura, e a qualidade das suas águas deve preocupar os organizadores do mesmo e o timming do surgimento de salmonelas, nos últimos anos, tem sido de uma pontaria precisa. Mas não se pode, à toa, colocar em causa análises de uma entidade credível, só porque existem resultados diferentes de uma empresa credível. É fazer como diz o presidente da Câmara e deixar ao critério dos banhistas a utilização ou não das águas do Coura. Assim como assim, pelos comentários que circulam pela internet, quem vem ao festival não está preocupado com as salmonelas e não me parece que vá haver polícia a proibir os mergulhos no rio…

 

PS: Já em relação às questões políticas, faz muito bem João Carvalho em não comentar. Mas eu questiono: que questões políticas serão essas?

A notícia que se esperava

O Festival de Paredes de Coura é já para a semana e com ele chega uma notícia já esperada, a de que o Centro de Saúde de Paredes de Coura volta a funcionar 24 horas por dia, depois de em Abril último ter fechado as portas no período nocturno. E esta era uma notícia esperada porque se trata de uma das cláusulas do protocolo firmado entre a autarquia courense e o Ministério da Saúde, em 2007.

Isso mesmo afirmou o presidente da Câmara que, além dos quatro dias do Festival de Paredes de Coura, quer alargar esta abertura excepcional também já ao próximo fim de semana, altura em que decorre por cá o Festival Jota. E porque não também às Festas do Concelho, pergunto eu? Não serão tantos os milhares de visitantes como no Festival, mas são mais, muitos mais, que os utentes habituais do Centro de Saúde.

Ah! E já agora, aproveito para lamentar… que esta seja a única cláusula do protocolo de 2007 que o Ministério da Saúde se digna a cumprir, já que, a fazer fé em notícias vindas a público na comunicação social esta semana, nem sequer o horário supostamente alargado até à meia-noite (ou até às 22 horas), parece que consegue cumprir.

21 julho 2010

A notícia que se repete

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Tem sido assim nos últimos anos. Chega a altura do festival e sucedem-se as notícias sobre a qualidade das águas do Coura na praia fluvial do Taboão. Este ano, sinceramente, nem sequer estava à espera que notícias deste género aparecessem, uma vez que a praia já estava fora do roteiro nacional de zonas balneares e, por isso mesmo, interdita a banhos. Mais eis que, afinal, há “dados contraditórios” e a notícia surge.

É que embora oficialmente a praia esteja interdita a banhos, a Câmara Municipal de Paredes de Coura contratou, e bem, os serviços de um laboratório para fazer análises periódicas às aguas do rio naquela zona. Ao mesmo tempo, também o Centro de Saúde realiza análises às águas do Rio Coura. O que é curioso é que, respeitantes a um mesmo período, as duas análises dão valores diferentes e enquanto as da Câmara asseguram a qualidade dos banhos, as do Centro de Saúde acusam, como no ano passado por esta altura, a presença de salmonelas no rio.

Uma situação “intrigante”, considera o presidente da autarquia courense, que deixa ao critério dos utentes da praia fluvial do Taboão a ida ou não a banhos, informando-os dos resultados das análises feitas. Mas… quais análises? As boas ou as más? Ou será que vão afixar as duas e depois os banhistas optam por respeitar as que lhes merecerem melhor consideração.

Independentemente desta situação, não nos podemos esquecer que são as análises feitas pelo Centro de Saúde que servem de base à posterior classificação do Taboão como zona balnear. Ora, se os resultados são os que surgem agora na comunicação social, afinal parece que nem tudo está tão controlado como se defendia há uns tempos.

16 julho 2010

A herança

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Não escolhemos quem vem antes de nós, nem aquilo que poderemos vir a herdar de quem parte antes de nós. Ou será que podemos escolher o que vamos ter no futuro? Na política, nomeadamente na vida autárquica, seria desejável que soubéssemos hoje com o que o vamos contar amanhã, mas nem sempre assim. E depois há quem queria ajustar contas por isso!

Veja-se, por exemplo, o que acontece actualmente em Barcelos, concelho que, depois de um longo reinado social-democrata, com Fernando Reis quase a imortalizar-se na presidência da autarquia, foi em Outubro último conquistado pelos socialistas. E agora, oito meses volvidos e com uma auditoria às contas municipais ainda a decorrer, eis que o novo inquilino da cadeira do poder barcelense admite colocar o seu antecessor em tribunal, por ter optado por um caminho que comprometeu gravemente o futuro do concelho.

Esta ideia de processar os antigos autarcas por alegados erros de gestão, lembrou-me das críticas que, nas últimas campanhas eleitorais, com especial destaque na última, também se fizeram por Paredes de Coura, nomeadamente com José Augusto Caldas a considerar que o futuro do concelho estaria hipotecado “e com um grau de liberdade diminuído por força de algumas más decisões do passado”. Em Outubro o Partido Socialista voltou a conquistar a presidência da Câmara de Paredes de Coura, mas se em 2013 o PSD sair vitorioso do confronto, será que também vamos ter ajuste de contas por cá?

Por outro lado, este assunto de querer justificar um mau futuro com decisões do passado e querer punir quem as tomou, levanta também outra questão: é que, para o mal ou para o bem, quem decidiu e planeou recebeu do eleitorado essa carta branca, para, pelo menos durante quatro anos, tomar as decisões que entendesse. E, no final desses quatro anos, quem esteve no poder foi, necessariamente, avaliado. Ora, se quem supostamente tomou más decisões for reconduzido na presidência com os votos da maioria dos eleitores, será que quem os reconduziu terá ser também alvo de processo judicial?

O que é certo é que, se a ideia de Barcelos vingar e os antigos autarcas forem mesmo responsabilizados por erros de gestão (e estamos a falar em erros políticos e não de índole criminal), isso representará um agrilhoamento das decisões políticas de um presidente de Câmara. É que nem sempre aquilo que hoje se vê que não resulta, apresentava maus resultados aquando da sua decisão.

07 julho 2010

Taboão no bom caminho

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Até ao momento, as análises feitas às águas do rio Coura, na praia fluvial do Taboão, não apresentam indícios de salmonelas. A garantia é dada pelo presidente da Junta de Freguesia de Formariz, que assegura que desde as análises do ano passado não se verificaram mais incidentes.

É tarde, pode até dizer-se, já que as análises positivas do ano passado ditaram o afastamento da praia fluvial do Taboão do rol de espaços reconhecidos como zonas balneares. Mas é um passo na direcção correcta. Resta esperar que não chova antes do Festival…

06 julho 2010

Turismo: atractivos vs acessos

 CIMG2030 A falta de acessos é muita vezes apontada, inclusivamente por mim, como uma das principais lacunas de Paredes de Coura. Os empresários da hotelaria, por exemplo, são dos que mais se queixam nesse aspecto, argumentando que, sem acessos, só vem a Paredes de Coura quem quer mesmo cá vir. Mas, creio eu, a questão não se prende apenas com acessibilidades, mas também com atractividade. Ou seja, não basta ter bons acessos, mas é preciso também ter motivos de atracção para trazer gente ao concelho.

No passado fim de semana tive a ocasião de verificar isso mesmo, que muitas vezes não são necessárias auto-estradas para trazer gente a determinado lugar e, noutros casos, com a auto-estrada mesmo ao lado, não existem condições que atraiam visitantes. No sábado, por exemplo, almocei num restaurante inserido numa aldeia “perdida” nas fraldas do Gerês, a 12 quilómetros da sede do concelho e com acessos onde os automóveis têm de pedir autorização a cavalos, vacas e cabras para poderem passar. É, no entanto, um restaurante que se orgulha de encher todos os fins de semana e onde a reserva é quase obrigatória. A paisagem, a ementa e a qualidade do serviço parecem, por isso, dispensar um acesso rápido, o que no caso concreto até se agradece, para preservar a rusticidade da zona.

No dia seguinte observei o outro lado da história. Duas povoações, separadas entre si por escassos quilómetros, que há largos anos se orgulhavam de receber milhares de visitantes e que hoje, com uma auto-estrada (gratuita, ainda por cima) a passar-lhes quase por cima, vivem como que paradas no tempo, sem grandes turistas. O motivo é simples: perderam o seu principal atractivo, as termas que lhes deram nome e visibilidade. De que lhes vale, neste cenário, a auto-estrada? De quase nada, porque apesar de aparecerem no mapa, nada têm para oferecer a quem se digne ali entrar. Ou seja, têm acessos, mas não têm factores de atractividade.

E ao observar estas duas realidades, que partilham com Paredes de Coura a interioridade e a proximidade com a fronteira, não posso deixar de me questionar: e nós, temos capacidade para atrair mais visitantes? Com ou sem bons acessos?

25 junho 2010

Mais quatro milhões

Quatro milhões de euros é o valor que vai estar em discussão logo à noite, na Assembleia Municipal de Paredes de Coura. A Câmara quer contrair mais dois empréstimos, de dois milhões cada, e precisa da aprovação da AM para tal.

Um dos empréstimos vai ser utilizado como suporte a projectos financiados pelo QREN mas cujo financiamento tarda, e tardará, a chegar. O outro também vai ser utilizado para comparticipar obras a realizar no concelho, mas desta feita obras que não vão ser alvo de financiamento comunitário. Tendo em conta a composição da Assembleia Municipal não são esperados contratempos na aprovação destes dois empréstimos. Só, talvez, alguma discussão.

A disciplina é tramada

portagens nas scuts

Antes

Moura quebra disciplina de voto do PS sobre chips – Notícia da Rádio Geice, 23/06/2010

 

Depois

Na bancada do PS, registaram-se pelo menos sete declarações de voto, mas não houve quebra de disciplina de voto por parte do deputado Defensor Moura – Notícia do jornal Público, 25/06/2010

Nunca entendi muito bem o conceito de disciplina de voto. Então se um deputado é eleito para representar um círculo eleitoral e, no limite, um país, tem de esquecer as suas convicções pessoais e render-se às exigências do grupo onde está inserido, mesmo sabendo que isso vai prejudicar o distrito que o elegeu? Não me parece que esta seja uma das características mais fulcrais da Democracia, mas enfim.

A votação de ontem foi o último exemplo de que, em nome dos partidos se esquecem os eleitores e as promessas. Defensor Moura até pode argumentar que, com a entrada em cena do primeiro-ministro com a sua proposta de, para agradar ao PSD, meter portagens em todas as SCUT’s, perdeu impacto a sua crítica de que o Norte estava a ser prejudicado. Mas uma coisa é certa, com a introdução de portagens, ainda que a nível nacional, o Norte vai ser mesmo prejudicado. E com o voto de Defensor Moura. Ah, e dos outros socialistas eleitos por Viana do Castelo também…

23 junho 2010

Este ano não há praia!

Pois é! Se há duas semanas, quando escrevi isto, tinha as minhas dúvidas, agora as suspeitas confirmam-se: este ano não há banhos na praia fluvial do Taboão. Ou, explicando melhor, haver banhos até pode haver, mas a qualidade das águas é que não está garantida. Isto porque, o Taboão não consta, este ano, da listagem de zonas balneares reconhecidas como tal pelo Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território.

A desclassificação da única área balnear até agora reconhecida no concelho surge depois das várias análises que no ano passado ditaram, por diversas vezes, a interdição da prática balnear nas águas do rio Coura. Deste modo, na presente época balnear, a praia fluvial do Taboão não é reconhecida como tal, não sendo permitida ali a prática balnear, como estipula a legislação.

É claro que isso não obsta a que as pessoas se banhem naquele espaço, como acontece em muitos outros locais que não merecem a distinção de zona balnear. Aliás, ainda no ano passado, no decorrer do Festival de Paredes de Coura, numa época em que a praia estava interdita pelo delegado de Saúde em virtude das análises semanais terem indicado a presença de salmonela nas águas, podíamos ver muitos jovens a ignorar a recomendação do Ministério do Ambiente e a aproveitar o curso de água para uns mergulhos. O certo é que, ao não ser reconhecida a prática balnear no Taboão, Paredes de Coura perde, na minha opinião, um dos seus maiores encantos.

Não valerá a pena apostar na qualificação e na defesa de um espaço ímpar como aquele? Claro que vale! Este ano, contudo, resta-nos ficar pela valorização, a pensar na praia do próximo ano, e lembrar que aqui ao lado, em Cerveira ou Arcos de Valdevez, existem outras praias fluviais onde se pode tomar banho. E esperar que em Paredes de Coura não aconteça o mesmo que em Ponte de Lima, onde a qualidade das águas das suas praias fluviais se foi degradando ano após ano, depois de ter estado no topo.

17 junho 2010

Pondere. Pondere muito…

“Primeiro não levei a sério essas conversas. Mas, como a insistência foi grande, agora estou a ponderar” – Defensor Moura, antigo presidente da Câmara de Viana do Castelo e actual deputado do PS, sobre os incentivos que tem recebido para se candidatar à Presidência da República, contra Manuel Alegre

Confesso que, ao ler esta notícia, a minha primeira reacção foi olhar para o calendário e verificar a data. Por uns instantes ainda pensei que estivéssemos no primeiro dia de Abril, mas não, o calendário marcava Junho. Mas, se estamos em Junho, quer dizer que Defensor Moura está mesmo a falar a sério?

Antigo presidente da Câmara de Viana do Castelo, exilado em Lisboa nas últimas eleições legislativas depois de ter causado atrito no PS do Alto Minho, banido pelos seus colegas autarcas do mesmo partido, Defensor Moura diz que está a ponderar concorrer contra Manuel Alegre, em nome dos que não se revêem no apoio dado pelo Partido Socialista àquele candidato. O meu conselho é apenas um: pondere, pondere muito, e quem sabe não acaba por ver a razão.

Ouvidos de mercador

Ouvidos de mercador é o que parece ter a ministra da Saúde. A Assembleia da República aprovou, há dois meses, um projecto de resolução que recomendava a suspensão imediata do encerramento das urgências nocturnas em Valença, Paredes de Coura, Arcos de Valdevez e Melgaço mas, passados dois meses, tudo continua na mesma e, diz Luís Campos Ferreira, deputado do PSD, nem sequer uma resposta veio dos lados do Ministério. Falta de educação?

Ao mesmo tempo começam a surgir notícias, que já se esperavam aliás, sobre as dificuldades de funcionamento da consulta aberta (que substituiu o SAP), em Paredes de Coura. A fazer fé nas notícias veiculadas na última edição de O Coura (não disponível online), parece que está para breve o encerramento às 20 horas, e não às 24 horas como acontecia desde o encerramento nocturno do SAP. Vamos aguardar para ver?

16 junho 2010

A festa do sol

As duas primeiras edições foram um sucesso. No próximo sábado há mais uma, a edição de 2010 do Solstício de Verão. Uma organização da associação A Cividade, que pode tornar-se num pólo de atracção do concelho. Isso mesmo, aliás, referiu publicamente o presidente da Câmara de Paredes de Coura nas vésperas da última realização, enaltecendo as qualidades do evento e dizendo mesmo que “mais cedo ou mais tarde, poderá ter uma projecção idêntica à do Festival”.

Bons augúrios para uma iniciativa que nasceu da carolice de uma das mais dinâmicas associações do concelho e que, de ano para ano, tem elevado a fasquia da qualidade. Este ano não será excepção e, a atentar no oferta do cartaz, vamos ter mais um Solstício bem animado, com artes circenses, espectáculo equestre, danças célticas e trechos de teatro, a cargo do Teatro Amador Courense, que se associou também a esta organização.

Se a isto juntarmos uma ementa adaptada à época que o Solstício pretende recuperar, com porco no espeto, truta grelhada e a sempre concorrida “queimada”, temos todos os ingredientes necessários para uma noite bem passada, com um cenário de sonho, assim o bom tempo permita uma noite limpa. Motivos mais que suficientes para levar muita gente ao alto da Cividade de Cossourado e, quem sabe, dar razão ao autarca courense e transformar o Solstício de Verão em mais um evento a marcar na agenda das visitas obrigatórias a Paredes de Coura.

15 junho 2010

E a alternativa é… a portagem?

Portagens, portagens e mais portagens. É este o cenário que espera, já a partir do próximo dia 1 de Julho, os utilizadores das SCUTS que o Governo resolveu portajar, numa medida que, supostamente, pretende ajudar a combater o buraco criado nas finanças do país, mas que, e aqui é certinho, promete sim criar um buraco ainda maior no bolso dos portugueses que utilizam estas vias.

Nas últimas duas semanas, por motivos quer pessoais, quer profissionais, tive de fazer por cinco vezes o percurso entre Paredes de Coura e o Porto. Como o dinheiro não me nasce nos bolsos, é óbvio que escolhi a ligação mais económica e fiz o percurso via A28. Se o fizer a partir de 1 de Julho, cada viagem entre Paredes de Coura e o Porto vai-me custar mais 8.10 euros. Coisa pouca para uma viagem só, mas se pensarmos que só nas deslocações destas últimas semanas teria gasto, em portagens, o suficiente para atestar o depósito de combustível do carro e fazer o mesmo percurso mais duas vezes, então começamos a perceber o impacto desta medida. Mais ainda se, como acontece com milhares de pessoas, as viagens pelas SCUTS que vão ter portagem são uma obrigação para irem trabalhar diariamente. Imagine-se, por exemplo, alguém que tem de ir todos dias de Viana do Castelo para o Porto, chegar ao fim do mês e ver que quase 200 euros ficaram pelo caminho, em portagens.

Infelizmente esta situação não vai afectar apenas quem utiliza a A28. Outras SCUT’s, estradas que, por muito que o Governo queira, não têm qualquer alternativa viável, também vão começar a mexer diariamente no bolso dos portugueses que as utilizam. E, aqui a expressão “portugueses que as utilizam” tem ainda mais razão de ser. É que não vai ser fácil obrigar os automobilistas estrangeiros que circulam nessas vias a pagar a portagem, quando o sistema nem sequer para os portugueses é simples. Imagine-se entrar em Portugal por Valença, fazer o percurso até Viana do Castelo sem problemas e depois, ao querer seguir mais para Sul ser confrontado com a obrigatoriedade de se dirigir a uma estação dos CTT para comprar um identificador que, provavelmente, vai utilizar apenas uma vez. Os milhares de espanhóis que todos os fins de semana vêm em romaria para o IKEA até o podem comprar, mas para aquele turista esporádico, que nos visita de vez em quando, o sistema é inviável.

Resta falar das alternativas. Das que se colocam aos que não podem pagar o que o Governo exige, e que agora se vêem obrigados a regressar a estradas municipais (sim, que muitos troços das antigas estradas nacionais já foram municipalizados) e, por entre rotundas, semáforos, cruzamentos e passadeiras, fazer no triplo do tempo um percurso que até agora faziam de forma muito mais rápida. Não há alternativas viáveis à A28, todos o sabem, incluindo o Governo. Aliás, há troços das antigas estradas nacionais onde os pesados nem sequer podem circular, o que vai obrigar este tipo de veículos a um constante zigue-zague entre SCUT’s e EN’s. Nada disso parece interessar a um Governo que só vê números à sua frente e que, pelos vistos, parece não querer ficar por aqui e fala já em colocar portagens noutros trajectos que, tal como os que são portajados agora, partilham o facto de não terem qualquer alternativa (veja-se o caso da A25 entre Aveiro e Vilar Formoso).

No meio disto tudo ficam regiões que só têm a perder com esta medida governamental. No caso concreto da A28, os municípios já vieram a terreiro lembrar o impacto que a introdução de portagens nas SCUT’s vai ter, quer junto dos seus munícipes, quer junto do tecido empresarial desta zona. O aumento dos custos dos transportes é a face mais visível das consequências desta medida, mas o cenário global vai mais longe e volta a insistir na mesma tecla de sempre: o desrespeito pelas populações destas zonas. No entanto, enquanto alguns autarcas criticaram e já avisaram que vão avançar com medidas cautelares para tentar evitar a consumação desta ideia, outros há que se ficam pelas críticas, vá-se lá saber porquê.

08 junho 2010

Época balnear: e a praia, como está?

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A época balnear começou oficialmente há uma semana. O bom tempo das últimas semanas já levou muita gente às praias e, mesmo por Paredes de Coura já se começam a ver algumas pessoas na praia fluvial. Ainda no passado domingo por lá passei e já havia alguns banhistas a experimentar as águas fresquinhas do Coura. Mas, será que este ano não vamos ter a repetição dos problemas dos anos anteriores?

Infelizmente a poluição é um mal que teima em afectar um dos maiores recursos naturais do concelho, e não há Verão em que as análises efectuadas às águas do Rio Coura não apresentem, uma ou outra vez, valores de poluição acima do permitido. O ano passado, aliás, foi dos piores para as águas do Taboão e um breve olhar para os resultados das análises levadas a cabo durante a época balnear mostra-nos que, de Junho a Setembro, a praia esteve “sem problemas” apenas durante quatro semanas. Ou seja, nos mais de três meses de época balnear, só pudemos oferecer uma praia fluvial em pleno durante um mês. Acresce que todos os problemas originados pela poluição, especialmente em vésperas do Festival de Paredes de Coura, obrigaram a Câmara Municipal a uma intervenção de urgência com custos acrescidos.

E este ano, como será? Longe de querer fazer futurologia, tenho para mim que vamos ter novamente problemas. É que, não sendo descobertos, os prevaricadores vão continuar a fazer descargas ilegais no Rio Coura, aproveitando principalmente os dias como o de hoje, em que a chuva substituiu o sol do Verão. No entanto, num ano em que ao invés de um vamos ter dois festivais, muito embora não comparáveis em dimensão mas que ainda assim prometem trazer muita gente ao Taboão, a fiscalização terá de ser a palavra de ordem. Caso contrário corremos o risco de voltar a ter um Verão com apenas quatro semanas de rio utilizável, com banhistas a arriscar ou nas margens a ver a água passar.

28 maio 2010

PSD courense: Castro depois de Cunha

 FOTO.JPGPaulo Castro, professor de Inglês na Escola EB 2.3/S de Paredes de Coura, mas também ligado ao associativismo do concelho e à pastoral juvenil, é o novo presidente da concelhia do PSD de Paredes de Coura. Aos 42 anos, Paulo Castro sucede a João Cunha, anterior líder dos social-democratas do concelho, que não se recandidatou ao cargo que vinha a desempenhar.

O novo presidente da concelhia do PSD apresenta um curriculum político que inclui a liderança da JSD courense e distrital e ainda a representação do distrito no Conselho Nacional do PSD, bem como uma passagem pela Assembleia Municipal no mandato de 1997 a 2001. Aliás, depois de algum tempo afastado destas lides, Paulo Castro viria a reencontrar-se com o partido nas últimas eleições autárquicas, onde concorreu em três frentes: assembleia municipal, câmara municipal e cabeça de lista à Junta de Freguesia de Cossourado, de onde é oriundo. Neste último cenário acabaria por ser derrotado pela detentora do cargo na altura, enquanto que nos outros dois órgãos a sua presença nas listas em  lugar não elegível o afastou de qualquer representação.

Nesse aspecto fica a perder em relação a João Cunha, que chegou a ocupar o cargo de vereador no último mandato autárquico e que, nas autárquicas de Outubro último foi eleito para a Assembleia Municipal de Paredes de Coura. Sem “púlpito” onde faça ouvir a sua voz, pelo menos no que aos órgãos autárquicos diz respeito, será que vamos ter mudanças “a pedido” na composição da bancada social democrata naquele órgão?

Preço da água: vêm aí aumentos!

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A falta de concorrência tem destas coisas: aumento dos preços. Neste caso a ideia que existe de uniformizar os preços a que é fornecida a água de consumo público, muito por causa do domínio da Águas de Portugal na distribuição, vai mexer directamente no bolso dos portugueses e Paredes de Coura não foge à regra.

Ainda para mais quando, como é sabido, a Câmara de Paredes de Coura, “subsidia” parte da água que os seus munícipes pagam. Isto porque, conforme já explicou o autarca courense por diversas vezes, a câmara compra o metro cúbico de água a 56 cêntimos, mas depois cobra apenas 26 cêntimos por metro cúbico ao consumidor final. Uma situação que a proposta de uniformização de preços, de que a fusão das várias concessionárias é a face mais visível, não irá, obviamente, contemplar razão pela qual são esperados aumentos elevados das tarifas de água concelhias.

Muito embora ainda não sejam conhecidos os valores finais a aplicar quando avançar a incorporação das Águas do Minho e Lima nas Águas do Noroeste, Pereira Júnior fala já numa previsão de que cada metro cúbico de água custe entre 2 a 3 euros, ou seja, muito acima do que é cobrado actualmente e valor que o próprio presidente da Câmara considera muito caro. É certo que o valor apontado pelo autarca courense integra não apenas o custo da água, mas sim também a tarifa de saneamento indexada ao consumo. De qualquer das formas, tendo em conta os valores pagos actualmente, podemos sempre dizer que estamos perante um aumento de grandes proporções.

Para tentar evitar esta situação, os municípios do distrito estão já a financiar um estudo que visa verificar se compensa mais a criação de uma nova empresa, de cariz intermunicipal, que irá substituir-se à Águas do Noroeste na distribuição da água. Os resultados desse estudo devem ser conhecidos no segundo semestre de 2010 e, em tempo de crise, poderão significar a manutenção ou a saída de mais uns euros do bolso dos cidadãos courenses.

21 maio 2010

Aceitam-se recomendações?

 

Recomendações sobre o processo de requalificação das Urgências no Alto Minho publicadas em Diário da República – Rádio Geice

Infelizmente, parece que não, por isso isto não vai valer de muito. Mas, num cenário de crise geral, em que são os próprios governantes, locais e nacionais, que admitem que o encerramento das urgências nocturnas vai trazer custos acrescidos, não seria recomendável acatar a recomendação?

Um património a proteger

Hoje e amanhã o património histórico de Paredes de Coura está em debate nas jornadas sobre Património Arqueológico e Turismo, que trazem até ao nosso concelho alguns especialistas desta área. Uma área que, refira-se, poderá ser utilizada como mais um factor de atracção para quem nos visita. Curiosamente, dei por mim a recordar que a Cividade de Cossourado foi o primeiro local que visitei em Paredes de Coura, nos idos de 1997. A proximidade do local onde me encontrava de férias ditou uma caminhada ao alto do monte para ver os trabalhos que a parceria entre a Câmara de Paredes de Coura e a Universidade Portucalense e que deixaram em exposição a recriação parcial de um fortificado da Idade do Ferro.

Hoje, quase 13 anos depois dessa primeira visita, constato que apesar de todo o desenvolvimento que, no concelho, tem havido no que respeita ao estudo e preservação do património arqueológico, a Cividade de Cossourado continua, tal como na altura, a aguardar a classificação por parte do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico. O pedido é de 1996, mas até à data continua sem seguimento. Não é, contudo, caso único no património do município, já que na mesma situação, em vias de classificação, está também outra estrutura do género, o Castro de S. Martinho, alguns quilómetros mais a Sul. Apenas o Castro de Romarigães, também na mesma zona, rica em património desta época, se encontra classificado como Imóvel de Interesse Público.

Estes três casos, a par com o troço da Via Romana de Braga a Tui, devem, aliás, estar integrados na Carta Arqueológica de Paredes de Coura, que será hoje apresentada no decorrer das referidas jornadas. O programa deste evento inclui, ainda, a inauguração do Núcleo de Arqueologia do Museu Regional de Paredes de Coura. Uma área que, curiosamente, já funciona há alguns anos naquele equipamento, pelo que não se percebe o porquê desta inauguração agora. De qualquer das formas, e tendo em conta que a autonomização desta área poderá significar a continuação de um olhar atento a este tipo de património no concelho, rico em achados arqueológicos, o último dos quais, creio eu, aconteceu há cerca de três anos, com a descoberta de vestígios de uma estação romana em Infesta.

Em relação a segunda parte das jornadas, a articulação entre o património e o turismo, esta seria uma boa forma de rentabilizar um valor latente no concelho. Resta saber em que moldes tal poderia (e deveria) ser feito, mas isso será certamente, assunto que não escapará à discussão nas jornadas deste fim de semana.

14 maio 2010

Taboão: restaurante fechado até quando?

aviso restaurante taboão

Ambiente bucólico, o rio a correr por entre a sombra das árvores, uma grande superfície verde que convida ao relaxamento e um restaurante com vista para isto tudo mas… FECHADO! É este o triste cenário que se oferece aos courenses e turistas que procuram a praia fluvial do Taboão por estes dias. Aliás, por estes últimos meses, pois não é de agora que aquele espaço se encontra encerrado.

Projectado pela autarquia courense como espaço de apoio à praia fluvial, que permitisse a sua dinamização e animação durante todo o ano, o restaurante do Taboão é, actualmente, um elefante branco, praticamente abandonado e sem utilização. Reaberto com nova gerência em Setembro de 2008, desde logo foi assumido pela nova gestão o compromisso de abrir portas apenas aos fins de semana no período de Inverno e durante toda a semana no Verão. O aviso afixado na porta, e que se reproduz na foto acima, dá a entender isso mesmo, mas na realidade não é isso que se verifica e, seja semana ou fim de semana, a porta está sempre encerrada e, já o presenciei por diversas vezes, com algumas pessoas a bater com o nariz na porta.

Uma questão que não passou despercebida à Câmara Municipal, proprietária do espaço, que está preocupada com a situação, inclusivamente porque haverá outros interessados em pegar naquele restaurante. O actual concessionário, contudo, tem ainda o seu contrato válido, pelo que autarquia parece estar de mãos atadas. Uma coisa é certa, como está, aquele espaço é um desperdício. Os quase 150 mil euros que o município ali investiu parecem dinheiro deitado fora e fazem-nos ter saudades do velhinho bar que ali existiu em tempos e que, mesmo sem grandes sumptuosidades, prestava serviço a quem escolhia a praia fluvial como espaço de lazer.

07 maio 2010

Urgências: aumento de doentes, prejudica serviço

A afluência de utentes aos serviços de urgência básica de Monção e Ponte de Lima aumentou fortemente no último mês, num cenário a que poderá não ser alheio o encerramento das urgências nocturnas em Valença, Melgaço, Paredes de Coura e Arcos de Valdevez. Era o que já se esperava, ou não? Alguém duvidada que isto fosse acontecer? É claro que não, pois já se sabia que sem serviço médico a funcionar de noite nos seus concelhos de residência, os utentes que necessitassem de cuidados de saúde os iriam procurar noutro lado e não esperar pelas 8 da manhã, como defendeu o secretário de Estado da Saúde a determinada altura.

O caso de Monção é gritante, pois de acordo com os dados da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM) hoje divulgados pela TSF, registou um acréscimo de 630 por cento de utentes vindos de Valença. Mas não é o único, pois no serviço de urgência básica (SUB) de Ponte de Lima também se verificou um aumento de 128 por cento no número de pacientes oriundos de Paredes de Coura, por exemplo. Número que, a juntar também à afluência considerável de utentes de Arcos de Valdevez, Ponte da Barca e, naturalmente, Ponte de Lima, leva Baltasar Fernandes, gestor do serviço de urgência da ULSAM a considerar que aquele SUB enfrenta um congestionamento e uma má resposta, relacionados com “as condições exíguas em termos de espaço” daquele serviço. Ora, se as condições não são as melhores para providenciar um bom serviço aos doentes que ali acorrem, porque raio é que se teima em manter encerrados os serviços locais e canalizar para ali os utentes de todos os concelhos à volta?

Por outro lado, ao mesmo tempo surgem notícias, igualmente esperadas, de que os Bombeiros de Valença registaram o dobro das saídas habituais desde que o serviço de urgências local encerrou. Uma situação que, explicam os bombeiros, tem a ver com o aumento do serviço de transporte de doentes para Monção. Por Paredes de Coura não se conhecem números, mas quase que aposto que as viagens Coura/Ponte de Lima também cresceram. E, já agora, os custos de quem tem de as suportar.

Um SAP por uma SIV

O assunto do encerramento das urgências dominou a última Assembleia Municipal, com o PSD a ver aprovada quase por unanimidade uma proposta no sentido de exigir do Ministério da Saúde a suspensão do encerramento até que estejam cumpridos os pressupostos assumidos no protocolo assinado com a Câmara de Paredes de Coura. Mas, além da moção de protesto, outra coisa saiu da reunião de sexta-feira passada: a consciência de que uma SIV é melhor do que nada, mas que não substitui o SAP que tínhamos até então.
Décio Guerreiro lançou o mote, criticando a atitude do Governo por encerrar o SAP num fim de semana e sem aviso prévio, mas sobretudo por não cumprir o estabelecido no protocolo firmado com a Câmara. “Foi feito um acordo para o concelho e não foi cumprido. Todos devemos exigir que seja cumprido”, razão pela qual o PSD concelhio defende que o SAP seja reaberto até que isso suceda. E, no final da discussão, foi esse o conteúdo da proposta que foi aprovada quase por unanimidade (apenas uma abstenção do PS), muito embora ao longo de quase uma hora de discussão não tenha sido esse o cenário, com Pereira Júnior a explicar todo o processo que levou ao encerramento do SAP, bem como as dificuldades sentidas pela tutela para cumprir o acordado, nomeadamente a questão do médico à chamada, e a recente renegociação que promete trazer para o concelho uma ambulância SIV, se bem que ainda com muita coisa por definir, nomeadamente o período em que aquele equipamento vai estar operacional.
Aliás, Pereira Júnior afirmou, no decorrer da reunião, que nem sequer sabia quando é que a ambulância prometida pelo secretário de Estado da Saúde iria começar a servir os courenses, uma vez que, aparentemente, já haverá veículo disponível mas não foi ainda contratada a equipa (ou equipas) que vão prestar serviço naquele equipamento. “Se não entrar em funcionamento em prazo razoável, então tomaremos outras medidas”, explicou o autarca courense. O certo é que, a Assembleia parece não ter confiado muito nesta última promessa do Ministério da Saúde e optou por exigir que, enquanto não estivesse cumprido o prometido em 2008, o SAP de Paredes de Coura volte a estar aberto durante a noite. Desconhece-se, contudo, se a tutela vai dar seguimento a essa exigência.
A Assembleia Municipal serviu também para clarificar que a SIV não constitui uma alternativa viável ao funcionamento do SAP durante a noite, tendo em conta que vai tratar apenas casos de maior gravidade e todos os outros terão de seguir para Ponte de Lima. E, mesmo em relação aos mais urgentes, “veremos o que acontece quando a SIV for para Viana e alguém precisar dela cá”, alertou Décio Guerreiro que não perdeu a oportunidade de recordar que, aquando da passagem do anterior Ministro da Saúde por Paredes de Coura, este afirmou publicamente que o SAP de Paredes de Coura não encerraria enquanto não existisse um acesso rápido à A3. O acesso não existe, efectivamente, mas o ministro já não é o mesmo e o SAP… já fechou.

06 maio 2010

Somos contra, claro! Mas amanhã já não…

Alguém se lembra do que aconteceu em Viana do Castelo no dia 25 de Janeiro de 2009? Uma rápida pesquisa pela internet relembra-nos que foi nessa data que a população de Viana do Castelo, chamada a decidir sobre a integração do seu município na comunidade intermunicipal do Minho-Lima, optou por manter-se fora desta organização associativa. Mas, à luz dos acontecimentos actuais, ninguém diria que tal aconteceu. Aliás, duvidar-se-ia mesmo da realização do referido referendo. É que, depois do Não popular em 2009, um ano volvido o município de Viana do Castelo dá o dito por não dito e prepara-se para assinar hoje a sua adesão à criticada CIM.

É claro que este volte-face era algo que já se previa. A vontade de ficar de fora da nova associação de municípios, que reuniu logo desde o início os outros nove concelhos do distrito, era um capricho pessoal do presidente da Câmara de Viana do Castelo à data dos acontecimentos. Mas, com a saída airosa de Defensor Moura para o Parlamento, logo logo o seu sucessor, antigo número dois, mostrou que estava disposto a seguir na direcção contrária e associar-se aos seus colegas de distrito. E pronto, depois de alguma negociação, mas sem abrir mão do princípio desde sempre defendido pelos fundadores da CIM de “um concelho, um voto”, eis que se esquece o que Defensor Moura tanto defendeu.

Desiluda-se quem pense que na origem deste recuar de intenções estão questões mais filosóficas, porque o que está no cerne da questão é só uma coisa: dinheiro. Mais concretamente, os milhões que o QREN reservava para a capital alto-minhota mas a que esta só poderia aceder fazendo parte da CIM Minho-Lima. Para trás ficam outros números, nomeadamente os cerca de 100 mil euros que custou a campanha do referendo local, coisa que, pelos vistos, tem um prazo de validade muito pequeno. Muito longe dos quatro anos de mandato que Defensor Moura conseguiu em Lisboa, na Assembleia da República, graças a uma birra que agora vê ser ignorada.

27 abril 2010

Um espólio a aguardar fundos comunitários

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No seguimento do último post, sobre a falta de sinalização da passagem de Aquilino Ribeiro por Terras de Coura, houve quem me lembrasse prontamente que o autor de “A Casa Grande Romarigães” não é o único a ser relegado para segundo ou terceiro plano. E lá veio à baila o nome de Mário Cláudio e o suposto esquecimento da ideia de alojar em Paredes de Coura o espólio deste escritor portuense, que tem o nosso concelho no coração.

E digo “suposto esquecimento” porque, contrariamente ao que se possa pensar, o assunto não está esquecido.  É certo que o anúncio da doação a Paredes de Coura de todo o acervo documental deste escritor, já foi feito há quase quatro anos e que, daí para cá, nada se viu de concreto. Mas, também ninguém pode exigir que a autarquia courense, especialmente nestes tempos de crise e a braços com uma situação financeira não tão desafogada como desejaria, tenha fundos suficientes para suportar a transformação da antiga escola primária de Venade, Ferreira, no abrigo protegido e dedicado da oferta feita por Mário Cláudio. É que, e a Câmara de Paredes de Coura já o explicou publicamente,os trabalhos a realizar vão ser alvo de candidatura a fundos comunitários e, pelo menos por enquanto, ainda não se abriu qualquer porta que possa permitir a entrada desta ideia no leque de projectos a desenvolver.

O único que poderia ter alguma razão de queixa seria, eventualmente, o próprio escritor. Mas Mário Cláudio tem sido colocado a par de todas estas peripécias que envolvem a sua oferta. Além disso, apesar de os trabalhos “mais visíveis” não estarem a decorrer, tendo a antiga escola sido apenas esvaziada do seu conteúdo, o certo é que os trabalhos em torno do espólio documental do escritor estão já a decorrer, com o seu tratamento arquivístico. Um trabalho quase invisível que, contudo, envolve muitas horas de dedicação e que não pode esperar pela transformação do espaço físico que o vai acolher para ser feito.

23 abril 2010

Por onde anda Aquilino

casa grande romarigães 3

Na última edição do Notícias de Coura, José Luís Freitas, correspondente do jornal em Romarigães, dava conta da situação de quase esquecimento a que a freguesia e o concelho votaram o nome do escritor de “A Casa Grande de Romarigães”. Hoje, Dia Mundial do Livro, relembro essa crítica, a que me associo.

Mais de cinquenta anos após a publicação do romance, a “Casa Grande de Romarigães” continua por cá, por Paredes de Coura. Se divulgação e sem qualquer sinalização, com bem repara José Luís Freitas, mas também sem qualquer ideia para manter vivo aquele espaço que foi (será que continua a ser?), um marco na literatura. Há cerca de três anos, num espaço informativo da RTP, ouvi algumas propostas para transformar a zona envolvente num jardim, à imagem do que terá sonhado Aquilino Ribeiro. Algum tempo depois, por ocasião da comemoração dos 50 anos da publicação, o próprio presidente da Câmara de Paredes de Coura adiantou que gostaria de ver aquele espaço transformado num museu, assim houvesse fundos para tal. Mas, como em tudo, os fundos não existem, e por isso à Casa do Amparo, que depois de ter inspirado um dos vultos da literatura portuguesa, sobrevive hoje a custo, num misto de espaço privado e de local de visita a que só acedem alguns mais curiosos.

Situação diferente da que se vive em Moimenta da Beira, nas Terras do Demo, onde a antiga casa do escritor é hoje uma casa museu, sede da Fundação Aquilino Ribeiro e que a autarquia local quer agora transformar num local mais dinâmico, aberto à comunidade e aos investigadores, que ali encontram um pouco da história de Aquilino Ribeiro. Realidades diferentes sobre um mesmo epicentro, é certo, e nos tempos que correm já se sabe que a cultura é sempre o filho que fica esquecido pelas autoridades governativas. Mas, em Paredes de Coura, um primeiro passo poderia ser dado pela própria autarquia, seja a câmara ou a própria Junta de Freguesia de Romarigães: porque não dar ouvidos a José Luís Freitas e dotar a freguesia, pelo menos na principal via que a atravessa, de sinalização que indique aquele que devia ser um dos seus maiores motivos de orgulho?

16 abril 2010

Hotel vs pocilga

sanatório 2

Depois de abandonado, depois de esquecido pela tutela, mesmo sabendo que há interessados na sua compra e recuperação, o antigo hospital de Mozelos sofre agora novo revés. Pessoalmente, nem queria acreditar quando vi a notícia na última edição do Notícias de Coura, que dava conta da transformação, ainda que temporária, do antigo sanatório numa… pocilga!!!

Pelo que se pode ler no artigo em questão, a colocação dos animais naquela espaço surgiu como contrapartida pela limpeza da zona envolvente. Ora, o que não se compreende, por um lado, é se se está a limpar por um lado, porque se há-de sujar, com os detritos dos animais, por outro lado. Acresce que, a meu ver, a ocupação daquele imóvel pelos animais vai deteriorar ainda mais o antigo hospital. Mas, mais importante, o que não se compreende é porque é que este processo não ata nem desata, pois da maneira que as coisas se arrastam não seria de admirar que, qualquer dia, o grupo empresarial que estava interessado em recuperar aquele imóvel e ali construir um hotel e campo de golfe, simplesmente perca o interesse.

Enquanto isso, aqui ao lado multiplicam-se os projectos do mesmo género. Inclusivamente projectos hoteleiros promovidos pelo município, como é o caso do novo hotel que a Câmara de Ponte de Lima quer abrir em Arcozelo. Deste modo aproveita-se uma casa antiga comprada recentemente e requalifica-se toda a zona envolvente. E, curiosamente, não houve necessidade de transformar o espaço numa pocilga. 

15 abril 2010

Outsider

 

“Confrontado com este protesto, António Pereira Júnior adiantou à Rádio Vale do Minho que não vai estar presente, porque esta vigília não está a ser organizada por uma courense, "ninguém a conhece como se fosse de cá e portanto fica-se na expectativa que é uma outsider que vem aqui fazer uma manifestação” 

Contextualização. Estupefacção. Indignação. Telhados de vidro. Reconhecimento.

Primeiro a contextualização. Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura, comentava, aos microfones de uma rádio local, a vigília que vai ser levada a efeito no próximo sábado, como forma de protesto pelo encerramento do SAP no período nocturno. Uma vigília que, como já aqui abordei, foi convocada por Sandra Barros, cidadã portuguesa, que paga impostos e não aceita o encerramento do serviço nocturno do SAP de Paredes de Coura, como a própria assina o panfleto que distribuiu, por email e também por mão própria. Inclusivamente foi das mãos da própria subscritora que o  autarca courense recebeu o panfleto que convida à participação na vigília de sábado.

Estupefacção. Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura, até podia fazer este comentário no recato de uma qualquer conversa privada, mas…  num órgão de comunicação social! Não sou advogado de defesa de ninguém e tenho a certeza que a Sandra Barros é capaz de, por si própria, responder ao autarca courense e explicar-lhe os motivos do seu protesto, mas as palavras do presidente da Câmara causaram-me alguma surpresa. Pela forma e pelo conteúdo.

Indignação. Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura, até nem tem a culpa, mas infelizmente este tipo de discurso já não é novidade  para mim, vindo de outros lados.  A ideia de que só quem é courense, ou pelo menos conhecido em Coura, é que tem algo válido a dizer.  É que, tinha-me esquecido, eu também não sou natural de Paredes de Coura, apesar de, por aqui residir há mais de dez anos e de, pasme-se, me considerar courense. Não sei se é por ter decidido aqui criar a minha família, ou se por ter optado por aqui residir e aqui pagar os meus impostos, alguns dos quais para a própria Câmara de Paredes de Coura. Ou se é simplesmente por ter abraçado Paredes de Coura como “a minha terra” e querer para este concelho tudo o que ele tem direito, participando no que ele tem para me oferecer e oferecendo-lhe o que tenho para partilhar.

Telhados de vidro. Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura, não se pode esquecer também, que  não se deve atirar pedras quando se tem telhados de vidro. É que os seus dois colegas de partido na vereação da autarquia também não são courenses “de gema” e inclusivamente a sua escolha foi alvo de críticas por isso mesmo na última campanha eleitoral. Digo hoje, como já disse em Outubro a quem criticou publicamente a sua escolha, que a origem não importa, o que conta é a vivência, e tanto faz ser de 20 anos como de 20 meses. É o sentimento de viver numa terra que queremos como nossa, mesmo que não tenha sido aquela que nos viu nascer. E basta olhar à nossa volta para ver, em sectores tão distintos como a saúde, a educação, o comércio, a indústria e, inevitavelmente, a política, muitos courenses “importados” que adoptaram este concelho como seu.

Reconhecimento. Estou certo, contudo, que as palavras de Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura surgiram no calor do momento, mais preocupado que a vigília de amanhã prejudique as negociações concluídas em 2008 do que outra coisa qualquer. Mais tarde, mesmo que reconheça as pessoas, esperemos que não tenha de reconhecer que, se calhar, a boa fé que o caracteriza não tem reciprocidade por parte do Ministério da Saúde. A ver vamos.

Saúde e regionalização

Poderia a regionalização ser a resposta para uma melhor rede de cuidados de saúde? Há quem entenda que sim. Para ler e explorar  a opinião de L. Seixas, no blogue Regionalização.

13 abril 2010

Uma vela pelas urgências

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Desde que escolhi Paredes de Coura para morar, já lá vão mais de dez anos, que soube logo à partida que, apesar de ir usufruir, de uma forma geral, de uma melhor qualidade de vida, havia algumas áreas onde a reduzida oferta local  continuaria a colocar a vida na cidade num patamar superior. A saúde estaria, infelizmente, à cabeça dessa lista de coisas, de actividades, de sectores que encontravam em Paredes de Coura uma oferta deficitária.

Ainda assim, o reduzido serviço prestado pelo Centro de Saúde e pelo serviço de atendimento permanente conseguiu resolver ou pelo menos encaminhar grande parte das solicitações que ali fiz chegar. É claro que, como aliás já aqui relatei algumas vezes, nem sempre as coisas correram da melhor forma, se bem que, e convém realçar isso, quase sempre por deficiente atendimento. O SAP de Paredes de Coura, contudo, não deixou de estar presente quando dele necessitei e, convenhamos, com duas crianças menores a meu cargo, não foram raras as vezes em que me desloquei durante a noite e madrugada para ali procurar assistência médica.

É claro que um SAP em Paredes de Coura não oferece os mesmos meios técnicos e humanos que um serviço de urgência básica ou a urgência de um hospital distrital. Nem seria exigível que o fizesse porque, simplesmente, é um serviço de atendimento permanente e não um serviço de urgência. E é nessa qualidade de serviço de atendimento permanente que deveria continuar, a prestar apoio médico a quem dele necessite fora de horas, não precisando de se deslocar a Ponte de Lima ou Viana do Castelo para tratar de problemas que, mesmo não sendo considerados urgentes pelos responsáveis máximos da saúde em Portugal, são mais que urgentes para quem com eles tem de lidar em momentos de aflição.

E não me venham dizer que é a ambulância SIV de Valença ou Ponte de Lima ou o posto de emergência médica que está estacionado nos Bombeiros de Paredes de Coura que vai substituir este atendimento médico. Em situações urgentes, de carácter mais grave, concordo que o transporte imediato para outra unidade de saúde é o mais aconselhável (desde que devidamente acompanhado, o que nem sempre acontece…), mas alguém acha que vai ser o 112 ou a linha saúde 24 (que já experimentei e que funciona bem até certo ponto) a resolverem exclusivamente as outras situações de menor gravidade?

Por tudo isto é com agrado que me associo à vigília agendada para o próximo sábado, pelas 20.30 horas, defronte do Centro de Saúde de Paredes de Coura, para manifestar o meu desagrado face ao encerramento nocturno do serviço de atendimento permanente. Uma iniciativa de alguém que conheço pessoalmente e em quem reconheço o descontentamento face a uma situação que, no caso concreto de Paredes de Coura, só vem lembrar que estamos cada vez mais longe de tudo. Se também não concorda com o encerramento do SAP durante a noite, associe-se e apareça no próximo sábado.

09 abril 2010

SC Courense: nova direcção com um olho no campo e outro nas contas

Eleita recentemente, a nova direcção do Sporting Clube Courense assume a consolidação financeira e o controle de custos como uma das principais prioridades do clube para este mandato. Mas os resultados desportivos também não foram esquecidos, bem como a continuidade da aposta na formação e um alargamento do campo de actuação do Sporting Clube Courense. Ideias para conferir numa entrevista concedida ao Mais pelo Minho por António Gonçalves, novo presidente do clube.

MPM – Quais são os principais projectos para este mandato como presidente?
AG - O projecto básico deste mandato será a consolidação financeira e controlo de custos. No fundo tentar assegurar o futuro imediato e a médio/longo prazo do clube, cientes nós dos riscos em termos de opinião pública que corremos, pois estamos a falar de futebol e o futebol para muitas pessoas são resultados. Mas não duvidem que vamos, dentro das nossas possibilidades e com os pés bem assentes no chão, tentar que os resultados sejam de acordo com o historial do clube e que dignifiquem o concelho como maior instituição desportiva do mesmo, tentando olhar e aproveitar na medida dos possíveis a muita qualidade que nos rodeia e que já temos nos nossos quadros. Face ao crescente número de atletas, na medida dos possíveis, e com muito trabalho e se possível com o apoio da sociedade courense, temos de tentar que as nossas instalações sejam dignas de os acolher, tentando construir os tão desejados balneários, casas de banho, bar mais acolhedor… No fundo tentar aliar ao magnífico relvado uma envolvência mais agradável e funcional. Não podemos deixar de lado o “problema” que é a sede. Os sócios a devido tempo serão chamados a pronunciar-se sobre o assunto. Mas o que realmente fica como grande alavanca de motivação será a tentativa de aproximação do clube aos courenses, quer de Coura, quer de qualquer parte do mundo, tentado que o clube tenha um número de associados de acordo com os seu pergaminhos.
MPM - Vai continuar a aposta na formação, seja para alimentar o escalão principal seja para funcionar como catapulta para os jogadores courenses alcançarem outros clubes?
AG - A aposta na formação é o caminho a seguir, quer seja no Courense ou noutro clube qualquer, temos que ter a noção da realidade e entender que não se pode continuar a gastar o que se gasta e tentar investir esse dinheiro ao longo da formação dos atletas, tentando depois como é natural tirar proveito desse investimento. Mas esse é um caminho que se vai impondo com o tempo, não podendo ainda a curto prazo tirar o devido fruto em termos de equipa sénior, mas para lá se caminha. Não querendo levantar muito a ponta do véu em termos de futebol de sete, ou seja dos mais pequenos, temos em mente a introdução de um projecto inovador para o concelho.
MPM - Há alguma possibilidade de fusão entre equipas do Courense e do Castanheira para evitar repetições de equipas no mesmo escalão, como acontece actualmente com os juniores?
AG - Sim existe essa possibilidade e é de todo desejável, estamos a falar de pessoas sérias e adultas das duas partes, o que de certo levará a que se chegue a um entendimento.
MPM - Como está o clube no que respeita a saúde financeira? A Câmara tem cumprido o acordado? Os patrocínios actuais são suficientes para programar um clube com futuro?
AG - Como todos os clubes não está bem. A Câmara cumpre com o estabelecido, mas um clube não pode estar dependente apenas das entidades oficiais, tem que procurar apoios privados e sobretudo procurar “fazer” dinheiro usando a astúcia e a criatividade, e é precisamente aí que no próximo Verão se verá o Courense em novas actividades. Mas a maior dificuldade neste momento do clube prende-se com o transporte para jogos dos atletas, sobretudo dos mais novos, problema esse que vai ser posto na medida dos possíveis à consideração das entidades responsáveis.
MPM - A nível desportivo, quais as ambições para o Courense nas próximas épocas?
AG - Como já dei a entender na primeira questão vamos tentar alcançar o melhor possível, e isso em futebol pode ser muito. Não escondo que gostava que o clube neste mandato conquistasse títulos, quer em formação, quer na conquista de uma taça distrital em seniores. Mas vamos lutando no dia a dia.
MPM - Fala-se na possibilidade de alargar o leque de modalidades oferecidas pelo Courense. Alguma em especial?
AG - Sim temos esse sonho e a prioridade será o futsal, tentando aproveitar a possibilidade de utilização de atletas do futebol de 11, podendo ser utilizados atletas dos planteis sénior e júnior. Mas o clube sozinho não consegue suportar esse investimento, vamos tentar que surja um sponsor, e já houve alguns contactos, que patrocine a equipa e tentar ainda este ano ou mais tardar no próximo arrancar com o projecto. Temos ainda a intenção de arrancar com um clube de escuteiros, coisa que ainda não existe no concelho.
MPM - A direcção agora eleita apresenta algumas novidades. Como surgiram estes nomes? Como vão ficar distribuídos a nível de responsabilidades?
AG - Podemos dizer que apresenta muitas novidades, os nomes foram surgindo fruto em parte da grande coesão no departamento de formação, pois a grande maioria deles são pais ou mães de atletas e ainda se está a recuperar antigas glórias do clube, pessoas que deram muito ao clube, mas que ainda tem muito mais para dar. Em temos de responsabilidade o Luis Rocha (Nizo) ficará com o pelouro do futebol sénior, ficando a formação sob a supervisão do Mário Braga (Marocas), sendo que as questões financeiras ficam a cargo da Celina Sousa, cabendo a secretaria ao Paulo Fernandes, tudo isto, claro está, salvaguardado pelo trabalho de todos os vogais, não podendo nem sendo desejável referir que este vai ter aquele ou outro serviço, mas sim criar uma equipa de trabalho onde sejam um por todos e todos por um.

Fotos retiradas do blogue do SC Courense

01 abril 2010