Centro Cultural de Paredes de Coura cheio, vários “vips” na primeira fila, duas ou três intervenções que aqueceram a sala. Estava criado o ambiente para Décio Guerreiro subir ao palco e dar o primeiro grande passo da sua quarta candidatura a presidente do município courense. “Desta vez vamos ganhar”, garantiu o candidato social-democrata praticamente a encerrar a sua intervenção, curta, simples, a repetir as ideias que já tinha deixado, semanas antes, na entrevista à Rádio Vale do Minho. As mesmas ideias que norteiam o seu programa eleitoral onde o desenvolvimento agrícola, o turismo e as acessibilidades dominam.
“Desta vez vamos ganhar!" Nesta frase é o “desta” que faz a diferença. Décio Guerreiro sabe que não é um novato nestas lides eleitorais e, depois de três tentativas falhadas (1997, 2001 e 2005), após um afastamento para a assembleia municipal em 2009, o acto eleitoral do próximo dia 29 de Setembro assume-se como diferente face a todos os outros, mercê da saída de António Pereira Júnior, para quem sempre perdeu a corrida eleitoral. Curiosamente, o próprio António Pereira Júnior fez questão de responder ao convite do candidato social-democrata e marcou, também, presença simbólica e fugaz na apresentação da candidatura do seu outrora rival. Saiu cedo, o actual autarca courense, e já não ouviu Décio Guerreiro explicar que resolveu concorrer novamente à presidência a pedido “do povo de Coura” e que está convicto que, com ele, leva os melhores.
Uma equipa onde, explicou, nos três primeiros da lista para a câmara e nos oito primeiros da lista para a assembleia municipal, estão representadas 11 profissões e nove freguesias. E que, com ele, compartilham um programa eleitoral onde se destaca a intenção de criar uma marca “Paredes de Coura”, que possibilite a identificação do que é produzido no concelho, nomeadamente a nível da agricultura e pecuária. Sectores, onde, aliás, não hesita em dar o exemplo do projecto que Amândio Pinto (um dos mais aplaudidos na noite de apresentação a par de Fernando Fernandes) tem levado a efeito em Linhares nos últimos quatro anos.
No seu discurso, Décio Guerreiro lembrou ainda outros, alguns, pontos que marcam o seu programa eleitoral. Falou do turismo, da criação de uma central de reservas para dinamizar o turismo rural, da necessidade premente de recuperar o edifício do antigo sanatório, que no estado em que se encontra diz ser “uma vergonha para o concelho”, referindo também o desenvolvimento industrial onde salientou a importância de ligar as zonas industriais à auto-estrada. ”Andam a enganar o povo de Coura há 30 anos”, criticou o candidato, referindo-se às sucessivas promessas autárquicas e governamentais em torno desta ligação, explicando que não quer ligar a auto-estrada à vila, mas sim às zonas industriais, mas ao mesmo tempo salientando a importância da ligação de Castanheira ao nó de Arcozelo, solução que há muito tem defendido.
Também a Casa do Outeiro, em Agualonga, mereceu uma palavra na noite de apresentação de candidatos. Com ele na Câmara, explica, “no final do mandato a Casa do Outeiro está recuperada”. Mais, está recuperada e alojará uma série de estruturas ligadas aos produtos tradicionais e ao turismo, aproveitando o potencial do vizinho caminho de Santiago e dos 10 mil peregrinos que diz lá passarem todos os anos. E no final uma última promessa: a de que, se for eleito, no dia a seguir à tomada de posse, vai voltar a ligar a iluminação pública do concelho durante toda a noite. Curiosamente, foi esta a proposta que conquistou a audiência.

