30 setembro 2013

Autárquicas – O dia seguinte

noite eleitoral 1

Vinte e quatro horas passaram desde que a população de Paredes de Coura resolveu confiar a Vítor Paulo Pereira os destinos do concelho durante os próximos quatro anos. O rapaz dos “Boucabaca”, como o mostrou um jornal nacional numa reportagem de Verão, que uma geração conheceu como um dos organizadores do Festival de Paredes de Coura, e que nos últimos anos encontrou na política, na política em nome de Paredes de Coura, refira-se, uma outra paixão, soube conquistar um eleitorado que há vários mandatos confiava a presidência da autarquia a uma mesma pessoa. A mesma pessoa que sai, agora, ciente de ter encontrado substituto à altura naquele que foi, nos últimos quatro anos, seu chefe de gabinete.

Vítor Paulo Pereira é, face aos resultados de ontem à noite, o grande vencedor das eleições autárquicas. É certo que não conseguiu superar os valores do seu antecessor em 2009, mas ainda assim conseguiu mais votos que Pereira Júnior em 2005 e 2001. E, obviamente, conseguiu mais votos que o seu adversário directo, Décio Guerreiro, repetente de quatro eleições autárquicas.

Décio Guerreiro é, aliás, o principal derrotado de ontem. Se o PSD, a nível das freguesias até subiu, Décio Guerreiro, na sua quarta tentativa de chegar à presidência da autarquia courense, logrou conseguir ainda menos votos que o seu colega de partido, José Augusto Sousa, em 2009, ano em que fez uma retirada estratégica e optou por concorrer apenas à assembleia municipal. Mas Décio Guerreiro também obteve menos votos que em 2001 e 2005, ano em que ficou a “meros” 625 votos de Pereira Júnior. Se Décio Guerreiro julgava que, com a saída de Pereira Júnior, o caminho estaria facilitado, ontem à noite viu os eleitores trocarem-lhe as voltas. Resta saber se vai, agora, assumir mais uma vez o seu lugar de vereador, ou se se retira de cena, deixando a oposição entregue a Helena Ramos e Janine Soares.

No lote de derrotados das eleições de ontem surgem também outros nomes, desta feita socialistas. Joaquim Felgueiras Lopes e Etelvina Montenegro, que só puderam participar na corrida por concorrem a freguesias alvo de reorganização administrativa, e depois duma passagem pelos tribunais para esclarecer a situação, foram dois dos grandes derrotados da noite. O primeiro perdeu Resende e Paredes de Coura para um estreante nas lides políticas, Fernando Fernandes, outro dos vencedores da noite, que o PSD foi buscar a Resende para liderar a união de freguesias. A pequena margem com que Joaquim Felgueiras Lopes venceu na sua freguesia de origem não foi suficiente para compensar a pesada derrota que trouxe de Resende e o saldo final traduziu-se na passagem destas freguesias, ambas PS, para o PSD.

Também Etelvina Montenegro viu os eleitores da união de freguesias de Cossourado e Linhares negarem-lhe um quarto mandato. Aqui, o obreiro da mudança foi Amândio Pinto, outro vencedor, homem que há quatro anos roubou Linhares aos socialistas e ali implementou um ambicioso projecto de desenvolvimento rural que granjeou cópias e apoios um pouco por todo o lado. O homem que era apontado como exemplo a seguir por Décio Guerreiro, mostrou que o seu projecto é capaz de conquistar os mais cépticos, incluindo grande parte do eleitorado socialista de Cossourado, a que Linhares se juntaria por imposição legislativa. Mais abaixo no mapa territorial do concelho, destaque também para a vitória de António José Alves, que conquistou para o Partido Socialista um bastião social-democrata de longa data, Romarigães. Ali ao lado, troca em sentido contrário, com o social-democrata David Saraiva a roubar Rubiães aos socialistas.

A fechar o lote de vencedores, João Paulo Alves, actual e futuro líder da bancada da CDU na Assembleia Municipal de Paredes de Coura, que retirando votos a PS e PSD, conseguiu aumentar a votação da coligação para aquele órgão autárquico. Ficou-se, contudo, pelos votos, já que a representação da CDU vai continuar limitada a dois elementos, mas o salto dado é merecedor de destaque. Em contraste, aliás, com os resultados da CDU para a Câmara, onde Celina Sousa logrou conseguir apenas mais 11 votos que os candidatos da coligação às três juntas de freguesia a que concorriam.

resultados finais pcoura

29 setembro 2013

Vitor Paulo Pereira novo presidente

Rubiães - PSD

Linhares e Cossourado - PSD

Bico e Cristelo - PS

Vila e Resende - PSD

Formariz e Ferreira - PS

Parada - PSD

Cunha - PS

Agualonga - PS

Insalde e Porreiras - PS

Coura - PSD

Mozelos - PS

Castanheira - PS

Vascões - PS

Padornelo - PS

Romarigães - PS

Infesta - PSD

27 setembro 2013

Reflexão

A esta hora, a menos de 48 horas de ser conhecido o desfecho das eleições autárquicas do próximo domingo, uma coisa é já certa: em Paredes de Coura vai haver mudança. Vai haver mudança na Câmara e vai haver mudança em várias juntas de freguesia. E não é preciso fazer grandes prognósticos para afirmar que essa mudança vai acontecer. Basta termos em conta as limitações da lei que impede os presidentes de câmara e de junta de freguesia de concorrerem a uma quarto mandato consecutivo.
Em Paredes de Coura, Pereira Júnior está, por isso mesmo, de saída! Quem se seguirá? É esperar para ver. Apesar de ter os meus palpites, não sou dotado do dom da adivinhação e, num meio tão pequeno como Paredes de Coura, nem sempre o que parece é, nem sempre o que se assume como certo é garantido.
Ao longo dos últimos meses, com especial enfoque nas últimas semanas, tivemos, todos, oportunidade de ficar a saber o que nos propõem as várias candidaturas. Tivemos acções de campanha pelas ruas, tivemos comícios, tivemos sessões de esclarecimento… Ficou por fazer, mais uma vez, o debate necessário entre as candidaturas à Câmara Municipal (e o que eu gostaria de ver dissecadas pelos adversários algumas ideias “iluminadas” que ouvi durante a campanha).
Ah, e claro, não tivemos também as sondagens que dominaram os jornais das últimas semanas em todo o país. Apesar disso, podemos dizer que tivemos as nossas “sondagens”. As sondagens das conversas de café, em que se discute o comício da noite anterior, questionando-se algumas das ideias ali apresentadas e se vão contando votos para um lado e para o outro em função das simpatias duns e do decote de outras. A mesma conversa depressa resvala para os “incidentes” da campanha, precisamente para aquilo que uma campanha nunca deveria ser. Do candidato que disse mal do outro, enquanto o outro optou por um discurso mais positivo e sem ataques. Dos relatos que chegam e que dão conta de algumas discussões mais acesas que até terão terminado em confronto físico. Das notícias, como a que foi conhecida hoje, que relatam actos criminosos que não podem, nunca, ser associados ao espírito democrático dum acto eleitoral.
Domingo será um novo dia para Paredes de Coura. É com essa certeza que pretendo usufruir do meu direito constitucional de voto. É com essa garantia, e serenidade, que aguardarei os resultados, na esperança de ver reconhecido nos números o empenho e a capacidade da equipa em quem irei depositar a minha confiança num concelho com futuro. Espero que todos os courenses, independentemente de quem apoiarem, saibam também respeitar as opções dos seus conterrâneos. Em nome dum futuro em comum.

Nota: Amanhã é dia de reflexão, domingo dia de eleições. Por isso mesmo, e dadas as recentes imposições da Comissão Nacional de Eleições, não serão permitidos quaisquer comentários aos posts do Mais pelo Minho até às 19 horas de domingo, altura em que encerram as urnas. Quem quiser comentar pode fazê-lo, na certeza de que só verá o seu comentário publicado (se respeitar os critérios definidos) a partir das 19 horas de domingo.

Vandalismo na campanha

PAREDES DE COURA
Candidato do PS a Padornelo denuncia vandalismo a sepultura de família e associa caso às autárquicas – notícia da Rádio Vale do Minho