Mostrar mensagens com a etiqueta cultura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta cultura. Mostrar todas as mensagens

19 março 2013

Reconhecimento

VALE DO MINHO -Comédias do Minho vão receber cerca de 760 mil euros durante quatro anos – notícia da Rádio Vale do Minho

Numa altura em que afirmaram já, e com sucesso, o seu modo de trabalhar, onde a comunidade é também, não raras vezes, parte activa, o apoio da Direcção Geral das Artes não é mais que o reconhecimento pelo dinamismo de um grupo que, mesmo longe dos tradicionais centros culturais, tem conseguido mostrar o seu valor. Uma boa notícia, ainda para mais sabendo que as Comédias do Minho foram a entidade que recebeu a melhor classificação relativamente à zona Norte. Dentro de meses outra boa notícia engrandecerá ainda mais esta companhia de teatro que tem trazido um outro colorido à região: a nova sede actualmente em construção, fruto da reconversão do antigo quartel dos bombeiros voluntários de Paredes de Coura.

Metamorfoses do rural

O que é o urbano e o rural nos dias de hoje? Esta a questão que dominou o último Café com Temas, onde Álvaro Domingues, geógrafo, docente da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, mas também fotógrafo e minhoto (entre uma diversidade de outros rótulos que lhe poderiam ser colados), conversou e provocou a assistência, numa intervenção onde as fotografias que ilustram o seu último livro (Vida no Campo, Dafne Editora), serviram de mote à discussão.

Falando duma mitificação do mundo rural, Álvaro Domingues foi explicando que o rural enquanto cultura está conotado com as chamadas culturais tradicionais, num oposto ao que se pode apelidar de cultura contemporânea, “que é um misto de extremos” e onde se assiste àquilo que apelidou de “deslocamento entre sociedade e território”. Uma situação em que o exemplo mais flagrante serão as relações que os emigrantes têm com o seu local de origem. “Os de Melgaço, hoje em dia, não são apenas os que ali residem”, exemplificou o professor universitário, aludindo à sua própria naturalidade.

Álvaro Domingues lembrou ainda que “o território não é mais que a forma de organização de uma sociedade”, pelo que, se muda a sociedade, mudará necessariamente o território. Ao mesmo tempo recordou a influência que factores como a oferta de emprego ou a facilidade de acesso têm na captação de população e na evolução do número de habitantes.

Numa sala cheia, como tem acontecido nas últimas edições do Café com Temas, Álvaro Domingues falou ainda da “cenarização do mundo rural”, em que se procede à estetização daquilo que já foi o mundo rural de outros tempos. “Acabou, deixou de funcionar, é fácil estétizá-lo”, explicou, culminando a sua intervenção com a identificação daquilo que apelidou de “paisagens transgénicas”, num cruzamento entre a geografia, a arquitectura e a biologia. “São paisagens que têm um ADN compósito”, onde convivem elementos antigos, modernos, rurais e urbanos.

08 março 2013

Esquecimentos (actualizado)

No artigo sobre blogues de Paredes de Coura que saiu na última edição do Notícias de Coura, Eduardo Daniel Cerqueira, autor do blogue Paredes de Coura – Território com Alma, explicava que a ideia de criar aquele espaço surgiu para colmatar “algumas falhas de informação ou simples esquecimentos”. Nem de propósito, bastou-me percorrer os últimos posts daquele blogue para encontrar um exemplo gritante de esquecimento… por parte das entidades municipais.

Falo do centenário da classificação da Igreja Românica de Rubiães como monumento nacional, que parece ter escapado à memória da autarquia. Trata-se, simplesmente, de um dos dois únicos exemplares do património courense que detém aquela classificação (o outro é conjunto formado pelo troço da via romana e dos 14 marcos miliários existentes também em Rubiães). A efeméride, contudo, passou completamente despercebida. Ou passaria, não fosse o Eduardo Daniel Cerqueira republicar uma informação veiculada inicialmente no Blogue do Minho, de Carlos Gomes, outro que tem feito um trabalho excepcional na divulgação do que se vai fazendo nesta região.

Actualização – Entretanto chegou-me às mãos a última edição de O Coura, onde, por coincidência, vem referido o centenário da classificação da Igreja Românica de Rubiães. No entanto, também O Coura parece ter-se esquecido… de indicar a origem da informação.

25 janeiro 2013

Mundo associativo em mudança

“Temos de reinventar o mundo associativo!” Quem o diz é Manuel Pizarro, antigo secretário de Estado-adjunto da Saúde e actual candidato socialista à Câmara Municipal do Porto, que esteve em Paredes de Coura como orador convidado na última edição do “Café com Temas”. Perante uma sala cheia, o antigo governante, com um percurso muito ligado também ao meio associativo, lembrou que “o mundo mudou, pelo que as associações também têm de mudar”.

Manuel Pizarro defende que, se as associações surgiram, muitas vezes, como resposta às necessidades da população, é preciso adaptá-las às necessidades do mundo de hoje. Ou seja, explica, “encontrar hoje nas associações as novas necessidades que façam sentido para a continuidade dessas associações”. Um processo que, na opinião do antigo secretário de Estado passa, também, pelos próprios dirigentes associativos, que “têm de pôr em causa o modelo que as faz sobreviver”.

Manuel Pizarro enalteceu ainda o papel desempenhado pelas associações na educação e na formação de valores dos seus membros. “São valores que educam as pessoas para a participação cívica, que promovem a cultura da aceitação do outro”, explicou o candidato à Câmara do Porto, que defende que “a iniciativa das pessoas deve ser aplaudida”.

Numa noite em que se falou igualmente da participação dos jovens na sociedade actual, Manuel Pizarro lembrou que a disponibilidade que os jovens têm hoje não é mesma que havia antes, face a uma maior exigência por parte do mundo do trabalho e do ensino. Ainda assim, recordou que as queixas sobre a fraca participação dos jovens não são de agora, recuam a finais do século XIX, e que há “uma mistificação do passado em relação à participação juvenil”. De qualquer das formas, acrescentou, “os que não participam são sempre mais do que os que participam”.

22 novembro 2011

Uma casa muito grande (2)

 quinta da casa grande - foto jofre alvesMais de três anos depois, a Quinta da Casa Grande, em Paredes de Coura, continua à procura de novo dono. O preço, ao que parece, baixou ligeiramente, mas ainda assim o milhão e meio de euros que pedem para a sua compra continua a ser impeditivo para a Câmara de Paredes de Coura que, recorde-se, declinou a oferta que os herdeiros fizeram em 2006, no sentido de ser o município a adquirir aquele imóvel.

E por falar em Casa Grande, aproveito para relembrar o requerimento que o Partido Comunista Português fez ao Governo, e à Câmara Municipal de Paredes de Coura, sobre a outra “Casa Grande” do concelho, a Casa Grande de Romarigães. Em Setembro, os comunistas lamentavam o estado a que se deixou chegar aquele imóvel, e reclamavam que algo fosse feito no sentido de contrariar essa situação. “Que explicações existem para a situação e estado da Casa Grande de Romarigães?”, questionavam na altura. A resposta, ainda é desconhecida. Ou talvez não…

03 maio 2011

Não, ainda não é para inaugurar a biblioteca (2)

exterior arquivo 1Quando escrevi este post, não me lembrei, erro meu, de que afinal não seria a nova biblioteca ainda por construir, o alvo mais certeiro de uma inauguração ministerial, tão ao gosto dos políticos lusos, especialmente agora em tempos de pré-campanha eleitoral.

Afinal, a deslocação de Gabriela Canavilhas, ministra da Cultura, a terras de Coura, bem que podia ser aproveitada para inaugurar… o arquivo municipal! É que, se bem se lembram, a inauguração oficial esteve aprazada para três datas distintas, à espera da disponibilidade do responsável pelo Ministério da Cultura, mas por três vezes foi desmarcada. Entrou em funcionamento em Maio de 2008, depois da Câmara de Paredes de Coura ter optado pela abertura ao público sem necessidade de corta-fitas. Foi o que fez melhor.

Três anos volvidos, contudo, e aproveitando a presença em Paredes de Coura da actual titular da pasta da Cultura, porque não levar Gabriela Canavilhas a visitar aquele equipamento?

17 fevereiro 2011

Nova biblioteca em 2012 (2)

iphone03022011 004E no entretanto, erguem-se e derrubam-se paredes no Largo Visconde de Mozelos…

Nova biblioteca em 2012

O concurso público para encontrar o construtor ainda decorre, só terminando na próxima semana, mas parece ser já uma certeza que a construção da nova biblioteca municipal de Paredes de Coura vai avançar dentro de pouco tempo. Um milhão e duzentos mil euros depois, deveremos ter o novo edifício pronto a entrar em funcionamento em 2012, pelo menos assim o augura o presidente da Câmara.

Uma obra que se justifica, tendo em conta a falta de condições da antiga biblioteca e que dará vida à antiga escola primária do concelho, de que hoje só restam as ruínas. Ao mesmo tempo homenageia-se a passagem de Aquilino Ribeiro por terras de Coura, dando à nova biblioteca o nome do escritor de “A Casa Grande de Romarigães”.

E por falar em Casa Grande de Romarigães, voltou a andar pela comunicação social a intenção da Câmara Municipal, e também do filho do escritor, de transformar o edifício que inspirou Aquilino Ribeiro num museu dedicado àquela figura das letras lusas. Uma ideia que, contudo, não sairá da gaveta tão cedo, devido a “problemas de financiamento”. Costuma dizer-se que mais vale tarde que nunca, mas o certo é que as atenções já se deveriam ter virado para a Casa do Amparo há muito tempo, para evitar que atingisse o estado de degradação, descuido e irresponsabilidade que a marca nos dias de hoje. Pessoalmente, não creio que a sua transformação em museu seja o primeiro passo a dar, até porque, nos tempos que correm, tal será de muito difícil concretização. Mas, mesmo sem ser museu, há muito que pode ser feito.