O Notícias de Coura de ontem conseguiu a proeza de juntar numa mesma edição o anunciado candidato do PSD à Câmara de Paredes de Coura, José Augusto Caldas, e o anunciado candidato a candidato independente, Venâncio Fernandes.
Este último escreve pelo próprio punho, dando conta da sua insatisfação face ao actual panorama político concelhio e apelando à renovação de todo o aparelho autárquico, que não só o presidente da Câmara. Pedido ousado, a que se junta uma confirmação, a de que não será mais candidato pelo PSD (pelo menos assim o afirmava o título do artigo). E ainda o anúncio, mais que conhecido nesta altura aqui por este blogue, de que, face a todo o cenário que traçou sobre a política autárquica de Paredes de Coura, está disponível para encabeçar uma lista independente, assim o permita a burocracia da legislação eleitoral. É caso para dizer que, se a vontade é assim tanta, está na hora de vir para a rua trabalhar, porque as assinaturas não caem do céu.
Meia dúzia de páginas adiante e eis que surge o candidato do PSD. José Augusto Caldas numa entrevista onde dá a conhecer os motivos, válidos, que o levaram a assumir este desafio e a certeza de que será vencedor em Outubro. O actual vereador lembra algumas das conquistas social-democratas na Câmara e explica que morar fora do concelho não será um obstáculo, nem na fase de campanha, nem depois das eleições.
Mas a entrevista de José Augusto Caldas deixou muito por revelar, o que, a seis meses das eleições se compreende parcialmente. Por um lado, ficamos sem saber quem acompanha o cabeça de lista na corrida à Câmara, situação que poderá condicionar o voto de muitos indecisos. Por outro lado, a entrevista de ontem não mostra sequer um projecto do candidato a presidente para o concelho. Quer-me parecer que o candidato do PSD não quer "entregar o ouro ao bandido" e revelar o seu programa antes de conhecida a oposição, que ainda não anunciou quem irá concorrer às próximas autárquicas. O que não o preocupa, já que está convencido que Pereira Júnior vai voltar às urnas para deixar o mandato a meio. A ver vamos.