16 abril 2007

Quando os problemas vão à escola

De que serve uma escola nova, considerada modelo até, se depois não está devidamente adequada às necessidades dos utilizadores? A escola básica integrada tem um projecto de arquitectura deveras interessante, que introduziu em Paredes de Coura um novo patamar no que respeita ao conforto e facilidade de utilização de edifícios públicos mas, como em tudo na vida, também tem os seus senãos. Alguns foram visíveis logo no início, outros tiveram de esperar um ano para dar sinal de si.
Veja-se, por exemplo, a disposição em quatro núcleos, um para cada ano de escolaridade que ali é ministrado, dando-lhes mais autonomia e independência. A ideia é muito boa, mas logo no segundo ano de actividade da escola mostrou que não era ideal, pois se as salas se mantêm, o número de alunos por cada ano de escolaridade vai sofrendo alterações. E assim, os alunos do primeiro ano, e agora os do segundo, foram obrigados a andar de sala em sala, conforme a disponibilidade de espaço. Nada de mais e que até servirá de preparação para o que vão encontrar a partir do 5º ano, mas vem colocar em causa uma das boas ideias do modelo da nova escola.
Outro problema detectado, mas esse visível logo no projecto, foi a falta de estacionamento. Ou melhor, a ausência total de estacionamento. É que, se o PDM obriga os particulares e deixarem "xis" lugares de estacionamento em função da área ocupada por um edifício, por exemplo, já em relação aos edifícios públicos a norma parece ter sido esquecida.
Deste modo temos uma escola que movimenta diariamente cerca de 350 alunos, muitos deles ali levados pelos pais, a que acrescem cerca de cinco dezenas de professores e funcionários, mas não temos um único lugar de estacionamento. Resultado: a entrada da escola, em hora de início ou de fim de aulas, é um autêntico caos que salta à vista de todos. Até os alunos já chamam a atenção para essa situação, como nos dá a conhecer o último número do Oficina de Ideias, o jornal do agrupamento de escolas, em que um aluno da EBI alerta para a necessidade de manter aquela zona livre para assegurar o acesso a ambulâncias e viaturas de transporte de pessoas com deficiência.
É claro que parte do problema está também nas pessoas, mães e pais, que utilizam aquela zona para estacionar o carro. E não falo apenas em largar ou apanhar os filhos, mas em deixar o carro estacionado e ir tratar de qualquer assunto dentro do edifício, mesmo sabendo que o carro vai ficar a atrapalhar.
Não esqueçamos, contudo, que o erro inicial foi de quem aprovou um projecto que não previu qualquer zona de estacionamento. Seria por causa do projectado parque de estacionamento pago ali bem perto? Seria por terem pensado que os poucos lugares das redondezas eram suficientes? Seria apenas e tão só por esquecimento ou facilitismo ou ainda por o estacionamento não se enquadrar no projecto de arquitectura? Ou não se lembraram de importar para a escola a ideia dos parques e aproveitar até o desnível do terreno onde esta foi implantada para ali criar também um piso subterrâneo para estacionamento?

11 abril 2007

Planear, planear...

Enquanto o acesso à A3 não chega, e enquanto todos esperamos que ele chegue o mais depressa possível, parece que a velhinha EN303 vai sofrer obras de beneficiação, precisamente entre Paredes de Coura e o nó de Sapardos. Ou seja a variante ainda demora, mas pelo menos vamos ter o único acesso à auto-estrada um bocadinho mais arranjado. Não que esteja em mau estado, que não está, mas se as obras trouxerem com elas algumas correcções ao traçado da EN, pode ser que a variante já não seja necessária.
Ironia à parte, o que importa é que a EN303 vai ser arranjada. E bem que precisa, especialmente no troço entre Mantelães e o Livramento, em Formariz, que as obras da rede de saneamento deixaram marcas que todos os dias dão trabalho aos amortecedores dos muitos automóveis que por ali passam.
Precisamente por causa do saneamento, é que é preciso planear muito bem o calendário dos trabalhos que vão ser feitos naquela via. É que, como é do conhecimento público, grande parte do concelho está ou vai estar a braços com as obras para a implementação da rede de saneamento e já se sabe que nestas coisas das obras públicas a planificação não costuma ser uma prioridade e normalmente só depois de colocado o novo piso é que EDP, PT, autarquias e outros que tais se lembram de esventrar a estrada para colocar mais um tubo. O referido troço da EN303, entre Mantelães e o Livramento é exemplo disso mesmo. Ou não se recordam que dias antes de ser aberta a vala para o saneamento, por lá tinha andado uma equipa a refazer as marcações no piso?
Desta vez, contudo, parece que as circunstâncias estão do lado dos automobilistas. É que, de acordo com informação da autarquia, o empreiteiro que vai fazer as obras naquela estrada é o mesmo que está a trabalhar actualmente na requalificação da mesma EN303, mas entre Paredes de Coura e Arcos de Valdevez. E já avisou que só começa a nova empreitada quando terminar a actual. Deste modo, pode ser que quando der início aos trabalhos já a obra do saneamento por lá tenha passado. É que, para estradas esburacadas, já bastam as municipais que temos de enfrentar todos os dias.

04 abril 2007

Para turista ler... e esquecer

No passado fim de semana viajei até Lisboa. Motivos pessoais ditaram uma deslocação à “capital”, uma viagem que nunca me seduziu mas que, de tempos a tempos, torna-se obrigatória, mais não fosse pela oferta global que a cidade oferece, nomeadamente a nível cultural e, no caso concreto, económico. Para a deslocação resolvi seguir o conselho do Vítor Paulo Pereira e, do Porto para baixo, optei pelo comboio, mais concretamente pelo serviço Alfa Pendular que em menos de três horas nos coloca na Gare do Oriente, com o Parque das Nações à porta.
Uma opção que recomendo, pois o stress de enfrentar uma auto-estrada cada vez mais sobrecarregada fica à porta do comboio. Lá dentro, num ambiente confortável (ainda que as poltronas pudessem ser mais ergonómicas) a viagem decorre sem sobressaltos e podemos aproveitar o percurso para colocar a leitura ou a conversa em dia, sem corrermos o risco de, numa qualquer distracção, estarmos em cima do carro da frente.
Dois reparos, contudo, à deslocação neste serviço da CP. O primeiro prende-se com a velocidade reduzida a que o comboio é obrigado a circular dadas as limitações da via, como também realçou o Vítor Paulo no seu artigo. Apenas em meia dúzia de pontos a composição ultrapassa a barreira dos 200 km/hora. O segundo, a meu ver pior porque é facilmente corrigível, tem a ver com a programação do serviço de televisão que é oferecido aos passageiros, numa parceria CP/RTP. Assistir a programas repetidos ainda vá, agora exibir alguns com mais de dois anos quando a programação do canal público tem tanto para oferecer é que já não é aceitável. Quem acordasse de um sono profundo e viajasse no Alfa do passado sábado ainda pensaria que o PSD era Governo e Mota Amaral o presidente da Assembleia da República.
Na viagem de regresso esqueci a televisão e dediquei-me à leitura. Comprei a Sábado e com ela trouxe um suplemento que nos dá 52 sugestões para passar um fim de semana. Abri e vi que também Paredes de Coura estava contemplado, com a indicação da Casa das Cerejas, em Bico, uma unidade de turismo rural do nosso concelho. Muito bem a representação courense, não fosse a peça pecar por um de dois motivos: ou quem a fez nem sequer cá pôs os pés ou então andou muito distraído na sua visita.
Desde a indicação de como chegar à Casa das Cerejas, que nos deixa perdidos algures em Resende, até às sugestões que são feitas para ocupar o tempo que por cá passem os turistas. Que dizer de um artigo que nos sugere a visita, em Vigo, da Catedral de Tui, ou nos recomenda um noite animada em Pontevedra, Vigo. Não seria antes em Vigo, Pontevedra? Enfim, para terminar, a sugestão, a não perder, de visitar o Corno de Bico “uma paisagem protegida onde pode observar enormes blocos de granito”. Como em qualquer pedreira, acrescento eu.

29 março 2007

Propostas que se perdem

De vez em quando, nas actas das reuniões da Câmara Municipal de Paredes de Coura, lá aparecem algumas propostas da oposição que merecem o apoio da maioria socialista. Seria de esperar, por isso, que fossem levadas a cabo, ao contrário de muitas outras que parecem condenadas à partida. Nos últimos tempos recordo três situações deste género: o serviço de consultas ao domicílio, com recurso a uma ambulância devidamente apetrechada e enriquecida com a presença de um médico e um enfermeiro; a implementação do programa Bibliocafé da Fundação Calouste Gulbenkian em alguns cafés do concelho; e ainda, esta mais recente, a classificação de interesse público do conjunto arquitectónico composto pela antiga fábrica de lacticínios e o palacete de Mantelães.
Sobre este último tema, contudo, não se pode ainda dizer que tenha tido o apoio do Executivo courense, pois o assunto chegou à última reunião mas a sua discussão foi adiada. Espera-se, no entanto, que PS e PSD unam esforços na defesa de um marco histórico do nosso concelho. Ficamos é à espera de ver o que dali vai sair…
Já em relação às “consultas ao domicílio”, como referido no post anterior, o assunto até foi tido em consideração pelo ministro da Saúde. Ainda nada foi feito mas o presidente da Câmara já manifestou a disponibilidade da autarquia para custear a ambulância, a sua manutenção e, eventualmente, o salário de um motorista. Continuamos à espera que Correia de Campos cumpra a sua palavra.
Colocada de parte parece estar a implementação do programa Bibliocafé, que João Cunha tão bem defendeu aquando da sua passagem pela vereação. Se não foi esquecida, está mais atrasada do que em alguns municípios vizinhos. Isto porque Arcos de Valdevez, Caminha e Ponte de Lima já têm um espaço do género, com livros e café à mistura, numa tentativa de levar a leitura até aos munícipes, já que estes parecem arredados dela. Mais uma vez foi a Valimar, comunidade quem reúne aqueles municípios e ainda Ponte da Barca, Viana do Castelo e Esposende, onde também vão funcionar estruturas semelhantes, que se antecipou e deu força à dinamização deste projecto. Nós ficamos à espera de ver os livros ali num qualquer café, da vila ou das freguesias, até porque nas freguesias começam a multiplicar-se os exemplos de que a cultura pode muito bem estar de braços dados com a diversão que habitualmente caracteriza aqueles espaços.

26 março 2007

Palavra de honra

No tempo do meu avô, muito mais que um contrato escrito, o que contava era a palavra. Palavra de honra. Hoje, a palavra de uma pessoa parece valer muito pouco. Ainda assim há quem continue a ver na palavra uma garantia, uma certeza. É o que se passa com Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura, que continua convicto da força da palavra de honra do ministro da Saúde.
Mesmo depois de ter sido divulgada uma lista que dá conta da intenção de encerrar o serviço de atendimento permanente do nosso concelho, o autarca de Paredes de Coura mostra-se confiante na palavra ministerial e diz que aceita a decisão, desde que se concretizem as promessas feitas por Correia de Campos quando visitou o município há cerca de um ano. Pessoalmente acho que faz muito bem, ainda para mais quando o próprio ministério já veio a público explicar que a lista agora divulgada pela TVI já tem 14 meses, ou seja é anterior à visita do ministro a terras de Coura e que por isso já foi alvo de discussão aquando dessa deslocação.
Na altura, recorde-se, Correia de Campos disse que o SAP não fechava as portas… por enquanto. E por enquanto porque a negociação com o município previa a criação em Paredes de Coura de uma unidade de saúde familiar, chegando mesmo a ser indicado o edifício do antigo centro de saúde para acolher esse equipamento. Além disso, ficou ainda prometida a criação de um serviço médico ambulatório, com uma viatura equipada, tripulada por um médico e um enfermeiro, a fazerem consultas ao domicílio. Para já, nenhuma das propostas avançou, mas também as urgências ainda não fecharam, por isso acho que é de bom tom dar ao ministro o benefício da dúvida.
Sobre este assunto convém, contudo, não esquecer dois pontos que me parecem importantes. Por um lado, a falta de acessibilidades de Paredes de Coura aos municípios circundantes, onde teremos de recorrer quando o SAP encerrar. Mas, por outro lado, o verificarmos que a média de atendimento nas nossas urgências é de apenas 1,5 pessoas por noite.
Será que justifica ter um médico a trabalhar (em teoria pelo menos, porque sabemos que nem sempre é assim) durante toda a noite para atender uma pessoa, ou mesmo nenhuma, e receber horas extra por isso, quando, no dia seguinte, por não fazer o horário normal de trabalho, vai deixar de atender 15 ou 20 pessoas? Penso que as pessoas estão acima de qualquer número, mas há números, como estes, que não se podem ignorar.
Assim sendo, que se encerre o SAP, mas que se criem alternativas. Que se melhore a rede viária, que se prolongue o horário do centro de saúde, de modo a funcionar durante um maior período de tempo, inclusivamente ao fim de semana. Eventualmente, que se equacione a colocação de uma VMER em Ponte de Lima ou Valença, contra a actual localização em Viana do Castelo, de modo a dar uma resposta mais rápida em caso de emergência. E convém não esquecer que também os bombeiros vão precisar de mais apoio, pois é a eles que vai recorrer quem precisar das urgências fora de horas. Porque não colocar um enfermeiro de serviço durante a noite e fim de semana para acompanhar os casos mais complicados no transporte até Ponte de Lima?

23 março 2007

A Junta e o cemitério

A notícia tem vindo a público em vários jornais, regionais ou nacionais: no próximo domingo a Junta de Freguesia de Resende deixa o cemitério e vai para a escola. Ora aqui está um cenário que não se vê todos os dias, já que o mais comum é que quem vá para o cemitério de lá não regresse.
Mas a Junta de Resende não está morta, assim garantem os seus responsáveis que, aproveitando o fecho da escola primária da freguesia, encetaram esforços no sentido de não deixar o edifício desocupado e trataram de lhe dar o inquilino que entenderam ser o mais adequado. Bem visto, por duas razões. Primeiro, dão à Junta um novo espaço, mais aberto à comunidade e com melhores condições para ali serem desenvolvidas uma série de actividades com e para os munícipes. Por outro lado dão à freguesia um espaço que há muito vinha sendo reclamado e que, num concelho tristemente marcado pelo avanço dos números da necrologia, há muito deveria ter sido instituído em todas as freguesias: a casa mortuária.
Nos tempos que correm, e mesmo nos que correram antes destes, não faz qualquer sentido velar os mortos em casa, por muito respeito que se lhes tenha. Não é de todo humano sujeitar os que cá ficam, sabe-se lá com que estado de espírito, a uma convivência forçada com aqueles que acabam de partir. Uma partilha de espaços que, não raras vezes, se prolonga por mais de um dia e que, além das consequências psicológicas, pode muito bem acarretar problemas de saúde pública.
É, por isso, com agrado, que vejo que cada vez mais freguesias estão a dar prioridade a este tipo de equipamento nos seus planos de actividades, quer aproveitando edifícios desocupados, quer construindo uma casa mortuária de raiz, criando um espaço onde familiares e amigos podem velar os seus falecidos, mas mantendo a integridade do lar onde residem e onde, no final da oração, se podem refugiar em sossego.
Não podemos, contudo, esquecer, que este tipo de equipamentos sociais não se faz sem dinheiro. Por isso não será de reprovar qualquer aumento de taxas de ocupação dos cemitérios por parte das juntas de freguesia. Sei de freguesias onde, por falta de dinheiro, mesmo a limpeza do cemitério já deixou de ser paga pela autarquia e é feita graciosamente por aqueles que ainda se preocupam em manter a dignidade de um espaço de reclusão e memória. Se o dinheiro não chega para a limpeza, como se constrói, então, uma casa mortuária? A resposta é fácil: com o envolvimento de todos, porque, mais cedo ou mais tarde, quer se queira ou não, todos vamos precisar dela.

19 março 2007

Mesmo à porta

Afinal a polémica do estacionamento em Paredes de Coura não tem nada a ver com a instalação de parcómetros no centro da vila, ou menos ainda com os parques subterrâneos. Afinal, digo eu, toda a questão se resume apenas a uma constatação: os automobilistas não conhecem os sinais.
Se assim não fosse, como explicar o cenário da fotografia, tirada ontem. Não era dia de semana e, por isso mesmo, não havia parcómetros a pedir a respectiva moedinha. Também não era sábado de feira e por isso havia muitos lugares de estacionamento nas ruas vizinhas. No entanto parece que o sinal de trânsito proibido colocado à entrada do Largo Visconde de Mozelos não é suficiente para impedir a entrada daqueles que, talvez por não quererem caminhar alguns metros, têm de estacionar a viatura mesmo à porta do café.
Ainda bem que em Paredes de Coura não existe nenhum restaurante do género “drive in”, caso contrário o proprietário ainda se arriscava a ver os clientes avançarem de carro pela cozinha dentro. Concluindo, a foto só demonstra que, com parcómetros ou sem eles, o problema é que queremos sempre levar o carro até à porta do estabelecimento comercial para onde nos dirigimos.

16 março 2007

O fim das taxas, o aumento das tarifas

No dia do Consumidor, o Partido Socialista quis dar um agrado de boca aos portugueses, talvez para fazer esquecer outros assuntos, e vá de apresentar uma proposta de lei no sentido de acabar com as taxas fixas dos serviços considerados públicos e essenciais. Seria o fim da assinatura do telefone e do aluguer dos contadores de água, luz e gás. Iuuuppi! Finalmente liberdade. Se gastar, pago. Se não gastar, não preciso de pagar.
É claro que a proposta ainda não foi aprovada. O meu entusiasmo será, por isso mesmo, prematuro e, porventura, infundado. Isto porque, mesmo sem estar aprovada, já houve quem viesse a público dizer que não seria bem assim.
Fernando Ruas, presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, não gostou de ver o Governo mexer nas receitas das autarquias e já avisou que, se as taxas de aluguer caírem haverá uma subida das tarifas cobradas pelos municípios. Mais uma? Depois dos aumentos que se têm visto de cada vez que uma câmara entrega a concessão das redes de água e saneamento a privados? Lembre-se, a título de exemplo, o caso de Paredes de Coura, que há três anos, por uma questão de uniformizar as tarifas dos vários municípios servidos pela Águas do Minho e Lima, aumentou a factura da água em mais de cem por cento.
Já agora, e por falar em água, tenho ouvido algumas pessoas a queixarem-se da má qualidade da água de Coura nos últimos tempos, nomeadamente no que respeita ao seu sabor “a lixívia”. As mesmas pessoas que dizem que antes das Águas do Minho e Lima a água era muito melhor, quase comparável à agua engarrafada. É certo que o sabor a desinfectante é sinónimo de tratamento, mas certamente haverá outros processos menos “saborosos” de dar qualidade à água da torneira.

Querem fechar o Alto Minho?

A pergunta que dá título a este post não é minha, descobri-a no blogue Parar para Pensar, de João Carlos Gonçalves. Tomei a liberdade de lhe “roubar” a interrogação porque, tal como ele, também eu vejo, dia após dia, toda uma série de decisões que, mais cedo ou mais tarde, vão resultar, em última instância, na perda de qualidade de vida para todos quantos vivem no Alto Minho, principalmente nos concelhos do interior como Paredes de Coura.
João Carlos Gonçalves, que já lançou um outro blogue exclusivamente sobre este assunto, dá-nos alguns exemplos da operação, mais ou menos concertada, que o Governo e as estruturas dele dependentes parecem ter em mente para esta região. Se bem que não concorde com a incidência que algumas delas possam ter nesta conjuntura, caso da concentração de escolas, outras há que se traduzem, logo à partida, na perda de direitos adquiridos pelas populações.
Falo, por exemplo, do encerramento anunciado de algumas repartições de Finanças no distrito de Viana do Castelo. Paredes de Coura não escapa a esta vaga de encerramentos, o que levará a que os courenses, de cada vez que precisarem de recorrer a este serviço, tenham de se deslocar até Cerveira, Ponte de Lima ou Valença, por exemplo. É também a Valença que terão de ir, ao que parece dentro de pouco tempo, sempre que precisarem de recorrer ao Tribunal. O de Paredes de Coura, como bem referiu o “Exorcista” em comentário ao post anterior, tem uma actividade deveras reduzida e, numa lógica meramente economicista, há que concentrar serviços de vários concelhos para poupar uns cobres. Eles, os do Governo, porque nós teremos de abrir ainda mais os cordões à bolsa, com deslocações acrescidas.
Na secção Registos e Notariado ainda nos vamos safando. A junção dos dois serviços é um mal menor, mas, pelo menos por agora, não se fala em tirar do concelho mais este serviço público. Que se seguirá, neste cenário de fechar aqui e acolá para juntar tudo noutro lado? Será que o Centro de Saúde sempre consegue escapar aos estudos ministeriais e se mantém aberto fora de horas? E a Segurança Social? Será que, num concelho profundamente envelhecido, onde grande parte da população depende dos recursos que lhe chegam através daquele serviço, além da factura da farmácia e da mercearia, os nossos idosos vão ter de contar também com a factura do táxi até Valença? E a GNR, será que se mantém como posto territorial, ou passará a ser apenas um posto avançado ainda mais dependente de Arcos de Valdevez e com uma patrulha ou outra a vaguear pela nossa área?
De qualquer das formas, o cenário actual, e o anunciado a curto prazo, são suficientes para deixar qualquer um preocupado. E já estou como diz o “Exorcista”, se calhar mais valia fechar a Câmara e irmos todos daqui embora.

13 março 2007

Contradições

Ouço as notícias do dia na Rádio Geice e fico na dúvida. Melhor dizendo, fico com dúvidas. Por um lado ouço o presidente da Câmara de Paredes de Coura a dizer que continua a acreditar na promessa (ou na palavra) de Correia de Campos, ministro da Saúde, aquando da sua visita ao concelho, em meados do ano passado, quando garantiu que, para já, o concelho não irá perder o serviço de urgência no período nocturno.
Mas logo a seguir outra notícia, desta feita com epicentro em Cerveira, dá-nos conta do interesse do Grupo BES, atráves da Hospor (Clípovoa), em criar um serviço de urgência naquele concelho. Nada de mais, nada contra a iniciativa que até se aplaude e incentiva. Mas depois vem a justificação para o funcionamento daquele serviço em Vila Nova de Cerveira, nomeadamente a centralidade face a outros concelhos, e são dados os exemplos de Caminha, Valença e Paredes de Coura, que vão perder o serviço de atendimento permanente no período nocturno.
Afinal em que ficamos? Por um lado temos a promessa do ministro, por outro declarações que vão em sentido contrário. E recordo que já o presidente da Câmara de Valença se referiu também ao encerramento da urgência no nosso concelho. Será que eles sabem mais que Pereira Júnior? Ou, e acredito que sim, utilizam apenas o nome de Paredes de Coura para fortalecer os seus próprios intentos, dando mais força ao seu protesto, num caso, ou ao seu projecto, no outro? De qualquer das formas, creio que não fica bem estar a alarmar os courenses para uma situação que, até informação em contrário, não se irá verificar.

À espera do lixo

Estão todos à espera do lixo. Ou melhor estão à espera de uma decisão para ver quem fica com o lixo. O aterro intermunicipal do Vale do Minho, em S. Pedro da Torre, fecha as portas no próximo ano e o autarca de Valença não está disposto a mantê-lo aberto um dia mais que o necessário. É, por isso mesmo, o principal interessado em saber qual o município que se segue, tendo em conta que, a cada dez anos, um dos seis municípios aderentes da ValorMinho será responsável por acolher esta estrutura.
Para já ainda não é certo quem será o próximo, muito embora as previsões apontem para Cornes, em Vila Nova de Cerveira. Certo é que não ficará em Valença. Mas pode ficar em Linhares, Paredes de Coura. Pode? Pode, este foi o local que a Câmara courense sugeriu para acolher aquele equipamento. E se vier para cá, como ficamos?
Na memória tenho as manifestações dos moradores de S. Pedro da Torre, quando começaram a construir o aterro actual. E ainda no passado sábado a SIC nos relembrou dos protestos das populações de Lazarim e Bigorne, em Lamego, aquando da luta contra a implantação de um aterro sanitário naquelas freguesias. Que têm em comum um e outro caso? Em ambos os locais os protestos de nada valeram e os aterros lá estão.
Mas os dois casos não são de todo iguais. É que, em Valença, anos após a entrada em funcionamento do aterro, a Justiça deu finalmente razão aos populares que, ao que parece, conseguiram com que o facto de acolherem o aterro nos seus quintais trouxesse algum proveito para a freguesia. Vamos ver, agora, se a freguesia que se segue tem a mesma sorte, ou melhor dizendo, se tem a mesma capacidade de fazer valer os seus direitos e os direitos dos seus habitantes, retirando alguma mais valia de uma estrutura que, apesar de necessária, supostamente limpa e que irá servir todos os habitantes dos seis municípios envolvidos, acaba sempre por trazer mais dissabores a quem a vai ter a seu lado, dia a e noite, faça chuva ou faça sol, especialmente quando faz sol.
A propósito disto, saliento aqui a jogada de mestre que a Junta de Freguesia de Formariz parece estar disposta a fazer, relativamente ao tubo de saneamento junto à Ponte de Mantelães. Depois do autarca anterior ter colocado a empresa responsável pela sua instalação em tribunal, eis que o novo presidente da autarquia resolveu levar a sério a máxima de olhar pelos interesses dos habitantes da sua freguesia e aparece disposto a esquecer o atentado ao património edificado que, embora a defender, assume, nos tempos que correm, menor relevo. Assim, vai de tentar chegar a acordo com os “prevaricadores” e aproveitar ao máximo o que estes podem oferecer à freguesia, sejam estradas arranjadas, passeios construídos ou outro tipo de apoio para realizar obras que, de outra forma, não seriam possíveis. Até pode ser eticamente reprovável e não ficar muito bem na fotografia, mas lá que é uma boa oportunidade, que não pode ser desperdiçada, disso ninguém tenha dúvidas.

07 março 2007

Terapia de grupo

Isto de fazer parte de um grupo é como tudo na vida, tem as suas vantagens e desvantagens. Umas vezes temos o apoio do grupo do nosso lado, noutras temos de travar passo porque o resto do grupo está mais atrasado que nós. Assim também parece ser com as associações de municípios. Veja-se o caso de Paredes de Coura e a sua participação na Comunidade Intermunicipal do Vale do Minho.
Em alguns casos são notórias as vantagens resultantes dessa associação de municípios do Alto Minho para Paredes de Coura. Veja-se, por exemplo, o projecto Vale do Minho Digital, que vai ligar esses concelhos numa enorme rede informática, e em cada concelho uma diversidade de estruturas e equipamentos públicos. Em Coura, por exemplo, já estão no terreno os trabalhos de instalação dessa “intranet”, se assim se pode chamar, que promete tornar mais fácil o trabalho entre os vários departamentos da autarquia.
Mas, como disse no início, há alturas em que é preciso refrear os ânimos porque os nosso vizinhos ainda não estão ao mesmo nível que nós ou, no caso concreto, porque uma vez que se optou por fazer uma estrutura conjunta, esta está mais demorada do que se tivéssemos avançado sozinhos. Na memória tenho o caso do canil intermunicipal, de que ouço falar há, pelo menos, três anos.
Diz-se que vai ficar em Monção, por ser mais central, e que vai acolher os animais vadios dos cinco concelhos da Intermunicipal. O problema é que o canil nunca mais chega. Mas também não avança um equipamento do género a nível concelhio porque, explicou o autarca courense, seria dinheiro desperdiçado quando se está a pensar na construção de uma estrutura colectiva. Resultado: para já não temos nem uma coisa nem outra e os animais continuam à solta.
Mais recentemente ficámos a conhecer outra situação do género, ou seja de não resolvermos os nossos problemas por estarmos à espera de resolver os de cinco concelhos ao mesmo tempo. Falo da ausência e do mau estado de conservação de muitas placas toponímicas do concelho, principalmente da vila. Pereira Júnior reconhece que se trata de um problema que merece atenção, mas adianta que não será feita qualquer intervenção porque está a estudar-se uma solução conjunta e uniforme para os concelhos da Vale do Minho.
Assim sendo, mais uma vez, os interesses do concelho cedem lugar aos da comunidade intermunicipal. Nada contra, desde que não seja necessário esperar tanto tempo como em relação ao canil. É que, se assim for, bem que se pode fazer a intervenção nas placas toponímicas que, quando for encontrada uma solução comum aos cinco concelhos, já essas placas estão a pedir nova reforma.

06 março 2007

O carreiro da Europa

É certo que, nos tempos que correm, somos mais vezes impelidos a rumar a Espanha do que a outras paragens dentro do nosso país. É para lá que vamos quando precisamos de abastecer, de forma económica, o depósito do automóvel, é lá que fazemos as compras do mês. Mais: muitos de nós, courenses, é por lá que encontramos trabalho. São as vicissitudes de um país marcado por uma crise económica que, não obstante as previsões surrealistas de alguns ministros, ainda não tem os dias contados.
No entanto, apesar desta apetência por terras de “nuestros hermanos” acho que ninguém tem dúvidas que é urgente, é necessário, é de todo imprescindível, dotar Paredes de Coura de bons acessos que nos liguem ao resto de Portugal. Ninguém está livre de uma deslocação a Viana do Castelo, seja para ir ao médico ou ao Governo Civil, ou mesmo a Braga, onde se situam muitos dos serviços de que necessitamos no dia-a-dia. Parece estranha, por isso, a declaração de Eduardo Daniel Cerqueira na última reunião da Assembleia Municipal, especialmente quando o deputado socialista afirmou que “o futuro não está em Ponte de Lima ou em Viana, está na Europa”.
Os mais atentos logo associaram as palavras de Eduardo Daniel Cerqueira à proposta que o PSD courense em tempos fez de se apostar na ligação a Ponte de Lima e ao eixo A27/A29 ao invés de se desperdiçar esforços na ligação à A3 que teima em não desandar. Tudo bem. Era o deputado socialista a defender a dama de honra do seu partido.
Mas, logo a seguir, o mesmo elemento da bancada do PS questionou o presidente da Câmara sobre o processo de colocação das placas indicativas de Paredes de Coura na A29, em Arcozelo, e na A3, em Sapardos e aí fiquei na dúvida. Então se o futuro está na Europa, para que raio serão as placas a indicar Paredes de Coura? Será que alguém no seu perfeito juízo se vai desviar do rumo europeu e enveredar pelos desvios da realidade courense?
Por falar em Europa, Eduardo Daniel Cerqueira aproveitou a oportunidade para questionar o Executivo sobre o facto de algumas ruas da vila não terem ainda nome atribuído, lembrando que isso causa dificuldades na entrega do correio. E não lhe faltaram sugestões, nomeadamente para a rua do campo de jogos do Courense que, em ano de bodas de diamante do clube, bem poderia receber o nome daquela colectividade. Ou ainda para a nova variante à EN303, entre os Dadores e Mantelães. A obra está parada há meses, vá-se lá saber porquê, mas o deputado do PS já tem nome para aquele carreiro: Avenida da Europa.

05 março 2007

Pelas notícias...

Os blogues do alto Minho foram notícia na edição de ontem do Jornal de Notícias. Que dá a conhecer alguns dos "diários online", como lhes chama o jornalista, que existem no distrito. Miguel Rodrigues considera-os uma alternativa às tradicionais páginas da Internet. Para ler aqui.

01 março 2007

Por falar em estacionamento...

Desde que os parcómetros entraram em funcionamento, parece que todos em Paredes de Coura começaram a ter mais preocupação com o estacionamento. Que o diga Joaquim Felgueiras Lopes, presidente da Junta de Freguesia da vila que aproveitou a última reunião da Assembleia Municipal para questionar o presidente da Câmara sobre algumas situações anómalas em termos de estacionamento.
Falou do “caos” que se verifica no estacionamento do Centro de Saúde, completamente desordenado e com carros ali parados em situação abusiva. Inclusivamente acusou alguns funcionários daquele equipamento de contribuírem para essa confusão, estacionando em zonas proibidas e limitando a passagem a outros veículos, nomeadamente ambulâncias. Mas não se ficou por aí e, alguns metros à frente, criticou também os automobilistas que estacionam na entrada da Eprami. “Aquilo ficou muito bonito, mas agora parece um parque de estacionamento”, esclareceu o autarca da vila.
Pereira Júnior escutou e explicou, que em relação ao Centro de Saúde a responsabilidade é do seu director e de mais ninguém. Já em relação à Eprami, entidade de que a Câmara de Paredes de Coura é proprietária, explicou que aquela situação já foi comunicada ao director da escola e reforçou as palavras de Joaquim Felgueiras Lopes: “aquilo não foi feito para estacionamento”.
Nem sequer os autocarros da Courense escaparam às críticas de estacionamento desordenado. Tudo porque os autocarros ocupam lugares que estão destinados a outros veículos. E não podem, referiu Pereira Júnior, porque existem zonas reservadas para acolher aqueles veículos, a começar pela Central de Camionagem, que tem bastante espaço.
O problema, explicou José Felino, presidente da Junta de Insalde, é que o regulamento da Central proíbe o estacionamento de autocarros que não estejam em serviço e, dos dois locais apontados para estacionamento dos pesados de passageiros, um deles, junto à GNR, está praticamente lotado com as viaturas que transportam os alunos da escola básica integrada.
A ser assim, restam à Courense alguns metros defronte do Museu, mas apenas do outro lado da rua. De que é que estão à espera para retirar a empresa de transportes do centro da vila? Há anos que se houve falar no assunto, mas as oficinas não arredam pé do centro, onde nem sequer deveria ser autorizado o seu funcionamento. Com tanto espaço disponível em Formariz… se calhar estão à espera que venha outro convite para levar a empresa para Valença.

26 fevereiro 2007

Parcómetros: a conversa que não sai do café

Pois é, os parcómetros voltam a ser assunto neste blogue. Justificação: a última sessão da Assembleia Municipal de Paredes de Coura, onde PSD e PS defenderam a manutenção do estacionamento pago nas ruas da vila. E, pergunto eu, onde estavam os críticos desta medida do executivo de Pereira Júnior? Não seria de aproveitar a Assembleia Municipal para vincar o seu descontentamento? Ou só debatemos o tema em conversa de café e quando dali saímos o assunto fica esquecido?
Isso mesmo lembrou Venâncio Fernandes, do PSD, que pediu ao presidente da câmara para não ceder às pressões daqueles que vieram a terreiro criticar a instalação dos parcómetros, nomeadamente o grupo de comerciantes que reuniu com Pereira Júnior e pediu horários mais limitados e menos zonas com estacionamento pago. “A instalação dos parquímetros foi correcta, e as reuniões deveriam ter tido lugar antes, não era depois de entrarem em funcionamento”, referiu o social-democrata, acrescentando que “o desenvolvimento de Coura não depende dos parquímetros”.
Joaquim Felgueiras Lopes, socialista presidente da Junta de Freguesia da vila, alinhou pelo mesmo tom: os parcómetros eram necessários. “As pessoas já começaram a sentir que há alguma disciplina no estacionamento, onde antes reinava a anarquia”, explicou o autarca. E foi mais longe, referindo que só alguns comerciantes “de elite” é que criticaram o estacionamento pago, porque “estão atrapalhados por não poderem estacionar os carros junto dos seus estabelecimentos”.
Os comerciantes, não perderam tempo a bater à porta da Câmara, uns a criticar, outros a incentivar a manutenção do estacionamento pago. Por isso mesmo o presidente da autarquia explicou que o assunto está ainda a ser estudado e que algumas medidas vão ser tomadas. Quais? Ainda não se sabe, mas Pereira Júnior sempre foi dizendo que “não vamos ceder a pressões, vamos tentar um consenso alargado”.
Da Assembleia, sobre este assunto, trago ainda as palavras da presidente da mesa, Luísa Castro, que lembrou que os parcómetros já estavam nos planos da autarquia há bastante tempo, mais precisamente desde as obras de requalificação do centro urbano. Assim sendo, porque não se manifestaram antes os seus críticos? Talvez pela mesma razão porque o não fazem agora nas reuniões da Assembleia Municipal, no espaço reservado à intervenção do público.

21 fevereiro 2007

Como é que é?

Eu até compreendo, e incentivo, que um presidente da Câmara faça tudo pelos seus munícipes, mas há coisas que, sinceramente, não passam pela cabeça de ninguém. A questão das urgências tem dado muito que falar em Valença, com manifestações, cortes de estrada e acusações de parte a parte, com presidente da Câmara e ministro da Saúde a trocarem acusações, mas, independentemente de quem tenha a razão, que até terão os dois, há limites para tudo.
Eu, por exemplo, acho impensável ver um presidente da Câmara, que para todos os efeitos é o representante da ordem pública num município, a encabeçar um corte de estrada que sabe, à partida, ser ilegal. E não é por ter sido a ligação à fronteira, até poderia ter sido um caminho de cabras. É ilegal, ponto final. Podia apoiar, dizer que também estaria lá se não fosse a sua condição, mas participar é que não.
Ficou-lhe muito melhor a atitude que teve dias antes, ao demitir-se de todos os cargos ocupados nas estruturas do Partido Socialista. Não é que lhe valha de muito, mas marcou a sua posição junto do partido que o elegeu e que agora aparenta ter-lhe virado as costas.
E o que dizer da moção aprovada hoje na reunião de Câmara, em que o Executivo valenciano demonstra total abertura para dialogar com o ministro da Saúde mas, atente-se nisto, desde que esteja garantida a manutenção das urgências no concelho. Como? Abertura para dialogar sobre a manutenção das urgências, desde que esteja garantido à partida que aquilo que vão discutir e, assim sendo, já não precisa de discussão?
Só mais um reparo em toda esta história. É que, pelo parece, José Luís Serra tem conhecimento privilegiado sobre estas questões da Saúde e já alertou que também Paredes de Coura vai ser prejudicado. Depois das garantias dadas a Pereira Júnior sobre a manutenção das urgências no nosso concelho, em que é que ficamos?

19 fevereiro 2007

Perigo?


Qual Torre Eiffel no centro de Paris, também Paredes de Coura tem a sua estrutura metálica, imponente e a dominar a paisagem. Não é tão antiga, apesar de já nos fazer companhia há vários anos, e verdade seja dita, não consegue rivalizar com a beleza da torre francesa, mas teima em ser um marco nos céus da vila.

Ali para os lados da Boavista, à espera que alguém se digne mandá-la de lá retirar. À espera de uma construção que não surge? Do renascimento de uma empresa que terá fechado as portas?

Ou... simplesmente à espera que um dia, se calhar não tão longe quanto isso, a grua caia... e vire memória pelos piores motivos.

14 fevereiro 2007

Somos tão poucos (2)

A propósito da diminuição da população no interior do país, e da fuga dos activos para outras paragens, na semana passada, num artigo publicado no Jornal de Notícias, um professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro alertava para a necessidade de serem criados mais postos de trabalhos para ajudar a fixar a população. Dizia Luís Ramos que “as pessoas ficam onde tiverem emprego”, e que não são os subsídios pontuais atribuídos pelas autarquias às famílias que vão solucionar esse problema.
Falava aquele docente dos apoios que têm surgido nos últimos tempos, mas que já se verificaram noutras alturas, aos casais que queiram permanecer nos concelhos do interior, beneficiando quem quiser contribuir para o aumento da população local. A propósito disso, lembrei-me que também em Paredes de Coura, há cerca de 8/9 anos se chegou a falar na ideia de um apoio financeiro ao terceiro filho de um casal, de modo a incentivar a natalidade.
Na altura, creio eu, a proposta não avançou e também não se equiparia, certamente à de Carrazeda de Ansiães, que oferece 7500 euros pelo terceiro filho. Valor que, ainda assim, reconhece o autarca local, não será decisivo para levar alguém a mudar-se para aquele concelho, mas que ajudará os que já lá habitam a aguentar melhor as dificuldades da interioridade. “É um apoio aos que vão tendo a coragem de resistir”, referiu o autarca ao Jornal de Notícias.
O problema do interior do país, no entanto, como defende um outro docente da UTAD no mesmo artigo, só se resolve com políticas directas da administração central. Aliás, este professor catedrático diz mesmo que as políticas do Governo são discriminatórias, centralizando tudo no litoral. Não é difícil concordar com ele, especialmente quando vivemos num concelho que não está dotado de uma ligação directa e eficaz à principal via de comunicação do país, ou quando vemos os nosso vizinhos a receber projectos que já não mudam a realidade económica dos seus concelhos mas que muito ajudariam a mudar o cenário de Paredes de Coura. Mas, como dizia o presidente da Câmara de Carrazeda de Ansiães, há sempre quem vá tendo a coragem de resistir.

13 fevereiro 2007

Somos tão poucos

Basta pegar na lista telefónica para ter uma noção da cruel realidade. Somos poucos, muito poucos, nem seis páginas completas ocupamos. A população de Paredes de Coura tem vindo a diminuir a olhos vistos. Basta consultar os resultados dos dois últimos Censos para verificar a tendência de queda. Melhor ainda, basta aproveitar as informações que os jornais locais nos dão, com nascimentos e óbitos, para verificar que, ano após ano, no concelho, morre mais gente do que aquela que nasce.
É claro que esta realidade não é exclusivo nosso, todo o interior do país sofre com a fuga das pessoas, principalmente aquelas em idade activa, para os grandes centros, em busca de melhores condições de vida. São essas condições de vida que as autarquias do interior têm procurado implementar, no sentido de fixar a população na sua terra Natal.
Paredes de Coura também o tem tentado. Ninguém o pode negar. As zonas industriais foram um dos principais passos no sentido de contrariar essa tendência e hoje, apesar de sub-ocupadas e depois de algumas unidades já terem encerrado, a indústria continua a dar trabalho a algumas centenas de courenses. Faltam mais projectos, ou melhor os projectos existem, falta é dar-lhes seguimento.
De tempos a tempos lá ouvimos falar deles, da unidade hoteleira que poderá surgir no Monte da Pena, de uma outra grande indústria que poderá vir para as nossas zonas industriais, da revitalização do comércio e do centro urbano. Uns concetizam-se, outros, como é normal, estão ainda em banho-maria. Outros, também, deixam de estar interessados no concelho.
Nos últimos dias, duas notícias de investimento, lembraram-me a posição de Paredes de Coura no mapa de investimentos do Alto Minho. Por um lado, a Dayco-Ensa, de Valença, que apresentou o projecto de ampliação das estruturas e, consequentemente, do número de funcionários. E nós aqui tão perto, mas, sem vias de acesso, também tão longe. A ser penalizados pelo isolamento que tentamos combater.
Por outro lado, de Braga vieram os ecos da contestação a uma fábrica de alumínios que a população não quer à porta e que se vai mudar para Lanheses, onde também já é contestada. A lembrar um projecto espanhol que chegou a ser apontado para a zona industrial de Formariz mas que foi abandonado. Não sei se por parte da Câmara, se por parte do investidor, mas se foi por causa da poluição, ainda bem que não veio.

12 fevereiro 2007

Não... outra vez

O Sim ganhou em Portugal. Não obstante a maior parte dos portugueses ter optado por ficar em casa e deixar que outros cumprissem o dever cívico por eles. Ainda assim, dos portugueses que fizeram questão de marcar a sua posição numa questão sensível como a do aborto, a maioria votou Sim. E ainda bem.
Em Paredes de Coura, contudo, venceu o Não. Outra vez... É que já em 1998 esta tinha sido a resposta da maioria dos courenses que foram às urnas. No entanto, de 1998 para cá muita coisa mudou, inclusivamente terá mudado a mentalidade de muitas pessoas e, ontem, o Sim venceu em quatro freguesias do concelho, quando há nove anos o Não tinha dominado a totalidade das freguesias. Foi assim em Cossourado, Formariz, Paredes de Coura e Rubiães (dois votos de diferença), freguesias onde a maioria dos votantes escolheu votar Sim.
As mudanças não se ficaram por aí. Ainda que de forma mais suave, registaram-se alterações também ao nível do número de pessoas que foi votar, mais 4% que em 1998, bem como na diferença entre as duas respostas possíveis: em 1998 o Sim registou apenas 23.17%, ontem ultrapassou os 41%.
De qualquer das formas, o referendo de ontem serviu para mostrar, uma vez mais, que os portugueses, de uma forma geral, continuam afastados das urnas. A abstenção a nível nacional rondou os 56% e no nosso concelho ultrapassou mesmo os 70%. O destaque, em termos de freguesias, vai para Insalde, onde apenas 98 dos 497 inscritos foram votar. Ou seja, apenas 19,72% das pessoas expressaram a sua opinião. O que vale é que temos também cenários opostos, como o de Romarigães, que conseguiu mobilizar até às urnas mais de 40% dos seus eleitores.

08 fevereiro 2007

Quem limpa?


É fácil ver quem sujou: os muitos pombos que parecem ser mais e mais a cada dia que passa e que vão dando conta de uma série de equipamentos públicos e privados. Com a sujidade em tudo quanto é lado, com os ninhos que entopem as chaminés, com o risco de doenças a que normalmente estão associados.

Mas, se é facil saber quem sujou, será que custa muito averiguar quem deveria limpar? Ou será que, com tantos bancos espalhados por Paredes de Coura, ter um ou outro cheio de porcaria de pombo até fica bem na fotografia?

07 fevereiro 2007

Nunca é tarde

Em Bico, concelho de Paredes de Coura, um grupo de pessoas, homens e mulheres, todos com mais de 60 anos de idade, voltou à escola. Voltou é como quem diz, pois alguns deles nunca tinham frequentado o ensino.
Outros tempos, em que não era obrigatório ir à escola, em que os trabalhos no campo eram a prioridade. Agora, volvido mais de meio século, eis que desperta nestes “jovens” a vontade de aprender. Criaram filhos, netos, alguns até bisnetos, e livres do trabalho no campo, apegam-se às letras.
O mesmo acontece com aqueles que, tendo interrompido os estudos em determinada fase da sua vida, procuram agora atingir o patamar que não chegaram a alcançar na altura devida. A certificação de competências tem sido bastante procurada em Paredes de Coura. Promovida pela Eprami, aposta em dar aos interessados a possibilidade de concluir o 4º, 6º ou 9º ano de escolaridade, reconhecendo como útil as competências que as pessoas foram desenvolvendo ao longo de uma vida de trabalho.
A validação de competências pode ter, contudo, na minha opinião, um outro lado da moeda. É que, ao ver que, se abandonarem o ensino regular podem, mais tarde, com menos esforço, conseguir o mesmo grau académico, muitos jovens poderão ver no reconhecimento de competências um escape para largarem a escola. Cumpre aos pais, sobretudo ao pais, assegurar que a “expectativa” de um 9º ano conquistado sem esforço, não se sobrepõe à pouca vontade de muitos jovens em continuar a estudar.

31 janeiro 2007

Finalmente... as lombas

Já não era sem tempo. Finalmente o cruzamento dos Bombeiros vai ter lombas para tentar reduzir a velocidade dos automóveis que por ali passam. O cruzamento é perigoso, já para não dizer esquisito, e o facto de não existir ali nada que obrigasse a colocar o pé no travão, fazia com que aquela rua se tornasse uma autêntica pista de corridas no centro de Paredes de Coura.
Ontem já lá estava um lomba, para quem segue do túnel para Resende, e hoje devem colocar igual estrutura no sentido contrário, também à entrada do cruzamento, para obrigar quem por ali passa a circular mais devagar.
Não se compreende é porque foi preciso tanto tempo para colocar lá as lombas. Aliás, o próprio cruzamento em si não se compreende, pois não faz sentido que quem venha da Rua Narciso Alves Cunha, do lado da Albergaria, tenha de colocar metade do carro no centro da via para ver se vem algum automóvel do lado de Resende. Mas, enfim, são resultados da requalificação do centro da vila que, possivelmente, não foi muito bem pensada para aquela área. De qualquer das formas, com a colocação das lombas, o perigo diminui.
Só não se compreende muito bem é a resposta do presidente da Câmara na última Assembleia Municipal quando Paula Caldas, deputada do PSD, falou da velocidade naquela rua e pediu a colocação de lombas no cruzamento dos Bombeiros. Na altura, Pereira Júnior respondeu que tal não poderia ser feito porque, devido ao transporte de doentes nas ambulâncias, as lombas não eram permitidas. Ora, e agora já são? Ou o objectivo é, neste como noutros casos, criticar e chumbar o que Paula Caldas propõe na Assembleia para depois colocar em prática em nome da Câmara?


29 janeiro 2007

Abram água

Um incêndio ocorrido na manhã de ontem em Cascais, de que resultaram duas mortes, transformou-se numa guerra de argumentos entre bombeiros, autarquia e populares. Estes últimos acusam os bombeiros de demorarem muito tempo, mas os "soldados da paz", por seu lado, dizem que as bocas de incêndio existentes na urbanização não eram compatíveis com o seu equipamento. E a empresa responsável pelas bocas de incêndio não perdeu tempo a dizer que tal não era verdade.
Independentemente de tudo isto, de quem tem ou não razão, podemos aproveitar para retirar daqui alguma lição. É que, em Paredes de Coura também temos bocas de incêndio, umas mais antigas, outras mais modernas, especialmente depois da requalificação do centro da vila. Mas, será que funcionam?
Sinceramente nunca vi ninguém, autarquia ou bombeiros, a testar este tipo de equipamentos, especialmente na vila onde podem fazer toda a diferença. E olhem que já tivemos alguns casos em que foi preciso utilizar as bocas de incêndio e, ou estas não existiam onde deveriam existir, ou então não estavam funcionais. Melhor do que esgrimir argumentos depois da tragédia seria precaver qualquer incidente e ir dando uma vista de olhos às bocas de incêndio do concelho a ver se estão operacionais.

Civismo e inconsciência

Civismo 1
É certo e sabido que, ainda para mais depois da instalação dos parcómetros, o espaço existente nos estacionamentos não é o melhor. O objectivo é aumentar o número de lugares e por isso sacrificam-se alguns centímetros no espaçamento entre os automóveis. Não muitos, apenas aqueles que dariam mais espaço para abrir a porta do carro por exemplo. Apesar disso, qualquer pessoa com um mínimo de civismo procura abrir a sua porta sem danificar o carro do outro.
Por isso, só por manifesta falta de civismo se assiste, como assisti há pouco tempo, a alguém que abre a porta sem se preocupar com o carro ao lado. O estrondo foi tão grande que se ouviu a quase cem metros de distância. Mas não se terá ouvido ali mesmo, onde foi produzido, porque o descuidado automobilista entrou no carro e arrancou.
Rezam as leis das boa educação que, ao menos, se deixe um bilhete a dar conta do sucedido. Mas há quem paute pela falta de civismo e deixe apenas a mossa, e que mossa, no carro ao lado. Perante isto só me ocorreu dizer: ainda bem que não era o meu.

Civismo 2
Chegar a casa e pegar no correio. O ritual é corrente na maioria das casas portuguesas. Só não é normal é abrir a caixa e deparar com o correio aberto. As cartas ainda conseguem safar-se, mas jornais e revistas não escapam à curiosidade de quem mete a mão na caixa do correio e vá de abrir as embalagens e dedicar-se à leitura. E depois voltam a meter tudo dentro da caixa, não se esquecendo, contudo, de rasgar um ou outro artigo que lhes chamou mais a atenção.
Será que depois daquele famoso autocolante amarelo e vermelho a proibir a publicidade não endereçada, vamos ter um outro, a proibir a leitura de correspondência alheia? Ah, não é preciso, esqueci-me que já era proibido por lei.

Inconsciência
Tenho dois filhos, pequenos, e preocupo-me com eles. Por isso, quando andam de carro, seguem nas devidas cadeirinhas. Não é prático, não é estético, mas é seguro. Ponto final. Estranho, por isso, a inconsciência daqueles automobilistas com quem me cruzo diariamente e que transportam as crianças sem as mínimas condições de segurança, muitas delas no banco da frente (com 6, 7 anos senhores!!!). Será que se esquecem que, na estrada, o perigo pode estar em cada curva?

25 janeiro 2007

Por falar em parques e parcómetros

Por falar em parques e parcómetros, numa altura em que o assunto já ameaça tornar-se anedota, podem ver aqui aquilo que todos querem saber: o que se esconde no túnel e nos parques subterrâneos de Paredes de Coura, por debaixo da vila. Quem sabe se é ali que se escondem todos aqueles que atribuem ao estacionamento pago as culpas de todos os males, desde a crise que afecta o comércio à dor de dentes que não passa. Quem sabe, até, se não é por lá que andam aqueles que vêem nos parcómetros a causa da diminuição das receitas dos seus negócios nos últimos anos.
Brincadeiras à parte, fica a sugestão. Para ver amanhã, no Centro Cultural.

22 janeiro 2007

No lugar errado

E bem que precisamos de promoção porque alguns continuam a colocar-nos muito longe de onde realmente estamos. Aulas de Geografia, um mapa de estradas do ACP (versão actual ou antiga), ou ainda um moderno sistema de GPS são as minhas sugestões para a Ordem dos Arquitectos. Se calhar é por isso que não se consegue achar o Norte a muitas das construções actuais.

O que os vizinhos fazem por nós

Para ver aqui como os nosso vizinhos mais próximos também ajudam à promoção de Paredes de Coura. Com a devida vénia ao blog que defende as cores de Rendufe, Labrujó e Vilar do Monte e ainda aos responsáveis pelo vídeo em questão.

19 janeiro 2007

Eu também quero um parcómetro

Três semanas depois de entrarem em funcionamento, os parcómetros de Paredes de Coura continuam na ordem do dia. Pelos mais variados motivos. Porque uns querem o seu lugar cativo à porta de casa ou do seu negócio, porque outros acham que com os parcómetros se está a contribuir ainda mais para a desertificação do concelho, porque outros ainda argumentam que esta é apenas uma medida para encher os depauperados bolsos da Câmara.
Vamos aos lugares cativos. Eu pergunto: então e o meu lugar privativo? Eu também moro na vila, numa zona de estacionamento pago por isso também deveria ter direito a um lugar reservado. Não? Claro que não! Câmara, comércio, oposição, fosse quem fosse que pediu a o estacionamento pago, o certo é que fez bem. Os principais beneficiários da ausência de limites eram, acima de tudo, os comerciantes, que agora tem de andar 200 ou 300 metros para estacionar o carro. Coitadinhos!
Que dirão, por exemplo, os comerciantes da rua Conselheiro Miguel Dantas? Não tinham eles, já antes dos parcómetros, de estacionar também afastados do seu negócio? Então em que é que eles são menos que os outros que agora têm de fazer o mesmo? E não me venham com historinhas que nem todos podem pagar os 15 euros mensais do parque, sim porque estamos a falar de 15 euros por mês. Dinheiro que, reconheço, faz falta a muita gente, mas que muitos de nós gastamos (ou mais ainda) noutras coisas que não nos fazem falta nenhuma.
Sou, assumidamente, a favor dos parcómetros! E dos parques, ainda que reconheça que um seria suficiente para Paredes de Coura. Utilizo-os desde o primeiro dia, mesmo não trabalhando na vila, mas a eles recorrendo sempre que necessito de ali me deslocar. Não foi preciso muito para chegar à conclusão de que gastava mais em combustível às voltinhas à procura de um lugar na rua, do que no parque coberto, vigiado, disponível.
Sobre o dinheiro que a Câmara vai recolher, basta fazer as contas. Cada máquina custou quatro mil euros, compraram-se 10, e some-se ainda a sinalização que foi necessário substituir. Vejam lá quantos carros são precisos para pagar o investimento.
Resta o argumento da desertificação. Mas alguém acredita mesmo que sem parcómetros essa tendência reverteria? Se me falassem em acessibilidades, em atractivos, ainda vá, mas dizer que com estacionamento pago a população de Coura diminuirá… E nem as queixas dos comerciantes me comovem. Que metam mãos à obra e promovam-se junto dos seus potenciais clientes. Não fiquem, como a maioria, à espera que as pessoas lhes entrem portas adentro, vejam porque é que os clientes fogem para outras paragens e reajam. Como estão, mais cedo ou mais tarde, nem com estacionamento dentro da loja.

15 janeiro 2007

À volta dos blogs

Da autoria de Catarina Rodrigues, da Universidade da Beira Interior, fica a aqui a ligação para um estudo sobre os blogs de carácter regional, publicado na Revista de Ciências da Informação e da Comunicação do Centro de Estudos das Tecnologias, Artes e Ciências da Comunicação da Universidade do Porto. A emergência dos blogs como espaços de cidadania e participação é o tema do artigo que aborda a utilização deste meio para a promoção da região onde têm origem. Quais os objectivos, o impacto causado e os resultados efectivamente alcançados? Para ler.

12 janeiro 2007

Dizem por aí (2)

... que alguns comerciantes do centro da vila já se lançaram num abaixo-assinado que querem entregar na Câmara e que pede o fim dos parcómetros em Paredes de Coura. Dizem eles que estão a perder clientes, que deste modo recorrem a estabelecimentos comerciais e hoteleiros onde têm mais facilidade de estacionamento. Mas, assim sendo, há outros comerciantes a lucrar com o estacionamento pago que, se calhar, estariam em pior situação até agora. Não será tempo de os afectados pelos parcómetros começarem a pensar noutros atractivos para cativar os clientes? Ou entao comecem a prestar um verdadeiro serviço público e informem os clientes que os parques até são centrais (para a maioria das ruas onde se instalaram os parcómetros), custam muito pouco e não são impedimento para deixar de vir à loja ou ao restaurante do costume.

Dizem por aí (1)

...que afinal a Ritmos não andou a pedinchar nada junto da Câmara de Paredes de Coura e que, perante a constatação de que o festival em Coura iria mesmo acabar, terá sido a própria Câmara a sugerir o aumento das verbas do protocolo existente entre as duas entidades para viabilizar a continuação do festival. A ser assim só demonstra que, afinal, a Câmara, ciente do valor que o festival tem para o concelho, é que resolveu abrir os cordões à bolsa, esquecendo os tempos difíceis. Mas atenção! É que as mesmas pessoam realçam que os valores anunciados pela Câmara não correspondem à realidade, sendo muito superiores ao que realmente é investido no festival pela autarquia. Eu, que continuo sem conhecer os números desse apoio, tenho de acreditar.

O exemplo que vem de cima

Um estudo da AICCOPN – Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas analisou as dívidas a fornecedores de 80 municípios e chegou a uma conclusão no mínimo engraçada: apenas 14% das autarquias cumpre as suas obrigações num prazo inferior a 3 meses. Estamos a falar de pagar dívidas a 90 dias, prazo dilatado mas ainda assim bastante consensual com a esmagadora maioria das empresas do nosso país.
O problema é que são apenas 14% as câmaras que estão nesta situação. O pior vem depois, quando as dívidas das autarquias só são pagas mais de um ano após a realização dos trabalhos contratados. E não são poucas as câmaras que arrastam dívidas assim.
Paredes de Coura não está neste lote. Felizmente. Mas também não está muito bem, pagando as suas dívidas entre nove meses e um ano depois do trabalho feito. No mesmo patamar de Arcos de Valdevez e Viana do Castelo, por exemplo, mas bem atrás de Vila Nova de Cerveira e Ponte de Lima que fazem questão de ser cumpridoras.
Não se julgue, contudo, que o problema é do município courense. O exemplo deveria vir de cima, do próprio Governo, mas se é o próprio governo quem se furta ao pagamento dos seus compromissos como o diabo da cruz. Que o diga Pereira Júnior que, mais de dois anos depois de concluída a Escola Básica Integrada, a tal que é apontada pelo Governo como modelo a seguir, aguarda ainda, da parte do mesmo Governo, o pagamento da sua parte no custo total, ou seja cerca de 25% do valor da obra.
Com exemplos assim convenhamos que é muito difícil honrar seja que compromisso for. Quem sofre, diz o estudo da AICCOPN, são as pequenas empresas que não tem arcaboiço financeiro suficiente para aguentar tanto tempo sem receber e das duas uma, ou deixam de trabalhar para as autarquias e perdem os seus melhores clientes, ou alinham em esquemas “duvidosos” para continuarem a trabalhar.

10 janeiro 2007

O filho pródigo e mimado

Ora aí está a grande surpresa de 2007 e o ano ainda agora começou. Diz o Notícias de Coura de ontem que, afinal, o Festival já não sai de Paredes de Coura. Mas esteve para sair? Quando? E porquê? Alguém tinha dúvidas que o “choradinho” de Setembro não ia dar bons resultados?
Diz o artigo que Ritmos e Câmara chegaram a um acordo e que os primeiros não saem porque os segundos abriram os cordões à bolsa. Não com investimento directo (e realço o investimento), mas com outro tipo de apoio. Por outras palavras, o subsídio da autarquia àquela empresa mantém-se o mesmo, mas o apoio logístico sai reforçado, quer com mais meios humanos (será que a Câmara tem pessoal que chegue), quer com o assumir de algumas despesas até agora suportadas pelos organizadores.
Nada de mais. Nem sequer o estudo encomendado pela Ritmos para mostrar que o festival leva Paredes de Coura para as bocas do mundo. Mas alguém tinha dúvidas? O que gostaria de ver era um estudo a garantir que essa publicidade gratuita que o concelho recebe tem efeitos práticos depois ao longo do ano. Alguém sabe quantos dos que vêm ao festival, ou que vêem a publicidade e as notícias, visitam depois Paredes de Coura?
Eu nunca vi nenhum estudo desses. Como não vi, aliás, o inventário do apoio logístico que a Câmara concedeu à organização do festival em 2006, como havia prometido o presidente da autarquia. Assim, como é que sabemos que o reforço de apoios agora anunciado não estava já a ser praticado.

08 janeiro 2007

Regimentos e batalhões

É um cenário que se repete em cada sessão da Assembleia Municipal de Paredes de Coura: a discussão entre a oposição e o presidente da mesa em torno do regimento daquele órgão autárquico. A mudança do regimento, tornando-o mais actual, foi um dos grandes cavalos de batalha de José Augusto Pacheco quando ocupou o lugar, mas a reforma foi feita com a participação de todos os partidos políticos que têm assento naquela assembleia.
No entanto, sessão após sessão, eis que surgem as críticas, principalmente do PSD, em relação ao modo como o regimento limita a intervenção dos deputados municipais. Ou ainda no que respeita às limitações impostas no que toca à intervenção por parte do presidente da Câmara, de tal modo que, na última reunião, Maria José Fontelo chegou mesmo a dizer que José Augusto Pacheco teria uma “tutória especial” para com Pereira Júnior.
De que adiantou, assim sendo, andar a discutir a alteração do regimento com todos os partidos? Aliás, recuando um pouco no tempo, recordo a sessão onde estas alterações foram todas aprovadas, já com as críticas do PSD que tinha acabado de as analisar em conjunto com PS e CDU. Se foi para isto, mas valia terem estado quietos.
Já agora, aproveito e deixo também eu um reparo à “ditadura” do regimento. É certo que o público que assiste às reuniões tem vindo a aumentar, muito embora ainda sem grande participação. Também, convenhamos, o período que lhe está destinado não é o melhor. Não é qualquer um que aguenta, como na última sessão da Assembleia, até à 1.30 da manhã para expor o que quer que seja…

05 janeiro 2007

A energia da oposição

Quem te viu e quem te vê, poderíamos dizer dos partidos da oposição na Assembleia Municipal. Quem já viu elementos do mesmo partido a criticarem-se mutuamente e a votarem contra as propostas apresentadas pelo seu próprio partido, pode dizer que, na última sessão deste órgão autárquico, a oposição, ou melhor dizendo o PSD, esteve muito diferente.
E digo o PSD porque da CDU não esteve ninguém, nem sequer para defender a proposta que não chegou a ser apresentada em Setembro e que, por isso mesmo, tanta celeuma provocou, levando ao abandono da sala por parte de social-democratas e do representante comunista. Desta feita, sozinhos do outro lado da barricada, os deputados do PSD ainda começaram a reunião com o pé errado (aquela das avenças gratuitas nos parques para os comerciantes e trabalhadores da vila, nem ao diabo lembrava…), mas cedo se verificou que, naquele dia, tinham feito os trabalhos de casa. Nem sequer a informação, por parte do presidente da Assembleia, de que o abandono da última reunião foi comunicado ao Ministério Público e a senha de presença não seria paga beliscou Maria José Fontelo, que respondeu à letra dizendo que “quem está convicto dos seus direitos não pensa na senha”.
A discussão do Orçamento passou meio apagada, mas já antes a bancada laranja tinha feito várias intervenções. Ao todo mais de metade dos representantes do PSD utilizaram da palavra, quer no período antes da ordem do dia, quer na interpelação ao presidente da Câmara.
Seria, contudo, o último ponto da ordem de trabalhos a mostrar uma Maria José Fontelo bem preparada, em sintonia com o resto dos seus colegas e com os seus vereadores, como não é habitual ver-se. A venda, por parte da autarquia, da participação na VentoMinho arrastou-se durante quase hora e meia, com a líder da bancada social-democrata a rebater, ponto por ponto, as vantagens anunciadas pela Câmara Municipal. Para a autarquia a venda afigura-se proveitosa e, como explicou Pereira Júnior, “faz-nos jeito”, mas a oposição, baseada no mesmo estudo encomendado pelo município, deu a conhecer que, a longo prazo, a participação nas eólicas, sem qualquer investimento, poderia representar uma receita oito vezes superior à que se espera obter com a venda.
A proposta acabaria por ser aprovada com os votos da maioria socialista, mas as críticas do PSD, que pediu mesmo à mesa para deixar falar Décio Guerreiro (habitualmente os vereadores não intervêm na Assembleia Municipal), chegaram ao ponto de se sugerir o adiamento da discussão para uma reunião extraordinária, dando assim mais tempo para analisar a questão. E houve até quem aproveitasse para lembrar que esta seria uma boa questão para levar a referendo e ver qual a opinião dos courenses.

04 janeiro 2007

Vender património para pagar dívidas

O ano ainda mal começou e já se está mesmo a ver que o cenário vai continuar a ser o mesmo de 2006. A Câmara de Paredes de Coura continua (cada vez mais?) apertada de dinheiros e, vai daí, há que fazer como qualquer outro cidadão e toca a vender algum património. A diferença é que, no caso do cidadão comum que não fez contas à subida dos juros do crédito habitação, vende-se o que se pode, muitas vezes a própria casa, mas que é dele. No caso da Câmara, por aguardar indefinidamente dinheiros que nunca mais chegam, o património que se vende não é apenas de dos representantes do município, é de todos os que nele habitam.
Na última reunião da Assembleia Municipal, bastante animada por sinal e com a opsição a mostrar (finalmente) que fez o trabalho de casa, foi aprovada a venda da participação da autarquia na empresa concessionária da produção de energia eólica no concelho. São cerca de 1,5 milhões de euros que vão entrar para os cofres da Câmara. No mínimo, porque o concurso público pode trazer ainda alguma proposta mais elevada.
Mas este dinheiro vai lá estar por pouco tempo. O presidente da autarquia já anunciou que os cerca de 300 mil contos se destinam a pagar dívidas de curto prazo que o município tem, e que o mais certo é esta verba servir para pagar parte das obras de saneamento que estão a decorrer no concelho. O PSD, por seu lado, preferia que fosse aplicado na amortização da grande dívida, a 20 anos, que vai continuar a ser paga em "suaves prestações", até porque Pereira Júnior diz que desta forma não custa a pagar. E por falar em 20 anos, não esquecer que, na mesma assembleia, os social-democratas demonstraram por A+B que, caso o município decidisse manter a participação na empresa das eólicas, a longo prazo, esta resultaria num possível lucro de cerca de 12 milhões de euros. Sobre isso falarei noutro post.
Além das acções da VentoMinho, a Câmara de Paredes de Coura equaciona também a venda de outros bens, nomeadamente imóveis. Na calha está a venda de três apartamentos que a autarquia detém na vila, dois deles ocupados, e ainda de terrenos na Quinta da Casa Grande. Património que, estima o município, deverá render cerca de 300 mil euros aos cofres municipais.
Tudo receitas já incluídas no Orçamento da autarquia para este ano, aprovado pela maioria socialista e com a abstenção de toda a oposição, no caso apenas o PSD, porque a CDU esteve ausente da reunião. Um orçamento que, explicou o presidente, "é muito influenciado pela nova Lei das Finanças Locais" e que, por isso mesmo, mostra "alguma contenção", até porque o objectivo, acrescentou o autarca, "é baixar a nossa dívida para depois trabalhar com as contas certinhas".

Multas à experiência

Já alguém foi multado nas novas zonas de estacionamento pago do centro de Paredes de Coura? É que, em declarações à Rádio Geice, o presidente da Câmara referiu que, por enquanto, os parcómetros estão apenas a trabalhar a título experimental, prevendo que entrem em funcionamento efectivo algures durante o corrente mês.
E será que a GNR sabe disso? E se sabe, e por isso ainda não multa, o que pensarão aqueles que já meteram alguma moedinha na máquina? De qualquer das formas, a ver pelo cenário dos últimos dois dias, poucos têm sido os trocos a cair ali.

01 janeiro 2007

Previsões de Ano Novo

Como é habitual nestas alturas um pouco por todo o lado, também eu aqui deixo algumas previsões para 2007. Nada de olhar as estrelas, nada de consultar um qualquer oráculo, o que é preciso mesmo é olhar em frente e depois logo se vê... pelo menos alguma coisa (aquilo que já está previsto) há-de ser realidade no próximo ano. Mas, como nestas coisas das previsões é preciso ver para crer, o melhor é fazer como o outro e dizer que previsões só no final do ano.
Ainda assim aqui ficam algumas constatações:

Arquivo - As obras já começaram. Se o túnel não cair, é quase certo que vamos ter arquivo.

Bombeiros - O próximo ano tem 365 dias. Seria muito mau que, com tantos dias, pelo menos num deles não aparecesse um candidato à direcção da associação. Já as obras do quartel, se calhar vão ter de esperar mais algum tempo. Quem sabe lá para 2010...

Corno de Bico - Amanhã já temos CEIA. É certo, confirmado. Mas é melhor esperar para ter a certeza.

Dívidas - "Rejeitamos com toda a veemência o labéu que nos quiseram colar de gastadores e de maus gestores", Pereira Júnior em declarações ao NC

Esgotos (o mesmo que saneamento, mas já tenho outra coisa para o S) - Para continuar e cobrir todo o concelho. Assim é que é, mas é preciso mais celeridade no arranjo das estradas.

Feira - Depois da mudança, positiva, ficamos à espera de ver o que surge no antigo largo.

Justiça - Os planos do Governo apontam para que o concelho perca o Tribunal para Valença. Já agora que nos levem também o centro de saúde, as finanças, os correios e a segurança social. E a nós também, pois pouco resta.

Lei das Finanças Locais - "2007 será um ano difícil", Pereira Júnior em declarações ao NC

Música - Será que vamos perder o festival? Será que vamos perder com o festival? Será... Em Agosto logo se vê.

Notícias - Poucas, muitas, nenhumas, sobre tudo e sobre coisa nenhuma.

Oposição - Uma coisa é certa, vai continuar a existir oposição em Paredes de Coura. Outra coisa já não é tão previsível: é se vai funcionar ou não.

PDM - E dura, e dura...

Sapardos - Do concurso nem uma palavra. A A3 continua(rá) tão longe...

Trocos - É o que vamos ter nos bolsos, pelo menos quando viermos à vila e quisermos estacionar, com a entrada em funcionamento dos parcómetros. Uma medida contestada mas que, no meu entender, é bem vinda. E eu até sou dos que tenho de pôr lá a moedinha se quiser parar à porta de casa.

Variante à EN303 - Alguém sabe quanto tempo é que deveria durar a obra? E porque é que está parada?

29 dezembro 2006

Passagem de Ano

A Câmara de Paredes de Coura oferece o espumante e o bolo-rei. O "Kalhambeke" dá a música (fica aqui um cheirinho). A alegria e a boa disposição têm de ser por conta de cada um de nós. A ver se o tempo nos dá uma boa passagem de ano.

28 dezembro 2006

Orçamento na Assembleia

Amanhã há assembleia municipal e o principal ponto da ordem de trabalhos é a discussão e votação do Plano e Orçamento para 2007 da Câmara Municipal de Paredes de Coura. São cerca de 23 milhões de euros, com o saneamento à cabeça dos projectos autárquicos.
Ponto de interesse desta Assembleia vai também ser verificar qual a reacção da oposição. É que, recorde-se, na última reunião deste órgão, PSD e CDU abandonaram a sala em bloco, ainda antes de se entrar na ordem de trabalhos, em divergência com o presidente da mesa.
Será que desta vez repetem a façanha? Afinal de contas, em discussão só vai estar o documento mais importante para o governo do concelho no próximo ano. E ainda por cima tem alguns outros assuntos a serem abordados antes e ainda vai demorar um bocadinho até se chegar a este ponto… Se calhar é tempo a mais para estar dentro da sala e mais vale abandonar outra vez a reunião.
A propósito disto, ou talvez não, trago aqui um artigo da edição de hoje do Jornal de Notícias, em que o presidente da Assembleia Municipal de Carrazeda de Ansiães defende honorários mais aliciantes para os deputados municipais, de modo a alterar o clima de passividade “quase total” que se verifica naquele órgão. Defende aquele responsável que, “com senhas de presença de pouco significado, as pessoas não se empenham minimamente”. Além disso pede aos partidos para escolherem pessoas “mais dinâmicas e interessadas” para as suas listas.
Em Paredes de Coura parece que o cenário é em tudo semelhante ao de Carrazeda de Ansiães. Também, sinceramente, quem é que acha que 57 euros de senha chegam para compensar três horas de sessão, num país onde o ordenado mínimo, para cerca de 240 horas mensais de trabalho, é de pouco mais de 400 euros… Enfim!

Sara

Mais um caso de suspeita de violência em crianças a marcar a actualidade do país. A pequena Sara, de apenas dois anos, morreu ontem aqui bem perto de nós, em Monção, aparentemente devido a maus tratos sofridos. Desde 2003 esta é já a oitava morte do género. Bem sei que à luz da Lei todos são inocentes até prova em contrário, mas a Sara, e outros como ela (muitos infelizmente) são, serão sempre inocentes. Até na morte.
Casos como este estão a tornar-se cada vez mais frequentes. E todos sabemos que muitas situações de maus tratos a crianças nunca chegam ao conhecimento público. As comissões de protecção a menores necessitam de ter um papel mais activo na prevenção, e não só na resolução, deste tipo de casos. Mas para isso precisam de ter mais poderes e menos burocracia. Não se pode perder tempo em reuniões e mais reuniões, o que é preciso é agir. De imediato! Às vezes será até preferível tomar uma decisão mais precipitada e depois corrigi-la.
Também as famílias e amigos têm um papel importante nesta problemática. Não basta olhar e virar as costas, é preciso assumir e dar a conhecer este tipo de situações que permanecem com as crianças até ao fim da vida. Deixo aqui um anúncio feito pelo Instituto de Apoio à Criança que relembra isso mesmo, que uma criança nunca esquece.

27 dezembro 2006

CEIA de ano novo


Primeiro foi na Primavera, depois em Setembro, com a presença de José Sócrates. Seguiu-se Novembro ou Dezembro, mas apenas com o secretário de Estado Ambiente. Mas a Primavera foi-se, o primeiro-ministro não veio e o secretário de Estado alinhou pelo mesmo diapasão. Resultado: o Centro de Educação e Interpretação Ambiental do Corno de Bico vai ser, finalmente, inaugurado no próximo dia 2 de Janeiro. Sem ministro, aparentemente sem qualquer membro do Governo sequer, mas com uma certeza, muito tempo perdido.
Antes de mais convém esclarecer que, apesar de inicialmente agendada para a Primavera, a inauguração do CEIA nunca poderia ter acontecido antes de Setembro, até porque em Agosto ainda eram visíveis as obras por concluir. Apesar disso, de Setembro até agora já lá vão quatro meses que poderiam ter sido devidamente aproveitados, não fosse a questão da pompa da inauguração. Que até se compreende, tendo em conta que atrás do primeiro-ministro viria toda a comunicação social e projectaria esta nova estrutura por todo o país.
Por outro lado, ficaram a perder todos aqueles que poderiam já ter utilizado os serviços deste investimento de um milhão e duzentos mil euros, incluindo muitos alunos de Paredes de Coura que já têm programadas visitas ao CEIA desde o início do ano lectivo, aguardando apenas pelo abrir das portas. E nem sequer faltavam funcionários, porque estes já foram admitidos em Setembro.
Porque é que não se fez como noutras obras de Paredes de Coura, colocadas em funcionamento logo após a sua conclusão e inauguradas oficialmente muito tempo depois. Quem não se lembra da Escola Básica Integrada, inaugurada um ano depois da sua abertura, ou do Centro de Saúde que Jorge Sampaio inaugurou já com muitos anos de utilização?
Enfim, agora que o tempo passou, resta esperar pela eficaz dinamização de um equipamento que, penso eu, tem tudo para ser um pólo de atracção das camadas mais jovens. E não só!

20 dezembro 2006

23 milhões para 2007


Pouco mais de 23 milhões é o montante do orçamento da Câmara Municipal de Paredes de Coura para o próximo ano. A proposta foi levada à discussão na penúltima reunião do Executivo e aprovada por unanimidade, apesar de algumas críticas por parte do PSD.
Na base das críticas dos social democratas esteve o pouco tempo disponível para analisar aquele que é “apenas” o documento orientador das políticas do concelho para o próximo ano. De acordo com as declarações de Décio Guerreiro e José Augusto Viana de Sousa naquela reunião, os documentos forem recebidos somente três dias antes, ou seja demasiado em cima da hora da reunião, deixando pouca margem de manobra aos dois vereadores da oposição que manifestaram a sua impossibilidade de analisar detalhadamente os números do orçamento naquele curto espaço de tempo.
Ainda assim, mesmo aprovando o documento, não deixam de criticar, nomeadamente, a verba reservada para a área da protecção civil e prevenção de incêndios, que consideram “claramente insuficiente” face às necessidades do concelho. Outro aspecto criticado diz respeito aos valores indicados para a rede pré-escolar, onde defendem um reforço daquela verba, continuando a cair na asneira de juntar pré-escolar e creches no mesmo saco.
Apesar de tudo, os dois vereadores do PSD realçam o empenho no saneamento básico no concelho e os 2,4 milhões de euros destinados a investimentos nas freguesias, criticando, contudo, o facto de cerca de 20% do orçamento ser atribuído a “obras do passado”, que há muito estão terminadas.

17 dezembro 2006

Agricultor debaixo do tractor


De acordo com as estatísticas do Governo Civil de Bragança, no presente ano morreu mais gente no distrito em acidentes com tractores do que em acidentes de viação, incluindo no malogrado IP4. Ao todo registaram-se seis mortes em acidentes de viação contra uma dezena de vítimas em acidentes com tractores e máquinas agrícolas.
Solução apontada pelo Governo Civil: obrigatoriedade de carta de condução especial para quem deseja conduzir um tractor ou manobrar máquinas agrícolas pesadas. Tem o meu apoio.
Desconheço se as estatísticas de Bragança se adequam também à realidade de Paredes de Coura, mas lembro-me de vários episódios, recentes, de acidentes com tractores. Não quer dizer que com uma carta de condução especial se evitem os acidentes. Há-se sempre haver azares. Mas, pelo menos, obriga a que os condutores deste tipo de veículos tenham um mínimo de conhecimentos de procedimentos mecânicos a respeitar no uso dos tractores, a começar pela obrigatoriedade da barra de protecção que poderia ter salvo muitos malogrados em acidentes com tractores.
Mas se vão pegar no caso dos tractores, convém não esquecer um outro perigo, na minha opinião muito maior, até porque cada vez são em maior número. Falo dos “microcarros”, também conhecidos como “papa-reformas”, que não necessitam de carta de condução e muitas vezes são conduzidos por pessoas que nunca viram um sinal de trânsito na vida. O problema é que circulam nas mesmas estradas que os outros veículos, alguns até em auto-estradas (??). Imagine-se o perigo, pense-se em o evitar.

14 dezembro 2006

Parcómetros: em que é que ficamos?


Os parcómetros já chegaram a Paredes de Coura e, aparentemente já começaram a dar frutos, pois parece que muitos daqueles que têm o carro estacionado na vila o dia todo já estão a procurar outros poisos. Agora, contudo, é preciso ver o que está mal: se as máquinas, se os sinais.
É que, um olhar mais atento mostra duas realidades diferentes e é preciso saber em qual é que se fia o automobilista e por qual é que vai fiscalizar a GNR. Por um lado temos os sinais de trânsito, que limitam o estacionamento a 90 minutos e pago entre as 8 e as 20 horas dos dias úteis. Por outro lado temos as máquinas que emitem os comprovativos de estacionamento, que aceitam um máximo de duas horas de estacionamento e que, por sua vez, indicam o horário das 8.30 às 19.30 horas como período de estacionamento pago.
Parece óbvio que, como automobilista, vou optar por respeitar o que dizem as máquinas. Fica mais barato e facilita as coisas, dado o maior tempo permitido de estacionamento sem ter de voltar a colocar a moedinha. Mas e a GNR? Será que vai ter isso em consideração? Quer-me parecer que não. Depois, quando começarem a cair as multas, de quem é a responsabilidade? Ah, pois! Bem me parecia.

Eu assino! Já!

A última edição do Notícias de Coura dá conta de um abaixo-assinado que um casal de S. Martinho de Coura está a promover para reclamar do mau serviço prestado pelas televisões nacionais. Ao que parece, em S. Martinho, é melhor a qualidade de recepção dos canais espanhóis do que dos quatro portugueses emitidos em sinal aberto.
Eu, que até moro na vila, não duvido. Pois se, na própria vila, a situação não é muito diferente! A TVI praticamente só se apanha nas zonas mais elevadas e o Canal 1 da RTP tem dias bons e dias maus, mas quando chove praticamente todos os dias são maus.
No caso da RTP, a situação ainda é pior porque se trata de uma empresa pública, mantida com o meu e o vosso dinheiro, e que por isso mesmo deveria prestar o tão badalado “serviço público” a todo o país. Não apenas em termos informativos e de divulgação, mas também em relação à qualidade da transmissão. De que adianta ter um bom serviço informativo se este não consegue chegar a uma considerável parte dos portugueses. Sim, porque esta questão não é exclusivo de Paredes de Coura, infelizmente alastra-se a outros pontos do país, com especial relevo no interior.
Como quero pensar que não se trata de descriminação, só posso assumir que estamos perante um caso de desleixo por parte dos responsáveis da RTP, e da TVI já agora, a quem não importa a reduzida audiência que lhe trazem algumas terras do interior, isoladas geograficamente e, desta forma, também socialmente.
Que venham os espanhóis? Porque não? A TV Galicia consegue ter até muitos programas que me fazem mudar de canal, já para não falar das boas condições de recepção. Mas essa não é a solução. Por outro lado, os galegos já deram a entender que gostavam também de receber os canais portugueses. Pelo andar da carruagem, qualquer dia vemos melhor a RTP na Corunha do que em Paredes de Coura.

11 dezembro 2006

E porque não em Coura?

A notícia é da Rádio Alto Minho. E diz que o PSD de Viana do Castelo, concelho, reclama para a capital de distrito a sede da futura comunidade municipal a dez, que vai reunir todos os concelhos do distrito. A união ainda não é certa, muito embora seja quase obrigatória face aos requisitos para as candidaturas a fundos comunitários, mas o PSD vianense lamenta que o presidente da Câmara daquela cidade não tenha esta prioridade na sua lista.
E, pergunto eu, porque raio é que a sede de uma comunidade de municípios que abrange todo o distrito, teria de ficar na sua capital. Já não basta estarem lá concentrados praticamente todos os outros serviços, a começar pelo próprio Governo Civil e a acabar no hospital?
É certo que a sede da futura comunidade mais não será que uma área administrativa, mas se vai abarcar todo o distrito porque não tentar localizá-la numa zona mais central. E nesse aspecto Paredes de Coura ganha pela centralidade, se bem que não tanto pelos acessos.
Eventualmente, a dificuldade dos acessos até poderia sensibilizar os outros membros da comunidade para a solução deste problema do nosso concelho. Mas o que importa é que, com os distritos, comos os conhecemos, cada vez mais com os dias contados, se não efectivamente pelo menos na prática, não faz sentido estar a concentrar em Viana do Castelo um organismo que pode muito bem funcionar noutro sítio qualquer.

07 dezembro 2006

Party time

200 participantes, 53 horas de ligação em rede, um torneio de futebol robótico. Alguns dos ingredientes da Coura Campus Party, que de amanhã até domingo vai ter lugar em Paredes de Coura. Um evento que, a cumprirem-se os objectivos da organização, o Núcleo de Informática Courense, promete trazer muita gente ao concelho, neste e nos próximo anos. Vamos apoiar.

04 dezembro 2006

A religião como turismo


A ideia faz parte do plano de actividades da Região de Turismo do Alto Minho, divulgado na semana passada. Valorizar os recursos religiosos existentes nesta zona como potenciadores turísticos é a aposta de Francisco Sampaio, que vê com agrado o fluxo de turistas atraídos por locais como S. Bento da Porta Aberta, no Gerês, Santa Luzia, em Viana do Castelo ou mesmo Santiago de Compostela, que apesar de ser em Espanha traz muita gente ao Alto Minho.
O turismo aliado à religião já tinha sido tema de debate num encontro ocorrido há alguns meses, onde se destacou o elevado movimento turístico, enquanto movimento de pessoas, gerado por locais como o Santuário de Fátima ou o Sameiro, em Braga. Na altura, inclusivamente, falou-se da criação de um roteiro que integrasse algumas das igrejas mais emblemáticas da região.
Um roteiro que teria passagem por Paredes de Coura, nomeadamente pela Igreja de S. Pedro de Rubiães, monumento nacional que marca um período da história do concelho. Nós por cá, dentro do município, também temos um roteiro religioso, à nossa maneira, se bem que aliando o religioso e o profano. Falo das festas populares, alicerçadas no culto ao divino, mas que se estendem a outras áreas.
O nosso roteiro passa por Rubiães, mas não esquece S. Bento da Porta Aberta, o nosso não o do Gerês que consegue ser o segundo santuário mas visitado do país. E inclui ainda a Pena e Santa Maria de Paredes, não deixando de fora outras festas, e igrejas e capelas, como S. Caetano, S. Lourenço e outras que tais.
Tudo isto para dizer que, tal como deseja a Região de Turismo a um nível maior, também nós temos, entre paredes, motivos de sobra para fazer o nosso próprio roteiro religioso. Que cada um escolhe como quer fazer, por onde quer começar e quais os locais por onde passar. Como em tudo na vida.