17 junho 2010

Ouvidos de mercador

Ouvidos de mercador é o que parece ter a ministra da Saúde. A Assembleia da República aprovou, há dois meses, um projecto de resolução que recomendava a suspensão imediata do encerramento das urgências nocturnas em Valença, Paredes de Coura, Arcos de Valdevez e Melgaço mas, passados dois meses, tudo continua na mesma e, diz Luís Campos Ferreira, deputado do PSD, nem sequer uma resposta veio dos lados do Ministério. Falta de educação?

Ao mesmo tempo começam a surgir notícias, que já se esperavam aliás, sobre as dificuldades de funcionamento da consulta aberta (que substituiu o SAP), em Paredes de Coura. A fazer fé nas notícias veiculadas na última edição de O Coura (não disponível online), parece que está para breve o encerramento às 20 horas, e não às 24 horas como acontecia desde o encerramento nocturno do SAP. Vamos aguardar para ver?

16 junho 2010

A festa do sol

As duas primeiras edições foram um sucesso. No próximo sábado há mais uma, a edição de 2010 do Solstício de Verão. Uma organização da associação A Cividade, que pode tornar-se num pólo de atracção do concelho. Isso mesmo, aliás, referiu publicamente o presidente da Câmara de Paredes de Coura nas vésperas da última realização, enaltecendo as qualidades do evento e dizendo mesmo que “mais cedo ou mais tarde, poderá ter uma projecção idêntica à do Festival”.

Bons augúrios para uma iniciativa que nasceu da carolice de uma das mais dinâmicas associações do concelho e que, de ano para ano, tem elevado a fasquia da qualidade. Este ano não será excepção e, a atentar no oferta do cartaz, vamos ter mais um Solstício bem animado, com artes circenses, espectáculo equestre, danças célticas e trechos de teatro, a cargo do Teatro Amador Courense, que se associou também a esta organização.

Se a isto juntarmos uma ementa adaptada à época que o Solstício pretende recuperar, com porco no espeto, truta grelhada e a sempre concorrida “queimada”, temos todos os ingredientes necessários para uma noite bem passada, com um cenário de sonho, assim o bom tempo permita uma noite limpa. Motivos mais que suficientes para levar muita gente ao alto da Cividade de Cossourado e, quem sabe, dar razão ao autarca courense e transformar o Solstício de Verão em mais um evento a marcar na agenda das visitas obrigatórias a Paredes de Coura.

15 junho 2010

E a alternativa é… a portagem?

Portagens, portagens e mais portagens. É este o cenário que espera, já a partir do próximo dia 1 de Julho, os utilizadores das SCUTS que o Governo resolveu portajar, numa medida que, supostamente, pretende ajudar a combater o buraco criado nas finanças do país, mas que, e aqui é certinho, promete sim criar um buraco ainda maior no bolso dos portugueses que utilizam estas vias.

Nas últimas duas semanas, por motivos quer pessoais, quer profissionais, tive de fazer por cinco vezes o percurso entre Paredes de Coura e o Porto. Como o dinheiro não me nasce nos bolsos, é óbvio que escolhi a ligação mais económica e fiz o percurso via A28. Se o fizer a partir de 1 de Julho, cada viagem entre Paredes de Coura e o Porto vai-me custar mais 8.10 euros. Coisa pouca para uma viagem só, mas se pensarmos que só nas deslocações destas últimas semanas teria gasto, em portagens, o suficiente para atestar o depósito de combustível do carro e fazer o mesmo percurso mais duas vezes, então começamos a perceber o impacto desta medida. Mais ainda se, como acontece com milhares de pessoas, as viagens pelas SCUTS que vão ter portagem são uma obrigação para irem trabalhar diariamente. Imagine-se, por exemplo, alguém que tem de ir todos dias de Viana do Castelo para o Porto, chegar ao fim do mês e ver que quase 200 euros ficaram pelo caminho, em portagens.

Infelizmente esta situação não vai afectar apenas quem utiliza a A28. Outras SCUT’s, estradas que, por muito que o Governo queira, não têm qualquer alternativa viável, também vão começar a mexer diariamente no bolso dos portugueses que as utilizam. E, aqui a expressão “portugueses que as utilizam” tem ainda mais razão de ser. É que não vai ser fácil obrigar os automobilistas estrangeiros que circulam nessas vias a pagar a portagem, quando o sistema nem sequer para os portugueses é simples. Imagine-se entrar em Portugal por Valença, fazer o percurso até Viana do Castelo sem problemas e depois, ao querer seguir mais para Sul ser confrontado com a obrigatoriedade de se dirigir a uma estação dos CTT para comprar um identificador que, provavelmente, vai utilizar apenas uma vez. Os milhares de espanhóis que todos os fins de semana vêm em romaria para o IKEA até o podem comprar, mas para aquele turista esporádico, que nos visita de vez em quando, o sistema é inviável.

Resta falar das alternativas. Das que se colocam aos que não podem pagar o que o Governo exige, e que agora se vêem obrigados a regressar a estradas municipais (sim, que muitos troços das antigas estradas nacionais já foram municipalizados) e, por entre rotundas, semáforos, cruzamentos e passadeiras, fazer no triplo do tempo um percurso que até agora faziam de forma muito mais rápida. Não há alternativas viáveis à A28, todos o sabem, incluindo o Governo. Aliás, há troços das antigas estradas nacionais onde os pesados nem sequer podem circular, o que vai obrigar este tipo de veículos a um constante zigue-zague entre SCUT’s e EN’s. Nada disso parece interessar a um Governo que só vê números à sua frente e que, pelos vistos, parece não querer ficar por aqui e fala já em colocar portagens noutros trajectos que, tal como os que são portajados agora, partilham o facto de não terem qualquer alternativa (veja-se o caso da A25 entre Aveiro e Vilar Formoso).

No meio disto tudo ficam regiões que só têm a perder com esta medida governamental. No caso concreto da A28, os municípios já vieram a terreiro lembrar o impacto que a introdução de portagens nas SCUT’s vai ter, quer junto dos seus munícipes, quer junto do tecido empresarial desta zona. O aumento dos custos dos transportes é a face mais visível das consequências desta medida, mas o cenário global vai mais longe e volta a insistir na mesma tecla de sempre: o desrespeito pelas populações destas zonas. No entanto, enquanto alguns autarcas criticaram e já avisaram que vão avançar com medidas cautelares para tentar evitar a consumação desta ideia, outros há que se ficam pelas críticas, vá-se lá saber porquê.

08 junho 2010

Época balnear: e a praia, como está?

CIMG1658

A época balnear começou oficialmente há uma semana. O bom tempo das últimas semanas já levou muita gente às praias e, mesmo por Paredes de Coura já se começam a ver algumas pessoas na praia fluvial. Ainda no passado domingo por lá passei e já havia alguns banhistas a experimentar as águas fresquinhas do Coura. Mas, será que este ano não vamos ter a repetição dos problemas dos anos anteriores?

Infelizmente a poluição é um mal que teima em afectar um dos maiores recursos naturais do concelho, e não há Verão em que as análises efectuadas às águas do Rio Coura não apresentem, uma ou outra vez, valores de poluição acima do permitido. O ano passado, aliás, foi dos piores para as águas do Taboão e um breve olhar para os resultados das análises levadas a cabo durante a época balnear mostra-nos que, de Junho a Setembro, a praia esteve “sem problemas” apenas durante quatro semanas. Ou seja, nos mais de três meses de época balnear, só pudemos oferecer uma praia fluvial em pleno durante um mês. Acresce que todos os problemas originados pela poluição, especialmente em vésperas do Festival de Paredes de Coura, obrigaram a Câmara Municipal a uma intervenção de urgência com custos acrescidos.

E este ano, como será? Longe de querer fazer futurologia, tenho para mim que vamos ter novamente problemas. É que, não sendo descobertos, os prevaricadores vão continuar a fazer descargas ilegais no Rio Coura, aproveitando principalmente os dias como o de hoje, em que a chuva substituiu o sol do Verão. No entanto, num ano em que ao invés de um vamos ter dois festivais, muito embora não comparáveis em dimensão mas que ainda assim prometem trazer muita gente ao Taboão, a fiscalização terá de ser a palavra de ordem. Caso contrário corremos o risco de voltar a ter um Verão com apenas quatro semanas de rio utilizável, com banhistas a arriscar ou nas margens a ver a água passar.

28 maio 2010

PSD courense: Castro depois de Cunha

 FOTO.JPGPaulo Castro, professor de Inglês na Escola EB 2.3/S de Paredes de Coura, mas também ligado ao associativismo do concelho e à pastoral juvenil, é o novo presidente da concelhia do PSD de Paredes de Coura. Aos 42 anos, Paulo Castro sucede a João Cunha, anterior líder dos social-democratas do concelho, que não se recandidatou ao cargo que vinha a desempenhar.

O novo presidente da concelhia do PSD apresenta um curriculum político que inclui a liderança da JSD courense e distrital e ainda a representação do distrito no Conselho Nacional do PSD, bem como uma passagem pela Assembleia Municipal no mandato de 1997 a 2001. Aliás, depois de algum tempo afastado destas lides, Paulo Castro viria a reencontrar-se com o partido nas últimas eleições autárquicas, onde concorreu em três frentes: assembleia municipal, câmara municipal e cabeça de lista à Junta de Freguesia de Cossourado, de onde é oriundo. Neste último cenário acabaria por ser derrotado pela detentora do cargo na altura, enquanto que nos outros dois órgãos a sua presença nas listas em  lugar não elegível o afastou de qualquer representação.

Nesse aspecto fica a perder em relação a João Cunha, que chegou a ocupar o cargo de vereador no último mandato autárquico e que, nas autárquicas de Outubro último foi eleito para a Assembleia Municipal de Paredes de Coura. Sem “púlpito” onde faça ouvir a sua voz, pelo menos no que aos órgãos autárquicos diz respeito, será que vamos ter mudanças “a pedido” na composição da bancada social democrata naquele órgão?

Preço da água: vêm aí aumentos!

CIMG1648

A falta de concorrência tem destas coisas: aumento dos preços. Neste caso a ideia que existe de uniformizar os preços a que é fornecida a água de consumo público, muito por causa do domínio da Águas de Portugal na distribuição, vai mexer directamente no bolso dos portugueses e Paredes de Coura não foge à regra.

Ainda para mais quando, como é sabido, a Câmara de Paredes de Coura, “subsidia” parte da água que os seus munícipes pagam. Isto porque, conforme já explicou o autarca courense por diversas vezes, a câmara compra o metro cúbico de água a 56 cêntimos, mas depois cobra apenas 26 cêntimos por metro cúbico ao consumidor final. Uma situação que a proposta de uniformização de preços, de que a fusão das várias concessionárias é a face mais visível, não irá, obviamente, contemplar razão pela qual são esperados aumentos elevados das tarifas de água concelhias.

Muito embora ainda não sejam conhecidos os valores finais a aplicar quando avançar a incorporação das Águas do Minho e Lima nas Águas do Noroeste, Pereira Júnior fala já numa previsão de que cada metro cúbico de água custe entre 2 a 3 euros, ou seja, muito acima do que é cobrado actualmente e valor que o próprio presidente da Câmara considera muito caro. É certo que o valor apontado pelo autarca courense integra não apenas o custo da água, mas sim também a tarifa de saneamento indexada ao consumo. De qualquer das formas, tendo em conta os valores pagos actualmente, podemos sempre dizer que estamos perante um aumento de grandes proporções.

Para tentar evitar esta situação, os municípios do distrito estão já a financiar um estudo que visa verificar se compensa mais a criação de uma nova empresa, de cariz intermunicipal, que irá substituir-se à Águas do Noroeste na distribuição da água. Os resultados desse estudo devem ser conhecidos no segundo semestre de 2010 e, em tempo de crise, poderão significar a manutenção ou a saída de mais uns euros do bolso dos cidadãos courenses.

21 maio 2010

Aceitam-se recomendações?

 

Recomendações sobre o processo de requalificação das Urgências no Alto Minho publicadas em Diário da República – Rádio Geice

Infelizmente, parece que não, por isso isto não vai valer de muito. Mas, num cenário de crise geral, em que são os próprios governantes, locais e nacionais, que admitem que o encerramento das urgências nocturnas vai trazer custos acrescidos, não seria recomendável acatar a recomendação?

Um património a proteger

Hoje e amanhã o património histórico de Paredes de Coura está em debate nas jornadas sobre Património Arqueológico e Turismo, que trazem até ao nosso concelho alguns especialistas desta área. Uma área que, refira-se, poderá ser utilizada como mais um factor de atracção para quem nos visita. Curiosamente, dei por mim a recordar que a Cividade de Cossourado foi o primeiro local que visitei em Paredes de Coura, nos idos de 1997. A proximidade do local onde me encontrava de férias ditou uma caminhada ao alto do monte para ver os trabalhos que a parceria entre a Câmara de Paredes de Coura e a Universidade Portucalense e que deixaram em exposição a recriação parcial de um fortificado da Idade do Ferro.

Hoje, quase 13 anos depois dessa primeira visita, constato que apesar de todo o desenvolvimento que, no concelho, tem havido no que respeita ao estudo e preservação do património arqueológico, a Cividade de Cossourado continua, tal como na altura, a aguardar a classificação por parte do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico. O pedido é de 1996, mas até à data continua sem seguimento. Não é, contudo, caso único no património do município, já que na mesma situação, em vias de classificação, está também outra estrutura do género, o Castro de S. Martinho, alguns quilómetros mais a Sul. Apenas o Castro de Romarigães, também na mesma zona, rica em património desta época, se encontra classificado como Imóvel de Interesse Público.

Estes três casos, a par com o troço da Via Romana de Braga a Tui, devem, aliás, estar integrados na Carta Arqueológica de Paredes de Coura, que será hoje apresentada no decorrer das referidas jornadas. O programa deste evento inclui, ainda, a inauguração do Núcleo de Arqueologia do Museu Regional de Paredes de Coura. Uma área que, curiosamente, já funciona há alguns anos naquele equipamento, pelo que não se percebe o porquê desta inauguração agora. De qualquer das formas, e tendo em conta que a autonomização desta área poderá significar a continuação de um olhar atento a este tipo de património no concelho, rico em achados arqueológicos, o último dos quais, creio eu, aconteceu há cerca de três anos, com a descoberta de vestígios de uma estação romana em Infesta.

Em relação a segunda parte das jornadas, a articulação entre o património e o turismo, esta seria uma boa forma de rentabilizar um valor latente no concelho. Resta saber em que moldes tal poderia (e deveria) ser feito, mas isso será certamente, assunto que não escapará à discussão nas jornadas deste fim de semana.

14 maio 2010

Taboão: restaurante fechado até quando?

aviso restaurante taboão

Ambiente bucólico, o rio a correr por entre a sombra das árvores, uma grande superfície verde que convida ao relaxamento e um restaurante com vista para isto tudo mas… FECHADO! É este o triste cenário que se oferece aos courenses e turistas que procuram a praia fluvial do Taboão por estes dias. Aliás, por estes últimos meses, pois não é de agora que aquele espaço se encontra encerrado.

Projectado pela autarquia courense como espaço de apoio à praia fluvial, que permitisse a sua dinamização e animação durante todo o ano, o restaurante do Taboão é, actualmente, um elefante branco, praticamente abandonado e sem utilização. Reaberto com nova gerência em Setembro de 2008, desde logo foi assumido pela nova gestão o compromisso de abrir portas apenas aos fins de semana no período de Inverno e durante toda a semana no Verão. O aviso afixado na porta, e que se reproduz na foto acima, dá a entender isso mesmo, mas na realidade não é isso que se verifica e, seja semana ou fim de semana, a porta está sempre encerrada e, já o presenciei por diversas vezes, com algumas pessoas a bater com o nariz na porta.

Uma questão que não passou despercebida à Câmara Municipal, proprietária do espaço, que está preocupada com a situação, inclusivamente porque haverá outros interessados em pegar naquele restaurante. O actual concessionário, contudo, tem ainda o seu contrato válido, pelo que autarquia parece estar de mãos atadas. Uma coisa é certa, como está, aquele espaço é um desperdício. Os quase 150 mil euros que o município ali investiu parecem dinheiro deitado fora e fazem-nos ter saudades do velhinho bar que ali existiu em tempos e que, mesmo sem grandes sumptuosidades, prestava serviço a quem escolhia a praia fluvial como espaço de lazer.

07 maio 2010

Urgências: aumento de doentes, prejudica serviço

A afluência de utentes aos serviços de urgência básica de Monção e Ponte de Lima aumentou fortemente no último mês, num cenário a que poderá não ser alheio o encerramento das urgências nocturnas em Valença, Melgaço, Paredes de Coura e Arcos de Valdevez. Era o que já se esperava, ou não? Alguém duvidada que isto fosse acontecer? É claro que não, pois já se sabia que sem serviço médico a funcionar de noite nos seus concelhos de residência, os utentes que necessitassem de cuidados de saúde os iriam procurar noutro lado e não esperar pelas 8 da manhã, como defendeu o secretário de Estado da Saúde a determinada altura.

O caso de Monção é gritante, pois de acordo com os dados da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM) hoje divulgados pela TSF, registou um acréscimo de 630 por cento de utentes vindos de Valença. Mas não é o único, pois no serviço de urgência básica (SUB) de Ponte de Lima também se verificou um aumento de 128 por cento no número de pacientes oriundos de Paredes de Coura, por exemplo. Número que, a juntar também à afluência considerável de utentes de Arcos de Valdevez, Ponte da Barca e, naturalmente, Ponte de Lima, leva Baltasar Fernandes, gestor do serviço de urgência da ULSAM a considerar que aquele SUB enfrenta um congestionamento e uma má resposta, relacionados com “as condições exíguas em termos de espaço” daquele serviço. Ora, se as condições não são as melhores para providenciar um bom serviço aos doentes que ali acorrem, porque raio é que se teima em manter encerrados os serviços locais e canalizar para ali os utentes de todos os concelhos à volta?

Por outro lado, ao mesmo tempo surgem notícias, igualmente esperadas, de que os Bombeiros de Valença registaram o dobro das saídas habituais desde que o serviço de urgências local encerrou. Uma situação que, explicam os bombeiros, tem a ver com o aumento do serviço de transporte de doentes para Monção. Por Paredes de Coura não se conhecem números, mas quase que aposto que as viagens Coura/Ponte de Lima também cresceram. E, já agora, os custos de quem tem de as suportar.

Um SAP por uma SIV

O assunto do encerramento das urgências dominou a última Assembleia Municipal, com o PSD a ver aprovada quase por unanimidade uma proposta no sentido de exigir do Ministério da Saúde a suspensão do encerramento até que estejam cumpridos os pressupostos assumidos no protocolo assinado com a Câmara de Paredes de Coura. Mas, além da moção de protesto, outra coisa saiu da reunião de sexta-feira passada: a consciência de que uma SIV é melhor do que nada, mas que não substitui o SAP que tínhamos até então.
Décio Guerreiro lançou o mote, criticando a atitude do Governo por encerrar o SAP num fim de semana e sem aviso prévio, mas sobretudo por não cumprir o estabelecido no protocolo firmado com a Câmara. “Foi feito um acordo para o concelho e não foi cumprido. Todos devemos exigir que seja cumprido”, razão pela qual o PSD concelhio defende que o SAP seja reaberto até que isso suceda. E, no final da discussão, foi esse o conteúdo da proposta que foi aprovada quase por unanimidade (apenas uma abstenção do PS), muito embora ao longo de quase uma hora de discussão não tenha sido esse o cenário, com Pereira Júnior a explicar todo o processo que levou ao encerramento do SAP, bem como as dificuldades sentidas pela tutela para cumprir o acordado, nomeadamente a questão do médico à chamada, e a recente renegociação que promete trazer para o concelho uma ambulância SIV, se bem que ainda com muita coisa por definir, nomeadamente o período em que aquele equipamento vai estar operacional.
Aliás, Pereira Júnior afirmou, no decorrer da reunião, que nem sequer sabia quando é que a ambulância prometida pelo secretário de Estado da Saúde iria começar a servir os courenses, uma vez que, aparentemente, já haverá veículo disponível mas não foi ainda contratada a equipa (ou equipas) que vão prestar serviço naquele equipamento. “Se não entrar em funcionamento em prazo razoável, então tomaremos outras medidas”, explicou o autarca courense. O certo é que, a Assembleia parece não ter confiado muito nesta última promessa do Ministério da Saúde e optou por exigir que, enquanto não estivesse cumprido o prometido em 2008, o SAP de Paredes de Coura volte a estar aberto durante a noite. Desconhece-se, contudo, se a tutela vai dar seguimento a essa exigência.
A Assembleia Municipal serviu também para clarificar que a SIV não constitui uma alternativa viável ao funcionamento do SAP durante a noite, tendo em conta que vai tratar apenas casos de maior gravidade e todos os outros terão de seguir para Ponte de Lima. E, mesmo em relação aos mais urgentes, “veremos o que acontece quando a SIV for para Viana e alguém precisar dela cá”, alertou Décio Guerreiro que não perdeu a oportunidade de recordar que, aquando da passagem do anterior Ministro da Saúde por Paredes de Coura, este afirmou publicamente que o SAP de Paredes de Coura não encerraria enquanto não existisse um acesso rápido à A3. O acesso não existe, efectivamente, mas o ministro já não é o mesmo e o SAP… já fechou.

06 maio 2010

Somos contra, claro! Mas amanhã já não…

Alguém se lembra do que aconteceu em Viana do Castelo no dia 25 de Janeiro de 2009? Uma rápida pesquisa pela internet relembra-nos que foi nessa data que a população de Viana do Castelo, chamada a decidir sobre a integração do seu município na comunidade intermunicipal do Minho-Lima, optou por manter-se fora desta organização associativa. Mas, à luz dos acontecimentos actuais, ninguém diria que tal aconteceu. Aliás, duvidar-se-ia mesmo da realização do referido referendo. É que, depois do Não popular em 2009, um ano volvido o município de Viana do Castelo dá o dito por não dito e prepara-se para assinar hoje a sua adesão à criticada CIM.

É claro que este volte-face era algo que já se previa. A vontade de ficar de fora da nova associação de municípios, que reuniu logo desde o início os outros nove concelhos do distrito, era um capricho pessoal do presidente da Câmara de Viana do Castelo à data dos acontecimentos. Mas, com a saída airosa de Defensor Moura para o Parlamento, logo logo o seu sucessor, antigo número dois, mostrou que estava disposto a seguir na direcção contrária e associar-se aos seus colegas de distrito. E pronto, depois de alguma negociação, mas sem abrir mão do princípio desde sempre defendido pelos fundadores da CIM de “um concelho, um voto”, eis que se esquece o que Defensor Moura tanto defendeu.

Desiluda-se quem pense que na origem deste recuar de intenções estão questões mais filosóficas, porque o que está no cerne da questão é só uma coisa: dinheiro. Mais concretamente, os milhões que o QREN reservava para a capital alto-minhota mas a que esta só poderia aceder fazendo parte da CIM Minho-Lima. Para trás ficam outros números, nomeadamente os cerca de 100 mil euros que custou a campanha do referendo local, coisa que, pelos vistos, tem um prazo de validade muito pequeno. Muito longe dos quatro anos de mandato que Defensor Moura conseguiu em Lisboa, na Assembleia da República, graças a uma birra que agora vê ser ignorada.

27 abril 2010

Um espólio a aguardar fundos comunitários

CIMG1646

No seguimento do último post, sobre a falta de sinalização da passagem de Aquilino Ribeiro por Terras de Coura, houve quem me lembrasse prontamente que o autor de “A Casa Grande Romarigães” não é o único a ser relegado para segundo ou terceiro plano. E lá veio à baila o nome de Mário Cláudio e o suposto esquecimento da ideia de alojar em Paredes de Coura o espólio deste escritor portuense, que tem o nosso concelho no coração.

E digo “suposto esquecimento” porque, contrariamente ao que se possa pensar, o assunto não está esquecido.  É certo que o anúncio da doação a Paredes de Coura de todo o acervo documental deste escritor, já foi feito há quase quatro anos e que, daí para cá, nada se viu de concreto. Mas, também ninguém pode exigir que a autarquia courense, especialmente nestes tempos de crise e a braços com uma situação financeira não tão desafogada como desejaria, tenha fundos suficientes para suportar a transformação da antiga escola primária de Venade, Ferreira, no abrigo protegido e dedicado da oferta feita por Mário Cláudio. É que, e a Câmara de Paredes de Coura já o explicou publicamente,os trabalhos a realizar vão ser alvo de candidatura a fundos comunitários e, pelo menos por enquanto, ainda não se abriu qualquer porta que possa permitir a entrada desta ideia no leque de projectos a desenvolver.

O único que poderia ter alguma razão de queixa seria, eventualmente, o próprio escritor. Mas Mário Cláudio tem sido colocado a par de todas estas peripécias que envolvem a sua oferta. Além disso, apesar de os trabalhos “mais visíveis” não estarem a decorrer, tendo a antiga escola sido apenas esvaziada do seu conteúdo, o certo é que os trabalhos em torno do espólio documental do escritor estão já a decorrer, com o seu tratamento arquivístico. Um trabalho quase invisível que, contudo, envolve muitas horas de dedicação e que não pode esperar pela transformação do espaço físico que o vai acolher para ser feito.

23 abril 2010

Por onde anda Aquilino

casa grande romarigães 3

Na última edição do Notícias de Coura, José Luís Freitas, correspondente do jornal em Romarigães, dava conta da situação de quase esquecimento a que a freguesia e o concelho votaram o nome do escritor de “A Casa Grande de Romarigães”. Hoje, Dia Mundial do Livro, relembro essa crítica, a que me associo.

Mais de cinquenta anos após a publicação do romance, a “Casa Grande de Romarigães” continua por cá, por Paredes de Coura. Se divulgação e sem qualquer sinalização, com bem repara José Luís Freitas, mas também sem qualquer ideia para manter vivo aquele espaço que foi (será que continua a ser?), um marco na literatura. Há cerca de três anos, num espaço informativo da RTP, ouvi algumas propostas para transformar a zona envolvente num jardim, à imagem do que terá sonhado Aquilino Ribeiro. Algum tempo depois, por ocasião da comemoração dos 50 anos da publicação, o próprio presidente da Câmara de Paredes de Coura adiantou que gostaria de ver aquele espaço transformado num museu, assim houvesse fundos para tal. Mas, como em tudo, os fundos não existem, e por isso à Casa do Amparo, que depois de ter inspirado um dos vultos da literatura portuguesa, sobrevive hoje a custo, num misto de espaço privado e de local de visita a que só acedem alguns mais curiosos.

Situação diferente da que se vive em Moimenta da Beira, nas Terras do Demo, onde a antiga casa do escritor é hoje uma casa museu, sede da Fundação Aquilino Ribeiro e que a autarquia local quer agora transformar num local mais dinâmico, aberto à comunidade e aos investigadores, que ali encontram um pouco da história de Aquilino Ribeiro. Realidades diferentes sobre um mesmo epicentro, é certo, e nos tempos que correm já se sabe que a cultura é sempre o filho que fica esquecido pelas autoridades governativas. Mas, em Paredes de Coura, um primeiro passo poderia ser dado pela própria autarquia, seja a câmara ou a própria Junta de Freguesia de Romarigães: porque não dar ouvidos a José Luís Freitas e dotar a freguesia, pelo menos na principal via que a atravessa, de sinalização que indique aquele que devia ser um dos seus maiores motivos de orgulho?

16 abril 2010

Hotel vs pocilga

sanatório 2

Depois de abandonado, depois de esquecido pela tutela, mesmo sabendo que há interessados na sua compra e recuperação, o antigo hospital de Mozelos sofre agora novo revés. Pessoalmente, nem queria acreditar quando vi a notícia na última edição do Notícias de Coura, que dava conta da transformação, ainda que temporária, do antigo sanatório numa… pocilga!!!

Pelo que se pode ler no artigo em questão, a colocação dos animais naquela espaço surgiu como contrapartida pela limpeza da zona envolvente. Ora, o que não se compreende, por um lado, é se se está a limpar por um lado, porque se há-de sujar, com os detritos dos animais, por outro lado. Acresce que, a meu ver, a ocupação daquele imóvel pelos animais vai deteriorar ainda mais o antigo hospital. Mas, mais importante, o que não se compreende é porque é que este processo não ata nem desata, pois da maneira que as coisas se arrastam não seria de admirar que, qualquer dia, o grupo empresarial que estava interessado em recuperar aquele imóvel e ali construir um hotel e campo de golfe, simplesmente perca o interesse.

Enquanto isso, aqui ao lado multiplicam-se os projectos do mesmo género. Inclusivamente projectos hoteleiros promovidos pelo município, como é o caso do novo hotel que a Câmara de Ponte de Lima quer abrir em Arcozelo. Deste modo aproveita-se uma casa antiga comprada recentemente e requalifica-se toda a zona envolvente. E, curiosamente, não houve necessidade de transformar o espaço numa pocilga. 

15 abril 2010

Outsider

 

“Confrontado com este protesto, António Pereira Júnior adiantou à Rádio Vale do Minho que não vai estar presente, porque esta vigília não está a ser organizada por uma courense, "ninguém a conhece como se fosse de cá e portanto fica-se na expectativa que é uma outsider que vem aqui fazer uma manifestação” 

Contextualização. Estupefacção. Indignação. Telhados de vidro. Reconhecimento.

Primeiro a contextualização. Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura, comentava, aos microfones de uma rádio local, a vigília que vai ser levada a efeito no próximo sábado, como forma de protesto pelo encerramento do SAP no período nocturno. Uma vigília que, como já aqui abordei, foi convocada por Sandra Barros, cidadã portuguesa, que paga impostos e não aceita o encerramento do serviço nocturno do SAP de Paredes de Coura, como a própria assina o panfleto que distribuiu, por email e também por mão própria. Inclusivamente foi das mãos da própria subscritora que o  autarca courense recebeu o panfleto que convida à participação na vigília de sábado.

Estupefacção. Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura, até podia fazer este comentário no recato de uma qualquer conversa privada, mas…  num órgão de comunicação social! Não sou advogado de defesa de ninguém e tenho a certeza que a Sandra Barros é capaz de, por si própria, responder ao autarca courense e explicar-lhe os motivos do seu protesto, mas as palavras do presidente da Câmara causaram-me alguma surpresa. Pela forma e pelo conteúdo.

Indignação. Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura, até nem tem a culpa, mas infelizmente este tipo de discurso já não é novidade  para mim, vindo de outros lados.  A ideia de que só quem é courense, ou pelo menos conhecido em Coura, é que tem algo válido a dizer.  É que, tinha-me esquecido, eu também não sou natural de Paredes de Coura, apesar de, por aqui residir há mais de dez anos e de, pasme-se, me considerar courense. Não sei se é por ter decidido aqui criar a minha família, ou se por ter optado por aqui residir e aqui pagar os meus impostos, alguns dos quais para a própria Câmara de Paredes de Coura. Ou se é simplesmente por ter abraçado Paredes de Coura como “a minha terra” e querer para este concelho tudo o que ele tem direito, participando no que ele tem para me oferecer e oferecendo-lhe o que tenho para partilhar.

Telhados de vidro. Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura, não se pode esquecer também, que  não se deve atirar pedras quando se tem telhados de vidro. É que os seus dois colegas de partido na vereação da autarquia também não são courenses “de gema” e inclusivamente a sua escolha foi alvo de críticas por isso mesmo na última campanha eleitoral. Digo hoje, como já disse em Outubro a quem criticou publicamente a sua escolha, que a origem não importa, o que conta é a vivência, e tanto faz ser de 20 anos como de 20 meses. É o sentimento de viver numa terra que queremos como nossa, mesmo que não tenha sido aquela que nos viu nascer. E basta olhar à nossa volta para ver, em sectores tão distintos como a saúde, a educação, o comércio, a indústria e, inevitavelmente, a política, muitos courenses “importados” que adoptaram este concelho como seu.

Reconhecimento. Estou certo, contudo, que as palavras de Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura surgiram no calor do momento, mais preocupado que a vigília de amanhã prejudique as negociações concluídas em 2008 do que outra coisa qualquer. Mais tarde, mesmo que reconheça as pessoas, esperemos que não tenha de reconhecer que, se calhar, a boa fé que o caracteriza não tem reciprocidade por parte do Ministério da Saúde. A ver vamos.

Saúde e regionalização

Poderia a regionalização ser a resposta para uma melhor rede de cuidados de saúde? Há quem entenda que sim. Para ler e explorar  a opinião de L. Seixas, no blogue Regionalização.

13 abril 2010

Uma vela pelas urgências

IMG_0267

Desde que escolhi Paredes de Coura para morar, já lá vão mais de dez anos, que soube logo à partida que, apesar de ir usufruir, de uma forma geral, de uma melhor qualidade de vida, havia algumas áreas onde a reduzida oferta local  continuaria a colocar a vida na cidade num patamar superior. A saúde estaria, infelizmente, à cabeça dessa lista de coisas, de actividades, de sectores que encontravam em Paredes de Coura uma oferta deficitária.

Ainda assim, o reduzido serviço prestado pelo Centro de Saúde e pelo serviço de atendimento permanente conseguiu resolver ou pelo menos encaminhar grande parte das solicitações que ali fiz chegar. É claro que, como aliás já aqui relatei algumas vezes, nem sempre as coisas correram da melhor forma, se bem que, e convém realçar isso, quase sempre por deficiente atendimento. O SAP de Paredes de Coura, contudo, não deixou de estar presente quando dele necessitei e, convenhamos, com duas crianças menores a meu cargo, não foram raras as vezes em que me desloquei durante a noite e madrugada para ali procurar assistência médica.

É claro que um SAP em Paredes de Coura não oferece os mesmos meios técnicos e humanos que um serviço de urgência básica ou a urgência de um hospital distrital. Nem seria exigível que o fizesse porque, simplesmente, é um serviço de atendimento permanente e não um serviço de urgência. E é nessa qualidade de serviço de atendimento permanente que deveria continuar, a prestar apoio médico a quem dele necessite fora de horas, não precisando de se deslocar a Ponte de Lima ou Viana do Castelo para tratar de problemas que, mesmo não sendo considerados urgentes pelos responsáveis máximos da saúde em Portugal, são mais que urgentes para quem com eles tem de lidar em momentos de aflição.

E não me venham dizer que é a ambulância SIV de Valença ou Ponte de Lima ou o posto de emergência médica que está estacionado nos Bombeiros de Paredes de Coura que vai substituir este atendimento médico. Em situações urgentes, de carácter mais grave, concordo que o transporte imediato para outra unidade de saúde é o mais aconselhável (desde que devidamente acompanhado, o que nem sempre acontece…), mas alguém acha que vai ser o 112 ou a linha saúde 24 (que já experimentei e que funciona bem até certo ponto) a resolverem exclusivamente as outras situações de menor gravidade?

Por tudo isto é com agrado que me associo à vigília agendada para o próximo sábado, pelas 20.30 horas, defronte do Centro de Saúde de Paredes de Coura, para manifestar o meu desagrado face ao encerramento nocturno do serviço de atendimento permanente. Uma iniciativa de alguém que conheço pessoalmente e em quem reconheço o descontentamento face a uma situação que, no caso concreto de Paredes de Coura, só vem lembrar que estamos cada vez mais longe de tudo. Se também não concorda com o encerramento do SAP durante a noite, associe-se e apareça no próximo sábado.

09 abril 2010

SC Courense: nova direcção com um olho no campo e outro nas contas

Eleita recentemente, a nova direcção do Sporting Clube Courense assume a consolidação financeira e o controle de custos como uma das principais prioridades do clube para este mandato. Mas os resultados desportivos também não foram esquecidos, bem como a continuidade da aposta na formação e um alargamento do campo de actuação do Sporting Clube Courense. Ideias para conferir numa entrevista concedida ao Mais pelo Minho por António Gonçalves, novo presidente do clube.

MPM – Quais são os principais projectos para este mandato como presidente?
AG - O projecto básico deste mandato será a consolidação financeira e controlo de custos. No fundo tentar assegurar o futuro imediato e a médio/longo prazo do clube, cientes nós dos riscos em termos de opinião pública que corremos, pois estamos a falar de futebol e o futebol para muitas pessoas são resultados. Mas não duvidem que vamos, dentro das nossas possibilidades e com os pés bem assentes no chão, tentar que os resultados sejam de acordo com o historial do clube e que dignifiquem o concelho como maior instituição desportiva do mesmo, tentando olhar e aproveitar na medida dos possíveis a muita qualidade que nos rodeia e que já temos nos nossos quadros. Face ao crescente número de atletas, na medida dos possíveis, e com muito trabalho e se possível com o apoio da sociedade courense, temos de tentar que as nossas instalações sejam dignas de os acolher, tentando construir os tão desejados balneários, casas de banho, bar mais acolhedor… No fundo tentar aliar ao magnífico relvado uma envolvência mais agradável e funcional. Não podemos deixar de lado o “problema” que é a sede. Os sócios a devido tempo serão chamados a pronunciar-se sobre o assunto. Mas o que realmente fica como grande alavanca de motivação será a tentativa de aproximação do clube aos courenses, quer de Coura, quer de qualquer parte do mundo, tentado que o clube tenha um número de associados de acordo com os seu pergaminhos.
MPM - Vai continuar a aposta na formação, seja para alimentar o escalão principal seja para funcionar como catapulta para os jogadores courenses alcançarem outros clubes?
AG - A aposta na formação é o caminho a seguir, quer seja no Courense ou noutro clube qualquer, temos que ter a noção da realidade e entender que não se pode continuar a gastar o que se gasta e tentar investir esse dinheiro ao longo da formação dos atletas, tentando depois como é natural tirar proveito desse investimento. Mas esse é um caminho que se vai impondo com o tempo, não podendo ainda a curto prazo tirar o devido fruto em termos de equipa sénior, mas para lá se caminha. Não querendo levantar muito a ponta do véu em termos de futebol de sete, ou seja dos mais pequenos, temos em mente a introdução de um projecto inovador para o concelho.
MPM - Há alguma possibilidade de fusão entre equipas do Courense e do Castanheira para evitar repetições de equipas no mesmo escalão, como acontece actualmente com os juniores?
AG - Sim existe essa possibilidade e é de todo desejável, estamos a falar de pessoas sérias e adultas das duas partes, o que de certo levará a que se chegue a um entendimento.
MPM - Como está o clube no que respeita a saúde financeira? A Câmara tem cumprido o acordado? Os patrocínios actuais são suficientes para programar um clube com futuro?
AG - Como todos os clubes não está bem. A Câmara cumpre com o estabelecido, mas um clube não pode estar dependente apenas das entidades oficiais, tem que procurar apoios privados e sobretudo procurar “fazer” dinheiro usando a astúcia e a criatividade, e é precisamente aí que no próximo Verão se verá o Courense em novas actividades. Mas a maior dificuldade neste momento do clube prende-se com o transporte para jogos dos atletas, sobretudo dos mais novos, problema esse que vai ser posto na medida dos possíveis à consideração das entidades responsáveis.
MPM - A nível desportivo, quais as ambições para o Courense nas próximas épocas?
AG - Como já dei a entender na primeira questão vamos tentar alcançar o melhor possível, e isso em futebol pode ser muito. Não escondo que gostava que o clube neste mandato conquistasse títulos, quer em formação, quer na conquista de uma taça distrital em seniores. Mas vamos lutando no dia a dia.
MPM - Fala-se na possibilidade de alargar o leque de modalidades oferecidas pelo Courense. Alguma em especial?
AG - Sim temos esse sonho e a prioridade será o futsal, tentando aproveitar a possibilidade de utilização de atletas do futebol de 11, podendo ser utilizados atletas dos planteis sénior e júnior. Mas o clube sozinho não consegue suportar esse investimento, vamos tentar que surja um sponsor, e já houve alguns contactos, que patrocine a equipa e tentar ainda este ano ou mais tardar no próximo arrancar com o projecto. Temos ainda a intenção de arrancar com um clube de escuteiros, coisa que ainda não existe no concelho.
MPM - A direcção agora eleita apresenta algumas novidades. Como surgiram estes nomes? Como vão ficar distribuídos a nível de responsabilidades?
AG - Podemos dizer que apresenta muitas novidades, os nomes foram surgindo fruto em parte da grande coesão no departamento de formação, pois a grande maioria deles são pais ou mães de atletas e ainda se está a recuperar antigas glórias do clube, pessoas que deram muito ao clube, mas que ainda tem muito mais para dar. Em temos de responsabilidade o Luis Rocha (Nizo) ficará com o pelouro do futebol sénior, ficando a formação sob a supervisão do Mário Braga (Marocas), sendo que as questões financeiras ficam a cargo da Celina Sousa, cabendo a secretaria ao Paulo Fernandes, tudo isto, claro está, salvaguardado pelo trabalho de todos os vogais, não podendo nem sendo desejável referir que este vai ter aquele ou outro serviço, mas sim criar uma equipa de trabalho onde sejam um por todos e todos por um.

Fotos retiradas do blogue do SC Courense

01 abril 2010

Vamos acreditar que sim

Paredes de Coura: ligação à A3 só daqui a 3 anos – notícia da Rádio Caminhense

Tendo em atenção que hoje é primeiro de Abril até podíamos pensar que sim. Mas, ainda assim, era preciso fazer um esforço muito grande para imaginar!