26 setembro 2007

Em nome do Ambiente

A Câmara de Arganil acaba de dar mais um passo no sentido de ter um ambiente mais saudável naquele concelho, com a criação de alguns pontos de recolha de óleos usados, que serão depois encaminhados para a reciclagem (ver aqui). Tudo em nome do desenvolvimento sustentável e numa altura em que já muitos concelhos do país tomaram medida idêntica. Veja-se a ilustração deste post (clique na imagem para aumentar) que mostra o procedimento adoptado pela Câmara da Mealhada.
Por cá, numa altura em que ainda procuramos pelos “pilhões”, a ideia também seria bem vinda. Não é de hoje a preocupação da autarquia de Paredes de Coura com a contaminação dos recursos hídricos do concelho devido a descargas poluentes de óleos domésticos ou industriais. Lembro-me, por exemplo, de há alguns anos ter observado uma equipa dos serviços camarários que, de tampa em tampa, quase de porta em porta, averiguava a origem de um resíduo oleoso que foi aparecer numa ribeira do outro lado da vila, contaminando a água.
É claro que, seja em Arganil, Sintra, Mealhada ou em Paredes de Coura, o problema dos óleos usados deitados pela pia abaixo, não se resolve apenas com a instalação de pontos de recolha. É preciso sensibilizar, diria mesmo “educar” em termos ambientais, uma população que, apesar do aumento visível dos números da reciclagem, continua a ver no Ambiente, e na sua preservação, apenas mais uma moda (para uma ajudinha, clicar aqui). De qualquer das formas, sem alternativas, é muito mais difícil fazer o que está correcto.

Tou xim?!

A ideia não é de agora, surgiu com o despontar da revolução das telecomunicações móveis. Quem não se recorda do velho anúncio, bem conseguido, do típico pastor que atende o seu telemóvel em plena serra, rodeado apenas de monte e das suas ovelhas. Não terá sido certamente o anúncio a impulsionar tudo o que se seguiu, mas a ideia, publicitária, de ver alguém isolado do mundo ligar-se a todos através de um simples telemóvel, teve repercussão numa série de iniciativas que viram, também, nas comunicações móveis acessíveis a todos, um meio eficaz de levar o mundo aos que dele estão isolados.
Deste modo tivemos, num passado recente, os pastores a receber telemóveis para, aproveitando a dispersão geográfica da sua actividade profissional, poderem ser uma mais valia no controlo e prevenção dos incêndios florestais. Se resultou ou não, não o sei. Nem sei se haverá estudos nesse sentido, mas acredito que, por muito rara que seja, a actuação de apenas um desses “postos avançados” de vigia, poderá salvar muitos hectares de floresta.
Mais recentemente assistimos ao alastrar das vantagens dos telemóveis a outro sector, a outro objectivo. Falo, por exemplo, do caso dos idosos do distrito de Braga, especialmente aqueles que residem em zonas mais isoladas, que receberam há dias um telemóvel fácil de utilizar e com alguns números já pré-programados, a que podem recorrer em situações de emergência ou simplesmente se quiserem falar com algum familiar (ver aqui). Ao todo, naquele distrito, vão ser 4500 os beneficiários deste projecto promovido pelo Governo Civil local em parceria com uma operadora de telemóveis. Tudo grátis, incluindo os 1000 (mil) minutos mensais de comunicações…
A ideia, que me parece ter pernas para andar se as operadoras conseguirem tapar aqueles buracos que ainda teimam em existir na cobertura nacional da rede móvel, bem que poderia ser aproveitada para outros distritos, nomeadamente para aqueles que, tal como Viana do Castelo, lutam todos os dias contra o isolamento dos seus cidadãos seniores. E, se não for pela mão de um qualquer Governo Civil, que o seja por iniciativa dos próprios municípios que, aliando os cuidados de saúde ambulantes e o apoio domiciliário aos mais velhos, poderiam encontrar nos telemóveis mais uma forma de prestar apoio aos seus idosos.

21 setembro 2007

Hole-in-one

Primeiro foi Ponte de Lima, depois praticamente todos os outros concelhos do distrito quiseram o mesmo: um campo de golfe. Paredes de Coura não escapou à “febre”, ou melhor à oportunidade de cativar para o concelho um potencial turístico invejável e de todo a não desprezar. Mas será que ainda vamos a tempo?
A questão assume pertinência por dois motivos, ou melhor, apenas por um com duas variáveis, o tempo. Por um lado temos um projecto turístico apontado para as antigas instalações do sanatório da Pena, em Mozelos. Atrasado no tempo, não tanto pela falta de iniciativa dos seus eventuais promotores mas apenas e só porque quiseram comprar e recuperar algo que o Estado praticamente tinha esquecido, de tal forma que nem sequer sabia quem era o seu verdadeiro dono.
Por outro lado temos um multiplicar de projectos semelhantes nos concelhos aqui à nossa volta. Melgaço, talvez o melhor lançado na corrida, mas igualmente Caminha, Arcos de Valdevez e Vila Nova de Cerveira vêem também no golfe, e principalmente nas estruturas turísticas e hoteleiras que o apoiam, o investimento que falta em cada concelho.
E a pergunta, óbvia, impõe-se: será que vai dar para todos? Será que, ao passar de apenas um campo de golfe no distrito para, pelo menos seis equipamentos do género, haverá procura para todos? Responderão os mais optimistas que sim, basta ver o exemplo do Algarve, com campos sucessivos, colados uns aos outros. Retorquirão os mais pessimistas que o Minho, por muito que se queira, não tem o “apelo” turístico de um Algarve e não consegue atrair turistas em número suficiente para garantir a ocupação plena de tanto equipamento igual.
São questões que, contudo, podem nem sequer chegar a ser equacionadas. É que, à medida que um campo surgir, certamente que os promotores dos outros, apoiados em estudos económicos e de viabilidade, pensarão duas vezes antes de seguir em frente. Por isso, se daqui a meia dúzia de anos, olharmos para o mapa e virmos seis, sete ou oito manchas verdes, impecavelmente relvadas, ficamos com a satisfação de que, afinal de contas, o Minho tem potencial. Acreditamos.

19 setembro 2007

Passagens

Olhar para a esquerda, olhar para a direita, se não vier nenhum carro podemos atravessar. É mais ou menos assim que ensinamos os mais pequenos a atravessar a estrada, preferencialmente numa passagem de peões devidamente assinalada. Como aquela que agora pintaram junto à Escola Básica Integrada de Paredes de Coura, depois de muita insistência do presidente da junta de freguesia local. E quando digo muita insistência quero dizer mesmo muita, ou seja mais ou menos sete meses de insistência e, principalmente de paciência (clicar aqui para ver). A passadeira lá está agora, como se pode ver na foto acima, pintada mesmo na véspera de começar mais um ano lectivo. Valha-nos ao menos isso...


Mas, se para uns locais, ainda que bastante movimentados e percorridos diariamente por dezenas de crianças, é muito dificíl conseguir uma passagem de peões, para outros parece muito mais fácil. Tão fácil que, olhando para a foto abaixo, ficamos sem saber quem é que vai servir a passadeira, tal a sua "estratégica" localização no novo acesso à vila. E não se pense que pode servir, pelo menos, os proprietários dos campos em redor, que assim podem atravessar a rua com mais segurança. É que os riscos brancos no alcatrão negro terminam mesmo em frente ao muro de vedação da nova estrada, sem qualquer saída...

12 setembro 2007

Opiniões

Ainda bem que todos somos livres de ter a nossa opinião, mesmo que diferente das demais, diferente da opinião dominante. Uns acham isto (clicar aqui), outros pensam aquilo (clicar aqui). Para ler no mesmo local, mas em páginas diferentes. E pensar.

11 setembro 2007

A nossa parada, a dos outros a andar

A Unidade Móvel de Saúde de Arcos de Valdevez já está no terreno, conforme se pode ler no Correio do Minho ou "ouvir" na Rádio Geice. A nossa, que veio para Paredes de Coura sensivelmente na mesma altura, continua parada num dos parques de estacionamento subterrâneos. Será que, afinal, não faz falta? Ou será que a diferença está em quem assinou o contrato com a Administração Regional de Saúde? Se for assim, que passem o testemunho à Misericórdia, que pelos vistos nos Arcos conseguiu mexer-se mais depressa que a nossa autarquia.

10 setembro 2007

Garantidamente

Aparentemente parece que não está destinado Paredes de Coura ter um acesso rápido e directo à auto-estrada. Provavelmente nunca nos foi garantido esse acesso, apesar de ter sido pedido por diversas vezes e de nos ter sido prometido igual número de ocasiões. Eventualmente andámos enganados estes anos todos, a pensar que, entre atrasos e indefinições, chumbos e adiamentos, lá haveria de chegar o dia em que o acesso veria a luz.
Teoricamente a via rápida já deveria estar feita há anos, provavelmente já a necessitar de trabalhos de conservação e a facilitar diariamente as ligações entre a A3 e a vila, e entre a vila e Vila Nova de Cerveira. Desgraçadamente tivemos um primeiro concurso, um primeiro estudo, um primeiro traçado e um inevitável chumbo. Supostamente já tivemos um segundo concurso para um segundo estudo. Decididamente esse segundo concurso até já teve um vencedor, já lá vai mais de um ano, mas desgraçadamente esse vencedor nunca teve luz verde das Estradas de Portugal para avançar para o terreno.
Resignadamente, a autarquia de Paredes de Coura tem assistido a todo este processo. Felizmente a paciência esgota-se e foi preciso avançar, reclamar, exigir. Finalmente, agora, veio a informação de que o estudo prévio número dois vai avançar ainda este mês. Garantidamente, assevera o secretário de Estado das Obras Públicas. Enquanto tal não acontece, continuamos a esperar… pacientemente.

07 setembro 2007

Visto lá fora 2 - O "Papa Chiclas"

Outra coisa que me chamou a atenção neste período de férias, também através da comunicação social, foi a recente aquisição da Câmara de Penafiel que logo me trouxe à ideia o estado lastimoso do piso da rua Conselheiro Miguel Dantas. Então não que é que, em Penafiel, como em Coura, as pessoas também têm o (mau) hábito de deitar a pastilha elástica usada para o chão! E depois é o que se vê: o empedrado todo manchado e não há meio de o conseguirem limpar.
A autarquia de Penafiel parece ter encontrado a solução nos Estados Unidos da América, uma espécie de aspirador/máquina de lavar estofos que consegue, finalmente, retirar a pastilha elástica do granito. Nós também queremos uma, nem que seja a de Penafiel emprestada por meia dúzia de dias no ano para restituir à Conselheiro Miguel Dantas a dignidade que as obras de requalificação lhe tentaram dar.
Mas, brincadeiras à parte, saliente-se que o problema não é a remoção das pastilhas, mas sim a falta de civismo de quem as atira para o chão em vez de as colocar no lixo. A pensar nisso a Câmara de Penafiel lançou ao mesmo tempo os “Papa Chiclas”, recipientes destinados exclusivamente a receber aqueles produtos. Cá para mim, ainda assim, as pastilhas vão continuar a manchar o chão, pois recipientes já os havia: os caixotes do lixo. Já agora, a título de curiosidade, de referir que retirar uma pastilha do pavimento custa cerca de 45 cêntimos. A este preço, mais vale apostar nos rebuçados.

06 setembro 2007

Visto lá fora 1 - Menos impostos

Tempo de férias é, normalmente, tempo que se aproveita para sair do concelho e ver outras paragens. E é nestas voltas que, de vez em quando, lá encontramos algumas coisas que até gostaríamos de ver na nossa terra. Aconteceu comigo nestas férias, em meia dúzia de ocasiões e às vezes nem foi preciso sair de Paredes de Coura, bastou dar uma leitura pelos jornais.
Falo, por exemplo, da decisão da Câmara de Penalva do Castelo de reduzir a carga fiscal dos contribuintes com domicílio fiscal naquele concelho. Ou seja, do total de IRS que qualquer trabalhador desconta, cinco por cento são para o município onde este tem “residência” fiscal e foi de metade desse valor que a Câmara de Penalva do Castelo abdicou, em benefício dos seus munícipes que, desta forma, ainda que muito ligeiramente, vêem a sua carga fiscal mais aliviada.
Uma forma de discriminação positiva, garante o autarca daquele concelho que, tal como Paredes de Coura, também luta contra a desertificação e pretende deste modo cativar mais pessoas para ali fixarem residência. Uma situação de que já beneficiam também, muito embora em moldes diferentes e bem mais compensadores, os habitantes dos Açores e Madeira, que de uma forma geral pagam menos impostos que os que têm domicilio fiscal noutras localidades do país.
Depois do incentivo à natalidade, com o subsídio de três anos de salário mínimo nacional a atribuir a partir do terceiro filho, bem que a autarquia courense podia pegar no exemplo de Penalva do Castelo e contribuir ainda mais para a redução das despesas dos seus habitantes. Eu agradecia. Acho que não seria o único.

07 agosto 2007

Dar o exemplo... e não só

É inaugurada amanhã à tarde a nova variante à EN303, entre Mantelães e o Centro de Saúde, em Paredes de Coura. Uma obra que, espera a autarquia, será o primeiro troço da via rápida que vai ligar a Sapardos e à A3. Assim sendo, para o ano esperamos novo troço, entre Mantelães e a zona industrial de Formariz, por exemplo. E daqui por dez, doze anos, temos a via rápida concluída.
É um exagero, é claro, mas é o que se pode depreender de duas situações: em primeiro lugar temos o impasse em que está esta obra, emblema de várias campanhas eleitorais e que, agora, espera há mais de um ano por dinheiro para que a Estradas de Portugal dê luz verde à empresa que vai fazer o projecto; em segundo lugar porque, pelas palavras do presidente da Câmara, que podem ler aqui, esta estrada será já parte integrante da nova variante e tem como objectivo “dar o exemplo ao Governo”.
Ora se o Governo não avança com a obra, ou melhor com o projecto, porque não tem dinheiro, o mais certo é ir esperar que o município dê o exemplo mais umas quantas vezes até a via rápida estar finalmente concluída. Mais fácil não há. E se mais municípios tiverem o mesmo comportamento, o Governo agradece.
Brincadeira à parte, retenho, desta inauguração aprazada para amanhã, conforme informação veiculada noutro blog, duas questões que me parecem importantes e descabidas, mas ainda assim relacionadas entre si. Falo do valor em que orçou esta estrada, de apenas 500 metros, mas cujo custo se elevou a mais de um milhão de euros e da sua utilidade prática. É que já ouvi algumas rádios locais a dizerem que deste modo temos um acesso mais facilitado a Valença e que o traçado da EN303 datava do século XIX, mas custa-me um bocado a entender, e já aqui falei disso antes, que se gaste semelhante verba para poupar 500 metros e meia dúzia de curvas que, com boa vontade, até se conseguiam alargar. São pontos de vista…

PS – Já depois de escrever o post acima, lembrei-me de uma sessão da Assembleia Municipal em que Pereira Júnior, numa alusão a um eventual traçado da via rápida, dizia que esta até podia não entroncar na nova variante. Mas, assim, a variante que amanhã se inaugura, é o primeiro troço de quê?

03 agosto 2007

Estamos (quase) fechados

O SAP – Serviço de Atendimento Permanente de Paredes de Coura vai, a partir do final do ano, passar a fechar no período nocturno. A decisão, há muito conhecida, só agora foi oficialmente confirmada (pode ler e ouvir aqui) com o entendimento conseguido entre a Câmara e o Ministério da Saúde. Recorde-se que Pereira Júnior sempre disse estar à espera das alternativas prometidas por Correia de Campos para que fosse efectivada aquela decisão.
Não se conseguiu, pelo menos para já, tudo o que se pedia, nomeadamente a unidade de saúde familiar, mas tendo em conta que o fecho das urgências era um dado adquirido para o Ministério, tudo o que se conseguiu terá sido bom. Bem, bom, bom, não será. Foi antes o que se conseguiu arranjar.
Já cá temos a unidade de saúde móvel, parada num dos parques de estacionamento da vila desde o dia 22 de Junho à espera sabe-se lá de quê. Suspeito que seja de um motorista, mas vou ter de esperar para ver. E agora, com o acordo conseguido por Pereira Júnior, a partir de Janeiro vamos ter um serviço um tanto ou quanto pouco ortodoxo. As urgências passam a fechar às 22 horas, nos dias de semana, e às 20 horas durante o fim-de-semana e a partir dessa hora fica um enfermeiro (de plantão, presumo eu) pronto para acolher qualquer doente que ali acorra. Só em caso de necessidade é que esse enfermeiro chamará um médico para acompanhar a situação. Ou seja temos um médico à chamada.
Não sei porquê, mas tenho a vaga impressão que, mesmo agora, em muitos dias já é isso que acontece. O enfermeiro está lá, atende o doente e telefona ao médico, que se ausentou. Além disso, não compreendo como é que Pereira Júnior pode estar satisfeito com esta situação, que, repito, é melhor que nada, quando ainda há meses dizia que ter um médico à chamada não seria uma opção muito viável dado que, dos 10 clínicos que prestam serviço no concelho, apenas dois aqui residem e estariam, por isso, disponíveis para ser chamados em tempo útil. Alguém está a imaginar telefonar para um médico espanhol e esperar uma hora para ele chegar?
De qualquer das formas, parece que o Ministério da Saúde vai reforçar ainda o distrito com três ambulâncias de suporte imediato de vida, duas delas no Vale do Minho. Pode ser que nos calhe alguma na rifa. Que venham bem equipadas de pneus, porque a Travanca tem umas curvas jeitosas que gostam de comer a borracha.

31 julho 2007

Aquilino com Coura na TV (parte 2)

Foi o que se esperava a transmissão do “Portugal em Directo” onde Aquilino Ribeiro, a Casa Grande Romarigães e Paredes de Coura estiveram em destaque.
Jofre Monteiro de Lima Alves falou do que bem conhece e defende com unhas e dentes. Francisco Sampaio de igual modo esteve como peixe na água a recordar as tradições gastronómicas do Alto Minho e do nosso concelho em particular. Até Ladislau da Silva, actual ocupante da Casa Grande Romarigães, não deixou de dar a sua perninha no programa, apresentando o seu viveiro como uma eventual concretização do sonho de Aquilino Ribeiro de ter um grande jardim na “sua” Quinta do Amparo. Aliás, na sequência do que já havia declarado há meses numa entrevista ao Jornal de Notícias.
Também a participação da autarquia foi aquilo que se previa. Ou melhor, quase. Pereira Júnior não esteve presente e foi António Esteves quem representou o município na transmissão da RTP. Terá sido avisado em cima da hora? É que só assim se percebe a falta de informação com que se apresentou e a forma como ignorou as questões levantadas por Alberto Serra, o jornalista de serviço. Perguntou-lhe este pelas actividades que o município teria eventualmente preparadas para homenagear os 50 anos do lançamento de “A Casa Grande de Romarigães”. Responde o vereador da cultura com visitas do passado, e que passado longínquo onde até a famosa presidência aberta de Mário Soares teve lugar. E para o futuro, para este ano, por exemplo? A transladação do corpo do escritor para o Panteão Nacional, os domingos gastronómicos, os percursos pedestres… Resumindo: NADA.

30 julho 2007

Aquilino com Coura na TV

O programa é o “Portugal em Directo”, conduzido por Dina Aguiar e com que a RTP dá a volta ao país, sempre em directo de um qualquer ponto deste nosso rectângulo. Amanhã é a vez de Paredes de Coura, sob o pretexto de lembrar Aquilino Ribeiro e os 50 anos da publicação de “A Casa Grande Romarigães”. A partir das 18 horas podemos assistir à intervenção de Jofre de Lima Monteiro Alves, conhecido investigador do passado courense e um dos grandes responsáveis por evitar que este fique esquecido. Também Francisco Sampaio, presidente da Região de Turismo do Alto Minho, terá uma palavra a dar sobre o assunto no programa da RTP.
Pereira Júnior, o presidente da Câmara de Paredes de Coura é outros dos convidados. Não se sabe, contudo, se vai lá estar para falar do seu desejo de ver instalado na Casa Grande de Romarigães um museu dedicado a Aquilino ou do pedido mais ou menos dissimulado que deixou há duas semanas aos microfones da Rádio Geice (para ver aqui), dizendo que “não ficaria mal ao Estado” apoiar a reabilitação daquele imóvel. Ou então poderá falar das comemorações que o município está a preparar para assinalar o aniversário da publicação do livro que deu a conhecer o concelho. É que, provavelmente, tirando ele e Mário Cláudio, escritor que foi convidado para coordenar essa iniciativa, mais ninguém sabe o que está programado.




PS - A foto foi retirada daqui.



E se fosse em Mantelães?

A praia da Amorosa, em Viana do Castelo, está interdita a banhos desde o passado sábado, devido a uma descarga poluente provocada por uma avaria na estação elevatória de águas residuais. A notícia completa pode ser lida aqui, no site da Rádio Geice. Vejo a notícia e não posso deixar de pensar em Arlindo Alves, antigo presidente da Junta de Freguesia de Formariz.
Lembrei-me da luta que o antigo autarca, que perdeu a junta em 2005, travou com a Águas do Minho e Lima e com a própria Câmara Municipal de Paredes de Coura, com vista a impedir a passagem de um tubo de esgoto em Mantelães, por cima do rio Coura (foto retirada daqui). Na altura, Arlindo Alves alertava para o perigo de, em caso de avaria, existir a possibilidade do tubo começar a descarregar directamente para o rio. O Tribunal entendeu igual e deu razão à Junta de Formariz que, contudo, agora equaciona outra solução para o desenrolar do processo. O acidente da Amorosa veio, no entanto, mostrar que o que aconteceu lá poderá muito bem acontecer aqui. E depois como será?

27 julho 2007

Público difícil

Não posso sequer imaginar o que sentirá um artista, seja ele qual for, que, no momento de subir ao palco se depara com uma plateia vazia. É, na minha opinião, um cenário desencorajador, que só não estraga o espectáculo porque o profissionalismo fala mais alto. Vem isto a propósito da grande oferta cultural e recreativa que Paredes de Coura tem nestes meses de Verão, principalmente em finais de Julho e durante todo o mês de Agosto. Praticamente todos os dias há alguma coisa para ver, algum espectáculo para aplaudir, algum concerto para escutar. E público, haverá? Isso agora, já é outra conversa.
Vejamos, por exemplo, o espectáculo levado a cabo precisamente há uma semana, pelo grupo de flamenco Soleares. Três bailarinas num palco montado num local pouco habituado a receber eventos do género (frente ao Tribunal), que há hora marcada para começarem a dançar tinham uma dúzia de pessoas na assistência. E desses, realce-se que mais de metade eram de fora do concelho. Valeu, no espectáculo em questão, o profissionalismo das bailarinas que, pouco depois de iniciarem a actuação, conseguiram fazer com que se ocupassem praticamente todas as cadeiras disponíveis frente ao palco, mais alguns tímidos que preferiram assistir de longe.
O problema é que não é caso único. Podem dizer que é um risco, fazer tais espectáculos no concelho. Eu defendo que se trata de um desperdício… não aproveitar as oportunidades que a cultura da autarquia nos tem trazido. Temos um Centro Cultural de fazer inveja a muitas capitais de distrito, com uma programação mais ou menos constante e cuja responsável tenta adequar aos mais variados públicos, mas nem sempre estes públicos respondem à chamada. Temos um Museu Regional que muitos dos courenses nunca visitaram. Temos teatro e cinema para salas com metade dos lugares vazios, temos concertos onde as poucas palmas não chegam para agradecer o bom espectáculo.
Ainda assim estamos muito melhor do que há alguns anos, em que tínhamos peças de teatro com mais actores no palco do que pessoas na assistência. A mentalidade, ou a disponibilidade, das pessoas têm mudado. Que Agosto, carregado de actividades, ajude a mudar ainda mais.

PS: Já ouvi dizer que o problema é o desconhecer as realizações que vão sendo feitas. Pois bem, quem quiser pode receber a programação cultural em casa, só tem de se inscrever no Centro Cultural. Ou podem sempre descarregar a agenda online, carregando aqui.

25 julho 2007

Tempo de emigrantes

Não é de agora que se ouve falar numa homenagem de Paredes de Coura aos seus emigrantes. O assunto tem sido abordado, nomeadamente, em diversas reuniões da assembleia municipal, com destaque para a implantação de um monumento que recorde e enalteça aqueles que tiveram a coragem, senão o único remédio, de deixar a sua terra Natal para procurar melhores dias noutras paragens.
Pessoalmente nada tenho contra esse tipo de manifestações, muito embora pudesse enumerar aqui, e sem grande dificuldade, uma dúzia de outras iniciativas que veriam com melhores olhos e eventualmente com mais agrado o uso de dinheiros públicos. É certo que todos temos de reconhecer o quanto (alguns) dos nossos emigrantes fazem pela terra onde nasceram. Não é apenas em Paredes de Coura, é em todo o país, eventualmente em todo o mundo.
E por emigrantes entenda-se – pelo menos eu assim o entendo – não estamos a falar apenas dos que rumaram a outro país, mas também daqueles que, mesmo não cruzando fronteiras territoriais, tiveram de ultrapassar as fronteiras psicológicas de abandonarem o local que os viu nascer. Paredes de Coura, por exemplo, pode orgulhar-se da comunidade que enviou para Lisboa, onde ainda hoje mantém uma embaixada de respeito que, em tempo de férias, não hesita em regressar ao território de onde nunca saíu a sua alma.
Lembrei-me dos emigrantes por estarmos em Agosto e, como disse atrás, por causa do monumento de que muitos falam, inclusivamente o presidente da autarquia. Ora, estando a nova variante à EN 303 em fase de conclusão, eventualmente com inauguração aprazada para a altura das festas do concelho, como é tradição nestas coisas de “corta-fitas”, nada melhor do que aproveitar a ocasião para a tal homenagem. A nova variante traz com ela duas novas rotundas, qualquer uma delas apta a receber o tal monumento de que todos falam.
Mas, como todos falam mas certamente o monumento ainda não existe, e porque nunca é cedo para tal homenagem, esse enaltecimento das qualidades dos nossos emigrantes bem que se pode fazer de outra maneira. E assim, dando ao mesmo tempo resposta a um apelo do Eduardo Daniel Cerqueira, que há tempos pedia nomes para ruas que ainda o não tem, porque não aproveitar e dar à nova variante, autêntica avenida à luz do regulamento toponímico que a Câmara quer aprovar, o nome de Avenida do Emigrante. Fica a sugestão, que a aproveite quem quiser… ou não.

23 julho 2007

É preciso pensar

Os contentores até podiam estar cheios. Os contentores até podem ter aberturas demasiado pequenas para a dimensão dos cartões. Nada disto justifica, no entanto, um cenário como o da foto, bem no centro da vila, à vista de todos os que por ali passaram na sexta e no sábado.
Será que, estando os contentores cheios, não seria melhor não colocar ali os cartões e guardá-los mais uns dias? Ou, melhor ainda, depositá-los noutro ecoponto, já que na vila, ao contrário do que acontece nas freguesias, há muitos à disposição. E, se o problema foi o tamanho reduzido da abertura, não seria mais sensato tornar os cartões mais pequenos, abri-los, cortá-los, fosse o que fosse?
Pelo vistos venceu a lei do mais fácil. É mais fácil deixá-los aqui no chão, a dar um bom exemplo de como não se deve fazer. Às vezes é preciso pensar. E não é preciso muito, basta pensar um bocadinho...

PS: Já agora, pergunto, o que é feito do Regulamento Municipal que previa multas para este tipo de situações?