14 junho 2007

Breves, curtas e grossas

Despertar violento
O cenário é o mesmo, todos os dias de manhã. E de tarde. Cerca de 350 crianças entre os seis e os dez anos de idade, confinadas no espaço polivalente da nova Escola Básica Integrada de Paredes de Coura. Gritos, brincadeira, pancadaria, mais brincadeira. São crianças, estão praticamente no final do ano lectivo (como eu os compreendo na necessidade de férias), mas têm este tipo de comportamento também porque não há ninguém para lhes deitar uma mão. A EBI tem poucos funcionários, e os que têm, distribuídos por turnos ao longo de todo o dia, resultam em menos ainda para vigiar, apoiar e tomar conta das crianças.
Não sei o que falta para contratar mais pessoal. Dinheiro, um simples pedido a quem de direito…. Seja o que for não se compreende como não há ninguém que olhe para esta situação e diga: BASTA. Passamos de uma funcionária para 20 alunos, nas escolas antigas, para uma funcionária para 100 numa escola modelo. De que adianta pedir mais crianças se depois não temos como tomar conta delas.

Fechado para balanço
Vilar de Mouros já era. Depois de, nos últimos anos, ter andado pela mó de baixo, o mais antigo festival de música do país não resistiu e, acusando a falta de apoio da autarquia caminhense, cancelou a edição de 2007. Cá para mim não volta tão cedo, ou pelo menos antes de 2010, dado que daqui a dois anos há eleições autárquicas e a Câmara de Caminha pode mudar.
E nós por cá? Temos sorte diferente. A Câmara apoia, nós também. A organização agradece e recompensa a fidelidade: bilhetes mais baratos para os locais e o parque de estacionamento da praia fluvial devidamente empedrado. Ao que parece a autarquia tinha-se esquecido de acabar a obra quando criou a praia e as infraestruturas ao redor.


Vá para fora, cá dentro
Talvez relacionada com o primeiro texto, ou mesmo com o segundo, é também a notícia, dada à estampa em vários jornais nacionais da semana passada, de que muitas crianças do país vão ficar sem praia este ano porque as câmaras municipais simplesmente não têm dinheiro para o transporte, tendo em conta as normas impostas pela nova legislação. Fica, deste modo, gorada a única possibilidade que muitas crianças de Paredes de Coura, nomeadamente da EBI, tinham de ir à praia, uma semana no ano que fosse.
O problema é da Lei, dizem os autarcas. O problema é a falta de dinheiro, dizem os autarcas. Cá para mim o problema são os autarcas, porque dinheiro para outras coisas parece não faltar. Mas não há problema, a câmara está a tratar do estacionamento na praia fluvial e depois é só dar um pulinho até lá para ver o mar... de gente que por lá vai passar.
Já agora, e por falar em autarcas, está a decorrer nos Açores o congresso da Associação Nacional de Municípios Portugueses. Até aposto que muitos dos autarcas não puderam ir porque lhes faltou o dinheiro para o transporte.

12 junho 2007

Coura à venda

É sempre assim, infelizmente. Quando as coisas apertam, em termos financeiros, há que ponderar prós e contras e tomar a decisão incontestável: vender aquilo de que não precisamos. Assim acontece com a Câmara Municipal de Paredes de Coura que decidiu dar seguimento a uma ideia já com alguns meses, e abrir mão de um conjunto de propriedades que possui na vila.
Ao todo são seis imóveis que deverão render aos cofres deficitários da autarquia mais de 600 mil euros, verba que muita falta deve fazer para toda uma série de coisas mas que, defende José Augusto Viana, vereador da oposição, deverá ser utilizada para reduzir a dívida da edilidade a médio e longo prazo. A ver vamos, porque nestas coisas muitas vezes quando nos apanhamos com o dinheiro na mão, temos tendência a aplicá-lo noutras coisas que não as previstas.
À venda, por concurso público, vão estar dois apartamentos (70 e 75 mil euros cada) nos conhecidos prédios amarelos da Rua José Gomes Moreira, um outro apartamento no Edifício Palácio por 100 mil euros e ainda três lotes na Urbanização da Quinta da Casa Grande, cuja área se desconhece mas que serão vendidos, cada um, pelo preço base de 120 mil euros.
Em todo este processo, que como se realçou acima é de apoiar, levantam-se, contudo, duas questões. Primeiro, a questão da avaliação das propriedades em causa, nada consonante com as avaliações que vamos vendo das casas que a autarquia tem vendido nos bairros da Rua dos Bombeiros, Rua 25 de Abril e Rua Combatentes da Travanca. É certo que se tratam de imóveis mais antigos e eventualmente mais desvalorizados (e daí talvez não se tivermos em conta os dois apartamentos dos prédios amarelos), mas não serão também a área e o local de implantação aspectos a ter em conta? Ou será a autarquia a aproveitar o boom do mercado imobiliário no concelho?
Em segundo lugar temos o destino a dar aos imóveis. Ao que julgo saber pelo menos um dos apartamentos está ocupado e provavelmente os inquilinos terão de procurar nova casa, mas o que me preocupa mais é o que poderá ser feito, e vai com certeza ser feito, nos lotes da Urbanização da Quinta da Casa Grande. Tendo em conta exemplos mais ou menos recentes na vila, fica a dúvida no ar.

05 junho 2007

Hotel Courense - Spa, Golf & Problemas

Este fim-de-semana, em conversa com alguém que não sendo de Coura mantém com este concelho uma relação de proximidade, visitando-o diversas vezes ao longo do ano, falava de potencialidades desta região e do que o futuro lhe poderia reservar. Como era de esperar a conversa derivou para o turismo e todos os benefícios que Paredes de Coura dele pode ainda retirar, por ser território praticamente inexplorado.
E foi então que o meu companheiro de cavaqueira se sai com esta expressão: “atenção que Paredes de Coura não pode promover o turismo a pensar nos courenses, mas sim nos que visitam o concelho”. Para mim era óbvio que a dinamização do turismo por terras de Coura pressupunha, desde logo, uma mentalidade virada para o exterior, mas depois comecei a reflectir que talvez não fosse bem assim. À memória, veio-me, por exemplo, a proposta de Vítor Paulo Pereira na última Assembleia Municipal, com vista à exploração de actividades radicais no Corno de Bico. Uma boa proposta, diga-se de passagem, mas que logo levantou problemas a outros membros da AM, nomeadamente a Venâncio Fernandes que queria o concurso limitado a jovens da freguesia.
A questão principal é só uma: se queremos ganhar com o turismo no concelho (e por ganhar não se entende apenas lucro, mas qualidade de vida, empregos, etc.) não podemos olhar para o nosso umbigo. Mas, também penso que grande parte dos courenses tem consciência disso. Veja-se o caso do projecto turístico previsto para o antigo sanatório e zona envolvente, dinamizado por um grupo de Ponte de Lima, que tem tido boa aceitação por parte dos proprietários dos terrenos vizinhos, necessários para a expansão das infra-estruturas do hotel que ali vão instalar, nomeadamente o campo de golfe.
No caso concreto deste projecto, capaz de trazer movimento turístico ao concelho suficiente para criar e manter algumas dezenas de postos de trabalho directos, mais uns quantos indirectos, já para não falar de dinamismo empresarial e económico, os entraves parece que estão a ser colocados por pessoas de fora de Coura. Atente-se no imbróglio gerado em torno da propriedade do antigo sanatório e o tempo que isso tem custado a este investimento. Esperemos que não nos custe o próprio investimento, porque paciência tem limites e os investidores podem mudar de ideias e ir à sua vida.
Estou convencido que, a ser realidade, o hotel será apenas um ponto de partida para uma maior dinâmica turística e empresarial no concelho. Ainda que com maior impacto ao fim de semana, trata-se de um movimento que ajudará a dar mais vida a Paredes de Coura. Assim como as actividades radicais na área protegida, os percursos pedestres (bem organizados e acompanhados), os eventos temáticos, etc. Resumindo, o turismo que aposta no património natural e cultural de Paredes de Coura como mais valia.

31 maio 2007

Ninguém nos liga

Um ano! Um ano à espera e nada, ou melhor ninguém para inaugurar o Centro de Educação e Interpretação Ambiental, em Vascões, Paredes de Coura. Ao que parece, seis meses depois de ter entrado em funcionamento, e um ano depois da data inicialmente apontada para a sua inauguração, a Câmara continua a aguardar que algum membro do Governo de Sócrates se digne percorrer os cerca de 450 quilómetros que nos separam de Lisboa, mais umas curvinhas depois de sair da A3, para vir a este recanto à beira Coura inaugurar uma obra que já tem desenvolvido um bom trabalho em prol da educação ambiental mas que se propõe fazer mais, muito mais.
Ainda bem que, no início do ano, farto de esperar por quem não prometeu, Pereira Júnior decidiu abrir as portas daquele espaço ele mesmo, colocando-o à disposição de todos os interessados que, se assim não fosse, ainda hoje aguardariam por um qualquer de Lisboa (leia-se do Governo). Um qualquer que viria a Paredes de Coura muito a contragosto, trincava um biscoito de milho e bebia uma malga de verde tinto e seguia todo contente com a sensação de que tinha descido ao Portugal profundo para encanto dos nativos e agora, durante uns meses, não queria sequer ouvir falar em sair dos grandes centros urbanos.
Mas o caso do CEIA é apenas mais um sintoma do isolamento a que o Governo, e falo deste porque é o que lá está mas os outros fizeram mais ou menos o mesmo, parece ter votado o concelho. Veja-se, por exemplo, a próxima edição da Feira Mostra, que decorre de 8 a 10 de Junho. Consulta-se o programa aqui, aqui ou mesmo aqui e verifica-se que, aparentemente, não há nenhuma figura do Governo que vá marcar presença neste evento. E, aparentemente, essa ausência não é aparente, é mesmo assim. No entanto, os nossos vizinhos mais próximos, sempre que inauguram qualquer coisa, da feira local à biblioteca municipal, é ver algum governante ao lado do presidente da Câmara e do governador civil, com a tesoura na mão, pronto a cortar a fita da praxe.
Ninguém nos liga, apetece dizer. Sabemos que temos fracos acessos, não é preciso estarem sempre a lembrar-nos disso (até porque para isso já basto eu aqui no blog), sabemos que estamos longe de tudo, principalmente, daquilo que interessa, mas ao menos de vez em quando era bom saber que, apesar de tudo isto, há alguém em Lisboa que sabe onde fica Paredes de Coura pelas boas razões e não apenas porque o centro de saúde está para fechar ou a Câmara está para abrir... os cordões à bolsa. Já agora, o reparo feito aos governantes é válido também para aquela comunicação social que na semana passada não deu descanso a Pereira Júnior mas que, se a memória não me engana, não mete cá os pés quando as notícias são sobre cultura ou as tradições concelhias.

29 maio 2007

Descubra as diferenças


Entre a foto de cima e a de baixo existe uma diferença de duas semanas. A de cima foi tirada no passado dia 15 de Maio e publicada aqui na mesma data. A de baixo foi tirada hoje. De resto, é olhar para uma e para outra, e ver o que falta. E aproveitar para dar uma vista de olhos noutros pontos do concelho e verificar que, tal como no local da foto, alguma coisa mudou, alguma coisa desapareceu. Apesar disso ainda há algumas placas que sobrevivem sem razão de ser, mas pode ser que de hoje para amanhã deixem de existir.

Façam filhos, queremos trabalhar

O título do post não é meu. Ouvi-o pela primeira vez numa noite de Queima das Fitas, entoado por um grupo de alunos de um curso de professores do 1º ciclo do ensino básico, já lá vão mais de dez anos. Lembrei-me dele agora, face à notícia que dominou o fim-de-semana em Paredes de Coura: o subsídio que a autarquia vai dar aos casais que queiram contribuir para inverter a tendência de queda da natalidade no concelho.
Televisões, jornais e rádios não falaram de outra coisa, com Pereira Júnior a desdobrar-se em entrevistas, a explicar a razão ser desta posição. Esqueceram-se foi de dar conta de que a novidade já não é tão nova assim. Aliás, como já tinha referido em Fevereiro último, o assunto já tinha sido abordado há alguns anos, mas tinha ficado por aí, pelas palavras. Pude também verificar que, afinal, estava errado. Errei quando disse que o tema tinha sido abandonado, e tornei a errar quando disse que, mesmo que a Câmara de Coura avançasse com esta medida nunca ofereceria aos casais um valor tão elevado como Carrazeda de Ansiães, 7500 euros. Afinal Paredes de Coura vai mais longe e eleva a fasquia do apoio às famílias que optem por ter um terceiro filho, ou mais, a quase 15 mil euros, repartidos por três anos.
Mas, e voltando ao post de Fevereiro, relembro que alguns especialistas ouvidos sobre o assunto, diziam que não era com subsídios deste género que se cativavam os munícipes para se fixarem no concelho. Concordo. Estou certo que várias famílias courenses estão já a “trabalhar” para receber o salário mínimo sem qualquer esforço (salvo o do trabalho de parto), mas penso que, tendo em conta a situação económica do país, em geral, e do concelho, em particular, o subsídio não será atractivo suficiente para fazer crescer a família, porque ao fim de três anos as bocas para alimentar continuam a ser as mesmas e o apoio da Câmara já se foi. E depois surgem os casos para acompanhamento da Segurança Social, da rede social da autarquia e, infelizmente, da comissão de protecção de crianças e jovens.
O ideal seria pegar no título deste post e dividi-lo em dois. Façam filhos, pois que o problema da inversão da taxa de natalidade é muito sério e ameaça o futuro do concelho. Mas façam-nos apenas depois de terem trabalho e de trabalhar a sério. E é esse apoio que devem pedir à Câmara, ou seja, que promova o concelho junto de potenciais investidores, que reivindique, junto de quem de direito, melhores acessos que abram alas a novos postos de trabalho, que ajudem a fixar os courenses em Coura. As zonas industriais do concelho começam a ter mais vida, felizmente, mas o espaço ainda é suficiente para que outros também ali se instalem.
E depois do trabalho, então sim, podem surgir os filhos, dois, três, apenas um, mas devidamente planeados, sem ter em conta a procriação por recompensa, mas apenas pela recompensa do sorriso de uma criança. E se houver trabalho, certamente haverá motivação para ficar.
Aliás, a Câmara de Paredes de Coura parece estar também ciente disso e vai dai estar a equacionar a adesão ao programa Finicia, que possibilitará a criação de um “bolo financeiro” destinado a ajudar os jovens a criar a sua própria empresa e ao mesmo tempo dar trabalho a outros. Mas isso parece não interessar a quem faz as notícias e a cultura da “subsidio-dependência” é que domina a actualidade. Infelizmente.

25 maio 2007

Dentro e fora

Cibernauta em Casa
Todos sabemos que, hoje em dia, praticamente qualquer pessoa tem acesso à Internet. E por acesso entenda-se a possibilidade de aceder, pois também é certo que muitas pessoas continuam a olhar para os computadores como se de animais selvagens se tratassem. Mas, e focando o assunto nos mais jovens, que é o que interessa para aqui, sabe-se que grande parte deles tem acesso a um computador ligado à WWW, seja em casa, na escola, na biblioteca ou simplesmente num cibercafé. E segurança, será que têm?
É precisamente este o tema da conferência que vai decorrer amanhã à noite no Centro Cultural de Paredes de Coura. Organizada pela Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento de Escolas Território Educativo de Coura, em parceria com a Câmara Municipal, este evento tem início às 21.30 horas e vai contar com a participação de Paulo Moreira, do Centro de Competência da Universidade do Minho, que vai abordar a delicada questão das vantagens/desvantagens da Internet.
É que, e agora é a minha opinião pessoal que aqui se expressa, a Internet é um pau de dois bicos. Por um lado temos todo um mundo de informação e conhecimento à distância de apenas um click. Por outro lado temos uma exposição pública que, se não for devidamente tida em consideração, pode ser aproveitada por pessoas mal intencionadas. E, no caso concreto dos mais jovens, convém não esquecer que esse "mundo de conhecimento" comporta também conteúdos que são impróprios para essas camadas etárias. Por isso o papel dos pais é fundamental no acompanhamento da actividade "online" dos filhos. Apareçam amanhã à noite que certamente vai valer a pena.

E lá fora...
Aproveitando a introdução ao tema Internet, não posso deixar de trazer aqui também um outro assunto que tem merecido atenção das entidades públicas em vários concelhos, nomeadamente nos nossos vizinhos mais próximos. É que a Internet, e a tecnologia, há muito que deixaram os limites físicos de quatro paredes, perderam fios e ganharam terreno. Cientes disso muitas câmaras municipais do nosso país já dotaram alguns espaços e equipamentos de acesso à Internet sem fios, possibilitando que qualquer pessoa com um computador portátil possa, por exemplo, estar no jardim a desfrutar de um dia de sol e a ler um jornal online, ou então a consultar o seu email no intervalo de uma qualquer conferência levada a cabo num auditório municipal.
Numa altura em que a Câmara Municipal de Paredes de Coura está a efectuar a ligação informática de todos os seus serviços espalhados pela vila, deixo aqui a sugestão de alargar esse projecto e dotar alguns espaços do concelho de rede Wi-Fi. Falo, por exemplo, da praia fluvial, do centro cultural, ou do CEIA e área envolvente. Ou ainda do próprio centro urbano. Sei que seria um investimento para poucos (tirando talvez a praia fluvial em épocas de festival) mas seria uma mais valia para quem cá vive e para quem nos visita.
E se o projecto fosse alargado às freguesias? Parece irreal, mas sei que há juntas de freguesia do concelho que foram contactadas por empresas privadas no sentido de oferecer esse serviço ao seus habitantes. O investimento inicial é que pode colocar alguns entraves à massificação do acesso à Internet, mas nesta como noutras coisas, o que custa mais é começar.

23 maio 2007

Em lume brando

Quem lhes deita a mão? Quem lhes acode? A eles, os bombeiros, que não contentes com todos os problemas que, ano após ano, invariavelmente, os incêndios lhes trazem, ainda conseguem arranjar entre si mais “lenha” para alimentar a fogueira. Em Monção fizeram um quartel que é um luxo mas encheram-se de dívidas e agora vão ter de entregar o edifício à autarquia em troca de meia dúzia de tostões. Por cá, por Paredes de Coura, a Câmara também foi chamada a intervir na crise dos bombeiros. O novo quartel nem chegou a sair do papel, o que não significa que os problemas não tenham aparecido. Apareceram, muitos. De tal maneira que a associação humanitária courense está prestes a ficar sem quem a governe. Depois da queda da direcção, eis que a comissão administrativa também entregou os pontos.
A gota de água, num copo que já deitava por fora há muito tempo, parece ter sido a assembleia geral do passado domingo, com apenas três participantes. De nada valeu o apelo “in extremis” de José Augusto Viana nas páginas dos jornais de Coura. Afinal, parece que nem mesmo trazendo a política para a guerra interna dos bombeiros as coisas mudam. Vai daí a comissão administrativa colocou a questão nas mãos da Câmara.
E agora?, perguntamos. Agora é esperar, mais um bocado, porque a autarquia lá conseguiu convencer a equipa que dirige os bombeiros desde Janeiro a aguentar o barco mais um mês, à espera de uma solução milagrosa por parte do secretário de Estado da Administração Local. É que, ao parece, se o Governo tomar uma decisão sobre o imbróglio em que se transformou o concurso público para a construção do novo quartel, não faltarão candidatos para dirigirem aquela colectividade que tanto deu e tem para dar aos courenses. Até o próprio Décio Guerreiro, que venceu as últimas eleições e suspendeu o mandato quando a decisão do concurso lhe não agradou, se mostra disposto a tomar novamente as rédeas da associação. Ou seja, quando as coisas correm bem, não há quem não apareça para tomar conta da ocorrência. Já quando as coisas correm mal…
Termino como comecei, a lembrar a dívida dos Bombeiros de Monção. Pois que começo a acreditar que igual destino espera a corporação de Paredes de Coura. Então se o objectivo é investir no novo quartel cerca de 1,5 milhões de euros para os quais a Câmara e o Governo apenas comparticipam com 345 mil euros, quem é que vai pagar o resto? A corporação? Como? O que vale é que o Governo parece já ter na calha legislação que vai alterar a maneira como as associações de bombeiros são geridas e dar às autarquias um papel mais decisivo nessa área e pode ser que a Câmara consiga cortar as bases a uma eventual futura direcção. E daí, pensando melhor e olhando o estado de endividamento da Câmara de Coura, se calhar ainda vai ficar pior.

PS: Para que conste, não sou associado dos Bombeiros Voluntários de Paredes de Coura. Não defendo, por isso, qualquer futura lista, anterior direcção ou actual comissão administrativa. Só falo como courense, que está cansado de ouvir falar de um problema que em nada dignifica o concelho.

18 maio 2007

A luz no fundo do túnel

Alguns anos depois de "acabada" a empreitada, eis que finalmente o túnel que atravessa a vila de Paredes de Coura vai estar concluído. Só agora, mas como se diz no post anterior mais vale tarde do que nunca, a autarquia se mostrou disponível para os acabamentos daquela obra de engenharia. O assunto já veio à baila por diversas vezes nos últimos anos mas, por falta de dinheiro, tempo ou de outra coisa qualquer, só agora se decidiu avançar com a pintura do túnel.
E, para não deixar as coisas ao acaso, a obra de enbelezamento até foi entregue a uma arquitecta, para ficar um "brinquinho". Vá-se lá saber porquê uma empreitada daquele tamanho, daquela importância, daquele valor, não contemplou os necessários trabalhos de acabamento. É o mesmo que contratar a construção de uma casa "chave na mão" e no final o empreiteiro dar-nos a obra por finalizada sem as paredes pintadas.
Assim sendo, ao custo final do túnel, temos agora de juntar os 78 mil euros anunciados para a sua pintura artística. Uma pequena gota no imenso lago que custou a obra, mas que promete dar mais cor, mais vida àquela via de ligação. Isso mesmo garante o presidente da Câmara de Paredes de Coura, que já foi dando a conhecer alguns pormenores da empreitada, nomeadamente o facto de que, além da pintura em si, o acabamento do túnel vai ser composto por um conjunto de círculos de metal, a imitar cd's e os velhinhos discos de vinyl. Talvez em homenagem ao Festival de Paredes de Coura...
Vai ficar de tal forma embelezado que Pereira Júnior fala até em "local a visitar" por todos os courenses e por quem nos visita. Ficamos é sem saber por onde vão circular os visitantes, já que no túnel, além de proíbido, o espaço nos passeios não abunda. Por esclarecer também está a situação em que vai ficar a escarpa que dá para a Misericórdia. Será que com o túnel tão bonito, não seria altura de intervir ali também.

17 maio 2007

Boas intenções

Pois é, lá diz o velho ditado e com razão, que mais vale tarde que nunca. Assim sendo, é com agrado que registamos que a Câmara de Paredes de Coura parece estar disposta a dar mais atenção aos peregrinos de S. Bento da Porta Aberta.
Em post publicado há quase um ano e que pode ser lido aqui, já alertava para a necessidade de se ter em atenção que muitos courenses (e não só) aproveitam o bom tempo para se fazerem à estrada em direcção áquele marco religioso do concelho e que nem sempre encontram o caminho, leia-se a berma da estrada, nas melhores condições. Ora, parece que na Câmara alguém concorda comigo e, pelo que se pode ler na última edição do Notícias de Coura, a autarquia está empenhada em dar aos peregrinos melhores condições para fazerem aquele percurso.
A diferença é que, enquanto eu pedia apenas a limpeza das bermas que como se sabe nesta altura do ano desaparecem no meio de tanta vegetação e obrigam os caminhantes a seguir pela estrada, colocando em risco a sua vida e a dos outros, a Câmara de Paredes de Coura vai mais longe e solicitou às Estradas de Portugal a execução de um passeio contínuo da vila até Cossourado. Isto aproveitando as obras de beneficiação que vão ser feitas neste troço da EN303 e que já prevêm, nas zonas urbanas, a construção de passeios.
Resumindo, a intenção é boa, mas infelizmente temo que seja um projecto de muito difícil execução. Primeiro, porque o concurso para as referidas obras de beneficiação já foi lançado e, inclusivamente, a obra já foi adjudicada à firma vencedora. E os passeios não constavam do caderno de encargos... Depois temos a própria estrada, ou melhor o percurso que esta faz até S. Bento, a ditar a impraticabilidade do passeio contínuo, muito à moda dos "calçadões" que proliferam nas zonas balneares. O traçado, mesmo que seja ligeiramente revisto pelas obras de beneficiação, vai continuar sempre a ter pontes estreitas (sem quaisquer bermas) e construções praticamente em cima da via, que não deixam espaço para passeios.
Dito isto, tenho que o melhor, ou pelo menos o mais fácil e o mais rápido, será manter as bermas limpas e transitáveis e, sobretudo, dotar o percurso de iluminação pública, pois convém não esquecer que grande parte dos caminhantes opta pelo final do dia, ou melhor pelo fresco do dia, para rumar a S. Bento. Assim o queiram as Estradas de Portugal e, acima de tudo, a EDP.

15 maio 2007

Sinais

Hoje vamos fazer aqui um exercício muito simples. Os caros leitores (que espero que os haja) só têm de olhar para a imagem acima e indicar qual das três placas está correcta. Isso mesmo, assim simples e limpinho.
Está feito? Ok, vamos então ver as respostas.
Se optaram pela placa da direita, lamento muito mas acabam de chumbar neste pequeno teste. É que qualquer pessoa vê que o sinal que indica a Praia Fluvial não está bem. E não é só por aparentar ter mais idade que a mulher mais velha de Paredes de Coura (acho que essa ronda os 103 anos).
Com efeito aquela placa há muito que deixou de cumprir o seu propósito, ou seja atrair eventuais passantes na estrada nacional para aquele recanto à beira rio que muito nos orgulha. Quem passa questiona: "se a placa está assim, imagine-se a praia...". Enfim, considerações de quem bem que podia ir ao engano e descobrir um local paradisíaco, mas a placa não deixa, ainda para mais quando, alguns metros antes, passaram por uma outra a anunciar as maravilhas do concelho e praia fluvial é indicação que lá não consta.
Voltando ao teste, se o caro leitor respondeu que a placa correcta era a placa da esquerda fique a saber que também não acertou. Ela é mais recente, está limpinha e ainda a cheirar a novo, mas também não está correcta. E não se pense que é por o restaurante não ser para aqueles lados, porque é. O problema é que algumas centenas de metros estrada acima, mesmo na vila de Paredes de Coura, existem mais uns quantos restaurantes e para esses, coitados, não há placa qualquer a indicar o melhor acesso.
Vá-se lá saber porquê só o restaurante da praia fluvial foi contemplado com este presente da autarquia (porque se pressupõe que tenha sido a Câmara a colocá-lo lá, caso contrário já o teria retirado). Mas, se foi a Câmara a colocar o sinal, porque raio não fez o mesmo em relação a outras atracções e serviços de Paredes de Coura? E já não falo nos restaurantes, porque isso é simples publicidade, mas que dizer de um Museu, um Centro Cultural, um Centro de Saúde ou mesmo os Paços do Concelho que não tem qualquer indicação nas ruas da vila? Todos sabemos onde são? Correcto... nós e os que só aqui vêm uma vez por acaso mas que, mesmo assim, têm de saber onde encontrar esses equipamentos.
Finalizando, regressamos à fotografia e às placas. Pois é, meus amigos, a pergunta tinha uma rasteira. É que nenhuma das placas está correcta, nem mesmo a do meio que ali permanece, vá-se lá saber porquê, anos depois dos trabalhos realizados. O mais curioso é que este nem sequer é caso isolado, pois por todo o concelho multiplicam-se os cartazes de empreiteiros a assinalar obras há muito concluídas. Ou é uma forma da Câmara compensar as empresas por atrasos no pagamento ou então é abuso que deveria ser sancionado.

11 maio 2007

O bastardo

Ele já foi capa de jornal, ele foi, e continua a ser, motivo de falatório em Paredes de Coura e fora do concelho. Ele que já chegou também à Internet é, afinal... bastardo.
Isso mesmo assegura-nos o blog A Sombra Verde, que já lhe dedicou algum espaço por duas ocasiões. Pelas melhores razões, muito embora não pelas mesmas razões porque muitos de nós falamos dele. Ele, ou melhor ela, é a árvore que nos aparece ali no entrocamento junto ao Museu, à Câmara Municipal e à Igreja Matriz. Sim, aquela mesma que nos obriga a puxar pela cabeça de cada vez que entramos no cruzamento distraídos, pois quando despertamos somos levados a crer que estamos no lado errado da faixa de rodagem.
Aquilo é uma rotunda? Quer-me parecer que não. Aliás, acho que o sinal que lá se encontra só ajuda a complicar ainda mais a situação, especialmente para quem passa ali pela primeira vez (os turistas, sempre os turistas) e, habituado ao Código da Estrada, fica na dúvida se está ou não a infringir a Lei.
Mas, afinal, está tudo explicado. É que, assegura A Sombra Verde, aquela árvore a que certamente muitos de nós já chamaram nomes é nada mais, nada menos, que um plátano-bastardo. E, acrescenta a mesma fonte, um exemplar de rara beleza e elevado porte, pouco comum de encontrar por aí. Nós, que por cá moramos e que, vai não vai, temos de passar por ele, respeitamos a força da Natureza, mas agradecíamos uma intervenção naquela zona para pôr termo aquele cenário que chega a ser motivo de troça de quem nos visita.
Agora que se fala na transformação do parque de estacionamento (ou será buraco de estacionamento) do Penedo da Veiga, ali mesmo ao lado, bem que se podia aproveitar a sua transformação em jardim, como anunciou o presidente da Câmara em Fevereiro, para alargar a via naquela zona e edificar ali uma verdadeira rotunda.
E também, porque não, aproveitar a onda e pensar numa alternativa de acesso à Igreja Matriz. Alargar o acesso actual, que provoca alguns dissabores nos horários de culto, ou simplesmente fazer um novo acesso e repartir entradas e saídas. Fica a sugestão.

PS - Ao A Sombra Verde o devido crédito pela fotografia.

09 maio 2007

Crítica gastronómica

Mais um fim-de-semana gastronómico que passou. A iniciativa da Região de Turismo do Alto Minho trouxe bastante gente a Paredes de Coura. Mais do que em anos anteriores, atestam alguns empresários da hotelaria courense. A ajudar pode ter estado o alargado leque de actividades culturais e lúdicas que a autarquia promoveu no sábado e no domingo, nomeadamente a mostra de sabores regionais.
Mas, se o prato principal parece ter sido positivo, já o mesmo não se pode dizer de alguns acompanhamentos que, apesar de quando anunciados terem deixado água na boca, depois de experimentados parecem ter provocado alguma azia. É que, ao que parece, nem tudo correu bem no último fim-de-semana.
Comecemos, por exemplo, pela mostra de sabores da terra, iniciativa de louvar mas que, ainda assim, poderia ter tido melhor sorte. Fica, portanto, o reparo para uma próxima edição: as barracas, já se si bastante quentes, bem que podiam ter sido colocadas à sombra. No mesmo Largo Visconde de Mozelos, mas à sombra, que por ali ainda existe. É que estar fechado no forno, só se for para alourar mais os tradicionais biscoitos de milho.
Já agora, e se me é permitido, um outro reparo, ou melhor uma pergunta: de quem foi a ideia de, ao invés do palco que é habitualmente montado para receber os grupos folclóricos, instalar ali no largo uma plataforma ao nível do chão? Se o objectivo era dificultar a actuação dos ranchos, então foi conseguido. Se, por outro lado, se pretendia aumentar o calor humano em torno das actuações, também se conseguiu, porque com o espaço do Largo Visconde de Mozelos repartido pelas barracas, pela esplanada da pastelaria e pelo “palco rés-do-chão”, as pessoas acotovelaram-se mesmo em cima dos dançarinos. Mas só os da primeira fila, porque os detrás, com o palco enfiado num buraco, facilmente desistam de tentar ver o espectáculo.
A finalizar, uma menção ao passeio cultural que a autarquia levou a cabo em torno da presença de Aquilino Ribeiro por terras de Coura. Pouco concorrido, é certo, como muitas das actividades culturais que por aqui se vão fazendo, mas ainda assim interessante. Pena é que tenha começado tão tarde e tão mal preparado. Da próxima vez é melhor avisar os proprietários dos locais a visitar para não correr o risco de bater com o nariz na porta.

04 maio 2007

Livro de ponto

O livro de ponto tem sido um dos instrumentos mais utilizados para controlar a assiduidade nas mais variadas instituições, nomeadamente no ensino. Quem não se recorda de o ver passar na mão da funcionária entre cada aula? Ou de o consultar para ver o sumário da aula a que faltamos? Além disso também servia para verificar as faltas que cada professor dava.
Isso era na escola. Mas, como seria se fosse aplicado noutras instituições? Na Assembleia Municipal daria para ver, por exemplo, quem são os deputados que pautam a sua actividade política pela ausência. Mas também para ver porque é que, ao contrário do que era habitual, a escola, ou melhor a assembleia, esteve fechada no dia 25 de Abril. Assim, à falta de livro de ponto, tivemos de esperar pela sessão do passado dia 30 para escutar do seu presidente o porquê de não ter havido sessão comemorativa da “Revolução dos Cravos”.
José Augusto Pacheco explicou, como tinha prometido em comentário neste blog, mas não convenceu. Questionado por Arlindo Alves, do PCP, o presidente da Assembleia Municipal de Paredes de Coura disse simplesmente que não houve sessão a 25 de Abril por dificuldades de agenda. Como? Dificuldades de agenda? Se estivéssemos a falar de uma qualquer reunião extraordinária ainda vá, mas quanto está em causa uma sessão que se realiza sempre na mesma data, que se sabe de ano para ano quando é que vai ser… dificuldades de agenda é que não podem justificar. Se fosse uma decisão política, pessoal mas alicerçada em motivos políticos, ainda se aceitava, talvez não se compreendesse mas aceitava. Agora, dificuldades de agenda… Agenda de quem?
Mas a justificação de José Augusto Pacheco serviu para lembrar outras “dificuldades de agenda” que já marcaram a Assembleia Municipal. Uma delas foi mesmo referida pelo seu presidente que, em resposta a Arlindo Alves, lembrou a sessão de 29 de Dezembro último, quando havia uma proposta comunista para votar e ninguém daquele partido para a representar. Para um partido que só tem um lugar na assembleia, não ter ninguém é uma falta… disciplinar.
A faltar, repetidamente, parecem estar também Maria José Fontelo e Fernando Carranca que não marcam presença nas sessões daquele órgão autárquico desde a reunião de Dezembro. A sua ausência tem-se notado, nomeadamente, na duração das sessões que são cada vez mais curtas, mas não têm faltado explicações para a sua ausência. Desde as guerras internas no PSD até às guerras internas no PSD, muito se tem dito para explicar a ausência da dupla social-democrata.
Ausentes também, muito embora sem direito a falta por não ser obrigatória a sua presença, têm estado também os vereadores deste mesmo partido. É certo que Décio Guerreiro tem sido mais ou menos regular, apesar de ter faltado à ultima reunião, mas o mesmo já não se pode dizer do seu colega de bancada que, se a memória não me falha, desde a tomada de posse, em Outubro de 2005, só assistiu a uma assembleia, precisamente a de 25 de Abril do ano passado. Aliás, parece que José Augusto Viana estará até ausente do próprio partido. Só assim se explica a fraca prestação do PSD na discussão das contas de 2006. É que se o vereador não pode intervir na Assembleia Municipal, sempre poderia, e deveria, preparar os seus colegas que têm que o fazer.

02 maio 2007

Ouvidos de mercador

Afinal parece que não é só Eduardo Daniel Cerqueira que é ignorado pela Câmara Municipal de Paredes de Coura (ver post anterior). Também Joaquim Felgueiras Lopes, presidente da Junta de Freguesia da vila, não tem melhor sorte. Em causa está um pedido feito na Assembleia Municipal de 23 de Fevereiro último, com vista à marcação de uma passadeira na rua entre a Escola Básica Integrada e o Tribunal (ver foto), caminho utilizado diariamente por muitas das crianças que frequentam aquele estabelecimento de ensino. Nada de mais, portanto.
O problema é que, volvidos mais de dois meses, na passada segunda-feira, em nova Assembleia Municipal, Joaquim Felgueiras Lopes voltou a alertar para a mesma situação. Ou seja, durante dois meses, não houve ninguém na Câmara que se dignasse acolher o pedido do autarca. E não estamos a falar de uma qualquer exigência absurda, mas apenas e só de pintar meia dúzia de riscas brancas no paralelo.
Desta forma, quase podemos concluir que têm melhor sorte as sugestões da oposição do que aquelas que são feitas à Câmara de Coura por elementos do partido que a governa. Mesmo que essas propostas estejam contra a Lei. Falo, por exemplo, das lombas que a autarquia mandou colocar no cruzamento dos Bombeiros para reduzir a velocidade dos carros que por ali passam.
As mesmas lombas que, logo em Fevereiro, quando pedidas por Paula Caldas, Pereira Júnior disse que não podiam existir por serem proíbidas. Mas pouco tempo depois elas foram colocadas, pelos serviços camarários, e na segunda-feira o presidente da Câmara explicou que realmente são ilegais, mas que ainda assim são o meio mais eficaz de reduzir a velocidade naquela zona. A ser assim, porque não juntar ao pedido do presidente da Junta de Freguesia de Paredes de Coura um par de lombas na Rua Combatentes da Travanca, dando mais segurança àquela zona escolar. Mesmo ilegais poderiam aumentar a segurança daquela rua.

30 abril 2007

"Dumingos Gaztrunómicos"

No próximo fim de semana Paredes de Coura recebe mais uma edição dos Domingos Gastronómicos, iniciativa da Região de Turismo do Alto Minho que procura dar a conhecer o que cada município seu associado tem para oferecer em termos de gastronomia. Mas não só, porque esta é também uma oportunidade que cada concelho aproveita para divulgar o seu potencial turístico.
Paredes de Coura não foge à regra e os Domingos Gastronómicos alastram-se a todo o fim de semana, com um programa que procura aliar o bem comer a outros aspectos da cultura altominhota, em geral, e do concelho, em particular. Exemplo disso é o convívio de pesca que, no sábado e domingo de manhã, promete animar algumas zonas ribeirinhas. Mas não vão faltar também as concertinas, o folclore e as gaitas galegas. Sobre o folclore, aliás, de destacar as jornadas de reflexão que o Inatel vai promover na tarde de sábado. Tudo isto incluído num programa mais vasto que pode ser consultado aqui.
Mas, consultando esse programa, verificamos que nem tudo o que ali nos mostram são "doces". É que, ao olhar para o desdobrável que circula no concelho (e sabe-se lá mais onde) chega-se à conclusão que, afinal, na última reunião da Assembleia Municipal, o deputado socialista Eduardo Daniel Cerqueira esteve a falar para o boneco. Eu explico: é que nessa reunião Eduardo Daniel Cerqueira alertou a autarquia para a existência de erros, ortográficos ou de localizações erradas, em alguns folhetos promocionais do concelho, nomeadamente no que respeita aos mapas distribuídos a quem nos visita. Alertou e pediu mais atenção para evitar o mau aspecto de termos os turista a consultar panfletos com erros ou informações não correctas.
Mas parece que na autarquia ninguém lhe deu ouvidos e, então, o desdobrável dos Domingos Gastronómicos lá aparece com algumas incorrecções. A que salta mais aos olhos é uma "dúvida existencial" que em tempos foi motivo de acesa discussão entre Jofre Alves e José Augusto Pacheco nas páginas dos jornais. Em causa estava a grafia do topónimo Mozelos (ou será Moselos?). Um defendia a escrita com Z, o outro com S. Ora a Câmara não esteve com meias medidas e, na dúvida, vá de escrever o desdobrável dos Domingos Gastronómicos com as duas versões e assim numa página temos Moselos e na página ao lado já temos Mozelos. Independentemente de qual está correcta, uma coisa é certa, ou escrevia uma ou a outra, as duas é que não.
Mas não se ficam por aqui as críticas. Que dizer, por exemplo, das sugestões de locais a visitar indicadas pela autarquia no folheto: o Museu, o Taboão, o Corno de Bico, muito bem, mas... alfaias agrícolas? A mim até me dava jeito uma ajudinha na lavoura, mas não creio que os turistas estejam para aí virados.
Já agora, em jeito de sobremesa, fica só um outro reparo, relativo à localização do restaurante Forno do Minho, um dos que participa nos Domingos Gastronómicos. Diz a Câmara que fica na Volta da Quinta. Digo eu, que ainda me lembro, que em Abril do ano passado aquela rua recebeu o nome de Rua Padre Casimiro Rodrigues de Sá. Se nem a autarquia o utiliza, de que se serviu a homenagem?

26 abril 2007

Esquecimento?

25 de Abril. Trinta e três anos depois. Ouço o discurso do Presidente da República e os comentários que daí resultaram por parte de vários políticos da nossa praça. E retenho duas ideias: em primeiro lugar, a de que é preciso, é forçoso, manter vivo o espírito de Abril nos jovens portugueses; em segundo lugar, a ideia de que, para atingir o primeiro objectivo, talvez seja necessário mudar a forma como é assinalada esta efeméride, deixando de ser um ritual e passando a ser algo que envolva mais a população. Já agora, ao ouvir esta do ritual, veio-me à memória a questão das missas que cada vez têm menos pessoas as assistir, vá-se lá saber porquê...
Voltando à questão do 25 de Abril, não posso deixar de concordar com estas duas ideias. Nasci depois de Abril mas reconheço a importância fulcral deste período da história portuguesa no bom desenrolar do futuro do nosso país. Não compreendo, por exemplo, aqueles jovens que não fazem a mínima ideia do que foi o 25 de Abril, o que dele resultou, o que com ele terminou. É certo que os programas escolares abordam essa temática muito ao de leve e só há relativamente poucos anos, (e a matéria nem sempre é dada até ao fim do livro, por isso...) mas é preciso querer saber mais e quando ouvimos falar em algo que desconhecemos temos de procurar informação.
Já em relação à questão da forma de assinalar esta data, apesar de concordar que a cerimónia na Assembleia da República é pouco convidativa, sei que as comemorações não ficam confinadas às quatro paredes daquele edifício. Um pouco por todo o lado multiplicam-se as iniciativas que assinalam mais um ano de Abril, incluindo em Paredes de Coura. Ainda na terça-feira à noite um espectáculo musical no Centro Cultural assinalou a data, homenageando Zeca Afonso, e no sábado, desta feita em Mozelos, novo espectáculo vai relembrar aquele cantor e, necessariamente, a "Revolução dos Cravos".
De qualquer das formas é de lamentar o esquecimento, pois quero crer que se tratou de um esquecimento, da autarquia de Paredes de Coura no que respeita à habitual sessão extraordinária da Assembleia Municipal evocativa do 25 de Abril, que este ano não se realizou. Será que já previam o discurso de Cavaco Silva e não quiseram arriscar a repetir o ritual? Ou será que os partidos ali representados chegaram à conclusão de que não vale a pena discutir o valor da democracia no nosso concelho? Se assim for, acho que está na hora de fazer outro 25 de Abril.

24 abril 2007

Boas posturas

Finalmente houve alguém que resolveu agir contra o perigo dos animais que andam à solta pelos nossos campos e que, vai-não-vai, invadem a estrada e, como ainda há bem pouco tempo, provocam um acidente. Farto de ouvir dizer que, lá para os lados de Lisboa, alguém do Governo estava a estudar o problema mas que de momento não havia soluções, o presidente da Junta de Freguesia de Vascões resolveu tirar da gaveta o código de posturas da freguesia e descobriu, ali tão perto, aquilo que pode muito bem ser um importante contributo para pôr termo a este cenário.
Não é de hoje nem de ontem que Maximiano Costa alerta para esta situação, comum, fortemente enraizada nas tradições agrícolas de Paredes de Coura (como noutros concelhos), mas que nem por isso deixa de ser ilegal e, acima de tudo, perigosa, especialmente para aqueles que têm de percorrer as ligações entre Paredes de Coura e Arcos de Valdevez ou Ponte de Lima. Quantos já apanharam valentes sustos, quantos já passaram por mais do que isso?...
Louve-se, por isso, a atitude do presidente da Junta de Freguesia de Vascões que promete, já a partir do próximo mês, ter mão dura para com quem deixa os animais a pastar à solta, sem qualquer protecção. E agradece-se que os seus colegas de outras freguesias lhe sigam o exemplo e coloquem em prática o código de posturas, instrumento que noutros tempos tinha papel principal na gestão das freguesias mas que, actualmente, parece relegado para uma qualquer gaveta da Junta.
Já se sabe, contudo, que a Junta de Freguesia de Vascões não vai ter vida fácil. Não faltarão os críticos. A dizer, por exemplo, que os animais não têm qualquer identificação e que, por isso, vai ser difícil encontrar o seu dono. Mas experimente-se aplicar a coima a alguém que não o dono a ver se o multado não identifica logo o verdadeiro proprietário dos animais.
E de qualquer das formas, o que interessa é que não se ficou de braços cruzados à espera de que alguém no Ministério da Agricultura se decidisse a deitar os olhos sobre este tipo de situações. Neste, como em muitos outros casos, foi preciso esquecer Lisboa e dedicar-se a quem tem mais importância, os habitantes das nossas freguesias.

17 abril 2007

Tiro nos dois pés

Das duas uma: ou a Câmara de Paredes de Coura toma decisões estruturais em cima do joelho, sem as estudar ou medir as suas consequências ou então é muito permeável a pressões. De que outra maneira se pode explicar o autêntico tiro no pé, melhor dizendo nos dois pés, que Pereira Júnior acaba de dar, ao voltar atrás na questão do estacionamento pago nas ruas da vila.
Muitos dos courenses que circulam pela vila ainda não repararam, mas metade dos lugares de estacionamento que em Janeiro a Câmara decidiu taxar, voltaram a ser de utilização gratuita. Os sinais de parque pago foram retirados de algumas zonas, nomeadamente de um dos lados do Largo 5 de Outubro (ainda por cima do que tem mais lugares de estacionamento), de um dos lados da Rua Dr. Afonso Viana e de parte da Rua Frei António de Jesus, por detrás da igreja matriz, entre outros locais. O que me leva a dizer que afinal O Coura tinha razão quando dizia que a máquina cobradora daquela zona tinha sido retirada por esse motivo e não por, como noticiava o Notícias de Coura, estar a ser alvo de reparação. Mas isso é outro assunto.
O que interessa aqui é que, apenas três meses após ter tomado uma decisão polémica no sentido de regular o estacionamento nas ruas da vila, a Câmara de Paredes de Coura volta atrás. E, pergunto eu, porque é que esta alteração, ou melhor o cenário que dela resulta, não foi pensado logo de início, antes dos parcómetros começaram a funcionar? Será que ninguém nos Paços do Concelho se deu ao trabalho de analisar os prós e contras daquela medida, de estudar o movimento diário de automobilistas em Paredes de Coura, de se debruçar sobre os hábitos de estacionamento que os courenses tinham até então?
Será que a decisão de taxar o estacionamento à superfície surgiu do nada? Será que foi alguém que acordou um dia e se lembrou: olha, hoje vou colocar parcómetros na vila? É que não se pode pensar doutra maneira. Primeiro instalam-se os parcómetros, gera-se a confusão e depois reduzem-se as zonas abrangidas e pronto, já está!
Se não foi assim, o que já é muito mau, então só nos resta enveredar pela outra opção, a da vulnerabilidade da Câmara em relação às pressões do exterior. É que bastou meia dúzia de comerciantes terem levantado a voz a contestar os parcómetros e pronto, a autarquia baixa a cabeça e vá de desfazer o que tinha feito três meses antes.
O que nos deixa a impressão de que, de agora em diante, sempre que o Executivo liderado por Pereira Júnior tomar uma qualquer decisão que vá contra a vontade de um ou dois courenses, basta ir fazer barulho para a Câmara, exigir uma reunião com o presidente e pronto, dias depois, lá vemos a decisão revogada. Estou mesmo a ver os feirantes todos a contestar o aumento das taxas dos lugares da feira e a exigir a sua redução, ou então um grupo de courenses que, farto das contas da água, reúne com o presidente do município e exige que, de agora em diante, não se pague água nos dias de semana. Dá para tudo esta política de abertura da Câmara?
No meio disto tudo, Pereira Júnior ainda veio mostrar que está cada vez mais desiludido com a fraca utilização dos parques subterrâneos e vá de baixar a avença mensal para quem os utiliza no período diurno, que passa de 15 para 10 euros. Uma medida positiva para os nossos bolsos, mas que também poderia ter surgido em Janeiro. Eventualmente teria calado muitos dos críticos dos parcómetros, mas, assim como assim, se foram as críticas que acabaram com eles…

16 abril 2007

Quando os problemas vão à escola

De que serve uma escola nova, considerada modelo até, se depois não está devidamente adequada às necessidades dos utilizadores? A escola básica integrada tem um projecto de arquitectura deveras interessante, que introduziu em Paredes de Coura um novo patamar no que respeita ao conforto e facilidade de utilização de edifícios públicos mas, como em tudo na vida, também tem os seus senãos. Alguns foram visíveis logo no início, outros tiveram de esperar um ano para dar sinal de si.
Veja-se, por exemplo, a disposição em quatro núcleos, um para cada ano de escolaridade que ali é ministrado, dando-lhes mais autonomia e independência. A ideia é muito boa, mas logo no segundo ano de actividade da escola mostrou que não era ideal, pois se as salas se mantêm, o número de alunos por cada ano de escolaridade vai sofrendo alterações. E assim, os alunos do primeiro ano, e agora os do segundo, foram obrigados a andar de sala em sala, conforme a disponibilidade de espaço. Nada de mais e que até servirá de preparação para o que vão encontrar a partir do 5º ano, mas vem colocar em causa uma das boas ideias do modelo da nova escola.
Outro problema detectado, mas esse visível logo no projecto, foi a falta de estacionamento. Ou melhor, a ausência total de estacionamento. É que, se o PDM obriga os particulares e deixarem "xis" lugares de estacionamento em função da área ocupada por um edifício, por exemplo, já em relação aos edifícios públicos a norma parece ter sido esquecida.
Deste modo temos uma escola que movimenta diariamente cerca de 350 alunos, muitos deles ali levados pelos pais, a que acrescem cerca de cinco dezenas de professores e funcionários, mas não temos um único lugar de estacionamento. Resultado: a entrada da escola, em hora de início ou de fim de aulas, é um autêntico caos que salta à vista de todos. Até os alunos já chamam a atenção para essa situação, como nos dá a conhecer o último número do Oficina de Ideias, o jornal do agrupamento de escolas, em que um aluno da EBI alerta para a necessidade de manter aquela zona livre para assegurar o acesso a ambulâncias e viaturas de transporte de pessoas com deficiência.
É claro que parte do problema está também nas pessoas, mães e pais, que utilizam aquela zona para estacionar o carro. E não falo apenas em largar ou apanhar os filhos, mas em deixar o carro estacionado e ir tratar de qualquer assunto dentro do edifício, mesmo sabendo que o carro vai ficar a atrapalhar.
Não esqueçamos, contudo, que o erro inicial foi de quem aprovou um projecto que não previu qualquer zona de estacionamento. Seria por causa do projectado parque de estacionamento pago ali bem perto? Seria por terem pensado que os poucos lugares das redondezas eram suficientes? Seria apenas e tão só por esquecimento ou facilitismo ou ainda por o estacionamento não se enquadrar no projecto de arquitectura? Ou não se lembraram de importar para a escola a ideia dos parques e aproveitar até o desnível do terreno onde esta foi implantada para ali criar também um piso subterrâneo para estacionamento?

11 abril 2007

Planear, planear...

Enquanto o acesso à A3 não chega, e enquanto todos esperamos que ele chegue o mais depressa possível, parece que a velhinha EN303 vai sofrer obras de beneficiação, precisamente entre Paredes de Coura e o nó de Sapardos. Ou seja a variante ainda demora, mas pelo menos vamos ter o único acesso à auto-estrada um bocadinho mais arranjado. Não que esteja em mau estado, que não está, mas se as obras trouxerem com elas algumas correcções ao traçado da EN, pode ser que a variante já não seja necessária.
Ironia à parte, o que importa é que a EN303 vai ser arranjada. E bem que precisa, especialmente no troço entre Mantelães e o Livramento, em Formariz, que as obras da rede de saneamento deixaram marcas que todos os dias dão trabalho aos amortecedores dos muitos automóveis que por ali passam.
Precisamente por causa do saneamento, é que é preciso planear muito bem o calendário dos trabalhos que vão ser feitos naquela via. É que, como é do conhecimento público, grande parte do concelho está ou vai estar a braços com as obras para a implementação da rede de saneamento e já se sabe que nestas coisas das obras públicas a planificação não costuma ser uma prioridade e normalmente só depois de colocado o novo piso é que EDP, PT, autarquias e outros que tais se lembram de esventrar a estrada para colocar mais um tubo. O referido troço da EN303, entre Mantelães e o Livramento é exemplo disso mesmo. Ou não se recordam que dias antes de ser aberta a vala para o saneamento, por lá tinha andado uma equipa a refazer as marcações no piso?
Desta vez, contudo, parece que as circunstâncias estão do lado dos automobilistas. É que, de acordo com informação da autarquia, o empreiteiro que vai fazer as obras naquela estrada é o mesmo que está a trabalhar actualmente na requalificação da mesma EN303, mas entre Paredes de Coura e Arcos de Valdevez. E já avisou que só começa a nova empreitada quando terminar a actual. Deste modo, pode ser que quando der início aos trabalhos já a obra do saneamento por lá tenha passado. É que, para estradas esburacadas, já bastam as municipais que temos de enfrentar todos os dias.

04 abril 2007

Para turista ler... e esquecer

No passado fim de semana viajei até Lisboa. Motivos pessoais ditaram uma deslocação à “capital”, uma viagem que nunca me seduziu mas que, de tempos a tempos, torna-se obrigatória, mais não fosse pela oferta global que a cidade oferece, nomeadamente a nível cultural e, no caso concreto, económico. Para a deslocação resolvi seguir o conselho do Vítor Paulo Pereira e, do Porto para baixo, optei pelo comboio, mais concretamente pelo serviço Alfa Pendular que em menos de três horas nos coloca na Gare do Oriente, com o Parque das Nações à porta.
Uma opção que recomendo, pois o stress de enfrentar uma auto-estrada cada vez mais sobrecarregada fica à porta do comboio. Lá dentro, num ambiente confortável (ainda que as poltronas pudessem ser mais ergonómicas) a viagem decorre sem sobressaltos e podemos aproveitar o percurso para colocar a leitura ou a conversa em dia, sem corrermos o risco de, numa qualquer distracção, estarmos em cima do carro da frente.
Dois reparos, contudo, à deslocação neste serviço da CP. O primeiro prende-se com a velocidade reduzida a que o comboio é obrigado a circular dadas as limitações da via, como também realçou o Vítor Paulo no seu artigo. Apenas em meia dúzia de pontos a composição ultrapassa a barreira dos 200 km/hora. O segundo, a meu ver pior porque é facilmente corrigível, tem a ver com a programação do serviço de televisão que é oferecido aos passageiros, numa parceria CP/RTP. Assistir a programas repetidos ainda vá, agora exibir alguns com mais de dois anos quando a programação do canal público tem tanto para oferecer é que já não é aceitável. Quem acordasse de um sono profundo e viajasse no Alfa do passado sábado ainda pensaria que o PSD era Governo e Mota Amaral o presidente da Assembleia da República.
Na viagem de regresso esqueci a televisão e dediquei-me à leitura. Comprei a Sábado e com ela trouxe um suplemento que nos dá 52 sugestões para passar um fim de semana. Abri e vi que também Paredes de Coura estava contemplado, com a indicação da Casa das Cerejas, em Bico, uma unidade de turismo rural do nosso concelho. Muito bem a representação courense, não fosse a peça pecar por um de dois motivos: ou quem a fez nem sequer cá pôs os pés ou então andou muito distraído na sua visita.
Desde a indicação de como chegar à Casa das Cerejas, que nos deixa perdidos algures em Resende, até às sugestões que são feitas para ocupar o tempo que por cá passem os turistas. Que dizer de um artigo que nos sugere a visita, em Vigo, da Catedral de Tui, ou nos recomenda um noite animada em Pontevedra, Vigo. Não seria antes em Vigo, Pontevedra? Enfim, para terminar, a sugestão, a não perder, de visitar o Corno de Bico “uma paisagem protegida onde pode observar enormes blocos de granito”. Como em qualquer pedreira, acrescento eu.

29 março 2007

Propostas que se perdem

De vez em quando, nas actas das reuniões da Câmara Municipal de Paredes de Coura, lá aparecem algumas propostas da oposição que merecem o apoio da maioria socialista. Seria de esperar, por isso, que fossem levadas a cabo, ao contrário de muitas outras que parecem condenadas à partida. Nos últimos tempos recordo três situações deste género: o serviço de consultas ao domicílio, com recurso a uma ambulância devidamente apetrechada e enriquecida com a presença de um médico e um enfermeiro; a implementação do programa Bibliocafé da Fundação Calouste Gulbenkian em alguns cafés do concelho; e ainda, esta mais recente, a classificação de interesse público do conjunto arquitectónico composto pela antiga fábrica de lacticínios e o palacete de Mantelães.
Sobre este último tema, contudo, não se pode ainda dizer que tenha tido o apoio do Executivo courense, pois o assunto chegou à última reunião mas a sua discussão foi adiada. Espera-se, no entanto, que PS e PSD unam esforços na defesa de um marco histórico do nosso concelho. Ficamos é à espera de ver o que dali vai sair…
Já em relação às “consultas ao domicílio”, como referido no post anterior, o assunto até foi tido em consideração pelo ministro da Saúde. Ainda nada foi feito mas o presidente da Câmara já manifestou a disponibilidade da autarquia para custear a ambulância, a sua manutenção e, eventualmente, o salário de um motorista. Continuamos à espera que Correia de Campos cumpra a sua palavra.
Colocada de parte parece estar a implementação do programa Bibliocafé, que João Cunha tão bem defendeu aquando da sua passagem pela vereação. Se não foi esquecida, está mais atrasada do que em alguns municípios vizinhos. Isto porque Arcos de Valdevez, Caminha e Ponte de Lima já têm um espaço do género, com livros e café à mistura, numa tentativa de levar a leitura até aos munícipes, já que estes parecem arredados dela. Mais uma vez foi a Valimar, comunidade quem reúne aqueles municípios e ainda Ponte da Barca, Viana do Castelo e Esposende, onde também vão funcionar estruturas semelhantes, que se antecipou e deu força à dinamização deste projecto. Nós ficamos à espera de ver os livros ali num qualquer café, da vila ou das freguesias, até porque nas freguesias começam a multiplicar-se os exemplos de que a cultura pode muito bem estar de braços dados com a diversão que habitualmente caracteriza aqueles espaços.

26 março 2007

Palavra de honra

No tempo do meu avô, muito mais que um contrato escrito, o que contava era a palavra. Palavra de honra. Hoje, a palavra de uma pessoa parece valer muito pouco. Ainda assim há quem continue a ver na palavra uma garantia, uma certeza. É o que se passa com Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura, que continua convicto da força da palavra de honra do ministro da Saúde.
Mesmo depois de ter sido divulgada uma lista que dá conta da intenção de encerrar o serviço de atendimento permanente do nosso concelho, o autarca de Paredes de Coura mostra-se confiante na palavra ministerial e diz que aceita a decisão, desde que se concretizem as promessas feitas por Correia de Campos quando visitou o município há cerca de um ano. Pessoalmente acho que faz muito bem, ainda para mais quando o próprio ministério já veio a público explicar que a lista agora divulgada pela TVI já tem 14 meses, ou seja é anterior à visita do ministro a terras de Coura e que por isso já foi alvo de discussão aquando dessa deslocação.
Na altura, recorde-se, Correia de Campos disse que o SAP não fechava as portas… por enquanto. E por enquanto porque a negociação com o município previa a criação em Paredes de Coura de uma unidade de saúde familiar, chegando mesmo a ser indicado o edifício do antigo centro de saúde para acolher esse equipamento. Além disso, ficou ainda prometida a criação de um serviço médico ambulatório, com uma viatura equipada, tripulada por um médico e um enfermeiro, a fazerem consultas ao domicílio. Para já, nenhuma das propostas avançou, mas também as urgências ainda não fecharam, por isso acho que é de bom tom dar ao ministro o benefício da dúvida.
Sobre este assunto convém, contudo, não esquecer dois pontos que me parecem importantes. Por um lado, a falta de acessibilidades de Paredes de Coura aos municípios circundantes, onde teremos de recorrer quando o SAP encerrar. Mas, por outro lado, o verificarmos que a média de atendimento nas nossas urgências é de apenas 1,5 pessoas por noite.
Será que justifica ter um médico a trabalhar (em teoria pelo menos, porque sabemos que nem sempre é assim) durante toda a noite para atender uma pessoa, ou mesmo nenhuma, e receber horas extra por isso, quando, no dia seguinte, por não fazer o horário normal de trabalho, vai deixar de atender 15 ou 20 pessoas? Penso que as pessoas estão acima de qualquer número, mas há números, como estes, que não se podem ignorar.
Assim sendo, que se encerre o SAP, mas que se criem alternativas. Que se melhore a rede viária, que se prolongue o horário do centro de saúde, de modo a funcionar durante um maior período de tempo, inclusivamente ao fim de semana. Eventualmente, que se equacione a colocação de uma VMER em Ponte de Lima ou Valença, contra a actual localização em Viana do Castelo, de modo a dar uma resposta mais rápida em caso de emergência. E convém não esquecer que também os bombeiros vão precisar de mais apoio, pois é a eles que vai recorrer quem precisar das urgências fora de horas. Porque não colocar um enfermeiro de serviço durante a noite e fim de semana para acompanhar os casos mais complicados no transporte até Ponte de Lima?

23 março 2007

A Junta e o cemitério

A notícia tem vindo a público em vários jornais, regionais ou nacionais: no próximo domingo a Junta de Freguesia de Resende deixa o cemitério e vai para a escola. Ora aqui está um cenário que não se vê todos os dias, já que o mais comum é que quem vá para o cemitério de lá não regresse.
Mas a Junta de Resende não está morta, assim garantem os seus responsáveis que, aproveitando o fecho da escola primária da freguesia, encetaram esforços no sentido de não deixar o edifício desocupado e trataram de lhe dar o inquilino que entenderam ser o mais adequado. Bem visto, por duas razões. Primeiro, dão à Junta um novo espaço, mais aberto à comunidade e com melhores condições para ali serem desenvolvidas uma série de actividades com e para os munícipes. Por outro lado dão à freguesia um espaço que há muito vinha sendo reclamado e que, num concelho tristemente marcado pelo avanço dos números da necrologia, há muito deveria ter sido instituído em todas as freguesias: a casa mortuária.
Nos tempos que correm, e mesmo nos que correram antes destes, não faz qualquer sentido velar os mortos em casa, por muito respeito que se lhes tenha. Não é de todo humano sujeitar os que cá ficam, sabe-se lá com que estado de espírito, a uma convivência forçada com aqueles que acabam de partir. Uma partilha de espaços que, não raras vezes, se prolonga por mais de um dia e que, além das consequências psicológicas, pode muito bem acarretar problemas de saúde pública.
É, por isso, com agrado, que vejo que cada vez mais freguesias estão a dar prioridade a este tipo de equipamento nos seus planos de actividades, quer aproveitando edifícios desocupados, quer construindo uma casa mortuária de raiz, criando um espaço onde familiares e amigos podem velar os seus falecidos, mas mantendo a integridade do lar onde residem e onde, no final da oração, se podem refugiar em sossego.
Não podemos, contudo, esquecer, que este tipo de equipamentos sociais não se faz sem dinheiro. Por isso não será de reprovar qualquer aumento de taxas de ocupação dos cemitérios por parte das juntas de freguesia. Sei de freguesias onde, por falta de dinheiro, mesmo a limpeza do cemitério já deixou de ser paga pela autarquia e é feita graciosamente por aqueles que ainda se preocupam em manter a dignidade de um espaço de reclusão e memória. Se o dinheiro não chega para a limpeza, como se constrói, então, uma casa mortuária? A resposta é fácil: com o envolvimento de todos, porque, mais cedo ou mais tarde, quer se queira ou não, todos vamos precisar dela.

19 março 2007

Mesmo à porta

Afinal a polémica do estacionamento em Paredes de Coura não tem nada a ver com a instalação de parcómetros no centro da vila, ou menos ainda com os parques subterrâneos. Afinal, digo eu, toda a questão se resume apenas a uma constatação: os automobilistas não conhecem os sinais.
Se assim não fosse, como explicar o cenário da fotografia, tirada ontem. Não era dia de semana e, por isso mesmo, não havia parcómetros a pedir a respectiva moedinha. Também não era sábado de feira e por isso havia muitos lugares de estacionamento nas ruas vizinhas. No entanto parece que o sinal de trânsito proibido colocado à entrada do Largo Visconde de Mozelos não é suficiente para impedir a entrada daqueles que, talvez por não quererem caminhar alguns metros, têm de estacionar a viatura mesmo à porta do café.
Ainda bem que em Paredes de Coura não existe nenhum restaurante do género “drive in”, caso contrário o proprietário ainda se arriscava a ver os clientes avançarem de carro pela cozinha dentro. Concluindo, a foto só demonstra que, com parcómetros ou sem eles, o problema é que queremos sempre levar o carro até à porta do estabelecimento comercial para onde nos dirigimos.

16 março 2007

O fim das taxas, o aumento das tarifas

No dia do Consumidor, o Partido Socialista quis dar um agrado de boca aos portugueses, talvez para fazer esquecer outros assuntos, e vá de apresentar uma proposta de lei no sentido de acabar com as taxas fixas dos serviços considerados públicos e essenciais. Seria o fim da assinatura do telefone e do aluguer dos contadores de água, luz e gás. Iuuuppi! Finalmente liberdade. Se gastar, pago. Se não gastar, não preciso de pagar.
É claro que a proposta ainda não foi aprovada. O meu entusiasmo será, por isso mesmo, prematuro e, porventura, infundado. Isto porque, mesmo sem estar aprovada, já houve quem viesse a público dizer que não seria bem assim.
Fernando Ruas, presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, não gostou de ver o Governo mexer nas receitas das autarquias e já avisou que, se as taxas de aluguer caírem haverá uma subida das tarifas cobradas pelos municípios. Mais uma? Depois dos aumentos que se têm visto de cada vez que uma câmara entrega a concessão das redes de água e saneamento a privados? Lembre-se, a título de exemplo, o caso de Paredes de Coura, que há três anos, por uma questão de uniformizar as tarifas dos vários municípios servidos pela Águas do Minho e Lima, aumentou a factura da água em mais de cem por cento.
Já agora, e por falar em água, tenho ouvido algumas pessoas a queixarem-se da má qualidade da água de Coura nos últimos tempos, nomeadamente no que respeita ao seu sabor “a lixívia”. As mesmas pessoas que dizem que antes das Águas do Minho e Lima a água era muito melhor, quase comparável à agua engarrafada. É certo que o sabor a desinfectante é sinónimo de tratamento, mas certamente haverá outros processos menos “saborosos” de dar qualidade à água da torneira.

Querem fechar o Alto Minho?

A pergunta que dá título a este post não é minha, descobri-a no blogue Parar para Pensar, de João Carlos Gonçalves. Tomei a liberdade de lhe “roubar” a interrogação porque, tal como ele, também eu vejo, dia após dia, toda uma série de decisões que, mais cedo ou mais tarde, vão resultar, em última instância, na perda de qualidade de vida para todos quantos vivem no Alto Minho, principalmente nos concelhos do interior como Paredes de Coura.
João Carlos Gonçalves, que já lançou um outro blogue exclusivamente sobre este assunto, dá-nos alguns exemplos da operação, mais ou menos concertada, que o Governo e as estruturas dele dependentes parecem ter em mente para esta região. Se bem que não concorde com a incidência que algumas delas possam ter nesta conjuntura, caso da concentração de escolas, outras há que se traduzem, logo à partida, na perda de direitos adquiridos pelas populações.
Falo, por exemplo, do encerramento anunciado de algumas repartições de Finanças no distrito de Viana do Castelo. Paredes de Coura não escapa a esta vaga de encerramentos, o que levará a que os courenses, de cada vez que precisarem de recorrer a este serviço, tenham de se deslocar até Cerveira, Ponte de Lima ou Valença, por exemplo. É também a Valença que terão de ir, ao que parece dentro de pouco tempo, sempre que precisarem de recorrer ao Tribunal. O de Paredes de Coura, como bem referiu o “Exorcista” em comentário ao post anterior, tem uma actividade deveras reduzida e, numa lógica meramente economicista, há que concentrar serviços de vários concelhos para poupar uns cobres. Eles, os do Governo, porque nós teremos de abrir ainda mais os cordões à bolsa, com deslocações acrescidas.
Na secção Registos e Notariado ainda nos vamos safando. A junção dos dois serviços é um mal menor, mas, pelo menos por agora, não se fala em tirar do concelho mais este serviço público. Que se seguirá, neste cenário de fechar aqui e acolá para juntar tudo noutro lado? Será que o Centro de Saúde sempre consegue escapar aos estudos ministeriais e se mantém aberto fora de horas? E a Segurança Social? Será que, num concelho profundamente envelhecido, onde grande parte da população depende dos recursos que lhe chegam através daquele serviço, além da factura da farmácia e da mercearia, os nossos idosos vão ter de contar também com a factura do táxi até Valença? E a GNR, será que se mantém como posto territorial, ou passará a ser apenas um posto avançado ainda mais dependente de Arcos de Valdevez e com uma patrulha ou outra a vaguear pela nossa área?
De qualquer das formas, o cenário actual, e o anunciado a curto prazo, são suficientes para deixar qualquer um preocupado. E já estou como diz o “Exorcista”, se calhar mais valia fechar a Câmara e irmos todos daqui embora.

13 março 2007

Contradições

Ouço as notícias do dia na Rádio Geice e fico na dúvida. Melhor dizendo, fico com dúvidas. Por um lado ouço o presidente da Câmara de Paredes de Coura a dizer que continua a acreditar na promessa (ou na palavra) de Correia de Campos, ministro da Saúde, aquando da sua visita ao concelho, em meados do ano passado, quando garantiu que, para já, o concelho não irá perder o serviço de urgência no período nocturno.
Mas logo a seguir outra notícia, desta feita com epicentro em Cerveira, dá-nos conta do interesse do Grupo BES, atráves da Hospor (Clípovoa), em criar um serviço de urgência naquele concelho. Nada de mais, nada contra a iniciativa que até se aplaude e incentiva. Mas depois vem a justificação para o funcionamento daquele serviço em Vila Nova de Cerveira, nomeadamente a centralidade face a outros concelhos, e são dados os exemplos de Caminha, Valença e Paredes de Coura, que vão perder o serviço de atendimento permanente no período nocturno.
Afinal em que ficamos? Por um lado temos a promessa do ministro, por outro declarações que vão em sentido contrário. E recordo que já o presidente da Câmara de Valença se referiu também ao encerramento da urgência no nosso concelho. Será que eles sabem mais que Pereira Júnior? Ou, e acredito que sim, utilizam apenas o nome de Paredes de Coura para fortalecer os seus próprios intentos, dando mais força ao seu protesto, num caso, ou ao seu projecto, no outro? De qualquer das formas, creio que não fica bem estar a alarmar os courenses para uma situação que, até informação em contrário, não se irá verificar.

À espera do lixo

Estão todos à espera do lixo. Ou melhor estão à espera de uma decisão para ver quem fica com o lixo. O aterro intermunicipal do Vale do Minho, em S. Pedro da Torre, fecha as portas no próximo ano e o autarca de Valença não está disposto a mantê-lo aberto um dia mais que o necessário. É, por isso mesmo, o principal interessado em saber qual o município que se segue, tendo em conta que, a cada dez anos, um dos seis municípios aderentes da ValorMinho será responsável por acolher esta estrutura.
Para já ainda não é certo quem será o próximo, muito embora as previsões apontem para Cornes, em Vila Nova de Cerveira. Certo é que não ficará em Valença. Mas pode ficar em Linhares, Paredes de Coura. Pode? Pode, este foi o local que a Câmara courense sugeriu para acolher aquele equipamento. E se vier para cá, como ficamos?
Na memória tenho as manifestações dos moradores de S. Pedro da Torre, quando começaram a construir o aterro actual. E ainda no passado sábado a SIC nos relembrou dos protestos das populações de Lazarim e Bigorne, em Lamego, aquando da luta contra a implantação de um aterro sanitário naquelas freguesias. Que têm em comum um e outro caso? Em ambos os locais os protestos de nada valeram e os aterros lá estão.
Mas os dois casos não são de todo iguais. É que, em Valença, anos após a entrada em funcionamento do aterro, a Justiça deu finalmente razão aos populares que, ao que parece, conseguiram com que o facto de acolherem o aterro nos seus quintais trouxesse algum proveito para a freguesia. Vamos ver, agora, se a freguesia que se segue tem a mesma sorte, ou melhor dizendo, se tem a mesma capacidade de fazer valer os seus direitos e os direitos dos seus habitantes, retirando alguma mais valia de uma estrutura que, apesar de necessária, supostamente limpa e que irá servir todos os habitantes dos seis municípios envolvidos, acaba sempre por trazer mais dissabores a quem a vai ter a seu lado, dia a e noite, faça chuva ou faça sol, especialmente quando faz sol.
A propósito disto, saliento aqui a jogada de mestre que a Junta de Freguesia de Formariz parece estar disposta a fazer, relativamente ao tubo de saneamento junto à Ponte de Mantelães. Depois do autarca anterior ter colocado a empresa responsável pela sua instalação em tribunal, eis que o novo presidente da autarquia resolveu levar a sério a máxima de olhar pelos interesses dos habitantes da sua freguesia e aparece disposto a esquecer o atentado ao património edificado que, embora a defender, assume, nos tempos que correm, menor relevo. Assim, vai de tentar chegar a acordo com os “prevaricadores” e aproveitar ao máximo o que estes podem oferecer à freguesia, sejam estradas arranjadas, passeios construídos ou outro tipo de apoio para realizar obras que, de outra forma, não seriam possíveis. Até pode ser eticamente reprovável e não ficar muito bem na fotografia, mas lá que é uma boa oportunidade, que não pode ser desperdiçada, disso ninguém tenha dúvidas.

07 março 2007

Terapia de grupo

Isto de fazer parte de um grupo é como tudo na vida, tem as suas vantagens e desvantagens. Umas vezes temos o apoio do grupo do nosso lado, noutras temos de travar passo porque o resto do grupo está mais atrasado que nós. Assim também parece ser com as associações de municípios. Veja-se o caso de Paredes de Coura e a sua participação na Comunidade Intermunicipal do Vale do Minho.
Em alguns casos são notórias as vantagens resultantes dessa associação de municípios do Alto Minho para Paredes de Coura. Veja-se, por exemplo, o projecto Vale do Minho Digital, que vai ligar esses concelhos numa enorme rede informática, e em cada concelho uma diversidade de estruturas e equipamentos públicos. Em Coura, por exemplo, já estão no terreno os trabalhos de instalação dessa “intranet”, se assim se pode chamar, que promete tornar mais fácil o trabalho entre os vários departamentos da autarquia.
Mas, como disse no início, há alturas em que é preciso refrear os ânimos porque os nosso vizinhos ainda não estão ao mesmo nível que nós ou, no caso concreto, porque uma vez que se optou por fazer uma estrutura conjunta, esta está mais demorada do que se tivéssemos avançado sozinhos. Na memória tenho o caso do canil intermunicipal, de que ouço falar há, pelo menos, três anos.
Diz-se que vai ficar em Monção, por ser mais central, e que vai acolher os animais vadios dos cinco concelhos da Intermunicipal. O problema é que o canil nunca mais chega. Mas também não avança um equipamento do género a nível concelhio porque, explicou o autarca courense, seria dinheiro desperdiçado quando se está a pensar na construção de uma estrutura colectiva. Resultado: para já não temos nem uma coisa nem outra e os animais continuam à solta.
Mais recentemente ficámos a conhecer outra situação do género, ou seja de não resolvermos os nossos problemas por estarmos à espera de resolver os de cinco concelhos ao mesmo tempo. Falo da ausência e do mau estado de conservação de muitas placas toponímicas do concelho, principalmente da vila. Pereira Júnior reconhece que se trata de um problema que merece atenção, mas adianta que não será feita qualquer intervenção porque está a estudar-se uma solução conjunta e uniforme para os concelhos da Vale do Minho.
Assim sendo, mais uma vez, os interesses do concelho cedem lugar aos da comunidade intermunicipal. Nada contra, desde que não seja necessário esperar tanto tempo como em relação ao canil. É que, se assim for, bem que se pode fazer a intervenção nas placas toponímicas que, quando for encontrada uma solução comum aos cinco concelhos, já essas placas estão a pedir nova reforma.

06 março 2007

O carreiro da Europa

É certo que, nos tempos que correm, somos mais vezes impelidos a rumar a Espanha do que a outras paragens dentro do nosso país. É para lá que vamos quando precisamos de abastecer, de forma económica, o depósito do automóvel, é lá que fazemos as compras do mês. Mais: muitos de nós, courenses, é por lá que encontramos trabalho. São as vicissitudes de um país marcado por uma crise económica que, não obstante as previsões surrealistas de alguns ministros, ainda não tem os dias contados.
No entanto, apesar desta apetência por terras de “nuestros hermanos” acho que ninguém tem dúvidas que é urgente, é necessário, é de todo imprescindível, dotar Paredes de Coura de bons acessos que nos liguem ao resto de Portugal. Ninguém está livre de uma deslocação a Viana do Castelo, seja para ir ao médico ou ao Governo Civil, ou mesmo a Braga, onde se situam muitos dos serviços de que necessitamos no dia-a-dia. Parece estranha, por isso, a declaração de Eduardo Daniel Cerqueira na última reunião da Assembleia Municipal, especialmente quando o deputado socialista afirmou que “o futuro não está em Ponte de Lima ou em Viana, está na Europa”.
Os mais atentos logo associaram as palavras de Eduardo Daniel Cerqueira à proposta que o PSD courense em tempos fez de se apostar na ligação a Ponte de Lima e ao eixo A27/A29 ao invés de se desperdiçar esforços na ligação à A3 que teima em não desandar. Tudo bem. Era o deputado socialista a defender a dama de honra do seu partido.
Mas, logo a seguir, o mesmo elemento da bancada do PS questionou o presidente da Câmara sobre o processo de colocação das placas indicativas de Paredes de Coura na A29, em Arcozelo, e na A3, em Sapardos e aí fiquei na dúvida. Então se o futuro está na Europa, para que raio serão as placas a indicar Paredes de Coura? Será que alguém no seu perfeito juízo se vai desviar do rumo europeu e enveredar pelos desvios da realidade courense?
Por falar em Europa, Eduardo Daniel Cerqueira aproveitou a oportunidade para questionar o Executivo sobre o facto de algumas ruas da vila não terem ainda nome atribuído, lembrando que isso causa dificuldades na entrega do correio. E não lhe faltaram sugestões, nomeadamente para a rua do campo de jogos do Courense que, em ano de bodas de diamante do clube, bem poderia receber o nome daquela colectividade. Ou ainda para a nova variante à EN303, entre os Dadores e Mantelães. A obra está parada há meses, vá-se lá saber porquê, mas o deputado do PS já tem nome para aquele carreiro: Avenida da Europa.

05 março 2007

Pelas notícias...

Os blogues do alto Minho foram notícia na edição de ontem do Jornal de Notícias. Que dá a conhecer alguns dos "diários online", como lhes chama o jornalista, que existem no distrito. Miguel Rodrigues considera-os uma alternativa às tradicionais páginas da Internet. Para ler aqui.

01 março 2007

Por falar em estacionamento...

Desde que os parcómetros entraram em funcionamento, parece que todos em Paredes de Coura começaram a ter mais preocupação com o estacionamento. Que o diga Joaquim Felgueiras Lopes, presidente da Junta de Freguesia da vila que aproveitou a última reunião da Assembleia Municipal para questionar o presidente da Câmara sobre algumas situações anómalas em termos de estacionamento.
Falou do “caos” que se verifica no estacionamento do Centro de Saúde, completamente desordenado e com carros ali parados em situação abusiva. Inclusivamente acusou alguns funcionários daquele equipamento de contribuírem para essa confusão, estacionando em zonas proibidas e limitando a passagem a outros veículos, nomeadamente ambulâncias. Mas não se ficou por aí e, alguns metros à frente, criticou também os automobilistas que estacionam na entrada da Eprami. “Aquilo ficou muito bonito, mas agora parece um parque de estacionamento”, esclareceu o autarca da vila.
Pereira Júnior escutou e explicou, que em relação ao Centro de Saúde a responsabilidade é do seu director e de mais ninguém. Já em relação à Eprami, entidade de que a Câmara de Paredes de Coura é proprietária, explicou que aquela situação já foi comunicada ao director da escola e reforçou as palavras de Joaquim Felgueiras Lopes: “aquilo não foi feito para estacionamento”.
Nem sequer os autocarros da Courense escaparam às críticas de estacionamento desordenado. Tudo porque os autocarros ocupam lugares que estão destinados a outros veículos. E não podem, referiu Pereira Júnior, porque existem zonas reservadas para acolher aqueles veículos, a começar pela Central de Camionagem, que tem bastante espaço.
O problema, explicou José Felino, presidente da Junta de Insalde, é que o regulamento da Central proíbe o estacionamento de autocarros que não estejam em serviço e, dos dois locais apontados para estacionamento dos pesados de passageiros, um deles, junto à GNR, está praticamente lotado com as viaturas que transportam os alunos da escola básica integrada.
A ser assim, restam à Courense alguns metros defronte do Museu, mas apenas do outro lado da rua. De que é que estão à espera para retirar a empresa de transportes do centro da vila? Há anos que se houve falar no assunto, mas as oficinas não arredam pé do centro, onde nem sequer deveria ser autorizado o seu funcionamento. Com tanto espaço disponível em Formariz… se calhar estão à espera que venha outro convite para levar a empresa para Valença.