27 julho 2007

Público difícil

Não posso sequer imaginar o que sentirá um artista, seja ele qual for, que, no momento de subir ao palco se depara com uma plateia vazia. É, na minha opinião, um cenário desencorajador, que só não estraga o espectáculo porque o profissionalismo fala mais alto. Vem isto a propósito da grande oferta cultural e recreativa que Paredes de Coura tem nestes meses de Verão, principalmente em finais de Julho e durante todo o mês de Agosto. Praticamente todos os dias há alguma coisa para ver, algum espectáculo para aplaudir, algum concerto para escutar. E público, haverá? Isso agora, já é outra conversa.
Vejamos, por exemplo, o espectáculo levado a cabo precisamente há uma semana, pelo grupo de flamenco Soleares. Três bailarinas num palco montado num local pouco habituado a receber eventos do género (frente ao Tribunal), que há hora marcada para começarem a dançar tinham uma dúzia de pessoas na assistência. E desses, realce-se que mais de metade eram de fora do concelho. Valeu, no espectáculo em questão, o profissionalismo das bailarinas que, pouco depois de iniciarem a actuação, conseguiram fazer com que se ocupassem praticamente todas as cadeiras disponíveis frente ao palco, mais alguns tímidos que preferiram assistir de longe.
O problema é que não é caso único. Podem dizer que é um risco, fazer tais espectáculos no concelho. Eu defendo que se trata de um desperdício… não aproveitar as oportunidades que a cultura da autarquia nos tem trazido. Temos um Centro Cultural de fazer inveja a muitas capitais de distrito, com uma programação mais ou menos constante e cuja responsável tenta adequar aos mais variados públicos, mas nem sempre estes públicos respondem à chamada. Temos um Museu Regional que muitos dos courenses nunca visitaram. Temos teatro e cinema para salas com metade dos lugares vazios, temos concertos onde as poucas palmas não chegam para agradecer o bom espectáculo.
Ainda assim estamos muito melhor do que há alguns anos, em que tínhamos peças de teatro com mais actores no palco do que pessoas na assistência. A mentalidade, ou a disponibilidade, das pessoas têm mudado. Que Agosto, carregado de actividades, ajude a mudar ainda mais.

PS: Já ouvi dizer que o problema é o desconhecer as realizações que vão sendo feitas. Pois bem, quem quiser pode receber a programação cultural em casa, só tem de se inscrever no Centro Cultural. Ou podem sempre descarregar a agenda online, carregando aqui.

25 julho 2007

Tempo de emigrantes

Não é de agora que se ouve falar numa homenagem de Paredes de Coura aos seus emigrantes. O assunto tem sido abordado, nomeadamente, em diversas reuniões da assembleia municipal, com destaque para a implantação de um monumento que recorde e enalteça aqueles que tiveram a coragem, senão o único remédio, de deixar a sua terra Natal para procurar melhores dias noutras paragens.
Pessoalmente nada tenho contra esse tipo de manifestações, muito embora pudesse enumerar aqui, e sem grande dificuldade, uma dúzia de outras iniciativas que veriam com melhores olhos e eventualmente com mais agrado o uso de dinheiros públicos. É certo que todos temos de reconhecer o quanto (alguns) dos nossos emigrantes fazem pela terra onde nasceram. Não é apenas em Paredes de Coura, é em todo o país, eventualmente em todo o mundo.
E por emigrantes entenda-se – pelo menos eu assim o entendo – não estamos a falar apenas dos que rumaram a outro país, mas também daqueles que, mesmo não cruzando fronteiras territoriais, tiveram de ultrapassar as fronteiras psicológicas de abandonarem o local que os viu nascer. Paredes de Coura, por exemplo, pode orgulhar-se da comunidade que enviou para Lisboa, onde ainda hoje mantém uma embaixada de respeito que, em tempo de férias, não hesita em regressar ao território de onde nunca saíu a sua alma.
Lembrei-me dos emigrantes por estarmos em Agosto e, como disse atrás, por causa do monumento de que muitos falam, inclusivamente o presidente da autarquia. Ora, estando a nova variante à EN 303 em fase de conclusão, eventualmente com inauguração aprazada para a altura das festas do concelho, como é tradição nestas coisas de “corta-fitas”, nada melhor do que aproveitar a ocasião para a tal homenagem. A nova variante traz com ela duas novas rotundas, qualquer uma delas apta a receber o tal monumento de que todos falam.
Mas, como todos falam mas certamente o monumento ainda não existe, e porque nunca é cedo para tal homenagem, esse enaltecimento das qualidades dos nossos emigrantes bem que se pode fazer de outra maneira. E assim, dando ao mesmo tempo resposta a um apelo do Eduardo Daniel Cerqueira, que há tempos pedia nomes para ruas que ainda o não tem, porque não aproveitar e dar à nova variante, autêntica avenida à luz do regulamento toponímico que a Câmara quer aprovar, o nome de Avenida do Emigrante. Fica a sugestão, que a aproveite quem quiser… ou não.

23 julho 2007

É preciso pensar

Os contentores até podiam estar cheios. Os contentores até podem ter aberturas demasiado pequenas para a dimensão dos cartões. Nada disto justifica, no entanto, um cenário como o da foto, bem no centro da vila, à vista de todos os que por ali passaram na sexta e no sábado.
Será que, estando os contentores cheios, não seria melhor não colocar ali os cartões e guardá-los mais uns dias? Ou, melhor ainda, depositá-los noutro ecoponto, já que na vila, ao contrário do que acontece nas freguesias, há muitos à disposição. E, se o problema foi o tamanho reduzido da abertura, não seria mais sensato tornar os cartões mais pequenos, abri-los, cortá-los, fosse o que fosse?
Pelo vistos venceu a lei do mais fácil. É mais fácil deixá-los aqui no chão, a dar um bom exemplo de como não se deve fazer. Às vezes é preciso pensar. E não é preciso muito, basta pensar um bocadinho...

PS: Já agora, pergunto, o que é feito do Regulamento Municipal que previa multas para este tipo de situações?

19 julho 2007

Para apontar na agenda

Sou daqueles que acha que, tendo nós a oportunidade de contribuir para o desenvolvimento do concelho onde vivemos, não a devemos desperdiçar. Foi, por isso, com agrado, que dei o meu contributo no fórum participativo da Agenda 21 de Paredes de Coura. Foi com mais agrado ainda que vi um Centro Cultural razoavelmente preenchido, com pessoas que também não quiseram ficar em casa ou no café e resolveram dar a sua opinião.
O ambiente vivido, aliás, a isso ajudava. As pessoas reunidas em grupos, formados ao acaso, mas todas juntas no sentido de dar resposta a um desafio comum: encontrar as potencialidades de Paredes de Coura. Isto depois das reuniões nas freguesias, algumas com boa participação outras nem por isso, terem servido para identificar aqueles que os courenses consideram ser os principais problemas do concelho.
No final ideias não faltaram, haja agora quem as coloque em prática. Com o turismo a assumir papel de destaque, mas não esquecendo a sua ligação óbvia à economia regional e ao ambiente. O ambiente, ou melhor a natureza, foi aliás apontado como a principal mais valia do concelho. As paisagens, os recursos naturais e a forma como estes podem ser aproveitados, de forma sustentável, para promover o turismo, para promover Paredes de Coura.
A agricultura, biológica ou não o que interessa é dar vida aos campos, como referiu um dos participantes no fórum, também pode assumir um papel importante. O concelho já não é o celeiro do Minho, mas tem condições para ainda dar o seu contributo para o fortalecimento deste sector na região. E depois, porque não, conjugar esforços e criar um mecanismo de promoção desses produtos, oriundos de Paredes de Coura, dentro e fora do município. Dos biscoitos de milho à truta, passando pelo cabrito de Padornelo e a broa, várias foram as sugestões ali deixadas.
É claro que o desenvolvimento do turismo em Paredes de Coura está também inevitavelmente ligado à criação de estruturas que possam acolher os turistas. E a falta de camas no concelho foi um dos principais problemas apontados. Temos várias casas de turismo rural mas os preços podem não ser convidativos, afirmaram alguns participantes. No ar ficaram sugestões de um parque de campismo e uma pousada da juventude, esta apontada para o devoluto sanatório. Se o projecto do hotel não for avante, sempre é outra possibilidade… a retomar.

18 julho 2007

13 julho 2007

Vamos à praia?

Parece que finalmente chegou o calor. Chegou o Verão! Já dá vontade de passar a noite numa esplanada, à conversa, a saborear o sossego e os encantos naturais de Paredes de Coura. Foi o que fiz uma noite destas, na companhia de uma amiga que, entre muitas outras coisas, partilha comigo o facto de também ela não ser natural de Coura, mas aqui residir há alguns anos.
Entre conversas sobre tudo e mais alguma coisa, eis que a cavaqueira resvala para as potencialidades turísticas de Paredes de Coura e, estando nós em plena praia fluvial do Taboão, aquele local logo foi apontado como um dos pontos fortes do concelho. Mas no que respeita a praias fluviais o concelho tem mais locais que também são utilizados com o mesmo fim. Conheço Casaldate, ali entre Padornelo e Parada e tinha ouvido falar, há anos, de semelhante espaço em Cossourado, junto à Ponte Nova, mas sinceramente nunca lá fui. Por isso, foi com surpresa que ouvi dizer que aquela zona era bastante frequentada, não só pelas gentes de Cossourado, mas de outras freguesias ao redor, que ali buscam a frescura das águas.
A conversa mudou de direcção, mas fiquei a matutar no assunto. Será que, tanto Casaldate como Cossourado não mereciam mais destaque nos roteiros turísticos do concelho? Provavelmente não terão o mesmo esplendor que o Taboão (Casaldate tem meia dúzia de mesas e pouco mais), mas também não repartem com o Taboão o mesmo pacote de investimentos, ou seja pouco ou nada ali se investe, pouco ou nada ali se desenvolve, pouco, o mais certo é nada, ali se faz.
Não defendo, como no Taboão, que ali abram um restaurante, ou sequer um bar, pois tenho a certeza que o movimento não será suficiente para o justificar, mas porque não investir ali algum do dinheiro que todos os anos calha ao Taboão e transformar aqueles dois espaços em outros pólos de atracção para os courenses, eventualmente para os de fora que nos visitam? E talvez não seja preciso muito dinheiro.
Por falar em Taboão e em turistas, já aqui referi, noutros tempos, a grande afluência de excursões àquela praia fluvial. Porque não aproveitar o espaço do outro lado da praia fluvial para criar um parque de merendas há muito reivindicado por quem nos visita? O parque de estacionamento demorou mas chegou, vamos ver se as mesas também vêm a caminho.

Finalmente


11 julho 2007

Obras de arte e engenharias

Desde pequeno que tenho um certo fascínio por algumas das grandes obras da arquitectura e engenharia, em Portugal ou no estrangeiro. Fico admirado com a capacidade de se construírem obras como uma Ponte da Arrábida, anos antes das técnicas e tecnologias que possibilitaram o avanço para uma Ponte Vasco da Gama. Autênticas obras de arte, como o são também outros exemplos de obras públicas e privadas um pouco por todo o país.
No entanto, apesar deste fascínio pelo património construído, nunca a engenharia esteve no meu plano de vida. Não sei porquê, simplesmente não esteve. Não sei se por apetência por outras áreas, se por verificar que, apesar das grandes obras, de vez em quando as engenharias me levantam sérias duvidas, nomeadamente pelos métodos e planificações utilizados.
Veja-se, por exemplo, a nova variante à EN 303 que está a ser construída em Paredes de Coura, de Mantelães até à sede da ADASPACO. Sinceramente não compreendo a programação utilizada, seja esta responsabilidade dos engenheiros que a projectaram e acompanham ou do dono da obra. Não entendo, mas eu também não sou engenheiro ou autarca, como se pode dar prioridade a obras secundárias como são a colocação dos passeios ou a preparação dos futuros espaços verdes daquela via, em detrimento da colocação do piso, substituído há quase dois meses por um tapete de terra, alternando entre o pó e a lama. Já sei que vão dizer que são obras, que é mesmo assim, que é o custo do progresso, mas não compreendo como é possível cortar a principal via de acesso à sede do concelho e não se dar prioridade ao restabelecimento dessa ligação.
É claro que é mais fácil colocar o alcatrão todo de uma vez, naqueles 500 metros de estrada, do que remendar a EN303 e fazer depois o resto, mas não seria preferível minimizar os problemas dos automobilistas que por ali passam diariamente? Sei também que fica muito melhor na fotografia inaugurar uma estrada nova com os passeios compostos, com a iluminação a funcionar e com as rotundas de ligação às vias existentes devidamente embelezadas e ajardinadas, mas não será tudo isso secundário ao efeito prático que a estrada pretende ter?
Por falar em rotundas, com o avançar dos trabalhos no entroncamento desta variante com a Avenida Cónego Bernardo Chouzal começa a delinear-se um cenário um tanto ou quanto inquietante naquela zona. É que, e volto a dizer que de engenharia nada percebo, custa-me a entender como vão ser vencidos desníveis face às construções ali existentes, nomeadamente o acesso ao Centro de Saúde. Provavelmente não ficará como as traseiras das casas por onde a variante passa, algumas das quais transformadas em autênticos fossos. Mas isto sou eu a dizer, que não percebo nada de engenharia.

E a dadores também...

Centro Cultural, GNR, Centro de Saúde, moradores e… A placa não o indica, mas os dadores também têm caminho aberto, apesar da Avenida Cónego Bernardo Chouzal estar fechada ao trânsito. É que no próximo domingo, durante toda a manhã, a ADASPACO leva a efeito mais uma recolha de sangue, desta feita para engrossar a base de dados do CEDACE – Centro de dadores de células de medula, estaminais ou de sangue de cordão e é quase sentido obrigatório seguir aquele caminho, o da solidariedade.
Todas as pessoas saudáveis, com mais de 50 quilos e com idade compreendida entre os 18 e os 45 anos estão convidadas a participar nesta iniciativa e deixar ali uma hipótese de esperança para muitos doentes, no país ou no estrangeiro. “E se fosse consigo?”, questiona a Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Paredes de Coura. A resposta, espero eu, será dada, em força, na dádiva do próximo domingo. As vantagens, pode vê-las clicando aqui.

05 julho 2007

Bombeiros: Verão sem direcção

Já se esperava mas agora veio a confirmação. A assembleia eleitoral da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Paredes de Coura só está marcada para 9 de Setembro. Assim sendo os Bombeiros vão passar o Verão e, teoricamente, a época de incêndios, sem uma direcção eleita.
Resta a comissão administrativa que tomou conta da instituição a partir de Janeiro. Ou se calhar nem isso. Há cerca de um mês apresentaram a demissão à assembleia-geral e esta foi entregar as chaves do quartel à Câmara. A autarquia pediu para aguardarem algum tempo e, desde então, nada mais se ouviu. Será que ainda está em funções?
Fica-se, agora, em suspenso para ver o que vai acontecer. Por um lado para ver como se comporta a corporação numa época crítica sem uma direcção por cima, só com o seu comandante a gerir as coisas. Por outro lado, aguardam-se as candidaturas à direcção. Nomes parecem não faltar, resta saber se sempre avançam.

Resíduos galegos em Coura?

A informação é veiculada pela Alternativa Vecinal, uma associação galega, com sede em Vigo, que fala no transporte de cascalho eventualmente contaminado para terras de Coura. O cascalho, resultante da demolição de uma antiga empresa pesqueira daquela região, estaria a ser enterrado em Tomiño, nas zonas ribeirinhas do Rio Minho, situação que foi prontamente denunciada e sancionada pelas autoridades galegas, pois parte do entulho resultante da demolição estará contaminado com amoníaco e outros químicos, uma vez que resulta das antigas câmaras frigoríficas daquela empresa.
Diz a Alternativa Vecinal que, além daquele despejo ilegal, terá sido transportado cascalho também para Valença, tendo sido acomodado numa pedreira de Valença, e ainda para Paredes de Coura. Por indicar está, contudo, qual o destino final dessa carga que veio para Coura, se alguma pedreira, como em Valença, se alguma obra em execução.

A3: paciência e asneiras

Parece que a paciência de Pereira Júnior está à beira do fim. Isso mesmo adiantou o autarca à Rádio Alto Minho, queixando-se do atraso verificado na adjudicação do estudo prévio da ligação de Paredes de Coura à A3, em Sapardos, findo que está o concurso e encontrado vencedor há mais de um ano.
Salientando que não é homem de protestos, o presidente da Câmara de Paredes de Coura parece estar cansado das promessas por cumprir por parte do Governo socialista, desta feita, ao que tudo indica, por falta de dinheiro nas Estradas de Portugal. Para Pereira Júnior fica aqui a sugestão: convide-se o ministro Mário Lino a visitar o concelho e pode ser que este, como aconteceu com o seu colega do Ambiente no passado domingo, desbloqueie uma situação que se arrasta há anos.
Já agora, ficam aqui também dois reparos à notícia da Rádio Alto Minho. Primeiro, quando os courenses querem ir pela A3 não têm de percorrer 25 kms até Valença, basta 10 até Sapardos. E em segundo lugar, a A3 só ficou completa em Maio de 1998, com a abertura do troço entre Ponte de Lima e Valença, por isso tem 9 anos, e não 12 como diz a notícia. É que há datas que não se esquecem.

03 julho 2007

Só faltam as outras

Veio o ministro do Ambiente e com ele as placas indicativas do Centro de Educação e Interpretação Ambiental do Corno de Bico. Agradece-se, por isso, a presença do caro governante por terras de Coura. Ah, e convém não esquecer que prometeu também ter pronto em seis meses, o plano de ordenamento da área protegida, que o ICN atrasa há anos.
Ficamos agora à espera que outros ministros ou secretários de Estado venham a Paredes de Coura para trazerem com eles as outras placas que ainda faltam no concelho, nomeadamente na vila. Que venha o ministro da Justiça para trazer as do Tribunal, e o da Administração Interna, com as placas dos bombeiros e da GNR às costas.
Quando ao ministro da Saúde, ao que parece tem andado aí por terras courenses, incógnito. Pode ser que um dias destes se lembre de sinalizar o Centro de Sáude. Ou de o fechar, tanto faz.


PS: Já agora alguém me sabe dizer para onde aponta a placa de cima?

29 junho 2007

Nós também queremos

A Câmara de Caminha reclama mais segurança para o concelho. Tudo por causa do aumento do número de ocorrências criminais nas últimas semanas, incluindo um assalto a uma ourivesaria e o roubo de uma moeda de cobre do museu municipal (onde estava a segurança da exposição?). E nós, que somos vizinhos e que também tivemos a nossa dose de casos de polícia nas últimas duas semanas? É claro que nós também queremos mais segurança.
Mais rondas da GNR, de dia ou de noite. Mais agentes. E que não fiquem no posto, que andem pelas ruas, a pé ou de carro (ou até a cavalo como sugeriu uma amiga) e com menos rotina nos percursos seguidos. Sei que Paredes de Coura é um concelho normalmente calmo, isso mesmo atestam os números da GNR relativos aos últimos anos, e que esta força policial tem referenciados vários “suspeitos do costume” para os ter sempre debaixo de olho. Mas também ouço rumores de que o concelho pode perder o posto permanente da GNR e ficar apenas com um piquete de reserva. São rumores, de onde vêm não sei, quem os lançou desconheço, se têm alguma validade ignoro, mas que existem, os rumores, lá isso existem.
E quando vemos situações como a da passada segunda-feira, com o assalto a uma ourivesaria no centro da vila, ficamos a pensar. Se com um posto da GNR na vila (com poucos efectivos, é certo), acontece isto, o que será se estivermos reduzidos a uma patrulha? Eu não sei. Perguntem, se calhar, a quem teve de enfrentar o cano de uma arma apontado a si, enquanto via um bando de malfeitores e deitar mão ao que lhes não pertencia. Seria diferente? Talvez não, mas que a sensação de segurança também conta, isso ninguém o pode negar.
Já agora, fica uma questão. Será que se os famosos mecos metálicos, que limitam o trânsito naquela rua, estivessem erguidos como é suposto acontecer fora dos períodos de cargas e descargas, teria acontecido da mesma maneira?

Um Portugal mesmo profundo... e escuro

António Balbino Caldeira é um nome que pode não dizer muito à maioria dos portugueses. É autor de um blogue, coisa pouca, é professor, se calhar menos importante ainda, mas o certo é que tem dado algumas dores de cabeça aos governantes portugueses. É a ele que se ficaram a dever as muitas notícias, e a polémica que se seguiu, sobre a licenciatura de José Sócrates.
Do Portugal Profundo, é este o título do seu blogue, António Balbino Caldeira ousou emergir e picar a imagem do primeiro-ministro e está agora, eventualmente, a sofrer as consequências desse, oh céus, sacrilégio, tendo sido constituído arguido no âmbito de um inquérito judicial relativo ao assunto do percurso académico de Sócrates, como descreve no seu blogue. Estaremos nós perante uma nova forma de censura? Que ninguém duvide. Independentemente da origem do processo, esta é uma forma descarada de mostrar a Balbino que não se pode mexer com o poder instalado.
Já não temos lápis azul, até porque hoje em dia os computadores vêm com correctores ortográficos integrados, mas continuamos a ter censura. Aqui como noutros casos. Como no caso do vídeo divulgado pela Câmara do Porto a mostrar o director-adjunto do Jornal de Notícias numa manifestação, um exemplo de como o poder, mesmo nas autarquias, quer condicionar a informação. Eventualmente, também como no caso do professor afastado da DREN.
Estaremos mesmo num Portugal muito profundo. Profundo e escuro. Tenebroso.

27 junho 2007

Novidades, novidades...

Mais uma vez, como habitualmente, o Notícias de Coura brindou-nos com a entrevista a Pereira Júnior na edição que assinala mais um aniversário do jornal. A propósito, fica-se sem saber porque é que o aniversário, a 10 de Junho, só é comemorado na edição de 26 de Junho, quando antes disso houve outra, a 12 de Junho, onde o assunto passou ao lado.
À parte disso, dá-se os parabéns ao José Miguel Nogueira pela entrevista ao autarca courense. "Diga lá, presidente”, reza o título, mas o José Miguel não deve ter sido ouvido porque Pereira Júnior pouco disse, pelo menos de novidade. Falou de tudo o que já se sabe: o saneamento, a variante do Matadouro, o projecto turístico para Mozelos, o arquivo, o CEIA… Ler a entrevista ontem ou no ano passado era mesma coisa, os assuntos são praticamente os mesmos.
Nem mesmo a questão da eventual-mais-que-certa-recandidatura nas autárquicas de 2009 causou alguma surpresa. Alguém duvidava que, nesta altura do campeonato, não fosse este o cenário mais esperado. Bom, bom, seria, por exemplo, saber porque é que não surgem alternativas a essa recandidatura, mas isso será matéria para uma entrevista a outra pessoa, eventualmente ao dirigente da concelhia local do PS.
Também seria agradável ouvir Pereira Júnior falar de outros assuntos que já fizeram a actualidade mas que terão caído no esquecimento. Falo, por exemplo, do Centro Europeu da Dieta Atlântica, que se projectava como a salvação da Casa do Outeiro e de que nunca mais se ouviu falar, para mal da Casa do Outeiro. Ou da possibilidade de passar para as mãos da autarquia a promoção turística do concelho, com o eventual fim da Região de Turismo do Alto Minho. Ou ainda do papel que a Câmara teve e terá no imbróglio directivo que afecta os bombeiros, da posição da autarquia face a uma futura instalação do aterro sanitário do Vale do Minho em terras de Coura, ou mesmo da sua posição, enquanto autarca, face à regionalização, que volta a estar na ordem dia.
Mas optou por não falar disto. Resta-nos aguardar por mais um aniversário do Notícias de Coura para ver se temos sorte e estes assuntos vêm à baila. É que nestas coisas, como diz Pereira Júnior, não se pode ter pressa.

25 junho 2007

O local certo

O cartaz da festa do próximo fim de semana e da do fim de semana seguinte. A convocatória para mais uma assembleia geral do Courense. Os saldos da loja ali da esquina. O que é que têm em comum todos estas coisas? O facto de estarem espalhadas por várias paredes da vila, dando-lhe assim um aspecto mais cosmopolita (e também mais sujo). Não deixa de ser engraçado, contudo, verificar que, mesmo sem nada que o diga, os locais para a colocação de todo o tipo de cartazes e informações várias, são praticamente assumidos por quem os cola e também por quem os lê. São o local habitual para divulgar o que quer que seja.
Veja-se, por exemplo, aquela parede ali junto ao restaurante Furão. Lá podemos encontrar todo o tipo de informações mais ou menos relevantes. Até editais camarários ali temos de vez em quando, como que a atestar que realmente aquele é o melhor local para colocar qualquer tipo de informação. O mesmo se passa com diversas portas e janelas de edifícios ao longo da rua Conselho Miguel Dantas, que normalmente não servem para mais nada do que para... colar cartazes.
Mas quem cola os cartazes está atento a novas localizações e por isso nem mesmo a paragem de autocarros junto à entrada do parque de estacionamento subterrâneo do Largo 5 de Outubro escapa à força da divulgação cultural, comercial ou seja lá o que for. E o que pretendia ser um equipamento urbano moderno e funcional (será?) acaba por transformar-se em mais uma parede para colar catazes.
Dito isto eu pergunto: será que não ficaria melhor, em termos estéticos, funcionais e outros que tais, a Junta de Freguesia de Paredes de Coura investir em meia dúzia de "mupies" e colocá-los à disposição das entidades organizadores para a colocação de cartazes? Ou, melhor ainda e tendo em conta que este cenário não é exclusivo da vila, o ideal seria a Câmara Municipal fazer o mesmo em todas as freguesias do concelho, criando espaços que tanto poderiam servir as várias comissões de festas e associações culturais, como os próprios serviços camarários, que tinham desta forma um meio de divulgação em cada freguesia. Fica a ideia.

20 junho 2007

Marcar na agenda

Finalmente parece que alguém no Ministério do Ambiente descobriu que existe um Centro de Educação e Interpretação Ambiental no Corno de Bico. Ou se calhar descobriu apenas que existe Paredes de Coura, mas isso não interessa. O que interessa é que alguém está disponível para inaugurar o CEIA, quase um ano depois da obra concluída.
A honra (o prazer e a glória?) vai estar a cargo do próprio ministro, Nunes Correia, que lá arranjou um buraquinho na agenda para vir até cá acima. Se calhar ainda vai descobrir que o buraco foi feito por alguma traça mais faminta e desmarca em cima da hora, mas vamos esperar até ao próximo dia 1 de Julho, a data apontada para cortar a fita, para ver o que acontece. Já agora, e por falar em cortar a fita, acho que na lápide que certamente vai assinalar o acto inaugural deveria constar a seguinte inscrição: "inaugurado por Lisboa a 1 de Julho de 2007, mas a funcionar em pleno, com sucesso e sem precisar de qualquer ministro, desde 2 de Janeiro do mesmo ano". É um bocado comprido, mas não ficava mal.
Mais importante que a visita inaugural do ministro é, certamente, o evento que ali vai decorrer já na próxima sexta-feira à noite. Uma iniciativa que promete levar os visitantes numa viagem ao tempo dos Celtas e que está a ser desenvolvida por alunos e professores de Paredes de Coura. Isso sim, a merecer o aplauso de qualquer ministro.

19 junho 2007

Coura 4x4

Venha a Coura, traga o seu jipe, parece ser o novo lema do turismo em terras de Paredes de Coura. Os principais acessos ao concelho, à vila principalmente, estão literalmente esventrados e quem paga… somos todos nós que temos de utilizar aquelas estradas.
E os responsáveis quem são? Apenas dois: a Câmara Municipal e a Águas do Minho e Lima. Já se sabe que a primeira vai argumentar com o mau tempo para justificar o atraso na obra da nova variante à entrada da vila, se bem que um atraso de quase um ano não é de todo justificável. Mas nem sequer o mau tempo justifica o estado em que está a zona de Mantelães, onde a variante vai ligar à estrada nacional e onde, há algumas semanas, resolveram substituir a estrada por um caminho de terra sem criar uma alternativa para desviar o trânsito. Se até chegar o alcatrão ainda demorava, porque raio é que resolveram subir a estrada tão cedo?
Já a Águas do Minho e Lima parece não ter desculpa possível. Argumentará, como seria de esperar, com o “preço do progresso”, já que as estradas estão como estão por causa das obras do saneamento, mas o certo é que o problema não é de agora e nem sequer é exclusivo de Paredes de Coura. Vários outros municípios do distrito já se queixaram da forma de trabalhar daquela entidade, que esburaca as vias e deixa-as assim, esburacadas, durante longo tempo, mesmo após ter realizado todos os trabalhos. Veja-se o caso de Ponte de Lima, que teve as estradas destruídas durante meses.
Por tudo isto, será legítimo pensar que quem vem a Coura e se depara com um cenário destes, ainda para mais com as chuvas das últimas semanas, fica com pouca vontade de cá voltar. A não ser que venha de jipe e opte por fazer uma prova TT nessas picadas improvisadas. A nós, que não temos jipes e que não temos outro remédio que não seja utilizar esses acessos, resta-nos raspar a lama dos carros e rezar para que, entre um buraco, uma lomba e uma vala, a suspensão consiga resistir. Há até já quem diga, em jeito de brincadeira, que, a continuar assim, a Câmara não vai ter dinheiro para apoiar o aumento da natalidade, porque o vai gastar todo a pagar o conserto dos veículos dos munícipes.

14 junho 2007

Breves, curtas e grossas

Despertar violento
O cenário é o mesmo, todos os dias de manhã. E de tarde. Cerca de 350 crianças entre os seis e os dez anos de idade, confinadas no espaço polivalente da nova Escola Básica Integrada de Paredes de Coura. Gritos, brincadeira, pancadaria, mais brincadeira. São crianças, estão praticamente no final do ano lectivo (como eu os compreendo na necessidade de férias), mas têm este tipo de comportamento também porque não há ninguém para lhes deitar uma mão. A EBI tem poucos funcionários, e os que têm, distribuídos por turnos ao longo de todo o dia, resultam em menos ainda para vigiar, apoiar e tomar conta das crianças.
Não sei o que falta para contratar mais pessoal. Dinheiro, um simples pedido a quem de direito…. Seja o que for não se compreende como não há ninguém que olhe para esta situação e diga: BASTA. Passamos de uma funcionária para 20 alunos, nas escolas antigas, para uma funcionária para 100 numa escola modelo. De que adianta pedir mais crianças se depois não temos como tomar conta delas.

Fechado para balanço
Vilar de Mouros já era. Depois de, nos últimos anos, ter andado pela mó de baixo, o mais antigo festival de música do país não resistiu e, acusando a falta de apoio da autarquia caminhense, cancelou a edição de 2007. Cá para mim não volta tão cedo, ou pelo menos antes de 2010, dado que daqui a dois anos há eleições autárquicas e a Câmara de Caminha pode mudar.
E nós por cá? Temos sorte diferente. A Câmara apoia, nós também. A organização agradece e recompensa a fidelidade: bilhetes mais baratos para os locais e o parque de estacionamento da praia fluvial devidamente empedrado. Ao que parece a autarquia tinha-se esquecido de acabar a obra quando criou a praia e as infraestruturas ao redor.


Vá para fora, cá dentro
Talvez relacionada com o primeiro texto, ou mesmo com o segundo, é também a notícia, dada à estampa em vários jornais nacionais da semana passada, de que muitas crianças do país vão ficar sem praia este ano porque as câmaras municipais simplesmente não têm dinheiro para o transporte, tendo em conta as normas impostas pela nova legislação. Fica, deste modo, gorada a única possibilidade que muitas crianças de Paredes de Coura, nomeadamente da EBI, tinham de ir à praia, uma semana no ano que fosse.
O problema é da Lei, dizem os autarcas. O problema é a falta de dinheiro, dizem os autarcas. Cá para mim o problema são os autarcas, porque dinheiro para outras coisas parece não faltar. Mas não há problema, a câmara está a tratar do estacionamento na praia fluvial e depois é só dar um pulinho até lá para ver o mar... de gente que por lá vai passar.
Já agora, e por falar em autarcas, está a decorrer nos Açores o congresso da Associação Nacional de Municípios Portugueses. Até aposto que muitos dos autarcas não puderam ir porque lhes faltou o dinheiro para o transporte.

12 junho 2007

Coura à venda

É sempre assim, infelizmente. Quando as coisas apertam, em termos financeiros, há que ponderar prós e contras e tomar a decisão incontestável: vender aquilo de que não precisamos. Assim acontece com a Câmara Municipal de Paredes de Coura que decidiu dar seguimento a uma ideia já com alguns meses, e abrir mão de um conjunto de propriedades que possui na vila.
Ao todo são seis imóveis que deverão render aos cofres deficitários da autarquia mais de 600 mil euros, verba que muita falta deve fazer para toda uma série de coisas mas que, defende José Augusto Viana, vereador da oposição, deverá ser utilizada para reduzir a dívida da edilidade a médio e longo prazo. A ver vamos, porque nestas coisas muitas vezes quando nos apanhamos com o dinheiro na mão, temos tendência a aplicá-lo noutras coisas que não as previstas.
À venda, por concurso público, vão estar dois apartamentos (70 e 75 mil euros cada) nos conhecidos prédios amarelos da Rua José Gomes Moreira, um outro apartamento no Edifício Palácio por 100 mil euros e ainda três lotes na Urbanização da Quinta da Casa Grande, cuja área se desconhece mas que serão vendidos, cada um, pelo preço base de 120 mil euros.
Em todo este processo, que como se realçou acima é de apoiar, levantam-se, contudo, duas questões. Primeiro, a questão da avaliação das propriedades em causa, nada consonante com as avaliações que vamos vendo das casas que a autarquia tem vendido nos bairros da Rua dos Bombeiros, Rua 25 de Abril e Rua Combatentes da Travanca. É certo que se tratam de imóveis mais antigos e eventualmente mais desvalorizados (e daí talvez não se tivermos em conta os dois apartamentos dos prédios amarelos), mas não serão também a área e o local de implantação aspectos a ter em conta? Ou será a autarquia a aproveitar o boom do mercado imobiliário no concelho?
Em segundo lugar temos o destino a dar aos imóveis. Ao que julgo saber pelo menos um dos apartamentos está ocupado e provavelmente os inquilinos terão de procurar nova casa, mas o que me preocupa mais é o que poderá ser feito, e vai com certeza ser feito, nos lotes da Urbanização da Quinta da Casa Grande. Tendo em conta exemplos mais ou menos recentes na vila, fica a dúvida no ar.

05 junho 2007

Hotel Courense - Spa, Golf & Problemas

Este fim-de-semana, em conversa com alguém que não sendo de Coura mantém com este concelho uma relação de proximidade, visitando-o diversas vezes ao longo do ano, falava de potencialidades desta região e do que o futuro lhe poderia reservar. Como era de esperar a conversa derivou para o turismo e todos os benefícios que Paredes de Coura dele pode ainda retirar, por ser território praticamente inexplorado.
E foi então que o meu companheiro de cavaqueira se sai com esta expressão: “atenção que Paredes de Coura não pode promover o turismo a pensar nos courenses, mas sim nos que visitam o concelho”. Para mim era óbvio que a dinamização do turismo por terras de Coura pressupunha, desde logo, uma mentalidade virada para o exterior, mas depois comecei a reflectir que talvez não fosse bem assim. À memória, veio-me, por exemplo, a proposta de Vítor Paulo Pereira na última Assembleia Municipal, com vista à exploração de actividades radicais no Corno de Bico. Uma boa proposta, diga-se de passagem, mas que logo levantou problemas a outros membros da AM, nomeadamente a Venâncio Fernandes que queria o concurso limitado a jovens da freguesia.
A questão principal é só uma: se queremos ganhar com o turismo no concelho (e por ganhar não se entende apenas lucro, mas qualidade de vida, empregos, etc.) não podemos olhar para o nosso umbigo. Mas, também penso que grande parte dos courenses tem consciência disso. Veja-se o caso do projecto turístico previsto para o antigo sanatório e zona envolvente, dinamizado por um grupo de Ponte de Lima, que tem tido boa aceitação por parte dos proprietários dos terrenos vizinhos, necessários para a expansão das infra-estruturas do hotel que ali vão instalar, nomeadamente o campo de golfe.
No caso concreto deste projecto, capaz de trazer movimento turístico ao concelho suficiente para criar e manter algumas dezenas de postos de trabalho directos, mais uns quantos indirectos, já para não falar de dinamismo empresarial e económico, os entraves parece que estão a ser colocados por pessoas de fora de Coura. Atente-se no imbróglio gerado em torno da propriedade do antigo sanatório e o tempo que isso tem custado a este investimento. Esperemos que não nos custe o próprio investimento, porque paciência tem limites e os investidores podem mudar de ideias e ir à sua vida.
Estou convencido que, a ser realidade, o hotel será apenas um ponto de partida para uma maior dinâmica turística e empresarial no concelho. Ainda que com maior impacto ao fim de semana, trata-se de um movimento que ajudará a dar mais vida a Paredes de Coura. Assim como as actividades radicais na área protegida, os percursos pedestres (bem organizados e acompanhados), os eventos temáticos, etc. Resumindo, o turismo que aposta no património natural e cultural de Paredes de Coura como mais valia.

31 maio 2007

Ninguém nos liga

Um ano! Um ano à espera e nada, ou melhor ninguém para inaugurar o Centro de Educação e Interpretação Ambiental, em Vascões, Paredes de Coura. Ao que parece, seis meses depois de ter entrado em funcionamento, e um ano depois da data inicialmente apontada para a sua inauguração, a Câmara continua a aguardar que algum membro do Governo de Sócrates se digne percorrer os cerca de 450 quilómetros que nos separam de Lisboa, mais umas curvinhas depois de sair da A3, para vir a este recanto à beira Coura inaugurar uma obra que já tem desenvolvido um bom trabalho em prol da educação ambiental mas que se propõe fazer mais, muito mais.
Ainda bem que, no início do ano, farto de esperar por quem não prometeu, Pereira Júnior decidiu abrir as portas daquele espaço ele mesmo, colocando-o à disposição de todos os interessados que, se assim não fosse, ainda hoje aguardariam por um qualquer de Lisboa (leia-se do Governo). Um qualquer que viria a Paredes de Coura muito a contragosto, trincava um biscoito de milho e bebia uma malga de verde tinto e seguia todo contente com a sensação de que tinha descido ao Portugal profundo para encanto dos nativos e agora, durante uns meses, não queria sequer ouvir falar em sair dos grandes centros urbanos.
Mas o caso do CEIA é apenas mais um sintoma do isolamento a que o Governo, e falo deste porque é o que lá está mas os outros fizeram mais ou menos o mesmo, parece ter votado o concelho. Veja-se, por exemplo, a próxima edição da Feira Mostra, que decorre de 8 a 10 de Junho. Consulta-se o programa aqui, aqui ou mesmo aqui e verifica-se que, aparentemente, não há nenhuma figura do Governo que vá marcar presença neste evento. E, aparentemente, essa ausência não é aparente, é mesmo assim. No entanto, os nossos vizinhos mais próximos, sempre que inauguram qualquer coisa, da feira local à biblioteca municipal, é ver algum governante ao lado do presidente da Câmara e do governador civil, com a tesoura na mão, pronto a cortar a fita da praxe.
Ninguém nos liga, apetece dizer. Sabemos que temos fracos acessos, não é preciso estarem sempre a lembrar-nos disso (até porque para isso já basto eu aqui no blog), sabemos que estamos longe de tudo, principalmente, daquilo que interessa, mas ao menos de vez em quando era bom saber que, apesar de tudo isto, há alguém em Lisboa que sabe onde fica Paredes de Coura pelas boas razões e não apenas porque o centro de saúde está para fechar ou a Câmara está para abrir... os cordões à bolsa. Já agora, o reparo feito aos governantes é válido também para aquela comunicação social que na semana passada não deu descanso a Pereira Júnior mas que, se a memória não me engana, não mete cá os pés quando as notícias são sobre cultura ou as tradições concelhias.

29 maio 2007

Descubra as diferenças


Entre a foto de cima e a de baixo existe uma diferença de duas semanas. A de cima foi tirada no passado dia 15 de Maio e publicada aqui na mesma data. A de baixo foi tirada hoje. De resto, é olhar para uma e para outra, e ver o que falta. E aproveitar para dar uma vista de olhos noutros pontos do concelho e verificar que, tal como no local da foto, alguma coisa mudou, alguma coisa desapareceu. Apesar disso ainda há algumas placas que sobrevivem sem razão de ser, mas pode ser que de hoje para amanhã deixem de existir.

Façam filhos, queremos trabalhar

O título do post não é meu. Ouvi-o pela primeira vez numa noite de Queima das Fitas, entoado por um grupo de alunos de um curso de professores do 1º ciclo do ensino básico, já lá vão mais de dez anos. Lembrei-me dele agora, face à notícia que dominou o fim-de-semana em Paredes de Coura: o subsídio que a autarquia vai dar aos casais que queiram contribuir para inverter a tendência de queda da natalidade no concelho.
Televisões, jornais e rádios não falaram de outra coisa, com Pereira Júnior a desdobrar-se em entrevistas, a explicar a razão ser desta posição. Esqueceram-se foi de dar conta de que a novidade já não é tão nova assim. Aliás, como já tinha referido em Fevereiro último, o assunto já tinha sido abordado há alguns anos, mas tinha ficado por aí, pelas palavras. Pude também verificar que, afinal, estava errado. Errei quando disse que o tema tinha sido abandonado, e tornei a errar quando disse que, mesmo que a Câmara de Coura avançasse com esta medida nunca ofereceria aos casais um valor tão elevado como Carrazeda de Ansiães, 7500 euros. Afinal Paredes de Coura vai mais longe e eleva a fasquia do apoio às famílias que optem por ter um terceiro filho, ou mais, a quase 15 mil euros, repartidos por três anos.
Mas, e voltando ao post de Fevereiro, relembro que alguns especialistas ouvidos sobre o assunto, diziam que não era com subsídios deste género que se cativavam os munícipes para se fixarem no concelho. Concordo. Estou certo que várias famílias courenses estão já a “trabalhar” para receber o salário mínimo sem qualquer esforço (salvo o do trabalho de parto), mas penso que, tendo em conta a situação económica do país, em geral, e do concelho, em particular, o subsídio não será atractivo suficiente para fazer crescer a família, porque ao fim de três anos as bocas para alimentar continuam a ser as mesmas e o apoio da Câmara já se foi. E depois surgem os casos para acompanhamento da Segurança Social, da rede social da autarquia e, infelizmente, da comissão de protecção de crianças e jovens.
O ideal seria pegar no título deste post e dividi-lo em dois. Façam filhos, pois que o problema da inversão da taxa de natalidade é muito sério e ameaça o futuro do concelho. Mas façam-nos apenas depois de terem trabalho e de trabalhar a sério. E é esse apoio que devem pedir à Câmara, ou seja, que promova o concelho junto de potenciais investidores, que reivindique, junto de quem de direito, melhores acessos que abram alas a novos postos de trabalho, que ajudem a fixar os courenses em Coura. As zonas industriais do concelho começam a ter mais vida, felizmente, mas o espaço ainda é suficiente para que outros também ali se instalem.
E depois do trabalho, então sim, podem surgir os filhos, dois, três, apenas um, mas devidamente planeados, sem ter em conta a procriação por recompensa, mas apenas pela recompensa do sorriso de uma criança. E se houver trabalho, certamente haverá motivação para ficar.
Aliás, a Câmara de Paredes de Coura parece estar também ciente disso e vai dai estar a equacionar a adesão ao programa Finicia, que possibilitará a criação de um “bolo financeiro” destinado a ajudar os jovens a criar a sua própria empresa e ao mesmo tempo dar trabalho a outros. Mas isso parece não interessar a quem faz as notícias e a cultura da “subsidio-dependência” é que domina a actualidade. Infelizmente.

25 maio 2007

Dentro e fora

Cibernauta em Casa
Todos sabemos que, hoje em dia, praticamente qualquer pessoa tem acesso à Internet. E por acesso entenda-se a possibilidade de aceder, pois também é certo que muitas pessoas continuam a olhar para os computadores como se de animais selvagens se tratassem. Mas, e focando o assunto nos mais jovens, que é o que interessa para aqui, sabe-se que grande parte deles tem acesso a um computador ligado à WWW, seja em casa, na escola, na biblioteca ou simplesmente num cibercafé. E segurança, será que têm?
É precisamente este o tema da conferência que vai decorrer amanhã à noite no Centro Cultural de Paredes de Coura. Organizada pela Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento de Escolas Território Educativo de Coura, em parceria com a Câmara Municipal, este evento tem início às 21.30 horas e vai contar com a participação de Paulo Moreira, do Centro de Competência da Universidade do Minho, que vai abordar a delicada questão das vantagens/desvantagens da Internet.
É que, e agora é a minha opinião pessoal que aqui se expressa, a Internet é um pau de dois bicos. Por um lado temos todo um mundo de informação e conhecimento à distância de apenas um click. Por outro lado temos uma exposição pública que, se não for devidamente tida em consideração, pode ser aproveitada por pessoas mal intencionadas. E, no caso concreto dos mais jovens, convém não esquecer que esse "mundo de conhecimento" comporta também conteúdos que são impróprios para essas camadas etárias. Por isso o papel dos pais é fundamental no acompanhamento da actividade "online" dos filhos. Apareçam amanhã à noite que certamente vai valer a pena.

E lá fora...
Aproveitando a introdução ao tema Internet, não posso deixar de trazer aqui também um outro assunto que tem merecido atenção das entidades públicas em vários concelhos, nomeadamente nos nossos vizinhos mais próximos. É que a Internet, e a tecnologia, há muito que deixaram os limites físicos de quatro paredes, perderam fios e ganharam terreno. Cientes disso muitas câmaras municipais do nosso país já dotaram alguns espaços e equipamentos de acesso à Internet sem fios, possibilitando que qualquer pessoa com um computador portátil possa, por exemplo, estar no jardim a desfrutar de um dia de sol e a ler um jornal online, ou então a consultar o seu email no intervalo de uma qualquer conferência levada a cabo num auditório municipal.
Numa altura em que a Câmara Municipal de Paredes de Coura está a efectuar a ligação informática de todos os seus serviços espalhados pela vila, deixo aqui a sugestão de alargar esse projecto e dotar alguns espaços do concelho de rede Wi-Fi. Falo, por exemplo, da praia fluvial, do centro cultural, ou do CEIA e área envolvente. Ou ainda do próprio centro urbano. Sei que seria um investimento para poucos (tirando talvez a praia fluvial em épocas de festival) mas seria uma mais valia para quem cá vive e para quem nos visita.
E se o projecto fosse alargado às freguesias? Parece irreal, mas sei que há juntas de freguesia do concelho que foram contactadas por empresas privadas no sentido de oferecer esse serviço ao seus habitantes. O investimento inicial é que pode colocar alguns entraves à massificação do acesso à Internet, mas nesta como noutras coisas, o que custa mais é começar.

23 maio 2007

Em lume brando

Quem lhes deita a mão? Quem lhes acode? A eles, os bombeiros, que não contentes com todos os problemas que, ano após ano, invariavelmente, os incêndios lhes trazem, ainda conseguem arranjar entre si mais “lenha” para alimentar a fogueira. Em Monção fizeram um quartel que é um luxo mas encheram-se de dívidas e agora vão ter de entregar o edifício à autarquia em troca de meia dúzia de tostões. Por cá, por Paredes de Coura, a Câmara também foi chamada a intervir na crise dos bombeiros. O novo quartel nem chegou a sair do papel, o que não significa que os problemas não tenham aparecido. Apareceram, muitos. De tal maneira que a associação humanitária courense está prestes a ficar sem quem a governe. Depois da queda da direcção, eis que a comissão administrativa também entregou os pontos.
A gota de água, num copo que já deitava por fora há muito tempo, parece ter sido a assembleia geral do passado domingo, com apenas três participantes. De nada valeu o apelo “in extremis” de José Augusto Viana nas páginas dos jornais de Coura. Afinal, parece que nem mesmo trazendo a política para a guerra interna dos bombeiros as coisas mudam. Vai daí a comissão administrativa colocou a questão nas mãos da Câmara.
E agora?, perguntamos. Agora é esperar, mais um bocado, porque a autarquia lá conseguiu convencer a equipa que dirige os bombeiros desde Janeiro a aguentar o barco mais um mês, à espera de uma solução milagrosa por parte do secretário de Estado da Administração Local. É que, ao parece, se o Governo tomar uma decisão sobre o imbróglio em que se transformou o concurso público para a construção do novo quartel, não faltarão candidatos para dirigirem aquela colectividade que tanto deu e tem para dar aos courenses. Até o próprio Décio Guerreiro, que venceu as últimas eleições e suspendeu o mandato quando a decisão do concurso lhe não agradou, se mostra disposto a tomar novamente as rédeas da associação. Ou seja, quando as coisas correm bem, não há quem não apareça para tomar conta da ocorrência. Já quando as coisas correm mal…
Termino como comecei, a lembrar a dívida dos Bombeiros de Monção. Pois que começo a acreditar que igual destino espera a corporação de Paredes de Coura. Então se o objectivo é investir no novo quartel cerca de 1,5 milhões de euros para os quais a Câmara e o Governo apenas comparticipam com 345 mil euros, quem é que vai pagar o resto? A corporação? Como? O que vale é que o Governo parece já ter na calha legislação que vai alterar a maneira como as associações de bombeiros são geridas e dar às autarquias um papel mais decisivo nessa área e pode ser que a Câmara consiga cortar as bases a uma eventual futura direcção. E daí, pensando melhor e olhando o estado de endividamento da Câmara de Coura, se calhar ainda vai ficar pior.

PS: Para que conste, não sou associado dos Bombeiros Voluntários de Paredes de Coura. Não defendo, por isso, qualquer futura lista, anterior direcção ou actual comissão administrativa. Só falo como courense, que está cansado de ouvir falar de um problema que em nada dignifica o concelho.

18 maio 2007

A luz no fundo do túnel

Alguns anos depois de "acabada" a empreitada, eis que finalmente o túnel que atravessa a vila de Paredes de Coura vai estar concluído. Só agora, mas como se diz no post anterior mais vale tarde do que nunca, a autarquia se mostrou disponível para os acabamentos daquela obra de engenharia. O assunto já veio à baila por diversas vezes nos últimos anos mas, por falta de dinheiro, tempo ou de outra coisa qualquer, só agora se decidiu avançar com a pintura do túnel.
E, para não deixar as coisas ao acaso, a obra de enbelezamento até foi entregue a uma arquitecta, para ficar um "brinquinho". Vá-se lá saber porquê uma empreitada daquele tamanho, daquela importância, daquele valor, não contemplou os necessários trabalhos de acabamento. É o mesmo que contratar a construção de uma casa "chave na mão" e no final o empreiteiro dar-nos a obra por finalizada sem as paredes pintadas.
Assim sendo, ao custo final do túnel, temos agora de juntar os 78 mil euros anunciados para a sua pintura artística. Uma pequena gota no imenso lago que custou a obra, mas que promete dar mais cor, mais vida àquela via de ligação. Isso mesmo garante o presidente da Câmara de Paredes de Coura, que já foi dando a conhecer alguns pormenores da empreitada, nomeadamente o facto de que, além da pintura em si, o acabamento do túnel vai ser composto por um conjunto de círculos de metal, a imitar cd's e os velhinhos discos de vinyl. Talvez em homenagem ao Festival de Paredes de Coura...
Vai ficar de tal forma embelezado que Pereira Júnior fala até em "local a visitar" por todos os courenses e por quem nos visita. Ficamos é sem saber por onde vão circular os visitantes, já que no túnel, além de proíbido, o espaço nos passeios não abunda. Por esclarecer também está a situação em que vai ficar a escarpa que dá para a Misericórdia. Será que com o túnel tão bonito, não seria altura de intervir ali também.

17 maio 2007

Boas intenções

Pois é, lá diz o velho ditado e com razão, que mais vale tarde que nunca. Assim sendo, é com agrado que registamos que a Câmara de Paredes de Coura parece estar disposta a dar mais atenção aos peregrinos de S. Bento da Porta Aberta.
Em post publicado há quase um ano e que pode ser lido aqui, já alertava para a necessidade de se ter em atenção que muitos courenses (e não só) aproveitam o bom tempo para se fazerem à estrada em direcção áquele marco religioso do concelho e que nem sempre encontram o caminho, leia-se a berma da estrada, nas melhores condições. Ora, parece que na Câmara alguém concorda comigo e, pelo que se pode ler na última edição do Notícias de Coura, a autarquia está empenhada em dar aos peregrinos melhores condições para fazerem aquele percurso.
A diferença é que, enquanto eu pedia apenas a limpeza das bermas que como se sabe nesta altura do ano desaparecem no meio de tanta vegetação e obrigam os caminhantes a seguir pela estrada, colocando em risco a sua vida e a dos outros, a Câmara de Paredes de Coura vai mais longe e solicitou às Estradas de Portugal a execução de um passeio contínuo da vila até Cossourado. Isto aproveitando as obras de beneficiação que vão ser feitas neste troço da EN303 e que já prevêm, nas zonas urbanas, a construção de passeios.
Resumindo, a intenção é boa, mas infelizmente temo que seja um projecto de muito difícil execução. Primeiro, porque o concurso para as referidas obras de beneficiação já foi lançado e, inclusivamente, a obra já foi adjudicada à firma vencedora. E os passeios não constavam do caderno de encargos... Depois temos a própria estrada, ou melhor o percurso que esta faz até S. Bento, a ditar a impraticabilidade do passeio contínuo, muito à moda dos "calçadões" que proliferam nas zonas balneares. O traçado, mesmo que seja ligeiramente revisto pelas obras de beneficiação, vai continuar sempre a ter pontes estreitas (sem quaisquer bermas) e construções praticamente em cima da via, que não deixam espaço para passeios.
Dito isto, tenho que o melhor, ou pelo menos o mais fácil e o mais rápido, será manter as bermas limpas e transitáveis e, sobretudo, dotar o percurso de iluminação pública, pois convém não esquecer que grande parte dos caminhantes opta pelo final do dia, ou melhor pelo fresco do dia, para rumar a S. Bento. Assim o queiram as Estradas de Portugal e, acima de tudo, a EDP.

15 maio 2007

Sinais

Hoje vamos fazer aqui um exercício muito simples. Os caros leitores (que espero que os haja) só têm de olhar para a imagem acima e indicar qual das três placas está correcta. Isso mesmo, assim simples e limpinho.
Está feito? Ok, vamos então ver as respostas.
Se optaram pela placa da direita, lamento muito mas acabam de chumbar neste pequeno teste. É que qualquer pessoa vê que o sinal que indica a Praia Fluvial não está bem. E não é só por aparentar ter mais idade que a mulher mais velha de Paredes de Coura (acho que essa ronda os 103 anos).
Com efeito aquela placa há muito que deixou de cumprir o seu propósito, ou seja atrair eventuais passantes na estrada nacional para aquele recanto à beira rio que muito nos orgulha. Quem passa questiona: "se a placa está assim, imagine-se a praia...". Enfim, considerações de quem bem que podia ir ao engano e descobrir um local paradisíaco, mas a placa não deixa, ainda para mais quando, alguns metros antes, passaram por uma outra a anunciar as maravilhas do concelho e praia fluvial é indicação que lá não consta.
Voltando ao teste, se o caro leitor respondeu que a placa correcta era a placa da esquerda fique a saber que também não acertou. Ela é mais recente, está limpinha e ainda a cheirar a novo, mas também não está correcta. E não se pense que é por o restaurante não ser para aqueles lados, porque é. O problema é que algumas centenas de metros estrada acima, mesmo na vila de Paredes de Coura, existem mais uns quantos restaurantes e para esses, coitados, não há placa qualquer a indicar o melhor acesso.
Vá-se lá saber porquê só o restaurante da praia fluvial foi contemplado com este presente da autarquia (porque se pressupõe que tenha sido a Câmara a colocá-lo lá, caso contrário já o teria retirado). Mas, se foi a Câmara a colocar o sinal, porque raio não fez o mesmo em relação a outras atracções e serviços de Paredes de Coura? E já não falo nos restaurantes, porque isso é simples publicidade, mas que dizer de um Museu, um Centro Cultural, um Centro de Saúde ou mesmo os Paços do Concelho que não tem qualquer indicação nas ruas da vila? Todos sabemos onde são? Correcto... nós e os que só aqui vêm uma vez por acaso mas que, mesmo assim, têm de saber onde encontrar esses equipamentos.
Finalizando, regressamos à fotografia e às placas. Pois é, meus amigos, a pergunta tinha uma rasteira. É que nenhuma das placas está correcta, nem mesmo a do meio que ali permanece, vá-se lá saber porquê, anos depois dos trabalhos realizados. O mais curioso é que este nem sequer é caso isolado, pois por todo o concelho multiplicam-se os cartazes de empreiteiros a assinalar obras há muito concluídas. Ou é uma forma da Câmara compensar as empresas por atrasos no pagamento ou então é abuso que deveria ser sancionado.

11 maio 2007

O bastardo

Ele já foi capa de jornal, ele foi, e continua a ser, motivo de falatório em Paredes de Coura e fora do concelho. Ele que já chegou também à Internet é, afinal... bastardo.
Isso mesmo assegura-nos o blog A Sombra Verde, que já lhe dedicou algum espaço por duas ocasiões. Pelas melhores razões, muito embora não pelas mesmas razões porque muitos de nós falamos dele. Ele, ou melhor ela, é a árvore que nos aparece ali no entrocamento junto ao Museu, à Câmara Municipal e à Igreja Matriz. Sim, aquela mesma que nos obriga a puxar pela cabeça de cada vez que entramos no cruzamento distraídos, pois quando despertamos somos levados a crer que estamos no lado errado da faixa de rodagem.
Aquilo é uma rotunda? Quer-me parecer que não. Aliás, acho que o sinal que lá se encontra só ajuda a complicar ainda mais a situação, especialmente para quem passa ali pela primeira vez (os turistas, sempre os turistas) e, habituado ao Código da Estrada, fica na dúvida se está ou não a infringir a Lei.
Mas, afinal, está tudo explicado. É que, assegura A Sombra Verde, aquela árvore a que certamente muitos de nós já chamaram nomes é nada mais, nada menos, que um plátano-bastardo. E, acrescenta a mesma fonte, um exemplar de rara beleza e elevado porte, pouco comum de encontrar por aí. Nós, que por cá moramos e que, vai não vai, temos de passar por ele, respeitamos a força da Natureza, mas agradecíamos uma intervenção naquela zona para pôr termo aquele cenário que chega a ser motivo de troça de quem nos visita.
Agora que se fala na transformação do parque de estacionamento (ou será buraco de estacionamento) do Penedo da Veiga, ali mesmo ao lado, bem que se podia aproveitar a sua transformação em jardim, como anunciou o presidente da Câmara em Fevereiro, para alargar a via naquela zona e edificar ali uma verdadeira rotunda.
E também, porque não, aproveitar a onda e pensar numa alternativa de acesso à Igreja Matriz. Alargar o acesso actual, que provoca alguns dissabores nos horários de culto, ou simplesmente fazer um novo acesso e repartir entradas e saídas. Fica a sugestão.

PS - Ao A Sombra Verde o devido crédito pela fotografia.

09 maio 2007

Crítica gastronómica

Mais um fim-de-semana gastronómico que passou. A iniciativa da Região de Turismo do Alto Minho trouxe bastante gente a Paredes de Coura. Mais do que em anos anteriores, atestam alguns empresários da hotelaria courense. A ajudar pode ter estado o alargado leque de actividades culturais e lúdicas que a autarquia promoveu no sábado e no domingo, nomeadamente a mostra de sabores regionais.
Mas, se o prato principal parece ter sido positivo, já o mesmo não se pode dizer de alguns acompanhamentos que, apesar de quando anunciados terem deixado água na boca, depois de experimentados parecem ter provocado alguma azia. É que, ao que parece, nem tudo correu bem no último fim-de-semana.
Comecemos, por exemplo, pela mostra de sabores da terra, iniciativa de louvar mas que, ainda assim, poderia ter tido melhor sorte. Fica, portanto, o reparo para uma próxima edição: as barracas, já se si bastante quentes, bem que podiam ter sido colocadas à sombra. No mesmo Largo Visconde de Mozelos, mas à sombra, que por ali ainda existe. É que estar fechado no forno, só se for para alourar mais os tradicionais biscoitos de milho.
Já agora, e se me é permitido, um outro reparo, ou melhor uma pergunta: de quem foi a ideia de, ao invés do palco que é habitualmente montado para receber os grupos folclóricos, instalar ali no largo uma plataforma ao nível do chão? Se o objectivo era dificultar a actuação dos ranchos, então foi conseguido. Se, por outro lado, se pretendia aumentar o calor humano em torno das actuações, também se conseguiu, porque com o espaço do Largo Visconde de Mozelos repartido pelas barracas, pela esplanada da pastelaria e pelo “palco rés-do-chão”, as pessoas acotovelaram-se mesmo em cima dos dançarinos. Mas só os da primeira fila, porque os detrás, com o palco enfiado num buraco, facilmente desistam de tentar ver o espectáculo.
A finalizar, uma menção ao passeio cultural que a autarquia levou a cabo em torno da presença de Aquilino Ribeiro por terras de Coura. Pouco concorrido, é certo, como muitas das actividades culturais que por aqui se vão fazendo, mas ainda assim interessante. Pena é que tenha começado tão tarde e tão mal preparado. Da próxima vez é melhor avisar os proprietários dos locais a visitar para não correr o risco de bater com o nariz na porta.

04 maio 2007

Livro de ponto

O livro de ponto tem sido um dos instrumentos mais utilizados para controlar a assiduidade nas mais variadas instituições, nomeadamente no ensino. Quem não se recorda de o ver passar na mão da funcionária entre cada aula? Ou de o consultar para ver o sumário da aula a que faltamos? Além disso também servia para verificar as faltas que cada professor dava.
Isso era na escola. Mas, como seria se fosse aplicado noutras instituições? Na Assembleia Municipal daria para ver, por exemplo, quem são os deputados que pautam a sua actividade política pela ausência. Mas também para ver porque é que, ao contrário do que era habitual, a escola, ou melhor a assembleia, esteve fechada no dia 25 de Abril. Assim, à falta de livro de ponto, tivemos de esperar pela sessão do passado dia 30 para escutar do seu presidente o porquê de não ter havido sessão comemorativa da “Revolução dos Cravos”.
José Augusto Pacheco explicou, como tinha prometido em comentário neste blog, mas não convenceu. Questionado por Arlindo Alves, do PCP, o presidente da Assembleia Municipal de Paredes de Coura disse simplesmente que não houve sessão a 25 de Abril por dificuldades de agenda. Como? Dificuldades de agenda? Se estivéssemos a falar de uma qualquer reunião extraordinária ainda vá, mas quanto está em causa uma sessão que se realiza sempre na mesma data, que se sabe de ano para ano quando é que vai ser… dificuldades de agenda é que não podem justificar. Se fosse uma decisão política, pessoal mas alicerçada em motivos políticos, ainda se aceitava, talvez não se compreendesse mas aceitava. Agora, dificuldades de agenda… Agenda de quem?
Mas a justificação de José Augusto Pacheco serviu para lembrar outras “dificuldades de agenda” que já marcaram a Assembleia Municipal. Uma delas foi mesmo referida pelo seu presidente que, em resposta a Arlindo Alves, lembrou a sessão de 29 de Dezembro último, quando havia uma proposta comunista para votar e ninguém daquele partido para a representar. Para um partido que só tem um lugar na assembleia, não ter ninguém é uma falta… disciplinar.
A faltar, repetidamente, parecem estar também Maria José Fontelo e Fernando Carranca que não marcam presença nas sessões daquele órgão autárquico desde a reunião de Dezembro. A sua ausência tem-se notado, nomeadamente, na duração das sessões que são cada vez mais curtas, mas não têm faltado explicações para a sua ausência. Desde as guerras internas no PSD até às guerras internas no PSD, muito se tem dito para explicar a ausência da dupla social-democrata.
Ausentes também, muito embora sem direito a falta por não ser obrigatória a sua presença, têm estado também os vereadores deste mesmo partido. É certo que Décio Guerreiro tem sido mais ou menos regular, apesar de ter faltado à ultima reunião, mas o mesmo já não se pode dizer do seu colega de bancada que, se a memória não me falha, desde a tomada de posse, em Outubro de 2005, só assistiu a uma assembleia, precisamente a de 25 de Abril do ano passado. Aliás, parece que José Augusto Viana estará até ausente do próprio partido. Só assim se explica a fraca prestação do PSD na discussão das contas de 2006. É que se o vereador não pode intervir na Assembleia Municipal, sempre poderia, e deveria, preparar os seus colegas que têm que o fazer.

02 maio 2007

Ouvidos de mercador

Afinal parece que não é só Eduardo Daniel Cerqueira que é ignorado pela Câmara Municipal de Paredes de Coura (ver post anterior). Também Joaquim Felgueiras Lopes, presidente da Junta de Freguesia da vila, não tem melhor sorte. Em causa está um pedido feito na Assembleia Municipal de 23 de Fevereiro último, com vista à marcação de uma passadeira na rua entre a Escola Básica Integrada e o Tribunal (ver foto), caminho utilizado diariamente por muitas das crianças que frequentam aquele estabelecimento de ensino. Nada de mais, portanto.
O problema é que, volvidos mais de dois meses, na passada segunda-feira, em nova Assembleia Municipal, Joaquim Felgueiras Lopes voltou a alertar para a mesma situação. Ou seja, durante dois meses, não houve ninguém na Câmara que se dignasse acolher o pedido do autarca. E não estamos a falar de uma qualquer exigência absurda, mas apenas e só de pintar meia dúzia de riscas brancas no paralelo.
Desta forma, quase podemos concluir que têm melhor sorte as sugestões da oposição do que aquelas que são feitas à Câmara de Coura por elementos do partido que a governa. Mesmo que essas propostas estejam contra a Lei. Falo, por exemplo, das lombas que a autarquia mandou colocar no cruzamento dos Bombeiros para reduzir a velocidade dos carros que por ali passam.
As mesmas lombas que, logo em Fevereiro, quando pedidas por Paula Caldas, Pereira Júnior disse que não podiam existir por serem proíbidas. Mas pouco tempo depois elas foram colocadas, pelos serviços camarários, e na segunda-feira o presidente da Câmara explicou que realmente são ilegais, mas que ainda assim são o meio mais eficaz de reduzir a velocidade naquela zona. A ser assim, porque não juntar ao pedido do presidente da Junta de Freguesia de Paredes de Coura um par de lombas na Rua Combatentes da Travanca, dando mais segurança àquela zona escolar. Mesmo ilegais poderiam aumentar a segurança daquela rua.

30 abril 2007

"Dumingos Gaztrunómicos"

No próximo fim de semana Paredes de Coura recebe mais uma edição dos Domingos Gastronómicos, iniciativa da Região de Turismo do Alto Minho que procura dar a conhecer o que cada município seu associado tem para oferecer em termos de gastronomia. Mas não só, porque esta é também uma oportunidade que cada concelho aproveita para divulgar o seu potencial turístico.
Paredes de Coura não foge à regra e os Domingos Gastronómicos alastram-se a todo o fim de semana, com um programa que procura aliar o bem comer a outros aspectos da cultura altominhota, em geral, e do concelho, em particular. Exemplo disso é o convívio de pesca que, no sábado e domingo de manhã, promete animar algumas zonas ribeirinhas. Mas não vão faltar também as concertinas, o folclore e as gaitas galegas. Sobre o folclore, aliás, de destacar as jornadas de reflexão que o Inatel vai promover na tarde de sábado. Tudo isto incluído num programa mais vasto que pode ser consultado aqui.
Mas, consultando esse programa, verificamos que nem tudo o que ali nos mostram são "doces". É que, ao olhar para o desdobrável que circula no concelho (e sabe-se lá mais onde) chega-se à conclusão que, afinal, na última reunião da Assembleia Municipal, o deputado socialista Eduardo Daniel Cerqueira esteve a falar para o boneco. Eu explico: é que nessa reunião Eduardo Daniel Cerqueira alertou a autarquia para a existência de erros, ortográficos ou de localizações erradas, em alguns folhetos promocionais do concelho, nomeadamente no que respeita aos mapas distribuídos a quem nos visita. Alertou e pediu mais atenção para evitar o mau aspecto de termos os turista a consultar panfletos com erros ou informações não correctas.
Mas parece que na autarquia ninguém lhe deu ouvidos e, então, o desdobrável dos Domingos Gastronómicos lá aparece com algumas incorrecções. A que salta mais aos olhos é uma "dúvida existencial" que em tempos foi motivo de acesa discussão entre Jofre Alves e José Augusto Pacheco nas páginas dos jornais. Em causa estava a grafia do topónimo Mozelos (ou será Moselos?). Um defendia a escrita com Z, o outro com S. Ora a Câmara não esteve com meias medidas e, na dúvida, vá de escrever o desdobrável dos Domingos Gastronómicos com as duas versões e assim numa página temos Moselos e na página ao lado já temos Mozelos. Independentemente de qual está correcta, uma coisa é certa, ou escrevia uma ou a outra, as duas é que não.
Mas não se ficam por aqui as críticas. Que dizer, por exemplo, das sugestões de locais a visitar indicadas pela autarquia no folheto: o Museu, o Taboão, o Corno de Bico, muito bem, mas... alfaias agrícolas? A mim até me dava jeito uma ajudinha na lavoura, mas não creio que os turistas estejam para aí virados.
Já agora, em jeito de sobremesa, fica só um outro reparo, relativo à localização do restaurante Forno do Minho, um dos que participa nos Domingos Gastronómicos. Diz a Câmara que fica na Volta da Quinta. Digo eu, que ainda me lembro, que em Abril do ano passado aquela rua recebeu o nome de Rua Padre Casimiro Rodrigues de Sá. Se nem a autarquia o utiliza, de que se serviu a homenagem?

26 abril 2007

Esquecimento?

25 de Abril. Trinta e três anos depois. Ouço o discurso do Presidente da República e os comentários que daí resultaram por parte de vários políticos da nossa praça. E retenho duas ideias: em primeiro lugar, a de que é preciso, é forçoso, manter vivo o espírito de Abril nos jovens portugueses; em segundo lugar, a ideia de que, para atingir o primeiro objectivo, talvez seja necessário mudar a forma como é assinalada esta efeméride, deixando de ser um ritual e passando a ser algo que envolva mais a população. Já agora, ao ouvir esta do ritual, veio-me à memória a questão das missas que cada vez têm menos pessoas as assistir, vá-se lá saber porquê...
Voltando à questão do 25 de Abril, não posso deixar de concordar com estas duas ideias. Nasci depois de Abril mas reconheço a importância fulcral deste período da história portuguesa no bom desenrolar do futuro do nosso país. Não compreendo, por exemplo, aqueles jovens que não fazem a mínima ideia do que foi o 25 de Abril, o que dele resultou, o que com ele terminou. É certo que os programas escolares abordam essa temática muito ao de leve e só há relativamente poucos anos, (e a matéria nem sempre é dada até ao fim do livro, por isso...) mas é preciso querer saber mais e quando ouvimos falar em algo que desconhecemos temos de procurar informação.
Já em relação à questão da forma de assinalar esta data, apesar de concordar que a cerimónia na Assembleia da República é pouco convidativa, sei que as comemorações não ficam confinadas às quatro paredes daquele edifício. Um pouco por todo o lado multiplicam-se as iniciativas que assinalam mais um ano de Abril, incluindo em Paredes de Coura. Ainda na terça-feira à noite um espectáculo musical no Centro Cultural assinalou a data, homenageando Zeca Afonso, e no sábado, desta feita em Mozelos, novo espectáculo vai relembrar aquele cantor e, necessariamente, a "Revolução dos Cravos".
De qualquer das formas é de lamentar o esquecimento, pois quero crer que se tratou de um esquecimento, da autarquia de Paredes de Coura no que respeita à habitual sessão extraordinária da Assembleia Municipal evocativa do 25 de Abril, que este ano não se realizou. Será que já previam o discurso de Cavaco Silva e não quiseram arriscar a repetir o ritual? Ou será que os partidos ali representados chegaram à conclusão de que não vale a pena discutir o valor da democracia no nosso concelho? Se assim for, acho que está na hora de fazer outro 25 de Abril.

24 abril 2007

Boas posturas

Finalmente houve alguém que resolveu agir contra o perigo dos animais que andam à solta pelos nossos campos e que, vai-não-vai, invadem a estrada e, como ainda há bem pouco tempo, provocam um acidente. Farto de ouvir dizer que, lá para os lados de Lisboa, alguém do Governo estava a estudar o problema mas que de momento não havia soluções, o presidente da Junta de Freguesia de Vascões resolveu tirar da gaveta o código de posturas da freguesia e descobriu, ali tão perto, aquilo que pode muito bem ser um importante contributo para pôr termo a este cenário.
Não é de hoje nem de ontem que Maximiano Costa alerta para esta situação, comum, fortemente enraizada nas tradições agrícolas de Paredes de Coura (como noutros concelhos), mas que nem por isso deixa de ser ilegal e, acima de tudo, perigosa, especialmente para aqueles que têm de percorrer as ligações entre Paredes de Coura e Arcos de Valdevez ou Ponte de Lima. Quantos já apanharam valentes sustos, quantos já passaram por mais do que isso?...
Louve-se, por isso, a atitude do presidente da Junta de Freguesia de Vascões que promete, já a partir do próximo mês, ter mão dura para com quem deixa os animais a pastar à solta, sem qualquer protecção. E agradece-se que os seus colegas de outras freguesias lhe sigam o exemplo e coloquem em prática o código de posturas, instrumento que noutros tempos tinha papel principal na gestão das freguesias mas que, actualmente, parece relegado para uma qualquer gaveta da Junta.
Já se sabe, contudo, que a Junta de Freguesia de Vascões não vai ter vida fácil. Não faltarão os críticos. A dizer, por exemplo, que os animais não têm qualquer identificação e que, por isso, vai ser difícil encontrar o seu dono. Mas experimente-se aplicar a coima a alguém que não o dono a ver se o multado não identifica logo o verdadeiro proprietário dos animais.
E de qualquer das formas, o que interessa é que não se ficou de braços cruzados à espera de que alguém no Ministério da Agricultura se decidisse a deitar os olhos sobre este tipo de situações. Neste, como em muitos outros casos, foi preciso esquecer Lisboa e dedicar-se a quem tem mais importância, os habitantes das nossas freguesias.

17 abril 2007

Tiro nos dois pés

Das duas uma: ou a Câmara de Paredes de Coura toma decisões estruturais em cima do joelho, sem as estudar ou medir as suas consequências ou então é muito permeável a pressões. De que outra maneira se pode explicar o autêntico tiro no pé, melhor dizendo nos dois pés, que Pereira Júnior acaba de dar, ao voltar atrás na questão do estacionamento pago nas ruas da vila.
Muitos dos courenses que circulam pela vila ainda não repararam, mas metade dos lugares de estacionamento que em Janeiro a Câmara decidiu taxar, voltaram a ser de utilização gratuita. Os sinais de parque pago foram retirados de algumas zonas, nomeadamente de um dos lados do Largo 5 de Outubro (ainda por cima do que tem mais lugares de estacionamento), de um dos lados da Rua Dr. Afonso Viana e de parte da Rua Frei António de Jesus, por detrás da igreja matriz, entre outros locais. O que me leva a dizer que afinal O Coura tinha razão quando dizia que a máquina cobradora daquela zona tinha sido retirada por esse motivo e não por, como noticiava o Notícias de Coura, estar a ser alvo de reparação. Mas isso é outro assunto.
O que interessa aqui é que, apenas três meses após ter tomado uma decisão polémica no sentido de regular o estacionamento nas ruas da vila, a Câmara de Paredes de Coura volta atrás. E, pergunto eu, porque é que esta alteração, ou melhor o cenário que dela resulta, não foi pensado logo de início, antes dos parcómetros começaram a funcionar? Será que ninguém nos Paços do Concelho se deu ao trabalho de analisar os prós e contras daquela medida, de estudar o movimento diário de automobilistas em Paredes de Coura, de se debruçar sobre os hábitos de estacionamento que os courenses tinham até então?
Será que a decisão de taxar o estacionamento à superfície surgiu do nada? Será que foi alguém que acordou um dia e se lembrou: olha, hoje vou colocar parcómetros na vila? É que não se pode pensar doutra maneira. Primeiro instalam-se os parcómetros, gera-se a confusão e depois reduzem-se as zonas abrangidas e pronto, já está!
Se não foi assim, o que já é muito mau, então só nos resta enveredar pela outra opção, a da vulnerabilidade da Câmara em relação às pressões do exterior. É que bastou meia dúzia de comerciantes terem levantado a voz a contestar os parcómetros e pronto, a autarquia baixa a cabeça e vá de desfazer o que tinha feito três meses antes.
O que nos deixa a impressão de que, de agora em diante, sempre que o Executivo liderado por Pereira Júnior tomar uma qualquer decisão que vá contra a vontade de um ou dois courenses, basta ir fazer barulho para a Câmara, exigir uma reunião com o presidente e pronto, dias depois, lá vemos a decisão revogada. Estou mesmo a ver os feirantes todos a contestar o aumento das taxas dos lugares da feira e a exigir a sua redução, ou então um grupo de courenses que, farto das contas da água, reúne com o presidente do município e exige que, de agora em diante, não se pague água nos dias de semana. Dá para tudo esta política de abertura da Câmara?
No meio disto tudo, Pereira Júnior ainda veio mostrar que está cada vez mais desiludido com a fraca utilização dos parques subterrâneos e vá de baixar a avença mensal para quem os utiliza no período diurno, que passa de 15 para 10 euros. Uma medida positiva para os nossos bolsos, mas que também poderia ter surgido em Janeiro. Eventualmente teria calado muitos dos críticos dos parcómetros, mas, assim como assim, se foram as críticas que acabaram com eles…