23 outubro 2007

Vamos a contas 1

Seis euros. Apenas seis euros. É, aparentemente, quanto vale cada cidadão courense para o Governo de Lisboa. Isto pelo menos a fazer fé nos valores que o PIDDAC (Plano de Investimento e Desenvolvimento da Administração Central) prevê para Paredes de Coura durante o próximo ano, menos de 60 mil euros…
Menos que no ano passado? Claro que sim, muito embora 2007 também não tenha sido ano de fartura para estes lados. Além dos cerca de 40 mil euros destinados a financiar a construção do arquivo municipal, só tínhamos inscritos no plano anual de investimentos do Executivo cerca de 400 mil euros para custear as obras de beneficiação da EN303, da vila até Sapardos, obra que está agora a começar.
E este ano, a que se devem os cerca de 60 mil euros a que temos direito? Pois é, novamente para a construção do arquivo. E o Ministério da Cultura já inscreveu verbas relativamente mais baixas para os próximos dois anos, igualmente com o mesmo objectivo: o arquivo. Como que a dizer “ARQUIVE-SE”. Arquive-se o concelho, pois não vale a pena investir (ou será gastar) mais dinheiro em algo que não tem futuro. Preserve-se a história, o património, mas não adianta pensar em modernização, melhores acessibilidades ou outros benefícios que poderão, imagine-se, melhorar a qualidade de vida dos poucos que ainda por aqui residem e trabalham.
Sessenta mil euros, nem isso. É pouco, muito pouco, para um concelho que procura, a todo o custo, criar mais atractivos para quem cá mora, para quem cá quer morar. Só se trouxerem o investimento, porque o Governo entende que não é por aí o caminho. E nem é preciso pensar muito para ver do que Paredes de Coura necessita. Bastava aos membros do Governo consultar o arquivo para ver o correio recebido, os pedidos da Câmara, as exigências que estão à vista de todos.
Mas não! O Governo, qual animal de carga e trabalho, tem a vista limitada. As palas não o deixam ver à volta e por isso limita-se a olhar em frente. E em frente o que vê? Vê que continuamos a afundar-nos no coração do Alto Minho. Cada vez mais no centro, cada vez mais no fundo.
Sessenta mil euros… Melhor sorte que Valença. Ou que Melgaço, poderão dizer, já que este concelho não tem qualquer verba inscrita em PIDDAC. Pois… mas com o mal dos outros podemos nós bem. É que Melgaço, há muito que nos deixou para trás, se não ainda politicamente, pelos menos em termos económicos e de desenvolvimento. Eles avançam no tempo, nós ficamos cada vez mais… arquivados.

19 outubro 2007

Falta a prenda

O Sporting Clube Courense assinala este fim de semana os seus 75 anos de vida. Com festa e um colóquio, logo à noite, onde participam Agostinho Oliveira e o árbitro Paulo Pereira. Mas, ainda, sem o mais importante: a prenda de anos, a desejada relva para o campo de jogos.
Já aqui tinha falado do assunto, há mais ou menos um ano. Na altura, Laurentino Dias, secretário de Estado do Desporto, apresentou no Parlamento a integração no Orçamento de Estado para o corrente ano de uma verba de mais de um milhão de euros para relvar campos de futebol, com prioridade para os municípios que ainda não tinha uma infraestrutura do género. A Câmara não perdeu tempo e, logo na primeira reunião do Executivo de 21007, fez aprovar o protocolo a celebrar com o clube que, em linhas gerais, cede o campo à autarquia por um período de 10 anos.
Estava dado o derradeiro passo para fazer avançar a candidatura de Paredes de Coura à receber a desejada relva. Até agora, contudo, a terra batida continua a ser o palco das actuações do Courense…
Até quando, perguntamos? Até muito breve, é a resposta. É que, se começou como um desejo, eventualmente um sonho, o relvado é hoje uma necessidade, tendo em conta as exigências que todas as épocas são feitas aos clubes de futebol do escalão em que milita o Courense. Ver o Courense a jogar fora de casa poderá ser uma realidade, cruel para um clube com 75 anos de história. A ver se não temos de lidar com isso.

17 outubro 2007

"A da minha terra é mais bonita"

Fátima, fado e futebol? Só faltou o fado, no passado fim de semana. O futebol trouxe-o uma selecção nacional aflitinha lá para os confins da Europa. E Fátima? Fátima marcou o fim de semana, como tinha já marcado toda a semana anterior, a avaliar pelo que se lia nos jornais e via nas televisões deste país. Só faltou o fado, mas sempre tivemos a Família Superstar…
Mesmo não fazendo parte dos milhares que rumaram a Fátima para “inaugurar” a nova Igreja da Santíssima Trindade, não me livrei de contemplar cada pormenor e cada opinião que, tão diligentemente, a nossa televisão, pública ou privada, fez questão de nos levar casa adentro. Das cadeiras almofadadas à imagem controversa do Cristo na cruz, das novas tecnologias ao conjunto de obras de arte que embeleza o espaço, nada faltou.
Nem sequer a opinião popular daqueles que esperaram horas à porta do novo espaço religioso do país para depois entrarem por ali “à doida” a olhar para todo o lado como se a igreja acabada de inaugurar fosse desaparecer alguns minutos depois. Um ritual tipicamente português… Como os comentários que se seguiram à visita, um dos quais me levou às lágrimas de tanto rir. Uma senhora, com sotaque do Norte, questionada sobre se tinha gostado da nova igreja, não esteve com meias medidas e sem hesitar lançou: “a da minha terra é mais bonita”.
Também a da minha terra. É mais bonita e mais próxima, mais sentida. Não custou 80 milhões de euros e os bancos são de pau. E obras de arte também não as terá, ao contrário da de Fátima, até porque não teriam segurança. É que, recordo eu, há anos não instalou um sistema de alarme porque não tinha os cerca de 10 mil euros necessários para o custear.
Apesar disso, continua ali, disponível, aberta, acessível, discreta. Com ou sem dinheiro para lá deixar. Nos bons e nos maus momentos. Quando é preciso, quando precisamos.

Cavalo não entra

Aplauda-se! Agradeça-se a iniciativa da Câmara de Paredes de Coura de vedar a rua Conselheiro Miguel Dantas à passagem de cavalos e éguas, poldros e afins. Gado cavalar de uma forma geral que, como bem deu a conhecer o Eduardo Daniel Cerqueira, sempre que por ali passava deixava atrás de si um rasto de porcaria e, ao mesmo tempo, de alívio da parte de quem tinha de se cruzar com tais animais.
É claro que estamos a falar de um pequeno grupo que, habitualmente nas tardes de domingo, percorre parte do concelho a cavalo, exercitando as suas montadas e criando entre si um ambiente de convívio que se quer são e salutar. Justifica-se, assim mesmo, a tomada de posição da autarquia? Creio que sim, mais não fosse para evitar que o pior acontecesse. E não estou a falar de porcaria nas ruas, porque essa não são precisos cavalos para a fazer (basta olhar os cães vadios). Refiro-me, isso sim, à convivência entre cavalos e peões, ou não é aquele troço da Miguel Dantas uma zona pedonal?
Se o objectivo é dar a rua aos peões, para que estes circulem mais à vontade, passeando-se pelo centro da vila, não faz sentido expor esses peões a eventuais investidas de cavalos montados por cavaleiros menos experientes. Aliás, estou em crer, que a Câmara mais não terá feito que recuperar uma antiga postura municipal, do tempo do próprio Conselheiro, que impedia o trânsito de animais pela chamada “rua da frente”. Se ontem a preocupação era a estética, hoje deverá ser a segurança.
Uma coisa fica, no entanto, por esclarecer. Ou melhor, duas. Em primeiro lugar ficamos sem saber se esta proibição se estende também a carros de bois, burros ou mesmo charretes puxadas por cavalos, ou se se fica apenas pelos cavalos montados. E depois, a pergunta óbvia: o que é a Câmara vai fazer em dias de cortejo etnográfico e outros que tais? Impedir os cavalos de embelezarem o desfile, tapar os sinais ou pedir à GNR para ignorar a sinalética? Ainda bem que nós por cá não temos GNR a cavalo…

15 outubro 2007

Convite 2

E já que estamos em maré de convites, aproveito para falar de um outro. Também é para o Centro Cultural de Paredes de Coura mas desta feita vou ter de recusar. É o que dá realizarem actividades deste género num dia de semana, à tarde. Depois do sucesso do encontro sobre a Agenda 21 Local de Paredes de Coura, que decorreu numa noite de sexta-feira naquele espaço, a equipa coordenadora da Agenda 21 no Vale do Minho agendou a apresentação pública dos resultados dessa reunião, e das que se realizaram nos outros concelhos da comunidade intermunicipal, para a tarde da próxima quarta-feira.
Eu questiono: é assim que querem atrair a população para este tipo de iniciativas?

Convite 1

Este fim de semana recebi um convite. Nada de casamentos, baptizados ou afins. Apenas um convite, irrecusável. Não pelo conteúdo, se bem que também, mas acima de tudo por quem me convidou: os meus filhos. No âmbito do projecto “Eu convido”, que pretende levar os pais ao Centro Cultural para participar em actividades conjuntas com os seus filhos. Uma boa ideia que, a ver pela participação de ontem, parece ter futuro.
Na prática trata-se de um “dois em um”, daqueles que só nos traz vantagens. Por um lado temos o aproveitamento de um equipamento único na região, que muitas vezes é visto de lado por muitos courenses que nem sequer ousam aproximar-se dele. Por outro lado, e na minha opinião o mais importante desta iniciativa, privilegia-se o partilhar de experiências entre grandes e pequenos, entre pais e filhos, relação essa que deve estar no topo das prioridades.
Será que custa muito passar algumas, poucas, horas, num fim de semana de dois dias, com os filhos, a brincar, a estudar, a ver um filme, a fazer algo em conjunto? Custa, especialmente para quem tem de trabalhar também ao fim de semana. Mas para aqueles que não têm, é tempo de qualidade que estão a desperdiçar. E que não se recupera.
Num concelho onde se exalta a necessidade de mais crianças, num país onde se exorta o aumento da natalidade, é importante criar incentivos, financeiros, para que esse cenário se concretize. Mas de que adiantam esses apoios se depois falta o mais importante: tempo (ou será vontade) para viver essa natalidade.
Uma tarde no café ou uma tarde na melhor companhia do mundo, os nossos filhos? A escolha é fácil, e o projecto do Centro Cultural só vem dar mais uma ajudinha. Muito bem vinda.


PS: Foto respeitosamente retirada daqui.

12 outubro 2007

Pelas notícias...

Uma vista de olhos pelas notícias do dia.



No Jornal de Notícias a informação de que vai mesmo avançar a reorganização territorial da GNR. Ou seja, que vão encerrar alguns dos actuais postos, nomeadamente "em zonas despovoadas do interior do país". Teremos razões para pensar que Paredes de Coura é um dos postos a abater? (Actualização: a Rádio Geice já divulgou a lista dos postos que fecham e dela não consta Paredes de Coura)



Mais à frente, no mesmo jornal, a notícia de que até ao final do ano, os dez concelhos do distrito, unidos (ainda que só de fachada e por interesse), vão definir um programa de acção com vista a trazer para a região alguns investimentos no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacinal. A minha pergunta é: aceitam-se sugestões?



Por último, na Rádio Geice, o anúncio de que, na próxima quarta-feira, vai ser inaugurada a Escola de Hotelaria e Turismo de Viana do Castelo. Não foi este equipamento que chegou a estar previsto para a Casa do Outeiro, em Agualonga?

Tecnologicamente isolados

Uma trovoada. É quanto basta. Uma trovoada e deixamos de estar ligados ao mundo. Sinónimo de fragilidade? Ou de incompetência? Estamos em pleno século XXI, aquele que o Governo de José Sócrates nos apresenta como sendo o do “choque tecnológico”. Computadores a 150 euros para alguns, Internet para todos, tecnologia ao serviço do cidadão… balelas?
De que adianta investir num sistema que praticamente obriga os cidadãos a utilizar a Internet para comprar o “selo” do carro se a maior parte dos portugueses continua analfabeta em termos informáticos. Pede ao vizinho, paga ao conhecido que lhe faz esse “favor”? Que remédio! Investir em computadores a preço da chuva não vai acabar com essa situação. Falta o resto. Falta a cana, a linha e o anzol, porque o peixe oferecido já confeccionado e no prato todos o sabem comer…
Uma trovoada, repito.
Vivemos numa sociedade pontilhada de telemóveis e pda’s, gps e outros que tais. Tecnologias, dizem. Tecnologias que não funcionam em todo o país, e que, assim sendo, contribuem ainda mais para a o fosso que separa as zonas desenvolvidas das zonas que não vale a pena desenvolver. Muito duro? Talvez, mas é o que acontece. De que adianta telemóveis 3G se a antena se fica pela tecnologia anterior? E porque somos obrigados a comprar uma placa 3G para aceder à Internet móvel capaz de atingir velocidades estonteantes quando sabemos à partida que estamos limitados ao mínimo que a rede nos vai disponibilizar… Ah, já me esquecia, é porque é móvel e podemos ir para outro lado... Para longe daqui, é o que parece. É o que querem?
Só pode ser. Ir para um lado onde a concorrência exista. Dois, três, quatro, doze operadores a oferecerem a mesma coisa, mais barata, com melhor condições. É o que nos falta. É do que nos privam. É o tal fosso… tecnológico. E daí a trovoada. A tal que nos corta as ligações telefónicas que demoram dias a ser reatadas. A mesma que, durante semanas, nos condiciona a ligação ADSL, a única que parece (parecia) funcionar sem grandes problemas num concelho que dista 45 minutos da sede do distrito… Da civilização? Estaremos tecnologicamente isolados? Quem conseguir ligar à Internet que responda.

10 outubro 2007

Pela hora da morte

A questão não é nova, nem aqui no Mais pelo Minho, nem na Assembleia Municipal. Paula Caldas levou o assunto das casas mortuárias nas freguesias à reunião de Junho, Pereira Júnior recuperou-o na reunião de Setembro. “Fiquei preocupado com a situação”, explicou o presidente da Câmara de Paredes de Coura.
De tal modo que apresentou à Assembleia o esboço da ideia que tem para concretizar a ideia de Paula Caldas de que cada freguesia tenha um espaço destinado a velar os seus mortos. A solução poderá passar por um modelo de financiamento como o que foi utilizado para a construção dos balneários dos polidesportivos, em que a Câmara será responsável pelo pagamento de uma parte, ficando o restante a cargo da sociedade civil de cada freguesia. “Tem de se criar em cada freguesia um movimento cívico para encontrar solução”, referiu ainda o autarca.
É claro que cada freguesia tem uma especificidade própria, a começar pelo facto de algumas delas já terem casa mortuária em funcionamento, havendo algumas que não têm que optariam por utilizar um espaço já existente, devidamente adaptado, e outras que preferem construir um edifício de raiz. E para facilitar a decisão, a câmara pondera até ter disponíveis projectos tipo para a construção de casas mortuárias, como acontece com a habitação de cariz social no concelho.
E ao ouvir tudo isto, lembrei-me que, num dia de férias, refastelado no sofá a fazer zapping, dei comigo a assistir a um típico “programa da tarde” na TV Galiza onde o tema era precisamente uma casa mortuária móvel. É que, lá, a dispersão da população e o reduzido número de habitantes dos aglomerados populacionais, levou uma funerária da zona a transformar um camião TIR numa sala de velórios ambulante, devidamente equipada e munida das melhores condições de conforto e higiene. Estaciona, abre portas e durante o tempo que for necessário dá à freguesia uma casa mortuária. Por cá só teria dois problemas: a dificuldade de alguns acessos nas freguesias, pouco próprios para veículos de grande porte, e a elevada taxa de mortalidade, que muitas vezes requisitaria o camião para dois lugares diferentes no mesmo dia.

PS: De que serve, afinal, pensar nas casas mortuárias, se os cemitérios não têm capacidade para receber os nossos mortos. É que, da maneira como isto está, é preciso alargar o espaço disponível para a última morada dos courenses. Que o diga Insalde, onde, reza a notícia publicada aqui, é proibido morrer.

09 outubro 2007

Mostrar trabalho

Fará sentido a existência de uma comissão ou um qualquer organismo de índole municipal que, independentemente do seu objectivo, não tenha reunido durante quase dois anos? Pessoalmente penso que não. Venâncio Fernandes, deputado municipal do PSD também pensa assim e, vai daí, na última Assembleia Municipal trouxe o assunto a terreiro ao defender a extinção de qualquer comissão que estivesse nessa situação.
Mas foi mais longe. Pediu também a exoneração dos representantes eleitos pela Assembleia Municipal que, das duas uma, tivessem participado em reuniões e não prestassem esclarecimentos aos restantes elementos da AM, ou que, tendo existido reuniões, não tenham participado delas. “Ou as comissões não estão activas e por isso não têm razão de existir, ou os membros da AM não foram às reuniões e devem ser substituídos ou foram e não deram qualquer esclarecimento”, questionou Venâncio Fernandes.
Não teve sorte, o social-democrata, isolado num plenário dominado pela maioria socialista. Mas isso já ele, certamente, esperava. Com o que não contaria, ou não deveria contar, era com a falta de apoio da sua bancada. Não foi total, mas quase. Do seu lado ficou apenas… Paula Caldas.
Cenários que, infelizmente, não são novidade na Assembleia Municipal courense, onde o principal partido da oposição se apresenta a, pelo menos, duas vozes, quando não mesmo três. Possivelmente à espera de uma luta acesa na formação das listas eleitorais de 2009, onde se antevê um interessante diálogo entre Paula Caldas e Maria José Fontelo. Já agora, de realçar o regresso desta última às noites de assembleia, depois de um afastamento de algumas sessões. Sempre serve para agitar as águas.

02 outubro 2007

Quem não é visto...

E já que recordamos a viagem da massa autárquica courense a Lisboa, lembremos também as palavras de Joaquim Felgueiras Lopes, na última Assembleia Municipal, a propósito desta visita. Por entre agradecimentos a Rosalina Martins e a Jorge Fão, deputados socialistas eleitos pelo círculo de Viana do Castelo que receberam a comitiva courense em Lisboa, o autarca da vila lembrou ainda que também o limiano Abel Batista, eleito pelo CDS-PP pelo mesmo círculo, ao tomar conhecimento de que se encontrava ali um grupo de visitantes do distrito, fez questão de os ir cumprimentar.
Já não tiveram tanta sorte com José Eduardo Martins e Luís Campos Ferreira, os dois eleitos de Viana do Castelo pelo PSD que, diz Joaquim Felgueiras Lopes, fizeram de conta que não viram o grupo de autarcas courense. Seria por não conhecerem quem foi de visita? Não creio, até porque, se consultarmos a ficha de identificação de um destes deputados na AR (clicar aqui para ver) facilmente descobrimos que, surpresa das surpresas, ele já foi membro da Assembleia Municipal de Paredes de Coura e terá até ligações familiares a este concelho. Será esquecimento?

Obrigado! Obrigado! Obrigado!

É costume, e acima de tudo boa educação, agradecer algo que fizeram por nós. Por isso mesmo, e porque os membros da Assembleia Municipal de Paredes de Coura não são mal educados, foi com naturalidade que a mesa da assembleia apresentou, na última reunião, um voto de agradecimento a Rosalina Martins, deputada socialista ali e na Assembleia da República, pelo convite para visitar o Parlamento em Lisboa, por ocasião da transladação dos restos mortais de Aquilino Ribeiro para o Panteão Nacional.
O voto foi apresentado pela mesa, como que em nome de todos os partidos ali representados, e estes não o contestaram, até porque os elogios não faltaram de parte a parte. Lembrou-se o passeio até à capital, a visita à Assembleia da República, o animado jantar… e depois aprovou-se o voto de agradecimento. Por unanimidade.
Tudo normal? Aparentemente sim, mas penso que a atitude de Rosalina Martins não terá sido a melhor. Não pelo convite, que se entende e ao qual se reconhece o mérito (se não mais, pelo menos o de ter levado muitos autarcas courenses pela primeira vez à AR), mas pela atitude que esta tomou, ou melhor não tomou, aquando da votação. É certo que o constar na acta “aprovado por unanimidade”, dá mais força ao voto de agradecimento, mas não lhe ficava nada mal ter saído da sala aquando da votação. Só para não ter de agradecer… a si própria.

PS: A fotografia foi retirada daqui.

01 outubro 2007

Mas só agora é que descobriram?

Não foi, certamente, por falta de aviso. Lembro-me perfeitamente de ter ouvido Pereira Júnior, presidente da Câmara Municipal de Paredes de Coura, a alertar para esta situação (clicar aqui para relembrar).
Parece, contudo, que ninguém o escutou. E agora ouvem-se comentários como o que se pode ler abaixo e que é transcrito da página da Rádio Antena Minho. Se os médicos moram longe, como é que vão estar disponíveis para acudir a uma emergência? Já para não falar no problema financeiro que alertam lá mais para o meio da notícia e que ainda deverá fazer correr muita tinta...

Da Rádio Antena Minho
"Nova rede de urgências de Viana do Castelo ainda sem médicos suficientes para assegurar regime de chamada

O coordenador da Sub-Região de Saúde de Viana do Castelo, João Carneiro, admitiu hoje dificuldades em arranjar médicos suficientes para assegurar o regime de chamada, previsto para a implementação da nova rede de urgências no distrito. João Carneiro disse à Lusa que um dos casos mais complicados é o de Paredes de Coura, uma vez que dos nove médicos que lá prestam serviço seis são espanhóis e vivem do outro lado da fronteira, o que dificulta o cumprimento do tempo estipulado por lei (meia hora) para se apresentarem no Centro de Saúde para atender algum doente. Além da distância, João Carneiro aludiu ao facto de alguns médicos se mostrarem renitentes em aceitar o regime de chamada, sobretudo porque vão ganhar apenas metade do que ganhariam caso estivessem efectivamente de serviço, toda a noite, no centro de saúde.
A Administração Regional de Saúde do Norte anunciou, em comunicado, que a entrada em vigor da nova rede de urgências do distrito de Viana do Castelo, prevista para hoje, foi adiada devido ao atraso na entrega das unidades móveis de saúde. Para o distrito estão previstas oito unidades, mas até ao momento apenas três foram entregues (Ponte da Barca, Paredes de Coura e Arcos de Valdevez). João Carneiro admitiu que até ao final deste mês deverão ser entregues as restantes cinco, sendo Melgaço, Monção, Valença, Vila Nova de Cerveira e Caminha os concelhos contemplados. A ARSN considera que estas unidades constituem um passo essencial para melhorar a prestação de cuidados de saúde de proximidade à população idosa e com limitação na sua mobilidade."

26 setembro 2007

Em nome do Ambiente

A Câmara de Arganil acaba de dar mais um passo no sentido de ter um ambiente mais saudável naquele concelho, com a criação de alguns pontos de recolha de óleos usados, que serão depois encaminhados para a reciclagem (ver aqui). Tudo em nome do desenvolvimento sustentável e numa altura em que já muitos concelhos do país tomaram medida idêntica. Veja-se a ilustração deste post (clique na imagem para aumentar) que mostra o procedimento adoptado pela Câmara da Mealhada.
Por cá, numa altura em que ainda procuramos pelos “pilhões”, a ideia também seria bem vinda. Não é de hoje a preocupação da autarquia de Paredes de Coura com a contaminação dos recursos hídricos do concelho devido a descargas poluentes de óleos domésticos ou industriais. Lembro-me, por exemplo, de há alguns anos ter observado uma equipa dos serviços camarários que, de tampa em tampa, quase de porta em porta, averiguava a origem de um resíduo oleoso que foi aparecer numa ribeira do outro lado da vila, contaminando a água.
É claro que, seja em Arganil, Sintra, Mealhada ou em Paredes de Coura, o problema dos óleos usados deitados pela pia abaixo, não se resolve apenas com a instalação de pontos de recolha. É preciso sensibilizar, diria mesmo “educar” em termos ambientais, uma população que, apesar do aumento visível dos números da reciclagem, continua a ver no Ambiente, e na sua preservação, apenas mais uma moda (para uma ajudinha, clicar aqui). De qualquer das formas, sem alternativas, é muito mais difícil fazer o que está correcto.

Tou xim?!

A ideia não é de agora, surgiu com o despontar da revolução das telecomunicações móveis. Quem não se recorda do velho anúncio, bem conseguido, do típico pastor que atende o seu telemóvel em plena serra, rodeado apenas de monte e das suas ovelhas. Não terá sido certamente o anúncio a impulsionar tudo o que se seguiu, mas a ideia, publicitária, de ver alguém isolado do mundo ligar-se a todos através de um simples telemóvel, teve repercussão numa série de iniciativas que viram, também, nas comunicações móveis acessíveis a todos, um meio eficaz de levar o mundo aos que dele estão isolados.
Deste modo tivemos, num passado recente, os pastores a receber telemóveis para, aproveitando a dispersão geográfica da sua actividade profissional, poderem ser uma mais valia no controlo e prevenção dos incêndios florestais. Se resultou ou não, não o sei. Nem sei se haverá estudos nesse sentido, mas acredito que, por muito rara que seja, a actuação de apenas um desses “postos avançados” de vigia, poderá salvar muitos hectares de floresta.
Mais recentemente assistimos ao alastrar das vantagens dos telemóveis a outro sector, a outro objectivo. Falo, por exemplo, do caso dos idosos do distrito de Braga, especialmente aqueles que residem em zonas mais isoladas, que receberam há dias um telemóvel fácil de utilizar e com alguns números já pré-programados, a que podem recorrer em situações de emergência ou simplesmente se quiserem falar com algum familiar (ver aqui). Ao todo, naquele distrito, vão ser 4500 os beneficiários deste projecto promovido pelo Governo Civil local em parceria com uma operadora de telemóveis. Tudo grátis, incluindo os 1000 (mil) minutos mensais de comunicações…
A ideia, que me parece ter pernas para andar se as operadoras conseguirem tapar aqueles buracos que ainda teimam em existir na cobertura nacional da rede móvel, bem que poderia ser aproveitada para outros distritos, nomeadamente para aqueles que, tal como Viana do Castelo, lutam todos os dias contra o isolamento dos seus cidadãos seniores. E, se não for pela mão de um qualquer Governo Civil, que o seja por iniciativa dos próprios municípios que, aliando os cuidados de saúde ambulantes e o apoio domiciliário aos mais velhos, poderiam encontrar nos telemóveis mais uma forma de prestar apoio aos seus idosos.

21 setembro 2007

Hole-in-one

Primeiro foi Ponte de Lima, depois praticamente todos os outros concelhos do distrito quiseram o mesmo: um campo de golfe. Paredes de Coura não escapou à “febre”, ou melhor à oportunidade de cativar para o concelho um potencial turístico invejável e de todo a não desprezar. Mas será que ainda vamos a tempo?
A questão assume pertinência por dois motivos, ou melhor, apenas por um com duas variáveis, o tempo. Por um lado temos um projecto turístico apontado para as antigas instalações do sanatório da Pena, em Mozelos. Atrasado no tempo, não tanto pela falta de iniciativa dos seus eventuais promotores mas apenas e só porque quiseram comprar e recuperar algo que o Estado praticamente tinha esquecido, de tal forma que nem sequer sabia quem era o seu verdadeiro dono.
Por outro lado temos um multiplicar de projectos semelhantes nos concelhos aqui à nossa volta. Melgaço, talvez o melhor lançado na corrida, mas igualmente Caminha, Arcos de Valdevez e Vila Nova de Cerveira vêem também no golfe, e principalmente nas estruturas turísticas e hoteleiras que o apoiam, o investimento que falta em cada concelho.
E a pergunta, óbvia, impõe-se: será que vai dar para todos? Será que, ao passar de apenas um campo de golfe no distrito para, pelo menos seis equipamentos do género, haverá procura para todos? Responderão os mais optimistas que sim, basta ver o exemplo do Algarve, com campos sucessivos, colados uns aos outros. Retorquirão os mais pessimistas que o Minho, por muito que se queira, não tem o “apelo” turístico de um Algarve e não consegue atrair turistas em número suficiente para garantir a ocupação plena de tanto equipamento igual.
São questões que, contudo, podem nem sequer chegar a ser equacionadas. É que, à medida que um campo surgir, certamente que os promotores dos outros, apoiados em estudos económicos e de viabilidade, pensarão duas vezes antes de seguir em frente. Por isso, se daqui a meia dúzia de anos, olharmos para o mapa e virmos seis, sete ou oito manchas verdes, impecavelmente relvadas, ficamos com a satisfação de que, afinal de contas, o Minho tem potencial. Acreditamos.

19 setembro 2007

Passagens

Olhar para a esquerda, olhar para a direita, se não vier nenhum carro podemos atravessar. É mais ou menos assim que ensinamos os mais pequenos a atravessar a estrada, preferencialmente numa passagem de peões devidamente assinalada. Como aquela que agora pintaram junto à Escola Básica Integrada de Paredes de Coura, depois de muita insistência do presidente da junta de freguesia local. E quando digo muita insistência quero dizer mesmo muita, ou seja mais ou menos sete meses de insistência e, principalmente de paciência (clicar aqui para ver). A passadeira lá está agora, como se pode ver na foto acima, pintada mesmo na véspera de começar mais um ano lectivo. Valha-nos ao menos isso...


Mas, se para uns locais, ainda que bastante movimentados e percorridos diariamente por dezenas de crianças, é muito dificíl conseguir uma passagem de peões, para outros parece muito mais fácil. Tão fácil que, olhando para a foto abaixo, ficamos sem saber quem é que vai servir a passadeira, tal a sua "estratégica" localização no novo acesso à vila. E não se pense que pode servir, pelo menos, os proprietários dos campos em redor, que assim podem atravessar a rua com mais segurança. É que os riscos brancos no alcatrão negro terminam mesmo em frente ao muro de vedação da nova estrada, sem qualquer saída...

12 setembro 2007

Opiniões

Ainda bem que todos somos livres de ter a nossa opinião, mesmo que diferente das demais, diferente da opinião dominante. Uns acham isto (clicar aqui), outros pensam aquilo (clicar aqui). Para ler no mesmo local, mas em páginas diferentes. E pensar.

11 setembro 2007

A nossa parada, a dos outros a andar

A Unidade Móvel de Saúde de Arcos de Valdevez já está no terreno, conforme se pode ler no Correio do Minho ou "ouvir" na Rádio Geice. A nossa, que veio para Paredes de Coura sensivelmente na mesma altura, continua parada num dos parques de estacionamento subterrâneos. Será que, afinal, não faz falta? Ou será que a diferença está em quem assinou o contrato com a Administração Regional de Saúde? Se for assim, que passem o testemunho à Misericórdia, que pelos vistos nos Arcos conseguiu mexer-se mais depressa que a nossa autarquia.

10 setembro 2007

Garantidamente

Aparentemente parece que não está destinado Paredes de Coura ter um acesso rápido e directo à auto-estrada. Provavelmente nunca nos foi garantido esse acesso, apesar de ter sido pedido por diversas vezes e de nos ter sido prometido igual número de ocasiões. Eventualmente andámos enganados estes anos todos, a pensar que, entre atrasos e indefinições, chumbos e adiamentos, lá haveria de chegar o dia em que o acesso veria a luz.
Teoricamente a via rápida já deveria estar feita há anos, provavelmente já a necessitar de trabalhos de conservação e a facilitar diariamente as ligações entre a A3 e a vila, e entre a vila e Vila Nova de Cerveira. Desgraçadamente tivemos um primeiro concurso, um primeiro estudo, um primeiro traçado e um inevitável chumbo. Supostamente já tivemos um segundo concurso para um segundo estudo. Decididamente esse segundo concurso até já teve um vencedor, já lá vai mais de um ano, mas desgraçadamente esse vencedor nunca teve luz verde das Estradas de Portugal para avançar para o terreno.
Resignadamente, a autarquia de Paredes de Coura tem assistido a todo este processo. Felizmente a paciência esgota-se e foi preciso avançar, reclamar, exigir. Finalmente, agora, veio a informação de que o estudo prévio número dois vai avançar ainda este mês. Garantidamente, assevera o secretário de Estado das Obras Públicas. Enquanto tal não acontece, continuamos a esperar… pacientemente.

07 setembro 2007

Visto lá fora 2 - O "Papa Chiclas"

Outra coisa que me chamou a atenção neste período de férias, também através da comunicação social, foi a recente aquisição da Câmara de Penafiel que logo me trouxe à ideia o estado lastimoso do piso da rua Conselheiro Miguel Dantas. Então não que é que, em Penafiel, como em Coura, as pessoas também têm o (mau) hábito de deitar a pastilha elástica usada para o chão! E depois é o que se vê: o empedrado todo manchado e não há meio de o conseguirem limpar.
A autarquia de Penafiel parece ter encontrado a solução nos Estados Unidos da América, uma espécie de aspirador/máquina de lavar estofos que consegue, finalmente, retirar a pastilha elástica do granito. Nós também queremos uma, nem que seja a de Penafiel emprestada por meia dúzia de dias no ano para restituir à Conselheiro Miguel Dantas a dignidade que as obras de requalificação lhe tentaram dar.
Mas, brincadeiras à parte, saliente-se que o problema não é a remoção das pastilhas, mas sim a falta de civismo de quem as atira para o chão em vez de as colocar no lixo. A pensar nisso a Câmara de Penafiel lançou ao mesmo tempo os “Papa Chiclas”, recipientes destinados exclusivamente a receber aqueles produtos. Cá para mim, ainda assim, as pastilhas vão continuar a manchar o chão, pois recipientes já os havia: os caixotes do lixo. Já agora, a título de curiosidade, de referir que retirar uma pastilha do pavimento custa cerca de 45 cêntimos. A este preço, mais vale apostar nos rebuçados.

06 setembro 2007

Visto lá fora 1 - Menos impostos

Tempo de férias é, normalmente, tempo que se aproveita para sair do concelho e ver outras paragens. E é nestas voltas que, de vez em quando, lá encontramos algumas coisas que até gostaríamos de ver na nossa terra. Aconteceu comigo nestas férias, em meia dúzia de ocasiões e às vezes nem foi preciso sair de Paredes de Coura, bastou dar uma leitura pelos jornais.
Falo, por exemplo, da decisão da Câmara de Penalva do Castelo de reduzir a carga fiscal dos contribuintes com domicílio fiscal naquele concelho. Ou seja, do total de IRS que qualquer trabalhador desconta, cinco por cento são para o município onde este tem “residência” fiscal e foi de metade desse valor que a Câmara de Penalva do Castelo abdicou, em benefício dos seus munícipes que, desta forma, ainda que muito ligeiramente, vêem a sua carga fiscal mais aliviada.
Uma forma de discriminação positiva, garante o autarca daquele concelho que, tal como Paredes de Coura, também luta contra a desertificação e pretende deste modo cativar mais pessoas para ali fixarem residência. Uma situação de que já beneficiam também, muito embora em moldes diferentes e bem mais compensadores, os habitantes dos Açores e Madeira, que de uma forma geral pagam menos impostos que os que têm domicilio fiscal noutras localidades do país.
Depois do incentivo à natalidade, com o subsídio de três anos de salário mínimo nacional a atribuir a partir do terceiro filho, bem que a autarquia courense podia pegar no exemplo de Penalva do Castelo e contribuir ainda mais para a redução das despesas dos seus habitantes. Eu agradecia. Acho que não seria o único.

07 agosto 2007

Dar o exemplo... e não só

É inaugurada amanhã à tarde a nova variante à EN303, entre Mantelães e o Centro de Saúde, em Paredes de Coura. Uma obra que, espera a autarquia, será o primeiro troço da via rápida que vai ligar a Sapardos e à A3. Assim sendo, para o ano esperamos novo troço, entre Mantelães e a zona industrial de Formariz, por exemplo. E daqui por dez, doze anos, temos a via rápida concluída.
É um exagero, é claro, mas é o que se pode depreender de duas situações: em primeiro lugar temos o impasse em que está esta obra, emblema de várias campanhas eleitorais e que, agora, espera há mais de um ano por dinheiro para que a Estradas de Portugal dê luz verde à empresa que vai fazer o projecto; em segundo lugar porque, pelas palavras do presidente da Câmara, que podem ler aqui, esta estrada será já parte integrante da nova variante e tem como objectivo “dar o exemplo ao Governo”.
Ora se o Governo não avança com a obra, ou melhor com o projecto, porque não tem dinheiro, o mais certo é ir esperar que o município dê o exemplo mais umas quantas vezes até a via rápida estar finalmente concluída. Mais fácil não há. E se mais municípios tiverem o mesmo comportamento, o Governo agradece.
Brincadeira à parte, retenho, desta inauguração aprazada para amanhã, conforme informação veiculada noutro blog, duas questões que me parecem importantes e descabidas, mas ainda assim relacionadas entre si. Falo do valor em que orçou esta estrada, de apenas 500 metros, mas cujo custo se elevou a mais de um milhão de euros e da sua utilidade prática. É que já ouvi algumas rádios locais a dizerem que deste modo temos um acesso mais facilitado a Valença e que o traçado da EN303 datava do século XIX, mas custa-me um bocado a entender, e já aqui falei disso antes, que se gaste semelhante verba para poupar 500 metros e meia dúzia de curvas que, com boa vontade, até se conseguiam alargar. São pontos de vista…

PS – Já depois de escrever o post acima, lembrei-me de uma sessão da Assembleia Municipal em que Pereira Júnior, numa alusão a um eventual traçado da via rápida, dizia que esta até podia não entroncar na nova variante. Mas, assim, a variante que amanhã se inaugura, é o primeiro troço de quê?

03 agosto 2007

Estamos (quase) fechados

O SAP – Serviço de Atendimento Permanente de Paredes de Coura vai, a partir do final do ano, passar a fechar no período nocturno. A decisão, há muito conhecida, só agora foi oficialmente confirmada (pode ler e ouvir aqui) com o entendimento conseguido entre a Câmara e o Ministério da Saúde. Recorde-se que Pereira Júnior sempre disse estar à espera das alternativas prometidas por Correia de Campos para que fosse efectivada aquela decisão.
Não se conseguiu, pelo menos para já, tudo o que se pedia, nomeadamente a unidade de saúde familiar, mas tendo em conta que o fecho das urgências era um dado adquirido para o Ministério, tudo o que se conseguiu terá sido bom. Bem, bom, bom, não será. Foi antes o que se conseguiu arranjar.
Já cá temos a unidade de saúde móvel, parada num dos parques de estacionamento da vila desde o dia 22 de Junho à espera sabe-se lá de quê. Suspeito que seja de um motorista, mas vou ter de esperar para ver. E agora, com o acordo conseguido por Pereira Júnior, a partir de Janeiro vamos ter um serviço um tanto ou quanto pouco ortodoxo. As urgências passam a fechar às 22 horas, nos dias de semana, e às 20 horas durante o fim-de-semana e a partir dessa hora fica um enfermeiro (de plantão, presumo eu) pronto para acolher qualquer doente que ali acorra. Só em caso de necessidade é que esse enfermeiro chamará um médico para acompanhar a situação. Ou seja temos um médico à chamada.
Não sei porquê, mas tenho a vaga impressão que, mesmo agora, em muitos dias já é isso que acontece. O enfermeiro está lá, atende o doente e telefona ao médico, que se ausentou. Além disso, não compreendo como é que Pereira Júnior pode estar satisfeito com esta situação, que, repito, é melhor que nada, quando ainda há meses dizia que ter um médico à chamada não seria uma opção muito viável dado que, dos 10 clínicos que prestam serviço no concelho, apenas dois aqui residem e estariam, por isso, disponíveis para ser chamados em tempo útil. Alguém está a imaginar telefonar para um médico espanhol e esperar uma hora para ele chegar?
De qualquer das formas, parece que o Ministério da Saúde vai reforçar ainda o distrito com três ambulâncias de suporte imediato de vida, duas delas no Vale do Minho. Pode ser que nos calhe alguma na rifa. Que venham bem equipadas de pneus, porque a Travanca tem umas curvas jeitosas que gostam de comer a borracha.

31 julho 2007

Aquilino com Coura na TV (parte 2)

Foi o que se esperava a transmissão do “Portugal em Directo” onde Aquilino Ribeiro, a Casa Grande Romarigães e Paredes de Coura estiveram em destaque.
Jofre Monteiro de Lima Alves falou do que bem conhece e defende com unhas e dentes. Francisco Sampaio de igual modo esteve como peixe na água a recordar as tradições gastronómicas do Alto Minho e do nosso concelho em particular. Até Ladislau da Silva, actual ocupante da Casa Grande Romarigães, não deixou de dar a sua perninha no programa, apresentando o seu viveiro como uma eventual concretização do sonho de Aquilino Ribeiro de ter um grande jardim na “sua” Quinta do Amparo. Aliás, na sequência do que já havia declarado há meses numa entrevista ao Jornal de Notícias.
Também a participação da autarquia foi aquilo que se previa. Ou melhor, quase. Pereira Júnior não esteve presente e foi António Esteves quem representou o município na transmissão da RTP. Terá sido avisado em cima da hora? É que só assim se percebe a falta de informação com que se apresentou e a forma como ignorou as questões levantadas por Alberto Serra, o jornalista de serviço. Perguntou-lhe este pelas actividades que o município teria eventualmente preparadas para homenagear os 50 anos do lançamento de “A Casa Grande de Romarigães”. Responde o vereador da cultura com visitas do passado, e que passado longínquo onde até a famosa presidência aberta de Mário Soares teve lugar. E para o futuro, para este ano, por exemplo? A transladação do corpo do escritor para o Panteão Nacional, os domingos gastronómicos, os percursos pedestres… Resumindo: NADA.

30 julho 2007

Aquilino com Coura na TV

O programa é o “Portugal em Directo”, conduzido por Dina Aguiar e com que a RTP dá a volta ao país, sempre em directo de um qualquer ponto deste nosso rectângulo. Amanhã é a vez de Paredes de Coura, sob o pretexto de lembrar Aquilino Ribeiro e os 50 anos da publicação de “A Casa Grande Romarigães”. A partir das 18 horas podemos assistir à intervenção de Jofre de Lima Monteiro Alves, conhecido investigador do passado courense e um dos grandes responsáveis por evitar que este fique esquecido. Também Francisco Sampaio, presidente da Região de Turismo do Alto Minho, terá uma palavra a dar sobre o assunto no programa da RTP.
Pereira Júnior, o presidente da Câmara de Paredes de Coura é outros dos convidados. Não se sabe, contudo, se vai lá estar para falar do seu desejo de ver instalado na Casa Grande de Romarigães um museu dedicado a Aquilino ou do pedido mais ou menos dissimulado que deixou há duas semanas aos microfones da Rádio Geice (para ver aqui), dizendo que “não ficaria mal ao Estado” apoiar a reabilitação daquele imóvel. Ou então poderá falar das comemorações que o município está a preparar para assinalar o aniversário da publicação do livro que deu a conhecer o concelho. É que, provavelmente, tirando ele e Mário Cláudio, escritor que foi convidado para coordenar essa iniciativa, mais ninguém sabe o que está programado.




PS - A foto foi retirada daqui.



E se fosse em Mantelães?

A praia da Amorosa, em Viana do Castelo, está interdita a banhos desde o passado sábado, devido a uma descarga poluente provocada por uma avaria na estação elevatória de águas residuais. A notícia completa pode ser lida aqui, no site da Rádio Geice. Vejo a notícia e não posso deixar de pensar em Arlindo Alves, antigo presidente da Junta de Freguesia de Formariz.
Lembrei-me da luta que o antigo autarca, que perdeu a junta em 2005, travou com a Águas do Minho e Lima e com a própria Câmara Municipal de Paredes de Coura, com vista a impedir a passagem de um tubo de esgoto em Mantelães, por cima do rio Coura (foto retirada daqui). Na altura, Arlindo Alves alertava para o perigo de, em caso de avaria, existir a possibilidade do tubo começar a descarregar directamente para o rio. O Tribunal entendeu igual e deu razão à Junta de Formariz que, contudo, agora equaciona outra solução para o desenrolar do processo. O acidente da Amorosa veio, no entanto, mostrar que o que aconteceu lá poderá muito bem acontecer aqui. E depois como será?

27 julho 2007

Público difícil

Não posso sequer imaginar o que sentirá um artista, seja ele qual for, que, no momento de subir ao palco se depara com uma plateia vazia. É, na minha opinião, um cenário desencorajador, que só não estraga o espectáculo porque o profissionalismo fala mais alto. Vem isto a propósito da grande oferta cultural e recreativa que Paredes de Coura tem nestes meses de Verão, principalmente em finais de Julho e durante todo o mês de Agosto. Praticamente todos os dias há alguma coisa para ver, algum espectáculo para aplaudir, algum concerto para escutar. E público, haverá? Isso agora, já é outra conversa.
Vejamos, por exemplo, o espectáculo levado a cabo precisamente há uma semana, pelo grupo de flamenco Soleares. Três bailarinas num palco montado num local pouco habituado a receber eventos do género (frente ao Tribunal), que há hora marcada para começarem a dançar tinham uma dúzia de pessoas na assistência. E desses, realce-se que mais de metade eram de fora do concelho. Valeu, no espectáculo em questão, o profissionalismo das bailarinas que, pouco depois de iniciarem a actuação, conseguiram fazer com que se ocupassem praticamente todas as cadeiras disponíveis frente ao palco, mais alguns tímidos que preferiram assistir de longe.
O problema é que não é caso único. Podem dizer que é um risco, fazer tais espectáculos no concelho. Eu defendo que se trata de um desperdício… não aproveitar as oportunidades que a cultura da autarquia nos tem trazido. Temos um Centro Cultural de fazer inveja a muitas capitais de distrito, com uma programação mais ou menos constante e cuja responsável tenta adequar aos mais variados públicos, mas nem sempre estes públicos respondem à chamada. Temos um Museu Regional que muitos dos courenses nunca visitaram. Temos teatro e cinema para salas com metade dos lugares vazios, temos concertos onde as poucas palmas não chegam para agradecer o bom espectáculo.
Ainda assim estamos muito melhor do que há alguns anos, em que tínhamos peças de teatro com mais actores no palco do que pessoas na assistência. A mentalidade, ou a disponibilidade, das pessoas têm mudado. Que Agosto, carregado de actividades, ajude a mudar ainda mais.

PS: Já ouvi dizer que o problema é o desconhecer as realizações que vão sendo feitas. Pois bem, quem quiser pode receber a programação cultural em casa, só tem de se inscrever no Centro Cultural. Ou podem sempre descarregar a agenda online, carregando aqui.

25 julho 2007

Tempo de emigrantes

Não é de agora que se ouve falar numa homenagem de Paredes de Coura aos seus emigrantes. O assunto tem sido abordado, nomeadamente, em diversas reuniões da assembleia municipal, com destaque para a implantação de um monumento que recorde e enalteça aqueles que tiveram a coragem, senão o único remédio, de deixar a sua terra Natal para procurar melhores dias noutras paragens.
Pessoalmente nada tenho contra esse tipo de manifestações, muito embora pudesse enumerar aqui, e sem grande dificuldade, uma dúzia de outras iniciativas que veriam com melhores olhos e eventualmente com mais agrado o uso de dinheiros públicos. É certo que todos temos de reconhecer o quanto (alguns) dos nossos emigrantes fazem pela terra onde nasceram. Não é apenas em Paredes de Coura, é em todo o país, eventualmente em todo o mundo.
E por emigrantes entenda-se – pelo menos eu assim o entendo – não estamos a falar apenas dos que rumaram a outro país, mas também daqueles que, mesmo não cruzando fronteiras territoriais, tiveram de ultrapassar as fronteiras psicológicas de abandonarem o local que os viu nascer. Paredes de Coura, por exemplo, pode orgulhar-se da comunidade que enviou para Lisboa, onde ainda hoje mantém uma embaixada de respeito que, em tempo de férias, não hesita em regressar ao território de onde nunca saíu a sua alma.
Lembrei-me dos emigrantes por estarmos em Agosto e, como disse atrás, por causa do monumento de que muitos falam, inclusivamente o presidente da autarquia. Ora, estando a nova variante à EN 303 em fase de conclusão, eventualmente com inauguração aprazada para a altura das festas do concelho, como é tradição nestas coisas de “corta-fitas”, nada melhor do que aproveitar a ocasião para a tal homenagem. A nova variante traz com ela duas novas rotundas, qualquer uma delas apta a receber o tal monumento de que todos falam.
Mas, como todos falam mas certamente o monumento ainda não existe, e porque nunca é cedo para tal homenagem, esse enaltecimento das qualidades dos nossos emigrantes bem que se pode fazer de outra maneira. E assim, dando ao mesmo tempo resposta a um apelo do Eduardo Daniel Cerqueira, que há tempos pedia nomes para ruas que ainda o não tem, porque não aproveitar e dar à nova variante, autêntica avenida à luz do regulamento toponímico que a Câmara quer aprovar, o nome de Avenida do Emigrante. Fica a sugestão, que a aproveite quem quiser… ou não.

23 julho 2007

É preciso pensar

Os contentores até podiam estar cheios. Os contentores até podem ter aberturas demasiado pequenas para a dimensão dos cartões. Nada disto justifica, no entanto, um cenário como o da foto, bem no centro da vila, à vista de todos os que por ali passaram na sexta e no sábado.
Será que, estando os contentores cheios, não seria melhor não colocar ali os cartões e guardá-los mais uns dias? Ou, melhor ainda, depositá-los noutro ecoponto, já que na vila, ao contrário do que acontece nas freguesias, há muitos à disposição. E, se o problema foi o tamanho reduzido da abertura, não seria mais sensato tornar os cartões mais pequenos, abri-los, cortá-los, fosse o que fosse?
Pelo vistos venceu a lei do mais fácil. É mais fácil deixá-los aqui no chão, a dar um bom exemplo de como não se deve fazer. Às vezes é preciso pensar. E não é preciso muito, basta pensar um bocadinho...

PS: Já agora, pergunto, o que é feito do Regulamento Municipal que previa multas para este tipo de situações?

19 julho 2007

Para apontar na agenda

Sou daqueles que acha que, tendo nós a oportunidade de contribuir para o desenvolvimento do concelho onde vivemos, não a devemos desperdiçar. Foi, por isso, com agrado, que dei o meu contributo no fórum participativo da Agenda 21 de Paredes de Coura. Foi com mais agrado ainda que vi um Centro Cultural razoavelmente preenchido, com pessoas que também não quiseram ficar em casa ou no café e resolveram dar a sua opinião.
O ambiente vivido, aliás, a isso ajudava. As pessoas reunidas em grupos, formados ao acaso, mas todas juntas no sentido de dar resposta a um desafio comum: encontrar as potencialidades de Paredes de Coura. Isto depois das reuniões nas freguesias, algumas com boa participação outras nem por isso, terem servido para identificar aqueles que os courenses consideram ser os principais problemas do concelho.
No final ideias não faltaram, haja agora quem as coloque em prática. Com o turismo a assumir papel de destaque, mas não esquecendo a sua ligação óbvia à economia regional e ao ambiente. O ambiente, ou melhor a natureza, foi aliás apontado como a principal mais valia do concelho. As paisagens, os recursos naturais e a forma como estes podem ser aproveitados, de forma sustentável, para promover o turismo, para promover Paredes de Coura.
A agricultura, biológica ou não o que interessa é dar vida aos campos, como referiu um dos participantes no fórum, também pode assumir um papel importante. O concelho já não é o celeiro do Minho, mas tem condições para ainda dar o seu contributo para o fortalecimento deste sector na região. E depois, porque não, conjugar esforços e criar um mecanismo de promoção desses produtos, oriundos de Paredes de Coura, dentro e fora do município. Dos biscoitos de milho à truta, passando pelo cabrito de Padornelo e a broa, várias foram as sugestões ali deixadas.
É claro que o desenvolvimento do turismo em Paredes de Coura está também inevitavelmente ligado à criação de estruturas que possam acolher os turistas. E a falta de camas no concelho foi um dos principais problemas apontados. Temos várias casas de turismo rural mas os preços podem não ser convidativos, afirmaram alguns participantes. No ar ficaram sugestões de um parque de campismo e uma pousada da juventude, esta apontada para o devoluto sanatório. Se o projecto do hotel não for avante, sempre é outra possibilidade… a retomar.

18 julho 2007

13 julho 2007

Vamos à praia?

Parece que finalmente chegou o calor. Chegou o Verão! Já dá vontade de passar a noite numa esplanada, à conversa, a saborear o sossego e os encantos naturais de Paredes de Coura. Foi o que fiz uma noite destas, na companhia de uma amiga que, entre muitas outras coisas, partilha comigo o facto de também ela não ser natural de Coura, mas aqui residir há alguns anos.
Entre conversas sobre tudo e mais alguma coisa, eis que a cavaqueira resvala para as potencialidades turísticas de Paredes de Coura e, estando nós em plena praia fluvial do Taboão, aquele local logo foi apontado como um dos pontos fortes do concelho. Mas no que respeita a praias fluviais o concelho tem mais locais que também são utilizados com o mesmo fim. Conheço Casaldate, ali entre Padornelo e Parada e tinha ouvido falar, há anos, de semelhante espaço em Cossourado, junto à Ponte Nova, mas sinceramente nunca lá fui. Por isso, foi com surpresa que ouvi dizer que aquela zona era bastante frequentada, não só pelas gentes de Cossourado, mas de outras freguesias ao redor, que ali buscam a frescura das águas.
A conversa mudou de direcção, mas fiquei a matutar no assunto. Será que, tanto Casaldate como Cossourado não mereciam mais destaque nos roteiros turísticos do concelho? Provavelmente não terão o mesmo esplendor que o Taboão (Casaldate tem meia dúzia de mesas e pouco mais), mas também não repartem com o Taboão o mesmo pacote de investimentos, ou seja pouco ou nada ali se investe, pouco ou nada ali se desenvolve, pouco, o mais certo é nada, ali se faz.
Não defendo, como no Taboão, que ali abram um restaurante, ou sequer um bar, pois tenho a certeza que o movimento não será suficiente para o justificar, mas porque não investir ali algum do dinheiro que todos os anos calha ao Taboão e transformar aqueles dois espaços em outros pólos de atracção para os courenses, eventualmente para os de fora que nos visitam? E talvez não seja preciso muito dinheiro.
Por falar em Taboão e em turistas, já aqui referi, noutros tempos, a grande afluência de excursões àquela praia fluvial. Porque não aproveitar o espaço do outro lado da praia fluvial para criar um parque de merendas há muito reivindicado por quem nos visita? O parque de estacionamento demorou mas chegou, vamos ver se as mesas também vêm a caminho.

Finalmente


11 julho 2007

Obras de arte e engenharias

Desde pequeno que tenho um certo fascínio por algumas das grandes obras da arquitectura e engenharia, em Portugal ou no estrangeiro. Fico admirado com a capacidade de se construírem obras como uma Ponte da Arrábida, anos antes das técnicas e tecnologias que possibilitaram o avanço para uma Ponte Vasco da Gama. Autênticas obras de arte, como o são também outros exemplos de obras públicas e privadas um pouco por todo o país.
No entanto, apesar deste fascínio pelo património construído, nunca a engenharia esteve no meu plano de vida. Não sei porquê, simplesmente não esteve. Não sei se por apetência por outras áreas, se por verificar que, apesar das grandes obras, de vez em quando as engenharias me levantam sérias duvidas, nomeadamente pelos métodos e planificações utilizados.
Veja-se, por exemplo, a nova variante à EN 303 que está a ser construída em Paredes de Coura, de Mantelães até à sede da ADASPACO. Sinceramente não compreendo a programação utilizada, seja esta responsabilidade dos engenheiros que a projectaram e acompanham ou do dono da obra. Não entendo, mas eu também não sou engenheiro ou autarca, como se pode dar prioridade a obras secundárias como são a colocação dos passeios ou a preparação dos futuros espaços verdes daquela via, em detrimento da colocação do piso, substituído há quase dois meses por um tapete de terra, alternando entre o pó e a lama. Já sei que vão dizer que são obras, que é mesmo assim, que é o custo do progresso, mas não compreendo como é possível cortar a principal via de acesso à sede do concelho e não se dar prioridade ao restabelecimento dessa ligação.
É claro que é mais fácil colocar o alcatrão todo de uma vez, naqueles 500 metros de estrada, do que remendar a EN303 e fazer depois o resto, mas não seria preferível minimizar os problemas dos automobilistas que por ali passam diariamente? Sei também que fica muito melhor na fotografia inaugurar uma estrada nova com os passeios compostos, com a iluminação a funcionar e com as rotundas de ligação às vias existentes devidamente embelezadas e ajardinadas, mas não será tudo isso secundário ao efeito prático que a estrada pretende ter?
Por falar em rotundas, com o avançar dos trabalhos no entroncamento desta variante com a Avenida Cónego Bernardo Chouzal começa a delinear-se um cenário um tanto ou quanto inquietante naquela zona. É que, e volto a dizer que de engenharia nada percebo, custa-me a entender como vão ser vencidos desníveis face às construções ali existentes, nomeadamente o acesso ao Centro de Saúde. Provavelmente não ficará como as traseiras das casas por onde a variante passa, algumas das quais transformadas em autênticos fossos. Mas isto sou eu a dizer, que não percebo nada de engenharia.

E a dadores também...

Centro Cultural, GNR, Centro de Saúde, moradores e… A placa não o indica, mas os dadores também têm caminho aberto, apesar da Avenida Cónego Bernardo Chouzal estar fechada ao trânsito. É que no próximo domingo, durante toda a manhã, a ADASPACO leva a efeito mais uma recolha de sangue, desta feita para engrossar a base de dados do CEDACE – Centro de dadores de células de medula, estaminais ou de sangue de cordão e é quase sentido obrigatório seguir aquele caminho, o da solidariedade.
Todas as pessoas saudáveis, com mais de 50 quilos e com idade compreendida entre os 18 e os 45 anos estão convidadas a participar nesta iniciativa e deixar ali uma hipótese de esperança para muitos doentes, no país ou no estrangeiro. “E se fosse consigo?”, questiona a Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Paredes de Coura. A resposta, espero eu, será dada, em força, na dádiva do próximo domingo. As vantagens, pode vê-las clicando aqui.

05 julho 2007

Bombeiros: Verão sem direcção

Já se esperava mas agora veio a confirmação. A assembleia eleitoral da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Paredes de Coura só está marcada para 9 de Setembro. Assim sendo os Bombeiros vão passar o Verão e, teoricamente, a época de incêndios, sem uma direcção eleita.
Resta a comissão administrativa que tomou conta da instituição a partir de Janeiro. Ou se calhar nem isso. Há cerca de um mês apresentaram a demissão à assembleia-geral e esta foi entregar as chaves do quartel à Câmara. A autarquia pediu para aguardarem algum tempo e, desde então, nada mais se ouviu. Será que ainda está em funções?
Fica-se, agora, em suspenso para ver o que vai acontecer. Por um lado para ver como se comporta a corporação numa época crítica sem uma direcção por cima, só com o seu comandante a gerir as coisas. Por outro lado, aguardam-se as candidaturas à direcção. Nomes parecem não faltar, resta saber se sempre avançam.

Resíduos galegos em Coura?

A informação é veiculada pela Alternativa Vecinal, uma associação galega, com sede em Vigo, que fala no transporte de cascalho eventualmente contaminado para terras de Coura. O cascalho, resultante da demolição de uma antiga empresa pesqueira daquela região, estaria a ser enterrado em Tomiño, nas zonas ribeirinhas do Rio Minho, situação que foi prontamente denunciada e sancionada pelas autoridades galegas, pois parte do entulho resultante da demolição estará contaminado com amoníaco e outros químicos, uma vez que resulta das antigas câmaras frigoríficas daquela empresa.
Diz a Alternativa Vecinal que, além daquele despejo ilegal, terá sido transportado cascalho também para Valença, tendo sido acomodado numa pedreira de Valença, e ainda para Paredes de Coura. Por indicar está, contudo, qual o destino final dessa carga que veio para Coura, se alguma pedreira, como em Valença, se alguma obra em execução.

A3: paciência e asneiras

Parece que a paciência de Pereira Júnior está à beira do fim. Isso mesmo adiantou o autarca à Rádio Alto Minho, queixando-se do atraso verificado na adjudicação do estudo prévio da ligação de Paredes de Coura à A3, em Sapardos, findo que está o concurso e encontrado vencedor há mais de um ano.
Salientando que não é homem de protestos, o presidente da Câmara de Paredes de Coura parece estar cansado das promessas por cumprir por parte do Governo socialista, desta feita, ao que tudo indica, por falta de dinheiro nas Estradas de Portugal. Para Pereira Júnior fica aqui a sugestão: convide-se o ministro Mário Lino a visitar o concelho e pode ser que este, como aconteceu com o seu colega do Ambiente no passado domingo, desbloqueie uma situação que se arrasta há anos.
Já agora, ficam aqui também dois reparos à notícia da Rádio Alto Minho. Primeiro, quando os courenses querem ir pela A3 não têm de percorrer 25 kms até Valença, basta 10 até Sapardos. E em segundo lugar, a A3 só ficou completa em Maio de 1998, com a abertura do troço entre Ponte de Lima e Valença, por isso tem 9 anos, e não 12 como diz a notícia. É que há datas que não se esquecem.

03 julho 2007

Só faltam as outras

Veio o ministro do Ambiente e com ele as placas indicativas do Centro de Educação e Interpretação Ambiental do Corno de Bico. Agradece-se, por isso, a presença do caro governante por terras de Coura. Ah, e convém não esquecer que prometeu também ter pronto em seis meses, o plano de ordenamento da área protegida, que o ICN atrasa há anos.
Ficamos agora à espera que outros ministros ou secretários de Estado venham a Paredes de Coura para trazerem com eles as outras placas que ainda faltam no concelho, nomeadamente na vila. Que venha o ministro da Justiça para trazer as do Tribunal, e o da Administração Interna, com as placas dos bombeiros e da GNR às costas.
Quando ao ministro da Saúde, ao que parece tem andado aí por terras courenses, incógnito. Pode ser que um dias destes se lembre de sinalizar o Centro de Sáude. Ou de o fechar, tanto faz.


PS: Já agora alguém me sabe dizer para onde aponta a placa de cima?

29 junho 2007

Nós também queremos

A Câmara de Caminha reclama mais segurança para o concelho. Tudo por causa do aumento do número de ocorrências criminais nas últimas semanas, incluindo um assalto a uma ourivesaria e o roubo de uma moeda de cobre do museu municipal (onde estava a segurança da exposição?). E nós, que somos vizinhos e que também tivemos a nossa dose de casos de polícia nas últimas duas semanas? É claro que nós também queremos mais segurança.
Mais rondas da GNR, de dia ou de noite. Mais agentes. E que não fiquem no posto, que andem pelas ruas, a pé ou de carro (ou até a cavalo como sugeriu uma amiga) e com menos rotina nos percursos seguidos. Sei que Paredes de Coura é um concelho normalmente calmo, isso mesmo atestam os números da GNR relativos aos últimos anos, e que esta força policial tem referenciados vários “suspeitos do costume” para os ter sempre debaixo de olho. Mas também ouço rumores de que o concelho pode perder o posto permanente da GNR e ficar apenas com um piquete de reserva. São rumores, de onde vêm não sei, quem os lançou desconheço, se têm alguma validade ignoro, mas que existem, os rumores, lá isso existem.
E quando vemos situações como a da passada segunda-feira, com o assalto a uma ourivesaria no centro da vila, ficamos a pensar. Se com um posto da GNR na vila (com poucos efectivos, é certo), acontece isto, o que será se estivermos reduzidos a uma patrulha? Eu não sei. Perguntem, se calhar, a quem teve de enfrentar o cano de uma arma apontado a si, enquanto via um bando de malfeitores e deitar mão ao que lhes não pertencia. Seria diferente? Talvez não, mas que a sensação de segurança também conta, isso ninguém o pode negar.
Já agora, fica uma questão. Será que se os famosos mecos metálicos, que limitam o trânsito naquela rua, estivessem erguidos como é suposto acontecer fora dos períodos de cargas e descargas, teria acontecido da mesma maneira?

Um Portugal mesmo profundo... e escuro

António Balbino Caldeira é um nome que pode não dizer muito à maioria dos portugueses. É autor de um blogue, coisa pouca, é professor, se calhar menos importante ainda, mas o certo é que tem dado algumas dores de cabeça aos governantes portugueses. É a ele que se ficaram a dever as muitas notícias, e a polémica que se seguiu, sobre a licenciatura de José Sócrates.
Do Portugal Profundo, é este o título do seu blogue, António Balbino Caldeira ousou emergir e picar a imagem do primeiro-ministro e está agora, eventualmente, a sofrer as consequências desse, oh céus, sacrilégio, tendo sido constituído arguido no âmbito de um inquérito judicial relativo ao assunto do percurso académico de Sócrates, como descreve no seu blogue. Estaremos nós perante uma nova forma de censura? Que ninguém duvide. Independentemente da origem do processo, esta é uma forma descarada de mostrar a Balbino que não se pode mexer com o poder instalado.
Já não temos lápis azul, até porque hoje em dia os computadores vêm com correctores ortográficos integrados, mas continuamos a ter censura. Aqui como noutros casos. Como no caso do vídeo divulgado pela Câmara do Porto a mostrar o director-adjunto do Jornal de Notícias numa manifestação, um exemplo de como o poder, mesmo nas autarquias, quer condicionar a informação. Eventualmente, também como no caso do professor afastado da DREN.
Estaremos mesmo num Portugal muito profundo. Profundo e escuro. Tenebroso.

27 junho 2007

Novidades, novidades...

Mais uma vez, como habitualmente, o Notícias de Coura brindou-nos com a entrevista a Pereira Júnior na edição que assinala mais um aniversário do jornal. A propósito, fica-se sem saber porque é que o aniversário, a 10 de Junho, só é comemorado na edição de 26 de Junho, quando antes disso houve outra, a 12 de Junho, onde o assunto passou ao lado.
À parte disso, dá-se os parabéns ao José Miguel Nogueira pela entrevista ao autarca courense. "Diga lá, presidente”, reza o título, mas o José Miguel não deve ter sido ouvido porque Pereira Júnior pouco disse, pelo menos de novidade. Falou de tudo o que já se sabe: o saneamento, a variante do Matadouro, o projecto turístico para Mozelos, o arquivo, o CEIA… Ler a entrevista ontem ou no ano passado era mesma coisa, os assuntos são praticamente os mesmos.
Nem mesmo a questão da eventual-mais-que-certa-recandidatura nas autárquicas de 2009 causou alguma surpresa. Alguém duvidava que, nesta altura do campeonato, não fosse este o cenário mais esperado. Bom, bom, seria, por exemplo, saber porque é que não surgem alternativas a essa recandidatura, mas isso será matéria para uma entrevista a outra pessoa, eventualmente ao dirigente da concelhia local do PS.
Também seria agradável ouvir Pereira Júnior falar de outros assuntos que já fizeram a actualidade mas que terão caído no esquecimento. Falo, por exemplo, do Centro Europeu da Dieta Atlântica, que se projectava como a salvação da Casa do Outeiro e de que nunca mais se ouviu falar, para mal da Casa do Outeiro. Ou da possibilidade de passar para as mãos da autarquia a promoção turística do concelho, com o eventual fim da Região de Turismo do Alto Minho. Ou ainda do papel que a Câmara teve e terá no imbróglio directivo que afecta os bombeiros, da posição da autarquia face a uma futura instalação do aterro sanitário do Vale do Minho em terras de Coura, ou mesmo da sua posição, enquanto autarca, face à regionalização, que volta a estar na ordem dia.
Mas optou por não falar disto. Resta-nos aguardar por mais um aniversário do Notícias de Coura para ver se temos sorte e estes assuntos vêm à baila. É que nestas coisas, como diz Pereira Júnior, não se pode ter pressa.

25 junho 2007

O local certo

O cartaz da festa do próximo fim de semana e da do fim de semana seguinte. A convocatória para mais uma assembleia geral do Courense. Os saldos da loja ali da esquina. O que é que têm em comum todos estas coisas? O facto de estarem espalhadas por várias paredes da vila, dando-lhe assim um aspecto mais cosmopolita (e também mais sujo). Não deixa de ser engraçado, contudo, verificar que, mesmo sem nada que o diga, os locais para a colocação de todo o tipo de cartazes e informações várias, são praticamente assumidos por quem os cola e também por quem os lê. São o local habitual para divulgar o que quer que seja.
Veja-se, por exemplo, aquela parede ali junto ao restaurante Furão. Lá podemos encontrar todo o tipo de informações mais ou menos relevantes. Até editais camarários ali temos de vez em quando, como que a atestar que realmente aquele é o melhor local para colocar qualquer tipo de informação. O mesmo se passa com diversas portas e janelas de edifícios ao longo da rua Conselho Miguel Dantas, que normalmente não servem para mais nada do que para... colar cartazes.
Mas quem cola os cartazes está atento a novas localizações e por isso nem mesmo a paragem de autocarros junto à entrada do parque de estacionamento subterrâneo do Largo 5 de Outubro escapa à força da divulgação cultural, comercial ou seja lá o que for. E o que pretendia ser um equipamento urbano moderno e funcional (será?) acaba por transformar-se em mais uma parede para colar catazes.
Dito isto eu pergunto: será que não ficaria melhor, em termos estéticos, funcionais e outros que tais, a Junta de Freguesia de Paredes de Coura investir em meia dúzia de "mupies" e colocá-los à disposição das entidades organizadores para a colocação de cartazes? Ou, melhor ainda e tendo em conta que este cenário não é exclusivo da vila, o ideal seria a Câmara Municipal fazer o mesmo em todas as freguesias do concelho, criando espaços que tanto poderiam servir as várias comissões de festas e associações culturais, como os próprios serviços camarários, que tinham desta forma um meio de divulgação em cada freguesia. Fica a ideia.

20 junho 2007

Marcar na agenda

Finalmente parece que alguém no Ministério do Ambiente descobriu que existe um Centro de Educação e Interpretação Ambiental no Corno de Bico. Ou se calhar descobriu apenas que existe Paredes de Coura, mas isso não interessa. O que interessa é que alguém está disponível para inaugurar o CEIA, quase um ano depois da obra concluída.
A honra (o prazer e a glória?) vai estar a cargo do próprio ministro, Nunes Correia, que lá arranjou um buraquinho na agenda para vir até cá acima. Se calhar ainda vai descobrir que o buraco foi feito por alguma traça mais faminta e desmarca em cima da hora, mas vamos esperar até ao próximo dia 1 de Julho, a data apontada para cortar a fita, para ver o que acontece. Já agora, e por falar em cortar a fita, acho que na lápide que certamente vai assinalar o acto inaugural deveria constar a seguinte inscrição: "inaugurado por Lisboa a 1 de Julho de 2007, mas a funcionar em pleno, com sucesso e sem precisar de qualquer ministro, desde 2 de Janeiro do mesmo ano". É um bocado comprido, mas não ficava mal.
Mais importante que a visita inaugural do ministro é, certamente, o evento que ali vai decorrer já na próxima sexta-feira à noite. Uma iniciativa que promete levar os visitantes numa viagem ao tempo dos Celtas e que está a ser desenvolvida por alunos e professores de Paredes de Coura. Isso sim, a merecer o aplauso de qualquer ministro.

19 junho 2007

Coura 4x4

Venha a Coura, traga o seu jipe, parece ser o novo lema do turismo em terras de Paredes de Coura. Os principais acessos ao concelho, à vila principalmente, estão literalmente esventrados e quem paga… somos todos nós que temos de utilizar aquelas estradas.
E os responsáveis quem são? Apenas dois: a Câmara Municipal e a Águas do Minho e Lima. Já se sabe que a primeira vai argumentar com o mau tempo para justificar o atraso na obra da nova variante à entrada da vila, se bem que um atraso de quase um ano não é de todo justificável. Mas nem sequer o mau tempo justifica o estado em que está a zona de Mantelães, onde a variante vai ligar à estrada nacional e onde, há algumas semanas, resolveram substituir a estrada por um caminho de terra sem criar uma alternativa para desviar o trânsito. Se até chegar o alcatrão ainda demorava, porque raio é que resolveram subir a estrada tão cedo?
Já a Águas do Minho e Lima parece não ter desculpa possível. Argumentará, como seria de esperar, com o “preço do progresso”, já que as estradas estão como estão por causa das obras do saneamento, mas o certo é que o problema não é de agora e nem sequer é exclusivo de Paredes de Coura. Vários outros municípios do distrito já se queixaram da forma de trabalhar daquela entidade, que esburaca as vias e deixa-as assim, esburacadas, durante longo tempo, mesmo após ter realizado todos os trabalhos. Veja-se o caso de Ponte de Lima, que teve as estradas destruídas durante meses.
Por tudo isto, será legítimo pensar que quem vem a Coura e se depara com um cenário destes, ainda para mais com as chuvas das últimas semanas, fica com pouca vontade de cá voltar. A não ser que venha de jipe e opte por fazer uma prova TT nessas picadas improvisadas. A nós, que não temos jipes e que não temos outro remédio que não seja utilizar esses acessos, resta-nos raspar a lama dos carros e rezar para que, entre um buraco, uma lomba e uma vala, a suspensão consiga resistir. Há até já quem diga, em jeito de brincadeira, que, a continuar assim, a Câmara não vai ter dinheiro para apoiar o aumento da natalidade, porque o vai gastar todo a pagar o conserto dos veículos dos munícipes.