
10 outubro 2008
08 outubro 2008
Prioridades
De uma assentada só ficamos a saber que., dinheiro para concluir o centro de dia daquela freguesia, não há e pode não haver tão cedo. As obras estão paradas no tempo há vários anos e, à falta de verba para se concluir aquele projecto social, o que foi feito está para ali ao abandono. Faltam 150 mil euros. Mais algum tempo e se calhar nem aquilo que foi feito se aproveitará, e então faltará, talvez, muito mais.
Mas o leitor desce na página e, sobre a mesma freguesia, outra notícia dá conta de que os novos balneários do polidesportivo local estão quase prontos. Um investimento de cerca de 42 mil euros, garantem. Não são 150 mil, mas perto de um terço desse valor, que se fosse utilizado nas obras do centro de dia poderia ter dado novo alento ao chamado “elefante branco” de Romarigães. Mas se calhar a prioridade não passa por aí.
Veja-se, por exemplo, o que acontece actualmente em Bico, com as comunidades paroquiais de Bico, Cristelo e Vascões a unirem esforços para levar a bom porto a concretização de um sonho antigo do seu pároco: a construção de um lar de idosos. Em Romarigães, e infelizmente em muitas outras localidades, parece que só se fala de união de esforços quando se tem uma bola no meio. Há que usar os balneários, pois então, e pensar que um dia, quando os jogadores forem mais velhos, alguém já terá resolvido o problema da falta de dinheiro para o centro de dia.
07 outubro 2008
O Portal
Finalmente o município de Paredes de Coura dispõe de uma Página (propositadamente com P maiúsculo) na Internet. O novo portal ficou online na semana passada e foi construído com parte dos seis milhões de euros que a comunidade intermunicipal do Vale do Minho investiu num projecto digital que pretende aumentar a competitividade e atractividade desta região.Objectivos demasiados elevados? Provavelmente… se olharmos de forma isolada para este projecto, mas se virmos o seu conjunto, ou seja se juntarmos ao portal em si o facto de ir permitir uma ligação online entre as juntas de freguesia e a câmara municipal, em banda larga, e metermos no mesmo pacote também a ligação de fibra óptica que vai unir os concelhos do Alto Minho, então já estamos a falar de um projecto que trará certamente valor acrescentado para esta região.
O novo portal do município oferece, logo à partida, a possibilidade de os munícipes terem acesso a um conjunto de serviços prestados pela autarquia e que, se ontem estavam acessíveis apenas a quem se deslocasse aos Paços do Concelho, hoje podem ser obtidos online com relativa facilidade. Pedir uma planta de localização online ou consultar, através do portal, quais as condicionantes impostas pelo PDM para determinada área, são algumas das operações que podem ser feitas à distância de um click.
É claro que tudo isto só faz sentido enquanto funcionar, e por funcionar entenda-se enquanto existe manutenção. Não pode acontecer, como aconteceu com os dois websites anteriores da autarquia, que uma acta de uma reunião de Câmara demore três meses a ser colocada online ou que a actualização da página se resuma à alteração mensal das actividades em agenda. Outro aspecto a ter em conta é a formação, principalmente dos agentes na Câmara e nas juntas de freguesia, de forma a retirar o maior proveito possível desta revolução digital que se avizinha.
01 outubro 2008
As contas de carrossel
Pretendia Venâncio Fernandes mostrar que também Paredes de Coura teria a ganhar com uma postura de redução de impostos, nomeadamente a aplicação da taxa mínima do IMI, a descida da derrama e o abdicar, por parte do município, dos cinco por cento do IRS a que tem direito. No seguimento, aliás, do que já tenho defendido aqui no Mais pelo Minho. O deputado municipal do PSD questionou, e bem, o que é que o concelho tem para oferecer às pessoas que aqui se queiram fixar, ou ainda o que é que levaria as empresas a optar por Paredes de Coura para aqui fazerem os seus investimentos.
Mas Venâncio Fernandes perdeu-se quando enveredou por aquilo que a oposição haveria de apelidar de “contas de carrossel”, ou seja quando tentou explicar que, reduzindo a cobrança de impostos, a Câmara estaria a promover um maior investimento dos courenses no concelho que, com mais dinheiro no bolso, gastariam mais no concelho, o que poderia levar à criação de mais postos de trabalho, o que por seu turno originaria maior receita fiscal para o município. Esclarecido? Pois… nem por isso.
Numa coisa, contudo, o social-democrata não deixa de ter razão, ou seja na falta de atractivos do concelho. “Temos pouca oferta de emprego, más acessibilidades e impostos acima da média dos concelhos limítrofes”, explicou. Mas criou a sensação de que não sabia do que falava quando referiu que a Câmara podia baixar o IMI para o mínimo imposto pelo Governo de 0,2%, quando o próprio presidente garantia que o mínimo era de 0,3%, logo muito próximo dos 0,35% cobrados este ano e a cobrar no próximo. Curiosamente, Venâncio Fernandes explicou que o valor que tinha se baseava na informação da página da DGCI e, confirma-se, na referida página é esse valor mínimo que o Fisco apresenta.
Já em relação aos valores que os courenses iriam poupar caso a Câmara abdicasse da sua quota parte no IRS dos trabalhadores… bem, é melhor não confiar muito nos seus números, pois dá-me a impressão que estava a confundir 5% do valor dos salários com os, efectivos, 5% por cento do valor do imposto cobrado. Uma confusão que até se lhe perdoa, especialmente tendo em conta que até o próprio presidente da Câmara admite não saber o valor que representa essa colecta para o município.
30 setembro 2008
Lombas do desassossego
Assim, tendo em conta as explicações dadas por Pereira Júnior, ficámos a saber que as lombas foram retiradas porque… estavam a provocar danos numa casa situada ao lado do cruzamento, que já apresentava várias rachadelas originadas pela vibração das lombas quando, principalmente durante a noite, os veículos mais pesados passavam a alta velocidade. Vai daí a autarquia decidiu retirar as lombas e pintar no pavimento os riscos que hoje lá podemos ver, acabando com a vibração e com o ruído, que também já tinha motivado algumas queixas, como adiantou o presidente da Câmara.
Foram-se, então, as lombas, mas o cruzamento permanece e, como referiu Paula Caldas, é um cruzamento que “não tem visibilidade e que precisa de uma intervenção de fundo”. Ou de semáforos, acaba por referir Pereira Júnior que, apesar disso, explica que não quer colocar semáforos no centro da vila. Pois, mas com a actual sinalética, “é um perigo para qualquer pessoa”, disse ainda Paula Caldas, acrescentando que “vale mais a vida das pessoas que o barulho”.
Já agora, e pegando na questão do barulho, de referir também que, de acordo com o Câmara Municipal, algumas queixas do barulho terão vindo da residencial mesmo ali ao lado. E, pergunto eu, a autarquia ao atender a esse pedido e retirar as lombas, esqueceu-se da discoteca que funciona madrugada adentro por debaixo da residencial?
23 setembro 2008
A hora de contar os tostões
Por cá, também já por diversas vezes o assunto veio à baila. Se calhar, quem nos governa neste recanto alto-minhoto até já decidiu poupar a carteira dos courenses no próximo ano. Se o fez, contudo, guardou segredo bem guardado.
Se calhar, no mesmo pacote promocional, também já incluíram a diminuição do IMI. Aqui à volta, já praticamente todos os municípios o fizeram. Só faltamos nós? Provavelmente. Ou se calhar até não. É esperar para ver.
O tempo é de acertar agulhas para adivinhar os números que vão fazer o orçamento municipal de 2009. E Paredes de Coura não é excepção. Nem Braga, que resolveu chamar os munícipes a contribuir para a elaboração das grandes opções do plano da autarquia para o próximo ano.
E estão, virtualmente, todos convidados a dar o seu contributo. Além de reuniões com diversos sectores do concelho, do associativismo à educação, passando pelos jovens e reformados. E por todos os cidadãos, se formos a ver, porque todos podem participar através de uma página criada na Internet especificamente para esse efeito, onde, através da resposta a um inquérito, os munícipes identificam as principais áreas onde deve incidir a actuação da autarquia. Servirá de exemplo?
20 setembro 2008
A província e o país real
No meu tempo de escola tínhamos as províncias, sim. Do Minho ao Algarve, passando pelas Beiras e pelo Ribatejo, sem esquecer a Estremadura, onde se situava Lisboa, a capital do país. Logo, pela lógica, também Lisboa estaria na província. Enfim, nunca foi coisa capaz de me gerar trauma, mas sempre que ouvia alguém dizer que em Lisboa era assim, na província era assado, não sei porquê ficava com a sensação de que me estavam a insultar.
E foi o que aconteceu esta noite. Não tenho por hábito assistir ao Programa do Provedor, na RTP, que dá conta das queixas dos telespectadores, mas ontem não cheguei a tempo ao comando e mal ouvi a introdução do tema desisti de mudar de canal: afinal sempre queria ver tamanha estupidez. E por tamanha estupidez não me refiro ao programa, mas sim às queixas que alguns cidadãos, de Lisboa entenda-se, tinham em relação ao programa “Liga dos Últimos”, daquela estação. Em causa estava, simplesmente, o facto do programa, que retrata as vivências do futebol distrital, mostrar um Portugal que não interessa, aos queixosos, ou melhor algumas personagens que existem no futebol distrital e que, pelas queixas apresentadas, dão má imagem do país. A província também tem coisas boas, diria a determinada altura um dos queixosos que não gostou de ver o pitoresco de algumas figuras que povoam os meandros do desporto local e regional e que, queira-se ou não, existem um pouco por todo o lado, mesmo fora do desporto.
Qual é a cidade, a vila ou a aldeia que não tem a sua figura típica? Aquela que todos conhecem, mais não seja de nome, pelo seu comportamento peculiar, pela forma como se veste, como vive e que quase sempre é querida pelo resto da população? Mas, para os senhores de Lisboa, dá uma má imagem do país. Pois, até são capazes de ter razão, mas esquecem-se que o país real não tem só doutores e engenheiros. No país real também há personagens pitorescas. E, pior, também há “pensadores” de Lisboa. Incluindo muitos que se esquecem que têm as suas raízes… na província.
19 setembro 2008
Passagem administrativa
Pois é, ou pelo menos assim parece. A cerimónia decorreu com pompa e circunstância, não obstante as críticas de que os autarcas do PS foram pressionados a assinar o acordo pelo Governo socialista, mas dias depois chega-me às mãos o edital da próxima Assembleia Municipal de Paredes de Coura e na ordem de trabalhos lá surge, precisamente, a apreciação, discussão e ratificação do contrato de execução de transferência de competências para os municípios em matérias de Educação.
Mas, o município não deu já o seu acordo? Não assinou o protocolo com o Ministério da Educação? Ou será que se comprometeu com o Governo sem esperar pelo aval da Assembleia Municipal, órgão que, supostamente, deveria fiscalizar e sancionar a actividade da Câmara Municipal?
É certo que, teoricamente, a maioria socialista na Assembleia Municipal dá algum conforto ao executivo camarário, praticamente garantindo a ratificação do acordo entre o município e o Ministério. Mas, se no campo da teoria isso é assim, no campo da prática ficava muito melhor a Câmara esperar pela decisão da Assembleia antes de avançar de caneta em riste. É que, se por acaso algo corresse mal, não teria de evitar o chumbo com alguma passagem administrativa.
17 setembro 2008
Ensino municipalizado
Na prática, apenas passaram para a alçada do município as instalações da Escola EB 2.3/S, na Volta da Quinta, pois os edifícios dos jardins de infância da rede pública e a escola básica já estavam sob responsabilidade da autarquia. O passo de gigante terá sido a passagem da tutela de todos os funcionários não docentes para a gestão da câmara municipal, alargando o número de funcionários municipais e eventualmente transformando o município no maior empregador do concelho.
Curiosamente, a transferência de competências surge precisamente um dia após o anúncio do Ministério da Educação de que existem cerca de cinco mil funcionários a mais nas escolas portuguesas. Em Paredes de Coura contudo, a opinião generalizada é de que faltam funcionários não docentes, especialmente na escola básica integrada, que reúne a totalidade dos alunos do 1º ciclo do concelho. Espera-se, por isso, que este assumir de responsabilidades por parte da câmara de Paredes de Coura se traduza num efectivo reforço dos recursos humanos daquele estabelecimento de ensino.
Esperam-se ainda obras de reabilitação das instalações da EB 2.3/S, que há muito as pede mas que o Ministério da Educação tem protelado e que terá assegurado agora na passagem do testemunho. Aliás, ao olhar para os planos da autarquia no que à Educação diz respeito, aquele conjunto de edifícios é o único que destoa, num cenário onde já existe a escola básica inaugurada há quatro anos e para onde está programada, no âmbito da reformulação da rede, a construção de quatro novos jardins infância que vão agrupar todas crianças do pré-escolar no concelho e cujos trabalhos devem iniciar-se ainda este ano lectivo.
É claro que tudo isto depende também de uma estreita colaboração entre a entidade gestora do parque escolar e a entidade responsável pela parte pedagógica. A crer que as relações entre ambas vão continuar da melhor forma, o cenário é animador.
14 setembro 2008
Ironia a nove vozes?
Viana do Castelo é o único concelho do distrito cujo presidente da Câmara faz “finca pé” de não aderir à comunidade a dez vozes. De tal forma que, para adiar a decisão, decidiu colocar a questão a referendo dos eleitores vianenses e, como bom zelador dos interesses do seu concelho, já anunciou que se o sim ganhar ele se demite. Curiosamente, no dia em que o executivo vianense aprovou o teor da longa questão que vai colocar aos eleitores, os presidentes dos outros nove concelhos do distrito resolveram, eventualmente num exercício de futurologia, colocar a sede da nova associação de municípios naquele concelho, com delegações em Valença e Ponte de Lima.
Justificação: porque Viana é a capital do distrito, mesmo que esse distrito não esteja, ainda, unido em torno de um ideal comum. É claro que pode sempre pensar-se que a escolha de Viana do Castelo também serve como elemento de pressão junto dos eleitores daquele concelho, que desta forma vêem a nova associação de municípios como uma entidade que lhes está mais próxima. Lá terá Defensor Moura que se esforçar na campanha para aquele se será o primeiro referendo realizado a nível concelhio. Curiosamente o primeiro referendo de carácter local foi levado a cabo também em Viana do Castelo, mais concretamente na freguesia de Serreleis, para decidir onde seria construído o novo campo de jogos da freguesia. Desta vez, porém, o local da coisa já está decidido.
13 setembro 2008
Rumo ao futuro
O Governo fez renascer o Dia do Diploma, num exercício que lembrou algum revivalismo desnecessário de outros tempos. Polémicas à parte, trata-se de uma forma de dar mais solenidade ao final de um ciclo: o fim do ensino secundário. Paredes de Coura não foi excepção e, ontem à noite, o Centro Cultural recebeu a cerimónia de entrega de diplomas aos alunos que acabaram o ensino secundário no ano lectivo 2007/2008.11 setembro 2008
AMI recolhe óleos usados... mas não por cá
Mas nem sequer volto a sugerir que a Câmara de Paredes de Coura tome posição idêntica: volto a falar no assunto porque agora ele tem uma dupla boa finalidade. É que agora, a AMI – Assistência Médica Internacional está a promover uma campanha que, por um lado, visa ajudar o ambiente, mas por outro lado irá também levar algum alento aos cofres daquela entidade. A campanha, que visa a recolha de óleos alimentares usados, que na maior parte das vezes são despejados nos sistemas municipais de esgotos, vai permitir a produção de biodiesel. Além disso, cada litro de óleo reverterá num donativo para ajudar a AMI, nomeadamente na luta contra a exclusão social no nosso país.
O sistema é, aparentemente simples. A AMI estabeleceu, com uma série de entidades, com destaque para os restaurantes e escolas, protocolos através dos quais esses parceiros se disponibilizam, por um lado a entregar o óleo que também eles utilizam, mas, mais importante, para receber os óleos alimentares usados por particulares que, preocupados com a questão ambiental, ali se queiram desfazer deles.
A lista de entidades aderentes é extensa mas, infelizmente, não inclui nenhum posto de recolha em Paredes de Coura. Por isso, quem no concelho quiser participar terá de se dirigir a Valença, Vila Nova de Cerveira ou Ponte de Lima, por exemplo. Ou ainda a Monção onde, curiosamente, o pólo local da EPRAMI é apontado como um dos parceiros da AMI nesta iniciativa. Mas, se a EPRAMI é a mesma que temos por cá, porque é que o pólo de Paredes de Coura não abre também as portas a esta acção de solidariedade ambiental e social?
08 setembro 2008
A outra metade
De Vimioso a Alcoutim, quatro exemplos de como se vive num pais que, na maior parte das vezes, parece esquecido pelo poder central em Lisboa. E ao ver a reportagem dei por mim a ver… Paredes de Coura, pois todos eles eram concelhos com uma grande área mas reduzida população onde se destaca a falta de oportunidades de trabalho para os jovens, já para não falar dos menos jovens.
Mas ao mesmo tempo são municípios que não baixaram os braços perante a dura realidade e que oferecem equipamentos sociais e culturais dignos de qualquer cidade do litoral, quando não mesmo melhores. Concelhos que, porventura abrindo mão de dinheiros que poderiam ser utilizados noutras áreas, oferecem incentivos à natalidade e à fixação dos habitantes e que disponibilizam terrenos a preço simbólico para a construção de habitação ou, mais importante, para atrair empresas para aquelas zonas. Nada que já não tenhamos ouvido antes aqui por Coura.
E da reportagem ressaltavam duas coisas. Por um lado a constatação, especialmente pelos de fora mas também por quem residia naqueles concelhos, de que usufruem de uma qualidade de vida superior à do Litoral mais povoado. Mas, como dizia uma das intervenientes na peça, “ haverá qualidade de vida sem emprego, sem oportunidades?”. Por outro lado, os autarcas foram unânimes em considerar que, apesar de todos os benefícios que atribuem aos seus munícipes, quer para incentivar a natalidade quer para atrair investimento e postos de trabalho, a solução do problema daqueles concelhos, um dos quais com apenas seis nascimentos registados no corrente ano, o principal está ainda por fazer e depende… do Governo. Se o Governo continuar a não olhar para a outra metade, de que vale o esforço dos autarcas para fazer parte de um único país?
05 setembro 2008
Vem aí o "Papão"
O outlet de Tui promete descontos que variam entre os 30 e os 80 por cento, IVA mais baixo que o português e um posto de abastecimento de combustíveis. E a julgar pelos dois pisos subterrâneos de estacionamento está a contar com muitos visitantes, quer portugueses, quer espanhóis. Muito provavelmente os mesmos portugueses e espanhóis que têm dado dinheiro a ganhar aos comerciantes de Valença que, agora, com o lobo ali já dentro do curral é que se preocupam em reforçar a vedação.
Casa roubada, trancas à porta. O velho ditado continua actual, basta ver que os comerciantes de Valença, e a própria União Empresarial do Vale do Minho, estão a reagir ao retardador, quando deviam ter prevenido a fuga dos muitos euros para o lado de lá da fronteira. Durante anos foi um “fartar vilanagem” em que bastava abrir uma qualquer loja num qualquer vão de escada para ganhar dinheiro à custa dos turistas. Roupa, atoalhados, louças faziam as delícias de quem visitava a fortaleza e arredores e ali esvaziava a carteira e nem sequer era preciso publicidade. Havia lá coisa melhor?
Pelos vistos pode haver. É que o comércio valenciano assustou-se com o investimento ali mesmo ao lado e deve ter pensado que, se calhar, estava na hora de fazer alguma coisa pela dinamização do comércio tradicional naquela vila, alguma coisa que atraísse os clientes mesmo quando a concorrência surgisse. E só agora, que vêm que o chão lhes pode fugir debaixo dos pés, é que se preocupam, numa atitude tipicamente portuguesa. Brincadeiras à parte, é mais que certo que, mesmo não se dirigindo ao mesmo público-alvo, o novo outlet de Tui vai mexer, e de que maneira, com o comércio local de Valença. É que, se por um lado se arriscam a perder clientes para o lado de lá, por outro lado também correm o risco de perder funcionários já que, a fazer fé no que dizem os jornais, os salários no espaço comercial de Tui são mais do dobro do que se ganha por Valença.
02 setembro 2008
O lixo que nos enfeita as bermas
É uma situação que, além de ilegal, é causadora de uma má imagem que nos fica colada, de tal forma que, já não é a primeira vez, há pessoas de fora do concelho que vêm de propósito depositar o seu entulho em terras de Coura. Mas por cá também há quem o faça. E depois quem fica com o lixo somos todos nós, que aqui vivemos e que vemos as nossas bermas pejadas de “monstros” que, com um simples telefonema, estariam no aterro intermunicipal.
É um problema de mentalidade, é certo, mais do que de qualquer falta de fiscalização. Ainda assim, penso que a fiscalização poderia ser mais apertada, e sem grande trabalho, nomeadamente no que respeita aos entulhos e detritos provenientes de obras de construção civil. A sugestão, inclusivamente, já foi feita aos responsáveis camarários e passa pela criação de um espaço, no concelho, ou fora dele para servir vários municípios, onde seriam depositados esses materiais.
A fiscalização surgiria depois, feita pelos serviços municipais, que ao emitirem uma licença de obras ou de construção poderiam depois, ao fiscalizar a obra no local e sabendo de antemão se foram ou não produzidos desaterros, questionar o proprietário sobre o destino que foi dado a eventuais detritos. A sugestão, como disse, já surgiu numa reunião da Agenda 21 Local e pode não passar disso mesmo, de uma sugestão. Mas, e se fosse mais que isso?
23 agosto 2008
Para onde foram?
E subitamente, na véspera das festas do concelho, eis que desaparecem! Acção divina? Acção criminosa? Afinal, a quem se deve a retirada das lombas no cruzamento junto ao quartel dos Bombeiros de Paredes de Coura?Não querendo meter a foice em seara alheia, atrevo-me a dizer que entre mão divina ou mão criminosa, nenhuma das duas. Primeiro, porque quero crer que as forças divinas tem mais em que pensar do que nas lombas de Coura. E em segundo lugar porque, apesar do roubo de sinais de trânsito estar em alta, não consta que as lombas sejam feitas com o alumínio que os criminosos procuram neste tipo de furtos.
Ora, a ser assim, resta uma explicação: as lombas foram retiradas a mando da Câmara Municipal. A mesma Câmara Municipal que as mandou lá colocar em Janeiro do ano passado. No seu lugar surgiram umas marcações na estrada que, apesar de bem visíveis, em nada ajudam a reduzir a velocidade dos automóveis que por ali circulam ou a aumentar a segurança daquele cruzamento, provavelmente o mais movimentado da vila.
O porquê de se ter voltado atrás é que, à falta de explicação da autarquia, pode causar estranheza. É que, recorde-se, as lombas foram pedidas em Dezembro de 2006 por Paula Caldas, na Assembleia Municipal. Na altura Pereira Júnior explicou à social-democrata que, dada a localização do cruzamento, junto aos bombeiros, era ilegal colocar ali lombas. Tudo bem, mas dois meses depois eis que as lombas surgem na estrada, como se nada se tivesse passado, dando resposta ao pedido de Paula Caldas. Como parecia ter acontecido antes, com a instalação dos parcómetros na vila. Primeiro Paula Caldas sugeriu, a Assembleia rejeitou e meses depois a Câmara avança com o estacionamento pago à superfície.
Mas agora, com a retirada das lombas pedidas pela social-democrata, primeiro negadas, depois oferecidas, eis que pergunto: será que a eventual influência de Paula Caldas nas decisões da autarquia tem prazo de validade e já expirou? E se assim for, será que o próximo passo é acabar com todos os parcómetros da vila?
21 agosto 2008
Meu querido mês de Agosto
Chega Agosto e com ele os muitos emigrantes que passam o ano a ganhar a vida lá fora, pelas franças e alemanhas desse mundo. A população do concelho quase duplica, garantiram-me num dos primeiros verões que por cá andei. E assim parece. As matrículas dos carros não deixam margem para dúvida e se dúvidas houvesse bastava uma ida a uma qualquer romaria das muitas que pululam por Terras de Coura durante este mês para escutar a mistura de sotaques, o português afrancesado (ou será o francês aportuguesado) e ter a certeza: estamos no mês-rei dos emigrantes.
Mas Agosto chega ao fim, e neste caso o fim de Agosto chega logo após o dia 15. É público e notório que, passado o meio do mês, a presença emigrante diminui sobremaneira. O tempo do mês inteiro de férias já lá vai, que agora são duas, três semanas e toca a andar., Não dá para mais, explicam, com um aperto no coração. É que, acrescentam, aquilo lá fora dá muito dinheiro, mas não é como a nossa terra.
“Lá temos o nosso corpo, aqui o nosso coração”. Assim mesmo, dito desta maneira, por um courense emigrado há mais de 40 anos em França, lá para as bandas de Clermond-Ferrand que encontrei por acaso na sala de espera do dentista e que, mesmo não me conhecendo de lado algum, não hesitou em partilhar comigo a sua alegria por regressar a Portugal, à sua Castanheira, uma vez no ano. “Ai e isto está tão lindo, cada vez mais”, acrescenta, enquanto não chega a sua vez. E fala das estradas que o sr. presidente mandou arranjar para se chegar mais facilmente à vila, mas também dos buracos que deixou por tapar nas ruas de Castanheira e das pedras que podiam ter cortado para alargar as estradas.Fala com o conhecimento de quem está por Coura há pouco mais de duas semanas e todos os dias pega no velho carro que trouxe de França há vários anos e que fica por cá todo o ano, para dar uma voltinha pelo concelho. A descobrir coisas novas todos os dias, garante. Coisas que vê com os olhos de quem tem apenas três semanas para consumir tudo o que o concelho tem para lhe oferecer, para durar mais um ano lá fora, nas recordações. Já passa do dia 15, está na hora de voltar. Só mais um dia e há que se fazer à estrada, com mulher, filho, nora e dois netos. Desejo-lhe boa viagem. E bom regresso no próximo Agosto, para mais um percurso pelas novidades da terra
13 agosto 2008
Orgulhosamente sós
Até ontem poderia ter em Daniel Campelo e em Ponte de Lima um aliado (como se fosse possível!), mas a unanimidade com que a Câmara limiana aprovou ontem a adesão à comunidade que deveria reunir os dez concelhos do distrito deixou-o isolado. Cada vez mais… Tudo porque quer fazer valer a máxima: um homem, um voto, que daria, obviamente, mais poder aos municípios mais povoados, precisamente com Viana do Castelo à cabeça.
Não é tolo, não senhor, mas também não deixa de ter alguma razão. Contudo, quando se trata de unificar o distrito na tentativa de canalizar o máximo de apoios da Europa, não será essa uma questão de segundo plano? Se o objectivo de concorrer aos fundos de Bruxelas é, precisamente, corrigir algumas deficiências sentidas por esta região, por este distrito, não seria essa forma de gestão de uma comunidade a dez mais um agravar do fosso existente entre os grandes concelhos do distrito, nomeadamente o eixo Arcos de Valdevez/Ponte de Lima/Viana do Castelo, e os concelhos do interior, mais isolados e também mais necessitados?
Defensor Moura diz que aguarda a publicação da Lei que vai regular estas comunidades de municípios para levar o assunto a referendo popular. E se o referendo se pronunciar pelo Sim à integração da comunidade a dez, será que Defensor Moura vai acatar a decisão dos munícipes? Ou será que, como parece acontecer no caso do Prédio Coutinho, só descansará quando a decisão tomada for do seu agrado?
11 agosto 2008
Silêncio e tanta gente
As notícias bem davam conta de que não teria havido foguetório nas festas do concelho, mas a organização trocou-lhes as voltas e o fogo sempre veio. A tragédia da Pirotecnia Minhota não estragou a edição de 2008 das Festas do Concelho.Uma edição que trouxe muita gente até à vila, se bem que as atracções… sejam as mesmas de sempre. Mas também, se com as mesmas coisas de sempre as pessoas afluem em grande número, para quê mudar? As farturas não faltaram, os carrosséis também não, para delírio dos mais pequenos e desgraça dos pais, assim como os vendedores ambulantes que saltam de feira em feira, com artigos vindos de vários pontos do globo… e da China também. E outras bancas onde não faltam as estreias do cinema já em DVD, as sapatilhas de marca a preço muito concorrencial e aqueles óculos escuros que vimos na montra de uma qualquer loja, mas a um décimo do preço. É aproveitar, é aproveitar! Enquanto o preço não sobe ou enquanto a GNR não chega (que a ASAE ainda demora), para confiscar os artigos contrafeitos.
Não faltou também a música e, mais uma vez ficou evidente que o folclore continua a ser rei das festas de Coura. O folclore e o cortejo luminoso, contrapõem logo alguns. Que sim, concordo eu, que também se encheu a vila para ver passar o desfile dos carros alegóricos, engalanados a preceito. Mas não será o próprio cortejo, também ele, um pouco do muito folclore que temos para mostrar por Terras de Coura? Fica a questão.
As festas só terminam mais logo, com folclore, que mais haveria de ser. Nova enchente do Largo Hintze Ribeiro? É esperar para ver. Mais música até altas horas, porque parece que em Coura, durante as Festas do Concelho, ninguém prega olho. É o rancho a dançar até às tantas, o conjunto musical até mais tarde ainda e o fogo de artifício, o tão desejado fogo. Não há festa que se preze que não aposte no foguetório, como se isso fosse o símbolo máximo do valor dos festejos, e não importa a hora a que rebentam, importa é a quantidade de foguetes e o barulho ensurdecedor. Seja a meio da manhã ou da tarde, seja às duas horas da madrugada. O povo gosta? O povo aguenta? O sono recupera-se para a semana...
08 agosto 2008
04 agosto 2008
Recordação do Festival de Paredes de Coura (2)
As declarações são de Pereira Júnior, presidente da Câmara Municipal de Paredes de Coura, inseridas numa peça jornalística que fala da influência que o festival tem no concelho, assunto já por demais debatido por terras de Coura. E entre opiniões favoráveis e outras contra a realização do festival, que também as há, lá vem a célebre referência ao movimento registado nos multibancos da vila durante os dias do festival (já agora, apenas uma máquina em todo o recinto do festival é coisa que não lembra a ninguém!).
A novidade está na declaração que abre este post, em que Pereira Júnior dá a entender que a notoriedade alcançada pelo festival abriu as portas a vários investimentos e apoios estatais na última década. Uma afirmação que, contudo, pode ter duas interpretação diferentes.
Por um lado, o presidente da Câmara corre o risco de ser mal interpretado quando dá a entender que os apoios estatais são concedidos mais em função da notoriedade de cada concelho do que do interesse público do investimento. É que já estou mesmo a ver o fiscalista Saldanha Sanches, conhecido pela sua “guerra” pessoal contra a corrupção nas autarquias, a dizer que assim não pode ser, que não pode haver beneficiados nesta coisas e que é preciso transparência. Teorias da conspiração que o homem tem…
Mas, por outro lado, ao ler isto podemos ficar a pensar que somos uns privilegiados, porque temos um trunfo que outros municípios não têm e que nos consegue mais investimento para a nossa terra. Mas depois temos de perguntar: então se é assim, porque raio é que demora tanto a via rápida de ligação à auto-estrada?
02 agosto 2008
Já alguém os viu por ai?
31 julho 2008
Fora do lugar
Acho que ninguém tem dúvidas que a Empresa de Transportes Courense não tem, há muito, condições para funcionar sem problemas no espaço que actualmente ocupa, na Rua Heróis do Ultramar. Não é de hoje, aliás, a intenção da Câmara Municipal de Paredes de Coura de transferir aquela empresa para a zona industrial de Formariz, libertando uma zona central da vila.As oficinas da “Empresa” ocupam um espaço privilegiado, que poderia ser colocado ao serviço de toda a população, dependendo do que a autarquia para ali terá planeado, mas o principal problema do funcionamento daquelas instalações na vila diz respeito aos estacionamento dos muitos autocarros que pernoitam na vila. Alguns ficam na central de camionagem, muito embora ali só devessem acostar para largar e apanhar passageiros, mas a maior parte dos veículos dorme em qualquer rua da vila.
Ultimamente, como documenta a fotografia, o espaço escolhido para alojar vários autocarros tem sido a Rua Aquilino Ribeiro, ali junto ao Museu Regional de Paredes de Coura. E é vê-los a ocupar praticamente todos os lugares de estacionamento de um e de outro da rua. Isto quando, por despacho da Câmara Municipal, datado de Novembro de 2006, determina que o estacionamento de veículos pesados naquela rua é permitido apenas no lado contrário ao museu. Ora, a ser assim, não há quem fiscalize? Ou será que não vale a pena fiscalizar.
O que sei é que o aglomerado de autocarros fica muito mal. Primeiro porque dá a ideia que o concelho não tem estruturas de coordenação de transportes, o que não é verdade. E depois, porque dá uma imagem de impunidade e de desorganização que, espera-se, também não corresponde à realidade. A pergunta, por isso, impõe-se: quando é que os autocarros da Courense arranjam um poiso em condições?
29 julho 2008
O dom da adivinhação

Já a segunda placa, por seu turno, apresenta-se não tão óbvia, como puderam testemunhar alguns feirantes no passado sábado. A placa informa que o estacionamento naquela zona não é permitido nos dias de feiras, mas, se para quem reside em Paredes de Coura as datas da feira quinzenal são mais ou menos conhecidas, e realço aqui o mais ou menos, já quem é de fora e está de passagem ou de visita, só sabe que é dia de feira quando se depara com ela. Ou então quando, ao dirigir-se para o local onde deixou o automóvel na véspera à noite, encontra uma feira ali montada… e a informação de que o seu carro foi rebocado para outro lugar.
Pois, coisas que acontecem a quem não tem obrigação de saber os dias em que há feira em Paredes de Coura. Mas, por outro lado, também não se afigura simples idealizar um sistema informativo que indique quais os dias em que efectivamente há feira na vila. O facto de ser quinzenal não permite, como noutras localidades, estipular a proibição de estacionamento num dia concreto da semana, ou no primeiro e terceira sábado de cada mês, por exemplo. Mas também não parece correcto rebocar, e eventualmente multar, quem ali estaciona sem esse conhecimento. Solução? Haverá outras certamente, mas a meu ver a mais simples seria vedar aquele espaço logo na véspera à noite. Deste modo evitava-se que algum carro ali pernoitasse em madrugada de feira e acordasse rodeado de tendas de roupa e calçado e com o reboque à espreita.
26 julho 2008
Uma casa muito grande
A proposta, recorde-se, surgiu nos finais de 2006, já lá vão quase dois anos, altura em que os actuais proprietários daquele imóvel localizado em pleno centro de Paredes de Coura, resolveram desfazer-se dele, provavelmente porque os encargos de conservação são demasiados elevados, adivinho eu. O certo é que, cientes do valor histórico/simbólico que a Quinta da Casa Grande têm para o concelho, tendo inclusivamente ocupado lugar de destaque naquela que já foi a zona mais nobre da vila, os proprietários comunicaram à autarquia a intenção de proceder à venda daquela casa, eventualmente pensando que a Câmara estaria disposta a adquirir o imóvel. Na altura, a Câmara de Paredes de Coura ficou de estudar a proposta, mas de então para cá nunca mais se ouviu falar do assunto. O que não será estranhar, agora que é conhecido o valor por que o imóvel está a ser vendido: quase dois milhões de euros…
Um milhão e oitocentos mil euros, para ser mais preciso, é quanto se pede para comprar a Quinta da Casa Grande, imóvel do século XVII que, além da casa principal conta ainda com muito terreno, numa área total que ronda os 19 mil metros quadrados. Ora se a Câmara está envidada, se inclusivamente está a desfazer-se de património habitacional que detém no concelho para fazer face a despesas de tesouraria, era mais que certo que não iria abrir mão de 1,8 milhões de euros para comprar um imóvel para o qual, apesar do valor simbólico, não teria qualquer ocupação definida.
Além de que, se porventura a Câmara resolvesse ficar com a Quinta da Casa Grande, corríamos o risco de passar a ter mais um elefante branco no concelho. Ou será que já se esqueceram dos projectos para a Casa do Outeiro, em Agualonga, ou para outros imóveis que a autarquia detém na vila e para os quais já foram apresentados vários projectos mas que até hoje… nada.
PS: foto retirada daqui.
25 julho 2008
23 julho 2008
Sai uma escada?
Os Bombeiros de Paredes de Coura receberam, praticamente de uma assentada e quase sem custos, seis viaturas para reforçar a frota da corporação. Ainda assim, há uma lacuna que fica por preencher: uma auto-escada.O concelho, nomeadamente a vila, dispõe já de várias construções em altura e, por isso, a auto-escada assume-se, creio eu, como uma mais valia a não dispensar. Aliás, recordo-me de um incêndio há alguns anos, num prédio com 4 andares acima do solo, em que foi preciso “desenrascar” uma escada de considerável tamanho para acudir às chamas pelo lado de fora.
A solução para esta falta da corporação courense pode passar, mais uma vez, pela sua congénere de Cenon. Ao que tudo indica, as boas relações iniciadas aquando da geminação entre Paredes de Coura e aquele município vizinho de Bordéus, que se traduziram já na oferta de duas ambulâncias e dois auto-tanques há algumas semanas, não se esgotaram naquele gesto de solidariedade e fala-se já na vinda para o nosso concelho de uma auto-escada, provavelmente ainda antes do final do ano.
Depois dos melhoramentos no quartel, e no corpo activo, da entrada de novos voluntários e do reforço da frota automóvel, este seria mais um passo em frente na renovação dos Bombeiros de Paredes de Coura. O lançamento das obras de ampliação do actual quartel, projecto que não terá ficado esquecido, só viria comprovar que a corporação courense está, cada vez mais, de boa saúde.
17 julho 2008
Boa vizinhança
O projecto, que visa sobretudo a zona urbana que os dois concelhos têm em contíguo, vai debruçar-se sobre a construção, políticas de ambiente, património cultural e acessibilidades, numa visão única sobre um espaço que, sendo dividido por dois territórios administrativos diferentes, é apenas um quando se fala de unidade populacional.
Com efeito, os núcleos urbanos de Arcos de Valdevez e Ponte da Barca tocam-se de tal maneira (quer em termos geográficos quer em aspectos sociais) que quem não conheça bem aquela zona dificilmente dá pela transição entre um e outro município. É, aliás, a dupla que me surge logo na ideia quando me falam em concentração de concelhos, assunto que esteve em destaque há uns meses, altura em que se chegou a discutir, em termos teóricos, a extinção de alguns municípios e, sobretudo, de freguesias.
Por outro lado, ao tomar conhecimento deste projecto de Ponte da Barca e Arcos de Valdevez, pioneiro mas que, estou certo, terá seguidores, não pude deixar de me lembrar das rivalidades que, não raras vezes, dominam a politica autárquica, quer seja entre concelhos vizinhos, quer mesmo entre freguesias de um mesmo concelho mas que, apesar de próximas geograficamente, parecem querer estar distantes quando se trata de discutir objectivos comuns. Os interesses são os mesmos, mas cada qual quer tratar deles à sua maneira. Resultado: acabam por não resolver nada.
16 julho 2008
Correio só para alguns
“O carteiro, o carteiro… e seu gato preto e branco!” É assim a letra da música da série infantil que todas as manhãs dá na RTP2 e que retrata o dia-a-dia do carteiro Paulo, dos correios britânicos, e de uma série de amigos de habitam a pequena vila onde Paulo distribui o correio. Por cá, mesmo sem gato preto e branco, também temos os nossos carteiros, igualmente em carrinhas vermelhas. Só o correio é que, muitas das vezes, é melhor distribuído nos desenhos animados da TV do que nas nossas ruas.Este tema, aliás, já por várias vezes foi abordado, na blogosfera e não só, por Eduardo Daniel Cerqueira, que lembrou a ausência de nomes de várias ruas na vila, situação que causa grandes dificuldades a quem distribui o correio e grandes dissabores a quem dele está à espera.
Mas, se na vila a situação é esta, nas freguesias é muito pior. Penso que, à excepção de Cossourado, nenhuma das freguesias de Paredes de Coura tem as casas numeradas, o que torna praticamente hercúleo o trabalho dos carteiros, especialmente quando estes são novos na zona ou no trabalho, como acontece normalmente nesta altura, com as férias de alguns funcionários.
Mas são também os carteiros, ou os Correios se quisermos ser mais precisos, que não ajudam a que o seu serviço seja facilitado. Veja-se o que acontece, por exemplo, nas zonas que, não sendo servidas directamente pelo carteiro, devido a dificuldades de acesso, dispõem daqueles “bricks” de caixas de correio, colocados em pontos estratégicos e onde os utentes daquele serviço recolhem o seu correio. Basta uma pequena volta pelo concelho para verificar que, em muitos locais, as caixas existentes são insuficientes para os moradores daquela zona. Ora, e eu pergunto: não é direito de cada um ter uma caixa onde receba o seu correio privado?
Além disso, na mesma voltinha pelo concelho, verificamos que muitas das caixas desses “bricks”, quando não os “bricks” inteiros, estão de tal forma em mau estado de conservação que em nada servem o carteiro ou o destinatário do correio. De que adianta, por exemplo, deixar o correio numa caixa que não tem porta? O mais certo é danificar-se com a chuva ou desaparecer com o vento ou com a ajuda de alguém que por ali passe. E não se julgue que falo apenas de actos de vandalismo ou coisa do género, que originaram os danos nas caixas do correio. Também os há, é certo, mas quando se pede uma caixa de correio num “brick” ao carteiro e este instala uma já sem porta… mais valia estar quietinho. Será que temos de voltar ao tempo, que ainda perdura em alguns lugares, em que o correio é depositado na mercearia da freguesia e depois todos os habitantes por lá passam para o levantar?
14 julho 2008
11 julho 2008
Praia é no Taboão (2)
Referia-se o meu amigo, cujo nome me comprometi a não revelar aqui, às recentes notícias sobre as eventuais descargas poluentes nas águas do Coura, por um lado, mas também às marcas que o Festival de Paredes de Coura deixa no Taboão todos os anos.
Com efeito, já não é a primeira vez, e suspeito que não será a última, que ouço alguém queixar-se do mau estado em que fica a relva da praia fluvial depois de quatro ou cinco dias de festival. Ainda há uns meses, em plena sessão da assembleia municipal, numa altura em que se discutia o apoio da Câmara à organização do festival, uma das poucas pessoas no público deixou escapar, em jeito de desabafo, que a praia fluvial ficava completamente estragada no pico do Verão, supostamente a altura do ano em que mais pessoas a procuram.
Em causa está não só o estado lastimável do relvado, justificado com a afluência de vários milhares de pessoas, mas também os impedimentos causados por todos os trabalhos pré e pós festival, que limitam o acesso e o uso pleno de tudo o que o Taboão teria para oferecer. Pequenos prejuízos em prol de um bem maior? É uma questão de interpretações, e a do meu amigo é que quem perde é quem cá fica. Eu… sugeri-lhe que aproveitasse a praia antes do final do mês.
Praia é no Taboão
E não são precisos grandes estudos de mercado para verificar isso mesmo. Basta um fim de semana de Verão com sol e calor para ver que os courenses preferem rumar a outras paragens, mais salgadas, em detrimento da relva e das águas frias do Taboão. Gostos não se discutem, é certo, mas também é certo que muitas vezes vamos para fora quando cá dentro temos ainda muito para descobrir, para usufruir. E a praia fluvial parece-me ser um desses casos.
Basta, como disse, passar por lá num qualquer fim de semana de Verão para verificar que são mais os de fora do que os Coura que por ali andam. Grupos organizados, excursões, que encontram naquele espaço, nos seus encantos naturais, atractivo suficiente para uma viagem. Ainda na semana passada um artigo publicado no Jornal de Notícias dava conta do poder de atracção que as praias fluviais têm exercido no turismo, trazendo mais pessoas ao interior do país.
A justificação, dizia a mesma notícia, poderia estar na qualidade das águas interiores, que registou uma grande melhoria nos últimos 15 anos. Além disso convém não esquecer que foi também neste período que muitos concelhos do interior, entre os quais Paredes de Coura, resolveram apostar na dinamização de espaços de lazer à beira rio, trazendo a praia para o meio das serranias.
Em Paredes de Coura, aliás, o trabalho da autarquia não tem parado nesse sentido, com constantes melhoramentos na zona envolvente da praia, de que é exemplo o arranjo dos parques de estacionamento no ano passado. Prevista está também a colocação de bancos e mesas que possibilitem às excursões que nos visitam a realização de piqueniques, muito embora até agora ainda não se tenha avançado nesse sentido.
E mais poderia ser feito, acrescento eu, se interesse e dinheiro, principalmente dinheiro, houvesse. Falo, por exemplo, de uma piscina ao ar livre, que permitisse aos courenses, e não só, usufruir de um equipamento que não existe no concelho e que, a ver pelo que acontece aqui ao lado, poderia ser um factor de fixação dos munícipes em dias de lazer. Veja-se o caso de Ponte de Lima e Vila Nova de Cerveira, dois concelhos mais próximos das praias oceânicas que o nosso e que, ainda assim, apostaram numa piscina, no caso de Ponte de Lima, e num parque de diversões onde a água assume papel de destaque, no caso de Vila Nova de Cerveira, que inaugurou no ano passado o Parque dos Castelinhos (na foto). Curiosamente, local onde, ao fim de semana, podemos encontrar muitos courenses.
08 julho 2008
Tomar banho de boca fechada
07 julho 2008
Ampliar
Em tempos idos, não muito longe diga-se de passagem, chegou a equacionar-se a mudança daqueles serviços para as instalações ocupadas pela, agora, falida Arminho, ali em Nogueira. Um cenário que pressupunha a mudança daquela empresa para a zona industrial de Formariz, para onde nunca chegou a instalar-se, muito embora não por falta de empenho da autarquia.
No entanto, o desejo, ou a necessidade, de ter instalações mais capazes de responder às solicitações dos serviços municipais, fez com que a situação não ficasse esquecida. De tal modo que agora se fala na mudança das oficinas da Câmara para a zona industrial de Castanheira, mais concretamente para as antigas instalações da Cerâmica Miracoura, outra empresa falida, esta há vários anos. Os dois pavilhões anteriormente ocupados por aquela empresa foram adquiridos pelo município em Abril passado, por 125 mil euros.
A ser verdade, trata-se de uma boa oportunidade que a autarquia não desperdiçou. Por um lado tem, de um dia para o outro, dois pavilhões já edificados que, com alguns melhoramentos, ficarão aptos a receber os serviços instalados nas actuais oficinas. Por outro lado, recorde-se que o município ocupava já um outro lote ao lado daquelas instalações, que servia de depósito de materiais, pelo que, na prática, ampliaria o espaço que já tem disponível na zona industrial de Castanheira.
Além disso, convém salientar que esta operação traria também benefícios aos funcionários do município que trabalham nas oficinas. É que, em Castanheira, se tudo for bem feito, encontrarão certamente melhores condições de trabalho.
01 julho 2008
Mais um prémio?
Serviço Público
26 junho 2008
Expresso para o fim do mundo
A Empresa de Transportes Courense prepara-se para acabar, já a partir da próxima semana, com a ligação diária ao expresso que, saindo de Valença, faz a ligação a Lisboa. Para quem sempre ouviu falar no Rapide e se habitou a ver os autocarros listados de azul e amarelo como um dos mais eficazes meios de ligação entre as origens e a comunidade courense na capital e arredores, esta é uma notícia que não augura nada de bom.As razões da decisão da Courense são conhecidas, e justificáveis: os passageiros oriundos e com destino a Paredes de Coura são cada vez menos, o que já não justificará a manutenção da única ligação ainda existente. Mas, em que situação ficarão aqueles, poucos admitimos, que ainda a utilizam? Ficam condenados a encontrar outra alternativa, seja o recurso a um táxi, seja a utilização de outro tipo de ligações que não o expresso da ETC.
A Câmara Municipal de Paredes de Coura vai, ainda, tentar demover a administração da Courense, à semelhança do que fez quando a empresa resolveu acabar com o serviço de transporte aos sábados, com a mesma justificação da falta de utentes. Na altura conseguiu-se que esse serviço fosse mantido nos sábados de feira, mas agora, com a conjuntura económica actual em que o preço dos combustíveis é mais volátil que o próprio combustível em si, teme-se que a decisão de acabar com a ligação ao expresso seja irreversível.
E, assim, lá ficamos cada vez mais isolados.
O esclarecimento
Catarina Moreira, representante comunista na AM courense não gostou que a sua ausência fosse comentada e na sessão da passada sexta-feira fez questão de pedir esclarecimentos ao presidente daquele órgão. É que, explicou, no dia 24 de Abril foi acometida de doença súbita, esteve no hospital até, e contactou telefonicamente o secretariado da mesa da assembleia a explicar o sucedido. E faltou à reunião.
O caso ficaria por aqui, não fosse tratar-se da sessão que era, onde os líderes dos vários partidos tomaram a palavra e onde, do lado do PCP houve silêncio, o que levou aos comentários, que Catarina Moreira diz ter ouvido fora da Assembleia… e de que não gostou. Porque, diz, tinha avisado a mesa e a mesa não terá explicado a situação aos presentes.
José Augusto Pacheco contrapôs e explicou que na acta vai a indicação de que a falta foi justificada, mas o que Catarina Moreira queria é que tivesse sido explicado aos restantes membros da Assembleia Municipal o porquê da sua ausência e, implicitamente, do PCP na reunião de 24 de Abril. A ideia que ficou foi que o partido terá “puxado as orelhas” ao PCP courense e que o esclarecimento de sexta-feira seria para atenuar as coisas. Mas pode ser só a minha impressão.
Certo, certo é que o PCP esteve ausente da mais simbólica reunião da AM. Catarina Moreira ainda explicou que tentou a sua substituição pelo segundo da lista, Arlindo Alves, mas que este estaria incontactável. Como ficou, também, o partido ao perder o reduzido tempo de antena de que goza na Assembleia.
25 junho 2008
Antecipação ou distracção?
O biscoito é nosso
A Câmara de Paredes de Coura, contudo, quis ir mais longe e, como se pode ler na edição de hoje do Jornal de Notícias, registou a marca “Biscoito de Milho de Coura” no Instituto Nacional de Propriedade Industrial. Ou seja, a partir de agora, o biscoito de milho é como a Coca Cola, tem marca registada.
O objectivo da autarquia courense, reza a notícia, é fiscalizar a produção deste biscoito caseiro, implementando critérios de qualidade e, acrescento eu, dando ao produto final uma imagem uniforme que o identifique com o concelho. O problema surge quando, como explica Pereira Júnior, a Câmara quer ser responsável por autorizar ou não o fabrico desse doce a quem o quiser produzir. É que, pelo que se vê, parece estarmos aqui perante um outro caso como o do Bolo Rei Escangalhado que se faz por Braga a arrabaldes e que, nos últimos anos, chegou mesmo a Tribunal, com uma pastelaria, que registou a patente do bolo, a querer impedir que outras a produzissem.
Ora, no caso do biscoito de milho de Coura, como o próprio presidente da Câmara de Coura reconhece, este é feito por várias pessoas, há muito tempo e com aquela designação. E agora, estas pessoas ficam impedidas de comercializar os biscoitos de milho nestas circunstâncias? Espero que não, porque a ser assim, está a tomar posse de um património que, sendo de Coura, não é, nem pode ser da autarquia.
24 junho 2008
23 junho 2008
Interdita. Outra vez...
20 junho 2008
Tecnologia sem serviço
Não será, porventura, devido a isto que pouca gente vai às reuniões, mas o certo é que a autarquia também não aposta muito na sua divulgação. Veja-se, por exemplo o que acontece no site da Câmara Municipal onde, na página respectiva, se podem consultar os editais da AM. Pois, mas acontece que o que lá está é o edital das deliberações da assembleia de 24 de Abril. Foi a última, pois então, mas se pensarmos que a convocatória nunca por lá apareceu, como não aparece a da reunião de hoje… fica-se a pensar para que serve.
Mas não é caso único. Na página ao lado, dedicada à Câmara Municipal, o cenário ainda é mais desolador, pois as actas das reuniões do executivo, com carácter quinzenal, estão de tal forma desactualizadas que a última diz respeito à reunião de 7 de Abril último, já lá vão mais de dois meses. Como presumo que não seja para esconder o que por lá se vai decidindo, não se percebe o porquê do site não estar mais actualizado!
Tenho para mim que é um desperdício das potencialidades tecnológicas que estão à disposição do município, e dos munícipes já agora. Ainda para mais quando, por outro lado, se procura dar à população livre trânsito no uso das novas tecnologias, de que são exemplo a rede Wi Fi na vila e a futura rede de fibra óptica que, até ao final do ano, vai ligar alguns pontos do concelho. Abre-se a casa às visitas, mas deixamo-las penduradas na entrada?
19 junho 2008
Socorro (2)
Apesar das dificuldades faladas no post anterior, há sempre uma mão amiga para dar a mão a quem não olha para o lado quando precisamos de uma mão. Que o digam os Bombeiros de Paredes de Coura que se preparam para receber mais quatro viaturas, duas ambulâncias e dois auto-tanques, numa oferta do município francês de Cenon.
São os primeiros reflexos da visita da comitiva courense àquela cidade, há duas semanas, com os bombeiros franceses a ficarem sensibilizados pela situação da corporação courense e a fazerem esta oferta, a troco do simbolismo de um euro.
Tratam-se de viaturas usadas, é certo, mas ainda assim em bom estado de conservação, pois as corporações francesas, à semelhança do que acontece noutros países, são obrigadas a renovar a frota periodicamente, independentemente da utilização dos veículos. Que venham, portanto, estes quatro “novos” veículos para os Bombeiros de Paredes de Coura, como já vieram outros, oferta de emigrantes courenses. Mesmo sem dinheiro para o combustível, são uma mais valia que pode fazer a diferença na actuação dos soldados da paz neste concelho.
Foto retirada daqui.
Socorro!
O pedido de ajuda dos bombeiros portugueses é, no mínimo, original, pois se é a eles que estamos habituados a recorrer quando precisamos, precisamente, de socorro. Mas é também uma acção que só vem pôr ainda mais a descoberto a má situação financeira por que passam muitas corporações de bombeiros nos dias que correm. E os aumentos consecutivos do preço dos combustíveis vieram agravar ainda mais o aperto que são as contas diárias das associações humanitárias.Socorro, pedem eles. Como nós, contribuintes singulares ou colectivos que, de cada vez que vamos abastecer o carro, damos conta de que os 10 euros já praticamente não chegam para sair da estação de serviço. Imagine-se, por isso, o que não devem passar os bombeiros e outras instituições de solidariedade social que, sem os lucros das empresas, lutam pela sobrevivência. Imagine-se o que é um aumento de “apenas” 15 cêntimos por litro de gasóleo, quando estamos a falar de alguns milhares de litros por mês. Pois… é fazer as contas!
O protesto dos bombeiros é, também por isso, de respeitar. E a ver se têm a mesma sorte que os camionistas na semana passada. Pelo menos tiveram a responsabilidade de não cortar estradas, de não atacar os colegas que não estão solidários com a sua causa e não paralisaram os serviços. Aliás, as corporações de bombeiros que aderiram a esta iniciativa fizeram questão de salientar que o serviço não será colocado em causa e que ninguém ficará sem auxílio se dele necessitar.
Pelo menos por enquanto, avanço eu, porque da maneira que isto anda ainda estou a ver os bombeiros a deixarem ambulâncias paradas por não terem dinheiro para as abastecer. Sobre o apoio aos bombeiros, aliás, não posso deixar de recordar uma situação vivida há alguns meses, com os Bombeiros de Paredes de Coura a pedirem apoio financeiro ao Governo para a compra de equipamento que diziam indispensável ao seu bom serviço. A resposta do Governo Civil de Viana do Castelo não podia ser mais elucidativa, ao passar a “batata quente” para as mãos da Câmara Municipal, como quem: nós não temos, peçam a outro.
No mesmo barco, das dificuldades financeiras, estão as forças de segurança, nomeadamente, e no que nos diz respeito, a GNR. Aliás, não são de agora as dificuldades sentidas por esta força policial em relação aos transportes, nomeadamente a falta de viaturas quando algumas das que têm ao serviço necessita de recolher à oficina. Imagine-se o que não será agora com o preço dos combustíveis a subir em flecha!
18 junho 2008
A análise
Pois é, a pergunta do inquérito mudou e ficou por fazer a análise dos resultados, como bem lembrou um comentário ao post anterior. Pois bem, “a pedido de várias famílias”, como costuma dizer-se, aqui ficam os resultados finais da questão que colocava frente a frente, na corrida à Câmara Municipal de Paredes de Coura, três possíveis candidatos do PS e outros tantos do PSD.Como referido no outro post dedicado ao assunto, não se quer com isto fazer qualquer tipo de análise política, apenas olhar de forma directa para os resultados que, também como se ressalvou anteriormente, valem o que valem, eventualmente até poderão nada valer.
Uma coisa, contudo, parece ser certa: quem andou a votar em António Esteves na escolha dentro do PS, parece ter continuado a votar no presidente da concelhia socialista quando em confronto com a oposição, pois o actual vereador continua a reunir a maioria dos votos. Se a coisa fosse a sério, tínhamos António Esteves na cadeira do poder.
Do lado social-democrata é João Cunha quem conquista a melhor posição, em segundo lugar, com 26% dos votos, à frente da terceira figura mais votada, José Augusto Pacheco, actual presidente da Assembleia Municipal courense. Para trás ficou, como tinha ficado no inquérito inicial, Pereira Júnior, o presidente em funções.
De referir, contudo, que os votos atribuídos ao espectro socialista batem, de longe, os que vão para a área social-democrata. O que pode dizer que há mais votantes do PS, por um lado, ou que este partido vai ter mais dificuldade em avançar com um nome para encabeçar uma lista candidata a 2009, por outro lado. Mais isto já era dar alguma importância a uma sondagem deste tipo que, como se sabe, vale apenas… o que vale.
17 junho 2008
Memórias
Gostei de ver a componente agrícola, que me trouxe à memória algumas recordações de outros tempos. Dos tempos em que me entretinha a ver os meus avós paternos de volta das dez ou doze vacas “leiteiras” que nos forneciam o leite de todos os dias. Tempos sem ordenhas mecânicas, em que eram umas mãos calejadas pelo trabalho na terra que tinham a seu cargo a suave tarefa de aproveitar ao máximo o leite de cada “turina”.
Hoje em dia, na minha terra Natal como aqui no Ato Minho, o pequeno produtor de leite, aquele que, tal como a minha avó, ia todos os dias de bicicleta ao posto entregar o produto do dia, deixou de existir. Os postos de recolha fecharam. A produção só compensa aos grandes produtores, com várias dezenas de animais e uma forte componente mecânica a ajudar no dia-a-dia. E a produção artesanal ficou para subsistência, ou se calhar nem para isso.
Foi, por isso, com alguma nostalgia, que no sábado ao cair da noite, quando passava junto à exposição de bovinos no Largo 5 de Outubro, detive-me a assistir durante um bocado à ordenha que decorria àquela hora. Na memória imagens de outros tempos, à minha volta todo cenário do que se pretende para a agricultura actualmente. Máquinas, mecanismos e toda uma série de apoios (financeiros, logísticos, estruturais) para que o produto da terra continue a gerar (ainda que pouco) rendimento. E ali perto, em conversa, muitos dos que foram forçados a deixar a agricultura de lado e se voltaram… para o nada.




