23 abril 2009

José Augusto Caldas: O futuro está hipotecado

Só interessa o futuro! Parece ser este o lema que José Augusto Caldas quer aplicar na campanha eleitoral das próximas eleições autárquicas. O candidato do PSD à Câmara de Paredes de Coura diz que esse é um compromisso que irá assumir. “Falar de futuro e falar das propostas para o futuro”. “Nas próximas eleições não está em causa se fulano A foi ou não foi bom presidente da Câmara, são os próximos quatro anos”, clarifica o vereador.
Apesar disso, o candidato social-democrata sempre vai adiantando algumas críticas à actuação de Pereira Júnior à frente da autarquia courense, nomeadamente no que se refere a projectos e investimentos que escoaram os cofres do município. O futuro estará, por isso, hipotecado, com “um grau de liberdade diminuído por força de algumas más decisões do passado”, critica, explicando que qualquer que seja o partido a ganhar a Câmara nas próximas eleições, vai deparar-se com as mesmas dificuldades de capacidade financeira. “É com base nessa margem que tenho de apresentar as minhas propostas”, acrescenta José Augusto Caldas.
O candidato do PSD garante, contudo, que todos os compromissos assumidos pela Câmara de Paredes de Coura são para cumprir com ele na presidência. “A Câmara é uma pessoa de bem”, assegura. Mas sempre vai dizendo que, na medida do possível, as prioridades do programa social-democrata poderão ter direito de preferência em relação a projectos que sejam herdados da gestão anterior.
E o exemplo mais concreto de uma obra que está contratualizada pela actual Câmara e com a qual o PSD não concorda é a ligação à A3. José Augusto Caldas considera, por um lado, que o Governo “anda a gozar” com o presidente da Câmara de Paredes de Coura nesta questão. Por outro lado, conforme tem vindo a ser defendido pelos social-democratas nos últimos anos, entende que a via rápida de ligação à A3 em Sapardos não resolve os problemas de acessibilidade do concelho. A solução laranja passaria pela requalificação da EN 301, entre a vila e S. Roque, e da EN 201, privilegiando a ligação ao nó de Arcozelo, em Ponte de Lima.

Continua…

22 abril 2009

Inovar o comércio

O assunto tem sido alvo de atenção aqui à volta. Em Ponte de Lima a própria Assembleia Municipal debruçou-se sobre a crise que afecta o pequeno comércio, elegendo as prioridades para este sector e identificando os principais problemas. Mais acima, em Valença, também se apalpou o pulso aos comerciantes, por ocasião da abertura do outlet do outro lado da fronteira. De tal forma que foi criada uma nova associação empresarial, cujos fundadores entenderam não estar a ser devidamente defendidos pela que existia.
Por Paredes de Coura, à parte uma ou outra intervenção desgarrada na Assembleia Municipal, pouco se tem falado sobre os problemas que enfrentam os comerciantes do concelho, nomeadamente os da vila. É, por isso, de saudar a realização da tertúlia prevista para esta quinta-feira à noite no Centro Cultural de Paredes de Coura, subordinada ao tema “Inovar o Comércio Tradicional”. 
Organizada pela EPRAMI, esta iniciativa surge na sequência que os alunos do curso de Vitrinismo daquela escola têm vindo a desenvolver nos últimos meses junto do comércio local courense. Montras mais apelativas, lojas mais cuidadas são algumas das mudanças a que assistimos nos últimos tempos. Comerciantes e alunos vão, agora, dar o seu testemunho desta experiência, num evento que é aberto à participação de todos.
Oportunidade para mostrar ao comércio tradicional courense que, muitas vezes, é preciso olhar para fora da porta do estabelecimento. Às vezes basta um pequeno passo para abrir a porta a quem estava renitente em entrar, mesmo neste período de crise que atravessamos. 

21 abril 2009

José Augusto Caldas: Não serei vereador!

Desta vez, ou vai ou racha! É este o sentimento de José Augusto Caldas quando avança para mais uma corrida à presidência da Câmara Municipal de Paredes de Coura, desta feita como cabeça de lista. O actual vereador social-democrata foi o primeiro a avançar para a arena das eleições autárquicas e aposta tudo neste acto eleitoral. De tal forma, que, na semana passada, em entrevista ao Mais pelo Minho, não escondeu que só fica na Câmara se for como presidente. Se perder, garante, não ocupa o lugar de vereador.
Uma atitude que, admite, lhe pode valer as críticas dos seus opositores, ainda desconhecidos. José Augusto Caldas está ciente disso mas explica que o seu tempo na oposição tem os dias contados. “Estive 12 anos na oposição, já mostrei tudo o que tinha a mostrar”, explicou.
E por isso resolveu arriscar agora e encabeçar a candidatura do PSD em Paredes de Coura? O que o levou a avançar neste momento? A resposta surge em forma de discurso estudado, que tem repetido na comunicação social, apontando como justificação a actual crise e os seus reflexos em Paredes de Coura.

E corre contra tudo e contra todos? Para já corre apenas contra si próprio e ninguém lhe pode retirar o mérito de avançar com a sua candidatura quando não é conhecido o seu principal adversário, mas, garante, dentro do seu partido, a escolha do seu nome foi uma questão consensual.
Para fora, contudo, passou a imagem contrária, a de que haveria outras alternativas. De tal forma que um dos seus na Assembleia Municipal, parece não ter gostado do avanço do candidato e admite arriscar uma candidatura independente. Os rumores que dão Venâncio Fernandes na corrida, não merecem, contudo, grande reacção por parte de José Augusto Caldas. “É um assunto que não me preocupa muito”, esclarece.

E será que a composição da lista que o vai acompanhar merece outra preocupação? Isso já não é possível saber. José Augusto Caldas garante que ainda não tem definidos os nomes dos que o vão acompanhar. Será que vamos ter Décio Guerreiro a número dois ou terá o presidente da concelhia lugar de destaque? A resposta fica para mais tarde.


Continua…

20 abril 2009

Eleições 2009

Sendo um blogue de opinião, o Mais pelo Minho não abdica de acompanhar a informação e o dia-a-dia desta região. Neste sentido e tendo em conta os cenários eleitorais que se vão deparar aos portugueses em 2009, o Mais pelo Minho vai, também, acompanhar a evolução das campanhas eleitorais para estas eleições, com especial e óbvio destaque para o que se for fazendo pelo Minho e, particularmente, em Paredes de Coura.
Um trabalho que começará, já amanhã, com o início da divulgação de uma entrevista feita ao, para já, único candidato anunciado à Câmara Municipal de Paredes de Coura, José Augusto Caldas. Seguir-se-ão outros trabalhos dedicados ao tema, nomeadamente mais entrevistas aos outros candidatos que venham a surgir. Mas esta oportunidade será também aproveitada para abrir o Mais pelo Minho a colaborações externas, eventualmente ligadas às candidaturas que surgirem, bem como para levar o blogue para fora da Internet, com a organização de sessões de esclarecimento e um debate com os vários candidatos à Câmara Municipal de Paredes de Coura.
Não se pretende, com estas iniciativas, transformar o Mais pelo Minho num blogue unicamente virado para as questões políticas, mas antes reafirmar o interesse nos assuntos que dizem respeito a esta região, com a política, obviamente, a ocupar o seu lugar. Sempre a pensar nos seus leitores, que têm contribuído para a dinamização de muitas das discussões que por aqui têm andado.
Eduardo Bastos

17 abril 2009

De porta aberta aos visitantes

Muito se fala de turismo e de potencialidades turísticas de Paredes de Coura. Da miragem do golfe ao encanto e imponência do património construído, muitos são os atractivos do concelho para quem nos visita e, não raras vezes, para quem cá habita e não o conhece como deve ser.
Mas, um dos focos de maior atractividade de Paredes de Coura continua a ser o património natural desta terra. A começar no Corno de Bico e a terminar nas zonas ribeirinhas do Coura.
Ainda num dos últimos fins de semana me cruzei com um grupo que, ali para os lados da Pena, regressava, ao final da tarde, de uma caminhada valente que os levou até S. Silvestre e às Porreiras. Tudo gente de fora (da zona do Porto, creio eu) que resolveu passar um sábado diferente, calcorreando terreno que nos é familiar. Não os únicos e não serão os últimos, certamente. Estes também já por cá andaram e, amanhã, receberemos a visita destes caminhantes.
São turistas diferentes que não escolhem o roteiro turístico habitual. De tal forma que, não raras vezes, grupos de caminhantes vindos de fora, alguns com muitos quilómetros de viagem para cá chegar, andam pelos nossos montes e vales, à descoberta do que, muitas vezes, nós por cá ignoramos. Isto apesar das boas iniciativas que são levadas a cabo neste âmbito em Paredes de Coura e dirigidas aos courenses, com a promoção de caminhadas a diversos pontos do concelho, conforme de pode ver, a cada mês, na agenda cultural de Paredes de Coura.

16 abril 2009

Que venha o heliporto!

Finalmente o poste foi retirado! Depois de muita insistência, depois de muitos pedidos, depois de uma manobra arrojada do piloto de um helicóptero do INEM que arriscou a vida para salvar a de outro, eis que finalmente se limpa o espaço aéreo da zona envolvente do Centro de Saúde de Paredes de Coura.
A EDP lá atendeu a todas as reivindicações e evidências e enterrou a linha de alta tensão e, já esta semana, retirou finalmente o poste que a suportava. Um trabalho que estava previsto ficar concluído em finais de Outubro do ano passado. Mas o que são cinco meses para quem já esperou tanto...
Fica, agora, o caminho aberto para a construção do heliporto anunciado pela Câmara Municipal para apoiar aquela unidade de saúde, conforme estabelecido no pacote de medidas negociado entre a autarquia e o Ministério da Saúde. A ver se este processo não demora tanto tempo como a libertação do espaço aéreo!

11 abril 2009

Sinais da memória

Acontece muitas vezes. O tempo evolui, as situações mudam, mas os locais permanecem, como que a marcar a história. É o que se passa, por exemplo, com as escolas primárias de Paredes de Coura, encerradas há alguns anos, mas que ainda permanecem como marcos notórios na geografia do concelho.
E não me refiro apenas à utilização por outras entidades dos edifícios deixados vagos. Nesse aspecto acho que a actuação da Câmara Municipal de Paredes de Coura tem sido exemplar, colocando-os à disposição de instituições e colectividades que continuam a dinamizá-los, umas mais que outras, não deixando cair as antigas escolas num estado de abandono a que foram votados alguns edifícios do género há alguns anos.
O certo é que, basta um pequeno passeio pelo concelho para ficarmos com a sensação de que a abertura da escola do 1º ciclo na vila não trouxe qualquer mudança. As placas sinaléticas continuam por aí, a indicar as escolas primárias, ainda que transformadas ou desactivadas, e mesmo os sinais de perigo que indicam a aproximação de escola ainda estão presentes nas zonas onde estas estavam implantadas e por onde circulavam as crianças.
Uma distracção, ou esquecimento, das Estradas de Portugal que, a bem da verdade, apenas causa alguma nostalgia e um engano ou outro a quem, vindo de fora, se depara com a placa mas não compreende porque é que a escola está fechada. Apesar disso, não deixa de ser um assunto de fácil resolução e, ao preço que anda o alumínio no mercado do ferro velho, até é de estranhar que ainda ninguém se tenha dedicado a retirar estes sinais por conta própria. Será que não dá para aproveitar as placas para outro lado?

08 abril 2009

As notícias dos candidatos

O Notícias de Coura de ontem conseguiu a proeza de juntar numa mesma edição o anunciado candidato do PSD à Câmara de Paredes de Coura, José Augusto Caldas, e o anunciado candidato a candidato independente, Venâncio Fernandes.
Este último escreve pelo próprio punho, dando conta da sua insatisfação face ao actual panorama político concelhio e apelando à renovação de todo o aparelho autárquico, que não só o presidente da Câmara. Pedido ousado, a que se junta uma confirmação, a de que não será mais candidato pelo PSD (pelo menos assim o afirmava o título do artigo). E ainda o anúncio, mais que conhecido nesta altura aqui por este blogue, de que, face a todo o cenário que traçou sobre a política autárquica de Paredes de Coura, está disponível para encabeçar uma lista independente, assim o permita a burocracia da legislação eleitoral. É caso para dizer que, se a vontade é assim tanta, está na hora de vir para a rua trabalhar, porque as assinaturas não caem do céu.
Meia dúzia de páginas adiante e eis que surge o candidato do PSD. José Augusto Caldas numa entrevista onde dá a conhecer os motivos, válidos, que o levaram a assumir este desafio e a certeza de que será vencedor em Outubro. O actual vereador lembra algumas das conquistas social-democratas na Câmara e explica que morar fora do concelho não será um obstáculo, nem na fase de campanha, nem depois das eleições.
Mas a entrevista de José Augusto Caldas deixou muito por revelar, o que, a seis meses das eleições se compreende parcialmente. Por um lado, ficamos sem saber quem acompanha o cabeça de lista na corrida à Câmara, situação que poderá condicionar o voto de muitos indecisos. Por outro lado, a entrevista de ontem não mostra sequer um projecto do candidato a presidente para o concelho. Quer-me parecer que o candidato do PSD não quer "entregar o ouro ao bandido" e revelar o seu programa antes de conhecida a oposição, que ainda não anunciou quem irá concorrer às próximas autárquicas. O que não o preocupa, já que está convencido que Pereira Júnior vai voltar às urnas para deixar o mandato a meio. A ver vamos.

02 abril 2009

Isto faz sentido? (2)

Então o homem esteve por cá, foi recebido de braços abertos e ninguém disse nada e agora é que resolvem contestar o que ele veio anunciar?

30 março 2009

No fundo, no fundo...

Pela mão do João Carlos Gonçalves e do Nuno de Matos, dois companheiros de blogosfera de Ponte de Lima, chegaram-me dois indicadores de desenvolvimento. Daqueles que são muito bonitos de ver quando dizem que estamos muito bem, mas que procuramos esconder quando as coisas não estão tão bem assim.
Pegando pela perspectiva de Paredes de Coura, e tendo como base apenas estes dois indicadores em questão, o panorama não é famoso. Se na tabela do indicador de desenvolvimento municipal ocupamos o penúltimo lugar, logo acima de Melgaço, na outra estatística, sobre o ganho médio mensal, o último lugar é mesmo nosso. Números para reflectir em início de semana.


NB: Imagem retirada do blogue Ponte de Lima

Concelho com desporto, concelho vivo

O último fim de semana passei-o por terras de Valença. Envolvido (quase engolido!) num torneio de basquetebol que juntou naquele concelho equipas de vários pontos do país e também da Galiza num total de participantes que, contas minhas, deverá ter rondado as 300 crianças e jovens até aos 12 anos.
Três dias de actividades em que, além da prática desportiva em si, as crianças participaram em momentos lúdicos e recreativos, sempre com o objectivo de promover o convívio entre os participantes, oriundos de clubes e realidades tão diferentes. O torneio só hoje termina mas, independentemente dos resultados alcançados, no caso concreto pelo Basket Clube de Coura, o importante foi o convívio entre todos os atletas. Uma iniciativa onde deu para ficar a perceber o papel importante que os clubes têm, através dos seus atletas, dirigentes e mesmo dos pais dos atletas, no sentido de dinamizar actividades que, de outra forma, ficaram no papel, à espera do apoio e do envolvimento das entidades oficiais.
Não se julgue, contudo, que este tipo de iniciativas só acontece lá por fora. Em Paredes de Coura, nos próximos dias 10 e 11 de Abril, vamos ter algo parecido, desta feita dedicado às camadas jovens do futebol. Organizado pelo Sporting Clube Courense, o Torneio Internacional da Páscoa, já na sua segunda edição, promete reunir cerca de 600 jogadores de 20 equipas, com idades compreendidas entre os 8 e os 15 anos.
Um evento que, pelo que sei, se realiza com muito esforço do clube e dos seus dirigentes, que não se têm cansado no sentido de obter as melhores condições para receber tão distintos visitantes. E também dos familiares dos jogadores que, como é hábito neste tipo de iniciativas onde se apela ao voluntariado, não vão certamente deixar de oferecer o seu melhor à organização.
Desconheço, tanto no caso de Paredes de Coura como no de Valença, se as respectivas autarquias se envolveram também na organização, apoiando a realização dos torneios. Creio, contudo, que são eventos que merecerem o apoio de qualquer câmara, não só por serem criadoras de toda uma dinâmica que enriquece o concelho, mas também porque são o exemplo mais visível de que o concelho está vivo e tem futuro.

24 março 2009

E o candidato é...

José Augusto Viana é o candidato do PSD à Câmara de Paredes de Coura. Depois de anos como número dois, o vereador social-democrata avança, finalmente, para a liderança na corrida à autarquia courense.
Muito se falou, nos últimos meses, sobre quem iria disputar a Câmara de Paredes de Coura ao Partido Socialista e, ao que tudo indica, a Pereira Júnior, que já por diversas vezes disse estar disposto a concorrer a mais um mandato. Ficou por terra a hipótese Décio Guerreiro, o eterno candidato laranja à presidência. Ficou também de fora, se é que alguma vez chegou a fazer parte dos planos da concelhia, o nome de José Eduardo Martins, deputado social-democrata eleito por Viana do Castelo.
E o que dizer de João Cunha, presidente da concelhia do PSD? Optou por ficar de fora da frente da corrida para se salvaguardar ou reconhece que não tem ainda o peso suficiente para ocupar a presidência da câmara? Satisfeita deve ter ficado Maria José Carranca, que depois de ter exortado José Augusto Viana a chegar-se à frente, vê o vereador a avançar a passos firmes.
Será que José Augusto Viana tem potencial para conquistar Paredes de Coura ao PS? É o que vamos ver, mas espera-se uma campanha eleitoral muito técnica e bem explicadinha, bem ao jeito do vereador social-democrata, com os aspectos financeiros do concelho a ganharem lugar de relevo. Numa altura de crise, até nem será mal visto. Não esquecer, aliás, que foi pela mão de José Augusto Viana que o PSD apresentou na autarquia várias propostas de cariz social e económico que foram adoptadas pela câmara no final do ano passado.
Ficamos agora a aguardar a reacção de Venâncio Fernandes. O deputado municipal do PSD dizia que iria esperar pela escolha da concelhia para decidir se avançava ou não com uma candidatura independente. Resta saber se, face à indicação de José Augusto Viana, vai ou não entrar na corrida.

23 março 2009

Isto faz sentido?

Sobre a visita de Paulo Campos, secretário de Estado das Obras Públicas, ao distrito de Viana do Castelo, incluindo uma passagem por Paredes de Coura, os ecos que nos chegam através da comunicação social são, no mínimo, contraditórios.
O Diário do Minho, por exemplo, diz-nos que os novos acessos previstos para o distrito ajudam a enfrentar a crise. É, até pode ser um ajuda. Por um lado encurtam-se distâncias, por outro lado dá-se trabalho a várias empresas de construção civil. Vistas bem as coisas, até pode ser, realmente.
Mas, mais ao lado, no Jornal de Notícias, somos surpreendidos com a pressa do Governo, pela voz do mesmo governante, em implementar o sistema de portagens nas SCUT's, incluindo na ligação entre Viana do Castelo e o Porto. Ora, se o objectivo é ajudar a enfrentar a crise, não me parece que dificultar a vida a particulares e empresas que passam a ter de pagar por um trajecto para o qual não têm alternativa seja o melhor caminho. Ou será que, oferece-se com uma mão e retira-se com a outra logo a seguir?
De qualquer das formas, para Paredes de Coura ficou uma certeza. A de que está tudo na mesma no que respeita à famosa ligação à A3. Ou seja, Paulo Campos explicou que esta ligação está em fase de estudo prévio e que este deverá estar concluído até Junho. Para quem contava com algo mais, fica a esperança de que em Junho saia novo anúncio... o do início das obras...

12 março 2009

Vamos votar nas acessibilidades?

O título do post pode enganar! Não vou aqui falar sobre qualquer proposta eleitoral que verse as acessibilidades a Paredes de Coura ou a onde quer que seja. Vou falar, isso sim, da acessibilidade que deveria ser garantida a qualquer cidadão português na hora de votar mas que, infelizmente, muita vezes não acontece, obrigando a que uma coisa que, supostamente, deveria ser secreta, tenha de ser forçosamente partilhada com outros.
A este propósito, na passada quarta-feira, um grupo de cidadãos entregou ao presidente da Assembleia da Republica mais de quatro mil assinaturas, numa petição que apelava à introdução de boletins de voto em Braille, para que os cegos portugueses possam votar de forma secreta e autónoma. Um cenário que não se verifica actualmente, pois os invisuais são obrigados a pedir auxílio a outra pessoa, vendo, desta forma, a sua privacidade violada.
A questão dos cidadãos invisuais é, contudo, apenas uma no meio de outras tantas que impossibilitam o exercício livre do acto de votar. E por livre, aqui, entenda-se o facto de o fazer pela sua própria mão, sem recurso a terceiros. É o que acontece, por exemplo, a muitos cidadãos com mobilidade reduzida e que, no dia das eleições, se deparam com escadarias enormes a transpor para exercerem o seu direito cívico.
Em Paredes de Coura, por exemplo, são vários os exemplos de mesas de voto situadas em local pouco acessível a cidadãos com mobilidade reduzida. Uma situação que, se em circunstâncias normais já causa transtornos aos munícipes, num acto eleitoral assume contornos ainda mais gritantes, com as barreiras arquitectónicas a servirem de entrave ao exercício da cidadania.
É certo que, em meios pequenos em que todos se conhecem, não são raros os casos de mesas de voto que vêm à rua recolher o voto daqueles que não podem entrar no local onde funciona a assembleia. Não se trata, contudo, de um comportamento de todo correcto, na medida em que, mesmo assim, a privacidade de quem vota pode não ficar preservada.
Por isso, e num ano em que temos três actos eleitorais, seria de bom tom precaver entraves deste género e, se possível, instalar as assembleias de voto em locais com melhor acessibilidade. Não é garantia de maior afluência às urnas, nem de mais votos neste ou naquele partido, mas seria o reconhecer de um direito soberano que muitos cidadãos têm visto limitado nos últimos actos eleitorais.

Protegidos? (2)

E eis que, nove meses volvidos, nova "matança" de garranos por terras de Coura. Será que esta gente não tem um pingo de dignidade?

09 março 2009

O sol quando nasce...

Numa altura em que as energias renováveis estão na ordem do dia, e em que até o próprio Governo preparou um pacote de incentivos ao aproveitamento da energia solar, a atitude da Junta de Freguesia de Deão, em Viana do Castelo, surge como um exemplo que pode ser seguido por outras entidades: a utilização do sol para a produção de energia eléctrica e sua posterior venda à EDP apresenta-se como uma oportunidade que pode representar alguns euros nos cofres cada vez mais vazios das autarquias locais.
No caso concreto, a Junta de Deão instalou três conjuntos de painéis solares fotovoltáicos, num investimento de cerca de cem mil euros, que vão produzir energia que a EDP compra, a preço garantido. De uma assentada só, garantem os responsáveis daquela junta de freguesia, ganham duas vezes. Ganham com a venda da energia produzida e com o que poupam por não ter pagar aquela que habitualmente gastavam.
Ora, ao ler a notícia da iniciativa pioneira (julgo eu) de Deão, que inclusivamente instalou painéis solares no cemitério local, não pude deixar de pensar que, por cá, também se podia fazer alguma coisa do género. Aproveitar os espaços públicos para dinamizar um investimento como este e obter, desta forma, uma fonte de financiamento alternativa, cujo resultado poderia ser canalizado para diversas aplicações. Aliás, se até os privados reconhecem que, mesmo a nível unifamiliar, esta é uma oportunidade que, se bem pensada, não deverá ser desperdiçada, porque não alargar este cenário às entidades públicas.
Imagine-se, por exemplo, o telhado da Escola do 1º Ciclo com uma série de painéis fotovoltaicos a produzirem energia? Ou ainda o telhado do pavilhão municipal e das piscinas com painéis solares térmicos, que produzissem água quente que cobriria, se não a totalidade, pelo menos parte das necessidades daqueles equipamentos públicos? Num concelho que se tenta pautar pelos valores ecológicos e ambientais, não seria de apostar neste tipo de energias renováveis, agora que já cá temos também o parque eólico a fazer-nos companhia? Será sonhar muito alto? Até pode ser, mas não se costuma dizer que o sol quando nasce é para todos. Há que tentar aproveitá-lo ao máximo!

06 março 2009

Só falta a pancadaria!

Insultos e ameaças. Assim vai a Assembleia da República neste país. Na sessão de ontem, a fazer fé nas notícias que hoje trazem os jornais e que já ontem à noite nos entraram em casa pelos noticários televisivos, só faltou mesmo a pancadaria para que o Parlamento português se transformasse naquele circo que, de quando em quando, conhecemos dos parlamentos nipónico, coreano ou de Taiwan.
O protagonista foi José Eduardo Martins, que os courenses bem conhecem. Ainda se lembram da sua passagem pela Assembleia Municipal de Paredes de Coura, no mandato anterior? Ainda se lembram da forma quase insultuosa como se dirigia ao plenário, que motivou diversas críticas, inclusivamente de colegas de bancada? Pois bem, desta vez José Eduardo Martins não se ficou pelas ameaças de insulto e desatou mesmo a insultar outro deputado, o socialista Afonso Candal, que usava da palavra.
Insultos que deixaram outros deputados estupefactos (veja-se a cara de Diogo Feio, por exemplo) e que, certamente, não serão apanágio do que deve ser uma Assembleia da República, casa maior do poder democrático em Portugal. Mais! Aos insultos, fortes, seguiram-se ameaças. E só faltou mesmo... a pancadaria, prometida para outra altura, talvez. Só faltou também Afonso Candal, que parece não ter ouvido os insultos de José Eduardo Martins, ter respondido à altura. Se fosse comigo, sempre poderia dizer: vai tu!


Para ver aqui, aqui, e aqui.

05 março 2009

Iguais... mas tão diferentes

Um dia destes andava eu às compras num supermercado cá da vila quando assisti a uma cena que, julgava eu, nunca iria ter o incómodo de presenciar. Ainda para mais em Paredes de Coura, terra que dizem conhecida pela sua hospitalidade e abertura. Mas, infelizmente, parece que a regra geral é contrariada por alguns habitantes. Que se há-de fazer…
Ora, estava eu já quase de saída, na caixa a pagar, quando uma senhora que estava na caixa ao lado, com o seu carrinho carregado, deita cá para fora alguma coisa do género: “Ui, o que lá vêm!” Pensei que estaria a falar da conta, certamente elevada, mas não. Infelizmente referia-se a um grupo de estudantes cabo-verdianos que estuda em Paredes de Coura, a milhares de quilómetros de casa, e que chegava à superfície comercial. Acho que nessa altura fiquei um bocadinho de boca aberta, mas o pior estava ainda para vir, pois à medida que os estudantes cabo-verdianos entravam, a senhora continuava com comentários insultosos, chegando ao cúmulo de dizer para uma outra senhora a seu lado que devia ser feito um abaixo assinado para “correr com aquela gente”.
Por esta altura já eu procurava a todo custo saber se estava a sonhar (um pesadelo dos grandes) ou se estava mesmo acordado e tinha de responder à letra. Como é possível alguém ter uma mentalidade tão tacanha onde o racismo continua a ter lugar de honra? Como pode alguém deitar cá para fora semelhante sem se preocupar, no mínimo, com o que sentirá quem a ouve ou, mais importante ainda, quem por ela é visado?
Felizmente, tenho para mim que casos como o desta senhora, que não conhecia e que procuro não conhecer a partir de agora, são cada vez mais raros. Infelizmente se calhar não é bem assim e tenho uma visão optimista demais das coisas. Se calhar já me esqueci dos problemas que tiveram os primeiros alunos cabo-verdianos quando chegaram a Paredes de Coura e a maneira como foram insultados e provocados. Se calhar só penso assim porque dou mais valor ao esforço de integração que fizeram, procurando sentir-se, também eles, parte de Paredes de Coura, seja no futebol, na catequese ou, mais recentemente, abrindo as portas da sua cultura, da sua dança mais especificamente, ao resto da população courense. Se calhar a senhora do abaixo-assinado devia ir dançar uma morna um dia destes. Provavelmente era capaz e esquecer as assinaturas.

04 março 2009

O cantinho do lixo

Num espaço com, sensivelmente, 300 metros quadrados, encontramos nada mais, nada menos, que um ecoponto com três contentores, outros três contentores de lixo e qualquer coisa como dez papeleiras. Aqui não pode haver lixo no chão!

28 fevereiro 2009

Temos candidato! Ou talvez não..

Lendo nas entrelinhas, é possível vislumbrar na carta de princípios que os cinco presidentes socialistas do Alto Minho enviaram a José Sócrates, a recandidatura de todos os signatários. Ou seja, também Pereira Júnior parece confirmar a ida a nova corrida eleitoral.
O ultimato dos autarcas, que dizem não concorrer às eleições de Outubro se o PS apoiar Defensor Moura para Viana do Castelo, surge precisamente na semana em que se realiza o congresso do Partido Socialista, de onde é provável que saia uma solução de entendimento entre distrital e concelhia do partido. A primeira não quer Defensor Moura, a segunda já o indicou, oficialmente, como candidato à câmara da capital de distrito.
Por outras palavras, quase se pode dizer que está nas mãos de José Sócrates decidir se Pereira Júnior é candidato ou nao à Câmara de Paredes de Coura. Alguém tem dúvidas do caminho que vai ser seguido?

A ponte é uma miragem? (2)

aqui tínhamos abordado o assunto. Hoje voltamos a ele depois de ver a reportagem exibida no programa Nós por cá, na SIC. Os presidentes das juntas de freguesia de Linhares e Rubiães encontram-se a meio do caminho na nova Ponte das Poldras. Sem acessos, sem garantias, só com a certeza de que, assim, aquilo não serve para nada. Para ver, clicar aqui.

Morna, morninha...

Sem agitação, sem polémicas de maior, assim foi a Assembleia Municipal da semana passada. Realizada na Junta de Freguesia de Ferreira, esta foi a quinta sessão que teve lugar fora dos Paços do Concelho, numa iniciativa que procurou levar os governantes ao encontro dos governados. Infelizmente, o resultado não tem sido dos melhores, e na sessão da passada sexta-feira o público resumia-se a, apenas, cinco pessoas.
Uma assistência reduzida que teve a oportunidade de testemunhar o regresso de Maria José Fontelo ao “circo” das lides políticas, depois de ter estado afastada do “palco” durante uns meses. Nem isso, contudo, trouxe alguma agitação ao encontro. Aliás, de início, a deputada social-democrata ainda criou alguma confusão, ao lembrar, em parceria com Venâncio Fernandes, que a acta da reunião de Dezembro estava incompleta. Tudo porque não era feita qualquer referência ao episódio que “embaraçou” a socialista Rosalina Martins.
Na altura, recorde-se, foi decidido juntar à ordem de trabalhos um ponto novo, a eleição dos dois representantes da AM na comissão municipal de protecção civil, e o PSD sugeriu dois nomes socialistas, o que levou à indignação da deputada do PS, que acusou os social-democratas de não fazerem o seu trabalho de casa, ao contrário da bancada socialista. Uma frase que gerou na oposição a suspeita de que a mesa da AM já teria informado o Partido Socialista sobre aquele ponto extra da ordem de trabalhos e que levou, inclusivamente, a que aquela eleição fosse retirada da ordem de trabalhos.
Agora, a suspeita voltou a ser referida nesta sessão, com o PSD a exigir que esse episódio fosse incluído na acta. E voltou, também, à ordem de trabalhos a eleição dos representantes da AM na referida comissão municipal de protecção civil. O PSD pediu a interrupção dos trabalhos para tentar encontrar uma solução de consenso com o PS mas, regressados do intervalo, apenas os socialistas traziam uma proposta: Ivan Morais e Joaquim Felgueiras Lopes, aprovados com os votos da maioria. O PSD, explicou depois Maria José Fontelo, votou em branco e criticou fortemente os socialistas, que acusou de nem sequer quererem discutir outros nomes dentro do seu partido, nomeadamente Maximiano Costa e Eugénio Pereira, as propostas dos social-democratas. “Fizeram uma triste figura”, atirou a líder do PSD. A resposta veio de Rosalina Martins, suave, e de Joaquim Felgueiras Lopes, mais certeiro, a explicar que os dois nomes que o PSD defendia tinham sido convidados dentro do grupo socialista… e tinham recusado. Para a história fica mais uma comissão onde os social-democratas não têm assento.

25 fevereiro 2009

Intermitências


Já muito se escreveu sobre a influência que uma vírgula pode ter num determinado texto. Agora, veja-se a diferença que um simples traço pode fazer...

23 fevereiro 2009

A mão escondida

A pedra cruza os ares e atinge o alvo. Qual alvo? Não interessa. Qualquer alvo servia, o objectivo era apenas atirar a pedra… e esconder a mão. Quem vier atrás que assuma a culpa pelo estrago causado. Ninguém viu quem atirou, ninguém viu quem partiu, quem magoou.
A pedra não tem nome. A mão que a atirou e se escondeu em seguida, também não. São os dois anónimos num mundo que teima em esquecer os nomes. Das coisas, das pessoas, das pedras, da mão… Vivemos num mundo em que o nome das coisas é cada vez menos importante. O que importa o nome, quando tudo o que se quer é ser anónimo?
Mais uma pedra que salta do desconhecido e atinge o alvo. Mais uma mão que não deixou rasto atrás da pedra. Não tem assinatura, não tem bilhete de identidade. Não é minha, não é de ninguém. Mas existe, e insiste em causar estragos. Doa a quem doer, desde que continue sem nome.

20 fevereiro 2009

Não havia necessidade...

Com tanto espaço livre ali mesmo ao lado no parque de estacionamento subterrâneo, não se entende o porquê de utilizarem uma zona pedonal para parquear os automóveis...

17 fevereiro 2009

Será isto um prenúncio?

Ponte de Lima já conhece o candidato que o PSD vai apresentar na corrida à Câmara Municipal. Aqui por Paredes de Coura fala-se muito mas ainda não se vislumbra fumo branco no horizonte. Será o anúncio de Ponte de Lima um prenúncio do que vamos ter por cá?

16 fevereiro 2009

Sábado sim, sábado não

Sábado sim, sábado não, a vila parece outra. Dia de feira é dia de agitação na vila. Paredes de Coura parece que ainda fervilha no dia em que as tendas tomam conta do terreiro. Ou melhor dos dois mais importantes terreiros da sede do concelho.
Já passaram dois anos, em Novembro, desde que os feirantes saíram do seu antigo poiso e voltaram ao seu poiso de antigamente. O Largo Hintze Ribeiro e o Largo 5 de Outubro acolheram de braços abertos a Feira de Paredes.
Quezílias políticas à parte, independentemente de quem surgiu em primeiro lugar a ideia de trazer a feira de volta ao centro da vila, uma coisa é certa: foi uma opção certeira. A feira, muito provavelmente, sentiu algumas mudanças, mas as mais fortes foram as que se sentiram na própria vila, que ganhou um movimento digno de uma qualquer urbe distante.
Mas depois temos os outros sábados, os sábados “não”. Aqueles em que subimos e descemos a Rua Conselheiro Miguel Dantas e contamos os transeuntes pelos dedos das mãos, de apenas uma mão se for dia de chuva. Aqueles sábados em que os estabelecimentos comerciais estão quase desertos, em que os restaurantes e cafés parecem estar em período de descanso. Felizmente que é só sábado sim, sábado não.

11 fevereiro 2009

Não estamos sozinhos

Afinal não somos os únicos a ter problemas com a incapacidade administrativa de algumas instituições públicas. O nosso problema parece que também afecta outros aqui perto. Infelizmente. Para nós e para eles.

Chover no molhado

Não tem ainda um ano a nova cobertura do pavilhão gimnodesportivo de Paredes de Coura. Foi substituída, recorde-se, na Páscoa do ano passado, num trabalho que custou mais de 65 mil euros e que visava acabar com as muitas goteiras que por ali existiam e que danificavam o piso do recinto e criavam dificuldades aos seus utilizadores.
Nem um ano passou e, no entanto, no pavilhão, tudo na mesma. As infiltrações continuam, e de que maneira! E depois é ver funcionários e utentes de esfregona na mão a tentar minimizar os danos, ao mesmo que se perguntam como é que é possível que uma obra realizada há tão pouco tempo tenha tantos problemas.
Sessenta e cinco mil euros, recorde-se, em cerca de quatro semanas de trabalho, foram pagos pelo município! Para ficar tudo na mesma? Pois, é a questão que se levanta… Não estará na altura de chamar o empreiteiro de volta e fazer valer a garantia, ou accionar a caução, que certamente haverá? Para quem falava, inclusivamente, em colocar um sistema de climatização no pavilhão, não será melhor tapar antes os buracos por onde entra a chuva? É que, da maneira como as coisas estão, dentro de pouco tempo a cobertura não será a única coisa a precisar de ser substituída.

09 fevereiro 2009

Cinco anos de promessas

O canil de Paredes de Coura, ou que irá servir Paredes de Coura, é notícia há quase cinco anos… Cinco anos em que muito se falou, nomeadamente da promessa da construção de um equipamento intermunicipal em Monção, para acolher os animais vadios daquele concelho e ainda de Paredes de Coura, Melgaço e Valença. Cinco anos onde foi também notícia a tomada de posição da Assembleia Municipal courense que, farta de assistir à proliferação de cães vadios no concelho, aprovou uma recomendação à Câmara Municipal no sentido desta construir, com urgência um canil provisório no concelho. Estávamos, então, em Dezembro de 2005…
Mas o tempo passou e a recomendação da Assembleia Municipal foi totalmente ignorada pela Câmara de Paredes de Coura, com a justificação de que, por apenas alguns meses, o canil provisório não se justificava. Os meses, contudo, transformaram-se em anos e o canil ficou pelo caminho. Aqui ao lado, em Vila Nova de Cerveira e Ponte de Lima, avançava-se no tempo e construíram-se equipamentos de raiz, de modo a proporcionar condições decentes aos animais acolhidos.
Agora, em Fevereiro de 2009, recordamos as sucessivas promessas da construção do canil intermunicipal, com inauguração marcada para 2006, e depois para 2007 e ainda 2008. Agora, em 2009, a notícia é que, finalmente, o canil intermunicipal de Monção está em execução. A data para a abertura ainda não é conhecida, mas não deve demorar cinco anos…

07 fevereiro 2009

Uma questão geográfica?

Depois de Viana do Castelo ter recusado, ainda que com um grande alheamento por parte da população, a adesão à comunidade intermunicipal do Minho e Lima, será que continua a fazer sentido esta associação de municípios ter a sua sede precisamente no único concelho que dela não quis fazer parte?

05 fevereiro 2009

O conclave

A cúpula socialista do Alto Minho vai reunir em Paredes de Coura na próxima segunda-feira. Objectivo: mostrar a Defensor Moura que Manuel Alegre só pode existir um e que todos os outros socialistas têm de seguir o líder. Está-se mesmo a ver que o actual presidente da Câmara de Viana do Castelo não vai ter o apoio do seu partido nas próximas autárquicas.
O resultado do referendo de há duas semanas foi a gota de água no copo já há muito cheio de Rui Solheiro, presidente da Câmara Municipal de Melgaço e, o que importa neste caso, da Federação Distrital do Partido Socialista. Conhecidas que são as “trocas de galhardetes” entre um e outro, os dois do mesmo partido mas separados por muito mais que as largas dezenas quilómetros que vão de Viana a Melgaço, não é de estranhar que Solheiro não tenha gostado da tomada de posição de Defensor Moura, ao enfrentar de peito feito a adesão à comunidade intermunicipal do Minho e Lima.
Pessoalmente, e como o afirmei aqui por várias ocasiões, continuo a achar que o afastamento de Viana do Castelo do resto dos nove concelhos do distrito não tinha razão de ser. O povo vianense assim não entendeu e referendou Defensor Moura, garantindo-lhe mais uma frente de batalha contra o seu “inimigo” de Melgaço. Mas, uma coisa é discordar, outra é achar que o autarca vianense teria de optar pela unidade a dez, apenas e só porque o seu partido assim o entendia, à semelhança, aliás do que tem acontecido no Parlamento, onde, em votações mais complicadas impera a disciplina partidária, num acto que castra o pensamento individual de cada deputado.
Com a vitória do Não no referendo, Defensor Moura conquistou o apoio dos colegas socialistas de Viana que quase o elegeram para novo mandato à frente da autarquia, mas poderá também ter ganho ordem de dispensa ao serviço, pois agora Rui Solheiro quer ser ele a escolher o candidato socialista à autarquia vianense. E Defensor Moura, que tem conquistado a autarquia nas últimas eleições, arrisca-se a ter de avançar como independente. Ou então, como também já se avançou, a ser exilado em Lisboa, integrando as listas de deputados a eleger por Viana nas próximas legislativas. Dois cenários que deverão estar em cima da mesa na reunião dos socialistas em Paredes de Coura onde o autarca de Melgaço tem maioria confirmada. Ou seja, a decisão há muito foi tomada, agora é só uma questão de a formalizar. Vamos ver o que sai dali!

04 fevereiro 2009

Já cá chegaram!

A notícia chegou através do blogue Território com Alma que, verdade seja dita, consegue dar mais informação que a própria Câmara Municipal de Paredes de Coura. E a notícia é que, a partir de agora, já por cá também se faz a recolha de óleos alimentares usados. Deste modo, ao mesmo tempo preserva-se o ambiente e promove-se a utilização de uma energia alternativa.
Um assunto que já aqui foi abordado por diversas vezes e que se traduzia, até agora, numa lacuna num concelho cuja autarquia até tem uma grande preocupação ambiental, quer ao nível da prevenção, quer em relação à recolha de resíduos. Agora, mercê de um protocolo firmado entre uma empresa da especialidade e a Câmara courense, os munícipes vão passar a dispor de uma rede de recolha de óleos alimentares usados mais ou menos distribuída por todo o concelho.
Os “oleões” vão estar localizados em estabelecimentos de ensino e instituições de solidariedade social e, além da vertente ambiental e ecológica, têm ainda uma componente económica, já que por cada litro de óleo recolhido a empresa em questão vai pagar uma verba às instituições que colaboram na recolha. Por tudo isto, uma iniciativa que se aplaude.

02 fevereiro 2009

Por onde vens?


Do mal o menos, o traçado da ligação ferroviária de velocidade elevada parece que vai acompanhar o da A3, nos limites do concelho de Paredes de Coura. Tendo em conta que não vai haver qualquer paragem neste troço, até nem se pode dizer que seja mau de todo. Haverá certamente quem diga que, a ser assim, fez-se muito bem em enveredar pelo desvio do traçado da A3, na década de 90. Pois, mas essa via de comunicação, a A3, bem que dava jeito estar aqui mais perto...

29 janeiro 2009

Serviço Público (2)

De que adianta colocar um documento à discussão pública se depois a divulgação dessa discussão é praticamente nula? De nada, pois então! É claro que não é por ter mais e melhor divulgação que a participação na discussão pública vai ser maior ou menor, mas se não for conhecimento público, é certo e sabido que não haverá ninguém a participar.
Por isso, se tem alguma coisa a dizer sobre o Regulamento de Apoio à Natalidade, à Família e à População Idosa que a Câmara de Paredes de Coura aprovou recentemente, apresse-se que ainda chega a tempo, pois o prazo para a discussão pública só termina amanhã. Ou dia 31, o que vai dar ao mesmo.
Infelizmente, o que dissemos aqui, mesmo no final do post, parece ter razão de ser...

28 janeiro 2009

Mais um entrave?

Depois das limitações impostas pelo Plano Director Municipal...
Depois das limitações impostas por REN e RAN...
Depois das limitações impostas pela famosa "Lei dos 50 metros"...
Eis que surge mais um eventual entrave a quem pretenda construir em Paredes de Coura. Quer saber quais? Clique aqui.

Nós também queríamos uma...

Ponte da Barca já tratou de tudo para que a instalação de uma Loja do Cidadão naquele concelho seja realidade. A partir do próximo Verão, vários serviços, públicos e privados, vão estar disponíveis num mesmo espaço, para maior comodidade dos utentes.
Por cá também se pedia uma coisa do género, mas ainda não são conhecidos avanços nesta área. Que temos instalações, devolutas e praticamente prontas a receber um equipamento do género, ninguém duvida, se bem que a sua utilização para este projecto implicaria um qualquer acordo entre autarquia e Governo. Julgo que também não existirão dúvidas sobre a utilidade de concentrar num mesmo espaço diversos serviços a que os cidadãos têm de recorrer.
Falta, por isso, apenas concretizar essa ideia lançada há cerca de um ano pelo presidente da Câmara de Paredes de Coura. A ver se, em ano de eleições, temos alguma surpresa.

23 janeiro 2009

Simplesmente...










Foto retirada daqui.

Saúde ibérica (2)

"O presidente da União Empresarial do Vale do Minho e vereador na Câmara de Valença, Joaquim Covas, garantiu que toda a sua família «trata da saúde» na Galiza, Espanha, há mais de dez anos."

Acho que esta frase do vereador da Câmara de Valença, proferida ontem aos microfones da Rádio Alto Minho, ajuda a explicar porque é que aquele município perdeu para Monção a guerra pela manutenção das urgências que tanta polémica levantou há dois anos. Foi por falta de interesse...

Como criar um presidente de Câmara

Será que vai sair dali o candidato que todos procuram aqui?

22 janeiro 2009

Saúde ibérica

Assim como asssim, grande parte dos médicos que por cá trabalham, nomeadamente no Minho, já vêm do outro lado da fronteira, por isso o acordo hoje anunciado em Zamora, para que, nas zonas de fronteira, a assistência médica possa ser recebida em qualquer um dos lados, só vêm alargar a área geográfica da coisa, pois a vertente recursos humanos há muito que é dominada pelos nosso vizinhos.
Assim como assim, cá pelo nosso burgo, se não fossem os médicos espanhóis, o Centro de Saúde não teria meios suficientes. E o que acontecerá se, um dia, eles resolveram voltar a Espanha? Ficamos como é habitual aos fins de semana, em que se adoecermos o melhor é rumar a outras paragens. Agora, à mercê deste novo acordo, quem sabe se não poderemos até ir a Tui e ser melhor atendidos. Pelo menos lá, devem ser capazes de nos observar os ouvidos e a garganta quando nos queixamos. É que por cá, parece que há um ditado antigo, velho até, que não deixa.
Assim como assim, quem fica mal somos nós... Sempre!

21 janeiro 2009

Todos ao arquivo!

Sabia que existem, nas várias juntas de freguesia do concelho de Paredes de Coura, cerca de 400 documentos com interesse arquivístico? Pois, eu também não… Mas foi esse o resultado do recenseamento que o Arquivo Municipal andou a fazer junto daquelas autarquias e que foi apresentado na passada sexta.
Ocasião para lembrar, mais uma vez, que o Arquivo Municipal é o espaço ideal para acolher quaisquer documentos de interesse para o concelho. Foi, aliás, esse o apelo feito aos vários presidentes de junta ali presentes, no sentido de entregarem ao Arquivo os documentos agora alvo do recenseamento, alguns dos quais com mais de 400 anos e que, nas instalações daquele equipamento cultural, encontram condições ideais para a sua preservação em segurança.
Para já, contudo, apenas a Junta de Freguesia de Cunha já aprovou a entrega de todo o espólio documental da freguesia à guarda do Arquivo. Outras, contudo, ponderam já seguir os seus passos, de modo a evitar a perda de documentos, situação que, por estes lados, teve o seu expoente máximo no incêndio que atingiu o edifício da Câmara Municipal na década de oitenta.
De referir, contudo, que muitas juntas de freguesia de Paredes de Coura não têm um grande volume de documentos antigos, chegando a haver mesmo autarcas que garantem não ter recebido qualquer livro de actas de anteriores executivos quando tomaram posse. Exemplo disso é a freguesia de Porreiras que, com excepção dos documentos ainda em uso, não herdou quaisquer documentos mais antigos.
O encontro foi também aproveitado para recordar algumas vivências que já foram bastante comuns no concelho, casos da repartição das águas de rega e da repartição do tojo. Iniciativas que, curiosamente, ainda resistem em algumas freguesias, tendo sido apontado o exemplo de Bico, onde é notória a preocupação de zelar pela divisão das águas no período da rega. Ou ainda de Castanheira, freguesia onde é ainda feita a divisão anual do tojo por alguns habitantes.

16 janeiro 2009

À procura do presidente da junta

As eleições autárquicas ainda não têm data marcada. Serão este ano, é certo, algures lá para Setembro ou Outubro, mas a data precisa ainda está no segredo dos deuses, lá para os lados de S. Bento. Por aqui mais perto, pelo concelho, a indefinição paira sobre os nomes que se irão apresentar à votação nesse acto eleitoral.
Ainda na semana passada o Notícias de Coura dava-nos a conhecer a posição dos actuais presidentes de junta face ao aproximar das eleições e a conclusão não dá para enganos: neste momento, apenas um autarca já decidiu o caminho a seguir. Os outros vinte presidentes estão ainda na corda bamba, nem sim, nem não, à espera do que está para vir.
Com efeito, apenas Manuel Lopes Fernandes, autarca de Linhares, já anunciou que não se recandidata nas próximas autárquicas, alegando motivos de saúde. O “susto” que apanhou há uns meses muito deve ter contribuído para essa decisão. Fica, assim, de fora da corrida o único presidente de junta que, nas autárquicas de 2005, não teve qualquer concorrente a correr contra si.
Quanto aos restantes, pese embora a indefinição sobre uma eventual recandidatura, o inquérito feito pelo Notícias de Coura serve para tirar algumas conclusões. Em primeiro lugar mostra-nos que alguns presidentes de junta querem ver que obras são feitas no decorrer deste ano, o que pode levantar algumas suspeitas de que há muitas obras que vão ser levadas a cabo apenas com preocupações eleitorais. Por outro lado, o desabafo de Joaquim Felgueiras Lopes, presidente da Junta de Freguesia da vila, que diz que ainda não sabe se será candidato porque ainda não foi contactado pela concelhia do seu partido, mostra que o processo de escolha de candidatos a nível partidário está ainda atrasado.
O inquérito mostra-nos, também, que ser presidente de junta não é coisa para os mais jovens. Senão atente-se na idade dos actuais presidentes. A média de idades é de 55 anos, mas mais de um terço dos autarcas já ultrapassou a fasquia dos sessenta. O “benjamim” do lote é o autarca de Bico, com 35 anos. Nas próximas eleições não será tempo de rejuvesnecer?

14 janeiro 2009

Coura de outros tempos (3)

Depois de ter falado aqui e aqui sobre o valioso património da história courense que anda por aí à solta e a que não era dado o devido valor, eis que, afinal, a Câmara de Paredes de Coura mostra que está atenta, e dá conta de alguns projectos editoriais onde se destaca uma publicação sobre postais antigos do concelho. São coincidências felizes...
De acordo com a notícia publicada na última edição do Notícias de Coura, que se reproduz acima, a técnica do arquivo municipal estará a ultimar um trabalho que pretende dar a conhecer as diferenças entre as imagens reproduzidas em postais antigos sobre concelho e os mesmos locais e espaços na actualidade. Uma iniciativa que se louva e que irá dar uso a um património cujo valor não é, muitas vezes, tido em conta por quem de direito. Os postais, tais como as muitas fotografias antigas que existem sobre o concelho ao longo do século passado e mesmo do século XIX, constituem um retrato valioso do que foi Paredes de Coura noutros tempos.
E por falar noutros tempos, de salientar também a inciativa que vai ser levada a cabo na próxima sexta-feira, a partir das 18 horas, no Arquivo Municipal. Aproveitando a exposição "Facetas da identidade courense" que está patente ao público naquele espaço, a autarquia vai dinamizar uma conversa sobre a mesma, dando a conhecer o projecto de recenseamento dos acervos documentais que estão à guarda das juntas de freguesia e, ao mesmo tempo, procurando reconstituir vivências comunitárias do passado. A não perder.

13 janeiro 2009

O comboio antes do automóvel

Da maneira como as coisas andam, parece que vamos ter comboio de alta velocidade a cruzar o Alto Minho, antes de termos a (mais que) prometida via rápida a ligar à A3. São prioridades...

12 janeiro 2009

10 janeiro 2009

E porque não sem antenas?

Já são visíveis no terreno os trabalhos da EDP para enterrar a linha de alta tensão que passa junto ao Centro de Saúde e cujo poste impede a construção, para ali prevista, de um heliporto de apoio àquele equipamento. Vingou, finalmente, o pedido que a Câmara de Paredes de Coura fez à EDP há quase um ano. Infelizmente foi preciso um acidente grave para mostrar aos responsáveis daquela empresa que o poste impedia, efectivamente, a aterragem segura do helicóptero do INEM.
Ao ver a obra no terreno, Pereira Júnior aproveitou a onda e reforçou o pedido inicial, solicitando que também seja retirado um outro poste de alta tensão existente na vila, que deixaria, deste modo, de ter cabos de alta tensão a atravessar o seu espaço aéreo. Bem visto, senhor presidente.
Já agora, e aproveitando os trabalhos para a instalação das redes de distribuição de gás e de fibra óptica, que deverão ser levados a cabo este ano, porque não aproveitar a oportunidade e libertar também os telhados das inestéticas antenas de televisão? Não é novidade nenhuma, vários municípios já retiraram as antenas dos centros urbanos, distribuindo o sinal de televisão, gratuitamente, por cabo, mediante protocolos celebrados com os vários operadores. Se a vila vai ser dotada de uma rede de fibra óptica que permite isto e muito mais, porque não aproveitar essa capacidade para a embelezar. Ao mesmo, saliente-se, beneficiavam-se os habitantes, que com as tradicionais antenas, em grande parte da vila, não conseguem apanhar todos os canais emitidos em sinal aberto. Fica a sugestão.

09 janeiro 2009

Coura branca, pensamentos lavados

A tarde foi passada num passeio pelas paisagens, hoje mais monocromáticas, do Alto Coura. Os miúdos adoram uma brincadeira na neve e, há que ser sincero, os adultos também não resistem a meter as mãos no manto gelado.
Subo à Área Protegida do Corno de Bico, agora com muitos menos neve que de manhã mas ainda com bastantes espaços para atirar umas bolas ou fazer o típico boneco. O silêncio do frio só é cortado pelo riso das crianças que brincam alegremente. O branco e verde da paisagem só é interrompido pelas espirais de fumo que saem de cada chaminé. É Inverno, a lareira volta a reinar nas casas minhotas.
Desço de novo à vila e volto a entrar no mundo do dia-a-dia. Soube bem aquela pausa por entre o branco e o silêncio. Por algum tempo todos os problemas ficaram para trás. Esqueci-me da crise, da guerra no Médio Oriente, das tricas políticas locais e nacionais. De tal forma que nem sequer reparei na cor política dos trabalhadores que espalhavam sal na estrada para ajudar a acabar com o gelo. Só por isso já valeu a pena o passeio. É, com certeza, um programa repetir.

06 janeiro 2009

Boletim fora da lei?

Ontem, ao chegar a casa, lá tinha na caixa do correio mais um exemplar do boletim municipal de Paredes de Coura, publicação que, habitualmente, nos visita de seis em seis meses, enaltecendo o que o município levou a cabo no último semestre e apontando os eixos estratégicos a seguir nos próximos. Um instrumento muito utilizado pelas autarquias e que, diga-se em abono da verdade, em Paredes de Coura nem sequer vai tão longe, em termos de descaramento, como acontece noutros concelhos. Pessoalmente, tenho contacto regular com mais uma boa dúzia de boletins do género, editados por câmaras municipais de vários pontos do país, e onde o principal elemento de todas as notícias da publicação é o excelentíssimo senhor presidente da Câmara, que parece fazer questão de aparecer em 99 por cento das fotografias existentes no boletim.
O que nos chega às mãos em Paredes de Coura é, neste sentido, muito mais discreto. Ainda assim, os responsáveis pelo boletim municipal courense parecem não ter ainda conhecimento da directiva emanada pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social em Setembro último. É que a referida directiva alerta para o cumprimento dos princípios gerais de Direito e da liberdade de expressão neste tipo de publicações e salienta, nomeadamente, que estas se encontram obrigadas a veicular a expressão das diferentes forças e sensibilidades políticas que integram os órgãos autárquicos. Ora, uma leitura rápida pela edição que ontem nos chegou a casa mostra que PSD e PCP estão totalmente ausentes do conteúdo editorial do boletim.
É claro que também podem ter sido esses dois partidos, os únicos, além do PS, que estão representados nos órgãos municipais, a abdicar de uma bancada privilegiada, que chega a casa de todos os courenses dentro e fora do concelho, para fazer passar a sua mensagem. Se assim for, pior para eles, mas sempre podem questionar o que consta do boletim municipal fazendo uso do direito de resposta e rectificação a que, já agora informa-se, as publicações autárquicas também estão obrigadas.

02 janeiro 2009

O rádio do vizinho de baixo

Noite de passagem de ano em Paredes de Coura. A caminho do Centro Cultural para assistir ao fogo de artifício que assinalou a meia-noite por cá, deparo-me com um cadeado a fechar a porta da única unidade hoteleira da vila. Situação estranha, pensei eu, sabendo de antemão que há muitas pessoas que vêm de fora para passar o ano a Coura e, à falta de casa de familiares onde ficar, escolhem a Albergaria para passar a noite. Mas, era noite de fim de ano e não liguei.
No dia seguinte voltei a passar no mesmo local e o cadeado mantinha-se, sinal de que, efectivamente, ninguém, ali teria pernoitado. A minha estranheza voltou, mas ficou tudo esclarecido pouco depois, quando, numa conversa num café da vila, fiquei a saber que, ao que parece, o proprietário decidiu não aceitar reservas para a noite de fim de ano para não prejudicar os clientes… por causa do barulho do vizinho de baixo, a discoteca que começou a funcionar em 2008. Então, perguntei eu, não tinha sido feita uma inspecção técnica para verificar as condições de acústica e o nível de ruído daquele estabelecimento de diversão? E a licença de funcionamento emitida pela Câmara não estava condicionada aos resultados dessa inspecção? Ora, se assim é, e uma vez que a discoteca está a funcionar, então é porque a inspecção assim o atestou, não? A isto, contudo, o meu companheiro de mesa neste primeiro café do ano, não soube responder, simplesmente porque os resultados da vistoria são desconhecidos.
Realmente, pensei cá para comigo, a última coisa que se ouviu sobre este assunto foi aquando da emissão da licença camarária, em pleno pico do Verão, condicionada aos resultados de uma vistoria técnica, resultados esses que eram desconhecidos à data da reunião camarária que decidiu emitir a licença. Ou seja, para não perder tempo a Câmara atribuiu a licença de funcionamento à discoteca, mas esta só seria válida se os resultados da inspecção fossem consentâneos com os limites de ruído impostos pela legislação. O certo é que os resultados dessa fiscalização nunca foram divulgados e não são conhecidos do público, ao contrário das queixas de vários clientes da residencial que, depois de uma noite mal dormida, não hesitaram em queixar-se do elevado ruído originado pelo funcionamento da discoteca por debaixo dos quartos. Os resultados não terão sequer chegado aos vereadores que aprovaram a emissão da licença condicionada. No entanto, basta passar pelos arredores da discoteca numa noite em que esta se encontre a funcionar, para perceber que facilmente a música inunda os quartos da unidade hoteleira.
Ficamos, por isso, sem entender como é que a licença emitida pela Câmara se mantém em vigor. E há mesmo quem questione se alguma vez houve condições para que ela tenha sido emitida. Eu, à falta de conhecimento dos resultados da inspecção, continuo a dizer que o sono de uns não pode ser prejudicado pela diversão de outros.

26 dezembro 2008

Coura de outros tempos (2)

Depois de ter escrito o post sobre o valioso arquivo fotográfico do Eduardo Daniel Cerqueira, constatei que este não é o único espólio fotográfico de relevo que existe em Paredes de Coura. Ou melhor, sobre Paredes de Coura. Na passada quarta-feira, enquanto esperava a minha vez para ser atendido numa papelaria da vila, fui passeando pelo estabelecimento comercial, vendo livros e revistas e parei num expositor onde pontificavam diversos postais sobre Paredes de Coura e, curiosamente ou talvez não, todos eles mostravam um concelho de outros tempos.
Ou seja, ali naquela livraria, e sem contar, encontrei elementos que me permitiram tomar contacto com a realidade do concelho no passado. Melhor dizendo, ali encontrei várias panorâmicas da vila, porque a grande maioria dos postais era isso mesmo que retratava, com imagens de espaços que hoje nada têm a ver com o que eram há uma década.
Um cenário que me levou a pensar duas coisas. Por um lado, que também essas imagens poderiam ser aproveitadas como contributo para a divulgação e estudo da história do concelho, à semelhança do que defendi para as fotografias divulgadas pelo Eduardo Daniel Cerqueira. Por outro lado, contudo, fiquei a pensar que o interesse nos postais de Paredes de Coura por parte dos turistas deve ser muito reduzido (nesta era de telemóveis e email, outra coisa seria de esperar?), porque só isso justifica que não haja postais com imagens actuais de um concelho que, felizmente, tem tanta potencialidade a nível de património histórico-natural para oferecer.

23 dezembro 2008

Feliz Natal

Há aqueles que dizem que o Natal deve ser todos os dias. Há os outros para quem o Natal é a melhor época do ano. E há ainda os que se esquecem que é Natal. Para todos, aqui ficam os meus votos de que tenham um Feliz Natal!

Coura de outros tempos

Parece-me muito boa a ideia da Câmara Municipal de Paredes de Coura de aproveitar imagens da vila no final do século XIX para dar vida ao tradicional postal de Natal, com que costuma brindar-nos nesta altura do ano. Eu, que só conheci Paredes de Coura na década de noventa do século passado, gostei de ver a recordação da Rua Conselheiro Miguel Dantas de há mais de cem anos, com as grandes árvores, que imagino frondosas na Primavera, a ladearem a estrada que, à semelhança do que acontece hoje, era pavimentada em pedra. E quase nem reconheci a casa que faz esquina com o Largo Hintze Ribeiro, hoje em avançado estado de ruína, mas que na imagem do postal surge como um exemplo claro da riqueza arquitectónica de que ainda restam vários exemplos no concelho.
Outros tempos que, estou certo, saberá bem recordar a muitos courenses. Como acontece, aliás, sempre que o Eduardo Daniel Cerqueira resolve publicar no seu Território com Alma mais uma imagem que traz para os dias de hoje a memória da Paredes de Coura de outras eras. E por falar nessas imagens, já por diversas vezes deixei no referido blogue a sugestão que, agora, faço aqui também: porque não aproveitar tão rico espólio de que o Eduardo Daniel Cerqueira é guardião e transformá-lo em exposição, acessível a todos quantos quisessem recordar Paredes de Coura? Mais, estou convicto que, mesmo conhecendo apenas aquelas imagens com que ele nos vai presenteando de quando em quando, elas são uma mais valia para o estudo da história da vila e do concelho, dos seus hábitos e, principalmente, das mudanças verificadas ao longo do século passado.
Temos um arquivo municipal que se poderia interessar por este assunto, temos um centro cultural que poderia organizar uma mostra destas imagens, e eventualmente complementá-las com fotografias actuais para se poder ter melhor uma noção da evolução, porque não aproveitar então esta riqueza, que o é, e dá-la a conhecer? O bom trabalho desenvolvido no Território com Alma merece ser aproveitado em prol do efectivo Território com Alma que é esta Paredes de Coura que ele tanto defende.

Foto retirada do blogue Território com Alma

19 dezembro 2008

Para o avô e para o neto

Regulamento de Apoio à Natalidade, à Família e à População Idosa do Município de Paredes de Coura. O nome, pomposo e comprido, dá título ao documento que foi aprovado pelo executivo camarário de Paredes de Coura e que traz à luz do dia muitas das promessas que foram feitas nos últimos dois anos quer pelo Câmara, quer pela oposição social-democrata. Quem não se lembra da ideia de atribuir um valor equivalente ao salário mínimo, durante três anos, às famílias aquando do nascimento do terceiro filho? Pereira Júnior relançou a ideia vai para dois anos, mas depois do anúncio… silêncio. Mas eis que o assunto volta agora à ribalta com o referido regulamento que, contudo, ainda é praticamente desconhecido do público em geral. É que, apesar de supostamente estar em consulta pública, ainda não foi tornado público.
Pelo que se lê na comunicação social, no entanto, ficamos a saber que deverá entrar em vigor já no próximo ano e que prevê, entre outras coisas, subsídios pelo nascimento de um filho, que podem ir até aos mil euros e que serão atribuídos em função do escalão de abono do agregado familiar. De realçar também que a autarquia irá comparticipar as despesas que as famílias têm com as crianças, com valores que podem chegar a 80% das despesas.
O regulamento parece ser do agrado de gregos e troianos, ou seja do poder e da oposição, tendo sido aprovado por unanimidade. Aliás, outra coisa seria de estranhar, uma vez que o documento, depois de ter entrado e saído da sala de reuniões da autarquia, reentrou finalmente com propostas de um e de outro lado da barricada, incorporando, por exemplo, algumas das sugestões e reivindicações que o PSD fazia há meses em panfleto que andou pelas ruas do concelho. E lá aparecem os descontos em medicamentos para os idosos, bem como reduções nas taxas de água e saneamento. Este último benefício alarga-se também às famílias numerosas, com cinco ou mais elementos, que passam a pagar menos por estes serviços.
Com este regulamento, a Câmara de Paredes de Coura parece antecipar-se até ao apelo feito pela Associação Nacional de Municípios Portugueses para que os seus associados ajudem os cidadãos a enfrentar a crise. Não deixo contudo de questionar: se não fosse ano de eleições autárquicas, o apoio seria tanto?

14 dezembro 2008

A entrevista

O isolamento do concelho, as dificuldades financeiras e os projectos para o futuro, parados por falta de financiamento. Alguns dos assuntos abordados por Pereira Júnior, presidente da Câmara Municipal de Paredes de Coura, numa entrevista dada há duas semanas ao jornal Alto Minho e que o Eduardo Daniel Cerqueira resolveu divulgar na semana passada no seu blogue. Onde se pode ler que, à falta de melhor candidato, Pereira Júnior avançará para mais um mandato à frente dos destinos da autarquia.
O tema da eventual recandidatura de Pereira Júnior constitui, talvez, a maior novidade desta entrevista, já que, se há alguma semanas era dada como certa pela comunicação social courense, que pegou nas declarações do autarca em plena assembleia municipal, agora, ao Alto Minho, Pereira Júnior diz que ainda não se decidiu sobre a sua eventual recandidatura. O autarca explica que já foi convidado a tal pela concelhia socialista, mas o seu objectivo é encontrar um outro candidato a quem passar o testemunho. E aqui levanta-se a questão: será por falta de substitutos à altura, pelo prazer do desafio de levar o PS a mais uma vitória ou simplesmente porque não há entendimento entre os seus eventuais sucessores? Fica a dúvida.
Sem dúvidas parece estar Pereira Júnior no respeita ao atraso na ligação à A3, eterno “cavalo de batalha” das promessas eleitorais socialistas e que, contrariando as previsões optimistas que tinham sido transmitidas ao autarca, ameaça fazer ainda parte do lote de projectos das próximas autárquicas. Consciente de que o reduzido peso a nível eleitoral que o concelho tem, o condiciona a nível de projectos públicos de investimento, Pereira Júnior diz-se cada vez mais céptico sobre o avanço da obra cujo concurso chegou a admitir ser lançado ainda este ano, fazendo fé nas informações que lhe foram dadas nesse sentido. Com o final do ano a aproximar-se, o cepticismo parece imperar.
Já em relação à nova biblioteca municipal a situação parece diferente. Não que esteja mais avançada, mas porque o município estaria disposto a avançar com a construção sem esperar pelos fundos do Governo. Mas, sem o aval deste último, vão-se adiando este, e porventura outros sonhos de Paredes de Coura, dependentes da vontade de que, lá longe, nos governa.

12 dezembro 2008

As contas de 2009

A entrada será a informação sobre a situação financeira do município que, a fazer fé nas recentes declarações do presidente da Câmara de Paredes de Coura à comunicação social, está num estado assustador. O prato principal, contudo, será a aprovação do plano de actividades e do orçamento do município para o próximo ano. A Assembleia Municipal de logo à noite tem todos os ingredientes para se transformar num saboroso jantar de Natal.
Em vez do bacalhau e do polvo, tão ao jeito minhoto, em cima da mesa vai estar a discussão das grandes opções do plano e o orçamento do próximo ano. Num cenário de previsível crise são ainda desconhecidos do público em geral os valores que envolve o orçamento, bem como as principais áreas de intervenção propostas para 2009. Sabe-se apenas que os vereadores da oposição votaram contra estes documentos, argumentando, entre outras coisas, que o pacote fiscal que propuseram à autarquia não foi tido em conta.
Além disso, José Augusto Viana e Décio Guerreiro criticam também a inclusão da concessão da rede de abastecimento de águas do município, situação que já se tinha verificado no orçamento deste ano e que gerou bastante discussão, mas que, pelos vistos, ainda não foi avante. A oposição contesta ainda as obras de embelezamento que a Câmara prevê para vila, argumentando que são supérfluas nesta altura de crise e critica igualmente a falta de objectividade na definição das obras pedidas pelas juntas de freguesia que a autarquia se propõpe executar, bem como o valor atribuído à rubrica Outras. Duas situações que assumem maior relevo quando se sabe que 2009 é ano de eleições autárquicas e que esta indefinição pode levar a especulações sobre o destino das verbas incluídas na proposta de orçamento.
Mas a Assembleia Municipal de hoje tem também direito a sobremesa, esta já mais do agrado da oposição social-democrata, se bem que os vereadores do PSD desejariam o doce ainda mais açucarado. Falo das propostas de taxas que a Câmara Municipal vai apresentar à Assembleia. A redução da fatia do IRS que cabe aos municípios é, provavelmente, a mais importante, com a autarquia a abdicar de dois por cento dos cinco por cento a que teria direito. O PSD, recorde-se, defendia a não cobrança da totalidade dos cinco por cento. Também as taxas de IMI vão ser revistas, passando o mínimo para 0,3%. A oposição queria ir mais longe, reduzindo para 0,2%, mas os três vereadores socialistas não permitiram. E logo à noite não se espera cenário diferente.

09 dezembro 2008

A Câmara de Coura agradece...

A Câmara de Paredes de Coura agradece a decisão do Ministério das Finanças de proceder à nacionalização do Banco Português de Negócios. Ou pelo menos deveria agradecer, para não parecer... mal agradecida.
E perguntam os leitores porquê? Simplesmente porque à data daquela decisão governamental, no passado dia 2 de Novembro, o município de Paredes de Coura tinha praticamente metade dos seus fundos aplicados em depósitos daquele banco. Ao todo era mais e meio milhão de euros que, caso a Assembleia da República não tivesse aprovado a nacionalização do BPN e evitado desta forma a sua falência, à luz da legislação actual, seriam convertidos em meros 25 mil euros.
Tendo em conta o cenário que aconteceria caso o Governo não tivesse estendido a mão ao BPN, acho que faz todo o sentido recordar aquele velho ditado que dizia que não se devem meter todos os ovos no mesmo cesto, não?

05 dezembro 2008

Perdida em combate


Desaparecida! Esta placa foi colocada há meses junto ao edíficio dos Paços do Concelho. Aguentou naquele local, estoicamente, umas duas semanas. Depois desapareceu sem deixar rasto. Dizem as más línguas que foi a própria placa que resolveu fugir, indignada com as eventuais incorrecções da informação que era suposto fornecer. Dá-se recompensa a quem a encontrar!

03 dezembro 2008

Luzes de Natal

Enquanto as iluminações natalícias não se acendem, há quem pense em dar alguma luz ao Natal dos mais carenciados. Um pouco por todo o lado multiplicam-se as acções de solidariedade que pretendem recolher bens e alimentos para quem deles necessita. Paredes de Coura também as tem, muito embora a fraca divulgação leve algumas pessoas a pensar que a solidariedade tipicamente natalícia nos passa ao lado.
O projecto “Sementes de Natal”, que tem sido levado a cabo na Escola EB 2.3/S de Paredes de Coura, nos últimos anos, dá aos courenses a possibilidade de ajudarem algumas famílias carenciadas, recolhendo vestuário, brinquedos e alimentos, entre outros artigos. No ano passado, por exemplo, as “Sementes de Natal” possibilitaram a entrega de 15 cabazes a outras tantas famílias de alunos carenciados, que desta forma tiveram uma ceia de Natal mais recheada. Este ano estão de volta, mais uma vez nas escolas de Paredes de Coura, que têm as portas abertas para receber a solidariedade dos courenses.
Mas aqui à volta há outras iniciativas que merecem também menção. É o caso da campanha "Sonho de Natal", levada a efeito pela Câmara de Caminha e pela CPCJ local, que está a decorrer até ao próximo fim-de-semana nas principais praças de Caminha e Vila Praia de Âncora. A iniciativa, como todas as outras, visa a contribuição para um Natal mais feliz dos mais carenciados, mas no caso de Caminha reveste-se de um aspecto inovador: quem quiser contribuir adquire um presente que será entregue a uma das crianças identificadas, de forma fictícia, nos locais onde decorre esta campanha.
Já agora, para aqueles que querem levar a sua solidariedade natalícia mais longe, fica a sugestão do projecto de luta contra a pobreza e exclusão social dinamizado pelos CTT. Basta consultar a lista de organizações, escolher uma e dirigir-se a uma estação dos CTT onde existem caixas de transporte para fazer seguir o donativo, sem quaisquer custos. E assim, mesmo à distância, podemos ajudar.