
Televisões, jornais e rádios não falaram de outra coisa, com Pereira Júnior a desdobrar-se em entrevistas, a explicar a razão ser desta posição. Esqueceram-se foi de dar conta de que a novidade já não é tão nova assim. Aliás, como já tinha referido em Fevereiro último, o assunto já tinha sido abordado há alguns anos, mas tinha ficado por aí, pelas palavras. Pude também verificar que, afinal, estava errado. Errei quando disse que o tema tinha sido abandonado, e tornei a errar quando disse que, mesmo que a Câmara de Coura avançasse com esta medida nunca ofereceria aos casais um valor tão elevado como Carrazeda de Ansiães, 7500 euros. Afinal Paredes de Coura vai mais longe e eleva a fasquia do apoio às famílias que optem por ter um terceiro filho, ou mais, a quase 15 mil euros, repartidos por três anos.
Mas, e voltando ao post de Fevereiro, relembro que alguns especialistas ouvidos sobre o assunto, diziam que não era com subsídios deste género que se cativavam os munícipes para se fixarem no concelho. Concordo. Estou certo que várias famílias courenses estão já a “trabalhar” para receber o salário mínimo sem qualquer esforço (salvo o do trabalho de parto), mas penso que, tendo em conta a situação económica do país, em geral, e do concelho, em particular, o subsídio não será atractivo suficiente para fazer crescer a família, porque ao fim de três anos as bocas para alimentar continuam a ser as mesmas e o apoio da Câmara já se foi. E depois surgem os casos para acompanhamento da Segurança Social, da rede social da autarquia e, infelizmente, da comissão de protecção de crianças e jovens.
O ideal seria pegar no título deste post e dividi-lo em dois. Façam filhos, pois que o problema da inversão da taxa de natalidade é muito sério e ameaça o futuro do concelho. Mas façam-nos apenas depois de terem trabalho e de trabalhar a sério. E é esse apoio que devem pedir à Câmara, ou seja, que promova o concelho junto de potenciais investidores, que reivindique, junto de quem de direito, melhores acessos que abram alas a novos postos de trabalho, que ajudem a fixar os courenses em Coura. As zonas industriais do concelho começam a ter mais vida, felizmente, mas o espaço ainda é suficiente para que outros também ali se instalem.
E depois do trabalho, então sim, podem surgir os filhos, dois, três, apenas um, mas devidamente planeados, sem ter em conta a procriação por recompensa, mas apenas pela recompensa do sorriso de uma criança. E se houver trabalho, certamente haverá motivação para ficar.
Aliás, a Câmara de Paredes de Coura parece estar também ciente disso e vai dai estar a equacionar a adesão ao programa Finicia, que possibilitará a criação de um “bolo financeiro” destinado a ajudar os jovens a criar a sua própria empresa e ao mesmo tempo dar trabalho a outros. Mas isso parece não interessar a quem faz as notícias e a cultura da “subsidio-dependência” é que domina a actualidade. Infelizmente.
Se a câmara quer que os jovens se fixem por cá porque é que coloca tantos problemas a quem quer construir? Vale muito eu ter 3 ou 4 filhos se não tenho onde morar.
ResponderEliminarConcordo com o anónimo anterior. Há Engenheiros que são prejudiciais á saúde do concelho, e tem o beneplácido das autoridades máximas.
ResponderEliminarSerá ético dar dinheiro para promover a natalidade? Quem controla que o dinheiro dado é para o bébé? Se o critério do Municipio de Paredes de Coura, neste caso, é o de promover a demografia, quem garante que no fim do subsidio, a familia mude para outro concelho? Julgo que estas questões são relevantes e carecem de resposta. Não me parece de todo correcto que de ofereça dinheiro para ter filhos. Sou de outro concelho, estou em Paredes de Coura à 2 anos. Quando cheguei não tinha onde deixar o meu filho, durante o dia, uma vez que as instituições estavam cheias. Estou a contruir uma casa e as taxas municipais que tive de pagar são no minimo obscenas. Não há emprego no concelhos, as acessibilidades não existem, não se promovem actividades, no fim de semana, e ir a Paredes de Coura num Domingo de tarde é no minimo desmotivador. Julgo que em quase todas as freguesias no concelho existem Associações Culturais que trabalham de costas voltadas umas para as outras. Fala-se demasiado em freguesias, demasiado, e pouco em Municipio, em Concelho, em Paredes de Coura. Nós, pais, temos obrigação de ajudar a criar as condições, a exigir que se criem as condições para viver, e para que as crianças tenham condições para viver no concelho se assim o entenderem. Acredito, porque venho da grande cidade, e reconheço muitas qualidades ao interior, que existindo condições as pessoas ficam.
ResponderEliminarSandra B.