27 abril 2010

Um espólio a aguardar fundos comunitários

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No seguimento do último post, sobre a falta de sinalização da passagem de Aquilino Ribeiro por Terras de Coura, houve quem me lembrasse prontamente que o autor de “A Casa Grande Romarigães” não é o único a ser relegado para segundo ou terceiro plano. E lá veio à baila o nome de Mário Cláudio e o suposto esquecimento da ideia de alojar em Paredes de Coura o espólio deste escritor portuense, que tem o nosso concelho no coração.

E digo “suposto esquecimento” porque, contrariamente ao que se possa pensar, o assunto não está esquecido.  É certo que o anúncio da doação a Paredes de Coura de todo o acervo documental deste escritor, já foi feito há quase quatro anos e que, daí para cá, nada se viu de concreto. Mas, também ninguém pode exigir que a autarquia courense, especialmente nestes tempos de crise e a braços com uma situação financeira não tão desafogada como desejaria, tenha fundos suficientes para suportar a transformação da antiga escola primária de Venade, Ferreira, no abrigo protegido e dedicado da oferta feita por Mário Cláudio. É que, e a Câmara de Paredes de Coura já o explicou publicamente,os trabalhos a realizar vão ser alvo de candidatura a fundos comunitários e, pelo menos por enquanto, ainda não se abriu qualquer porta que possa permitir a entrada desta ideia no leque de projectos a desenvolver.

O único que poderia ter alguma razão de queixa seria, eventualmente, o próprio escritor. Mas Mário Cláudio tem sido colocado a par de todas estas peripécias que envolvem a sua oferta. Além disso, apesar de os trabalhos “mais visíveis” não estarem a decorrer, tendo a antiga escola sido apenas esvaziada do seu conteúdo, o certo é que os trabalhos em torno do espólio documental do escritor estão já a decorrer, com o seu tratamento arquivístico. Um trabalho quase invisível que, contudo, envolve muitas horas de dedicação e que não pode esperar pela transformação do espaço físico que o vai acolher para ser feito.

23 abril 2010

Por onde anda Aquilino

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Na última edição do Notícias de Coura, José Luís Freitas, correspondente do jornal em Romarigães, dava conta da situação de quase esquecimento a que a freguesia e o concelho votaram o nome do escritor de “A Casa Grande de Romarigães”. Hoje, Dia Mundial do Livro, relembro essa crítica, a que me associo.

Mais de cinquenta anos após a publicação do romance, a “Casa Grande de Romarigães” continua por cá, por Paredes de Coura. Se divulgação e sem qualquer sinalização, com bem repara José Luís Freitas, mas também sem qualquer ideia para manter vivo aquele espaço que foi (será que continua a ser?), um marco na literatura. Há cerca de três anos, num espaço informativo da RTP, ouvi algumas propostas para transformar a zona envolvente num jardim, à imagem do que terá sonhado Aquilino Ribeiro. Algum tempo depois, por ocasião da comemoração dos 50 anos da publicação, o próprio presidente da Câmara de Paredes de Coura adiantou que gostaria de ver aquele espaço transformado num museu, assim houvesse fundos para tal. Mas, como em tudo, os fundos não existem, e por isso à Casa do Amparo, que depois de ter inspirado um dos vultos da literatura portuguesa, sobrevive hoje a custo, num misto de espaço privado e de local de visita a que só acedem alguns mais curiosos.

Situação diferente da que se vive em Moimenta da Beira, nas Terras do Demo, onde a antiga casa do escritor é hoje uma casa museu, sede da Fundação Aquilino Ribeiro e que a autarquia local quer agora transformar num local mais dinâmico, aberto à comunidade e aos investigadores, que ali encontram um pouco da história de Aquilino Ribeiro. Realidades diferentes sobre um mesmo epicentro, é certo, e nos tempos que correm já se sabe que a cultura é sempre o filho que fica esquecido pelas autoridades governativas. Mas, em Paredes de Coura, um primeiro passo poderia ser dado pela própria autarquia, seja a câmara ou a própria Junta de Freguesia de Romarigães: porque não dar ouvidos a José Luís Freitas e dotar a freguesia, pelo menos na principal via que a atravessa, de sinalização que indique aquele que devia ser um dos seus maiores motivos de orgulho?

16 abril 2010

Hotel vs pocilga

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Depois de abandonado, depois de esquecido pela tutela, mesmo sabendo que há interessados na sua compra e recuperação, o antigo hospital de Mozelos sofre agora novo revés. Pessoalmente, nem queria acreditar quando vi a notícia na última edição do Notícias de Coura, que dava conta da transformação, ainda que temporária, do antigo sanatório numa… pocilga!!!

Pelo que se pode ler no artigo em questão, a colocação dos animais naquela espaço surgiu como contrapartida pela limpeza da zona envolvente. Ora, o que não se compreende, por um lado, é se se está a limpar por um lado, porque se há-de sujar, com os detritos dos animais, por outro lado. Acresce que, a meu ver, a ocupação daquele imóvel pelos animais vai deteriorar ainda mais o antigo hospital. Mas, mais importante, o que não se compreende é porque é que este processo não ata nem desata, pois da maneira que as coisas se arrastam não seria de admirar que, qualquer dia, o grupo empresarial que estava interessado em recuperar aquele imóvel e ali construir um hotel e campo de golfe, simplesmente perca o interesse.

Enquanto isso, aqui ao lado multiplicam-se os projectos do mesmo género. Inclusivamente projectos hoteleiros promovidos pelo município, como é o caso do novo hotel que a Câmara de Ponte de Lima quer abrir em Arcozelo. Deste modo aproveita-se uma casa antiga comprada recentemente e requalifica-se toda a zona envolvente. E, curiosamente, não houve necessidade de transformar o espaço numa pocilga. 

15 abril 2010

Outsider

 

“Confrontado com este protesto, António Pereira Júnior adiantou à Rádio Vale do Minho que não vai estar presente, porque esta vigília não está a ser organizada por uma courense, "ninguém a conhece como se fosse de cá e portanto fica-se na expectativa que é uma outsider que vem aqui fazer uma manifestação” 

Contextualização. Estupefacção. Indignação. Telhados de vidro. Reconhecimento.

Primeiro a contextualização. Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura, comentava, aos microfones de uma rádio local, a vigília que vai ser levada a efeito no próximo sábado, como forma de protesto pelo encerramento do SAP no período nocturno. Uma vigília que, como já aqui abordei, foi convocada por Sandra Barros, cidadã portuguesa, que paga impostos e não aceita o encerramento do serviço nocturno do SAP de Paredes de Coura, como a própria assina o panfleto que distribuiu, por email e também por mão própria. Inclusivamente foi das mãos da própria subscritora que o  autarca courense recebeu o panfleto que convida à participação na vigília de sábado.

Estupefacção. Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura, até podia fazer este comentário no recato de uma qualquer conversa privada, mas…  num órgão de comunicação social! Não sou advogado de defesa de ninguém e tenho a certeza que a Sandra Barros é capaz de, por si própria, responder ao autarca courense e explicar-lhe os motivos do seu protesto, mas as palavras do presidente da Câmara causaram-me alguma surpresa. Pela forma e pelo conteúdo.

Indignação. Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura, até nem tem a culpa, mas infelizmente este tipo de discurso já não é novidade  para mim, vindo de outros lados.  A ideia de que só quem é courense, ou pelo menos conhecido em Coura, é que tem algo válido a dizer.  É que, tinha-me esquecido, eu também não sou natural de Paredes de Coura, apesar de, por aqui residir há mais de dez anos e de, pasme-se, me considerar courense. Não sei se é por ter decidido aqui criar a minha família, ou se por ter optado por aqui residir e aqui pagar os meus impostos, alguns dos quais para a própria Câmara de Paredes de Coura. Ou se é simplesmente por ter abraçado Paredes de Coura como “a minha terra” e querer para este concelho tudo o que ele tem direito, participando no que ele tem para me oferecer e oferecendo-lhe o que tenho para partilhar.

Telhados de vidro. Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura, não se pode esquecer também, que  não se deve atirar pedras quando se tem telhados de vidro. É que os seus dois colegas de partido na vereação da autarquia também não são courenses “de gema” e inclusivamente a sua escolha foi alvo de críticas por isso mesmo na última campanha eleitoral. Digo hoje, como já disse em Outubro a quem criticou publicamente a sua escolha, que a origem não importa, o que conta é a vivência, e tanto faz ser de 20 anos como de 20 meses. É o sentimento de viver numa terra que queremos como nossa, mesmo que não tenha sido aquela que nos viu nascer. E basta olhar à nossa volta para ver, em sectores tão distintos como a saúde, a educação, o comércio, a indústria e, inevitavelmente, a política, muitos courenses “importados” que adoptaram este concelho como seu.

Reconhecimento. Estou certo, contudo, que as palavras de Pereira Júnior, presidente da Câmara de Paredes de Coura surgiram no calor do momento, mais preocupado que a vigília de amanhã prejudique as negociações concluídas em 2008 do que outra coisa qualquer. Mais tarde, mesmo que reconheça as pessoas, esperemos que não tenha de reconhecer que, se calhar, a boa fé que o caracteriza não tem reciprocidade por parte do Ministério da Saúde. A ver vamos.

Saúde e regionalização

Poderia a regionalização ser a resposta para uma melhor rede de cuidados de saúde? Há quem entenda que sim. Para ler e explorar  a opinião de L. Seixas, no blogue Regionalização.

13 abril 2010

Uma vela pelas urgências

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Desde que escolhi Paredes de Coura para morar, já lá vão mais de dez anos, que soube logo à partida que, apesar de ir usufruir, de uma forma geral, de uma melhor qualidade de vida, havia algumas áreas onde a reduzida oferta local  continuaria a colocar a vida na cidade num patamar superior. A saúde estaria, infelizmente, à cabeça dessa lista de coisas, de actividades, de sectores que encontravam em Paredes de Coura uma oferta deficitária.

Ainda assim, o reduzido serviço prestado pelo Centro de Saúde e pelo serviço de atendimento permanente conseguiu resolver ou pelo menos encaminhar grande parte das solicitações que ali fiz chegar. É claro que, como aliás já aqui relatei algumas vezes, nem sempre as coisas correram da melhor forma, se bem que, e convém realçar isso, quase sempre por deficiente atendimento. O SAP de Paredes de Coura, contudo, não deixou de estar presente quando dele necessitei e, convenhamos, com duas crianças menores a meu cargo, não foram raras as vezes em que me desloquei durante a noite e madrugada para ali procurar assistência médica.

É claro que um SAP em Paredes de Coura não oferece os mesmos meios técnicos e humanos que um serviço de urgência básica ou a urgência de um hospital distrital. Nem seria exigível que o fizesse porque, simplesmente, é um serviço de atendimento permanente e não um serviço de urgência. E é nessa qualidade de serviço de atendimento permanente que deveria continuar, a prestar apoio médico a quem dele necessite fora de horas, não precisando de se deslocar a Ponte de Lima ou Viana do Castelo para tratar de problemas que, mesmo não sendo considerados urgentes pelos responsáveis máximos da saúde em Portugal, são mais que urgentes para quem com eles tem de lidar em momentos de aflição.

E não me venham dizer que é a ambulância SIV de Valença ou Ponte de Lima ou o posto de emergência médica que está estacionado nos Bombeiros de Paredes de Coura que vai substituir este atendimento médico. Em situações urgentes, de carácter mais grave, concordo que o transporte imediato para outra unidade de saúde é o mais aconselhável (desde que devidamente acompanhado, o que nem sempre acontece…), mas alguém acha que vai ser o 112 ou a linha saúde 24 (que já experimentei e que funciona bem até certo ponto) a resolverem exclusivamente as outras situações de menor gravidade?

Por tudo isto é com agrado que me associo à vigília agendada para o próximo sábado, pelas 20.30 horas, defronte do Centro de Saúde de Paredes de Coura, para manifestar o meu desagrado face ao encerramento nocturno do serviço de atendimento permanente. Uma iniciativa de alguém que conheço pessoalmente e em quem reconheço o descontentamento face a uma situação que, no caso concreto de Paredes de Coura, só vem lembrar que estamos cada vez mais longe de tudo. Se também não concorda com o encerramento do SAP durante a noite, associe-se e apareça no próximo sábado.

09 abril 2010

SC Courense: nova direcção com um olho no campo e outro nas contas

Eleita recentemente, a nova direcção do Sporting Clube Courense assume a consolidação financeira e o controle de custos como uma das principais prioridades do clube para este mandato. Mas os resultados desportivos também não foram esquecidos, bem como a continuidade da aposta na formação e um alargamento do campo de actuação do Sporting Clube Courense. Ideias para conferir numa entrevista concedida ao Mais pelo Minho por António Gonçalves, novo presidente do clube.

MPM – Quais são os principais projectos para este mandato como presidente?
AG - O projecto básico deste mandato será a consolidação financeira e controlo de custos. No fundo tentar assegurar o futuro imediato e a médio/longo prazo do clube, cientes nós dos riscos em termos de opinião pública que corremos, pois estamos a falar de futebol e o futebol para muitas pessoas são resultados. Mas não duvidem que vamos, dentro das nossas possibilidades e com os pés bem assentes no chão, tentar que os resultados sejam de acordo com o historial do clube e que dignifiquem o concelho como maior instituição desportiva do mesmo, tentando olhar e aproveitar na medida dos possíveis a muita qualidade que nos rodeia e que já temos nos nossos quadros. Face ao crescente número de atletas, na medida dos possíveis, e com muito trabalho e se possível com o apoio da sociedade courense, temos de tentar que as nossas instalações sejam dignas de os acolher, tentando construir os tão desejados balneários, casas de banho, bar mais acolhedor… No fundo tentar aliar ao magnífico relvado uma envolvência mais agradável e funcional. Não podemos deixar de lado o “problema” que é a sede. Os sócios a devido tempo serão chamados a pronunciar-se sobre o assunto. Mas o que realmente fica como grande alavanca de motivação será a tentativa de aproximação do clube aos courenses, quer de Coura, quer de qualquer parte do mundo, tentado que o clube tenha um número de associados de acordo com os seu pergaminhos.
MPM - Vai continuar a aposta na formação, seja para alimentar o escalão principal seja para funcionar como catapulta para os jogadores courenses alcançarem outros clubes?
AG - A aposta na formação é o caminho a seguir, quer seja no Courense ou noutro clube qualquer, temos que ter a noção da realidade e entender que não se pode continuar a gastar o que se gasta e tentar investir esse dinheiro ao longo da formação dos atletas, tentando depois como é natural tirar proveito desse investimento. Mas esse é um caminho que se vai impondo com o tempo, não podendo ainda a curto prazo tirar o devido fruto em termos de equipa sénior, mas para lá se caminha. Não querendo levantar muito a ponta do véu em termos de futebol de sete, ou seja dos mais pequenos, temos em mente a introdução de um projecto inovador para o concelho.
MPM - Há alguma possibilidade de fusão entre equipas do Courense e do Castanheira para evitar repetições de equipas no mesmo escalão, como acontece actualmente com os juniores?
AG - Sim existe essa possibilidade e é de todo desejável, estamos a falar de pessoas sérias e adultas das duas partes, o que de certo levará a que se chegue a um entendimento.
MPM - Como está o clube no que respeita a saúde financeira? A Câmara tem cumprido o acordado? Os patrocínios actuais são suficientes para programar um clube com futuro?
AG - Como todos os clubes não está bem. A Câmara cumpre com o estabelecido, mas um clube não pode estar dependente apenas das entidades oficiais, tem que procurar apoios privados e sobretudo procurar “fazer” dinheiro usando a astúcia e a criatividade, e é precisamente aí que no próximo Verão se verá o Courense em novas actividades. Mas a maior dificuldade neste momento do clube prende-se com o transporte para jogos dos atletas, sobretudo dos mais novos, problema esse que vai ser posto na medida dos possíveis à consideração das entidades responsáveis.
MPM - A nível desportivo, quais as ambições para o Courense nas próximas épocas?
AG - Como já dei a entender na primeira questão vamos tentar alcançar o melhor possível, e isso em futebol pode ser muito. Não escondo que gostava que o clube neste mandato conquistasse títulos, quer em formação, quer na conquista de uma taça distrital em seniores. Mas vamos lutando no dia a dia.
MPM - Fala-se na possibilidade de alargar o leque de modalidades oferecidas pelo Courense. Alguma em especial?
AG - Sim temos esse sonho e a prioridade será o futsal, tentando aproveitar a possibilidade de utilização de atletas do futebol de 11, podendo ser utilizados atletas dos planteis sénior e júnior. Mas o clube sozinho não consegue suportar esse investimento, vamos tentar que surja um sponsor, e já houve alguns contactos, que patrocine a equipa e tentar ainda este ano ou mais tardar no próximo arrancar com o projecto. Temos ainda a intenção de arrancar com um clube de escuteiros, coisa que ainda não existe no concelho.
MPM - A direcção agora eleita apresenta algumas novidades. Como surgiram estes nomes? Como vão ficar distribuídos a nível de responsabilidades?
AG - Podemos dizer que apresenta muitas novidades, os nomes foram surgindo fruto em parte da grande coesão no departamento de formação, pois a grande maioria deles são pais ou mães de atletas e ainda se está a recuperar antigas glórias do clube, pessoas que deram muito ao clube, mas que ainda tem muito mais para dar. Em temos de responsabilidade o Luis Rocha (Nizo) ficará com o pelouro do futebol sénior, ficando a formação sob a supervisão do Mário Braga (Marocas), sendo que as questões financeiras ficam a cargo da Celina Sousa, cabendo a secretaria ao Paulo Fernandes, tudo isto, claro está, salvaguardado pelo trabalho de todos os vogais, não podendo nem sendo desejável referir que este vai ter aquele ou outro serviço, mas sim criar uma equipa de trabalho onde sejam um por todos e todos por um.

Fotos retiradas do blogue do SC Courense

01 abril 2010