26 dezembro 2008

Coura de outros tempos (2)

Depois de ter escrito o post sobre o valioso arquivo fotográfico do Eduardo Daniel Cerqueira, constatei que este não é o único espólio fotográfico de relevo que existe em Paredes de Coura. Ou melhor, sobre Paredes de Coura. Na passada quarta-feira, enquanto esperava a minha vez para ser atendido numa papelaria da vila, fui passeando pelo estabelecimento comercial, vendo livros e revistas e parei num expositor onde pontificavam diversos postais sobre Paredes de Coura e, curiosamente ou talvez não, todos eles mostravam um concelho de outros tempos.
Ou seja, ali naquela livraria, e sem contar, encontrei elementos que me permitiram tomar contacto com a realidade do concelho no passado. Melhor dizendo, ali encontrei várias panorâmicas da vila, porque a grande maioria dos postais era isso mesmo que retratava, com imagens de espaços que hoje nada têm a ver com o que eram há uma década.
Um cenário que me levou a pensar duas coisas. Por um lado, que também essas imagens poderiam ser aproveitadas como contributo para a divulgação e estudo da história do concelho, à semelhança do que defendi para as fotografias divulgadas pelo Eduardo Daniel Cerqueira. Por outro lado, contudo, fiquei a pensar que o interesse nos postais de Paredes de Coura por parte dos turistas deve ser muito reduzido (nesta era de telemóveis e email, outra coisa seria de esperar?), porque só isso justifica que não haja postais com imagens actuais de um concelho que, felizmente, tem tanta potencialidade a nível de património histórico-natural para oferecer.

23 dezembro 2008

Feliz Natal

Há aqueles que dizem que o Natal deve ser todos os dias. Há os outros para quem o Natal é a melhor época do ano. E há ainda os que se esquecem que é Natal. Para todos, aqui ficam os meus votos de que tenham um Feliz Natal!

Coura de outros tempos

Parece-me muito boa a ideia da Câmara Municipal de Paredes de Coura de aproveitar imagens da vila no final do século XIX para dar vida ao tradicional postal de Natal, com que costuma brindar-nos nesta altura do ano. Eu, que só conheci Paredes de Coura na década de noventa do século passado, gostei de ver a recordação da Rua Conselheiro Miguel Dantas de há mais de cem anos, com as grandes árvores, que imagino frondosas na Primavera, a ladearem a estrada que, à semelhança do que acontece hoje, era pavimentada em pedra. E quase nem reconheci a casa que faz esquina com o Largo Hintze Ribeiro, hoje em avançado estado de ruína, mas que na imagem do postal surge como um exemplo claro da riqueza arquitectónica de que ainda restam vários exemplos no concelho.
Outros tempos que, estou certo, saberá bem recordar a muitos courenses. Como acontece, aliás, sempre que o Eduardo Daniel Cerqueira resolve publicar no seu Território com Alma mais uma imagem que traz para os dias de hoje a memória da Paredes de Coura de outras eras. E por falar nessas imagens, já por diversas vezes deixei no referido blogue a sugestão que, agora, faço aqui também: porque não aproveitar tão rico espólio de que o Eduardo Daniel Cerqueira é guardião e transformá-lo em exposição, acessível a todos quantos quisessem recordar Paredes de Coura? Mais, estou convicto que, mesmo conhecendo apenas aquelas imagens com que ele nos vai presenteando de quando em quando, elas são uma mais valia para o estudo da história da vila e do concelho, dos seus hábitos e, principalmente, das mudanças verificadas ao longo do século passado.
Temos um arquivo municipal que se poderia interessar por este assunto, temos um centro cultural que poderia organizar uma mostra destas imagens, e eventualmente complementá-las com fotografias actuais para se poder ter melhor uma noção da evolução, porque não aproveitar então esta riqueza, que o é, e dá-la a conhecer? O bom trabalho desenvolvido no Território com Alma merece ser aproveitado em prol do efectivo Território com Alma que é esta Paredes de Coura que ele tanto defende.

Foto retirada do blogue Território com Alma

19 dezembro 2008

Para o avô e para o neto

Regulamento de Apoio à Natalidade, à Família e à População Idosa do Município de Paredes de Coura. O nome, pomposo e comprido, dá título ao documento que foi aprovado pelo executivo camarário de Paredes de Coura e que traz à luz do dia muitas das promessas que foram feitas nos últimos dois anos quer pelo Câmara, quer pela oposição social-democrata. Quem não se lembra da ideia de atribuir um valor equivalente ao salário mínimo, durante três anos, às famílias aquando do nascimento do terceiro filho? Pereira Júnior relançou a ideia vai para dois anos, mas depois do anúncio… silêncio. Mas eis que o assunto volta agora à ribalta com o referido regulamento que, contudo, ainda é praticamente desconhecido do público em geral. É que, apesar de supostamente estar em consulta pública, ainda não foi tornado público.
Pelo que se lê na comunicação social, no entanto, ficamos a saber que deverá entrar em vigor já no próximo ano e que prevê, entre outras coisas, subsídios pelo nascimento de um filho, que podem ir até aos mil euros e que serão atribuídos em função do escalão de abono do agregado familiar. De realçar também que a autarquia irá comparticipar as despesas que as famílias têm com as crianças, com valores que podem chegar a 80% das despesas.
O regulamento parece ser do agrado de gregos e troianos, ou seja do poder e da oposição, tendo sido aprovado por unanimidade. Aliás, outra coisa seria de estranhar, uma vez que o documento, depois de ter entrado e saído da sala de reuniões da autarquia, reentrou finalmente com propostas de um e de outro lado da barricada, incorporando, por exemplo, algumas das sugestões e reivindicações que o PSD fazia há meses em panfleto que andou pelas ruas do concelho. E lá aparecem os descontos em medicamentos para os idosos, bem como reduções nas taxas de água e saneamento. Este último benefício alarga-se também às famílias numerosas, com cinco ou mais elementos, que passam a pagar menos por estes serviços.
Com este regulamento, a Câmara de Paredes de Coura parece antecipar-se até ao apelo feito pela Associação Nacional de Municípios Portugueses para que os seus associados ajudem os cidadãos a enfrentar a crise. Não deixo contudo de questionar: se não fosse ano de eleições autárquicas, o apoio seria tanto?

14 dezembro 2008

A entrevista

O isolamento do concelho, as dificuldades financeiras e os projectos para o futuro, parados por falta de financiamento. Alguns dos assuntos abordados por Pereira Júnior, presidente da Câmara Municipal de Paredes de Coura, numa entrevista dada há duas semanas ao jornal Alto Minho e que o Eduardo Daniel Cerqueira resolveu divulgar na semana passada no seu blogue. Onde se pode ler que, à falta de melhor candidato, Pereira Júnior avançará para mais um mandato à frente dos destinos da autarquia.
O tema da eventual recandidatura de Pereira Júnior constitui, talvez, a maior novidade desta entrevista, já que, se há alguma semanas era dada como certa pela comunicação social courense, que pegou nas declarações do autarca em plena assembleia municipal, agora, ao Alto Minho, Pereira Júnior diz que ainda não se decidiu sobre a sua eventual recandidatura. O autarca explica que já foi convidado a tal pela concelhia socialista, mas o seu objectivo é encontrar um outro candidato a quem passar o testemunho. E aqui levanta-se a questão: será por falta de substitutos à altura, pelo prazer do desafio de levar o PS a mais uma vitória ou simplesmente porque não há entendimento entre os seus eventuais sucessores? Fica a dúvida.
Sem dúvidas parece estar Pereira Júnior no respeita ao atraso na ligação à A3, eterno “cavalo de batalha” das promessas eleitorais socialistas e que, contrariando as previsões optimistas que tinham sido transmitidas ao autarca, ameaça fazer ainda parte do lote de projectos das próximas autárquicas. Consciente de que o reduzido peso a nível eleitoral que o concelho tem, o condiciona a nível de projectos públicos de investimento, Pereira Júnior diz-se cada vez mais céptico sobre o avanço da obra cujo concurso chegou a admitir ser lançado ainda este ano, fazendo fé nas informações que lhe foram dadas nesse sentido. Com o final do ano a aproximar-se, o cepticismo parece imperar.
Já em relação à nova biblioteca municipal a situação parece diferente. Não que esteja mais avançada, mas porque o município estaria disposto a avançar com a construção sem esperar pelos fundos do Governo. Mas, sem o aval deste último, vão-se adiando este, e porventura outros sonhos de Paredes de Coura, dependentes da vontade de que, lá longe, nos governa.

12 dezembro 2008

As contas de 2009

A entrada será a informação sobre a situação financeira do município que, a fazer fé nas recentes declarações do presidente da Câmara de Paredes de Coura à comunicação social, está num estado assustador. O prato principal, contudo, será a aprovação do plano de actividades e do orçamento do município para o próximo ano. A Assembleia Municipal de logo à noite tem todos os ingredientes para se transformar num saboroso jantar de Natal.
Em vez do bacalhau e do polvo, tão ao jeito minhoto, em cima da mesa vai estar a discussão das grandes opções do plano e o orçamento do próximo ano. Num cenário de previsível crise são ainda desconhecidos do público em geral os valores que envolve o orçamento, bem como as principais áreas de intervenção propostas para 2009. Sabe-se apenas que os vereadores da oposição votaram contra estes documentos, argumentando, entre outras coisas, que o pacote fiscal que propuseram à autarquia não foi tido em conta.
Além disso, José Augusto Viana e Décio Guerreiro criticam também a inclusão da concessão da rede de abastecimento de águas do município, situação que já se tinha verificado no orçamento deste ano e que gerou bastante discussão, mas que, pelos vistos, ainda não foi avante. A oposição contesta ainda as obras de embelezamento que a Câmara prevê para vila, argumentando que são supérfluas nesta altura de crise e critica igualmente a falta de objectividade na definição das obras pedidas pelas juntas de freguesia que a autarquia se propõpe executar, bem como o valor atribuído à rubrica Outras. Duas situações que assumem maior relevo quando se sabe que 2009 é ano de eleições autárquicas e que esta indefinição pode levar a especulações sobre o destino das verbas incluídas na proposta de orçamento.
Mas a Assembleia Municipal de hoje tem também direito a sobremesa, esta já mais do agrado da oposição social-democrata, se bem que os vereadores do PSD desejariam o doce ainda mais açucarado. Falo das propostas de taxas que a Câmara Municipal vai apresentar à Assembleia. A redução da fatia do IRS que cabe aos municípios é, provavelmente, a mais importante, com a autarquia a abdicar de dois por cento dos cinco por cento a que teria direito. O PSD, recorde-se, defendia a não cobrança da totalidade dos cinco por cento. Também as taxas de IMI vão ser revistas, passando o mínimo para 0,3%. A oposição queria ir mais longe, reduzindo para 0,2%, mas os três vereadores socialistas não permitiram. E logo à noite não se espera cenário diferente.

09 dezembro 2008

A Câmara de Coura agradece...

A Câmara de Paredes de Coura agradece a decisão do Ministério das Finanças de proceder à nacionalização do Banco Português de Negócios. Ou pelo menos deveria agradecer, para não parecer... mal agradecida.
E perguntam os leitores porquê? Simplesmente porque à data daquela decisão governamental, no passado dia 2 de Novembro, o município de Paredes de Coura tinha praticamente metade dos seus fundos aplicados em depósitos daquele banco. Ao todo era mais e meio milhão de euros que, caso a Assembleia da República não tivesse aprovado a nacionalização do BPN e evitado desta forma a sua falência, à luz da legislação actual, seriam convertidos em meros 25 mil euros.
Tendo em conta o cenário que aconteceria caso o Governo não tivesse estendido a mão ao BPN, acho que faz todo o sentido recordar aquele velho ditado que dizia que não se devem meter todos os ovos no mesmo cesto, não?

05 dezembro 2008

Perdida em combate


Desaparecida! Esta placa foi colocada há meses junto ao edíficio dos Paços do Concelho. Aguentou naquele local, estoicamente, umas duas semanas. Depois desapareceu sem deixar rasto. Dizem as más línguas que foi a própria placa que resolveu fugir, indignada com as eventuais incorrecções da informação que era suposto fornecer. Dá-se recompensa a quem a encontrar!

03 dezembro 2008

Luzes de Natal

Enquanto as iluminações natalícias não se acendem, há quem pense em dar alguma luz ao Natal dos mais carenciados. Um pouco por todo o lado multiplicam-se as acções de solidariedade que pretendem recolher bens e alimentos para quem deles necessita. Paredes de Coura também as tem, muito embora a fraca divulgação leve algumas pessoas a pensar que a solidariedade tipicamente natalícia nos passa ao lado.
O projecto “Sementes de Natal”, que tem sido levado a cabo na Escola EB 2.3/S de Paredes de Coura, nos últimos anos, dá aos courenses a possibilidade de ajudarem algumas famílias carenciadas, recolhendo vestuário, brinquedos e alimentos, entre outros artigos. No ano passado, por exemplo, as “Sementes de Natal” possibilitaram a entrega de 15 cabazes a outras tantas famílias de alunos carenciados, que desta forma tiveram uma ceia de Natal mais recheada. Este ano estão de volta, mais uma vez nas escolas de Paredes de Coura, que têm as portas abertas para receber a solidariedade dos courenses.
Mas aqui à volta há outras iniciativas que merecem também menção. É o caso da campanha "Sonho de Natal", levada a efeito pela Câmara de Caminha e pela CPCJ local, que está a decorrer até ao próximo fim-de-semana nas principais praças de Caminha e Vila Praia de Âncora. A iniciativa, como todas as outras, visa a contribuição para um Natal mais feliz dos mais carenciados, mas no caso de Caminha reveste-se de um aspecto inovador: quem quiser contribuir adquire um presente que será entregue a uma das crianças identificadas, de forma fictícia, nos locais onde decorre esta campanha.
Já agora, para aqueles que querem levar a sua solidariedade natalícia mais longe, fica a sugestão do projecto de luta contra a pobreza e exclusão social dinamizado pelos CTT. Basta consultar a lista de organizações, escolher uma e dirigir-se a uma estação dos CTT onde existem caixas de transporte para fazer seguir o donativo, sem quaisquer custos. E assim, mesmo à distância, podemos ajudar.

27 novembro 2008

Enquanto uns não andam, outros não param...

Do projecto turístico previsto para Mozelos, que irá aproveitar a estrutura do antigo sanatório, não se vislumbram avanços. Enquanto o Centro Hospitalar do Alto Minho não se decidir a vender o edifício, abandonado em 2002, o projecto não tem pernas para andar, cortadas que estão, à partida, pela burocracia excessiva da administração pública.
Mas, como que a justificar o interesse que um projecto da envergadura do que se prevê para Mozelos e arredores tem para o concelho e para o turismo, para ali mesmo ao lado, em Insalde, há já quem projecte um outro equipamento turístico, sinal de que o sector tem potencial no concelho e que, por isso mesmo, deve ser aproveitado.
Em viagem pela Internet veio-me parar ao monitor a imagem que reproduzo acima, de um projecto de arquitectura desenvolvido pela Utopia - Arquitectura e Engenharia, Lda. com vista à recuperação de um conjunto habitacional existente em Insalde, que irá ser recuperado para dar lugar a um aldeamento turístico de características rurais, com capacidade para acolher 40 pessoas. Acresce que o referido projecto prevê a utilização de um arquitectura sustentável na sua construção, o que, na minha opinião, ainda o valoriza mais. Ficamos à espera de o ver surgir no terreno.
Foto retirada daqui.

A pedido de várias famílias?

Na escola aprendemos que para existir comunicação são necessárias várias coisas. Um emissor, um receptor, uma mensagem, etc. E exige-se também um contexto, algo que enquadre a mensagem, de modo a que esta seja facilmente percebida por quem a recebe. Caso contrário, corre-se o risco de ninguém perceber de que se fala, apenas e só porque se desconhece de que é que se está a falar.É mais ou menos o que acontece nesta notícia da última edição do Notícias de Coura. Corri o jornal duma ponta à outra e não encontrei nada que explicasse o porquê do esclarecimento ali prestado e que ilustro na imagem acima. Não satisfeito, fui ao monte dos jornais que tenho aqui em casa e consultei várias edições anteriores do mesmo jornal e... nada novamente.Fiquei a pensar, então, como raio é que surgia um esclarecimento sobre um assunto que nunca tinha sido abordado no jornal? Mas de que multa é que eles estão a falar? Será que se espera que os leitores adivinhem os acontecimentos pelas suas explicações? Ou será que, “a pedido de várias famílias”, se utiliza o Notícias de Coura para responder a questões levantadas noutros locais? Fica a questão.

25 novembro 2008

A força que o vento traz (2)

Por falar em eólicas e as vantagens que as energias renováveis trazem, de lembrar também que essas vantagens se alastram, e de que maneira, ao sector da cultura. Pelo menos, no que ao Alto Minho diz respeito, já que a empresa que explora as eólicas do Parque Eólico do Alto Minho I é um dos principais mecenas das Comédias do Minho.
Por isso mesmo, a cerimónia de inauguração de amanhã, com a presença de José Sócrates, vai servir também para a assinatura do segundo protocolo entre a Empreendimentos Eólicos do Vale do Minho e a companhia de teatro sedeada em Paredes de Coura. Uma parceria que se vai estender até 2011 e que possibilitará a continuação da dinamização da cultura, que não só do teatro, nos municípios associados das Comédias do Minho.
Um trabalho que a Associação Comédias do Minho tem desenvolvido nos cinco concelhos do Vale do Minho, e de onde têm saído projectos culturais com bastante interesse, quer com adultos, quer, sobretudo, com crianças. É, penso que ninguém contestará, um projecto que deve continuar nos próximos anos. Assim haja mais mecenas.

24 novembro 2008

A força que o vento traz

A semana começou ventosa, chuvosa e fria. De tal forma ventosa que ainda andam pelo ar os ecos da visita que José Sócrates fez, na semana passada, às instalações da Enercon, que inaugurou com pompa e circunstância, deixando para segundo plano as queixas daquela empresa relativamente à falta de mão de obra qualificada. Qualificada e barata, haveriam de criticar, à porta da festa, os sindicatos do sector, que parecem dizer que “para tal trabalhinho, tal dinheirinho”. Por outras palavras, se querem funcionários capazes que lhes paguem, caso contrário os jovens qualificados preferem rumar à Galiza na procura de melhores ventos.
Mas, no meu entender, o mais importante da passagem do primeiro-ministro por terras de Viana do Castelo foi a certeza que deixou de que o futuro do desenvolvimento do país passa pelas energias renováveis, nomeadamente a eólica e a hídrica. Sócrates, que chegou mesmo a considerar as renováveis como “a tábua de salvação” para a economia poder sair da actual crise, parece mesmo apostado em garantir que a sua previsão será realidade. De tal forma que volta ao Alto Minho esta semana para mais uma inauguração, desta feito do maior parque eólico construído na Europa, que inclui 120 aerogeradores, parte dos quais instalados em Paredes de Coura.
Um investimento de 361 milhões de euros que contou com a participação das autarquias onde os parques eólicos foram erigidos. E contou é a palavra certa, porque como é sabido a maior parte dessas autarquias resolveram alienar a parte que lhes cabia no bolo final das eólicas alto-minhotas. Quem sabe se por não estarem tão confiantes como José Sócrates e não partilharem das suas previsões optimistas. Quem sabe se por verem, na venda da sua quota na Ventominho, a “tábua de salvação” para a crise que já se instalara em muitos cofres municipais. Para Paredes de Coura, por exemplo, foi um “negócio da China”, como explicou o presidente da Câmara.
Habituados que estamos, já, a ver as enormes torres a orlar as serras alto-minhotas, esperemos, agora, que as previsões do primeiro-ministro não estejam muito longe do correcto. É que, se José Sócrates vê nas energias eólica e hídrica o coração do desenvolvimento do país, o Parque Eólico do Alto Minho I, pela sua dimensão e capacidade produtiva, bem pode ser considerado o pacemaker dessa operação de retoma económica.

21 novembro 2008

De que é que estão à espera?

Há quase um ano que foi construído, aparentemente está pronto a entrar em funcionamento mas, inexplicavelmente, continua encerrado. Daí que surja a pergunta: estão à espera de quê para abrir o polidesportivo construído em frente à GNR de Paredes de Coura?
Construído, ao que me lembro, ao abrigo de um protocolo qualquer entre a Câmara Municipal e a FIFA, o polidesportivo está, desde a sua conclusão, ou pelo menos aparente conclusão, vedado com uma rede que impede a sua utilização e, já agora refira-se também, não oferece qualquer segurança. Basta alguém encostar-se para que os painéis da rede cedam e tombem.
Mas a questão principal nem é essa, a questão principal é saber porque é que, tanto tempo depois de terminados os trabalhos, aquele espaço ainda está vedado ao público. E depois é ver os grupos de jovens que por ali passam a lamentarem-se por não poderem usufruir de um espaço com boas condições para a prática desportiva. É claro que por lá também passam aqueles, mais críticos, que dizem que o polidesportivo está bem é assim, fechado, porque os jovens, quando começarem a utilizá-lo, vão é estragá-lo. Pois, mas isso é outro problema.
E por isso lanço mais uma vez a pergunta: alguém sabe porque é que o polidesportivo não abre?

18 novembro 2008

Arte ou vandalismo?

Uns gostam, outros odeiam. É sempre assim quando se fala de arte! Mas, o que é acontece quando se salta a fronteira entre arte e vandalismo? O grafitti é mesmo assim, algo indefinido que baloiça numa ténue fronteira que, volta não volta, passa mesmo para o lado de fora da Lei.
Por esse país fora já vi vários exemplos de como o grafitti pode ser utilizado para dar mais cor, mais beleza, a algumas zonas degradadas, nomeadamente nos grandes centros urbanos, onde este tipo de actuação tem mais expressão. Aliás, considero que em Paredes de Coura este tipo de expressão artística podia até ser aproveitado para revestir as paredes do túnel e eventualmente evitar o que aconteceu em Viseu. Já agora, ressalve-se, que a maioria das intervenções que vi nem sequer tinham cariz político, muito embora este seja um tipo de propaganda bastante utilizado, sobretudo nos partidos mais à esquerda, existindo murais muito emblemáticos um pouco por todo o país.
Mas o sentido inicial da minha intervenção vem a propósito do cenário com que me deparei, há dias, nas traseiras do Centro Cultural de Paredes de Coura. A zona por detrás do palco, mais concretamente as escadas que dão acesso à varanda do piso superior, ostenta nas paredes um conjunto de inscrições que, sinceramente, de arte não me parece ter nada. E, atenção, não quero com isto entrar em falsos moralismos, a verdade é que o aspecto global é mesmo muito desolador.
Tendo em conta o papel preponderante que o Centro Cultural tem desempenhado na promoção da cultura do, e no concelho, tenho para mim que aquele cenário em nada abona nesse sentido. É claro que a entidade responsável por aquele equipamento, a Câmara Municipal, nada pode fazer para evitar situações deste tipo. Nem sequer mesmo para minimizar os danos causados, porque o revestimento do Centro Cultural não é dos melhores para limpar grafittis.
O problema é que as inscrições não são o único estrago que por ali fizeram. A zona das escadas parece um autêntico cinzeiro, tal a elevada quantidade de pontas de cigarro que por ali existe, num sinal claro de falta de limpeza. E o que dizer do piso daquela zona, totalmente danificado, com as lajes levantadas e até o próprio isolamento da cobertura do edifício já deteriorado? Não deve demorar muito tempo a verificarem-se infiltrações…

14 novembro 2008

A todo o gás!

Paredes de Coura prepara-se para receber o gás canalizado. A operação que, pelo que é conhecido, abrangerá apenas algumas zonas da vila, vai aproveitar os trabalhos para a instalação da rede de fibra óptica do Vale do Minho Digital. Poucos anos depois das obras de reabilitação do centro urbano, a vila volta a ser esventrada, novamente em nome do progresso.
Sem prazo de execução ainda apontado na agenda, a rede de distribuição de gás chega à vila dez anos depois do concelho ter sido atravessado pelo gasoduto que liga à vizinha Galiza. Desconhece-se, contudo, se o abastecimento à vila vai ser feito com recurso a gás natural, ainda que por intermédio de um depósito como acontece noutras localidades, ou se será o chamado “gás de cidade” a circular por debaixo das ruas courenses.
Uma coisa, contudo, é certa. Ou melhor, duas. A primeira é que se trata de uma melhoria que pode facilitar a vida a quem reside na vila, que assim deixa de se preocupar com a botija do gás. A outra já não será tão benéfica, pelo menos numa primeira fase. É que a instalação da rede vai obrigar a obras de vulto que vão servir não só para a rede de distribuição de gás, mas também para instalar a rede de fibra óptica. Vamos voltar a ter as ruas esburacadas durante semanas, naquela que é uma das faces piores do progresso.
Mas a questão principal nem será a realização dos trabalhos. O principal, digo eu, é que a vila sofreu grandes melhoramentos a nível da rede viária há poucos anos, mesmo poucos, mas como estas questões não eram previsíveis na altura, vai ser preciso estragar o que foi feito para depois tentar repor como estava. Não se esperam manifestações, mas a autarquia não se vai escapar de algumas críticas mais duras. Eu, sinceramente, só critico se, no final, as coisas não ficarem como estavam. Até lá, é confiar.

11 novembro 2008

Já compraram um cofre novo?

Depois da tentativa de assalto e do assalto propriamente dito, a Santa Casa da Misericórdia de Paredes de Coura recebeu hoje um subsídio no âmbito da Medida de Apoio à Segurança de Equipamentos Sociais. Nem de propósito, não acham.
Só espero é que já tenham comprado um cofre novo, instalado um alarme e reforçado a segurança das instalações, caso contrário, a verba de apoio à segurança pode ir parar aos bolsos de algum amigo do alheio.

Política psicológica

Acho que depois destas declarações à comunicação social por parte de Rui Solheiro, presidente da Câmara de Melgaço e da recém-formada Comunidade Intermunicipal do Alto Minho, o ambiente num distrito unido a dez será bem tenso. Nesta altura até já acho que, se calhar, o melhor é mesmo ganhar o Não em Viana do Castelo. A bem da integridade física de Solheiro e Defensor Moura, claro está.

10 novembro 2008

Multas (3)

Alguém já ouviu falar na multa que o Tribunal de Contas quer passar à Câmara Municipal de Paredes de Coura e ao seu actual Executivo? Pois eu já, e há já algum tempo, mas fiquei sempre à espera de ver a Câmara desmentir o que corria por aí à boca pequena: que alguém tinha tentado enganar a entidade fiscalizadora mas que a coisa não tinha corrido muito bem.
Mas afinal o desmentido não surgiu, os rumores continuaram, e até na última edição de O Coura o assunto já foi abordado, ainda que muito ao de leve. Mas explicações, nada… Será que anda tudo a esconder o que não tem esconderijo possível? Será que estão na expectativa de que tudo se resolva sem vir a público?
Recapitulemos: o Tribunal de Contas pode aplicar uma multa à Câmara de Paredes de Coura. E ao seu presidente. E aos seus vereadores. A história remonta à construção do Centro de Educação e Interpretação Ambiental, em Vascões, que além de um edifício novo incluiu também a recuperação da antiga escola primária e da casa do professor.
Ora, parece que é precisamente aqui que surgem os problemas. Ao que o Mais pelo Minho apurou, na altura de apresentar o projecto, e respectivos custos, esqueceram-se de incluir no lote a recuperação da antiga escola primária e depois, já com a obra feita, não foram de modas e vá de inserir essa empreitada na célebre rubrica de trabalhos a mais. Só que no Tribunal de Contas estranharam o valor dos extras e fizeram o que se esperava, avisaram que ou as contas eram revistas ou a multa seria a doer.
Mais! Parece que não só a Câmara, enquanto instituição, seria multada, mas também todos os que aprovaram os valores do fecho de contas da construção do CEIA que, tendo em consideração as actas das reuniões da autarquia, foram aprovadas por unanimidade. Ou seja, aparentemente os membros do Executivo aprovaram o que, muito certamente, lhes foi fornecido pelos serviços camarários como sendo correcto, e arriscam-se agora a pagar, literalmente, por esse excesso de confiança. É caso para dizer que, às vezes, assinar de cruz pode ter destas coisas…

04 novembro 2008

Uma questão de confiança

A um ano das eleições autárquicas há quem, em Paredes de Coura, já faça contas de cabeça para tentar descobrir quem serão os candidatos dos principais partidos. No PS aposta-se na continuidade, em jeito de final de carreira, enquanto no PSD especula-se se o velho líder dará lugar ao seu delfim.
Mas, enquanto se fala nos protagonistas, esquecem-se os actores secundários, que engrossam as listas de candidatos a vereadores. Tal já não deverá suceder em Caminha, concelho onde a actual presidente da Câmara está agora a sentir na pele a (má) escolha dos que a acompanharam nas eleições de há três anos e que agora lhe voltaram as costas. É que, na maior parte das vezes, a escolha dos restantes elementos das listas não está dependente do aval do candidato a presidente. Pelo contrário, enquanto o lugar de presidente, qual testa de ferro, até pode ser ocupado por um suposto independente, os lugares seguintes tendem a dar resposta às “solicitações” da concelhia local.
Resultado, em Caminha, há meses que Júlia Paula, a autarca social-democrata retirou a confiança política a seu antigo número dois. Aliás, retirou-lhe a confiança política e todos os pelouros. Só não conseguiu, porque não o pode fazer, retirar-lhe o tapete e metê-lo na rua. Bento Chão, o vereador em questão, não foi de modas e fincou pés na vereação, servindo agora de contrapeso entre um Executivo social-democrata com três vereadores mais ele próprio e uma oposição socialista que conta igualmente com três vereadores.
Ainda na semana passada se colocou do lado da oposição e o PSD viu chumbadas algumas propostas que uma maioria no Executivo supostamente garantiria a aprovação e aprovadas outras que não pretendia (caso da redução do IMI para 0,2%). “Traição”, acusam os social-democratas que se viram, de repente, sem maioria. De tal modo que já dizem que Bento Chão e a oposição aliaram esforços para não deixar trabalhar a Câmara. E não me admiraria se, nas próximas autárquicas, o antigo vereador social-democrata aparecesse nas listas socialistas.
É o que dá não poder escolher a equipa com quem se quer trabalhar. Nesse aspecto concordo com a sugestão que foi feita para alterar a lei eleitoral e que transformava, de certo modo, a eleição do presidente da Câmara numa escolha parecida com a do primeiro-ministro: o presidente era eleito pelo povo e escolheria depois a sua equipa de trabalho, podendo até basear essa escolha em critérios técnicos em vez dos habituais critérios políticos. Mas, e nestas coisas há sempre um mas, quem nos garante que não existiriam outros “critérios” a determinar as escolhas?

03 novembro 2008

E vão três...


Três anos passaram desde a primeira publicação no Mais pelo Minho. Três anos a escrever o que me vai na alma sobre esta regiao que me acolheu. Em cada post a convicção de que o se publicava era a minha opinião. Em cada comentário a certeza de que cada qual tem o seu ponto de vista e a liberdade necessária para o exprimir.

Em trẽs anos muita coisa mudou. Mudou o mundo, mudou o Minho, mudou o nosso concelho. Mudou o Mais pelo Minho, pouco mas com alguns ajustes que foram sendo feitos. E vai continuar a mudar, com a ajuda de todos os que por aqui passam.

O futuro próximo passa por alguns retoques no layout do blogue, que pouco mudou desde a sua fundação, mas seguir-se-à a criação de um novo espaço de comentários, mais dinâmico, e a abertura do blogue a novos autores, que vão trazer ao Mais pelo Minho novos pontos de vista, novas abordagens da realidade desta região. Em nome do Minho, em nome de todos os leitores.

E enquanto as mudanças não chegam, fica o agradecimento a todos quantos por aqui passam, uns mais anónimos que outros, uns mais participativos que outros. É com todos eles que apagamos as velas de mais um aniversário.


Eduardo Bastos


31 outubro 2008

E nós a vê-los passar!

O pedido de licenciamento do campo de golfe de Vila Nova de Cerveira já foi entregue nos serviços da autarquia local e espera o aval da Câmara e da CCRDN para avançar para o terreno. E em Paredes de Coura, como ficamos?
O projecto de investimento que está previsto para as instalações do antigo Sanatório, em Mozelos, continua em banho-maria, depois da administração do Centro Hospitalar do Alto Minho, proprietária do edifício, ter anunciado, em Fevereiro, a intenção de alienar o edifício, abandonado em 2002, ainda no decorrer deste ano. Mas, quando faltam apenas dois meses para acabar 2008, está tudo na mesma e o campo de golfe, hotel e zona habitacional continuam sem poder sair do papel.
Aqui ao lado, contudo, as coisas parecem andar mais depressa e na semana passada já deu entrada na Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira o pedido de licenciamento para a construção de um campo de golfe e da unidade hoteleira de apoio. Os outros projectos falados para o distrito, nomeadamente o de Paredes de Coura, parecem esquecidos por quem parece querer travar o desenvolvimento. Talvez por isso José Manuel Carpinteira, presidente da autarquia cerveirense, não hesite em afirmar que, dos vários projectos semelhantes que foram falados para o distrito, o de Cerveira é o único que até agora demonstrou ter a credibilidade necessária para a avançar.
E nós, em Paredes de Coura, graças a um capricho do Centro Hospitalar do Alto Minho, que descobriu tarde que o antigo Sanatório de Mozelos lhe pertencia, isto apesar de o ter utilizado até 2002, ficamos a “ver passar navios”, como costuma dizer-se. Só é pena que, a tantos quilómetros do mar, os “navios” que vemos passar sejam as oportunidades de desenvolvimento, de emprego, de melhoria da qualidade de vida., que se esfumam no nevoeiro das indecisões e atrasos a nível central.

28 outubro 2008

Cai ou não cai?

É em noites como a de hoje que me lembro dos vários avisos que têm sido feitos em relação a uma das grandes árvores que existem no jardim junto ao Largo Hintze Ribeiro, em Paredes de Coura. O vento forte, que uivou durante toda a noite, é bem capaz de provocar estragos e, não seria de admirar que as árvores, com bastante idade, fossem um alvo fácil para as fortes rajadas.
Não são de hoje os alertas que têm chegado aos serviços municipais referindo o perigo que pode representar a queda de ramos daquela árvore, ou mesmo da própria árvore, que dizem estar em muito más condições. Alguns chegam mesmo a dizer que a árvore está praticamente morta.
A situação reveste-se de maior importância quando se sabe que naquele jardim funciona o único parque infantil público da vila, frequentado por muitas crianças, especialmente ao fim de semana. Torna-se, por isso, urgente, verificar se realmente a árvore está em condições de continuar de pé ou se, pelo contrário, deverá render-se ao corte preventivo.
Ainda recentemente, na Assembleia Municipal, a deputada social-democrata Helena Ramos alertou para essa situação, questionando o presidente da Câmara sobre a mesma. A autarquia, contudo, garante que não existe qualquer motivo para preocupação, tendo os especialistas, presume-se que do próprio município, assegurado que a árvore não apresenta quaisquer problemas. Ainda assim, Pereira Júnior sempre foi dizendo que, pelo sim, pelo não, vai pedir nova avaliação da referida árvore.
Já agora, e aproveitando os técnicos ao serviço da Câmara Municipal de Paredes de Coura, porque não fazer o mesmo a outras árvores espalhadas pela vila e pelo concelho, de uma forma geral? É que o Inverno não tarda e com ele o mau tempo e, antes de correr a limpar os estragos causados por alguns dias de temporal, o melhor é ver se há ramos que podem ser cortados antes e evitar, desta forma, algum acidente mais para a frente.

23 outubro 2008

Começou!

A um ano das eleições autárquicas, eis que o PSD de Paredes de Coura já começou a sua campanha eleitoral, num comunicado em que se manifesta contra a crise, a pobreza e a desertificação. Mesmo não sabendo ainda, até porque alguns dizem que é muito cedo, quem será o candidato laranja à Câmara de Coura. Se tivermos em conta que a política local é muitas vezes um “one man show”, e avaliar por quem andava a distribuir os cartazes, é capaz de haver surpresas.
O comunicado do PSD surge numa altura em que se discute a elaboração do orçamento da Câmara de Paredes de Coura para o próximo ano. Os social-democratas não quiseram deixar de prestar o seu contributo e vá de enunciar algumas medidas que gostariam de ver incluídas naquele documento. E não falo de projectos ou investimentos, mas de mexidas aritméticas que, explica aquele partido, podem promover o desenvolvimento e aumentar o rendimento dos courenses.
Na sua maioria, não se tratam de quaisquer novidades. São reivindicações que o PSD já apresentou por diversas vezes nas reuniões do Executivo camarário e na Assembleia Municipal, inclusivamente na última sessão deste órgão autárquico, com Venâncio Fernandes a defender a redução da taxa de IMI para o valor mínimo, o que já foi chumbado pela maioria socialista. Lá aparecem também o abdicar, por parte da autarquia, do valor que lhe cabe do IRS dos contribuintes, bem como o fim da derrama e a isenção ou redução do IMI e IMT para quem recupere habitações degradadas.
Mas surgem também algumas propostas novas, nomeadamente a isenção do IRC aos projectos de investimento que promovam a criação de emprego, bem como a criação de um apoio complementar para a aquisição de medicamentos, destinado às pessoas com rendimentos mais baixos. Já no que respeita à fonte onde vai buscar o dinheiro para financiar isto, o PSD não esclarece.
O comunicado agora divulgado, que os social-democratas andaram a espalhar pelo concelho, fala ainda na atribuição de um subsídio de natalidade. Não se percebe muito bem é se é uma proposta inovadora ou se, pelo contrário, estão a perguntar a Pereira Júnior onde pára o prometido subsídio à natalidade com o nascimento do terceiro filho, colocado na agenda há bastante tempo mas que ainda não viu a luz do dia.

22 outubro 2008

A ponte é uma miragem?

Doze anos foi quanto esperaram as populações de Linhares e Rubiães para ver restabelecida a ligação directa entre aquelas duas freguesias, com recurso à Ponte das Poldras. A Ponte inicial foi construída há mais de cem anos e veio abaixo por duas vezes, devido às cheias. Agora, a sua substituta corre o mesmo risco e ainda antes de estar terminada. É que um erro de projecto transformou a ponte numa perigosa travessia
A questão foi levantada pelo próprio presidente da Junta de Freguesia de Linhares, Manuel Fernandes, que exigiu saber qual a solução para o problema causado por um erro de projecto na nova ponte. Ao que parece, o projectista esqueceu-se de prever os necessários muros de suporte que iriam dar a estabilidade necessária à Ponte das Poldras. Deste modo, ficou apenas o tabuleiro, situação que, em caso de cheias anormais, pode deitar a ponte abaixo uma vez mais.
Um esquecimento que levou o presidente da Junta de Freguesia de Linhares a dizer que “quem fez o projecto é cego”, por não ter englobado aqueles muros de suporte no projecto inicial. E se o erro foi do projectista, a entidade fiscalizadora também não fica isenta de culpas, com Manuel Fernandes a dizer que a Câmara não fez o seu trabalho em condições, ao não detectar o esquecimento.
Esquecimento que vai obrigar a trabalhos extra e ao aumento dos custos com a construção da Ponte das Poldras, inicialmente orçada em 190 mil euros, e que motivou a paragem dos trabalhos durante bastante tempo, adiando a prevista inauguração para o primeiro semestre deste ano. Já agora, será que aquela ligação seria assim tão necessária?

19 outubro 2008

É o que nos calha!

Nada. Ou praticamente nada. É isto que nos calha no plano de investimentos da administração central para o próximo ano. O PIDDAC de 2009 reserva-nos, nada mais, nada menos, que 91 mil euros. Quase nada, diríamos. Ou mesmo nada, se tivermos em conta que os tais 91 mil euros dizem respeito a algo que já existe e está a funcionar há vários meses: o arquivo municipal.
É o que nos calha. Só isto e nada mais. Não aparece por lá a via rápida de ligação à auto-estrada, que Pereira Júnior espera ver lançada até ao final do ano. Não é convicção do autarca mas, explicou, assim lho deram a entender. Mas o PIDDAC, pelos vistos, não vai ao encontro dos desejos do autarca e das informações que lhe transmitiram.
Não aparece lá a nova estrada como também não aparece mais nada. E o que nos calha? Só o arquivo municipal, cuja comparticipação financeira do Ministério da Cultura foi repartida pelos últimos três PIDDAC’s. Este ano, pelo menos, a comparticipação sempre é melhorzinha e retira-nos do último lugar da distribuição de dinheiros públicos. Valha-nos ao menos essa satisfação tão portuguesa de saber que há concelhos no distrito (Caminha e Valença) que vão receber menos que nós.
E não há por lá mais nada? Aparentemente não. É o que nos calha. Nem sinal dos projectos que a autarquia tem em agenda para os próximos anos. Ou sequer dos que já fazem parte dos planos do município de outros anos atrás. Procura-se a nova biblioteca municipal e, sem surpresa, nada se encontra.
É certo que o PIDDAC não é tudo. Ainda para mais num ano eleitoral onde os investimentos vão andar a flutuar ao sabor das ondas das previsões eleitorais. É esperar que os cerca de nove mil votos que por cá se contam, contem para alguma coisa nesse bolo de “aniversário” que se reparte à medida que se entregam os presentes ao aniversariante. É o que nos calha!

16 outubro 2008

Ver para crer?

Há meses que a Câmara Municipal de Paredes de Coura pediu à EDP que retirasse o poste de alta tensão existente junto ao centro de saúde local. Para aquele espaço está projectada a construção de um heliporto que irá servir de apoio à unidade de saúde em casos mais graves. Meses passaram e tudo na mesma.
Até parece que a EDP estava à espera para ver se era realmente necessário fazer aquela alteração, como se não bastasse o pedido e a explicação da autarquia. A sério que parece mesmo isso. É que, depois de na passada terça-feira um helicóptero do INEM ter arriscado, e arriscado é a palavra certa, uma aterragem naquele espaço, agora, dois dias volvidos, a EDP diz que vai retirar o poste até ao final do mês.
Ver para crer? Assim parece que trabalha a EDP que, se calhar, quis constatar in loco que o poste estava ali a mais. E foi preciso esperar pelo azar de uma vítima de um acidente de trabalho muito grave para verificar que, efectivamente, o poste está a estorvar. A ver vamos se, como prometido aos microfones da Rádio Geice, a EDP vai mesmo retirar aquela estrutura e dar, deste modo, luz verde à construção do heliporto. É que, até pode estar meses, anos, sem ser necessário, mas de uma hora para a outra pode fazer toda a diferença.
Este não é, contudo, caso único da inércia/teimosia da EDP. Ou pelo menos de empresas que trabalham para a EDP. Quem nunca ouviu falar de situações em que pedidos de ligação são adiados vezes sucessivas ao gosto e disposição daquela empresa? Ou ainda dos atrasos verificados na colocação de iluminação pública nas estradas do concelho (e presumo que noutros também)? Ou também daqueles casos, que de quando em quando surgem, de postes que ficam esquecidos no meio da estrada depois de obras de beneficiação? Se for como caso do heliporto, provavelmente ficam à espera para ver se realmente estorva à circulação…

13 outubro 2008

Depois dos cavalos, as bicicletas?

Será que, depois dos cavalos, vamos ter a rua Conselheiro Miguel Dantas vedada ao trânsito de… bicicletas? A ideia chegou a ser falada na última Assembleia Municipal, depois das queixas de Joaquim Felgueiras Lopes, autarca da vila, que se insurgiu contra a velocidade excessiva a que circulam alguns ciclistas numa rua pedonal, onde as pessoas não têm de se preocupar o trânsito.
Refira-se, em abono da verdade, que as queixas de Joaquim Felgueiras Lopes até têm razão de ser. Já por diversas vezes vi alguns ciclistas, nomeadamente alguns adolescentes, que deslizam pela rua abaixo em autênticas corridas mais adequadas a um velódromo do que à rua com mais peões, esplanadas e bancos da vila. Agora, se me perguntarem se acho que proibir a circulação de bicicletas é o melhor a fazer, a resposta é um óbvio não. Tudo bem que se trata de uma rua pedonal, mas julgo que o trânsito de bicicletas, cumprindo as regras mínimas do bom senso, não trará quaisquer inconvenientes aos transeuntes. E o que seguiria: os patins em linha, as trotinetas?
Na Assembleia Municipal, Pereira Júnior comprometeu-se a ver com a GNR a possibilidade de se proibir a passagem das bicicletas por aquela via, como aconteceu com os cavalos. Mas lembrou também que o ideal seria criar condições para andar de bicicleta noutros espaços. Pois, também concordo com esta última parte. Tanto, que me veio à memória o projecto que a Câmara Municipal idealizou, vai aí para uns cinco anos, e que passava pela criação de uma zona de lazer na zona verde junto ao Centro Cultural, que teria continuação do outro lado do túnel, no antigo largo da feira e nas traseiras do bairro da Rua dos Bombeiros Voluntários.
Um projecto que incluía, entre outras coisas, uma zona arborizada com bancos e mesas, uma zona para desportos radicais e até um café/esplanada. Seria a alternativa ideal para retirar as bicicletas da rua Conselheiro Miguel Dantas? Também, mas mais que isso seria igualmente uma nova frente de atracção da vila. O projecto parece que continua parado no tempo. Esperemos que a ideia de o levar avante não tenha ficado esquecida.

08 outubro 2008

Prioridades

Na edição de ontem do Notícias de Coura, na mesma página, duas notícias davam-nos conta de duas situações verificadas na mesma freguesia. Em Romarigães, por um lado fala-se dos novos balneários do polidesportivo e por outro lado lembra-se a construção inacabada do centro de dia. E, numa única página de jornal, ficamos logo a saber quais as prioridades para a freguesia.
De uma assentada só ficamos a saber que., dinheiro para concluir o centro de dia daquela freguesia, não há e pode não haver tão cedo. As obras estão paradas no tempo há vários anos e, à falta de verba para se concluir aquele projecto social, o que foi feito está para ali ao abandono. Faltam 150 mil euros. Mais algum tempo e se calhar nem aquilo que foi feito se aproveitará, e então faltará, talvez, muito mais.
Mas o leitor desce na página e, sobre a mesma freguesia, outra notícia dá conta de que os novos balneários do polidesportivo local estão quase prontos. Um investimento de cerca de 42 mil euros, garantem. Não são 150 mil, mas perto de um terço desse valor, que se fosse utilizado nas obras do centro de dia poderia ter dado novo alento ao chamado “elefante branco” de Romarigães. Mas se calhar a prioridade não passa por aí.
Veja-se, por exemplo, o que acontece actualmente em Bico, com as comunidades paroquiais de Bico, Cristelo e Vascões a unirem esforços para levar a bom porto a concretização de um sonho antigo do seu pároco: a construção de um lar de idosos. Em Romarigães, e infelizmente em muitas outras localidades, parece que só se fala de união de esforços quando se tem uma bola no meio. Há que usar os balneários, pois então, e pensar que um dia, quando os jogadores forem mais velhos, alguém já terá resolvido o problema da falta de dinheiro para o centro de dia.

07 outubro 2008

O Portal

Finalmente o município de Paredes de Coura dispõe de uma Página (propositadamente com P maiúsculo) na Internet. O novo portal ficou online na semana passada e foi construído com parte dos seis milhões de euros que a comunidade intermunicipal do Vale do Minho investiu num projecto digital que pretende aumentar a competitividade e atractividade desta região.
Objectivos demasiados elevados? Provavelmente… se olharmos de forma isolada para este projecto, mas se virmos o seu conjunto, ou seja se juntarmos ao portal em si o facto de ir permitir uma ligação online entre as juntas de freguesia e a câmara municipal, em banda larga, e metermos no mesmo pacote também a ligação de fibra óptica que vai unir os concelhos do Alto Minho, então já estamos a falar de um projecto que trará certamente valor acrescentado para esta região.
O novo portal do município oferece, logo à partida, a possibilidade de os munícipes terem acesso a um conjunto de serviços prestados pela autarquia e que, se ontem estavam acessíveis apenas a quem se deslocasse aos Paços do Concelho, hoje podem ser obtidos online com relativa facilidade. Pedir uma planta de localização online ou consultar, através do portal, quais as condicionantes impostas pelo PDM para determinada área, são algumas das operações que podem ser feitas à distância de um click.
É claro que tudo isto só faz sentido enquanto funcionar, e por funcionar entenda-se enquanto existe manutenção. Não pode acontecer, como aconteceu com os dois websites anteriores da autarquia, que uma acta de uma reunião de Câmara demore três meses a ser colocada online ou que a actualização da página se resuma à alteração mensal das actividades em agenda. Outro aspecto a ter em conta é a formação, principalmente dos agentes na Câmara e nas juntas de freguesia, de forma a retirar o maior proveito possível desta revolução digital que se avizinha.

01 outubro 2008

As contas de carrossel

Na hora de aprovar o valor de IMI a cobrar pela Câmara Municipal de Paredes de Coura no próximo ano, o PSD, pela voz de Venâncio Fernandes, trouxe à última assembleia municipal as influências dos vizinhos. Dos concelhos vizinhos, entenda-se, nomeadamente Ponte de Lima, de onde trouxe uma cópia do cartaz que se nos depara quando, descidos de Paredes de Coura, entramos naquela vila, como que a convidar-nos a mudar para lá.
Pretendia Venâncio Fernandes mostrar que também Paredes de Coura teria a ganhar com uma postura de redução de impostos, nomeadamente a aplicação da taxa mínima do IMI, a descida da derrama e o abdicar, por parte do município, dos cinco por cento do IRS a que tem direito. No seguimento, aliás, do que já tenho defendido aqui no Mais pelo Minho. O deputado municipal do PSD questionou, e bem, o que é que o concelho tem para oferecer às pessoas que aqui se queiram fixar, ou ainda o que é que levaria as empresas a optar por Paredes de Coura para aqui fazerem os seus investimentos.
Mas Venâncio Fernandes perdeu-se quando enveredou por aquilo que a oposição haveria de apelidar de “contas de carrossel”, ou seja quando tentou explicar que, reduzindo a cobrança de impostos, a Câmara estaria a promover um maior investimento dos courenses no concelho que, com mais dinheiro no bolso, gastariam mais no concelho, o que poderia levar à criação de mais postos de trabalho, o que por seu turno originaria maior receita fiscal para o município. Esclarecido? Pois… nem por isso.
Numa coisa, contudo, o social-democrata não deixa de ter razão, ou seja na falta de atractivos do concelho. “Temos pouca oferta de emprego, más acessibilidades e impostos acima da média dos concelhos limítrofes”, explicou. Mas criou a sensação de que não sabia do que falava quando referiu que a Câmara podia baixar o IMI para o mínimo imposto pelo Governo de 0,2%, quando o próprio presidente garantia que o mínimo era de 0,3%, logo muito próximo dos 0,35% cobrados este ano e a cobrar no próximo. Curiosamente, Venâncio Fernandes explicou que o valor que tinha se baseava na informação da página da DGCI e, confirma-se, na referida página é esse valor mínimo que o Fisco apresenta.
Já em relação aos valores que os courenses iriam poupar caso a Câmara abdicasse da sua quota parte no IRS dos trabalhadores… bem, é melhor não confiar muito nos seus números, pois dá-me a impressão que estava a confundir 5% do valor dos salários com os, efectivos, 5% por cento do valor do imposto cobrado. Uma confusão que até se lhe perdoa, especialmente tendo em conta que até o próprio presidente da Câmara admite não saber o valor que representa essa colecta para o município.

30 setembro 2008

Lombas do desassossego

Pronto. Está dada a explicação do porquê terem sido retiradas as lombas do cruzamento junto ao quartel dos Bombeiros de Paredes de Coura. Na última Assembleia Municipal, Paula Caldas, do PSD, que tinha solicitado a colocação das lombas naquela zona, questionou o presidente da Câmara e a resposta não se fez esperar.
Assim, tendo em conta as explicações dadas por Pereira Júnior, ficámos a saber que as lombas foram retiradas porque… estavam a provocar danos numa casa situada ao lado do cruzamento, que já apresentava várias rachadelas originadas pela vibração das lombas quando, principalmente durante a noite, os veículos mais pesados passavam a alta velocidade. Vai daí a autarquia decidiu retirar as lombas e pintar no pavimento os riscos que hoje lá podemos ver, acabando com a vibração e com o ruído, que também já tinha motivado algumas queixas, como adiantou o presidente da Câmara.
Foram-se, então, as lombas, mas o cruzamento permanece e, como referiu Paula Caldas, é um cruzamento que “não tem visibilidade e que precisa de uma intervenção de fundo”. Ou de semáforos, acaba por referir Pereira Júnior que, apesar disso, explica que não quer colocar semáforos no centro da vila. Pois, mas com a actual sinalética, “é um perigo para qualquer pessoa”, disse ainda Paula Caldas, acrescentando que “vale mais a vida das pessoas que o barulho”.
Já agora, e pegando na questão do barulho, de referir também que, de acordo com o Câmara Municipal, algumas queixas do barulho terão vindo da residencial mesmo ali ao lado. E, pergunto eu, a autarquia ao atender a esse pedido e retirar as lombas, esqueceu-se da discoteca que funciona madrugada adentro por debaixo da residencial?

23 setembro 2008

A hora de contar os tostões

Ali ao lado, em Ponte de Lima, os trabalhadores já descontam menos IRS. Pouco, é certo, mas num tempo em que todas as contas são de subtrair, quando aparece alguma de somar há que aproveitar. O exemplo de Ponte de Lima parece ter feito escola e, para o próximo ano, há já alguns vizinhos que resolveram seguir o mesmo caminho, para bem dos seus munícipes.
Por cá, também já por diversas vezes o assunto veio à baila. Se calhar, quem nos governa neste recanto alto-minhoto até já decidiu poupar a carteira dos courenses no próximo ano. Se o fez, contudo, guardou segredo bem guardado.
Se calhar, no mesmo pacote promocional, também já incluíram a diminuição do IMI. Aqui à volta, já praticamente todos os municípios o fizeram. Só faltamos nós? Provavelmente. Ou se calhar até não. É esperar para ver.
O tempo é de acertar agulhas para adivinhar os números que vão fazer o orçamento municipal de 2009. E Paredes de Coura não é excepção. Nem Braga, que resolveu chamar os munícipes a contribuir para a elaboração das grandes opções do plano da autarquia para o próximo ano.
E estão, virtualmente, todos convidados a dar o seu contributo. Além de reuniões com diversos sectores do concelho, do associativismo à educação, passando pelos jovens e reformados. E por todos os cidadãos, se formos a ver, porque todos podem participar através de uma página criada na Internet especificamente para esse efeito, onde, através da resposta a um inquérito, os munícipes identificam as principais áreas onde deve incidir a actuação da autarquia. Servirá de exemplo?

20 setembro 2008

A província e o país real

Não é de hoje que me faz impressão, para não dizer outra coisa pior, a maneira como os “pensadores” de Lisboa vêem o resto do país. E não se julgue que estou a referir-me à classe política. Não, esses são um sector à parte. Falo mesmo dos lisboetas e dos arredores. E desde já as minhas desculpas aos outros lisboetas que, felizmente, conseguem ter o discernimento devido para pensar de outra forma, pois os que critico são aqueles que, sempre que falam do resto do país o fazem com um distanciamento estúpido que os faz pensar que Portugal é Lisboa e é província.
No meu tempo de escola tínhamos as províncias, sim. Do Minho ao Algarve, passando pelas Beiras e pelo Ribatejo, sem esquecer a Estremadura, onde se situava Lisboa, a capital do país. Logo, pela lógica, também Lisboa estaria na província. Enfim, nunca foi coisa capaz de me gerar trauma, mas sempre que ouvia alguém dizer que em Lisboa era assim, na província era assado, não sei porquê ficava com a sensação de que me estavam a insultar.
E foi o que aconteceu esta noite. Não tenho por hábito assistir ao Programa do Provedor, na RTP, que dá conta das queixas dos telespectadores, mas ontem não cheguei a tempo ao comando e mal ouvi a introdução do tema desisti de mudar de canal: afinal sempre queria ver tamanha estupidez. E por tamanha estupidez não me refiro ao programa, mas sim às queixas que alguns cidadãos, de Lisboa entenda-se, tinham em relação ao programa “Liga dos Últimos”, daquela estação. Em causa estava, simplesmente, o facto do programa, que retrata as vivências do futebol distrital, mostrar um Portugal que não interessa, aos queixosos, ou melhor algumas personagens que existem no futebol distrital e que, pelas queixas apresentadas, dão má imagem do país. A província também tem coisas boas, diria a determinada altura um dos queixosos que não gostou de ver o pitoresco de algumas figuras que povoam os meandros do desporto local e regional e que, queira-se ou não, existem um pouco por todo o lado, mesmo fora do desporto.
Qual é a cidade, a vila ou a aldeia que não tem a sua figura típica? Aquela que todos conhecem, mais não seja de nome, pelo seu comportamento peculiar, pela forma como se veste, como vive e que quase sempre é querida pelo resto da população? Mas, para os senhores de Lisboa, dá uma má imagem do país. Pois, até são capazes de ter razão, mas esquecem-se que o país real não tem só doutores e engenheiros. No país real também há personagens pitorescas. E, pior, também há “pensadores” de Lisboa. Incluindo muitos que se esquecem que têm as suas raízes… na província.

19 setembro 2008

Passagem administrativa

Afinal, em que é que ficamos? Então num dia os jornais dizem que Paredes de Coura foi um dos quase cem municípios que assinou o protocolo com o Ministério da Educação para a transferência de competências neste sector e no dia seguinte fica-se a saber que a autarquia ainda não tem autorização para tal?
Pois é, ou pelo menos assim parece. A cerimónia decorreu com pompa e circunstância, não obstante as críticas de que os autarcas do PS foram pressionados a assinar o acordo pelo Governo socialista, mas dias depois chega-me às mãos o edital da próxima Assembleia Municipal de Paredes de Coura e na ordem de trabalhos lá surge, precisamente, a apreciação, discussão e ratificação do contrato de execução de transferência de competências para os municípios em matérias de Educação.
Mas, o município não deu já o seu acordo? Não assinou o protocolo com o Ministério da Educação? Ou será que se comprometeu com o Governo sem esperar pelo aval da Assembleia Municipal, órgão que, supostamente, deveria fiscalizar e sancionar a actividade da Câmara Municipal?
É certo que, teoricamente, a maioria socialista na Assembleia Municipal dá algum conforto ao executivo camarário, praticamente garantindo a ratificação do acordo entre o município e o Ministério. Mas, se no campo da teoria isso é assim, no campo da prática ficava muito melhor a Câmara esperar pela decisão da Assembleia antes de avançar de caneta em riste. É que, se por acaso algo corresse mal, não teria de evitar o chumbo com alguma passagem administrativa.

17 setembro 2008

Ensino municipalizado

A Câmara de Paredes de Coura foi uma das cerca de 100 que ontem recebeu do Governo a transferência das competências que, até então, estavam a cargo do governo central. Deste modo a autarquia passa a ser responsável por todos os edifícios escolares do concelho, bem como de todos os funcionários não docentes.
Na prática, apenas passaram para a alçada do município as instalações da Escola EB 2.3/S, na Volta da Quinta, pois os edifícios dos jardins de infância da rede pública e a escola básica já estavam sob responsabilidade da autarquia. O passo de gigante terá sido a passagem da tutela de todos os funcionários não docentes para a gestão da câmara municipal, alargando o número de funcionários municipais e eventualmente transformando o município no maior empregador do concelho.
Curiosamente, a transferência de competências surge precisamente um dia após o anúncio do Ministério da Educação de que existem cerca de cinco mil funcionários a mais nas escolas portuguesas. Em Paredes de Coura contudo, a opinião generalizada é de que faltam funcionários não docentes, especialmente na escola básica integrada, que reúne a totalidade dos alunos do 1º ciclo do concelho. Espera-se, por isso, que este assumir de responsabilidades por parte da câmara de Paredes de Coura se traduza num efectivo reforço dos recursos humanos daquele estabelecimento de ensino.
Esperam-se ainda obras de reabilitação das instalações da EB 2.3/S, que há muito as pede mas que o Ministério da Educação tem protelado e que terá assegurado agora na passagem do testemunho. Aliás, ao olhar para os planos da autarquia no que à Educação diz respeito, aquele conjunto de edifícios é o único que destoa, num cenário onde já existe a escola básica inaugurada há quatro anos e para onde está programada, no âmbito da reformulação da rede, a construção de quatro novos jardins infância que vão agrupar todas crianças do pré-escolar no concelho e cujos trabalhos devem iniciar-se ainda este ano lectivo.
É claro que tudo isto depende também de uma estreita colaboração entre a entidade gestora do parque escolar e a entidade responsável pela parte pedagógica. A crer que as relações entre ambas vão continuar da melhor forma, o cenário é animador.

14 setembro 2008

Ironia a nove vozes?

A decisão, segundo explicou o presidente da Câmara de Melgaço, foi unânime e propositada, mas a intenção de estabelecer em Viana do Castelo a sede da associação intermunicipal que reúne nove dos dez concelhos do distrito, não pode deixar de ser considerado irónica. É que, dos dez municípios, o único que ainda não aderiu e só entrará ou não na associação depois de um referendo local, é precisamente Viana do Castelo.
Viana do Castelo é o único concelho do distrito cujo presidente da Câmara faz “finca pé” de não aderir à comunidade a dez vozes. De tal forma que, para adiar a decisão, decidiu colocar a questão a referendo dos eleitores vianenses e, como bom zelador dos interesses do seu concelho, já anunciou que se o sim ganhar ele se demite. Curiosamente, no dia em que o executivo vianense aprovou o teor da longa questão que vai colocar aos eleitores, os presidentes dos outros nove concelhos do distrito resolveram, eventualmente num exercício de futurologia, colocar a sede da nova associação de municípios naquele concelho, com delegações em Valença e Ponte de Lima.
Justificação: porque Viana é a capital do distrito, mesmo que esse distrito não esteja, ainda, unido em torno de um ideal comum. É claro que pode sempre pensar-se que a escolha de Viana do Castelo também serve como elemento de pressão junto dos eleitores daquele concelho, que desta forma vêem a nova associação de municípios como uma entidade que lhes está mais próxima. Lá terá Defensor Moura que se esforçar na campanha para aquele se será o primeiro referendo realizado a nível concelhio. Curiosamente o primeiro referendo de carácter local foi levado a cabo também em Viana do Castelo, mais concretamente na freguesia de Serreleis, para decidir onde seria construído o novo campo de jogos da freguesia. Desta vez, porém, o local da coisa já está decidido.

13 setembro 2008

Rumo ao futuro

O Governo fez renascer o Dia do Diploma, num exercício que lembrou algum revivalismo desnecessário de outros tempos. Polémicas à parte, trata-se de uma forma de dar mais solenidade ao final de um ciclo: o fim do ensino secundário. Paredes de Coura não foi excepção e, ontem à noite, o Centro Cultural recebeu a cerimónia de entrega de diplomas aos alunos que acabaram o ensino secundário no ano lectivo 2007/2008.
Ao todo foram 43 alunos, se bem que alguns não compareceram à chamada. Uma cerimónia simples, mas carregada de emoção de parte a parte. É o culminar de uma fase, eventualmente o ponto de partida para outra. Praticamente todos eles concorreram ao ensino superior e hoje, depois de uma noite de despedida, podem ter um dia de alegria, pois são conhecidos os resultados das candidaturas à universidade.
"São o futuro de Paredes de Coura", lembrou Cecília Terleira, a presidente do conselho executivo do agrupamento de escolas, que os exortou a regressarem ao concelho depois do seu percurso universitário, para trazer mais valias a Paredes de Coura. "São o nosso futuro", frisou também o presidente da Câmara. Ficamos à espera deles.

11 setembro 2008

AMI recolhe óleos usados... mas não por cá

O assunto não é novidade neste blogue. Aliás, ao pesquisar no meu arquivo, descobri que o abordei há praticamente um ano. Falo da recolha de óleos alimentares usados, que já é promovida por outras autarquias do país.
Mas nem sequer volto a sugerir que a Câmara de Paredes de Coura tome posição idêntica: volto a falar no assunto porque agora ele tem uma dupla boa finalidade. É que agora, a AMI – Assistência Médica Internacional está a promover uma campanha que, por um lado, visa ajudar o ambiente, mas por outro lado irá também levar algum alento aos cofres daquela entidade. A campanha, que visa a recolha de óleos alimentares usados, que na maior parte das vezes são despejados nos sistemas municipais de esgotos, vai permitir a produção de biodiesel. Além disso, cada litro de óleo reverterá num donativo para ajudar a AMI, nomeadamente na luta contra a exclusão social no nosso país.
O sistema é, aparentemente simples. A AMI estabeleceu, com uma série de entidades, com destaque para os restaurantes e escolas, protocolos através dos quais esses parceiros se disponibilizam, por um lado a entregar o óleo que também eles utilizam, mas, mais importante, para receber os óleos alimentares usados por particulares que, preocupados com a questão ambiental, ali se queiram desfazer deles.
A lista de entidades aderentes é extensa mas, infelizmente, não inclui nenhum posto de recolha em Paredes de Coura. Por isso, quem no concelho quiser participar terá de se dirigir a Valença, Vila Nova de Cerveira ou Ponte de Lima, por exemplo. Ou ainda a Monção onde, curiosamente, o pólo local da EPRAMI é apontado como um dos parceiros da AMI nesta iniciativa. Mas, se a EPRAMI é a mesma que temos por cá, porque é que o pólo de Paredes de Coura não abre também as portas a esta acção de solidariedade ambiental e social?

08 setembro 2008

A outra metade

Domingo à noite. Dou por mim a ver a reportagem da SIC, que mostrou a vida de alguns casais portugueses, de Norte a Sul. Ponto comum a todos eles: residirem no interior do país, naquela metade que teima em resistir ao apertar do cerco em torno das vilas e aldeias que, com dificuldade, ainda povoam aquela faixa que quer mostrar que também é Portugal.
De Vimioso a Alcoutim, quatro exemplos de como se vive num pais que, na maior parte das vezes, parece esquecido pelo poder central em Lisboa. E ao ver a reportagem dei por mim a ver… Paredes de Coura, pois todos eles eram concelhos com uma grande área mas reduzida população onde se destaca a falta de oportunidades de trabalho para os jovens, já para não falar dos menos jovens.
Mas ao mesmo tempo são municípios que não baixaram os braços perante a dura realidade e que oferecem equipamentos sociais e culturais dignos de qualquer cidade do litoral, quando não mesmo melhores. Concelhos que, porventura abrindo mão de dinheiros que poderiam ser utilizados noutras áreas, oferecem incentivos à natalidade e à fixação dos habitantes e que disponibilizam terrenos a preço simbólico para a construção de habitação ou, mais importante, para atrair empresas para aquelas zonas. Nada que já não tenhamos ouvido antes aqui por Coura.
E da reportagem ressaltavam duas coisas. Por um lado a constatação, especialmente pelos de fora mas também por quem residia naqueles concelhos, de que usufruem de uma qualidade de vida superior à do Litoral mais povoado. Mas, como dizia uma das intervenientes na peça, “ haverá qualidade de vida sem emprego, sem oportunidades?”. Por outro lado, os autarcas foram unânimes em considerar que, apesar de todos os benefícios que atribuem aos seus munícipes, quer para incentivar a natalidade quer para atrair investimento e postos de trabalho, a solução do problema daqueles concelhos, um dos quais com apenas seis nascimentos registados no corrente ano, o principal está ainda por fazer e depende… do Governo. Se o Governo continuar a não olhar para a outra metade, de que vale o esforço dos autarcas para fazer parte de um único país?

05 setembro 2008

Vem aí o "Papão"

Abre hoje em Tui o segundo maior Outlet de Espanha. Oitocentos postos de trabalho, quase uma centena de lojas e muitos descontos de um lado do rio Minho. Do outro, depois de anos de estagnação, deita-se as mãos à cabeça.
O outlet de Tui promete descontos que variam entre os 30 e os 80 por cento, IVA mais baixo que o português e um posto de abastecimento de combustíveis. E a julgar pelos dois pisos subterrâneos de estacionamento está a contar com muitos visitantes, quer portugueses, quer espanhóis. Muito provavelmente os mesmos portugueses e espanhóis que têm dado dinheiro a ganhar aos comerciantes de Valença que, agora, com o lobo ali já dentro do curral é que se preocupam em reforçar a vedação.
Casa roubada, trancas à porta. O velho ditado continua actual, basta ver que os comerciantes de Valença, e a própria União Empresarial do Vale do Minho, estão a reagir ao retardador, quando deviam ter prevenido a fuga dos muitos euros para o lado de lá da fronteira. Durante anos foi um “fartar vilanagem” em que bastava abrir uma qualquer loja num qualquer vão de escada para ganhar dinheiro à custa dos turistas. Roupa, atoalhados, louças faziam as delícias de quem visitava a fortaleza e arredores e ali esvaziava a carteira e nem sequer era preciso publicidade. Havia lá coisa melhor?
Pelos vistos pode haver. É que o comércio valenciano assustou-se com o investimento ali mesmo ao lado e deve ter pensado que, se calhar, estava na hora de fazer alguma coisa pela dinamização do comércio tradicional naquela vila, alguma coisa que atraísse os clientes mesmo quando a concorrência surgisse. E só agora, que vêm que o chão lhes pode fugir debaixo dos pés, é que se preocupam, numa atitude tipicamente portuguesa. Brincadeiras à parte, é mais que certo que, mesmo não se dirigindo ao mesmo público-alvo, o novo outlet de Tui vai mexer, e de que maneira, com o comércio local de Valença. É que, se por um lado se arriscam a perder clientes para o lado de lá, por outro lado também correm o risco de perder funcionários já que, a fazer fé no que dizem os jornais, os salários no espaço comercial de Tui são mais do dobro do que se ganha por Valença.

02 setembro 2008

O lixo que nos enfeita as bermas

É um cenário que, volta não volta, teima em fazer-nos companhia, seja numa estrada menos movimentada ou num caminho mais escondido, qualquer local parece ser bom para descarregar lixo. E não estou a falar dos contentores, mas daquelas pessoas que, sem qualquer pingo de vergonha, despejam electrodomésticos velhos e entulhos de todo o tipo na berma da estrada.
É uma situação que, além de ilegal, é causadora de uma má imagem que nos fica colada, de tal forma que, já não é a primeira vez, há pessoas de fora do concelho que vêm de propósito depositar o seu entulho em terras de Coura. Mas por cá também há quem o faça. E depois quem fica com o lixo somos todos nós, que aqui vivemos e que vemos as nossas bermas pejadas de “monstros” que, com um simples telefonema, estariam no aterro intermunicipal.
É um problema de mentalidade, é certo, mais do que de qualquer falta de fiscalização. Ainda assim, penso que a fiscalização poderia ser mais apertada, e sem grande trabalho, nomeadamente no que respeita aos entulhos e detritos provenientes de obras de construção civil. A sugestão, inclusivamente, já foi feita aos responsáveis camarários e passa pela criação de um espaço, no concelho, ou fora dele para servir vários municípios, onde seriam depositados esses materiais.
A fiscalização surgiria depois, feita pelos serviços municipais, que ao emitirem uma licença de obras ou de construção poderiam depois, ao fiscalizar a obra no local e sabendo de antemão se foram ou não produzidos desaterros, questionar o proprietário sobre o destino que foi dado a eventuais detritos. A sugestão, como disse, já surgiu numa reunião da Agenda 21 Local e pode não passar disso mesmo, de uma sugestão. Mas, e se fosse mais que isso?

23 agosto 2008

Para onde foram?

E subitamente, na véspera das festas do concelho, eis que desaparecem! Acção divina? Acção criminosa? Afinal, a quem se deve a retirada das lombas no cruzamento junto ao quartel dos Bombeiros de Paredes de Coura?
Não querendo meter a foice em seara alheia, atrevo-me a dizer que entre mão divina ou mão criminosa, nenhuma das duas. Primeiro, porque quero crer que as forças divinas tem mais em que pensar do que nas lombas de Coura. E em segundo lugar porque, apesar do roubo de sinais de trânsito estar em alta, não consta que as lombas sejam feitas com o alumínio que os criminosos procuram neste tipo de furtos.
Ora, a ser assim, resta uma explicação: as lombas foram retiradas a mando da Câmara Municipal. A mesma Câmara Municipal que as mandou lá colocar em Janeiro do ano passado. No seu lugar surgiram umas marcações na estrada que, apesar de bem visíveis, em nada ajudam a reduzir a velocidade dos automóveis que por ali circulam ou a aumentar a segurança daquele cruzamento, provavelmente o mais movimentado da vila.
O porquê de se ter voltado atrás é que, à falta de explicação da autarquia, pode causar estranheza. É que, recorde-se, as lombas foram pedidas em Dezembro de 2006 por Paula Caldas, na Assembleia Municipal. Na altura Pereira Júnior explicou à social-democrata que, dada a localização do cruzamento, junto aos bombeiros, era ilegal colocar ali lombas. Tudo bem, mas dois meses depois eis que as lombas surgem na estrada, como se nada se tivesse passado, dando resposta ao pedido de Paula Caldas. Como parecia ter acontecido antes, com a instalação dos parcómetros na vila. Primeiro Paula Caldas sugeriu, a Assembleia rejeitou e meses depois a Câmara avança com o estacionamento pago à superfície.
Mas agora, com a retirada das lombas pedidas pela social-democrata, primeiro negadas, depois oferecidas, eis que pergunto: será que a eventual influência de Paula Caldas nas decisões da autarquia tem prazo de validade e já expirou? E se assim for, será que o próximo passo é acabar com todos os parcómetros da vila?

21 agosto 2008

Meu querido mês de Agosto

Agosto chega ao fim quando ainda faltam duas semanas para o final do mês. Confuso? Eu explico, até porque não se trata de nenhuma teoria revolucionária, antes a constatação de uma realidade que, ano após ano, se repete nas aldeias e vilas portuguesas marcadas pela emigração.
Chega Agosto e com ele os muitos emigrantes que passam o ano a ganhar a vida lá fora, pelas franças e alemanhas desse mundo. A população do concelho quase duplica, garantiram-me num dos primeiros verões que por cá andei. E assim parece. As matrículas dos carros não deixam margem para dúvida e se dúvidas houvesse bastava uma ida a uma qualquer romaria das muitas que pululam por Terras de Coura durante este mês para escutar a mistura de sotaques, o português afrancesado (ou será o francês aportuguesado) e ter a certeza: estamos no mês-rei dos emigrantes.
Mas Agosto chega ao fim, e neste caso o fim de Agosto chega logo após o dia 15. É público e notório que, passado o meio do mês, a presença emigrante diminui sobremaneira. O tempo do mês inteiro de férias já lá vai, que agora são duas, três semanas e toca a andar., Não dá para mais, explicam, com um aperto no coração. É que, acrescentam, aquilo lá fora dá muito dinheiro, mas não é como a nossa terra.
“Lá temos o nosso corpo, aqui o nosso coração”. Assim mesmo, dito desta maneira, por um courense emigrado há mais de 40 anos em França, lá para as bandas de Clermond-Ferrand que encontrei por acaso na sala de espera do dentista e que, mesmo não me conhecendo de lado algum, não hesitou em partilhar comigo a sua alegria por regressar a Portugal, à sua Castanheira, uma vez no ano. “Ai e isto está tão lindo, cada vez mais”, acrescenta, enquanto não chega a sua vez. E fala das estradas que o sr. presidente mandou arranjar para se chegar mais facilmente à vila, mas também dos buracos que deixou por tapar nas ruas de Castanheira e das pedras que podiam ter cortado para alargar as estradas.Fala com o conhecimento de quem está por Coura há pouco mais de duas semanas e todos os dias pega no velho carro que trouxe de França há vários anos e que fica por cá todo o ano, para dar uma voltinha pelo concelho. A descobrir coisas novas todos os dias, garante. Coisas que vê com os olhos de quem tem apenas três semanas para consumir tudo o que o concelho tem para lhe oferecer, para durar mais um ano lá fora, nas recordações. Já passa do dia 15, está na hora de voltar. Só mais um dia e há que se fazer à estrada, com mulher, filho, nora e dois netos. Desejo-lhe boa viagem. E bom regresso no próximo Agosto, para mais um percurso pelas novidades da terra

13 agosto 2008

Orgulhosamente sós

Não será, certamente, este o lema de Defensor Moura, presidente da Câmara de Viana do Castelo, mas é a ideia que dá a entender. A acérrima recusa em fazer parte de um Alto Minho a dez vozes torna-o, a ele e ao município por ele presidido, numa ilha no meio da união de todos os outros.
Até ontem poderia ter em Daniel Campelo e em Ponte de Lima um aliado (como se fosse possível!), mas a unanimidade com que a Câmara limiana aprovou ontem a adesão à comunidade que deveria reunir os dez concelhos do distrito deixou-o isolado. Cada vez mais… Tudo porque quer fazer valer a máxima: um homem, um voto, que daria, obviamente, mais poder aos municípios mais povoados, precisamente com Viana do Castelo à cabeça.
Não é tolo, não senhor, mas também não deixa de ter alguma razão. Contudo, quando se trata de unificar o distrito na tentativa de canalizar o máximo de apoios da Europa, não será essa uma questão de segundo plano? Se o objectivo de concorrer aos fundos de Bruxelas é, precisamente, corrigir algumas deficiências sentidas por esta região, por este distrito, não seria essa forma de gestão de uma comunidade a dez mais um agravar do fosso existente entre os grandes concelhos do distrito, nomeadamente o eixo Arcos de Valdevez/Ponte de Lima/Viana do Castelo, e os concelhos do interior, mais isolados e também mais necessitados?
Defensor Moura diz que aguarda a publicação da Lei que vai regular estas comunidades de municípios para levar o assunto a referendo popular. E se o referendo se pronunciar pelo Sim à integração da comunidade a dez, será que Defensor Moura vai acatar a decisão dos munícipes? Ou será que, como parece acontecer no caso do Prédio Coutinho, só descansará quando a decisão tomada for do seu agrado?

11 agosto 2008

Silêncio e tanta gente

As notícias bem davam conta de que não teria havido foguetório nas festas do concelho, mas a organização trocou-lhes as voltas e o fogo sempre veio. A tragédia da Pirotecnia Minhota não estragou a edição de 2008 das Festas do Concelho.
Uma edição que trouxe muita gente até à vila, se bem que as atracções… sejam as mesmas de sempre. Mas também, se com as mesmas coisas de sempre as pessoas afluem em grande número, para quê mudar? As farturas não faltaram, os carrosséis também não, para delírio dos mais pequenos e desgraça dos pais, assim como os vendedores ambulantes que saltam de feira em feira, com artigos vindos de vários pontos do globo… e da China também. E outras bancas onde não faltam as estreias do cinema já em DVD, as sapatilhas de marca a preço muito concorrencial e aqueles óculos escuros que vimos na montra de uma qualquer loja, mas a um décimo do preço. É aproveitar, é aproveitar! Enquanto o preço não sobe ou enquanto a GNR não chega (que a ASAE ainda demora), para confiscar os artigos contrafeitos.
Não faltou também a música e, mais uma vez ficou evidente que o folclore continua a ser rei das festas de Coura. O folclore e o cortejo luminoso, contrapõem logo alguns. Que sim, concordo eu, que também se encheu a vila para ver passar o desfile dos carros alegóricos, engalanados a preceito. Mas não será o próprio cortejo, também ele, um pouco do muito folclore que temos para mostrar por Terras de Coura? Fica a questão.
As festas só terminam mais logo, com folclore, que mais haveria de ser. Nova enchente do Largo Hintze Ribeiro? É esperar para ver. Mais música até altas horas, porque parece que em Coura, durante as Festas do Concelho, ninguém prega olho. É o rancho a dançar até às tantas, o conjunto musical até mais tarde ainda e o fogo de artifício, o tão desejado fogo. Não há festa que se preze que não aposte no foguetório, como se isso fosse o símbolo máximo do valor dos festejos, e não importa a hora a que rebentam, importa é a quantidade de foguetes e o barulho ensurdecedor. Seja a meio da manhã ou da tarde, seja às duas horas da madrugada. O povo gosta? O povo aguenta? O sono recupera-se para a semana...

04 agosto 2008

Recordação do Festival de Paredes de Coura (2)

O mesmo responsável acredita que para a captação dos vários investimentos e apoios estatais ocorridos na última década não foi indiferente "a notoriedade que o festival proporcionou” – Excerto de notícia publicada na edição de ontem do Jornal de Notícias (para ler na íntegra aqui).

As declarações são de Pereira Júnior, presidente da Câmara Municipal de Paredes de Coura, inseridas numa peça jornalística que fala da influência que o festival tem no concelho, assunto já por demais debatido por terras de Coura. E entre opiniões favoráveis e outras contra a realização do festival, que também as há, lá vem a célebre referência ao movimento registado nos multibancos da vila durante os dias do festival (já agora, apenas uma máquina em todo o recinto do festival é coisa que não lembra a ninguém!).
A novidade está na declaração que abre este post, em que Pereira Júnior dá a entender que a notoriedade alcançada pelo festival abriu as portas a vários investimentos e apoios estatais na última década. Uma afirmação que, contudo, pode ter duas interpretação diferentes.
Por um lado, o presidente da Câmara corre o risco de ser mal interpretado quando dá a entender que os apoios estatais são concedidos mais em função da notoriedade de cada concelho do que do interesse público do investimento. É que já estou mesmo a ver o fiscalista Saldanha Sanches, conhecido pela sua “guerra” pessoal contra a corrupção nas autarquias, a dizer que assim não pode ser, que não pode haver beneficiados nesta coisas e que é preciso transparência. Teorias da conspiração que o homem tem…
Mas, por outro lado, ao ler isto podemos ficar a pensar que somos uns privilegiados, porque temos um trunfo que outros municípios não têm e que nos consegue mais investimento para a nossa terra. Mas depois temos de perguntar: então se é assim, porque raio é que demora tanto a via rápida de ligação à auto-estrada?

Recordação do Festival de Paredes de Coura


02 agosto 2008

Já alguém os viu por ai?

Há precisamente uma semana a RTP dava a notícia de que já se encontravam no terreno os técnicos, portugueses e espanhóis, que estão a trabalhar no sentido de encontrar o melhor trajecto para a linha ferroviária de velocidade elevada que vai ligar o Porto a Vigo. Mas, por cá, por Paredes de Coura, já alguém os viu?
Independentemente do traçado que vier a ser escolhido, uma coisa parece estar garantida: a ligação à futura plataforma logística de Valença, que ganha assim uma estação onde irá parar o comboio que rumará ao futuro. A outra estação intermédia neste percurso será Braga, escolha que, por motivos óbvios, dispensa explicações. Mas, se parece não haver dúvidas sobres estas duas estações, sobre tudo o resto ainda há muita incerteza, principalmente no traçado, o tal que os técnicos já andarão por aqui a definir, pelo meio de montes e campos, a escolher provavelmente o que melhor se adequa à passagem dos novos comboios.
Eventualmente o nosso concelho será ponto de passagem desta ligação de velocidade elevada. E digo eventualmente porque ainda ninguém sabe por onde ela irá passar, apenas se especula que poderá seguir o traçado do gasoduto ou da A3. E tanto num caso como no outro Paredes de Coura surgirá, inevitavelmente, no caminho do comboio. E é esse aspecto que terá de ser assegurado pela autarquia courense, acompanhando de perto os técnicos ao serviço da RAVE para lhes mostrar, como fez e bem com a empresa responsável pelo estudo do traçado da ligação à A3, que conhecem melhor que ninguém o terreno e sabem, pelo menos, por onde não deverá passar a nova ligação.
Os benefícios para o concelho, já aqui o mencionei por diversas vezes, resumem-se aos proveitos que poderão auferir os donos dos terrenos afectados pela construção e à possibilidade de termos a 20 kms de casa uma ligação rápida ao resto do país e da Europa. A meu ver, é só isto que nos calha, por isso acho que é de todo o interesse assegurar que, na balança dos ganhos e perdas, não ficamos a perder demasiado, com atravessamentos desnecessários, limitações a eventuais projectos futuros e, acima de tudo, com a diminuição da qualidade de vida (leia-se acessos e impacte ambiental) de quem por cá reside. E quem melhor do que os técnicos da autarquia para ajudar nesse tarefa?