27 fevereiro 2013

Um milhão de juros sem oposição

Foi morna, quase fria, e rápida, a última sessão da Assembleia Municipal de Paredes de Coura. A agenda era curta e apenas um ponto chamava a atenção: a aprovação do plano de pagamento de um milhão de euros de juros ao empreiteiro Carlos José Fernandes & C.a Lda. Mas nem isso serviu para aquecer a noite.

A decisão já tinha sido tomada, por unanimidade, em reunião do executivo camarário, apenas com a ressalva de José Augusto Sousa de que, havia que pagar o justo valor do atraso no pagamento dos trabalhos, mesmo tratando-se de obras dispensáveis. Na Assembleia Municipal, do PS não se ouviu uma palavra, nem sequer de apoio à decisão da Câmara. O mesmo em relação ao PCP, que entrou mudo e saiu calado. Acabou por ser o PSD o único a intervir, através de Décio Guerreiro e José Cunha, mas com o primeiro a ser muito brando nas palavras e, inclusivamente, a explicar que até poderia tirar algum proveito político daquela situação, mas que não o faria “com medo de prejudicar a autarquia e as pessoas a quem a Câmara deve dinheiro”.

Já José Cunha não poupou as críticas. “Fiquei perplexo ao saber que temos de pagar um milhão de euros de juros, de obras que a meu ver eram desnecessárias”, atacou o antigo presidente da Junta de Freguesia de Bico. E foi mais longe, considerando que esta situação era “a prova da péssima gestão autárquica, com obras megalómanas, desnecessárias e sem assegurar o seu pagamento”. O plano de pagamentos, que começa nos oito mil euros mensais em 2013, e aumenta depois para 25 mil euros mensais a partir do próximo ano e até ao final de 2016, foi aprovado apenas com a abstenção de João Cunha, que alegou não ter recebido o documento, e com o voto contra de José Cunha, que em declaração de voto reforçou as suas críticas, dizendo que “sem estas obras a tesouraria da câmara estaria saudável” e que “quem sofre é o povo e as freguesias, que há anos não têm obras”.

O pagamento de juros, recorde-se, surge na sequência das várias obras que aquele empreiteiro fez no concelho, entre 2001 e 2009, nomeadamente o CEIA, os parques de estacionamento subterrâneo, o túnel que atravessa a vila, a remodelação da Rua Conselheiro Miguel Dantas e a Ponte das Poldras, entre muitas outras, num total de cerca de dez milhões de euros. Na altura, explicou Pereira Júnior, a Câmara não tinha dinheiro para as pagar porque aguardava ainda a comparticipação dos programas comunitários a que se tinha candidatado, e fez um acordo com o empreiteiro: este avançava com as obras e entregava as respectiva facturas a uma entidade bancária, que lhe adiantava o dinheiro. Em troca a Câmara comprometeu-se a pagar os custos financeiros deste factoring, nomeadamente os juros. É esse valor que a autarquia courense vai agora pagar, correspondendo a cerca de 10 por cento do total das obras realizadas.”É uma situação perfeitamente acautelada”, explicou o presidente da Câmara, adiantando que o município não terá “sufoco financeiro” para pagar esta dívida “ou todas as outras que temos para pagar”.

25 fevereiro 2013

Finanças da Câmara: Júnior sossega sucessores

Que fique descansado o próximo presidente da Câmara Municipal de Paredes de Coura que, além das dívidas regularizadas, vai ter ainda dinheiro para investir. Quem o garante é o actual autarca, que na última sessão da Assembleia Municipal quis sossegar os candidatos ao seu lugar e anunciou que “o próximo presidente vai ter dinheiro para pagar todos os encargos e ainda fica com cerca de dois milhões de euros para fazer investimentos no próximo ano”.
Numa sala onde estavam os, até agora, dois únicos candidatos conhecidos, Décio Guerreiro, na bancada do PSD, e Vitor Paulo Pereira, na assistência, Pereira Júnior explicou ainda que os dois milhões de euros que diz irem ficar disponíveis “dão para fazer muita obra”, especialmente se conjugados com os quadros comunitários de apoio e comparticipações de cerca de 85 por cento. “Tomara eu hoje ter mais dois milhões para fazer obras”, desabafou o actual presidente da Câmara.
As explicações de Pereira Júnior surgiram na sequência da discussão em torno do pagamento de juros a um dos empreiteiros com mais obra feita no concelho (assunto abordado no post seguinte) e depois das críticas de José Cunha, do PSD, que acusou o autarca courense de deixar o concelho de tal forma endividado que “não sei se quem vier atrás vai ter tempo sequer para fechar a porta”. Na resposta, Pereira Júnior referiu que "gostaria de deixar as coisas muito melhor do que estão”, mas sempre foi dizendo que a situação financeira não é, de maneira nenhuma, de assustar”.

Casa do Outeiro: oferecer a quem não tem dinheiro

Na última edição de O Coura, ficamos a saber que a Câmara de Paredes de Coura colocou a Casa do Outeiro, em Agualonga, à disposição da Universidade do Minho. Ficaria resolvida, desta forma, uma situação que há muito assombra a autarquia courense: o que fazer com aquele espaço, que recebeu de herança. Nos últimos anos muitos foram os projectos falados ali para aquele espaço, desde pólo do Instituto Politécnico de Viana do Castelo a Centro de Dieta Atlântica, passando pela promessa eleitoral de José Augusto Sousa de transformar aquele espaço num pólo dinamizador das actividades locais.

O certo é que os anos passam e, tirando um ou outro assalto no passado, nada ali se fez. Vai daí, a oferta que a Câmara de Paredes de Coura fez à Universidade do Minho até poderia ser vista como a luz no fundo do túnel para aquela propriedade. Poderia, reforço, porque dias depois de ser conhecida este desenvolvimento na conturbada história da Casa do Outeiro, eis que leio uma entrevista de António Cunha, reitor da Universidade do Minho, em que este se lamenta da falta de dinheiro naquela instituição, devido aos cortes orçamentais, chegando mesmo a sugerir o “fundraising” como solução para essa falta de verba.

Ao confrontar as duas notícias, retiro uma conclusão: vamos entregar a quem não tem dinheiro, a solução para algo que não fizemos porque também não temos dinheiro. Por outras palavras, custa a crer que, face à actual situação financeira da Universidade do Minho, surja nos próximos anos alguma solução para a Casa do Outeiro.

21 fevereiro 2013

E depois extingue-se

PAREDES DE COURA - Sede da Junta de Freguesia de Cossourado muda-se em breve para antiga escola primária requalificada – notícia da Rádio Vale do Minho

Numa altura em que a Câmara de Paredes de Coura está em dívida para com a Junta de Freguesia de Cossourado, por causa de obras delegadas naquela autarquia. Numa altura em que a própria Junta de Freguesia de Cossourado está a braços com dívidas a fornecedores, em parte por causa dos atrasos nos pagamentos do município, e quando a própria presidente faz questão de lembrar essa situação ao presidente da Câmara em cada sessão da Assembleia Municipal. Numa altura em que, fruto da reorganização administrativa, Cossourado e Linhares vão partilhar as estruturas de poder local, numa união de freguesias, o que é que os responsáveis políticos de Cossourado e do concelho resolvem fazer? Gastar 40 mil euros na requalificação da antiga escola primária daquela freguesia para ali instalarem os serviços da junta. Como disse há um ano, se calhar tudo não passa de uma manobra de antecipação…

14 fevereiro 2013

Movimentações à esquerda

Dois meses após o anúncio da candidatura de Vitor Paulo Pereira à Câmara de Paredes de Coura, não são ainda conhecidos mais desenvolvimentos nesta questão. Isto apesar do muito que se tem falado, na blogosfera e na comunicação social local, apontando nomes a torto e a direito. O certo é que, do lado do Partido Socialista, já se sentem movimentações no terreno e também dentro das estruturas locais do partido.

Haverá também alguma confusão e outras tantas dúvidas, no seio dos socialistas. Ainda recentemente uma reunião da concelhia foi pautada pela discussão, que se previa, em torno dos candidatos às freguesias alvo da reorganização. É que, se nos casos de Bico/Cristelo ou Linhares/Cossourado, até poderá não haver grande discussão se o actual titular do cargo decidir recandidatar-se, pois uma das freguesias da união não pertencia ao PS, nos restantes casos (Porreiras/Insalde, Vila/Resende e Ferreira/Formariz) isso já não se verifica e questiona-se: e se os dois presidentes de junta quiserem continuar? É claro que houve quem se antecipasse a isso, caso de Joaquim Felgueiras Lopes que, ainda antes da reunião, anunciou publicamente a sua candidatura à união de freguesias de Paredes de Coura e Resende, cortando o caminho ao actual autarca desta última. Nos outros dois casos, contudo, ainda não haverá qualquer decisão tomada, o que pressupõe que Armando Araújo, presidente da concelhia, vai ter muito trabalho e diálogo pela frente.

Além deste assunto, um outro dominou também o encontro socialista: quem é que vai acompanhar Vitor Paulo Pereira na lista do PS? É que alguns dos presidentes de junta querem saber quem acompanha o cabeça de lista antes de se decidirem a avançar com a sua recandidatura. O candidato, contudo, apesar de ter estado presente na reunião, não abriu ainda o jogo, não esclarecendo as dúvidas dos autarcas. E, se alguns têm dúvidas, outros parecem ter certezas e vaticinam a esta distância que o PS irá perder a freguesia de Cossourado, por causa da união com Linhares, argumentando que Amândio Pinto tem a vitória assegurada.

Mas, ao que tudo indica, os socialistas não serão os únicos que já estão a trabalhar nas autárquicas de Outubro, pois pode estar na forja o surgimento de listas independentes a algumas juntas de freguesia, promovidas por um grupo de pessoas, com antecedentes políticos, mas que estarão de alguma forma descontentes com o actual rumo das coisas no concelho. E, atente-se, não estará, para já, descartada uma eventual candidatura à Câmara de Paredes de Coura.

As palavras dos outros (6)

Vejam bem: então isto agora é que é a lampreia do rio Minho? Que mal é que tinha a outra, a verdadeira?

Deixo aqui a ligação para um escrito de Hernâni von Doellinger, no seu blogue Tarrenego, sobre a campanha “Lampreia do Rio Minho – Um prato de excelência”, que decorre nos concelhos do Vale do Minho até ao final de Março, e a forma como está a ser divulgada. Eu, que nem sequer aprecio lampreia, não posso deixar de concordar com ele.

07 fevereiro 2013

Coura ainda não viu a cor do dinheiro

Parece que ainda não há sinal dos 3,2 milhões de euros que a Câmara de Paredes de Coura vai receber no âmbito da sua candidatura ao Programa de Apoio à Economia Local (PAEL), com vista ao pagamento de dívidas vencidas até 31 de Março do ano passado. Aqui à volta, Valença (um milhão de euros) e Viana do Castelo (três milhões de euros), já viram o Tribunal de Contas a validar os seus pedidos de empréstimo e já esfregam as mãos de contentes.

Entretanto, a autarquia courense vai fazendo o que pode para conseguir algum dinheiro, repetindo a tentativa de venda de algum património. E ao mesmo tempo vai negociando pagamentos, na ordem do milhão de euros, relativos a juros de mora por obras já feitas, inauguradas, mas ainda por liquidar na totalidade.

06 fevereiro 2013

Carranca sobe… mas fica à porta

Maria José Carranca volta a ser um nome falado nas autárquicas deste ano… mas por causa das legislativas de 2011.

Confuso? É que, com o anúncio, nas últimas horas, da candidatura de Eduardo Teixeira à Câmara de Viana do Castelo e de Carlos Abreu Amorim à Câmara de Gaia, casos estes sejam eleitos poderá haver lugar a mexidas na composição do grupo de deputados social-democratas eleitos em 2011 pelo círculo de Viana do Castelo.

Ora, na lista que o PSD apresentou ao acto eleitoral de há dois anos, a advogada courense, ex-vereadora da Câmara Municipal de Paredes de Coura e também ex-deputada da Assembleia Municipal deste concelho, surge em sexto lugar. Se Carlos Abreu Amorim e Eduardo Teixeira lograrem ser eleitos, e quiserem ocupar as funções autárquicas, o trio de deputados ficaria composto por Rosa Maria Arezes, Manuel Trigueiro e Duarte Martins, com Maria José Carranca logo ali à espreita. E se Manuel Trigueiro não quiser perder o estatuto de “desempregado político” com que o brindou Abel Baptista, do CDS-PP, pode dar-se até o caso da causídica courense ganhar o seu lugar na Assembleia da República. É esperar para ver.

04 fevereiro 2013

O Coura com novos proprietários

O jornal O Coura vai ter novos donos. A mudança de propriedade vai ocorrer já este mês e surge envolta em alguma polémica, pois um dos nomes que esteve na calha para adquirir a maioria do capital da empresa proprietária do jornal courense foi o de um conhecido político da nossa praça.
Ao que o Mais pelo Minho conseguiu apurar, dos dez sócios fundadores da Publicoura, apenas um deles vai manter a sua quota. Os restantes chegaram a acordo para vender a sua parte às duas funcionárias do jornal e também a António Rodrigues, conhecido empresário courense radicado em França, que assim passa a deter três décimos do jornal onde já era um dos maiores anunciantes. O Mais pelo Minho tentou falar com António Rodrigues sobre este assunto, mas não conseguiu. Fonte da empresa que este detém em Paris, contudo, escusou-se a comentar o assunto, argumentando que António Rodrigues se limitou a ajudar o jornal em causa.
Antes de António Rodrigues, ao que conseguimos apurar, os sócios da empresa proprietária de O Coura chegaram a equacionar a venda das suas quotas a outro courense, ligado ao PSD de Paredes de Coura, que chegou a ser deputado na assembleia municipal courense e colaborador daquele jornal. A compra, contudo, acabaria por não se concretizar.
O Coura, recorde-se, foi criado há 24 anos e tinha como sócios alguns nomes ligados ao meio político local, casos de José Cunha, antigo presidente da Junta de Freguesia de Bico, Sião Reis, histórico do PSD courense, ou João Braga, ligado ao PCP. João Braga, aliás, é o único dos fundadores que vai permanecer como sócio da Publicoura, onde tem desempenhado as funções de administrador, cargo que continuará a ocupar. O jornal, que ficou conhecido pela associação feita a Diamantino Fernandes, que foi o seu director desde a fundação até há cerca de três anos, chegou a enfrentar, há menos de dois anos, um processo de insolvência por dívidas, situação que já terá sido ultrapassada.



Caminho aberto…

Daniel Campelo, em entrevista à Rádio Ondas do Lima no passado sábado, esclarece que os seus planos de futuro não passam pela política (som retirado do blogue Ponte de Lima). Deste modo, aguarda-se para os próximos dias o anúncio oficial da candidatura de Eduardo Teixeira à Câmara Municipal de Viana do Castelo.

01 fevereiro 2013

A propósito de remodelações…

…alguém me lembrou que também Paredes de Coura ficou a perder com a alteração desta semana. É que, além de Daniel Campelo  e da sua ligação umbilical ao Alto Minho, as mudanças no elenco governativo ditaram também o afastamento do secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação.

Uma cidade cada vez mais aldeia (2)

Indisponibilidade de ambulância em quatro corporações de Viana obriga a accionar socorro em Barcelos – notícia do Público

Bastou-me ler que a vítima esteve mais de meia hora à espera de assistência e que o incidente ocorreu a 500 metros do quartel dos Bombeiros Voluntários de Viana do Castelo e sensivelmente à mesma distância do hospital daquela cidade… para me reservar de fazer mais comentários a esta situação.