29 janeiro 2009

Serviço Público (2)

De que adianta colocar um documento à discussão pública se depois a divulgação dessa discussão é praticamente nula? De nada, pois então! É claro que não é por ter mais e melhor divulgação que a participação na discussão pública vai ser maior ou menor, mas se não for conhecimento público, é certo e sabido que não haverá ninguém a participar.
Por isso, se tem alguma coisa a dizer sobre o Regulamento de Apoio à Natalidade, à Família e à População Idosa que a Câmara de Paredes de Coura aprovou recentemente, apresse-se que ainda chega a tempo, pois o prazo para a discussão pública só termina amanhã. Ou dia 31, o que vai dar ao mesmo.
Infelizmente, o que dissemos aqui, mesmo no final do post, parece ter razão de ser...

28 janeiro 2009

Mais um entrave?

Depois das limitações impostas pelo Plano Director Municipal...
Depois das limitações impostas por REN e RAN...
Depois das limitações impostas pela famosa "Lei dos 50 metros"...
Eis que surge mais um eventual entrave a quem pretenda construir em Paredes de Coura. Quer saber quais? Clique aqui.

Nós também queríamos uma...

Ponte da Barca já tratou de tudo para que a instalação de uma Loja do Cidadão naquele concelho seja realidade. A partir do próximo Verão, vários serviços, públicos e privados, vão estar disponíveis num mesmo espaço, para maior comodidade dos utentes.
Por cá também se pedia uma coisa do género, mas ainda não são conhecidos avanços nesta área. Que temos instalações, devolutas e praticamente prontas a receber um equipamento do género, ninguém duvida, se bem que a sua utilização para este projecto implicaria um qualquer acordo entre autarquia e Governo. Julgo que também não existirão dúvidas sobre a utilidade de concentrar num mesmo espaço diversos serviços a que os cidadãos têm de recorrer.
Falta, por isso, apenas concretizar essa ideia lançada há cerca de um ano pelo presidente da Câmara de Paredes de Coura. A ver se, em ano de eleições, temos alguma surpresa.

23 janeiro 2009

Simplesmente...










Foto retirada daqui.

Saúde ibérica (2)

"O presidente da União Empresarial do Vale do Minho e vereador na Câmara de Valença, Joaquim Covas, garantiu que toda a sua família «trata da saúde» na Galiza, Espanha, há mais de dez anos."

Acho que esta frase do vereador da Câmara de Valença, proferida ontem aos microfones da Rádio Alto Minho, ajuda a explicar porque é que aquele município perdeu para Monção a guerra pela manutenção das urgências que tanta polémica levantou há dois anos. Foi por falta de interesse...

Como criar um presidente de Câmara

Será que vai sair dali o candidato que todos procuram aqui?

22 janeiro 2009

Saúde ibérica

Assim como asssim, grande parte dos médicos que por cá trabalham, nomeadamente no Minho, já vêm do outro lado da fronteira, por isso o acordo hoje anunciado em Zamora, para que, nas zonas de fronteira, a assistência médica possa ser recebida em qualquer um dos lados, só vêm alargar a área geográfica da coisa, pois a vertente recursos humanos há muito que é dominada pelos nosso vizinhos.
Assim como assim, cá pelo nosso burgo, se não fossem os médicos espanhóis, o Centro de Saúde não teria meios suficientes. E o que acontecerá se, um dia, eles resolveram voltar a Espanha? Ficamos como é habitual aos fins de semana, em que se adoecermos o melhor é rumar a outras paragens. Agora, à mercê deste novo acordo, quem sabe se não poderemos até ir a Tui e ser melhor atendidos. Pelo menos lá, devem ser capazes de nos observar os ouvidos e a garganta quando nos queixamos. É que por cá, parece que há um ditado antigo, velho até, que não deixa.
Assim como assim, quem fica mal somos nós... Sempre!

21 janeiro 2009

Todos ao arquivo!

Sabia que existem, nas várias juntas de freguesia do concelho de Paredes de Coura, cerca de 400 documentos com interesse arquivístico? Pois, eu também não… Mas foi esse o resultado do recenseamento que o Arquivo Municipal andou a fazer junto daquelas autarquias e que foi apresentado na passada sexta.
Ocasião para lembrar, mais uma vez, que o Arquivo Municipal é o espaço ideal para acolher quaisquer documentos de interesse para o concelho. Foi, aliás, esse o apelo feito aos vários presidentes de junta ali presentes, no sentido de entregarem ao Arquivo os documentos agora alvo do recenseamento, alguns dos quais com mais de 400 anos e que, nas instalações daquele equipamento cultural, encontram condições ideais para a sua preservação em segurança.
Para já, contudo, apenas a Junta de Freguesia de Cunha já aprovou a entrega de todo o espólio documental da freguesia à guarda do Arquivo. Outras, contudo, ponderam já seguir os seus passos, de modo a evitar a perda de documentos, situação que, por estes lados, teve o seu expoente máximo no incêndio que atingiu o edifício da Câmara Municipal na década de oitenta.
De referir, contudo, que muitas juntas de freguesia de Paredes de Coura não têm um grande volume de documentos antigos, chegando a haver mesmo autarcas que garantem não ter recebido qualquer livro de actas de anteriores executivos quando tomaram posse. Exemplo disso é a freguesia de Porreiras que, com excepção dos documentos ainda em uso, não herdou quaisquer documentos mais antigos.
O encontro foi também aproveitado para recordar algumas vivências que já foram bastante comuns no concelho, casos da repartição das águas de rega e da repartição do tojo. Iniciativas que, curiosamente, ainda resistem em algumas freguesias, tendo sido apontado o exemplo de Bico, onde é notória a preocupação de zelar pela divisão das águas no período da rega. Ou ainda de Castanheira, freguesia onde é ainda feita a divisão anual do tojo por alguns habitantes.

16 janeiro 2009

À procura do presidente da junta

As eleições autárquicas ainda não têm data marcada. Serão este ano, é certo, algures lá para Setembro ou Outubro, mas a data precisa ainda está no segredo dos deuses, lá para os lados de S. Bento. Por aqui mais perto, pelo concelho, a indefinição paira sobre os nomes que se irão apresentar à votação nesse acto eleitoral.
Ainda na semana passada o Notícias de Coura dava-nos a conhecer a posição dos actuais presidentes de junta face ao aproximar das eleições e a conclusão não dá para enganos: neste momento, apenas um autarca já decidiu o caminho a seguir. Os outros vinte presidentes estão ainda na corda bamba, nem sim, nem não, à espera do que está para vir.
Com efeito, apenas Manuel Lopes Fernandes, autarca de Linhares, já anunciou que não se recandidata nas próximas autárquicas, alegando motivos de saúde. O “susto” que apanhou há uns meses muito deve ter contribuído para essa decisão. Fica, assim, de fora da corrida o único presidente de junta que, nas autárquicas de 2005, não teve qualquer concorrente a correr contra si.
Quanto aos restantes, pese embora a indefinição sobre uma eventual recandidatura, o inquérito feito pelo Notícias de Coura serve para tirar algumas conclusões. Em primeiro lugar mostra-nos que alguns presidentes de junta querem ver que obras são feitas no decorrer deste ano, o que pode levantar algumas suspeitas de que há muitas obras que vão ser levadas a cabo apenas com preocupações eleitorais. Por outro lado, o desabafo de Joaquim Felgueiras Lopes, presidente da Junta de Freguesia da vila, que diz que ainda não sabe se será candidato porque ainda não foi contactado pela concelhia do seu partido, mostra que o processo de escolha de candidatos a nível partidário está ainda atrasado.
O inquérito mostra-nos, também, que ser presidente de junta não é coisa para os mais jovens. Senão atente-se na idade dos actuais presidentes. A média de idades é de 55 anos, mas mais de um terço dos autarcas já ultrapassou a fasquia dos sessenta. O “benjamim” do lote é o autarca de Bico, com 35 anos. Nas próximas eleições não será tempo de rejuvesnecer?

14 janeiro 2009

Coura de outros tempos (3)

Depois de ter falado aqui e aqui sobre o valioso património da história courense que anda por aí à solta e a que não era dado o devido valor, eis que, afinal, a Câmara de Paredes de Coura mostra que está atenta, e dá conta de alguns projectos editoriais onde se destaca uma publicação sobre postais antigos do concelho. São coincidências felizes...
De acordo com a notícia publicada na última edição do Notícias de Coura, que se reproduz acima, a técnica do arquivo municipal estará a ultimar um trabalho que pretende dar a conhecer as diferenças entre as imagens reproduzidas em postais antigos sobre concelho e os mesmos locais e espaços na actualidade. Uma iniciativa que se louva e que irá dar uso a um património cujo valor não é, muitas vezes, tido em conta por quem de direito. Os postais, tais como as muitas fotografias antigas que existem sobre o concelho ao longo do século passado e mesmo do século XIX, constituem um retrato valioso do que foi Paredes de Coura noutros tempos.
E por falar noutros tempos, de salientar também a inciativa que vai ser levada a cabo na próxima sexta-feira, a partir das 18 horas, no Arquivo Municipal. Aproveitando a exposição "Facetas da identidade courense" que está patente ao público naquele espaço, a autarquia vai dinamizar uma conversa sobre a mesma, dando a conhecer o projecto de recenseamento dos acervos documentais que estão à guarda das juntas de freguesia e, ao mesmo tempo, procurando reconstituir vivências comunitárias do passado. A não perder.

13 janeiro 2009

O comboio antes do automóvel

Da maneira como as coisas andam, parece que vamos ter comboio de alta velocidade a cruzar o Alto Minho, antes de termos a (mais que) prometida via rápida a ligar à A3. São prioridades...

10 janeiro 2009

E porque não sem antenas?

Já são visíveis no terreno os trabalhos da EDP para enterrar a linha de alta tensão que passa junto ao Centro de Saúde e cujo poste impede a construção, para ali prevista, de um heliporto de apoio àquele equipamento. Vingou, finalmente, o pedido que a Câmara de Paredes de Coura fez à EDP há quase um ano. Infelizmente foi preciso um acidente grave para mostrar aos responsáveis daquela empresa que o poste impedia, efectivamente, a aterragem segura do helicóptero do INEM.
Ao ver a obra no terreno, Pereira Júnior aproveitou a onda e reforçou o pedido inicial, solicitando que também seja retirado um outro poste de alta tensão existente na vila, que deixaria, deste modo, de ter cabos de alta tensão a atravessar o seu espaço aéreo. Bem visto, senhor presidente.
Já agora, e aproveitando os trabalhos para a instalação das redes de distribuição de gás e de fibra óptica, que deverão ser levados a cabo este ano, porque não aproveitar a oportunidade e libertar também os telhados das inestéticas antenas de televisão? Não é novidade nenhuma, vários municípios já retiraram as antenas dos centros urbanos, distribuindo o sinal de televisão, gratuitamente, por cabo, mediante protocolos celebrados com os vários operadores. Se a vila vai ser dotada de uma rede de fibra óptica que permite isto e muito mais, porque não aproveitar essa capacidade para a embelezar. Ao mesmo, saliente-se, beneficiavam-se os habitantes, que com as tradicionais antenas, em grande parte da vila, não conseguem apanhar todos os canais emitidos em sinal aberto. Fica a sugestão.

09 janeiro 2009

Coura branca, pensamentos lavados

A tarde foi passada num passeio pelas paisagens, hoje mais monocromáticas, do Alto Coura. Os miúdos adoram uma brincadeira na neve e, há que ser sincero, os adultos também não resistem a meter as mãos no manto gelado.
Subo à Área Protegida do Corno de Bico, agora com muitos menos neve que de manhã mas ainda com bastantes espaços para atirar umas bolas ou fazer o típico boneco. O silêncio do frio só é cortado pelo riso das crianças que brincam alegremente. O branco e verde da paisagem só é interrompido pelas espirais de fumo que saem de cada chaminé. É Inverno, a lareira volta a reinar nas casas minhotas.
Desço de novo à vila e volto a entrar no mundo do dia-a-dia. Soube bem aquela pausa por entre o branco e o silêncio. Por algum tempo todos os problemas ficaram para trás. Esqueci-me da crise, da guerra no Médio Oriente, das tricas políticas locais e nacionais. De tal forma que nem sequer reparei na cor política dos trabalhadores que espalhavam sal na estrada para ajudar a acabar com o gelo. Só por isso já valeu a pena o passeio. É, com certeza, um programa repetir.

06 janeiro 2009

Boletim fora da lei?

Ontem, ao chegar a casa, lá tinha na caixa do correio mais um exemplar do boletim municipal de Paredes de Coura, publicação que, habitualmente, nos visita de seis em seis meses, enaltecendo o que o município levou a cabo no último semestre e apontando os eixos estratégicos a seguir nos próximos. Um instrumento muito utilizado pelas autarquias e que, diga-se em abono da verdade, em Paredes de Coura nem sequer vai tão longe, em termos de descaramento, como acontece noutros concelhos. Pessoalmente, tenho contacto regular com mais uma boa dúzia de boletins do género, editados por câmaras municipais de vários pontos do país, e onde o principal elemento de todas as notícias da publicação é o excelentíssimo senhor presidente da Câmara, que parece fazer questão de aparecer em 99 por cento das fotografias existentes no boletim.
O que nos chega às mãos em Paredes de Coura é, neste sentido, muito mais discreto. Ainda assim, os responsáveis pelo boletim municipal courense parecem não ter ainda conhecimento da directiva emanada pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social em Setembro último. É que a referida directiva alerta para o cumprimento dos princípios gerais de Direito e da liberdade de expressão neste tipo de publicações e salienta, nomeadamente, que estas se encontram obrigadas a veicular a expressão das diferentes forças e sensibilidades políticas que integram os órgãos autárquicos. Ora, uma leitura rápida pela edição que ontem nos chegou a casa mostra que PSD e PCP estão totalmente ausentes do conteúdo editorial do boletim.
É claro que também podem ter sido esses dois partidos, os únicos, além do PS, que estão representados nos órgãos municipais, a abdicar de uma bancada privilegiada, que chega a casa de todos os courenses dentro e fora do concelho, para fazer passar a sua mensagem. Se assim for, pior para eles, mas sempre podem questionar o que consta do boletim municipal fazendo uso do direito de resposta e rectificação a que, já agora informa-se, as publicações autárquicas também estão obrigadas.

02 janeiro 2009

O rádio do vizinho de baixo

Noite de passagem de ano em Paredes de Coura. A caminho do Centro Cultural para assistir ao fogo de artifício que assinalou a meia-noite por cá, deparo-me com um cadeado a fechar a porta da única unidade hoteleira da vila. Situação estranha, pensei eu, sabendo de antemão que há muitas pessoas que vêm de fora para passar o ano a Coura e, à falta de casa de familiares onde ficar, escolhem a Albergaria para passar a noite. Mas, era noite de fim de ano e não liguei.
No dia seguinte voltei a passar no mesmo local e o cadeado mantinha-se, sinal de que, efectivamente, ninguém, ali teria pernoitado. A minha estranheza voltou, mas ficou tudo esclarecido pouco depois, quando, numa conversa num café da vila, fiquei a saber que, ao que parece, o proprietário decidiu não aceitar reservas para a noite de fim de ano para não prejudicar os clientes… por causa do barulho do vizinho de baixo, a discoteca que começou a funcionar em 2008. Então, perguntei eu, não tinha sido feita uma inspecção técnica para verificar as condições de acústica e o nível de ruído daquele estabelecimento de diversão? E a licença de funcionamento emitida pela Câmara não estava condicionada aos resultados dessa inspecção? Ora, se assim é, e uma vez que a discoteca está a funcionar, então é porque a inspecção assim o atestou, não? A isto, contudo, o meu companheiro de mesa neste primeiro café do ano, não soube responder, simplesmente porque os resultados da vistoria são desconhecidos.
Realmente, pensei cá para comigo, a última coisa que se ouviu sobre este assunto foi aquando da emissão da licença camarária, em pleno pico do Verão, condicionada aos resultados de uma vistoria técnica, resultados esses que eram desconhecidos à data da reunião camarária que decidiu emitir a licença. Ou seja, para não perder tempo a Câmara atribuiu a licença de funcionamento à discoteca, mas esta só seria válida se os resultados da inspecção fossem consentâneos com os limites de ruído impostos pela legislação. O certo é que os resultados dessa fiscalização nunca foram divulgados e não são conhecidos do público, ao contrário das queixas de vários clientes da residencial que, depois de uma noite mal dormida, não hesitaram em queixar-se do elevado ruído originado pelo funcionamento da discoteca por debaixo dos quartos. Os resultados não terão sequer chegado aos vereadores que aprovaram a emissão da licença condicionada. No entanto, basta passar pelos arredores da discoteca numa noite em que esta se encontre a funcionar, para perceber que facilmente a música inunda os quartos da unidade hoteleira.
Ficamos, por isso, sem entender como é que a licença emitida pela Câmara se mantém em vigor. E há mesmo quem questione se alguma vez houve condições para que ela tenha sido emitida. Eu, à falta de conhecimento dos resultados da inspecção, continuo a dizer que o sono de uns não pode ser prejudicado pela diversão de outros.